O T�MIDO: UM TRAIDOR POR EXCEL�NCIA DE SI PR�PRIO
ID�IA CENTRAL DO TEXTO: O T�MIDO N�O EFETUA A SOLU��O DE SEU LADO EMOCIONAL NAS MAIS DIVERSAS FORMAS DE RELACIONAMENTO
O t�mido, em sua percep��o neurotizada, vive numa
guerra cujo inimigo � sempre o outro: cada individuo ou
seu coletivo; portanto � invariavelmente avesso a
qualquer ato de aproxima��o, coopera��o, colabora��o ou
coisa parecida; dai se origina sua irritante insociabilidade.
Nesta guerra sua estrat�gia covarde � a guerrilha: vive
camuflado, mascarado, disfar�ado, � um camale�o. Evita
a todo o custo ser o foco, o l�der, pois teme, � claro,
converter-se conseq�entemente no alvo desta guerra. Sua
atitude mais pr�xima da sociabilidade � o recurso de
fazer alian�as com outros t�midos como ele, desde que
estes atendam a seus interesses e com a dura��o
determinada pelos mesmos.
Por isso o t�mido � um traidor por excel�ncia de si mesmo e do pr�ximo: seu
imenso desejo de poder, recalcado em sua personalidade
velada, � respons�vel pela facilidade com que usa,
congela ou se descarta das pessoas a sua volta. Estas
sempre ser�o coisificadas em instrumentos, degraus para
ascender, perdendo para a vis�o t�mida, a sua
humanidade.
Em suma estas s�o suas duas regras secretas, que
constituem seu c�digo pessoal oculto:
1. Jamais expor seu intimo em qualquer situa��o.
- Geralmente, em consult�rio, � aquele que leva seus
familiares, para uma consulta psicol�gica, mas raramente procura para si mesmo.Quando se submete a mesma, abandona o processo t�o logo lhe � revelado sua timidez. N�o pode revelar sua
vulnerabilidade, sob o manto de sua dificuldade de se relacionar com os outros.
2. O outro n�o � visto como uma pessoa e sim apenas um
recurso para lograr seu objetivo neur�tico:
isolar-se num castelo inating�vel, com muralhas
erigidas do poder obtido por seus estratagemas
silenciosos, onde fantasia abrigar-se, finalmente, em
seguran�a e descansar de todos os seus temores
aflitivos.
O psic�logo ALFRED ADLER costumava dizer que estas pessoas vivem correndo da chamada "situa��o de prova", assim sendo, � prefer�vel o conflito isolado e at� mesmo a depress�o, do que fracassar nos mais variados testes impostos pelo meio. ADLER foi o primeiro a fazer o correlato entre a timidez e a depress�o. As duas neuroses tendem a troca do social para os "castelos" citados. Ser rei no ambiente dom�stico � muito mais interessante do que enfrentar os complexos de inferioridade que a sociedade nos imp�e. � primordial a conscientiza��o de que tal dist�rbio � algo muito s�rio, devendo ser tratado minuciosamente. Num mundo onde a comunica��o � cada vez mais essencial para tudo, soa como uma grande contradi��o a quest�o da timidez. Pais e educadores devem estar atentos para os primeiros sinais da mol�stia, e encaminharem aos profissionais competentes para diagn�stico e tratamento. Tudo o que o t�mido n�o precisa � a benevol�ncia ou toler�ncia perante sua dificuldade de contato. Embora soe dura, a abordagem deve ser mais do que radical, pois a ess�ncia da timidez � a maximiza��o da sedimenta��o do conflito neur�tico. Trabalhar as mensagens ocultas do t�mido � fundamental, para dissolver seu comportamento de afastamento cristalizado, como por exemplo:
A):Para que correr o risco da derrota, se posso passar desapercebido?;
B):Realmente � necess�rio eu me abrir?;
C):Tenho total pregui�a em efetuar uma tarefa de compartilhar meu �ntimo;
D):Sinto raiva das pessoas falarem sobre minha personalidade;
E):gostaria de ser outra pessoa, mas me sinto seguro no modelo de vida que adotei;
F)Jamais consegui ou penso que conseguirei confiar em algu�m;
G)Quando tento pensar no que sinto,tenho a certeza de que algo precioso no passado foi roubado de minha pessoa.
Bibliografia:
ADLER, ALFRED. O car�ter neur�tico. MADRID: Editora PAID�S, 1932.
COLABORADORES:
ANTONIO CARLOS ALVES DE ARA�JO PSIC�LOGO C.R.P. 31341/5
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