SOLID�O(PSIC�LOGO DESENVOLVE ESTUDOS ATUAIS SOBRE O PROBLEMA BASEADOS NAS TEORIAS DE FREUD E ADLER)
"Qualquer talento ou distin��o pessoal deve servir
ao incremento de uma sensibilidade a favor de determinada pessoa,do contr�rio,
apenas restar� uma vaidade nefasta que excluir� o sujeito da condi��o humana,
rebaixando-o novamente para o reino animal da competi��o".- CHARLES DARWIN.
"Todos constroem um desejo veemente de ter provedores que satisfa�am
todas as car�ncias impostas pela vida. Como a crian�a lida com a imagem e o real
perante a figura provedora, � a medida mais exata de sua futura sa�de ou doen�a
mental. Muito mais do que desejar afetivamente um dos genitores, o objetivo
central da crian�a desamparada � possuir um provedor eterno, pois logo cedo a
mesma percebe a extrema dificuldade pela sobreviv�ncia em nosso mundo".- ALFRED
ADLER-PSIC�LOGO.
"Se na era vitoriana estudada por FREUD, a mulher
desenvolveu a histeria por n�o poder gozar a sua sexualidade devido ao moralismo
opressivo da �poca, que tipo de nova enfermidade desenvolver� uma mulher
independente, que pode se relacionar sexualmente com total liberdade, mas
totalmente temerosa em compartilhar sua intimidade e com p�nico profundo ao amor
e entrega absoluta?".-ANTONIO CARLOS PSIC�LOGO.(ANTONIO CARLOS-PSIC�LOGO)".
A sensa��o de derrota �ntima � o primeiro ind�cio de
uma profunda solid�o que talvez seja companheira pelo resto da vida de uma
pessoa. Neste ponto quero ressaltar o primeiro conceito essencial deste texto,
que tem o objetivo de advert�ncia pessoal e social: Qualquer experi�ncia
pret�rita de fracasso Afetivo ou separa��o deveria servir para uma amplia��o de
consci�ncia ou crescimento pessoal, nos tornando mais sens�veis para aquilo de
que realmente necessitamos, sendo que jamais poder�amos nos permitir que ditas
experi�ncias nos causassem amargura ou rancor, que ir�o se travestir de
exig�ncias imposs�veis de serem concretizadas num futuro relacionamento.
Talvez a quest�o levantada seja a maior doen�a afetiva de nossos tempos.
Se em algum momento de nossa vida nos entregamos a algu�m que efetivamente n�o
nos correspondeu, este � um problema puramente de sensibilidade, sendo que a
mesma com toda certeza estava diminu�da por n�o termos percebido uma escolha
errada, ou que no fundo a pessoa em quest�o era uma proje��o de todas as nossas
negatividades n�o assumidas. O fato central que temos de perceber � o quanto
realmente de investimento profundo depositamos na rela��o, ou prevaleceu nossa
cobi�a di�ria para ganhar mais dinheiro?Qual das partes sempre teve a soberania?
A pr�tica da psicoterapia durante um pouco mais de um s�culo, provou que
o essencial para a cura de determinada neurose � principalmente a rela��o que se
estabelece entre terapeuta e paciente. A mesma jamais pode ser algo puramente
t�cnico, mas, sobretudo um dinamismo onde a troca deve sempre estar presente. O
pagamento de determinada consulta � uma esp�cie de depura��o para um sujeito que
esteve em d�ficit no plano emocional em algum momento de sua vida.
Independentemente da quest�o econ�mica, o ponto central deve ser a
troca, pois do contr�rio sobrar� uma concep��o m�stica e donativa de uma
rela��o, onde a conseq��ncia � o mais puro sofrimento. Jamais uma verdadeira
rela��o amorosa pode ser unilateral, pois do contr�rio h� uma escraviza��o do
sentimento. Sabemos da extrema dificuldade da entrega ou doa��o numa rela��o,
pois quase todos t�m o receio de se sentirem submissos ou inferiores perante o
outro. Obviamente � mais c�modo ter algu�m aos nossos p�s, provando nosso poder
pessoal na esfera amorosa,sendo este desejo de possuir a alma do outro, uma das
piores manipula��es emocionais que o ser humano tem desenvolvido em nossa era.
O ser masculino ainda insiste em renegar toda e qualquer sensibilidade,
embora se fale o contr�rio. Que se manifestem os psic�logos, onde 90% de sua
clientela � composta por mulheres. Esta constata��o � apenas uma das provas de
que o fracasso afetivo sempre � empurrado para o �mbito da
responsabilidade feminina, causando uma deprecia��o global em sua
autoestima.
O homem procura por for�a cultural e maior treino
sexual desde a adolesc�ncia, a obten��o do prazer imediato, se recusando na
maioria das vezes a participar da intimidade conjugal ou familiar. O que devemos
perguntar � o que realmente seria o prazer? Seria a satisfa��o de determinada
fantasia sexual, de poder econ�mico, ou ambi��o em todos os n�veis? Este �ltimo
t�pico se aplica na quest�o afetiva, pois � s� pensarmos na infidelidade
conjugal ou a necessidade hist�rica da freq��ncia de prost�bulos por parte do
homem.
Se refletirmos profundamente, logo descobriremos que o
prazer m�ximo reside naquele tipo de pessoa que jamais sabotaria o mesmo,pelo
contr�rio, cultiva um aprofundamento n�o apenas daquilo que possui imenso valor,
desenvolvendo permanentemente uma energia que se transforma em pot�ncia, sendo
percebida pelo outro como carisma. Ali�s, talvez esta seja uma das mais
escassas qualidades em nossos tempos, pois � s� observarmos como a m�dia faz
quest�o de compensar sua falta, atrav�s da explora��o da vida �ntima de artistas
pr�-fabricados, com o intuito de projetarmos nos mesmos um sucesso que jamais
obteremos.
