PODER E SENTIDO DA VIDA
"O ambicioso pelo poder no fundo detesta sua vida, suas a��es apenas visam deixar uma marca para a posteridade, revelando dessa forma sua ira contra a mortalidade e finitude
". - ANTONIO CARLOS- PSIC�LOGO
"Um dos maiores problemas de personalidade de nossa era � a rejei��o ou frustra��o, o estudo do poder deveria ser uma medida para enxergarmos nossas virtudes e defeitos.
Procuramos na vaidade, beleza ou sucesso, o poder, por�m jamais seremos realmente reconhecidos dessa forma, pois tudo isso � absolutamente finito e putrefato, a ess�ncia do verdadeiro e genu�no poder � transfer�ncia e doa��o, algu�m carregar ou sentir sua experi�ncia, crescer com a mesma, pois dessa forma jamais dever�amos ter sentido solid�o ou ang�stia
." ANTONIO CARLOS- PSIC�LOGO
� indiscut�vel a contribui��o que a psicologia deu no tocante a sexualidade. Como estar�amos em termos de prazer sexual se n�o fossem as pioneiras contribui��es de FREUD E WILHEM REICH? * Talvez nem pud�ssemos usar o termo prazer, sendo que o surgimento da psican�lise atrav�s de FREUD desvendou a era das trevas na qual a sexualidade humana estava mergulhada. Pensem num casal da idade m�dia, e se seria poss�vel discutir a rela��o sexual de ambos ou suas fantasias, nesse sentido, embora com toda a prud�ncia exigida, diria que a psican�lise foi uma das �nicas manifesta��es durante s�culos, a desvencilhar a sexualidade do papel puramente reprodutivo e biol�gico, e seria interessante se estudar as conseq��ncias disso. Um outro psic�logo ERICH FROMM colocou com muita propriedade que a revolu��o dos costumes sexuais e sociais de nosso s�culo, n�o foi gratuita, mas que o pre�o que a sociedade moderna pagou e paga por essa caminhada � a ansiedade e ang�stia, pois no modelo feudal havia a seguran�a da estratifica��o de pap�is pessoais e sociais r�gidos, e nos tempos atuais parece que a �nica certeza � a ansiedade citada pelo autor.
Embora FREUD no final de sua vida afirmasse que a repress�o do componente sexual, seria o fator gerador da cultura, ele mesmo observou durante d�cadas os malef�cios que um instinto sexual reprimido causava na psique humana. A elabora��o das mais primitivas fantasias sexuais pelo paciente, o libertava dos grilh�es da neurose ou comportamento obsessivo, permitindo a fluidez do amor e trabalho, os pontos que definiam o homem normal segundo FREUD.
Nenhum estudioso das ci�ncias sociais negaria a import�ncia de se estudar um instinto e seu impacto na alma humana, por�m no caso da psicologia a primazia da sexualidade abafou outros elementos t�o ou mais din�micos do que a primeira. Cito a quest�o do desejo de poder, praticamente ignorado, exceto pelo psic�logo ALFRED ADLER pioneiro e �nico estudioso das manifesta��es do poder no comportamento e psique humana.
Pois bem, por que ent�o o componente do poder n�o foi t�o esmiu�ado quanto � quest�o sexual? A resposta � um tanto simples, mas aterradora, pois descobriremos uma gama enorme de interesses desde pol�ticos, ou ent�o a n�o revela��o das ra�zes de nosso ser. Quando ADLER falou de poder e a conseq�ente sensa��o de inferioridade ou superioridade que o mesmo produz, estava se referindo ao topo das rela��es humanas, ou seja, o modo como n�s vivemos diariamente e como gostar�amos ou dever�amos viver. Qual instinto humano afora o poder, poderia nos proporcionar a solu��o ou pelo menos a minimiza��o dos piores problemas sociais do mundo tipo: fome, distribui��o das riquezas, direito a um futuro? Pois � exatamente pelo fato do poder passar por todo o acima descrito, que n�o � amplamente estudado, fixa-se ent�o apenas a periferia dos problemas ps�quicos, sendo que sofremos por coisas que achamos estritamente pessoais, sem nos darmos conta da amplitude social desse sofrimento.
ADLER salientava que por debaixo da esfera sexual se escondiam os mais puros desejos de poder, ent�o a insist�ncia em determinado conte�do sexualizado nada mais era do que um fator encobridor de um outro tipo de desejo. Tomemos por ex. a quest�o do complexo de �dipo, o desejo do menino ou menina por um de seus genitores, ADLER sabiamente enfatizou que tal complexo escondia um forte desejo da crian�a em ser mimada ou amparada, pois desejar sexualmente um dos pais, significava realizar todas as suas necessidades dentro do lar, inclusive a esfera sexual, sem ter que buscar algu�m estranho, poupando tempo e evitando qualquer tipo de rejei��o ou o que ele chamava de situa��o de prova.Falar que o instinto sexual � o farol da alma humana � uma met�fora que esconde outros tipos de rela��o social, pois ningu�m precisa ser um psic�logo para saber que o grande conflito nos relacionamentos humanos n�o adv�m da satisfa��o sexual n�o realizada, mas t�o somente de uma necessidade de moldar o outro frente aos nossos anseios e expectativas. Vivemos projetando aquilo que gostar�amos que o outro fosse, e nos cercamos de todas as desculpas poss�veis para nunca admitirmos tal fato. Ali�s, o relacionamento amoroso segundo o pr�prio ADLER � a prova definitiva do ser humano no tocante ao seu preparo social, � atrav�s dele que saberemos para onde o indiv�duo caminha, se para a coopera��o, troca, companheirismo, ou ent�o para a competi��o, disputa e dom�nio de outro ser.
