CULPA E INSEGURAN�A NA NOSSA VIDA
" Se pensarmos do ponto de vista social, a culpa � uma contra resposta a toda ambi��o imposta pela sociedade, devendo � pessoa se contentar em viver numa eterna car�ncia de sensa��es e psicologicamente. Obviamente num mundo onde quase tudo � competir, algu�m teria de carregar o fardo da perda ou exclus�o da satisfa��o pessoal;principalmente se o que est� em jogo � sentir-se bem em todos os aspectos." ANTONIO CARLOS- PSIC�LOGO.
"Se refletirmos historicamente, no passado o prazer era uma fonte proibida de se tocar; j� em nossos tempos podemos experimentar de tudo, mas parece que a proibi��o ainda permanece, seja no vazio de nossa vida di�ria, ou o t�dio a que somos constantemente submetidos. "ANTONIO CARLOS- PSIC�LOGO".
O objetivo deste estudo n�o � a an�lise da culpa �tica, que sem d�vida � fundamental para que o ser humano refreie determinados instintos s�dicos ou destrutivos; mas pretendo enfocar a culpa do ponto de vista psicol�gico, como uma barreira que afeta o prazer e o livre fluir de determinadas emo��es. Todo ser humano depois de determinada experi�ncia de euforia, j� se deparou com uma certa depress�o ou des�nimo ap�s tal fato, minimizando o prazer do ocorrido. Esta � uma das ra�zes da culpa, que estabelece que o indiv�duo quase nunca � um merecedor de algo extremamente positivo. A culpa se torna ent�o uma esp�cie de fuga da ang�stia, contendo todos os desejos pessoais do indiv�duo.
Em um curto espa�o de tempo, a pessoa descobrir� ser quase que totalmente incompetente para o prazer, sendo que al�m do sofrimento resultante de tal condi��o, existe a vergonha e repulsa de si pr�prio, por saber que sua condi��o � extremamente vis�vel ao olhar alheio. O culpado teme constantemente fazer mal ao outro, o que lhe confere um sentimento corriqueiro de exagerada incapacidade pessoal. O temor de recome�ar ou mudar � imenso nesta estrutura de personalidade.
Talvez o maior legado crist�o imposto ao psiquismo humano � o desafio de quem realmente � inocente, impedindo inclusive que a pessoa n�o abandone suas experi�ncias de sofrimento; e quanto maior o mesmo, maior ser� o senso do dever em detrimento da satisfa��o pessoal. A culpa � uma esp�cie de obsess�o pela procura da inoc�ncia citada, sendo que um dia a pessoa ir� descobrir que o possuidor da mesma � aquele que se recusou a viver. A hist�ria da psicologia nos mostrou que a capacidade para o prazer � algo que nos � delegado, seja por um ambiente familiar amoroso e compreensivo, ou algo que apenas obteremos pela luta ou conquista, externamente ou lidando com nossos medos internos.
Se pensarmos do ponto de vista social, a culpa � uma contra resposta a toda ambi��o imposta pela sociedade, devendo � pessoa se contentar em viver numa eterna car�ncia de sensa��es e psicologicamente. Obviamente num mundo onde quase tudo � competir, algu�m teria de carregar o fardo da perda ou exclus�o da satisfa��o pessoal;principalmente se o que est� em jogo � sentir-se bem em todos os aspectos. � interessante observar como a culpa est� relacionada ao segredo, pois uma das caracter�sticas b�sicas da pessoa temer�ria � exatamente nunca dividir o que sente, pois sua baixa estima n�o permite a confian�a de que algu�m acharia algo de interessante em sua alma. Sofrer � como uma esp�cie de trabalho rotineiro, sendo que apenas na fantasia ou em rar�ssimas ocasi�es � permitida a ousadia do prazer. Se almejarmos ir realmente a fundo, logo concluiremos de que a experi�ncia da satisfa��o ou amor pleno passa necessariamente pela erradica��o absoluta da c�lula de sofrimento cultivada pela pessoa. A depress�o t�o marcante em nossa era � prova absoluta de tal conceito; sendo uma resist�ncia feroz ao princ�pio da satisfa��o. A tarefa da culpa � amar e depender do pior, construindo um mecanismo pessoal e secreto de insatisfa��o di�ria, como uma esp�cie de desafio constante para uma personalidade ambivalente e receosa de tocar aquilo que est� t�o pr�ximo; viver plenamente. O segredo e mist�rio da dor passam a adquirir um significado quase m�stico, de expia��o por algo que sequer se compreende profundamente.