O fato � que o ser masculino h� muito se encontra desnorteado
no �mbito do prazer, embora o busque ardentemente. FREUD sempre deu destaque a
import�ncia f�lica ou do p�nis na sociedade contempor�nea, em sua teoria sobre
os conflitos inconscientes, pois o �rg�o sexual masculino representava poder ou
obten��o do prazer, dada a quest�o da soberania patriarcal. Todo objeto
valorizado tamb�m criava o p�nico da perda. Assim sendo, segundo a teoria
FREUDIANA, a ang�stia da castra��o era uma amea�a constante na constela��o
mental do menino, principalmente quando observava a vagina na menina; o que para
o primeiro seria uma castra��o punitiva por a mesma ter desejado um dos
genitores; o famoso complexo de �dipo. Principalmente atrav�s dos sonhos de seus
pacientes FREUD elaborou tal dinamismo ps�quico.
Por�m, outro psic�logo
- ALFRED ADLER, logo notou que tal constru��o mental de natureza sexual era
apenas uma met�fora para esconder a verdade oculta por tr�s do medo, que era a
recusa de se doar profundamente. A ang�stia da castra��o no menino, nada mais
era do que um treino precoce para que no futuro seu p�nis ou lado emocional
servissem � apenas ele pr�prio, jamais compartilhando com outro ser.
N�o
� dif�cil aferir tal informa��o, pois � s� observarmos a maioria dos
relacionamentos, para descobrirmos que embora as pessoas tenham recursos
dispon�veis em v�rias �reas da personalidade, vivem como completos "mendigos" na
esfera emocional.
Fica um tanto simpl�rio a elabora��o de uma teoria
inconsciente sexualizada, se esquecendo da din�mica social. As brincadeiras
infantis acerca da sexualidade, t�o bem observadas por FREUD, encerram n�o
apenas a quest�o de ter um p�nis, mas principalmente como disse acima, � um
suposto treino precoce no sentido de quem ir� comandar o lado afetivo. N�o
podemos nos deixar levar por ilus�es, pois a mente humana sempre foi treinada
para a dissimula��o.
A quest�o te�rica acima levantada � importante para
a aferi��o do que realmente molda a personalidade. A psican�lise nos �ltimos cem
anos acentuou as precoces rela��es emocionais entre pais e filhos como
determinantes de neuroses futuras. O problema � que tais infer�ncias representam
apenas uma parte da quest�o central, pois n�o podemos afirmar que h� uma
soberania do lado sexual, quando a quest�o social � diariamente suscitada nos
relacionamentos. Como algu�m se situa na esfera emocional familiar, � sem d�vida
vital para a futura autoestima da pessoa. Por�m, n�o podemos fugir dos
mecanismos sociais e econ�micos presentes nos relacionamentos.
Todo ser
humano chega ao mundo totalmente desprotegido e desamparado sob todas as formas,
desde biol�gicas at� emocionais. Assim sendo, todos constroem um desejo veemente
de ter provedores que satisfa�am todas as car�ncias impostas pela vida.
Como a crian�a lida com a imagem e o real perante a figura provedora, � a medida
mais exata de sua futura sa�de ou doen�a mental. Muito mais do que
desejar afetivamente um dos genitores, o objetivo central da crian�a desamparada
� possuir um provedor eterno, pois logo cedo a mesma percebe a extrema
dificuldade pela sobreviv�ncia em nosso mundo.
Um dos objetivos
b�sicos da psicoterapia � justamente levantar como a pessoa lidou de todas as
formas com a presen�a ou aus�ncia da figura provedora, pois o resultado de todo
este processo determinar� o desenrolar de sua personalidade. Saberemos ent�o se
a pessoa � autoconfiante; t�mida; recatada; extrovertida ou temerosa perante os
desafios; crente ou n�o em seu potencial ou valor pr�prio. O que n�o podemos
admitir � a soberania sexual ps�quica, num mundo extremamente material. As
for�as condicionantes do psiquismo seguem a mesma trilha do combate di�rio pela
ambi��o e sobreviv�ncia, embora o que mais alveja a alma de qualquer ser humano
seja a percep��o de ser realmente amado ou n�o dentro de seu ambiente de
conviv�ncia.
Enfim, devemos tomar cuidado para n�o incorrer em erro ao
confundirmos apego emocional exacerbado como a ess�ncia da neurose, quando a
verdade �ltima � o desejo de eterna explora��o econ�mica dirigido �s figuras
provedoras. Acerca do universo feminino, fica expl�cita a masculiniza��o do
mesmo em nossos tempos. N�o apenas por a mulher ter galgado no �ltimo s�culo sua
independ�ncia econ�mica, mas, sobretudo acabou incorporando todo o modelo de
ambi��o material do homem, inclusive no tocante a descartar rela��es afetivas.
O perfil da mulher que encontrar� indiscutivelmente um futuro destino de
solid�o extrema, � aquela pessoa que almeja tudo pronto de um relacionamento,
seja na parte econ�mica;est�tica ou afetiva. Quem n�o aceitar ir construindo ao
longo do tempo, uma trilha de plena intimidade na ajuda m�tua e responsabilidade
com o desenvolvimento de ambas as partes,herdar� a fantasia absurda de um eterno
modelo provedor que despotencializa a mulher;a infantilizando e refor�ando a
disputa de poder nos relacionamentos.
Curiosamente venho presenciando um
n�mero crescente de mulheres que se ressentem de sua independ�ncia econ�mica,
alegando ser um imenso fardo a carregar. Tais mulheres n�o � que desejem um
retorno ao passado, algumas talvez sim, mas observo que esta mulher estressada
digamos assim, pela sua dupla jornada econ�mica e familiar, desenvolveu uma
m�goa e rancor por todo o esfor�o acima citado. A conseq��ncia � o trancamento
completo de sua capacidade afetiva e de entrega. Como disse acima, esta mulher
incorporou os padr�es doentios masculinos, e agora procura agir na mais completa
exig�ncia de ambi��o e poder em todas as esferas da vida.
Este tipo de
mulher geralmente tem um hist�rico familiar de um pai quase que totalmente
ausente. Vendo o sofrimento e constante submiss�o da m�e, partem para uma
esp�cie de rea��o de conduta oposta, assimilando uma total rebeli�o e desprezo
pela figura masculina. Sua �nica meta passa pelo refor�o constante de seu
narcisismo seja est�tico ou n�o, colecionando todo tipo de galanteio masculino
como um trof�u a ser exibido.
