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SUICÍDIO E TIMIDEZ(ANÁLISE
PSICOLÓGICA)
Pretendo neste estudo apontar os aspectos psicológicos que
levam ao suicídio; bem como fazer um paralelo com a timidez, já que
demonstrarei que ambos os processos caminham em paralelo; apenas a forma
ou o resultado comportamental é que diferem. Há muito que estes dois
fenômenos deveriam ser prioridade de uma política séria de saúde mental,
pois as conseqüências são devastadoras; tanto no nível de perdas humanas,
como um comprometimento total na qualidade das relações sociais.
Obviamente a problemática é mundial; vide o episódio no Japão sobre o
suicídio coletivo dos "hikikomoris" (tímidos ou reclusos). Neste caso
específico a timidez caminhou para o suicídio, devido às pressões de uma
determinada cultura que talvez não preste a atenção devida ao
relacionamento humano, mas tão somente ao desempenho profissional e
competição, embora não seja um aspecto encontrado apenas no Japão.
A timidez como demonstrei em vários outros trabalhos* não é apenas
um retraimento ou vergonha de se colocar no âmbito social, mas uma conduta
neurotizada de tentar obter um poder ou vantagem através da não divisão do
potencial íntimo do sujeito. O tímido teme a situação de prova a todo o
momento; quando se retira do contato cria uma ficção de vitória por não
ter que passar por determinado apuro, mesmo que isto lhe custe um prazer
futuro. Foi o psicólogo ALFRED ADLER, contemporâneo de FREUD, que primeiro
percebeu o simbolismo da timidez. Para o mesmo, o tímido tinha como meta
de vida disfarçar seu profundo complexo de inferioridade. Ao contrário do
que muitos imaginam, se tornam pessoas bem sucedidas do ponto de vista
econômico, visando compensarem o lado pessoal rebaixado. O tímido na
verdade comete uma espécie de "estelionato social"; sua lei é retirar,
sendo que os aspectos de egoísmo estão totalmente presentes. Nos
relacionamentos afetivos são aquelas pessoas que insistem em manter uma
vida totalmente privada; como exemplos máximos: jamais permitem uma conta
bancária em conjunto, seus ganhos e posses são mistérios para o parceiro;
detestam discutir qualquer assunto relacionado a sentimentos; parece que o
casamento foi uma coisa que lhes aconteceu e não uma escolha pessoal; seu
prazer máximo é aguardar uma determinada ausência do outro para que possam
se dedicar a determinado hábito ou prazer que não desejam compartilhar;
enfim, aliam o prazer ao anonimato.
O último estágio do
processo da timidez é a depressão profunda ou o transtorno do pânico e até
o suicídio, quando a pessoa não consegue mais nenhum tipo de satisfação
devido a sua conduta masturbatória perante a vida. O suicídio entra
exatamente neste ponto, sendo um último apelo ou protesto em relação a um
poder desejado ou que foi retirado da pessoa. Ao contrário do que
muitos pensam, o suicídio não é o último estágio do sofrimento, mas um
atalho mórbido para não o vivenciar, sendo que assim como o tímido sua
meta é a fuga. Não farei aqui nenhuma menção aos casos de doenças
terminais ou eutanásia, pois estão numa categoria à parte; apenas
enfocarei os aspectos psicológicos do suicídio nos casos que não há essa
pressão por doença física. O suicídio e timidez têm como temática
básica à questão de como enfrentar a profunda solidão. O primeiro não
enxerga nenhuma alternativa para resolver o dilema; o segundo se acostumou
e desfruta da mesma.
O suicida desenvolve o pensamento de que
não possui "nenhuma chance" sobre seus dilemas. Mas o por que desta
radicalidade com tantas evidências de recomeço que a vida oferece? A
questão passa por um aspecto temporal. Determinado trauma ou experiência
de angústia pode causar a deturpação da noção do tempo, dando a impressão
clara que determinado evento será novamente repetido. O suicida visa
exatamente fugir dessa sua certeza inevitável do recomeço de sua dor. É
como se seu passado tivesse destruído todas as suas defesas mentais,
restando eliminar sua vida para não sucumbir perante a repetição citada.
A fé sempre falha numa personalidade onde o tempo denota pura
angústia.O suicida acabou se treinando para esquecer suas virtudes e fugir
da dor que está novamente batendo a porta Neste ponto é vital fazermos
uma diferenciação entre a teimosia e perseverança. A primeira é típica da
personalidade suicida ou tímida, pois a leitura mental é linear, baseada
no sofrimento ou em determinado saudosismo que a pessoa não deseja se
despojar. Tanto o tímido como o suicida acha que seus esforços são em vão
para mudar determinada condição. Apenas a conduta difere, sendo que o
tímido adota uma introversão de comportamento e o suicida acaba por
extroverter sua raiva contra si próprio. A perseverança ao contrário, é
a mais pura arte de tentar ou buscar o não atingido através da convicção
plena no potencial pessoal. O tempo não deixa de ser um prazer ou mestre
para aqueles que se detém no processo, e não em resultados imediatos. A
paciência é sinônima de vida, sendo que a rebelião é válida para darmos
determinado passo, não para nos evadirmos de nossas tarefas.
