NOSSA RELA��O COM DEUS
"A humanidade tem tratado o tema Deus como um papel em branco, depositando tudo nele: medo, ang�stia, poder, morte dentre outros, sendo que poucas vezes se questiona onde come�a um valor maior e onde se encerram nossos temores". - ANTONIO CARLOS- PSIC�LOGO
"A disciplina e intoler�ncia das religi�es visam cansar o esp�rito renovador e transformador do ser humano, instalando a desilus�o e apatia".
Todos aqueles que se preocupam com o futuro e desenvolvimento da humanidade sabem da import�ncia de se buscar instrumentos para o aprimoramento das rela��es humanas, e tamb�m sabem como cren�as de milhares de anos como as religi�es e instrumentos cient�ficos falharam por completo nessa finalidade citada.
Nenhuma ideologia religiosa, pol�tica ou humanit�ria conseguiu reverter o quadro da mis�ria humana, instalando uma maior solidariedade ou coopera��o entre as pessoas, isso sem citar o modelo econ�mico atual, gerador de in�meros desastres na esfera pessoal e coletiva. O verdadeiro humanista tem no decorrer dos s�culos se perguntado o que poderia alterar o padr�o destrutivo e apocal�ptico do ser humano. Em determinados momentos hist�ricos se chegou a conclus�o de que algo deveria ser imposto a mente humana, como a id�ia do pecado, culpa e medo, a fim de aplacar a vol�pia, gan�ncia ou intoler�ncia humana.Em troca este seria beneficiado com a promessa de um para�so posterior, se estabelecendo um sistema de troca baseado na puni��o e recompensa.
Tudo isso � extremamente conhecido por toda a humanidade, sendo que cada um a sua maneira, defende ou repele dito modelo. O estabelecimento de uma cren�a numa divindade alicer�ada na culpa e medo tem sido a t�nica de praticamente todas as religi�es, ampliando para Deus a tarefa de ser um juiz ou tutor da humanidade. Historicamente tamb�m se denunciou o uso pol�tico e ideol�gico de tal premissa, se criando seres d�ceis e obedientes as normas vigentes.
O fato marcante que quero apontar nesse estudo � o impacto do conceito de Deus na mente humana e suas implica��es ps�quicas e sociais.
Muitos autores, fil�sofos e te�logos j� destacaram a import�ncia de uma cren�a em algo maior por parte do ser humano, com o intuito de compensar o drama di�rio vivido, principalmente pela futilidade absoluta de nosso trabalho e meta de vida em nossa sociedade. A chamada "expuls�o do para�so", nada mais seria do que ter de viver dia ap�s dia com o t�dio daquilo que criamos.
Que o ser humano necessita de algo maior � indiscut�vel, assim como ajudar que outros tamb�m alcancem est�gio semelhante. O ponto b�sico que gostaria de ressaltar � que essa fun��o outrora de predom�nio absoluto das religi�es, em nossa era ser� ocupada pela mente de cada um, talvez em conseq��ncia do extremo individualismo de nossa conduta. O fato � que coopera��o, solidariedade e ajuda ao pr�ximo s�o necessidades vitais, assim como alimenta��o, abrigo e sexo, e a partir do momento que deixamos de lado tais necessidades, se abre o espa�o para todo e qualquer tipo de transtorno ps�quico. Seja medo, p�nico, t�dio, ang�stia ou solid�o, o fato � que o "imperador" sobre nossos atos n�o � mais apenas uma religi�o ou culpa internalizada em nossa mente, mas t�o somente a pr�pria, reclamando uma �rea que precisa ser vivenciada.
Em outro estudo sobre o medo, destaquei que o mesmo adv�m de uma paralisia social, pois quando n�o utilizamos nosso potencial criativo num �mbito social, o espa�o � preenchido privadamente pelo medo e todo tipo de neuroses, pois o potencial para a coopera��o humana distrai e nos eleva al�m das patologias e dist�rbios pessoais. � impressionante como uma id�ia terrivelmente simplista como esta, tem sido negligenciada em nossa sociedade. Ambi��o, desejo de poder e ego�smo s�o como um im� que acaba por atrair as piores sensa��es que um ser humano pode sentir.
Talvez a principal forma de nos elevarmos numa perspectiva maior, � a realiza��o de todo o nosso potencial criativo que poder� ser aproveitado por outrem, caso contr�rio nos restar� somente um sentimento de vazio e inaptid�o. Mostrar ou revelar algo do mundo � a meta central, seja um mendigo ou um artista, ambos est�o revelando a cara de nossa sociedade, e o total desprovido de f� � o homem comum, aquele que aceita enfadonhamente seu destino tedioso com receio de mudar o que quer que seja.
A criatividade, intelig�ncia e aplica��o em servi�o coletivo � o fator eterno, que merece a preserva��o e amparo de algo maior, sendo que jamais qualquer tipo de repress�o barrou ou tolher� o potencial criativo humano, pois passa a ter uma dimens�o al�m do ego pessoal, e a pessoa passa a ter a certeza de que n�o mais est� trabalhando apenas para si pr�pria, e isso a conforta e lhe traz a certeza da continuidade do trabalho, apesar de toda a adversidade.
A vida na atualidade infelizmente se tornou tediosa, e necessitamos de algo al�m da inutilidade que vemos diariamente. Por�m continuamos a buscar isso na esfera puramente individual, como se fosse uma competi��o para provar quem primeiro vence o desconforto de nossa era.N�o � por acaso que todas as religi�es sempre semearam a guerra e todo tipo de atrocidades, pois o fator � exatamente o citado anteriormente, a busca meramente privada, como fator de orgulho e regozijo pr�prio, o mist�rio da ilumina��o em detrimento de pelo menos tentar ampliar a mensagem ou poss�veis formas de melhorar a vida dos seres humanos. Cultivou-se sempre o sagrado, e enquanto isso a banalidade erigiu seu trono na vida de todos n�s. Como esperar que algo maior caiba numa estrutura eg�ica e mesquinha? Podemos pedir sempre pensando em nossos projetos pessoais? As religi�es n�o contribu�ram para esse processo de minimiza��o do divino, como, por exemplo, exacerbar o pecado da sexualidade ao inv�s de se aprofundarem em como poder�amos ser educados para n�o competirmos?
Parece que a disciplina e intoler�ncia das religi�es visam cansar o esp�rito renovador e transformador do ser humano, instalando a desilus�o e apatia, � uma esp�cie de escudo das transforma��es, uma mensagem que refor�a a impot�ncia do indiv�duo, cerceando o mesmo de seu direito de influir nos demais, sem autoriza��o pr�via de um poder maior.
Quase todo o aspecto de nossa vida moderno tem escravizado o ser humano, tipo: necessidade de seguran�a econ�mica e material,culpa e medo oriundos de forma��o religiosa, ou resumindo, medo da morte e tamb�m da vida. A pergunta que fica � quando conseguiremos desenvolver uma potencialidade que transcenda a dicotomia prazer versus pecado? E esse prazer se genu�no n�o deveria contaminar a coletividade e ser um instrumento da melhoria das rela��es e qualidade de vida? Ou ser� que apenas devemos nos resignar com o sofrimento ps�quico imposto historicamente em nossas mentes atrav�s das religi�es?
ANTONIO CARLOS ALVES DE ARA�JO- PSIC�LOGO
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