A infelicidade emocional da mulher citada
� extremamente vis�vel, se recusando em boa parte das vezes a constitu�rem uma
fam�lia, canalizando toda a energia para a esfera do trabalho. Se antigamente a
mulher era castrada em suas metas profissionais, apenas lhe sobrando o aspecto
familiar, tenho reparado que em alguns casos est� se dando o processo inverso em
nossos tempos, o solapamento e repress�o da esfera emocional.
Se
na era vitoriana estudada por FREUD, a mulher desenvolveu a histeria por n�o
poder gozar a sua sexualidade devido ao moralismo opressivo da �poca, que tipo
de nova enfermidade desenvolver� uma mulher independente, que pode se relacionar
sexualmente com total liberdade, mas totalmente temerosa em compartilhar sua
intimidade e com p�nico profundo ao amor e entrega absoluta? A resposta
n�o � muito animadora, pois o surto de mulheres com alto prest�gio social e
est�tico acometidas de graves perturba��es psicol�gicas t�m aumentado de forma
assustadora.
Todos sabem da verdadeira "guerra" silenciosa ou n�o,
travada entre homens e mulheres nas �ltimas d�cadas. A contradi��o maior � que o
sofrimento de um s� pode ser reparado pela outra parte. O que libertaria o homem
de seu medo e timidez afetiva, � a ajuda singela e penetrante do carisma afetivo
que a mulher carrega em sua natureza. Poucos seres masculinos carregam este
poder citado de gostar profundamente, e sabemos o quanto � vital ter algu�m que
realmente sente isto por n�s. Nada causa mais prote��o do que tal fato, sendo o
resto pura compensa��o.
A liberta��o da m�goa feminina viria atrav�s do
poder da praticidade do lado masculino, pois muitas vezes aquilo que a mulher
cultiva como intui��o, martelando sempre no mesmo ponto, nada mais � do que uma
paran�ia ou necessidade internalizada de sabotar um processo afetivo, devido �s
experi�ncias passadas de frustra��o. Tenho observado que embora n�o seja regra,
a mulher ret�m com muito mais intensidade a m�goa, n�o esquecendo em hip�tese
alguma do passado. Neste ponto, o pragmatismo masculino poderia ser de grande
aux�lio na constru��o de novas tentativas de troca afetiva profunda. Claro que
tudo acima citado n�o segue um padr�o linear para cada sexo, sendo que o
objetivo � a reflex�o profunda sobre a solid�o decorrente dos conflitos
emocionais de nossa �poca.
PARTE DOIS: A SOLID�O PERCEBIDA NA EXIST�NCIA DA PESSOA
A solid�o representa o resumo de todo o estilo de vida que adotamos no decorrer das diferentes etapas de nossa exist�ncia - ALFRED ADLER- PSIC�LOGO.
Embora a quest�o da solid�o seja um dos maiores fardos do homem moderno, o fato � que o tema continua sendo tratado de uma forma emp�rica ou displicente, se negligenciando os v�rios componentes impl�citos na mat�ria. Talvez isso ocorra devido ao fato da solid�o estar diretamente relacionada ao sentimento de fracasso pessoal e social, aliada ao fator da enorme competi��o em todas as esferas do relacionamento humano.
Cada ser humano j� descobriu por si mesmo que apesar de todas as dificuldades presentes, necessita se relacionar com seu meio, e caso n�o o fa�a dever� arcar com determinadas conseq��ncias. Talvez a mais cruel de todas seja o fato da solid�o for�ar o indiv�duo a uma autoavalia��o emocional e afetiva, e quase sempre a nota subjetiva � muito baixa. Todos j� aprenderam por experi�ncia pr�pria que n�o fomos feitos ou treinados para suportarmos por muito tempo a n�s mesmos. Assim sendo, o estado constante de isolamento ou solid�o acaba acarretando comportamentos destrutivos de toda a esp�cie, como por exemplo: dist�rbios de personalidade, v�cios e uma tend�ncia rumo a autodestrutividade.
Se aprofundarmos a quest�o da solid�o veremos que a mesma derruba por completo o narcisismo t�o disseminado em nossa sociedade, pois embora a maioria das pessoas busquem apenas vantagens pessoais e at� sintam deleite ao verem seus semelhantes em situa��o inferior, o fato b�sico que a solid�o comprova � que qualquer atitude ou estilo de comportamento individualista leva com o passar do tempo a uma esp�cie de "fal�ncia do pensamento". A personalidade do indiv�duo aos poucos vai sendo arrastada para pontos sombrios da viv�ncia humana, e esse � o pre�o que milhares de pessoas pagam diariamente por n�o refletirem ou se conscientizarem de determinado estilo de vida ou conduta. Sobre o t�pico acima gostaria de ressaltar que a solid�o talvez seja um dos �ltimos baluartes que for�ar�o o ser humano numa trajet�ria mais humanit�ria. Afirmo tal coisa em fun��o da exclus�o social de nossa sociedade. Quando se pensa em ser exclu�do, todos acham que os �nicos aspectos s�o: a falta de poder, dinheiro ou prest�gio que acarretam tal desgra�a. Por�m, a solid�o transborda todas as fronteiras econ�micas e sociais, provando que a exclus�o da vida, prazer e satisfa��o v�o al�m de simples fatores econ�micos, e que n�o h� garantia nenhuma para todos n�s de que algum dia tamb�m n�o seremos exclu�dos de alguma etapa fundamental da exist�ncia, o que abre a reflex�o para a urgente necessidade de todos estarem abertos a um esp�rito mais comunit�rio de conviv�ncia.
Embora pare�a absurdo em nossos tempos, dever�amos refletir sobre o quanto de nosso pensamento di�rio dedicamos as diversas quest�es que a vida nos apresenta. Logo descobriremos que a seguran�a econ�mica e necessidade de ascens�o social s�o as categorias que mais consomem nossas energias. As quest�es humanas, principalmente referentes aos relacionamentos s� aparecem perante um forte sofrimento de perda ou conflito pessoal. Nesse contexto pensamos sobre a solid�o quando a mesma nos atinge da pior forma poss�vel, ou seja, quando n�o conseguimos utilizar plenamente os nossos recursos; queremos amar e n�o temos a pessoa, desejamos criar e ningu�m � sens�vel para algo novo, por exemplo.
