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'Psic�logo Ant�nio Carlos Alves de Araujo-Adultos e terapia de casal-
TATUAP�-Z.LESTE' tels: 66980558/66921958 |
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INFIDELIDADE E TRAI��O (ESTUDO PSICOL�GICO)
Independentemente da era, modelo econ�mico e social, o assunto da trai��o nos relacionamentos acompanha a pr�pria hist�ria afetiva e sexual do ser humano. Obviamente por seu car�ter de extremo sofrimento e dor, a mat�ria � sempre atual, mesmo que determinados modismos tentem se impor no padr�o cultural de determinada �poca. Quero deixar claro que as id�ias apresentadas abaixo n�o possuem um car�ter gen�rico, mas, apenas observa��es de casos acompanhados clinicamente. A primeira premissa para uma futura trai��o sexual ou afetiva � o n�o acompanhamento da imagem ps�quica que uma pessoa formou acerca de seu companheiro, e se tal imagem � pass�vel ou n�o de satisfa��o plena. A estimula��o da ilus�o seja pela sedu��o ou aus�ncia � sin�nima completa da trai��o, sem que ocorra necessariamente um encontro sexual clandestino. Antes da trai��o sexual propriamente dita, ocorre a fuga no plano emocional, havendo a recusa da ajuda perante o desenvolvimento das potencialidades amorosas de ambos os parceiros; assim sendo, a trai��o m�xima � o des�nimo de estar com algu�m. A psicologia falhou no estudo deste tema, pois os elementos destrutivos t�o bem estudados pela mesma, se aplicam diretamente � quest�o da trai��o. Digo isto, pois no campo cl�nico notei que o desejo de trair algu�m nasce muitas vezes diante da fraqueza do parceiro; revelando os conte�dos da agressividade, frustra��o e desejo de poder sobre o outro; que ir�o catalisar a busca por novas pessoas.
Quanto maior a timidez de uma das partes envolvidas no tocante a exposi��o da perda de seus sentimentos, maior ser� a competi��o do companheiro para alterar ou recuperar a situa��o anterior. Conclui-se que a trai��o est� intimamente ligada � disputa e competi��o. Do ponto de vista masculino � hist�rico o desejo de ambi��o. Jamais podemos nos contentar com a fal�cia do "enj�o" no relacionamento; o que ocorre � o transporte do desejo de riqueza e ac�mulo do �mbito social para a rela��o. O amor masculino � cumulativo e age perante o desafio; e como a mulher � sua posse pode a destratar o quanto quiser, ap�s a conquista; caso algu�m duvide � s� se lembrar das experi�ncias da adolesc�ncia em rela��o � competi��o grupal acerca de quem iria sair com a mais bela garota da escola. O homem na maioria das vezes carrega esta dificuldade de n�o conseguir amar, tendo a necessidade da conquista do objeto sexual valorizado para satisfazer seu narcisismo perante o meio.
A trai��o feminina segundo alguns psic�logos tem a finalidade de por fim a determinado relacionamento que h� muito tempo est� falido. Tal conclus�o � verdadeira em parte, pois a quest�o ultrapassa este conceito. A postura sexual da mulher n�o deixa de ser um "espelho" perante todo o hist�rico do comportamento de seu par; a trai��o feminina encerra n�o apenas um componente de vingan�a frente ao que o homem resistiu em proporcionar a mulher, mas, tamb�m guarda uma mem�ria afetiva e sexual extremamente elevada sobre todas as situa��es vividas. O interessante � que o sofrimento feminino perante a trai��o remete a falta de amor de seu parceiro; j� no caso masculino, a primeira leitura � sobre o desempenho sexual, ou se outra pessoa consegue ir al�m de suas capacidades, refor�ando o car�ter da competi��o citada acima.
