SOLID�O NA ABORDAGEM DE ALFRED ADLER
�A solid�o representa o resumo de todo o estilo de vida que adotamos no decorrer das diferentes etapas de nossa exist�ncia� - ALFRED ADLER- PSIC�LOGO.
Embora a quest�o da solid�o seja um dos maiores fardos do homem moderno, o fato � que o tema continua sendo tratado de uma forma emp�rica ou displicente, se negligenciando os v�rios componentes impl�citos na mat�ria. Talvez isso ocorra devido ao fato da solid�o estar diretamente relacionada ao sentimento de fracasso pessoal e social, aliada ao fator da enorme competi��o em todas as esferas do relacionamento humano.
Cada ser humano j� descobriu por si mesmo que apesar de todas as dificuldades presentes, necessita se relacionar com seu meio, e caso n�o o fa�a dever� arcar com determinadas conseq��ncias. Talvez a mais cruel de todas seja o fato da solid�o for�ar o indiv�duo a uma autoavalia��o emocional e afetiva, e quase sempre a nota subjetiva � muito baixa. Todos j� aprenderam por experi�ncia pr�pria que n�o fomos feitos ou treinados para suportarmos por muito tempo a n�s mesmos. Assim sendo, o estado constante de isolamento ou solid�o acaba acarretando comportamentos destrutivos de toda a esp�cie, como por exemplo: dist�rbios de personalidade, v�cios e uma tend�ncia rumo a autodestrutividade.
Se aprofundarmos a quest�o da solid�o veremos que a mesma derruba por completo o narcisismo t�o disseminado em nossa sociedade, pois embora a maioria das pessoas busquem apenas vantagens pessoais e at� sintam deleite ao verem seus semelhantes em situa��o inferior, o fato b�sico que a solid�o comprova � que qualquer atitude ou estilo de comportamento individualista leva com o passar do tempo a uma esp�cie de �fal�ncia do pensamento�. A personalidade do indiv�duo aos poucos vai sendo arrastada para pontos sombrios da viv�ncia humana, e esse � o pre�o que milhares de pessoas pagam diariamente por n�o refletirem ou se conscientizarem de determinado estilo de vida ou conduta. Sobre o t�pico acima gostaria de ressaltar que a solid�o talvez seja um dos �ltimos baluartes que for�ar�o o ser humano numa trajet�ria mais humanit�ria. Afirmo tal coisa em fun��o da exclus�o social de nossa sociedade. Quando se pensa em ser exclu�do, todos acham que os �nicos aspectos s�o: a falta de poder, dinheiro ou prest�gio que acarretam tal desgra�a. Por�m, a solid�o transborda todas as fronteiras econ�micas e sociais, provando que a exclus�o da vida, prazer e satisfa��o v�o al�m de simples fatores econ�micos, e que n�o h� garantia nenhuma para todos n�s de que algum dia tamb�m n�o seremos exclu�dos de alguma etapa fundamental da exist�ncia, o que abre a reflex�o para a urgente necessidade de todos estarem abertos a um esp�rito mais comunit�rio de conviv�ncia.
Embora pare�a absurdo em nossos tempos, dever�amos refletir sobre o quanto de nosso pensamento di�rio dedicamos as diversas quest�es que a vida nos apresenta. Logo descobriremos que a seguran�a econ�mica e necessidade de ascens�o social s�o as categorias que mais consomem nossas energias. As quest�es humanas, principalmente referentes aos relacionamentos s� aparecem perante um forte sofrimento de perda ou conflito pessoal. Nesse contexto pensamos sobre a solid�o quando a mesma nos atinge da pior forma poss�vel, ou seja, quando n�o conseguimos utilizar plenamente os nossos recursos; queremos amar e n�o temos a pessoa, desejamos criar e ningu�m � sens�vel para algo novo, por exemplo.
A solid�o revela nossas ambi��es de prazer n�o consumadas, uma esp�cie de morte da vontade pr�pria, onde a impot�ncia impera e o indiv�duo j� n�o mais controla seu fluxo de emo��es positivas.
Temos de perceber que numa era onde o desejo de poder e status social prevalecem, n�o poderia haver um sentimento mais disseminado do que a solid�o, pois esta como disse anteriormente representa a conseq��ncia do investimento que damos �s causas humanas, ou o quanto nos importamos com nossos sentimentos e das pessoas ao nosso redor.
Enfim, a grande li��o que a solid�o nos mostra � que nossa autoestima e felicidade dependem de algu�m, e numa simples demonstra��o de afago, carinho ou reconhecimento, � que nos damos conta o quanto faz mal o estado de esp�rito petrificado que a solid�o nos proporciona, evidenciando a inutilidade de todos os outros esfor�os, principalmente a ambi��o.
A solid�o representa a derrota suprema do estilo de vida individualista de nossa era, embora n�o abrimos m�o do mesmo em virtude de fantasias ou sonhos de grandeza ou sucesso pessoal. Querer conciliar desejos de destaque ou superioridade com apre�o e reconhecimento de nossos mais profundos sentimentos humanos por algu�m � tarefa imposs�vel. Delimitar nossas prioridades � o desafio de todo o conflito humano atual e do futuro. � sempre ingrata a miss�o de resolver determinado problema quando estamos as portas do sofrimento mais intenso poss�vel. Assim sendo, a preven��o � sempre o cultivo de uma atitude de vida que eleja a sensibilidade, dedica��o plena e o m�ximo de aten��o para com as pessoas respons�veis por nossa felicidade, pois a aus�ncia das mesmas representa a cat�strofe da solid�o.
Antonio Carlos Alves de Araujo - Psic�logo - C.R.P: 31341/5
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