Xadrez
Aline
Christina dos Santos Pinto
Em 20 de
março de 2003, mais precisamente às 5h e 45 minutos de Bagdá, dá-se início a
uma longa jonada para as peças integrantes do
tabuleiro.
A meta
seria capturar o rei negro.
Ponto:
começa o jogo!
Os peões
brancos iniciam a ofensiva por terra. Em 17 minutos, 25 edifícios são
destruídos pela chuva de 320 mísseis.
Os peões defensores
do lado negro do jogo se defendem como podem, mas já sofrem as primeiras
baixas.
Os cavalos
vão em direção às torres de petróleo, conquistam os aeroportos e iniciam o
cerco à capital.
O bispo
acaba com as sanções dos negros e legitima a Autoridade Provisória da Coalisão.
O jogo
continua. As peças negras já foram quase todas eliminadas. Falta uma... a principal... o Rei!
As
estratégias do campo branco são as mais sórdidas já vistas.
Em 13 de
dezembro de 2003, “humilhado e abatido, num buraco coberto por tijolos e lixo,
como um duto de ventilação, no qual cabia apenas uma pessoa”, finalmente a peça
que faltava foi capturada! Vitória para os brancos, jogo acabado. Será?
Já é
véspera de natal e o rei vencedor ainda não retirou suas tropas das frentes de
combate.
A verdade
vai se evidenciando cada vez mais e a nação branca começa a perceber nesse jogo
uma desculpa esfarrapada de conseguir algo mais... ouro...
talvez com a mesma tonalidade das peças derrotados-negro.
O rei
branco envia o príncipe Harry para combater para mais
tarde ser aclamado como herói.
Anuncia-se
o envio de mais 20 mil peões. Impostos sofrem alta para cobrir tais gastos.
Anos se
passam e em 31 de dezembro de 2006, começam a circular fora do tabuleiro cenas
da execução final do rei capturado.
Hoje, 14
de abril de 2007, 4 anos após o início dessa barbárie, o jogo continua, mesmo
já havendo um perdedor; e a nação negra sofre terríveis e freqüentes ataques.
Até
quando? Somente a insanidade de “um certo rei” pode
responder.
“Chega
de sangue por petróleo”.
BAIXAS:
·
650 mil iraquianos mortos
·
3.500 das tropas de ocupação