Outro fator interessante � como cada um reage frente � trai��o. A mulher por mais ferida que esteja, ainda tenta entender o que aconteceu no relacionamento que acarretou t�o tr�gico epis�dio; o homem faz a leitura de que a trai��o feminina sempre fez parte de um desvio de car�ter da mulher, tentando se eximir de qualquer responsabilidade pessoal. O quadro cultural em que o ser masculino foi criado diz que o mesmo "ama quem n�o deseja" - sua esposa, e "deseja quem n�o ama" - seja uma amante ou aventura sexual qualquer.
Essa dicotomia afetiva novamente retrata o car�ter ambicioso e banc�rio dos relacionamentos. Diz ainda da delicada quest�o da beleza ou sensualidade e como se lida com ambas. O homem procura galgar poder e respeito perante seus pares, como foi exposto. A mulher encara a beleza quase como uma "sobreviv�ncia" de sua parte afetiva que clama por considera��o, tentando evitar o abandono por parte de seu companheiro; embora abaixo irei relatar alguns aspectos nocivos de como o ser feminino lida com tal aspecto.
A beleza talvez seja o �cone m�ximo da era moderna, se associando a dinheiro, prest�gio e status. Sua fun��o psicol�gica � diminuir a ang�stia e sofrimento desesperador da rotina di�ria. O ser masculino a busca para esconder suas ambi��es ou decep��es que n�o conseguiu efetuar. A mulher a nutre pela necessidade de ser cultivada e servida, embora reclame constantemente da obsess�o e ci�me. A mesma ainda acusa o homem por seu car�ter essencialmente er�tico; mas, o por que ent�o da preocupa��o exacerbada com a apar�ncia? A fortuna movimentada pelas cl�nicas est�ticas mostra um outro lado; o v�cio da mulher no tocante ao h�bito de seduzir, e a mentira que algumas vezes passa ao tentar dizer que gostaria de algo mais profundo, quando na maior parte do tempo alimenta apenas sua vaidade. � o mesmo processo que ocorre com algu�m que det�m extrema fama e se queixa do constante ass�dio e invas�o de sua privacidade; sendo a fama seu combust�vel di�rio. A dissimula��o � generalizada quando se consegue uma substancial dose de valor ou import�ncia. A beleza � o seguro mais atual contra todo o processo da fragilidade humana em todas as esferas. O modelo social nos coloca a imposi��o da fama n�o apenas para sermos respeitados, mas o que � pior; para obtermos determinadas satisfa��es b�sicas, como a aten��o ou afeto, citando dois exemplos.
Uma das provas do amor � o desejo constante de servir; infelizmente a maioria dos casais n�o consegue a comunica��o de como isso deve ser feito na pr�tica. J� faz um bom tempo que a disponibilidade n�o incrementa a gratid�o ou desejo do parceiro. A sensa��o � de uma exig�ncia que jamais algu�m poder� cumprir, dissimulando o fato de que a maioria das pessoas tem um grave problema em estabelecer compromissos nos dias atuais. A dicotomia observada � se sentir confinado numa rela��o, clamando por liberdade para novas buscas versus o terr�vel medo da solid�o; isso sem contar a parte destrutiva que todos carregam na �nsia ou desejo de "amarrar" a alma de algu�m. O desejo de liberdade que eclode quando estamos num determinado relacionamento � fruto da baix�ssima autonomia que possu�mos na esfera econ�mica e social. Transportamos determinadas faltas sociais para os relacionamentos. Mas voltando ao tema da trai��o, o que fazer quando se descobre a mesma? Esta sem d�vida alguma � a pergunta que mais dilacera quem passou ou est� passando por tal experi�ncia. O ideal seria que antes de tal cat�strofe um dos dois discutisse n�o apenas sua ambi��o por outras pessoas, como tamb�m a sensa��o de aprisionamento que a rela��o est� produzindo. Mas � quase que tolice buscar sinceridade na atualidade.
