'Psic�logo Ant�nio Carlos Alves de Araujo' 66980558 TATUAP� -SP-SP

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A INTERPRETA��O DO MEDO

"Se realmente quisermos seguir nossa meta de vida absolutamente isolada, podemos ter certeza que quando olharmos para o lado ainda nos restou um companheiro � o medo". - ANTONIO CARLOS- PSIC�LOGO
"Nunca em qualquer outra �poca, o ser humano necessitou tanto da proximidade de seu semelhante, por�m nunca foi t�o negado esse fato, pelo receio das pessoas serem taxadas de dependentes, assim sendo dever�amos rever nosso orgulho, pois descobriremos ser este �ltimo o maior inimigo de nossos mais �ntimos desejos". ANTONIO CARLOS-PSIC�LOGO


A quest�o do medo juntamente com a solid�o, ocupa o topo dos sentimentos experenciados pela maioria das pessoas em nossos tempos. Desde cedo somos criados ou vivemos temerosos da perda da seguran�a em todos os aspectos da personalidade. Esse fato revela a incr�vel contradi��o de toda uma era de revolucion�rias conquistas tecnol�gicas, pois parece que nada tem aliviado os mais arraigados temores humanos. E o ponto n�o � apenas o racioc�nio um tanto simplista, quando dizemos que boa parte dos avan�os s�o acess�veis apenas a alguns privilegiados, e embora isso seja correto, deixa de lado toda a dimens�o da tarefa humana da conviv�ncia e busca de satisfa��o entre os seus semelhantes.
Infelizmente este �ltimo t�pico passa por uma enorme crise, j� que a busca de rela��es saud�veis e de coopera��o n�o tem sido a t�nica em nossa sociedade, mas t�o somente a seguran�a e destaque econ�mico. Obviamente o lado pessoal est� totalmente renegado ao segundo plano, pois todos est�o extremamente ocupados em tentar ganhar dinheiro.
Esse estudo seria absolutamente desnecess�rio para se confirmar t�o �bvia conclus�o, mas o que pretendo � mostrar o impacto disso na psique humana, como acabamos reagindo a isso, e o que nos tornamos. O medo ou p�nico, � a prova fat�dica de que apenas restou lidar com o lado mais cruel e diab�lico de nossa alma, � o atestado final de que renunciamos a todo o tipo de genu�no e verdadeiro contato humano, seja em forma de amizades, ou na quest�o afetiva.
Todos sabemos das dificuldades de se viver em nossa atual sociedade, e a fim de nos prevenirmos contra o sofrimento di�rio de nosso emprego ou rela��es, acabamos por adotar a insensibilidade ou neglig�ncia como forma de conduta. Acontece que nosso organismo ir� compensar tal atitude, pois este �ltimo sempre ter� a fun��o reguladora, assim sendo, quanto maior a atitude de insensibilidade do homem moderno perante suas rela��es, maior ser� o grau de sensibilidade corporal, e sua conseq�ente exposi��o a todo o tipo de manifesta��es psicossom�ticas, como Por exemplo, a s�ndrome do p�nico. � curioso notar que um dos sintomas que mais prevalecem em tal doen�a, � o medo da pessoa sair sozinha com receio de que seja acometida de uma crise repentina de p�nico.
Est� demonstrado um clar�ssimo sinal de desamparo e necessidade de cuidados especiais, uma esp�cie de pedido de socorro, ou ainda for�ar que o ambiente ao seu redor sempre acompanhe a pessoa. No hist�rico desses pacientes sempre encontramos grande soma de isolamento pessoal e social, sendo que a doen�a parece ser o �ltimo ref�gio para que essa situa��o se resolva de uma vez por todas. O medo � taxativo, � a prova mais absoluta de que nossa vida anda muito mal, que estamos vazios, desprovidos de sentido, de que n�o possu�mos ningu�m para compartilhar nosso eu, o medo nos obriga a enxergarmos nosso drama interior, nossa ira com rela��o ao modelo de vida que levamos metodicamente, sem nenhum sentido mais amplo. Nossa tarefa se torna maior a cada dia, pois n�o basta nos rebelarmos contra os sintomas, mas tamb�m em rela��o a um modelo social deteriorado, e se n�o agirmos rapidamente teremos um terceiro, nossa ang�stia frente � impot�ncia de alterarmos determinada situa��o.
O modo como determinada pessoa exp�e sua vida, compartilha seus problemas, divide seus sentimentos, � a maior pista n�o apenas de sua maturidade, mas tamb�m de sua coragem e valor que d� aos que lhe est�o mais pr�ximos. O ego�sta pode ser considerado o mais miser�vel de todos os sujeitos, pois o mesmo tem a concep��o de possuir apenas uma ou algumas coisas de valor, recusando-se a troca, por achar que jamais reconquistar� determinado objeto doado, adotando uma postura de isolamento e temor perante as pessoas.
Na verdade dedicamos ao medo toda a energia que n�o pudemos trocar em outras �reas, como, por exemplo, nas rela��es sociais e companheirismo, assim sendo, o medo � o irm�o g�meo da solid�o, seu mais fiel escudeiro e a prova de que n�o prestamos muita aten��o no quanto sempre fez falta o contato humano. O medo � a ant�tese do crescimento, regulando nossa vida pelo m�nimo, � o fator m�ximo da adaptabilidade do ser humano, infelizmente explorado por todos os sistemas e governos.
O medo � a jaula que nos impede de irmos aonde dever�amos, a distra��o da tranq�ilidade e felicidade, � estar constantemente no passado, uma esp�cie de condicionamento que fala que jamais poderemos ousar outro destino. Achamos que nossos temores s�o um alerta, e atrav�s deles escolhemos sempre o mais c�modo, o menos arriscado, damos um total aval para a insatisfa��o, apenas por pensarmos que estaremos protegidos.
A conseq��ncia em nossa psique n�o poderia ser pior, pois tudo isso resulta numa verdadeira tortura mental, e acabamos sempre pensando o pior, j� que nosso organismo sempre est� precavido. Ficamos com a seguran�a e tamb�m com toda a negatividade que a mesma nos oferece, pois o medo de arriscar passa a ser o medo de viver, e temer�rios escondemos inclusive nossos sentimentos, ali�s, penso que n�o h� tortura maior nos dias de hoje, do que sentir o medo e isolamento, e ao mesmo tempo n�o poder compartilha-lo com nossos semelhantes seja por timidez ou receio do julgamento que far�o a nosso respeito. A clausura e retraimento trazem a for�a do medo no seu mais alto grau, pois o mesmo apenas prevalece nas almas que sentem que seu lado humano � improdutivo perante seu meio, que sua energia vital n�o est� maximizada no contato social, desperdi�ando dessa forma sua afetividade e alegria de viver.
Caso n�o tomemos consci�ncia dos aspectos citados, o medo cada vez mais se apossar� de todos o segmento de nossa exist�ncia, seja no temor da perda do emprego, o de se sentir s�, doen�as psicossom�ticas, ins�nia e depress�o. Claro � o fato de que tudo isso j� est� ocorrendo, por�m parece que a maioria das pessoas ainda n�o se deu conta da amplitude e alastramento do problema, pois essa verdadeira epidemia j� ocupa nosso lar, esperando apenas o momento para reinar absoluta em nossa exist�ncia.




ANTONIO CARLOS ALVES DE ARA�JO- PSIC�LOGO

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