O
suicida como dizia Adler reclama um poder a todo tempo, não permitindo que
a interação dele com o chamado "destino" permeie sua vida. Almeja ser o
carrasco de si por não aceitar a submissão a qualquer tipo de evento que
fuja de seu domínio. Aceitar apenas o peso do presente, ou a angústia
do passado e a certeza de um futuro continuado de sofrimento é negar a
dimensão da vida sob todos os ângulos possíveis. Jamais existirá uma
situação única de sofrimento ou até mesmo de criatividade; enfim, jamais
estaremos sós, a não ser que fechemos as portas para a percepção da
verdade. O fato é que tanto o suicida quanto o tímido adquiriram uma total
intolerância de se sentirem fracos por determinado período.
Voltando a questão exposta anteriormente da cisão temporal,
poderíamos perguntar o por que apenas do lado negativo prevalecer na
mente? Uma experiência de extrema gratificação jamais conseguirá tal
efeito? Então o lado positivo está fadado à negligência ou esquecimento? A
resposta é que o chamado trauma abala totalmente o sentido de poder
pessoal e sentimento de superioridade. Nenhum ser humano almeja galgar uma
posição de destaque para depois a perder. O problema é que este deleite
que já fazia parte do cotidiano do indivíduo, quando retirado, tem o
efeito devastador de potencializar todos os temores de determinada pessoa.
A psicanálise sempre acreditou que esta fenda no narcisismo ou vaidade do
sujeito se relacionava ao famoso "complexo de Édipo", sendo que a criança
jamais aceitava ser preterida no papel amoroso perante um dos genitores.
Tal abordagem sempre foi parcial; não é a perda do papel de destaque que
abala, mas uma profunda convicção neurótica enraizada no elemento do ódio,
que jamais aceita "perder" sob qualquer hipótese. É absolutamente incrível
como várias escolas psicanalíticas deram tanta importância a fase oral
(amamentação) e não a souberam interpretar. A essência do período
infantil é "sugar" em todos os aspectos; na adolescência a ênfase é no
desligamento perante os pais para que supostamente possa ser experimentada
a liberdade ou determinados prazeres proibidos na fase anterior; o poder
adulto se traduz principalmente na sobrevivência econômica, segurança
material e emocional. Todo ser humano avança e retrocede nestes três
pólos; e a tarefa da psicologia é simples: verificar quais deles estão
inundando o consciente e inconsciente da pessoa.
Há décadas
ouvimos a falácia de que o suicida pode ser corajoso pelo seu ato. Jamais
pode haver coragem na fuga de um processo doloroso que faz parte da vida,
por mais que o detestemos. O tímido ao contrário do suicida consegue
sobreviver, mas ambos têm em comum o ódio perante si próprios. No mito do
complexo de Édipo há uma passagem simbólica sobre a essência da vida
quando há a necessidade de se decifrar o enigma da esfinge; que
resumidamente pergunta o que começa andando em quatro pernas (criança);
depois duas (adulto); e finalmente três (a velhice simbolizada por uma
bengala); o fato é que não é apenas o envelhecimento ou decrepitude que
dão o sentido da vida, mas principalmente todas as fantasias de poder que
tivemos em todas as épocas da vida e como se dissiparam; o que realmente
conquistamos? Uma das únicas prevenções contra o suicídio é ter em
mente a certeza de que tal ato não é motivado por nenhum acontecimento
trágico, mas o fato de não ter historicamente ninguém para compartilhar
seu drama. A solidão é o alicerce e combustível para toda incursão no
desespero. Todo distúrbio psicológico é um tipo de comportamento que
arrebata a consciência dando uma tônica de algo vitalício. Talvez todo
o drama se deva a ficar estagnado na tristeza pessoal e social, se
esquecendo da capacidade de proporcionar algum tipo de ânimo.
O
tímido ou suicida é o mais puro ator da amargura que ninguém deseja
presenciar, como também é um péssimo representante da esperança.
