'Psic�logo Ant�nio Carlos Alves de Araujo'66980558 SP-SP
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SOLID�O E ARREPENDIMENTO

"� um fato absolutamente consumado de que a solid�o � puramente uma soma de energia ego�sta enraizada em nossa alma, e embora a pessoa talvez tenha raz�o em rela��o ao seu passado de sofrimento e seus esfor�os para n�o repetir novamente tal drama, a mensagem b�sica � a de que n�o devemos seguir dita trilha de isolamento". - ANTONIO CARLOS- PSIC�LOGO

"A solid�o jamais pode ser encarada como sin�nimo de tristeza, depress�o ou infelicidade como boa parte das pessoas pensam, pois se seguirmos este racioc�nio estaremos encobrindo o verdadeiro problema b�sico- A marca mais forte da solid�o � a repeti��o constante de uma mesma experi�ncia ou destino afetivo outrora vivenciado. O desafio final � exatamente este ponto, como se libertar de algo enraizado em nosso ser que nos leva sempre de volta ao in�cio de uma jornada de desamparo e desilus�o"- ANTONIO CARLOS- PSIC�LOGO.


No �mbito interpessoal fica claro que na atualidade um dos fatores de maior sofrimento ps�quico � sem d�vida nenhuma a solid�o sentida como um elemento corrosivo da sa�de e bem estar pessoal. Se f�ssemos obrigados a produzir um manual de sobreviv�ncia ps�quica para a nossa era, a primeira regra seria o aprendizado de como aumentar nossa toler�ncia � frustra��o. A solid�o caminha exatamente no oposto, acentuando a desola��o dos acontecimentos pret�ritos; bloqueando a oportunidade de novas experi�ncias de prazer, sendo que a conseq��ncia inevit�vel � a cristaliza��o do luto eterno em nossa alma, obrigando a pessoa diariamente a vivenciar todo o tipo de medo e desconfian�a perante novas perspectivas.
Uma das ra�zes pouco exploradas da solid�o em todos os trabalhos te�ricos � a quest�o do arrependimento. Talvez este seja um dos mais paralisantes sentimentos humanos, pois ao mesmo tempo carrega uma semente de orgulho perante a repara��o de um erro, e o t�dio ou falta de motiva��o para uma nova experi�ncia. Aprofundando a tese acima descrita, a prova m�xima do arrependimento � quando temos certeza de que nossas viv�ncias atuais s�o muito piores do que os acontecimentos dolorosos de nosso passado, e � exatamente esta viv�ncia dolorosa que a solid�o visa n�o repetir, � custa do conv�vio vital com outros seres humanos.
� um fato absolutamente consumado de que a solid�o � puramente uma soma de energia ego�sta enraizada em nossa alma, e embora a pessoa talvez tenha raz�o em rela��o ao seu passado de sofrimento e seus esfor�os para n�o repetir novamente tal drama, a mensagem b�sica � a de que n�o devemos seguir dita trilha de isolamento.
A quest�o din�mica da solid�o se d� atrav�s de duas vertentes: Qual a capacidade de investimento profundo num novo plano afetivo versus a quantidade de m�goa acumulada pelo passado da pessoa transtornada pela car�ncia? O aspecto central desta conscientiza��o � a avalia��o de onde prov�m nosso conflito b�sico, se no passado, presente ou o temor do futuro. Obviamente que dependendo do grau de sofrimento todas as tr�s esferas podem ser afetadas, mas � fundamental a localiza��o pelo menos parcial do in�cio de determinado drama existencial.
A quest�o � absolutamente clara, a solid�o � sin�nimo irrefut�vel do passado, criando uma pel�cula em nossa esfera afetiva totalmente imperme�vel a qualquer nova experi�ncia gratificante. Ent�o devemos nos perguntar baseados nesta conclus�o o que de nosso passado � profundamente saud�vel ou aproveit�vel? Sem d�vida alguma descobriremos que determinado ac�mulo de experi�ncias preenchem quase que na totalidade a possibilidade de um destino pessoal completamente diverso do que estamos acostumados a vivenciar. Neste ponto devemos inserir a quest�o do perd�o no �mbito da solu��o da encruzilhada do problema apresentado.
Se boa parte das religi�es tivessem um car�ter s�rio, o perd�o jamais poderia ser um instrumento de regozijo pr�prio ou de poder pessoal perante algu�m que sabemos que sempre esteve em d�ficit com sua natureza humana, mas sobretudo a consci�ncia pessoal e inalien�vel de que devemos prosseguir, pois caso contr�rio o resultado ser� a somat�ria de m�goa ou autocomisera��o adquiridas no transcorrer de nossas experi�ncias. Sempre a derradeira esperan�a � a possibilidade de realiza��o futura, desde que cultivemos nosso potencial ou dever pessoal para novas empreitadas.
A solid�o jamais pode ser encarada como sin�nimo de tristeza, depress�o ou infelicidade como boa parte das pessoas pensam, pois se seguirmos este racioc�nio estaremos encobrindo o verdadeiro problema b�sico, pois a marca mais forte da solid�o � a repeti��o constante de uma mesma experi�ncia ou destino afetivo outrora vivenciado. O desafio final � exatamente este ponto, como se libertar de algo enraizado em nosso ser que nos leva sempre de volta ao in�cio de uma jornada de desamparo e desilus�o.
Todo o processo acima citado nos leva a conclus�o de que a solid�o apenas nos mostra como estamos absolutamente despreparados para a quest�o da morte em todos os sentidos, sendo que jamais reconhecemos que determinados sinais sociais nos mostram a finitude de nossas experi�ncias gratificantes acumuladas, nos mostrando que a mais dolorosa experi�ncia humana sempre foi a mudan�a em todas as esferas da exist�ncia, e a falta de instru��o ou treinamento para algo t�o �bvio da natureza humana passa a ser um dos pilares de toda a estrutura social e pessoal que petrificam o ser humano no medo e apatia. Jamais devemos nos esquecer que em suma a solid�o apenas representa a total falta de investimento na esfera da troca afetiva.

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ANTONIO CARLOS ALVES DE ARA�JO- PSIC�LOGO
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