O fato � que a descoberta da trai��o n�o apenas levanta aspectos ou desejos de vingan�a, abrindo caminho para pensamentos muitas vezes irracionais que a pessoa n�o possui nenhum tipo de experi�ncia ou controle. Parece que qualquer tentativa de resolu��o leva ao caos ps�quico. Se h� o "perd�o", aparecem os mecanismos de poder, sendo que o sentimento de d�vida ou a falha comportamental jamais poder�o ser restaurados. O perd�o trar� tamb�m a consci�ncia que nem toda a m�goa ou escombro mental pode ser removido, tendo que aprender a conviver com um "resto" de desilus�o; apesar de que o perd�o � o melhor instrumento para se aferir se houve apenas um conflito que o parceiro n�o soube lidar, ou se as atitudes desenvolvidas pelo mesmo fatalmente ir�o se repetir. Se ocorrer a dissolu��o da rela��o, o arrependimento por t�o radical decis�o inunda a consci�ncia; isso sem falar na paran�ia ou desconfian�a que se instalam automaticamente no conv�vio di�rio. Uma das mensagens cruciais � que dever�amos sem d�vida alguma seguir em frente. Podemos inferir que a trai��o remete a nossa falta de experi�ncia de como lidar com o �dio, elemento irm�o da paix�o ou amor. A raiva resultante de uma trai��o possui um duplo sentido: primeiramente � fundamental que possa ser expressa para que ocorra a liberta��o psicol�gica de quem est� completamente absorto no sofrimento. Por�m, o cuidado deve ser extremo para que n�o se alimente a continuidade de algo essencialmente negativo, refor�ando a sedu��o de ser a v�tima o tempo todo.
A tentativa hist�rica e moral das religi�es de coibir relacionamentos fora do modelo do casamento, s� potencializou a atua��o destrutiva num n�vel al�m do alcance da maioria dos mortais, pois sempre teve medo de discutir as reais paix�es humanas negativas; embora at� hoje n�o consigo visualizar alternativas de rela��o n�o neurotizadas, quando se foge de determinados preceitos hist�ricos e morais. A trai��o revela a outra faceta sempre negada de qualquer apego ou depend�ncia; que tudo n�o apenas passou de ilus�o, e que temos de fazer uma certa li��o de casa acerca de nossos sonhos e expectativas; ou perceber se no decorrer de nossas vidas estamos apenas investindo em terrenos est�reis. O mais dolorido nisso tudo � a nossa instabilidade para o prazer. Seja a insatisfa��o do sujeito com a rotina, ou a pessoa que originou o processo da trai��o, todos se encontram numa total escurid�o acerca do futuro. A decis�o n�o cabe mais a ningu�m; somente a determinada frase ou elemento de impacto que tire todos do caos, perante os fatos ocorridos.
A trai��o � a exposi��o da car�ncia ou bloqueio afetivo de todas as partes envolvidas. N�o h� vencedores; apenas uma troca atribulada da antiga seguran�a emocional pela disputa completa. Fazendo uma compara��o em termos sociais, equivaleria a uma demiss�o no �mbito profissional, ap�s certo tempo de experi�ncia, sem que os reais motivos de tal acontecimento fossem explicitados. A disputa pelo objeto de desejo gera uma total ambig�idade: o narcisismo consciente ou n�o de quem traiu, se sentindo sobrevalorizado inconscientemente perante o epis�dio; assim como a pessoa tra�da ir� buscar a prova de seu valor pessoal por todos os meios poss�veis; isso sem falar do �libi que algu�m tra�do pode usar contra todas as faltas do outro, fugindo de suas pend�ncias psicol�gicas. Por outro lado, o sofrimento acarretado por tal disputa nasrc�sica levar� ao "nojo" ou degrada��o daquilo que era estimado.