Desejar realmente salvar uma vida é não condenar a incapacidade de
alguém para as funções coletivas; tentando "garimpar" na pessoa algo de
especial que a mesma desconhece. Esta deve ser a função prioritária da
psicoterapia nos dois tipos citados. Obviamente tal tarefa não é nada
fácil, pois tanto o tímido quanto o suicida tentam culpar eternamente seu
meio por não lhes terem propiciado mais potência pessoal; a ousadia de se
retirar do meio social denota total desprezo pelas pessoas, apesar de
ambos se acharem excêntricos ou até corajosos por tal ato. A mensagem é
que não irão aceitar mais nenhuma regra ou obrigação de compartilhar algo
de sua pessoa; sendo que eles mesmos agora serão os senhores absolutos no
tocante ao manejo do sofrimento, ou se devem ou não continuar
existindo Falando mais uma vez da prevenção, esta deveria se ater ao
ponto da perda do controle, fazendo com que determinado indivíduo caminhe
para o inusitado, se afastando da sociedade. As duas moléstias são a
afirmação absoluta da solidão extrema como remédio para as aflições
pessoais; se vingando de um mundo totalmente insensível e difícil no trato
pessoal. Não que tal concepção esteja incorreta, mas penso que todos devem
estar fartos de denúncias que não acompanham ações de transformação. O
suicida tem a plena certeza de que sua extinção será um ato
revolucionário, quando na verdade é a mais terrível desistência perante
tudo o que imaginamos.
A retirada social diz também do sentimento
ou sensação de traição; ambos são inconformistas com a não durabilidade ou
corte de determinada gratificação ou desejo de continuidade. Neste ponto,
talvez os pais possam refazer o histórico do nascimento do egoísmo social,
como exemplo, quando a criança relutou de todas as formas possíveis diante
da vinda de um irmão; na adolescência o sofrimento e desespero descabido
por não terem consumido determinada paixão. Se houve tentativa de
suicídio, não se trata apenas do fato de tentar chamar a atenção, mas o
estabelecimento de determinado apelo mórbido perante situações de crise.
Lembro-me de um pesadelo certa vez relatado por um paciente, que o abalou
profundamente: "Havia uma briga ou acerto de contas entre gangues, e
traiçoeiramente um deles tirou uma espécie de arco e flecha de aço, desses
dos filmes de ação e cegou cruelmente seu oponente".Quando acordou teve
uma sensação real e desesperadora que seu fim estava próximo; fosse por
possuir uma doença incurável, ou por não conseguir sair de seus conflitos
pessoais, já que havia passado por uma separação conjugal totalmente
conflitante. O incrível neste caso é que seu pesadelo revela a somatória
avassaladora de todos os seus medos possíveis e imagináveis. Seu
inconsciente abriu as portas da consciência para todos os temores. Entrou
num profundo quadro de depressão e se aproximou seriamente do suicídio. O
caso apresentado relata fielmente a fragilidade de determinada
personalidade frente a expectativas irracionais ou até reais; mostrando a
incapacidade para as elaborar.
O fato a ser esclarecido é quando
ocorre a perda total da autoconfiança, como é típico dos suicidas. A
resposta embora um pouco esdrúxula, passa por uma questão de treinamento.
Assim como outras necessidades fisiológicas, nossa mente precisa
constantemente adotar uma postura sadia. ALFRED ADLER falava da
importância corriqueira de selecionar um grupo de pessoas e dizer para as
mesmas o quanto eram importantes e queridas pelo sujeito. Tal ação teria a
finalidade de abrandar a inundação da consciência pelo irracional, se
fixando numa tarefa de harmonia e solidariedade. Como está difícil hoje em
dia selecionar tal grupo! Penso que é muito mais fácil dissuadir qualquer
tipo de trauma, pesadelo, ou conteúdo intrapsíquico, do que partir para a
prática afetiva. Mais uma vez nos deparamos com uma das essências da
timidez: peregrinar por todo o sofrimento individual possível apenas para
escapar das obrigações de relacionamentos sociais.
É totalmente
propício neste estudo estabelecer em que circunstâncias psicológicas
ocorrem de fato o suicídio. A resposta é uma total intersecção entre a
personalidade tímida e suicida; ocultando de todos o desejo de praticar o
ato abominável contra si próprio. O suicida faz questão de brindar seu
meio com a máxima novidade possível; a extinção de sua pessoa. O
desaparecimento pessoal trará a punição eterna contra todos que
desprezaram suas vocações não efetuadas; semeando todas as condições para
que no presente e futuro se desenvolva o ápice da culpa em seu meio. A
impaciência sobre sua vida é compensada pela certeza e paciência perante
seu propósito de vingança que está por vir. O ato é um epitáfio para
protestar sobre como suas sensações e sentimentos não causaram o impacto
que gostaria. Compartilhar a dor e pensar no companheirismo estão fora de
questão, mantendo a solidão máxima de sua intenção nefasta.
Logicamente a desistência do suicida é motivada pela fuga total da
contrariedade. Sempre devemos tomar o máximo de cuidado para não nos
tornarmos "maus perdedores".