A conseq��ncia m�xima para a personalidade culposa � a de que a mesma n�o possui a menor no��o de seus "direitos" afetivos, pessoais e sociais. Sua vida � uma tortuosa espera da autoriza��o do outro para minimizar sua ang�stia. Embora pare�a o contr�rio, a raiz da culpa visa evitar a dor no sentido profundo, pois o suposto sofrimento que a conten��o coloca � uma esp�cie de anteparo a uma posterior sensa��o de cat�strofe pessoal; o ser culpado em s�ntese teme o erro como uma esp�cie de reprova��o completa de sua exist�ncia; sendo assim, a culpa � um mecanismo de defesa para afastar a dor citada, que sempre tem a ver com uma auto imagem atrofiada em quase todos os sentidos. A psicoterapia passa a ser fundamental no intuito de fazer com que a pessoa sinta e experimente seus temores mais secretos, pois o material que transformar� determinada pessoa, ser� recolhido nos mais rec�nditos e angustiantes s�tios da personalidade.
Talvez uma das coisas mais impressionantes por detr�s do sentimento de culpa � o imenso potencial observado de determinado indiv�duo, ao contr�rio da personalidade t�mida que se recusa peremptoriamente a doar qualquer coisa. A culpa talvez seja o sentimento que mais ressalta um dos maiores valores hist�ricos e filos�ficos cultivados pela ra�a humana: liberdade; no verdadeiro sentido da palavra, que infelizmente para a personalidade culposa depende sempre da autoriza��o do outro como disse anteriormente. O quanto se carrega de culpa, m�goa ou �dio � o que definir� o tipo de personalidade: submissa, rebelde , introvertida ou extrovertida.
N�o apenas na etapa da adolesc�ncia, mas em outras ocasi�es, todos admiram determinada pessoa ou �dolo que representa uma vida mais ativa ou cheia de emo��o, que desejar�amos para n�s mesmos. O culpado segue a idolatria do modo inverso, imitando ou copiando justamente aquele tipo de pessoa que se retirou da responsabilidade da intensidade do viver em todas as esferas. Determinadas escolas no transcorrer da hist�ria da psicologia falharam intensamente perante a psicologia social, pois se o ser humano nunca conseguiu eliminar as desigualdades econ�micas e sociais; seria f�cil transportar este conceito para a esfera ps�quica, e o resultado seria a total desigualdade emocional; como algu�m espera receber autoriza��o para algo, quando o outro que det�m o poder teme justamente que o mesmo o supere? A imposi��o da culpa, ou um roteiro pr�-determinada de vida � a garantia do establishment da situa��o de luta de classes dentro do �mbito familiar; assim como no ciclo macroecon�mico, e o culpado se resigna perante seu destino, dando inclusive mais do que o solicitado.
A religi�o adulterou todo o potencial de mudan�a e solidariedade do ser humano, que poderia ser medido na pr�xis di�ria para um conceito de "inferno"; que em s�ntese, � a sensa��o dolorosa de n�o termos cumprido nossa tarefa em rela��o ao potencial de ajuda que necessitamos disponibilizar; a s�ntese da maldade � a perda de tempo ou neglig�ncia perante a grandeza da criatividade.
O leitor j� deve ter notado que a personalidade culposa necessita eternamente do poder sobre sua pessoa, sendo a obedi�ncia sua garantia para n�o ser exposta perante a opini�o alheia; uma esp�cie de depend�ncia perante o lim�trofe; o zelo pelo cuidado excessivo, ou em s�ntese, a rever�ncia perante o que lhe faz mal. Todos os fatos apresentados remontam a falta hist�rica de incentivo, quando falamos de algu�m preso em demasia pelo sentimento de culpa; inclusive no tocante a imagem corporal, pois a escassez � o lema b�sico desta estrutura de personalidade. Talvez a parte mais nefasta da culpa � quando esta nos liga a determinada pessoa, sendo que se sabe que o amor j� n�o existe h� muito tempo, restando apenas o sentimento de d�vida. Neste ponto o car�ter de determinada pessoa passa por uma transforma��o, sendo que a hipocrisia reina soberana em sua vida, acomodando-se no fator afetivo.
Se refletirmos historicamente, no passado o prazer era uma fonte proibida de se tocar; j� em nossos tempos podemos experimentar de tudo, mas parece que a proibi��o ainda permanece, seja no vazio de nossa vida di�ria, ou o t�dio a que somos constantemente submetidos. A culpa se insere neste contexto, principalmente como disse acima, quando devemos algo. A quest�o central que aponto � o fato de que em nenhuma outra era da hist�ria da humanidade, a probabilidade de sermos infelizes atingiu seu �pice como em nossos tempos; e paralelo a este processo, a necessidade da anestesia via drogas ou qualquer mecanismo de fuga tamb�m atingiu o pico. Nosso cotidiano � dominado essencialmente pelo medo: da pobreza, exclus�o em todos os n�veis, fraco desempenho, e principalmente compara��o com outras pessoas. A inveja � nosso combust�vel di�rio numa sociedade monote�sta que a refer�ncia para qualquer coisa � o deus �nico do dinheiro e ambi��o. Todos estamos mais do que mergulhados neste processo, e tudo o mais � tratado com neglig�ncia. A pr�pria depend�ncia familiar que muitos carregam pela vida toda, n�o deixa de ser um seguro, ou um desejo de provedores eternos. Um dos sentimentos que mais se acentua � o desamparo perante nossa auto imagem.