Uma quest�o importante no tocante � trai��o, � que a mesma remonta a sobreviv�ncia do ego. A expectativa de uma miserabilidade seja no campo econ�mico ou pessoal, � a trag�dia de nossa �poca. Ser tra�do equivale a uma esp�cie de fal�ncia emocional, ps�quica e sexual. O importante a frisar novamente � a sedu��o de sentir �dio em qualquer situa��o afetiva. Tal emo��o visa n�o apenas distrair a pessoa de suas m�goas ou frustra��es, se tornando uma esp�cie de passatempo que preenche por completo a alma de algu�m. O �dio se instala seja pela trai��o ou qualquer caracter�stica que se v� no parceiro que gere conflito. A hipocrisia � plena na mat�ria afetiva, pois h� muito tempo j� dever�amos saber da nossa intoler�ncia no terreno emocional. O �dio � o mais puro comportamento cotidiano; a felicidade remete � unicidade, tornando uma pessoa especial por se conhecer e lidar com todo o tipo de conflito. O contrato afetivo que quase ningu�m consegue estabelecer � o pre�o a ser pago pela conviv�ncia a dois. A pessoa que trai julga n�o apenas estar insatisfeita; sendo que seu desejo de poder est� longe de ser conclu�do. O desafio se torna uma meta de vida silenciosa e ilegal.
A trai��o diz de uma pessoa totalmente mimada, pois tenta sugar o m�ximo poss�vel na esfera afetiva e sexual; embora n�o possa concordar plenamente que a trai��o reside apenas numa determinada ambi��o. H� uma tentativa avassaladora de despotencializar o parceiro por completo; uma esp�cie de inveja por n�o ter incorporado elementos que lhe dariam mais poder ou seguran�a.
A dificuldade e timidez no tocante aos fatores emocionais constituem outro caos emocional de nossa atualidade. O t�mido como observei exaustivamente em outros estudos*; nega-se peremptoriamente � divis�o de qualquer experi�ncia �ntima. Odeia falar de si; usando sua dificuldade social para fugir de suas responsabilidades afetivas. Sua meta � obstruir o "sonho do outro", pois, caso algu�m atinja o "cl�max" com ele, ter� um compromisso de retribui��o que n�o deseja efetuar. N�o que as pessoas que mais cometam uma trai��o sejam necessariamente t�midas, mas um ponto que quero ressaltar � que a trai��o � uma forma de nivelar todos os envolvidos pelo desespero. Mas o leitor ir� se perguntar qual a vantagem de se produzir um sofrimento quase que insuport�vel? Medo do envolvimento pleno, fuga, anseios de poder frustrados, repeti��o de relacionamentos familiares destro�ados e principalmente investimento apenas numa imagem ego�sta e narcisista de car�ter. Todos t�m o dever de aprender as equival�ncias dos processos onde est�o envolvidos. O casamento se tornou uma esp�cie de "venda", onde tudo � prometido antes: encontro de casais, orienta��o religiosa ou matrimonial, apoio social e tradi��es. Por�m, ap�s certos conflitos as pessoas se encontram absolutamente desamparadas, seguindo o mesmo procedimento que ocorre na esfera econ�mica e social.
A sa�da de todo esse processo de terror seria a n�o intimida��o perante o v�cio de competir, que � sin�nimo do modelo social e que acaba com a rela��o gradativamente. O auto respeito � nunca trocar a seguran�a pessoal por uma imagem ou c�pia de idiossincrasias coletivas. Quem n�o consegue depender de si pr�prio, abrir� caminho para todo tipo de situa��o neur�tica e de futuro desprazer. N�o que deseje passar a mensagem que todos devem procurar a solid�o; muito pelo contr�rio, aquele que aprendeu n�o somente a depender de si, sendo tamb�m receptivo �s possibilidades de trocas genu�nas, estar� muito pr�ximo da arte do amor e satisfa��o quase que plena. Talvez a coisa eterna e saud�vel em nossa vida n�o � a lembran�a corriqueira de algo negativo, como nossa mente aprendeu a se concentrar, mas principalmente a abertura e possibilidade no dia a dia de aprender, e nunca se abater ou contaminar por processos que j� eram viciados desde seu in�cio.
