'Psic�logo Ant�nio Carlos Alves de Araujo' Psicoterapia individual e casais- tel: 66980558 TATUAP� SP-SP
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PSIC�LOGO E COMO FUNCIONA UMA TERAPIA


A fun��o b�sica da psicoterapia � a den�ncia da perda do essencial: a intimidade plena com outro ser humano.(ANTONIO CARLOS- PSIC�LOGO)

Passados mais de cem anos do in�cio da psican�lise detalhada por SIGMUND FREUD e quarenta anos exatos da regulamenta��o da psicologia como profiss�o em nosso pa�s, cabe uma reflex�o cr�tica acerca dos objetivos e conseq��ncias de determinada pr�tica e sua influ�ncia nos meandros do psiquismo humano.

Inicialmente a pr�tica da psican�lise se voltou para as pacientes hist�ricas descritas por FREUD; mulheres cuja gratifica��o sexual lhes era negada, transferindo essa repress�o em sintomatologia variada, como por exemplo: cegueira, amn�sia, problemas com o t�nus muscular, pesadelos incompreens�veis, total abstin�ncia sexual dentre outras. A an�lise das repress�es inconscientes servia de motiva��o e amparo para o desbloqueio dos afetos, culminando na compreens�o da paciente de que sua doen�a era fruto de determinadas emo��es contidas e reprimidas, como o cl�ssico "complexo de �dipo", onde a crian�a disputava com um dos genitores a primazia da aten��o e recompensa afetiva.

Desde ent�o a psican�lise se difundiu em todos os cantos do planeta, e aquilo que era folclore ou misticismo como, por exemplo: a an�lise dos sonhos e o passado do sujeito passaram a serem estudados cientificamente, sendo que seus resultados provocavam impactos significativos na mudan�a de comportamento dos sujeitos submetidos � psicoterapia.

Mas depois desse breve retrospecto hist�rico cabe a pergunta: Por que fazer terapia e sua fun��o em nosso contexto atual? Qual seria talvez a orienta��o mais apropriada em nossa era tecnol�gica onde as quest�es humanas se tornaram quase que obsoletas?

Qualquer que seja a linha terap�utica seguida, a quest�o inicial b�sica da psicoterapia � o medo e seu companheiro eterno - o orgulho. Como trabalhar esses elementos paralelamente ao desespero que mobilizou a pessoa na busca de uma psicoterapia? Obviamente o primeiro sentimento preponderante � o de fracasso pessoal por se estar em uma encruzilhada sem solu��o, onde a �nica motiva��o � o puro sofrimento que na maioria das vezes falhamos em esmiu�ar sua ess�ncia. Sem sombra de d�vida a primeira e mais importante fun��o da psicoterapia � o combate ao medo crescente do paciente, contribuir para que sua vontade seja uma volta a gratifica��o perdida na trajet�ria da vida de determinada pessoa, que se sente impotente e incapaz de seguir adiante, e tal constata��o gera uma enorme soma de vergonha, segundo elemento fundamental para ser trabalhado numa rela��o terap�utica, dado que o mundo da pessoa simplesmente desabou diante das adversidades presentes.

Seguindo esses par�metros jamais uma psicoterapia deveria ter a fun��o de consolar determinada pessoa, pois a suposta complac�ncia impl�cita no elogio s� ir� camuflar o desafio n�o efetuado.

Escutar jamais deveria ser um ato passivo, mas principalmente uma troca de id�ias onde o terapeuta sempre deve estar atento e intervir na medida em que determinado ponto impe�a o livre fluir da emo��o. N�o preconizo a diretividade de uma terapia, pois sem d�vida o pr�prio paciente deve fixar suas metas, sendo que do contr�rio estar�amos lhe retirando seu poder pessoal. Mas � exatamente nesse poder pessoal do paciente que o terapeuta deve ser r�gido e inflex�vel, n�o tolerando que o delegue a quem quer que seja, pois do contr�rio s� refor�aremos o complexo de inferioridade do sujeito. Foi ALFRED ADLER, primeiramente companheiro de FREUD, que percebeu que o maior desejo de um ser humano � ser mimado ou amparado, mesmo que para isso use do expediente da doen�a ou defici�ncia para atrair � aten��o para si pr�prio. Como conseq��ncia disso surge o �dio, pois a pessoa sempre ter� em mente n�o ser capaz de efetuar determinada tarefa, e ir� fazer tentativas de rebeli�o contra o ambiente que lhe supre das defici�ncias pessoais, embora sempre acabe por ceder � tenta��o de novamente ser cuidado. Na psicoterapia h� esse constante perigo de se trocar � independ�ncia da pessoa apenas para se evitar uma situa��o de conflito entre paciente-terapeuta, absolutamente saud�vel para se elucidar as emo��es contidas. Infelizmente nossa cultura hip�crita � totalmente dissimulada, sendo que boa parte dos pacientes procura consolo ou uma muleta para prosseguirem com seus mecanismos neur�ticos.

