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TAMANHO DO P�NIS E TRAUMA PSICOL�GICO
Tanto na �rea ps�quica, como na quest�o sociol�gica, a vaidade � sem d�vida nenhuma um dos pontos individuais mais refor�ados em nossa era, n�o sendo mais exclusividade do universo feminino h� muito tempo. Assim como o tamanho dos seios ou outro aspecto est�tico da mulher, o homem atual, paralelamente tem desenvolvido uma preocupa��o quase que obsessiva em rela��o ao tamanho do p�nis. O que � incr�vel � a aus�ncia da percep��o de que tal fato espelha o universo macro econ�mico de nossa sociedade. Da mesma forma que se compara quem possui o melhor carro, im�vel, ou emprego, a quest�o do tamanho do �rg�o � elevada � categoria de status do m�ximo desempenho pessoal. H� uma prolifera��o criminosa inclusive via net, de cirurgias ou aparelhos que prometem o aumento do p�nis, com s�rias conseq��ncias para a sa�de do indiv�duo. Al�m da questionada efic�cia de tais t�cnicas, temos de perceber o aspecto �tico no contexto citado. Tanto a medicina, como qualquer profissional da �rea da sa�de n�o podem contribuir para a aliena��o ou coisifica��o da sexualidade humana, sendo primordial que ajudem a pessoa a refletir sobre seus medos e complexos.
A primeira conclus�o que o profissional da sa�de deve passar ao paciente � que a compara��o � o caminho mais r�pido para a infelicidade absoluta. J� est� mais do que provada a quest�o de que o tamanho do �rg�o sexual n�o significa mais prazer tanto para homens como mulheres, mas apenas um narcisismo refor�ado pela cultura. Pensar na possibilidade de maior satisfa��o sexual devido ao tamanho do �rg�o equivale a acharmos que algu�m possui mais car�ter se for privilegiado do ponto de vista econ�mico. A verdadeira felicidade sexual adv�m da capacidade de ambos provarem o quanto � especial � presen�a do outro. O sexo sempre teve uma conota��o pol�tica, devido ao car�ter de influ�ncia e poder sobre outra pessoa. Apenas para a personalidade narcisista e ambiciosa a grandeza em qualquer setor � importante.
O problema maior � o complexo de inferioridade decorrente das disputas sociais apontadas. A raiz de todo complexo pessoal � o medo profundo da exclus�o nos mais diversos n�veis, fato corriqueiro em nossos tempos. Tanto a obsess�o pelo tamanho do membro, como o medo do desempenho sexual (impot�ncia), faz parte de uma teatralidade de poder, mascarando um profundo medo da entrega e envolvimento. Nossa era impede a descoberta das verdadeiras necessidades pessoais, nos tornando seres greg�rios e amorfos, na busca da aceita��o do meio. O tamanho do �rg�o ou da conta banc�ria � a condi��o que se coloca para sermos amados, e todos partem para tal corrida insana. Infelizmente todos est�o � busca do que � valorizado em termos sociais, abrindo m�o da maior d�diva humana: o poder pessoal. Se pensarmos em sexo, o poder sempre estar� presente, e algu�m que o delegou para uma "imagem coletiva", certamente sofrer� as conseq��ncias dessa escolha. A sinceridade � primordial na avalia��o e cura do complexo de inferioridade. Discutir o tamanho do p�nis n�o passa de um escapismo do verdadeiro problema psicol�gico e cultural: o medo terr�vel que o homem possui de uma cobran�a feminina em rela��o � sexualidade, j� que culturalmente esta �ltima foi treinada para nunca reclamar. Ambos devem estar atentos para n�o cair na armadilha da competi��o na esfera afetiva e sexual; do contr�rio a revolta e medo dominar�o por completo o relacionamento.
A fun��o da psicoterapia � fundamental na solu��o de tal dilema apontado, pois n�o � a heran�a f�sica o objeto de questionamento, mas, o medo de n�o conseguir "impressionar", que leva ao desespero algu�m que planeja alterar sua fisiologia. O medo de n�o possuir o tamanho adequado do �rg�o sexual, apenas espelha o desespero de nossa �poca; sendo que nos sentimos reprovados na sele��o sexual, assim como em outras �reas que vivenciamos diariamente. Na perspectiva hist�rica falharam os economistas e cientistas sociais que apostaram nas contendas humanas por alimento e sobreviv�ncia, sendo que � mais do que n�tida que a principal disputa e como��o pessoal � o fator da aceita��o perante o grupo. Voltamos sem d�vida alguma a est�gios infantis de depend�ncia, pela absoluta incompet�ncia de resolvermos nossas pend�ncias emotivas. Todo o sofrimento psicol�gico � que assistimos diariamente n�o passa de um alerta da transfer�ncia do emotivo para o econ�mico, que inclusive dita as regras pessoais e da afetividade. A orienta��o psicol�gica, pessoal ou at� espiritual n�o compete mais �s ci�ncias humanas; sendo que n�o h� protestos por tamanha incongru�ncia; mas, uma espera m�rbida para que as doentias rela��es econ�micas possam nos dar uma chance de um lugar de destaque no panorama social.
Principalmente a juventude � mais influenci�vel por tais aspectos, sendo que pais, educadores e profissionais da sa�de devem os orientar no desenvolvimento de uma sexualidade �tica, segura e acima de tudo que estimule o poder pessoal e prazer de ambos os parceiros; e a fun��o b�sica da psicoterapia � descobrir quais mecanismos de inferioridade pessoal foram deslocados para a sexualidade ou preocupa��o obsessiva com o tamanho do �rg�o.
"N�O TEMA A TERAPIA, MAS A UTILIZE
PARA A MUDAN�A DE UM SOFRIMENTO QUE PARECE N�O TER FIM."
POR RAZ�ES
�TICAS, QUALQUER ORIENTA��O S� � POSS�VEL PESSOALMENTE E ATRAV�S DE CONSULTA
PSICOL�GICA.
Antonio Carlos Alves de Araujo -
Psic�logo - C.R.P: 31341/5 EMAIL: [email protected] END. RUA ENG. ANDRADE
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