Quanto maior o apego, maior a possibilidade de uma trai��o, pois, o medo da perda caminha em paralelo com a dificuldade de se expor � gratifica��o ou n�o no conv�vio com determinada pessoa. O ci�me acarreta o mesmo efeito; sufocar e n�o dar a m�nima chance para que a pessoa possa mudar de id�ia ou fazer outra escolha; assim sendo, a inseguran�a � a mola propulsora inconsciente que pode trazer � tona o desejo de trair em ambos os parceiros; sendo assim, n�o h� inocentes nesta mat�ria. O leitor poder� questionar se n�o � um tanto religioso o modelo aqui apresentado de expor todas as insatisfa��es, como uma esp�cie de "confiss�o" emocional. O fato � que se n�o h� nenhum par�metro de di�logo ou conviv�ncia afetiva, o narcisismo exacerbado de um dos parceiros triunfar� sobre qualquer possibilidade de troca verdadeira, com todas as conseq��ncias danosas que conhecemos.
Para tudo se cria a possibilidade de ganhar dinheiro. Na trai��o, a coisa n�o funciona de modo diferente. A ind�stria dos detetives ou flagrantes de uma suposta trai��o movimentam um mercado de grandes somas econ�micas. Ao inv�s de se alimentar essa paran�ia, seria interessante que as pessoas lidassem profundamente com seus sentimentos de desamparo e abandono. Cansei de observar pessoas totalmente inseguras, que seu objetivo m�ximo de vida era apenas delatar ou encontrar provas da infidelidade do parceiro. Quem possui plenamente afeto ou amor jamais poder� se considerar como tra�do, no m�ximo fez uma p�ssima escolha, seja por fatores est�ticos ou comportamentos neur�ticos que remetem a um passado mal resolvido. A verdade � que as pessoas se usam o tempo todo, e o relacionamento se assemelha a estar em determinado emprego sempre � espera de uma oportunidade melhor. Para o sujeito que sofreu a trai��o, a pergunta � se realmente o mesmo sentia a felicidade de estar com a pessoa, ou se apenas tudo n�o passou de um ensaio acerca do que seria realmente sua satisfa��o pessoal? A obriga��o de relacionamentos duradouros que antigamente faziam parte do cotidiano deu lugar � absoluta incerteza de quanto uma rela��o ir� perdurar em nossos dias. "Tudo pode acabar a qualquer instante"; j� que o mandamento m�ximo imposto por uma era de solid�o e desespero � a n�o cobran�a de desejos ou afetos. Dever�amos prestar mais aten��o ao que realmente perdura em nossas vidas.
A trai��o seria realmente a perda de um investimento emocional profundo, ou uma tola ilus�o de que uma pessoa poderia se encaixar num perfil desejado? Algu�m exige a fidelidade por um real compromisso amoroso, ou n�o admite nenhum arranh�o em sua imagem eg�ica? Certamente tais perguntas s�o cruciais no desvendamento do problema apresentado. Talvez muito mais do que um aspecto �tico ou religioso, a trai��o subliminarmente est� dizendo de algu�m que se tornou uma esp�cie de "n�made" afetivo. A discuss�o sobre o que � duradouro � fundamental para aprofundarmos a quest�o da trai��o. N�o seria a pr�pria institui��o matrimonial um desafio a fat�dica quest�o da morte como ess�ncia humana? Pe�o apenas a reflex�o para tal ponto. A morte sempre d� sinais antecipados de sua futura ocorr�ncia, sem que haja perdas ou situa��es bomb�sticas. O lament�vel � que poucos sabem interpretar tais fatos. O grande dilema � o que aceitar ou escolher para o curso de nossas vidas: dor, amargura, desespero, �dio, ou pot�ncia pessoal e criatividade.
A trai��o � a recusa completa na cren�a de que o conv�vio afetivo poderia ser ocupado por uma pessoa muito mais qualificada. A frustra��o cega por completo qualquer tipo de esperan�a acerca do futuro. Temos o h�bito milenar da concentra��o na vingan�a e repara��o, ao inv�s da an�lise de futuras possibilidades e sobre o que estamos atraindo para nossa vida. A verdade � que somos quase que totalmente ineficazes para estabelecer o ponto ideal de quando dever�amos ir embora; prova disso s�o as constantes sensa��es de culpa ou arrependimento. A trai��o soa como uma volta temporal no relacionamento a determinado est�gio onde n�o havia v�nculo ou compromisso; como se perd�ssemos totalmente a seguran�a que ach�vamos que det�nhamos. Outra quest�o importante a se levantar � a dificuldade de se manter ou cultivar uma rela��o que � at� agrad�vel; por�m, fica exposta totalmente � fantasia ou pensamento obsessivo de uma incompletude que parece que jamais poder� ser preenchida. Parece que apenas a perda nos mostra como sempre estamos distantes das pessoas que julg�vamos amar.