A solid�o revela nossas ambi��es de prazer n�o consumadas, uma esp�cie de morte da vontade pr�pria, onde a impot�ncia impera e o indiv�duo j� n�o mais controla seu fluxo de emo��es positivas.
Temos de perceber que numa era onde o desejo de poder e status social prevalecem, n�o poderia haver um sentimento mais disseminado do que a solid�o, pois esta como disse anteriormente representa a conseq��ncia do investimento que damos �s causas humanas, ou o quanto nos importamos com nossos sentimentos e das pessoas ao nosso redor.
Enfim, a grande li��o que a solid�o nos mostra � que nossa autoestima e felicidade dependem de algu�m, e numa simples demonstra��o de afago, carinho ou reconhecimento, � que nos damos conta o quanto faz mal o estado de esp�rito petrificado que a solid�o nos proporciona, evidenciando a inutilidade de todos os outros esfor�os, principalmente a ambi��o.
A solid�o representa a derrota suprema do estilo de vida individualista de nossa era, embora n�o abrimos m�o do mesmo em virtude de fantasias ou sonhos de grandeza ou sucesso pessoal. Querer conciliar desejos de destaque ou superioridade com apre�o e reconhecimento de nossos mais profundos sentimentos humanos por algu�m � tarefa imposs�vel. Delimitar nossas prioridades � o desafio de todo o conflito humano atual e do futuro. � sempre ingrata a miss�o de resolver determinado problema quando estamos as portas do sofrimento mais intenso poss�vel. Assim sendo, a preven��o � sempre o cultivo de uma atitude de vida que eleja a sensibilidade, dedica��o plena e o m�ximo de aten��o para com as pessoas respons�veis por nossa felicidade, pois a aus�ncia das mesmas representa a cat�strofe da solid�o.
PARTE TR�S: A SOLID�O COMO CONFINAMENTO DO POTENCIAL AFETIVO
A pior solid�o n�o � a aus�ncia da realiza��o de determinados desejos ou fantasias, mas principalmente a anula��o de determinado potencial ou habilidade.- ANTONIO CARLOS PSIC�LOGO
O homem solit�rio se devora a si mesmo, o outro � devorado pela sociedade, ent�o escolhes.- NIETZSCHE
Quando pensamos na solid�o, a primeira id�ia que passa por nossa mente � se temos ou n�o verdadeiros amigos, a qualidade de uma rela��o afetiva que estamos vivenciando, o quanto somos estimados ou procurados por quem sentimos afei��o ou apre�o. Embora tudo isso seja bastante natural, gostaria de enfatizar nesse estudo a rela��o da solid�o com a pr�pria personalidade do indiv�duo. Quero dizer n�o apenas de algo existencial, mas t�o somente como cada um direciona sua meta de vida.
Talvez n�o nos demos conta, mas um dos atributos de nossa sociedade que mais contribuem para o aumento da solid�o � o confinamento de pap�is em que vivemos diariamente. Somos treinados desde os prim�rdios a agirmos de acordo com determinadas expectativas ou deveres sociais. Caso haja uma transgress�o, o resultado quase sempre � culpa ou ansiedade. Isso se d� no �mbito profissional, social e pessoal, e quase sempre aceitamos os fatos como nos s�o apresentados.
Se investigarmos um pouco a fundo o comportamento cotidiano do homem contempor�neo, confirmaremos o exposto acima. Quase nunca conseguimos ligar para algu�m quando temos vontade, pois ficamos preocupados com o que a pessoa pense a nosso respeito; quase nunca podemos nos entregar verdadeiramente a algo ou algu�m, pelo terr�vel temor da perda, isso apenas para citar alguns exemplos. Se formos para o campo profissional � coisa n�o � menos aterradora. � um verdadeiro drama descobrirmos nossas verdadeiras potencialidades e conseguirmos sua realiza��o. Nesse ponto reside outro aspecto fundamental da solid�o, a n�o descoberta ou realiza��o da potencialidade de um ser humano. Notem que isso passa a ser uma esp�cie de condena��o, pois jamais conseguiremos ser �timos em algo, e o que resta � a aceita��o resignada de um trabalho totalmente desprovido de prazer ou meta mais ampla. Nos sentimos ent�o absolutamente s�s e desamparados, pois assistimos nossa castra��o de forma absolutamente indolente e criminosa, pois tentamos compensar tal fato buscando talvez a seguran�a econ�mica.
Vamos pensar pela seguinte �tica, se algu�m n�o consegue atuar seu maior talento ou habilidade perante a sociedade, imaginem o que esta �ltima n�o far� acerca das imperfei��es desse mesmo indiv�duo? � nesse exato ponto que dever�amos nos questionar sobre o seguinte: O que se tem feito acerca da solid�o e conseq�ente �dio interno resultante? Apenas se tem caminhado para o ego�smo e rigidez excessiva da disciplina, visando que outros tenham tamb�m um mundo t�o sombrio e angustiante? Ap�s anos como psic�logo fico ainda perplexo ao presenciar como um casamento n�o traz consigo a m�nima garantia de satisfa��o e felicidade sexual, sendo que a masturba��o continua sendo uma constante de acordo com relatos de pacientes. Novamente falamos de potencial n�o efetuado, de possibilidades n�o realizadas. O que fazer no caso acima descrito, em que duas pessoas n�o est�o aptas a se satisfazerem mutuamente? Isso sem d�vida � outra prova brutal de isolamento e solid�o a dois.
� fundamental que todo ser humano esteja atento ao modo como enfrenta etapas cruciais em seu desenvolvimento, desde a tenra inf�ncia como a entrada na escola, passando pela adolesc�ncia, escolha profissional e a quest�o do amor. O que foi descrito anteriormente sobre o potencial n�o efetuado, remonta a um estilo de vida que chamaria de "projeto da desist�ncia", ou seja, a pessoa vai tolhendo seu pr�prio potencial, seja desistindo ou n�o encontrando sua voca��o, seja n�o se satisfazendo afetiva e sexualmente. Com toda a certeza essa deve ser uma das maiores pragas ps�quicas de nossos tempos. Como resultado temos a total solid�o e duas vari�veis que produzem os maiores �ndices de ansiedade: a impot�ncia e medo em quase todas as esferas da exist�ncia.
