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Paix�o:(AN�LISE PSICOL�GICA)

"Se descobrimos que nosso parceiro � muito diferente de n�s, desenvolvemos m�goa, revolta e frustra��o pela expectativa n�o realizada; por�m se sentimos que o mesmo � exatamente nossa c�pia, desenvolvemos o medo ou bloqueio para n�o lidarmos com o nosso pr�prio sofrimento, fugindo do pleno autoconhecimento".-ALFRED ADLER-PSIC�LOGO.

"O amor n�o � algo oriundo de um romantismo ing�nuo e pueril, mas � principalmente um entretenimento que o ser humano precisa desenvolver para aliviar seu pavor em rela��o � morte".-ANTONIO CARLOS -PSIC�LOGO.


Qualquer ser humano da face da terra ao menos uma vez experenciou o fen�meno de se sentir apaixonado por algu�m e toda a conseq��ncia de dito sentimento. Muitas vezes Aquilo que come�a como o prazer m�ximo de nosso esp�rito se transforma no mais terr�vel sofrimento, como se fosse uma esp�cie de droga que se consome, e ap�s um tempo sentimos os efeitos colaterais. Sem d�vida o processo de ambas as coisas � o mesmo, pois o ser humano em vista do terr�vel caos que enfrenta diariamente, necessita de experi�ncias culminantes que amenizem sua cruel realidade. Este fato passa desapercebido quando se fala de sentimentos, pois os mesmos tamb�m carregam elementos ilus�rios e at� alucin�genos para a percep��o do indiv�duo. Obviamente n�o desejo aqui comparar paix�o ou amor a uma droga, mas sobretudo esclarecer que um dos maiores focos de doen�a ps�quica e comportamental de nossa era reside na quest�o do "prazer", ao contr�rio do que muitos pensam. Nenhum outro elemento da vida humana � t�o sistematicamente interditado ou sabotado do que a plena satisfa��o pessoal de algu�m.
O prazer como qualquer outra coisa traz embutido perigos e amea�as de toda a ordem. Talvez a principal seja a defini��o de nosso futuro. Digo isto, pois qualquer um que observar atentamente logo perceber� que uma paix�o tem o poder de definir todo o futuro de nossa afetividade, seja na adolesc�ncia ou outra etapa de nossa vida. A n�o correspond�ncia de determinado sentimento j� � a porta certa para um futuro de timidez ou bloqueio afetivo, seja o mesmo oriundo de liga��es familiares ou amorosas. Toda escola de psicologia sabe que o "trauma" � o elemento determinante do futuro pessoal e social de determinada pessoa. O problema � que poucos conseguem tra�ar os caminhos que o mesmo percorre, prejudicando desta forma a preven��o de v�rios conflitos ps�quicos. Se somos resultados de experi�ncias passadas, principalmente as de natureza traum�tica, ent�o pelo racioc�nio l�gico quando uma crian�a est� preste a se deparar com algum conflito insol�vel, naquele exato momento se fechou algumas possibilidades futuras de seu destino.
O psic�logo contempor�neo de FREUD, ALFRED ADLER acreditava principalmente que a futura profiss�o de uma pessoa era definida logo nos primeiros anos de vida, dependendo do tipo de est�mulo ou trauma que sofrera. Chamou este processo de compensa��o, pois a crian�a escolheria algo para tentar reparar a perda. Ele mesmo declarava ter se tornado m�dico ao presenciar o falecimento do irm�o na sua inf�ncia.
Em suas consultas ADLER estimulava o paciente a tentar lembrar de suas primeiras recorda��es de inf�ncia, pois as mesmas dariam a trilha ps�quica que o paciente desenvolveu a partir de determinado evento.
Lembro-me de que em certa ocasi�o numa din�mica de grupo com outros psic�logos, um deles relatou que uma de suas lembran�as mais remotas era de "sair durante a sess�o de um filme para ir at� o banheiro do cinema, onde por algum tempo ficou olhando as fezes no sanit�rio". Esta recorda��o � extremamente interessante, pois se f�ssemos seguir a abordagem psicanal�tica as fezes teriam uma representa��o daquilo que FREUD chamava de ang�stia da castra��o, ou seja, a crian�a na disputa do afeto dos pais sentir-se-ia desamparada e amea�ada, dada � desigualdade em rela��o aos genitores. Temeria ent�o perder seu p�nis, �rg�o extremamente valorizado pela crian�a, pois j� tem uma id�ia inconsciente de que � gra�as ao mesmo que ela foi concebida, e a menina que possui uma vagina foi castigada pela aus�ncia do p�nis exatamente por tentar competir com os pais. Toda esta elabora��o ps�quica e sexual complicada seria desviada para a compuls�o de ver as fezes como forma de iludir seu terr�vel medo subjacente.
ADLER sempre defendeu a tese de que os conflitos sexuais descobertos por FREUD, eram um anteparo que a crian�a constru�a evitando a consci�ncia do verdadeiro conflito, no caso sempre de ordem moral ou social, pois sabemos como nossa cultura dissimula a verdadeira natureza humana. Assim sendo, n�o seria dif�cil analisarmos que a recorda��o infantil acima citada encerraria o desejo da crian�a de ver o lado oculto das pessoas, simbolizado por fezes ou o pr�prio banheiro, que n�o deixa de ser um lugar de privacidade. Ficou claro na discuss�o posterior que desde a inf�ncia a pessoa citada sempre nutriu desejo de adentrar a privacidade dos outros, vendo inclusive seus segredos mais s�rdidos. N�o fica dif�cil perceber o porque da escolha da profiss�o de psic�logo.
