Ralod
Guilherme
Alves Bomba
Estudos realizados por faculdades de todo o mundo
sobre “os povos devoradores de cabeças humanas”, revelaram a existência de
alguns desses povos até os dias de hoje. Entre esses povos o que mais se destaca
é uma tribo nômade, conhecidos como adoradores do deus – Ralod.
Essa tribo possui sua terra, mas é sempre movida
por seus instintos de superioridade, e por isso invadem territórios ditos
inimigos, as vezes de modo sutil, sem serem
percebidos, contudo em outras, são tão terríveis, que os gritos de dor podem
ser ouvidos de longe, e a fumaça do fogo das casas queimando pode ser vista até
de outro continente.
Em seu modo sutil, são tão cruéis quanto violentos.
Usam formulas bizarras, instigam os homens a ocupar o
tempo que seria para o descanso com atividades extras, massantes
e repetitivas, compostas de plantas mágicas, viciantes,
e quando os homens estão de tal forma presos, que não há lucidez nenhuma, vem a
segunda parte dos ritos da invasão. Os homens são guiados em caminhos sem
destino, em buscas sem fim, são peças de um tabuleiro. É quando os adoradores
de Ralod completam a cerimônia que pode
durar anos e até décadas. Os homens são colocados em uma espécie de templo, tem
seus olhos vendados, e com músicas que parecem de outro mundo, os adoradores de
Ralod cortam o topo das cabeças, sugam tudo que seja
útil, deixam uma pequena parte, o suficiente para que
eles vivam, mas não tanto para saber o que estava acontecendo. O espaço vazio é
preenchido com coisas volumosamente inúteis, o grande problema é que essa massa
densa e inútil é sempre igual, tornando os homens cada mais parecidos
e sem personalidade. Essa massa é feita por especialistas, treinados para o
ritual. São raras as pessoas que conseguem preservar a essência de suas
cabeças, e mais raros ainda são aqueles que conseguem se recuperar. A
recuperação ocorria com uma série de rituais cirúrgicos, onde o índices de seqüelas é altíssimo, principalmente loucura
tristeza aguda. Uma forte sensação de vazio, entre outras. O tratamento é
doloroso, mas os que se recuperam se tornam homens livres, e as
vezes até mesmo felizes.
Não se sabe ao certo os motivos que levaram os
adoradores de Ralod a matar, saquear e dizimar
populações e tribos de tão longe, segundo os estudiosos da pesquisa, eles se julgam os salvadores do mundo, livrando o mundo dessa mancha
negra que são os povos pensantes, a face do mal, que devem ser controlados. No
início do século XI na região dos sete grandes lagos, mais especificamente no
lago número, houve uma represália aos povos adoradores do deus Ralod, onde algumas centenas de adoradores foram jogados de uma grande árvore, empurrados e feridos por pássaros
gigantescos, criados pela magia de feiticeiros dos lagos negros. Esses feiticeiros
eram quase tão poderosos quanto os Ralod’s, e
possuíam o controle dos lagos negros, fontes poderosas
de tudo que um homem primitivo pode querer, entre eles glória, dominação e
força. Algum tempo depois os adoradores de Ralod
quase extinguiram as tribos dos perversos feiticeiros, matando não só eles, mas
todos aqueles que pudessem andar, falar e até mesmo respirar. Tudo isso para
acabar com a dor, o medo, e qualquer coisa que pudesse fazer mal a alguém.
Até hoje não se sabe que fim terá a anti-cultura ralodiana, até onde
poderão chegar, quem mais irão salvar, quem mais terá
sua cabeça transformada, se é que existe alguém
que não traga a marca Ralod em alguma parte de
seu corpo, quem mais sentirá a irá do deus Ralod,
quem será o próximo?
Não há necessidade de temer o que é seu em sua
cabeça, mesmo que seja pouco, mas nesse pouco há um potencial de multiplicação,
basta ser bem preparada, tal como colares de penas de pássaros nobres, que
colocados junto ao corpo, protegem das machadadas cruéis do deus Ralod. Previna-se, eles podem
estar em todos os lugares, onde você não pode nem imaginar. E lembre-se, pior
do que ser uma vítima desse povo é querer ser um deles, um ato que trará dor,
quase que “irreversible”.