Escolher a solid�o � esconder as car�ncias mais profundas, por vergonha ou medo de que algu�m descubra o quanto um ser humano pode estar faminto de afei��o. A solid�o � uma tentativa surrealista de se tentar controlar o processo do amor. A m�goa maior n�o � resultante de uma rela��o que n�o deu certo, mas principalmente por nunca termos nenhum controle sobre futuras paix�es ou decep��es, sendo que a solid�o � a tentativa desesperada para se colocar um freio nesse processo.
PARTE QUATRO: A SOLID�O E O ARREPENDIMENTO
� um fato absolutamente consumado de que a solid�o � puramente uma soma de energia ego�sta enraizada em nossa alma, e embora a pessoa talvez tenha raz�o em rela��o ao seu passado de sofrimento e seus esfor�os para n�o repetir novamente tal drama, a mensagem b�sica � a de que n�o devemos seguir dita trilha de isolamento.A solid�o jamais pode ser encarada como sin�nimo de tristeza, depress�o ou infelicidade como boa parte das pessoas pensam, pois se seguirmos este racioc�nio estaremos encobrindo o verdadeiro problema b�sico- A marca mais forte da solid�o � a repeti��o constante de uma mesma experi�ncia ou destino afetivo outrora vivenciado. O desafio final � exatamente este ponto, como se libertar de algo enraizado em nosso ser que nos leva sempre de volta ao in�cio de uma jornada de desamparo e desilus�o. ANTONIO CARLOS -PSIC�LOGO.
No �mbito interpessoal fica claro que na atualidade um dos fatores de maior sofrimento ps�quico � sem d�vida nenhuma a solid�o sentida como um elemento corrosivo da sa�de e bem estar pessoal. Se f�ssemos obrigados a produzir um manual de sobreviv�ncia ps�quica para a nossa era, a primeira regra seria o aprendizado de como aumentar nossa toler�ncia � frustra��o. A solid�o caminha exatamente no oposto, acentuando a desola��o dos acontecimentos pret�ritos; bloqueando a oportunidade de novas experi�ncias de prazer, sendo que a conseq��ncia inevit�vel � a cristaliza��o do luto eterno em nossa alma, obrigando a pessoa diariamente a vivenciar todo o tipo de medo e desconfian�a perante novas perspectivas.
Uma das ra�zes pouco exploradas da solid�o em todos os trabalhos te�ricos � a quest�o do arrependimento. Talvez este seja um dos mais paralisantes sentimentos humanos, pois ao mesmo tempo carrega uma semente de orgulho perante a repara��o de um erro, e o t�dio ou falta de motiva��o para uma nova experi�ncia. Aprofundando a tese acima descrita, a prova m�xima do arrependimento � quando temos certeza de que nossas viv�ncias atuais s�o muito piores do que os acontecimentos dolorosos de nosso passado, e � exatamente esta viv�ncia dolorosa que a solid�o visa n�o repetir, � custa do conv�vio vital com outros seres humanos.
� um fato absolutamente consumado de que a solid�o � puramente uma soma de energia ego�sta enraizada em nossa alma, e embora a pessoa talvez tenha raz�o em rela��o ao seu passado de sofrimento e seus esfor�os para n�o repetir novamente tal drama, a mensagem b�sica � a de que n�o devemos seguir dita trilha de isolamento.
A quest�o din�mica da solid�o se d� atrav�s de duas vertentes: Qual a capacidade de investimento profundo num novo plano afetivo versus a quantidade de m�goa acumulada pelo passado da pessoa transtornada pela car�ncia? O aspecto central desta conscientiza��o � a avalia��o de onde prov�m nosso conflito b�sico, se no passado, presente ou o temor do futuro. Obviamente que dependendo do grau de sofrimento todas as tr�s esferas podem ser afetadas, mas � fundamental a localiza��o pelo menos parcial do in�cio de determinado drama existencial.
A quest�o � absolutamente clara, a solid�o � sin�nimo irrefut�vel do passado, criando uma pel�cula em nossa esfera afetiva totalmente imperme�vel a qualquer nova experi�ncia gratificante. Ent�o devemos nos perguntar baseados nesta conclus�o o que de nosso passado � profundamente saud�vel ou aproveit�vel? Sem d�vida alguma descobriremos que determinado ac�mulo de experi�ncias preenchem quase que na totalidade a possibilidade de um destino pessoal completamente diverso do que estamos acostumados a vivenciar. Neste ponto devemos inserir a quest�o do perd�o no �mbito da solu��o da encruzilhada do problema apresentado. Se boa parte das religi�es tivessem um car�ter s�rio, o perd�o jamais poderia ser um instrumento de regozijo pr�prio ou de poder pessoal perante algu�m que sabemos que sempre esteve em d�ficit com sua natureza humana, mas sobretudo a consci�ncia pessoal e inalien�vel de que devemos prosseguir, pois caso contr�rio o resultado ser� a somat�ria de m�goa ou autocomisera��o adquiridas no transcorrer de nossas experi�ncias. Sempre a derradeira esperan�a � a possibilidade de realiza��o futura, desde que cultivemos nosso potencial ou dever pessoal para novas empreitadas.
A solid�o jamais pode ser encarada como sin�nimo de tristeza, depress�o ou infelicidade como boa parte das pessoas pensam, pois se seguirmos este racioc�nio estaremos encobrindo o verdadeiro problema b�sico, pois a marca mais forte da solid�o � a repeti��o constante de uma mesma experi�ncia ou destino afetivo outrora vivenciado. O desafio final � exatamente este ponto, como se libertar de algo enraizado em nosso ser que nos leva sempre de volta ao in�cio de uma jornada de desamparo e desilus�o.
Todo o processo acima citado nos leva a conclus�o de que a solid�o apenas nos mostra como estamos absolutamente despreparados para a quest�o da morte em todos os sentidos, sendo que jamais reconhecemos que determinados sinais sociais nos mostram a finitude de nossas experi�ncias gratificantes acumuladas, nos mostrando que a mais dolorosa experi�ncia humana sempre foi a mudan�a em todas as esferas da exist�ncia, e a falta de instru��o ou treinamento para algo t�o �bvio da natureza humana passa a ser um dos pilares de toda a estrutura social e pessoal que petrificam o ser humano no medo e apatia. Jamais devemos nos esquecer que em suma a solid�o apenas representa a total falta de investimento na esfera da troca afetiva.