At� o momento, estive falando sobre ambi��o, posse e outros sentimentos que geram ou s�o gerados pelo poder. Uma rela��o na nossa atualidade parece como uma escolha que sempre acarreta a sensa��o de clausura; desprovida de uma seq��ncia criativa, ou que produza um constante estado de liberdade; este �ltimo se tornou o ant�nimo dos compromissos como estava dizendo no come�o do estudo. Parece que todos vivem a contradi��o de desejarem ser livres; paralelamente ao desejo de "pens�o" ou aposentadoria no �mbito afetivo, quando escolhem viver com uma pessoa. H� ainda o fator da constru��o de bens materiais para supostamente serem desfrutados a dois; sendo que n�o se percebe que na maioria das vezes tal meta apenas esconde a pr�pria insatisfa��o pela perman�ncia da rela��o. Esta �rdua tarefa � outro fator gerador da trai��o, pois uma pessoa que se sente sobrecarregada ir� tentar desafogar o peso extra de alguma forma. O que n�o se percebe neste exemplo � que todas as expectativas s�o direcionadas para uma ilus�o de prazer no futuro, se esquecendo por completo da car�ncia do presente.
� tr�gica a pregui�a coletiva de se perceber o significado de determinados processos. O centro do conflito de qualquer rela��o afetiva � o temor de expor h�bitos ou comportamentos que ainda n�o foram pass�veis de compreens�o ou solu��o pelo indiv�duo, causando vergonha e humilha��o quando percebidos a dois. Apesar disto, nunca nossos desejos se tornaram t�o ref�ns de outras pessoas. Talvez poucos estejam atentos para o fato de que o esfor�o pessoal de uma pessoa muitas vezes � dirigido para uma �rea que compense aquilo que a mesma est� em d�ficit h� anos, se recusando a lidar com seus complexos. Penso que a solu��o mais vi�vel para todos os problemas apontados seria o equil�brio energ�tico. Na pr�tica passa pela conscientiza��o de que um relacionamento ou amizade � algo vital, que requer manuten��o ou investimento di�rio, assim como nossa tarefa de sobreviver. Consumimos a maior parte de nosso tempo em coisas for�adas ou que est�o desprovidas de um sentido mais profundo; quando podemos decidir por algo no tempo livre que nos resta, surgem a ansiedade e ang�stia como inibidoras de algo novo. A li��o b�sica � a aferi��o do presente em qualquer tipo de encontro ou rela��o. Um ideal ou imagem � meramente uma constru��o psicol�gica para acomodar a mente num suposto prazer, ou fugir do medo. Portanto, sua perda nunca ser� a raiz da trai��o, mas do engano pessoal potencializado.
Deveria haver espa�o para tudo (sexo, alegria, divers�o; assim como para coisas negativas do tipo: rotina e t�dio). Por�m, nossa alma carenciada valoriza uma const�ncia de prazer inating�vel. Todos fomos treinados desde cedo para o esfor�o, e descobrimos que na �rea da pessoalidade, este talvez n�o seja a ferramenta mais eficaz. Quando indago meus pacientes acerca do que seria a rela��o perfeita escuto como respostas: companheirismo, cumplicidade e fidelidade. Confesso que se torna um tanto irritante ouvir tais conceitos absolutamente gen�ricos, quando na verdade quase ningu�m consegue realmente acompanhar o �mago de uma rela��o, ou suas constantes atribula��es. O que se chama de "amor" quase sempre se transforma num labirinto, onde seu centro � nossa ferida emocional sempre aberta. O medo ser� sempre um tipo de seguro sobre se devemos um n�o doar algo especial sem nenhuma garantia de retorno. A contradi��o � imediatamente instalada, pois, a reten��o de algo supostamente de valor acarreta invariavelmente a desvaloriza��o completa do mesmo.