A exposi��o te�rica acima citada � importante para entendermos a quest�o da paix�o e sentimentos, pois temos de refletir de que quando nos apaixonamos por algu�m, tamb�m estamos depositando na pessoa toda a nossa anterior hist�ria afetiva, sendo que a reviveremos dependendo da situa��o apresentada.
A paix�o cessa quando se ativam as antigas proje��es ou experi�ncias traum�ticas da hist�ria do indiv�duo; cada um come�a ent�o a usar o parceiro para reviver todo o seu desconforto emocional pret�rito.
Obviamente quando abandonamos a esfera afetiva da dedica��o e doa��o para com o outro, a prioridade � a constante insatisfa��o e conflito emocional. Quando se fala do t�dio que um relacionamento constante pode causar, a pr�pria afirma��o j� encerra uma contradi��o. Ningu�m se cansa de determinado alimento ou gosto pessoal, o que ocorre s�o per�odos de pico ou queda em nossas predile��es. Na quest�o afetiva a coisa muda exatamente pelas proje��es passadas citadas, e uma das conseq��ncias mais vis�veis � a infidelidade conjugal, que encerra um componente de ambi��o desmedida, que se camufla no desejo de novas experi�ncias ou retomada do prazer perdido. Obviamente n�o estou pregando aqui que n�o devamos encerrar um relacionamento que j� se esgotou do ponto de vista afetivo, mas o fato � que os problemas surgem exatamente quando necessitamos do outro como deposit�rio de nossa frustra��o pret�rita. Se descobrimos que nosso parceiro � muito diferente de n�s, desenvolvemos m�goa, revolta e frustra��o pela expectativa n�o realizada; por�m se sentimos que o mesmo � exatamente nossa c�pia, desenvolvemos o medo ou bloqueio para n�o lidarmos com o nosso pr�prio sofrimento, fugindo do pleno autoconhecimento.
� essencial a psicoterapia individual ou de casal na profilaxia do exposto acima.
FREUD acreditava em duas for�as centrais na motiva��o humana: instinto de vida e morte. O primeiro levaria a busca do prazer e satisfa��o. Se o indiv�duo falhasse na realiza��o do objetivo citado, entraria em cena o segundo instinto com a meta b�sica de retorno ao inanimado ou a morte. ADLER achava que os instintos sexuais escondiam todo o desejo de poder e domina��o do ser humano. Assim sendo, uma suposta fantasia sexual encerrava um desejo mais profundo de ver o outro totalmente dominado por nossos anseios pessoais.
O fato central � que a humanidade n�o aprendeu ainda a li��o da duplicidade ps�quica, sendo que a busca por qualquer meta de prazer cont�m tamb�m o elemento da dor. Queremos ardentemente o primeiro e afastar sob qualquer hip�tese o segundo. Usamos a paix�o para tal finalidade, acreditando ilusoriamente ser o rem�dio definitivo contra nosso cotidiano de insatisfa��o. Um dos resultados mais dr�sticos � o desenvolvimento do ci�me exacerbado.
O amor n�o � algo oriundo de um romantismo ing�nuo e pueril, mas � principalmente um entretenimento que o ser humano precisa desenvolver para aliviar seu pavor em rela��o � morte.O sucesso da tarefa citada adv�m quando a prioridade passa a ser mais a satisfa��o do parceiro do que a pr�pria pessoa, com a confian�a absoluta n�o apenas na retribui��o, mas na capacidade de ter conseguido desenvolver tal potencial. N�o preciso dizer de como o conceito citado � quase que impratic�vel em nossa sociedade, pois est� cada vez mais n�tido que a �ltima prioridade � exatamente salvar literalmente algu�m.
Temos de ter em mente de que quando desejamos intensamente algo como uma paix�o por exemplo, suas marcas ficar�o impregnadas com a mesma intensidade. Se a vida em nossa est�pida sociedade globalizada � sempre fugir do fracasso seja de ordem econ�mica ou social, lutando sempre para estarmos no topo, como poderemos estar abertos para doarmos aquilo de mais precioso que existe em nosso ser? Qualquer terapeuta escuta diariamente de seus pacientes de que o mais importante � o lado afetivo, por�m como explicar que � o que menos recebe investimento?
O fato � que a cada dia que passa a coisa que mais cultivamos em nossa vida � a paran�ia em todos os sentidos, seja no receio de perder o emprego e conseq�ente inseguran�a, seja na desconfian�a que temos em nosso parceiro amoroso causada por ci�me, m�goa ou competi��o quando achamos que o outro est� mais satisfeito ou feliz. A paix�o em �ltima inst�ncia � o mesmo que querer compartilhar uma esp�cie de festa com determinada pessoa, e na maioria das vezes para nossa total indigna��o descobrimos que quase ningu�m deseja participar da mesma, ou pelo temor da entrega afetiva, ou impossibilidade de vivenciar o prazer.
REFER�NCIAS BIBLIOGR�FICAS: -AL�M DO PRINC�PIO DO PRAZER -ESPANCAR UMA CRIAN�A FREUD-OBRAS COMPLETAS O SENTIDO DA VIDA- ALFRED ADLER- EDITORA PAID�S-1937



ANTONIO CARLOS ALVES DE ARA�JO- PSIC�LOGO
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