PARTE CINCO: A SOLID�O COMO H�BITO E O EX�LIO DO PRAZER
A �nica possibilidade da solid�o n�o mostrar diariamente o lado mais cruel e desesperador da vida,� a pessoa retornar seu sofrimento de uma forma criativa, que ajude outros seres humanos a minimizarem esse fardo. Sentir constantemente a solid�o � uma esp�cie de ren�ncia volunt�ria aos mais altos anseios de satisfa��o e felicidade. Se realmente desejarmos salvar algu�m, dever�amos encarar a solid�o como prioridade absoluta, pois caso uma pessoa n�o se sinta v�lida no conv�vio humano, sua meta ser� a ang�stia, isolamento e depress�o. Sentir ou n�o a solid�o, estando acompanhado, ou por uma raz�o existencial, � a medida mais absoluta da qualidade de nossa vida. ANTONIO CARLOS- PSIC�LOGO.
N�o h� talvez outro sentimento humano que impere sobre os demais do que a solid�o. Esta desafia todas as estruturas e esferas de nossa sociedade tipo: dinheiro, posses, status, sexualidade, beleza e poder. Sem sombra de d�vida podemos eleger a solid�o como o topo do sentimento humano deste s�culo, nenhum outro como descrito acima consegue por tanto tempo ocupar nossa alma e desprov�-la do sentido da vida. Podemos sentir raiva de uma determinada pessoa, estarmos irados, preocupados com o sustento, mas nada � mais angustiante e fatal para nossa auto-estima do que a conscientiza��o de que estamos carentes, sentir que poucos ou ningu�m mant�m um contato profundo e duradouro conosco, que n�o somos importantes ou especiais para algu�m. A solid�o impede o livre fluir de quase todas as potencialidades ou desejos humanos. � at� interessante notar como esse tema nunca foi esmiu�ado pela psicologia, dada sua import�ncia estrat�gica no contexto de nossa atual sociedade. Desde cedo somos educados para o sucesso, a gl�ria, poder ou vantagens, mas ningu�m nos conta o que fazer quando n�o sentimos mais vontade nisso tudo, por sentirmos o sentimento da solid�o. Nenhuma escola ou educador nos ensina a como lidar com t�o corrosivo elemento da alma humana, apenas sentimos o vazio, a aus�ncia, e impotentes ficamos no terr�vel dilema da espera de que algo aconte�a e mude essa vida est�ril. Impot�ncia � nosso deus central nos dias atuais, e a �nica sabedoria � retirar algum conhecimento dessa experi�ncia.
A solid�o muitas vezes revela a banalidade e inutilidade de nossa vida atual, nos for�a a ver com toda a clareza nossa mais angustiante infelicidade, pois a solid�o n�o � apenas sin�nimo desta �ltima, mas pai de tudo o que n�o deu certo, o guia para al�m de nossa ingenuidade e ambi��es n�o efetuadas, pois ela nos mostra o maior fardo de todos, n�s mesmos, sem qualquer fuga, escapismo ou distra��o, pois no fundo o sentido de uma rela��o � o de se esquecer a si pr�prio, ocultar mesmo que temporariamente nosso mais profundo vazio da exist�ncia e dificuldade em descobrirmos um sentido para tudo isso. Todos sabemos que a sensa��o m�xima de derrota � a falta de vivenciar uma experi�ncia verdadeiramente amorosa, e a solid�o sempre est� por detr�s dessa extrema dificuldade.
A solid�o nos deixa dois legados � nossa escolha: a possibilidade da reflex�o e conseq�ente mudan�a de atitude, no sentido de valorizarmos e nos abrirmos para novos contatos e pessoas, ou a teimosia e refor�o no sentimento de superioridade, achando que qualquer mudan�a seria encarada como uma esp�cie de submiss�o, nesse est�gio o orgulho torna-se mais uma companhia, dissimulando a total fragilidade e debilidade da pessoa. A solid�o se torna enfaticamente uma doen�a quando cria um esp�rito de indol�ncia numa pessoa, fazendo com que a mesma julgue positivo, produtivo e at� vi�vel o estar s�, pensando tirar proveito do fato de n�o estar tendo trabalho ou esfor�o para procurar contato humano. Nada � pior do que iludir sua n�o satisfa��o.
A solid�o ainda refor�a a ira da pessoa contra o mundo, pais e educadores deveriam estar atentos para tal fato, e impedir que a crian�a ou o adolescente v� criando seu mundo � parte, seja ficando horas num computador ou v�deo game, seja n�o se interessando pelo elemento humano, dizendo estar satisfeito com seu comportamento ou meta de vida, pois a pessoa nesse caso acaba por utilizar sua neurose para se vingar do ambiente que n�o lhe proporcionou afeto ou seguran�a, tentando inverter a situa��o, enxergando na doen�a a melhor sa�da para sua vida. A solid�o cria esse terr�vel paradoxo, um membro de uma esp�cie rejeita seus semelhantes, instalando a absurda fantasia de que algu�m � feliz sem a companhia dos demais, al�m da revolta pessoal por n�o ser procurado, adotando um comportamento no m�nimo extravagante, obtendo dessa maneira a aten��o que n�o conseguiu da forma natural.
� impressionante como a sociedade direciona nossa aten��o somente aos problemas econ�micos, e os problemas pessoais s�o deixados para tr�s, talvez s� lembremos deles atrav�s da solid�o, nesse sentido, a mesma se imp�e como tentativa de restaurar a humanidade, de percebermos a total inutilidade do que estamos fazendo, nossa desorienta��o perante os anseios de nossa alma, os quais muitas vezes n�o damos a m�nima, nossa falta de coragem para iniciarmos algo produtivo para a vida.
Por fim, a solid�o nada mais � do que o reflexo do hist�rico de um modelo de vida de determinada pessoa � a cren�a ou n�o que algu�m depositou em outro ser humano, sua disposi��o ou n�o para a troca e companheirismo, sua escolha pessoal entre doar algo mesmo sabendo do n�o retorno, ou insistir na inveja e racioc�nio ego�sta.
