A água cai da
atmosfera, na terra, onde chega principalmente na forma de chuva ou de neve.
Ribeiros, rios, lagos, glaciares são grandes vias de
escoamento para os oceanos. No seu percurso, a água é retida pelo solo, pela
vegetação e pelos animais. Volta à atmosfera principalmente pela evaporação e
pela transpiração vegetal. A água é para o homem, para os animais e para as
plantas um elemento de primeira necessidade. Efetivamente, a água constitui
dois terços do peso do Homem, e até nove décimos do peso dos vegetais. É
indispensável ao Homem, como bebida e como alimento, para a sua higiene e como
fonte de energia, matéria-prima de produção, vida de transporte e suporte das atividades
recreativas que a vida moderna exige cada vez mais.
Em conseqüência da exploração demográfica e do acréscimo rápido das
necessidades da agricultura e da indústria modernas, os recursos de água são
objeto de uma solicitação crescente. Não se conseguirá satisfazê-la nem elevar
os padrões de vida se, cada um de nós não aprender a considerar a água como um
gênero precioso que deve ser preservado e utilizado racionalmente..
A água na natureza é um meio vivo, portador de organismos benéficos que
contribuem para manter a sua qualidade. Poluindo a água corre-se o risco de
destruir esses organismos, desorganizar assim o processo de autodepuração e,
eventualmente, modificar de forma desfavorável e irreversível o ambiente vivo.
As águas de superfície e as águas subterrâneas devem ser preservadas contra a
poluição. Todo e qualquer decréscimo importante da quantidade ou da qualidade
de uma água corrente ou estagnada pode ser nocivo para o Homem e para os outros
seres vivos.
A qualidade da água deve ser mantida a níveis adaptados à utilização para que
está prevista e deve, designadamente, satisfazer as exigências da saúde
pública. Essas normas de qualidade podem variar conforme os tipos de
utilização, tais como a alimentação, necessidades domésticas, agrícolas e
industriais, pesca e atividades recreativas. Todavia, sendo a vida, na sua
infinita diversidade, tributária das qualidades múltiplas das águas, deverão
ser tomadas disposições para lhes assegurar a conservação das suas propriedades
naturais.
Quando a água, depois de utilizada, volta ao meio natural, não deve comprometer
as utilizações ulteriores que dela se farão, quer públicas quer
privadas. A poluição é uma alteração, geralmente provocada pelo homem,
da qualidade da água, que a torna imprópria ou perigosa para o consumo humano,
para a indústria, agricultura, pesca e atividades recreativas.,
para os animais domésticos e para a vida selvagem. O
lançamento de resíduos ou de águas utilizadas que provoquem poluições de ordem
física, química, orgânica, térmica ou radioativa não deve pôr em perigo a saúde
pública e deve ter em conta a aptidão das águas para assimilar ( por diluição ou autodepuração) os resíduos lançados. Os
aspectos sociais e econômicos dos métodos de tratamento das águas revestem
grande importância.
A manutenção de uma cobertura vegetal adequada, de preferência florestal, é
essencial para a conservação dos recursos de água. É necessário manter a
cobertura vegetal de preferência florestal e sempre que essa cobertura
desapareça deve ser reconstituído o mais rapidamente possível. Salvaguardar a
floresta é um fator de grande importância para a estabilização das bacias de
drenagem e do respectivo regime hidrológico. As florestas são, de resto, úteis
não só pelo seu valor intrínseco mas também como
lugares de recreio.
A água doce utilizável representa menos de um por cento da quantidade de água
do nosso planeta e está repartida muito desigualmente. É indispensável conhecer
os recursos de águas superficiais e subterrâneas, tendo em conta o ciclo da
água, a sua qualidade e a sua utilização. Entende-se por inventário a
prospecção e a avaliação quantitativa dos recursos aqüíferos.
A boa gestão da água deve ser objeto de um plano cuidadoso porque a água é um
recurso precioso que necessita de uma gestão racional que concilie as
necessidades a curto e a longo prazo. Impõe-se, pois,
uma verdadeira política no domínio dos recursos de água, que implique múltiplos
ordenamentos com vista à sua conservação, regularização e distribuição. Além
disso, a conservação da qualidade e da quantidade da água exige o
desenvolvimento e aperfeiçoamento das técnicas de utilização, de reciclagem e
de depuração.
A investigação sobre a água já utilizada, deve ser
encorajada ao máximo. Os meios de informação devem ser ampliados e as trocas
internacionais facilitadas, ao mesmo tempo que se
impõe uma formação técnica e biológica de pessoal qualificado.
A água é um patrimônio comum, cujo valor deve ser reconhecido
por todos. Cada um tem o dever de a economizar e de a utilizar com parcimônia.
Cada indivíduo é um consumidor e um utilizador da água. Como tal, é responsável perante os outros. Utilizar a água
inconsideradamente é abusar do patrimônio natural.
A gestão dos recursos de água deve inscrever-se no quadro da bacia natural.
As águas que correm à superfície seguem os declives e convergem para formar
cursos de água. Um rio com os seus afluentes pode comparar-se
a uma árvore extremamente ramificada que serve um território que se chama
bacia.
Deve ter-se em conta o fato de que, nos limites de uma bacia, todas as
utilizações das águas de superfície e das águas profundas são interdependentes
e que, portanto, é desejável que também o seja a sua gestão.
A água não tem fronteiras. É um recurso comum que
necessita de uma cooperação internacional.
(reprodução parcial do texto da Carta Europeia da
Água)
Fonte: http://pimentanegra.blogspot.com/