ADLER observou apropriadamente que os
casos de suicídio não são em função de coisas graves: doença, desemprego
ou falência, perda de um filho, por exemplo; embora possam ocorrer nestas
circunstâncias. A questão que ele descobriu é a banalidade de situações
que convergem para tal ato. A contrariedade cotidiana pelo "pouco" sempre
será muito mais grave. ADLER também constatou o histórico do comportamento
infantil que poderia num futuro desencadear tal processo: crianças que
simulavam doenças; desmaios; total perda de apetite; etc. O complexo de
inferioridade possui uma de suas vertentes exatamente neste ponto; ampliar
uma experiência corriqueira de infortúnio para uma dimensão extremamente
exagerada. ADLER acreditava que até fisicamente este processo ocorria,
quando um determinado órgão era transformado na somatória dos conflitos
(inferioridade de órgão-como assim chamava). A psicosomática moderna
comprova tal tese. A sabedoria é a plena aceitação de perder algo que
há um bom tempo nos causa pesar; assim sendo, a teimosia citada
anteriormente é sempre um reforço para medidas desenfreadas. O suicida
radicaliza mais uma vez este conceito para a vida como um todo. O tímido
se encolhe perante todas estas sensações.
Muitos falam da
suposta curiosidade ou protesto contra a morte, que levaria o suicida a
cometer tal ato, forçando sua antecipação. Penso mais uma vez que nada
disto procede. A essência da questão é uma personalidade em total
desequilíbrio. Nenhum ser humano irá apressar algo que é duradouro por sua
natureza. O ponto é a intolerância frente ao medo. Psicologicamente o
suicida teme completamente a morte; o que ocorre é uma reação psicótica
perante este temor desproporcional, contrariando por completo a verdade de
seu íntimo. O suicida superdimensiona esta fenda mental, agindo
apressadamente para dissuadir sua incompletude perante o susto e medo.
Como seria interessante que a medicina se concentrasse no estudo de tal
questão, ao invés de procurar apenas fatores bioquímicos. O suicida
assim como os tímidos, em última instância negam suas verdades:
infelicidade e bloqueio histórico para pedir ajuda. A única saída é se
conscientizarem na psicoterapia de que suas vidas têm sido a fuga por
completo de situações que desencadeiem uma sensibilidade para qual nunca
aceitaram treinamento; percebendo como sempre foi torturante ter que se
expor.
Infelizmente a própria psicologia não "ousa" muitas das
vezes em casos considerados problemáticos, se atendo a velhas fórmulas ou
conceitos teóricos ineficazes perante o contexto de nossa época. A
psiquiatria nivela ou socializa todas as enfermidades pela medicação.
Ambas têm sido ineptas na empatia com o sofrimento do homem moderno, sendo
o fruto de um modelo de civilização totalmente decadente. A melhora da
qualidade de vida do ponto de vista material traz compensatóriamente um
aumento exorbitante do medo generalizado da pessoa; e isso não é apenas
conseqüência do apego, mas da impossibilidade de explorarmos os contatos e
relações afetivas. A timidez já é há muito tempo o distúrbio
psicológico que traduz fielmente nosso modelo social; forçando todos ao
conformismo e abstinência da satisfação pessoal.
Quanto maior
a atitude egoísta ou de retirada social, maior será a ilusão de uma
blindagem que nos poupe do sofrimento e decepção pelas expectativas que
alimentamos por determinada pessoa. O que acontece nos dias de hoje é à
busca da salvação do ego pessoal através da concentração em determinado
pólo. Superestima-se uma habilidade pessoal ou profissional com o intuito
da fuga da rejeição. Seja a beleza; o computador para o tímido; dinheiro;
ou até mesmo a inteligência, todos tentam a sobrevivência num mundo onde a
própria alma se tornou uma espécie de vitrine; escondendo as demais
potencialidades do ser humano. Todos se tornam míopes no sentido não
apenas de visualizarem suas reais possibilidades; mas também no tocante as
reais conseqüências de suas capacidades perante uma sociedade onde o
consumo engoliu todas as características humanas. Enfim, o suicídio,
timidez e solidão são a exposição mais precisa do inferno de nossa alma,
embora os três elementos possuam características de introversão.
*Vide site central com todos os textos sobre timidez.
Bibliografia: ADLER, ALFRED. SUPERIORIDADE E INTERESSE SOCIAL.
MÉXICO: FONDO DE CULTURA ECONOMICO, 1964.
COLABORADORES: SIMONE
JORGE E IRINEU FRANCISCO BARRETO JÚNIOR(SOCIÓLOGOS)
ANTONIO DE
PÁDUA VELLOSO GARCIA(PSICÓLOGO)
POR RAZÕES ÉTICAS,
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PSICOLÓGICA.
Antonio Carlos Alves de Araujo
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