PARTE SEIS: SOLID�O NA ABORDAGEM DO COMPLEXO DE SUPERIORIDADE E INFERIORIDADE DE ALFRED ADLER.
FRASES DE ADLER SOBRE A SOLID�O:
O solit�rio � aquele que tem tempo de sobra para pensar em sua total insatisfa��o, o infeliz � aquele que jamais ter� essa oportunidade.
Solid�o a dois n�o � tanto saber que o outro jamais lhe completar�, mas principalmente o total desprezo e indiferen�a em rela��o aos nossos anseios e
expectativas, � ser constantemente ignorado e abandonado na presen�a de algu�m.
A solid�o suprema n�o � a incapacidade atual de viver uma experi�ncia de real prazer, mas t�o somente o temor de experenci�-lo ao encontrarmos, ou seja, o irm�o predileto da solid�o chama-se desperd�cio ou talvez o medo do amor.
Solid�o � o terr�vel desespero da espera por algu�m que nos traga aquilo que mais necessitamos.
Quando o sofrimento nos derrota, somos aniquilados, quando o aceitamos nos transformamos num ser maior.
Muito pior do que o adeus � a certeza do nunca mais.
A solid�o � como uma ressaca do mar, trazendo ou nos dando uma dimens�o de todos os nossos atos e pensamentos, ela nos mostra todo um hist�rico e estilo de vida, sendo na maioria das vezes uma prova indesejada da nossa falta de responsabilidade pelo ente humano, � ainda o produto de tudo aquilo que sempre tentamos fugir,o desespero. Sua imperativa presen�a n�o d� espa�o para fugas ou escapismos como quando estamos absortos em algo, mas revela cruelmente nossos mais remotos h�bitos, medos, temores e anseios, sendo que este �ltimo � uma tentativa desesperada da mente para se proteger dos primeiros, pois o desejo na solid�o tem a fun��o vital de prote��o da sa�de ps�quica, pois caso contr�rio, nosso inconsciente � literalmente invadido pelas mais temidas id�ias destrutivas e persecut�rias.
O verdadeiro p�nico � o sentimento n�o apenas de estar s�, mas a sensa��o terrificante de desamparo pessoal e social, principalmente dentro de um contexto que apregoa a equa��o: "solit�rio � igual a fracassado". O impacto desse lema nas pessoas � extremamente avassalador, querendo todos fugir desse estigma ou cicatriz de in�pcia social, produzindo maiores danos ainda, como a baixa qualidade das escolhas ou extrema ansiedade. Obviamente, podemos deduzir que a procura por rela��es de certa forma � um al�vio ou fuga daquilo que realmente somos ou tememos em n�s mesmos, sendo a ansiedade uma vacina eficaz e prefer�vel ao profundo autoconhecimento. As raz�es dessa conduta s�o mais do que hist�ricas, pois s�culos de cristianismo, for�aram a todos a ocultar partes indesej�veis e amea�adoras da personalidade, imputando apenas aos desajustados e psicopatas os elementos destrutivos do ser humano.
O ponto central desse presente estudo � o fato da solid�o revelar at� que ponto verdadeiramente desejamos a troca e contato humano, nesse caso a solid�o passa a ser um est�mulo e at� um objeto de reflex�o apurada para uma futura busca, selecionando melhor as escolhas, dando inclusive uma dimens�o do que realmente gostamos ou daquilo que profundamente sentimos saudades. Diria que esse seria o lado positivo da solid�o, uma disseca��o de nosso estilo de vida como descrito anteriormente, pesando-se todas as vantagens e desvantagens de nossa conduta, neste caso a solid�o seria um intervalo para que pud�ssemos reavaliar nossas experi�ncias de vida, e o que realmente estamos buscando, e a maneira pela qual estamos fazendo isso. � fundamental sentirmos essa solid�o para que possamos refletir e ajustar padr�es viciados de conduta e comportamento. Fugir da solid�o constantemente significa abafar essa oportunidade de crescimento interior.
Infelizmente isso ocorre devido � inseguran�a, e temor de que a solid�o se torne uma constante na vida da pessoa, achando que n�o ter� for�as para sair desse quadro devido a um forte complexo de inferioridade pessoal. A solid�o est� intrinsecamente relacionada com o passado, pois todo ser humano em estado de solid�o pensa no mesmo, seja em termos de arrependimento, prazer pret�rito perdido, m�goa, raiva, �dio, ang�stia, saudades, etc. Mas � justamente nesse ponto que reside um fator central, pois o temor � solid�o passa a ser o medo da mem�ria, de nossa hist�ria pessoal, da avalia��o ou prova sobre o grau de prazer e felicidade do eu. No pr�prio processo de terapia temos um exemplo vivo do medo � solid�o, FREUD chamou de "resist�ncia", quando um determinado paciente n�o conseguia se libertar de um determinado conte�do neur�tico, apelando ou para o sil�ncio na hora terap�utica, ou at� mesmo para a sedu��o do analista com o prop�sito de anular sua atua��o. ALFRED ADLER foi o primeiro a perceber que a resist�ncia tinha um fundo de solid�o, sendo que o intuito do paciente era criar um "combate" com o analista para desmoraliza-lo, dado o �dio do paciente por estar em an�lise, sendo que isso na cabe�a do mesmo era uma prova de seu fracasso em desenvolver o que ele chamava de "sentimento de comunidade", rela��es sociais que visassem a coopera��o e solidariedade entre as pessoas, assim sendo a resist�ncia era contra o sentimento de se envolver e se doar para algo ou algu�m. Sem sombra de d�vida este foi o s�culo onde o ser humano mais se sentiu solit�rio e desamparado, seja por problemas relacionados � estrutura pol�tico-social-econ�mica ou por neuroses pessoais.