Esse ponto central da teoria ADLERIANA remonta a quest�o da educa��o em nossa sociedade, pois a verdade � que jamais tivemos professores no decorrer de nosso desenvolvimento, que nos ensinassem uma maior preocupa��o com outros seres humanos, fomos sempre educados para obtermos sucesso e destaque, sendo que o ajudar algu�m um pouco mais atrasado, jamais foi prioridade numa escola, sua fun��o hist�rica e social acabou sendo o treinamento da competi��o, ambi��o pessoal e exclus�o.
N�o reconhecer o poder como meta profunda da personalidade, � aniquilar todos os esfor�os para a busca de um ser humano melhor. Digo isso no sentido �tico, pois � not�rio que dever�amos buscar rela��es de poder onde a responsabilidade fosse a �nfase, e n�o regalias puramente pessoais. Convencionou-se a comparar o poder com algo destrutivo ou negativo, o que � o mais grave erro, pois sem poder n�o h� pot�ncia, n�o h� energia, apenas uma subst�ncia amorfa, desprovida de vida. O poder na perspectiva de ALFRED ADLER era sin�nimo de criatividade, a auto estima e confian�a de algu�m para produzir alguma coisa em benef�cio de outro ser, n�o � um estado de vaidade, mas a sensa��o de plenitude por se pensar e falar coisas quase que universais, a partir do momento em que nos preocupamos como est�o vivendo outros seres humanos, se � que est�o vivendo.
O exacerbado estudo da psican�lise na esfera sexual, jamais nos proporcionar� o descrito acima. ADLER costumava at� brincar com esse t�o apregoado conceito do prazer sexual FREUDIANO, dizendo que ap�s cometer um delito, uma das primeiras coisas que um "marginal" fazia � ir a um prost�bulo. O que ADLER estava tentando dizer com isso, � que a esfera sexual jamais poderia libertar o homem de sua conduta destrutiva, pois um bandido � capaz do gozo sexual, mas jamais o mesmo pensar� numa estrutura de poder que contemple a melhora da vida das pessoas.
O poder quando n�o discutido ou elaborado em suas mais arraigadas entranhas, leva a dois est�gios absolutamente destrutivos. O primeiro � a externaliza��o de toda a carga de �dio e sede de posse, criando todo o tipo de lideran�a fan�tica ou destrutiva que a hist�ria nos revelou. O segundo faz parte do tipo de pessoa que ADLER descreveu como sendo aquela que cria sua pr�pria neurose, a fim de obter vantagens pessoais, como exemplo, ele citava o que hoje denominamos a s�ndrome do p�nico, em seu sofrimento, retraimento e isolamento, a pessoa acaba construindo um mundo a parte, onde manipula os outros atrav�s de sua doen�a, pois sua debilidade � uma arma para for�ar que o meio lhe providencie amparo e at� mesmo seu sustento, n�o arcando com suas responsabilidades pessoais, ou como descrevi acima, n�o passando pelo que ADLER descrevia como situa��o de prova, adiando poss�vel desapontamento, frustra��o ou sentimento de inferioridade. Se algu�m duvidar disso, pense naquele vestibulando que se preparou o ano inteiro e no dia do exame adoece, pense naquela pessoa que acabou de ser promovida e � acometida de uma inesperada crise de medo, ansiedade ou depress�o.
Caso o tema poder n�o esteja inserido em uma perspectiva de coopera��o ou que d� um real sentido a vida, acabaremos utilizando suas partes mais perniciosas descritas acima. Se somos ensinados a competir, tirar vantagens em todos os sentidos, por que n�o regredir�amos a um est�gio infantil, for�ando outros a nos ampararem?
Volto a insistir que nunca fomos treinados a sermos cooperativos, e o que � pior, o poder da solidariedade e ajuda s�o abordados unicamente na esfera religiosa, como se fosse algo absolutamente m�stico fazer o ser humano transformar seu car�ter. O problema central de nossa era � o ego�smo extremamente arraigado nas nossas rela��es, assim sendo, o conceito FREUDIANO de normalidade-amor e trabalho, est� absolutamente incompleto, pois o mesmo s� diz da adaptabilidade do ser humano, ADLER enxergou de forma pioneira a necessidade do ser humano ir al�m, sendo que o homem normal, � aquele que apesar de toda a li��o eg�ica, consegue transcender seu espa�o puramente privado e contribui com algo para a coletividade, � deixar algo n�o s� de �til, mas principalmente alguma coisa que reforce os la�os entre os seres humanos, que mostre como a vida se torna melhor com amizade e n�o desconfian�a, que realmente algu�m seja valorizado por seus semelhantes n�o por ocupar um cargo especial, mas t�o somente pelo seu exemplo de vida e confian�a na melhora de nossa sociedade, que seu trabalho, estudo e esfor�o, n�o sejam apenas mais uma l�pide erigida em sua mem�ria, mas que possam realmente ser aproveitados e tragam benef�cios concretos aos demais Seres humanos, enfim, que possamos viver sem o sentimento de nos sentirmos sempre numa terra estranha e hostil como dizia Adler.
WILHEM REICH- inicialmente colaborador de FREUD, rompeu com o mesmo seguindo uma linha te�rica que apregoava que a luta pol�tica e social passava necessariamente pela capacidade da pessoa em sentir o orgasmo e �xtase, sendo que o indiv�duo n�o satisfeito, era a presa favorita de regimes totalit�rios.
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