Os Camaleões-Humanos e seus Cultos

Luciana Teixeira Batistetti

 

         Estudando a população brasileira contemporânea descobri, dentre as diversidades que a compõe, uma grande sociedade “underground” que se camufla entre nós. Resolvi denominá-los Camaleões-Humanos pela habilidade que possuem de transparecerem civilizados.

 

         Os Camaleões-Humanos subdividem-se em várias vertentes, pois cada grupo acredita num tipo de Deus. São tão devotos a ele que usam batas, cálices, mantos e cantam o mantra que representa sua divindade. Até matam em nome de seu Deus.

        

         Seus rituais são animados e coloridos, mas realizados em forma de disputa. Cada Deus possui seus representantes chamados Jagredeoos, que disputam com os Jagredoos de outro Deus numa grande arena. O combate não é mortal, mas geralmente fere alguns. Já os devotos assistem as disputas das arquibancadas ou pela televisão (é a tecnologia...), cantam o mantra, vibram entre si quando sua divindade ganha ou lutam com os devotos rivais quando perde. A reação depende dos deuses que disputam.

 

         Darei ênfase ao Deus Chartinnos, pois me parece possui o maior número de devotos e também os mais violentos. As pessoas que conhecem essa sociedade costumam chamar a maioria dos devotados a Chartinnos de bandidos e há muitas piadas infames a respeito deles. São os mais fervorosos, os mais devotos, os mais violentos (na minha opinião) e os  mais organizados. Fazem do seu Deus a sua vida.

 

         Pela natureza que assume durante os rituais que os denominei de Camaleões, pois mudam radicalmente de comportamento e não necessariamente é uma mudança positiva. São capazes de ignorar suas mulheres para realizar os rituais e já que toquei no assunto permita-me esclarecer que as mulheres não tem um papel muito ativo tanto como devotas nem como Jogradoos (fem. de Jogredoos).

 

         É uma sociedade que parece regredir no tempo durante seus rituais, aproximando-se da selvageria. E gosta tanto disso que seu dia acelera quando tem culto e pára quando este inicia. Gritam, soltam fogos, tocam tambores... é uma festa no início e nem seus deuses será o final. Realmente é uma sociedade que merece um estudo mais aprofundado no seu comportamento, coisa que não posso fazer pois, particularmente, não gosto de futebol.

 

 

 

 

 

 

 

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