O fato � que solid�o tamb�m est� relacionada � quest�o do poder em nossa era, pois toda estrutura de poder teme uma maior troca e aproxima��o das pessoas, devendo imputar na cabe�a do indiv�duo que sua solid�o n�o � fruto de um sistema, mas t�o somente de sua incompet�ncia pessoal. Dever�amos refletir bastante sobre isso, para que possamos isolar as verdadeiras causas do problema. Apostar sempre no privado e individual � acelerar o mecanismo da solid�o, n�o que se esteja pregando a anula��o pessoal, pelo contr�rio, estar integrado consigo mesmo � lutar para que o outro tamb�m realize seu potencial, por�m em nossos tempos apenas assistimos a devo��o ao estritamente pessoal. A verdade � que estamos absolutamente indolentes e apreensivos para buscarmos novas rela��es, volto a insistir no medo da mem�ria, pois esta encerra o temor ou uma negativa ao novo, dizendo-nos constantemente que se nos arriscarmos novamente, todo o sofrimento que vivemos no passado poder� se repetir.FREUD chamava esse mecanismo ps�quico de "compuls�o � repeti��o", uma tentativa neur�tica de reviver constantemente um trauma, at� que a pessoa se torna c�nscia do processo que havia direcionado principalmente seus afetos.
ADLER achava que tal mecanismo se devia ao fato da pessoa insistir sempre em ser amparada pelo seu meio, pois o sofrimento seria uma esp�cie de escudo para nunca se atingir a independ�ncia, for�ando um cuidado e aten��o especial para a pessoa acometida pela neurose, o que ele chamava de "pessoa mimada", o prot�tipo de ser humano incapaz de troca, mas t�o somente direcionado para os benef�cios que possa obter atrav�s de seu dist�rbio. A solid�o no psiquismo humano � sentida como um processo doloroso de exclus�o na obten��o ou participa��o de experi�ncias afetivas de troca ou prazer, � sentir que todos os demais tem um direito que nos � negado. Segundo a teoria psicanal�tica, a fantasia que a crian�a desenvolve acerca da sexualidade dos pais, � que "h� uma esp�cie de festa na qual ela est� exclu�da", sendo este exatamente o sentimento do solit�rio acerca de sua real condi��o humana, sua cren�a na incapacidade de obter semelhante satisfa��o.
ADLER acreditava que a crian�a percebia tal acontecimento n�o como um prazer de natureza sexual negado, mas principalmente o �dio da mesma em rela��o � pessoa que detinha o poder sobre sua inclus�o ou exclus�o de determinados eventos, ou seja, uma luta contra a suposta tirania e domina��o dos pais, tra�ando um paralelo entre a luta de classes no modelo econ�mico que vivemos. Outro ponto muito interessante acerca da psicologia do solit�rio, observado em terapia � o de que determinado indiv�duo parece ter criado historicamente todo um "projeto" voltado � solid�o. Citarei a seguir alguns elementos que contribuem para tal finalidade, embora muitos deles sejam preconceitos ditados pela sociedade, mas que acabam sendo incorporados pela pessoa, visando evitar uma experi�ncia de aproxima��o, alguns exemplos: neuroses em geral, onde a pessoa acaba por ficar debilitada, dificultando uma real experi�ncia de prazer com o outro, sendo que a rela��o se torna de extrema depend�ncia, por exemplo, a s�ndrome do p�nico, onde o medo e pavor for�am uma atua��o excessiva e desgastante sobre o indiv�duo, e o mesmo � incapaz de prosseguir suas tarefas profissionais ou sociais, o mais interessante � que determinadas crises de p�nico sempre ocorrem quando o sujeito se encontra numa situa��o social ou simplesmente saiu de casa, revelando que o �nico ambiente seguro � seu lar, rejeitando por completo a aproxima��o com outras pessoas.
Ainda sobre id�ias aterradoras, lembro-me de um paciente que tinha verdadeira fobia de estar contaminado com o v�rus HIV, e embora os exames nada revelassem, ficou claro seu intuito de afastar-se das pessoas, principalmente no tocante ao planejamento familiar, pois pensava que como era portador, jamais poderia ter filhos, ou constituir uma rela��o.Ele inclusive havia fixado um prazo de dez anos para ter novamente rela��es sexuais, pois em sua mente era o tempo que escutara para ver se o v�rus se manifestava ou n�o. Outro exemplo desse projeto da solid�o s�o de pessoas que moram sozinhas, que n�o conseguem organizar as tarefas rotineiras, faltando muitas vezes os cuidados elementares do lar, fica patente uma tentativa de afastar qualquer possibilidade de algu�m compartilhar sua habita��o, a primeira vista parece algo banal, mas observando com mais min�cia, vemos que a pessoa simplesmente n�o consegue efetuar o b�sico, carregando inclusive uma carga de �dio contra esse tipo de tarefa, que simboliza dar as boas vindas para quem deseja adentrar seu lar. Alcoolismo e drogas em geral s�o mais do que �bvios nesse projeto, entrando ainda masturba��o excessiva como dizia o pr�prio ADLER, pois tenta fazer sozinho aquilo que deveria ser compartilhado; ainda a obesidade como fator de rejei��o dentre outros.
Volto a alertar que esses conte�dos citados carregam forte conota��o preconceituosa, devendo ser avaliados sob a luz do problema da pessoa em si, jamais devemos generaliza-los. Espero que este estudo tenha proporcionado uma reflex�o ou um breve al�vio, para um problema de tamanha magnitude t�o pouco estudado pelas ci�ncias sociais.
Bibliografia: ADLER,ALFRED: O SENTIDO DA
VIDA. EDITORA PAID�S, CIDADE DO M�XICO, M�XICO 1937
FREUD, SIGMUND:
OBRAS COMPLETAS. BIBLIOTECA NUEVA, MADRID, ESPANHA 1981
AGRADE�O A ID�IA
E COLABORA��O FUNDAMENTAL SOBRE O TEMA DOS SOCI�LOGOS: SIMONE JORGE E IRINEU
FRANCISCO BARRETO J�NIOR.
"N�O TEMA A TERAPIA, MAS A UTILIZE PARA A
MUDAN�A DE UM ESTILO DE VIDA QUE PARECE N�O TER FIM."
POR RAZ�ES �TICAS,
QUALQUER ORIENTA��O S� � POSS�VEL PESSOALMENTE ATRAV�S DE CONSULTA PSICOL�GICA.
Antonio Carlos Alves de Araujo - Psic�logo -
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