Psicólogo
ANTONIO CARLOS ALVES DE ARAÚJO(ADULTOS E CASAIS)- TATUAPÉ-SP-SP TEL:66980558
Psicólogo
ANTONIO DE PÁDUA VELLOSO GARCIA-Consultoria
Há perfis um tanto
diferenciados entre as salas de bate papo e os sites de namoro propriamente
ditos. Estes últimos agregam pessoas mais ansiosas para fazerem contato ou se
conhecerem pessoalmente; apesar de que os primeiros estão mais sujeitos às
conseqüências de um processo fantasioso de constante teclado com alguém que não
conheceram realmente. É insípida a comparação entre a antiga correspondência
através de cartas com o computador; pois este último agrega vários outros
elementos afora o desejo de encontrar alguém. Citando alguns: Retraimento ou
timidez como foi observado; traumas em relação às experiências afetivas
anteriores; e principalmente medo do envolvimento profundo. Posso quase
garantir que uma das marcas dos futuros relacionamentos será a brevidade dos
mesmos. Não apenas pela junção do fator econômico no âmbito pessoal, que apela
no sentido de que tudo seja descartável, inclusive a questão amorosa; o tédio
há muito que comanda não apenas a profissão que escolhemos, mas também as
pessoas com quem convivemos ao nosso redor. Notem que diversos sinais na
modernidade há muito que alertam para o que foi dito: emancipação econômica da
mulher; o “ficar”, que têm como única meta apenas experimentar e não se
comprometer; histórica insensibilidade masculina perante sentimentos, se
orientando por um hedonismo onde a mulher sempre foi colocada num segundo
plano.
Não pretendo fazer nenhum julgamento se tais coisas são ou não
positivas, mas apenas apontar fatos. Não detemos mais o controle da
permanência das relações, pois todos são vítimas e ao mesmo tempo desejantes de
um consumismo sem fronteiras. Se os casamentos antigos tinham de sobreviver
às custas da infelicidade, no sentido do resguardo da família, ou meramente uma
proteção contra a solidão, hoje se dá o oposto. Todos temem esta última, mas
acabam a vivenciando em doses altíssimas, exatamente pela ilusão do imenso
leque de oportunidades de relacionamento. O modelo econômico há muito vende
tal “sofisma emocional”. O ponto chave de toda essa parafernália nunca é
colocado no centro da questão, que é a brutal ansiedade em que vivemos e como a
diagnosticar e controlar. Infelizmente se visa apenas a ostentação em todos os
aspectos. A posse ou o “ter” há muito são o deus supremo. O “ser” , como
muitos humanistas adoraram enaltecer também pode se transformar numa posse,
devido que o mesmo pode fazer parte de um exacerbado orgulho pessoal, ou
julgamento íntimo de se achar alguém superior aos demais. Deveríamos honrar ou
classificar as pessoas no tocante a parte afetiva pela sua capacidade de
companheirismo e ânimo em relação a outro ser humano. Tal reflexão irá doer
fundo para muita gente quando lembrarem de como nossos pais foram humildes e
abnegados na esfera familiar. Obviamente não estou generalizando e muito menos
apregoando um conceito moralista ou religioso. Apenas ressalto a extrema
dificuldade das pessoas em nossos dias em manterem algo sólido. Qualquer mente
por mais limitada que seja, já percebeu que na esfera consumista em que
vivemos, quanto mais separações, maiores serão as aquisições de novos bens
(apartamento, mobília, etc.) Nossos avós certamente não poderiam sonhar em
conhecer ou até manter relacionamentos através do computador; nem tampouco se desvencilharem
tão facilmente de um compromisso estabelecido. Jamais podemos fazer uma
comparação entre o prazer ou felicidade nas diferentes épocas ou momentos
históricos, apenas podemos retratar as ferramentas com as quais cada ser humano
buscou um companheiro e o impacto social dos instrumentos oferecidos no
decorrer dos tempos. Tanto o saudosismo quanto o enaltecimento de uma
tecnologia desumanizante representam um atraso e perigo perante as reais
necessidades afetivas do ser humano. Como apontei acima, como fica a questão da
ansiedade? Poucos perceberam que não é apenas a luta pela sobrevivência
econômica que nos causa tanto desgaste ou agonia; na esfera pessoal o processo
é totalmente similar; academias, dietas, fotos digitalizadas, vestuário ou
tênis de marca; tudo é feito para que não sejamos literalmente riscados do
mapa. Se o sistema fosse honesto ensinaria desde cedo a realidade da
pessoalidade (vaidade, narcisismo e ostentação); talvez mais pessoas poderiam
ter alguma chance. Uma das conclusões supremas em relação aos sites de namoro é que tal
busca representa a falta de investimento histórico no tocante a parte emocional
da pessoa; se dando conta que suas relações foram fugazes ou simplesmente todos
passaram por sua vida, como uma eterna viuvez social.
Aliás, para reforçar que este
estudo não possui um caráter condenatório, como os sites de namoro poderiam ser
extremamente úteis, se fossem dirigidos realmente a pessoas que perderam
totalmente seus contatos. Não estou dizendo que seriam indicados predominantemente
para a terceira idade, pois isto seria um tanto absurdo e preconceito; porém,
seria interessante pessoas com experiência de vida se utilizarem da tecnologia,
até porque sabemos que o apelo está mais presente na juventude. Outros grupos que
há tempos utilizam o site de namoro como ferramenta central, são os
homossexuais, dados evidentemente os preconceitos da sociedade em lugares
públicos contra tal grupo. Notem que as pessoas vão acomodando o computador
perante pontos sociais que nunca foram resolvidos.