Praticamente todo psic�logo j� ouviu de seus pacientes a c�lebre frase: "Se estou aqui desejo realmente mudar". Devemos ser totalmente cautelosos com tal afirma��o, pois muitas vezes a mesma � uma forma de corromper o terapeuta, justificando o gasto com tempo ou o dinheiro como sendo os �cones da mudan�a. Ir ao psic�logo � apenas o primeiro passo de uma jornada com o intuito de se readquirir algo que se perdeu no transcorrer da vida, talvez a ida n�o seja a etapa mais f�cil, mas certamente n�o � a derradeira, pois al�m da presen�a, sempre numa terapia devemos constantemente checar fatores tais como: vontade, entusiasmo, dedica��o e sobretudo coragem, j� que o meio social nos treinou para jamais confiarmos em algu�m por completo, e esse fato j� faz da terapia algo que destoe do c�rculo social como um todo, sendo esse car�ter criativo e inovador; a confian�a o pilar m�ximo para averiguarmos at� onde algu�m deseja alterar sua hist�ria de vida.

Anteriormente disse da quest�o da volta do prazer como meta da psicoterapia, e algu�m poderia indagar se nesse contexto pragm�tico da dureza da verdade � poss�vel obt�-lo. A psican�lise inicialmente acreditava que a libera��o de determinadas barreiras morais poderia trazer de volta a gratifica��o sexual perdida. Essa afirma��o � totalmente inver�dica no atual contexto sociol�gico, pois o c�lebre psic�logo ROLLO MAY, foi autor de uma pesquisa nos anos 60, onde o resultado foi o de que jovens na faixa dos 20 aos 30 anos preferiam o consumo de drogas ao ato sexual em si. Conclu�mos com esse restrito exemplo que o aparato humano infelizmente j� n�o � h� muito tempo � fonte m�xima de prazer em nossos dias, mas, t�o somente a necessidade de fuga de uma realidade adversa ou o desejo de poder pessoal e econ�mico.

Assim sendo, n�o ser�o determinadas verdades expostas numa discuss�o terap�utica a fonte de determinados males, mas, sobretudo o dilema m�ximo do paciente e terapeuta acerca de como lidar com a impot�ncia pessoal e social.

Acrescento ainda a necessidade de se trabalhar com a contrariedade, conflito e cr�tica. � not�rio que se algu�m soubesse lidar com esta �ltima, jamais teria necessidade de se submeter � psicoterapia, pois em v�rias ocasi�es j� soube atrav�s de pessoas bem intencionadas ou n�o, daquilo que lhe falta ou o colocaria em outra posi��o. O respeito m�ximo por uma pessoa no ambiente terap�utico n�o � o refor�o do ego, mas a lealdade de acompanhar a pessoa at� o final do planejamento que se estabeleceu no princ�pio da terapia. Em suma, a fun��o b�sica de todo esse processo � restabelecer o prazer perdido, sendo que o ponto central da �tica � sempre impedir formas de satisfa��es destrutivas ou nocivas ao bem estar do paciente. Talvez boa parte desse prazer se encontre na independ�ncia do sujeito, pois nada � mais corrosivo a autoestima da pessoa do que a depend�ncia, que inclusive gera a imita��o de comportamentos neur�ticos dos pais ou do ambiente circundante do paciente; reproduzindo viv�ncias inacabadas de desespero e sofrimento.

A rela��o terapeuta-paciente, t�o enfatizada em todas as correntes psicol�gicas, � fundamental para se esmiu�ar o estilo de vida e a conduta da pessoa. O que o paciente deposita no terapeuta, assim como as rea��es deste �ltimo, d�o um direcionamento sobre a autoestima do paciente, e como o mesmo � visto no ambiente social em que convive. Esse retorno da imagem pessoal do paciente � fundamental para uma avalia��o de personalidade e o estabelecimento de novas metas de vida.

A fun��o m�xima da psicoterapia � a jun��o de energias para se alterar algo que uma s� pessoa at� o presente momento n�o conseguiu levar a cabo. Como disse anteriormente, � a tentativa de restabelecer a primazia do elemento humano, recuperando a serenidade, tranq�ilidade e paz interior, artigos dos mais raros em nossos tempos.



Antonio Carlos Alves de Araujo - Psic�logo - C.R.P: 31341/5


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