Toda sociedade ou cultura acaba desenvolvendo mecanismos de defesa contra o sofrimento. O chamado "ficar", t�o propagado pelos jovens n�o passa de uma ins�pida prote��o contra o desejo oculto de trai��o de ambas as partes. Se aceita tranq�ilamente que o aprofundamento pode levar a dor; como conseq��ncia apenas � solicitada uma mera companhia. A solid�o � vista como uma doen�a terr�vel, sendo que o rem�dio � tomado apenas pela metade, j� que a d�vida ou compromisso � evitado. A invers�o de prioridades tem sido a t�nica dos dias atuais. Como a sobreviv�ncia no plano material ocupa a cada dia mais espa�o, ocorre um relaxamento no plano da pessoalidade. Apenas o bom senso e discernimento s�o os instrumentos v�lidos para que tipo de a��o tomarmos diante da trai��o; seja a continuidade ou separa��o do relacionamento. A ajuda profissional � fundamental n�o como um ju�zo de valor perante o ocorrido, mas para "escavar" as causas que originaram todo o hist�rico.
A premissa rom�ntica t�o propagada da procura da "alma g�mea" possui um cunho de verdade, por�m, poucos a percebem onde a mesma ocorre verdadeiramente. Por pior que sejam os acontecimentos ocorridos num relacionamento, a experi�ncia cl�nica e an�lise do inconsciente comprovam que o casal se completa totalmente no sentido de que cada um possui bloqueios semelhantes, embora de origem diversa, e que poderiam se ajudar na supera��o dos mesmos. Qualquer rela��o por mais �nfima que seja carrega o peso de duas almas que procuram ajuda e ainda n�o perceberam tal fato. O terr�vel � que a falta da franqueza ir� esconder o potencial de cada um no tocante a car�ncia extrema do outro. Quando se inicia um namoro ou rela��o, a mesma � quase sempre movida pela atra��o ou desejo sexual. Este n�o � a ess�ncia da libido como muitas escolas da psicologia acreditaram por d�cadas, mas reflete por natureza uma ambi��o �ntima de uma esp�cie de "contrato" que gostar�amos de estabelecer com algu�m para ocultar o nosso caminho n�o percorrido. O quase centen�rio conceito do complexo de �dipo se ajusta no que foi dito. N�o nos tornamos neur�ticos por estarmos fixados na disputa contra um dos genitores por mais aten��o e amor que gostar�amos de receber do outro; este comportamento de tentar retirar algu�m de nosso caminho apenas delata nossa ang�stia por procurar algo novo; qual o prop�sito de arriscar uma rejei��o afetiva contra estranhos, se podemos for�ar que nossos pais nos d�em tudo, inclusive fantasias er�ticas? O complexo de �dipo apenas prova o medo do erro fora do c�rculo familiar.
A trai��o � a imposi��o sobre nossa consci�ncia para que lidemos com a dor da injusti�a pessoal, que quase sempre se deriva da coletiva. Enfim, ser� que sofremos por n�o termos atingido um sonho; e se o obtemos muitas vezes n�o resta apenas o vazio existencial? Qualquer ato de transforma��o s� ser� v�lido quando se inicia pelo �ntimo. Podemos ou n�o ter a sorte de encontrarmos algu�m que realmente nos amou; tal quest�o infelizmente foge completamente de nossa vontade; mas com toda �nfase afirmo que est� sob nosso controle a administra��o das seq�elas e nossa esperan�a de um recome�o mais maduro e harmonioso.
* ESTE TRABALHO FOI TOTALMENTE PRODUZIDO PELA EXPERI�NCIA CL�NICA DO AUTOR.
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Antonio Carlos Alves de Araujo - Psic�logo -
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