Falando um pouco dos perfis
colocados nos sites, fica evidente a busca da ilusão de uma pessoa perfeita.
Tanto homens quanto mulheres reforçam a extrema importância da beleza e
condição física. Parece até irônico que uma pessoa com tais dotes necessitasse
desse recurso. Fica a impressão de que a busca é como uma espécie de “poupança”
às avessas; como a pessoa na vida real não está satisfeita afetivamente, pede
quase que o impossível, guardando supostamente seu sonho ou fantasia, ou o
depositando em algo mágico, numa espécie de “loteria sentimental”. Boa parte
dos perfis possui fotos de lugares exóticos, sendo que homens e mulheres
colocam que a coisa de que mais gostam de fazer é viajar. Poder-se-ia falar
aqui novamente do interesse econômico ou elitismo, mas a impressão resultante
de tal afirmativa é que o realçar do gosto de viajar é a fuga de qualquer
compromisso mais sério no âmbito doméstico ou pessoal. Digo isto, não novamente
por um raciocínio vicioso, mas, pelo fato de que nos perfis afora as viagens
mencionadas, quase não se encontram descrições verdadeiras sobre o que cada um
é ou desejaria encontrar no relacionamento. Apenas se vende uma ilusão de
ambição, ou expectativa de uma oportunidade sempre melhor; característica
mencionada acima sobre o impacto do sistema econômico. Outro aspecto
surrealista encontrado em muitos perfis é a prática de esportes radicais. Quase
que uma mensagem inconsciente de suicídio ou que um poder supremo tire a vida
de amargura da pessoa. Enfim, ninguém sabe lidar com o dilema da solidão versus
má companhia ou insatisfação.
Outro fato que ainda não foi
mencionado pela mídia ou estudiosos do assunto é o tempo que uma pessoa leva
para encontrar alguém. Na primeira pesquisa onde recebi cerca de nove mil
emails, pude constatar que a porcentagem de encontros que viraram casamentos
era de 1%. Estes se davam num período de três meses a um ano após o encontro;
sendo que sua duração máxima que constatei foi de dois anos aproximadamente.
Não conheço até o presente momento um casamento via net que ultrapassou a faixa
de cinco anos. A grande maioria relatou que sua vivência amorosa durava entre
dois e seis meses; sendo que muitas pessoas já estavam inscritas em algum site
a mais de dois anos. No início todo site de namoro oferecia o serviço
gratuitamente, hoje quase que a totalidade são pagos através de mensalidade. Há
uma parte significativa de pessoas que acabaram se relacionando ou casando com
estrangeiros. Não pude constatar estatística real sobre o sucesso ou fracasso desse
tipo de contato, mas boa parte dos entrevistados disse que os estrangeiros eram
principalmente oriundos dos ESTADOS UNIDOS e EUROPA. A faixa etária que mais
consolidou uma relação estável está situada na faixa dos trinta aos quarenta e
cinco anos.
Salientando mais uma conclusão
deste estudo diria que a grande ilusão deste tipo de busca é a tentativa do
controle da dor e decepção perante um relacionamento. Fantasiosamente se criam
esquemas pré-programados de exigências, se esquecendo da imensa carência e
solidão que afetam nossa era. É como se uma máquina programasse uma necessidade
vital, sem levar em conta de que a esfera amorosa tem como marca a absoluta
inconstância e imprevisibilidade. É possível mostrarmos nosso melhor lado via
net, e assim o desejamos? A solidão sem nenhuma sombra de dúvida é o
desaguadouro de todo um modelo de vida econômico, social e pessoal. Sua solução
passa necessariamente não apenas por uma revisão de valores e condutas, mas, o
resgate do poder para combater e criticar diversos padrões passados e presentes
de comportamentos que priorizam apenas a “propaganda” de uma suposta felicidade
a dois. Nada se têm contra o computador, muito pelo contrário, a facilitação da
comunicação é vital em nossa era. O que devemos combater é a imposição de
valores mórbidos disseminados seja pela net ou pela mídia. Não podemos nos
contentar com modismos ou leiloarmos nossos mais profundos desejos ou
sentimentos, sob o risco de perdermos a esperança total no companheirismo.
A batalha talvez não seja mais uma transformação revolucionária em
larga escala, mas, se determinada pessoa em que depositamos uma expectativa de
bondade e afeto, poderá corresponder com troca genuína e alastrar sua
experiência. Uma antiga terapeuta que conheci dizia que “muitos buscavam para
nunca acharem”. Penso ser este raciocínio um tanto profético para muitos dos
freqüentadores da modalidade estudada acima. As relações se transformaram de
uma forma inimaginável nas últimas décadas, e muitos acham tal fato positivo,
se esquecendo que diversos valores ou padrões éticos foram roubados ou
mutilados concomitantemente. Temos sempre de pensar no custo de todo processo
que aceitamos, seja no devaneio de nossa mente, passando por estruturas sociais
que invadem por completo nossa maneira de ser e agir. Auto estima, liberdade e
amor próprio são a capacidade de análise e reflexão, onde a pessoa não apenas
avalia as cobranças externas, mas respeita profundamente em última instância
suas reais necessidades, sabendo as distinguir do comportamento que todos
esperam da mesma. Desejar ser feliz é a
meta e prova da saúde psicológica, porém, distinguir os meios e caminhos para
tal consecução fazem parte do equilíbrio interno de um ser responsável perante
suas necessidades e o impacto de suas ações sobre a pessoa que elege como
depositária de sua esperança de amor a dois.
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sites de namoro |
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| AGRADECIMENTOS: |
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| IRINEU FRANCISCO BARRETO JÚNIOR E SIMONE APARECIDA JORGE (SOCIÓLOGOS). |