A culpa se torna sob esta �tica uma esp�cie de solidariedade com a exclus�o do �ntimo e potencial pessoal. O modelo econ�mico de classes sociais se reproduz no lado ps�quico, como disse acima, pois a culpa denuncia que a pessoa simplesmente est� abaixo, no sentido psicol�gico. Esta mais do que na hora de tratarmos o inconsciente n�o como uma "caixa preta" original e �nica, mas sobretudo, o reflexo idiossincr�tico da estrutura e influ�ncia di�ria � que o indiv�duo � submetido. O tempo � um deus para o culpado, achando que dispor� do mesmo eternamente, quando na realidade � o inimigo b�sico da humanidade; acontece que o mecanismo da culpa est� totalmente interligado a reprodu��o de um modelo pret�rito familiar, sendo que em determinado momento da vida de uma pessoa, h� uma esp�cie de disparo de algo autom�tico que faz com que o indiv�duo se obrigue a viver a mesma hist�ria ou conflitos de seus familiares. Tal compreens�o � fundamental para a descoberta da g�nese da culpa, pois se descobrir� que o poder do inconsciente n�o est� a favor de uma mudan�a, mas t�o somente da necessidade de copiar literalmente determinado modelo. A obriga��o de ser igual � uma tarefa essencial da culpa.
O sentido da vida � constru�do diariamente; para o drogado � a compuls�o di�ria pelo entorpecente; o ambicioso � a gana pelo dinheiro e poder; o culpado � o adiamento di�rio da arte de viver. Este conceito � uma esp�cie de divisor do car�ter humano, pois enquanto boa parte das pessoas almejam a posse, o culpado sente que n�o pode usufruir inclusive de seu pr�prio espa�o. Se transportarmos este valor para o campo sociol�gico, descobriremos que na hist�ria da humanidade sempre se preferiu de certo modo a ditadura cruel, at� porque a atacar se torna mais f�cil, do que um poder benevolente que causaria a culpa caso fosse destitu�do, embora seus efeitos nocivos e limitadores sejam os mesmos. O culpado necessita na terapia trabalhar a fundo a id�ia de uma eterna barreira invis�vel, que o impede de alcan�ar o prazer, e al�m disto, descobrir como est� vivendo numa esp�cie de lugar errado, pois a limita��o cria um tipo de estranhamento ps�quico, tolhendo por completo o campo de vis�o da pessoa. A fun��o b�sica do tratamento psicoter�pico n�o � apenas a mudan�a, mas a percep��o de que uma determinada neurose cria uma "entidade" dentro da pessoa, sendo sua fun��o b�sica a manuten��o eterna de determinada problem�tica; assim como a concentra��o total nos eventos passados, causando constantemente uma paran�ia. Esta suposta entidade passa a ser um tipo de guia tur�stico que leva o indiv�duo ao mais profundo inferno da mente humana, fazendo com que jamais abra m�o daquilo que realmente lhe traz dor e sofrimento. Outra fun��o � a lembran�a dolorosa e ininterrupta de que o agrad�vel se extinguir� o mais breve poss�vel; ali�s, uma das formas do cultivo do prazer � o esquecimento de que o mesmo assim como tudo obrigatoriamente deve passar, pois o apego � nocivo para o recome�o de algo positivo e saud�vel.
Enfim, a reflex�o b�sica seria a de quem est� preparado para enfrentar seus medos? De que forma? Qual pre�o ousa pagar? Que quantidade de press�o tolera em seu psiquismo? Arrisca algo, ou � seguidor do mais reconfortante sentimento humano: o conformismo e sua conseq�ente garantia de continuidade do conhecido, embora cause sofrimento, mas ainda poss�vel de visualizar e digerir emocionalmente? Todos necessitamos refletir sobre nossas a��es e viv�ncias di�rias, principalmente no tocante ao lado emocional; precisamos avaliar diariamente o impacto afetivo e social que causamos no outro, sen�o vamos incorrer em condutas r�gidas ou autorit�rias. O problema � o limite daquilo que podemos ou n�o, pois a culpa n�o pode preencher todos os espa�os. Nossa era de inseguran�a e incerteza nos coloca este dilema: o quanto de nosso investimento pessoal nos trar� reconhecimento de nosso valor, ou acarretar� ang�stia ou deprecia��o de nossa imagem?
Qual figura externa ou internalizada ocupa o papel de inquisidor?
PARTE2: INSEGURAN�A ( A eterna espera pelo convite)
�Deixar com que a vida nos ensine, � contar com a mais pura experi�ncia de desamparo e sofrimento, como dizia o psic�logo ALFRED ADLER*; pois quando algo externo decide por n�s, � regra de que o mesmo n�o ter� a m�nima compaix�o. O her�i de nossa era � exatamente aquele ser inquieto, que realmente procura a leg�tima solu��o de seus problemas di�rios; ao contr�rio da imensa maioria que necessita encontrar mais mis�ria ao seu redor para se sentir reconfortado�-ALFRED ADLER PSIC�LOGO.
�A inseguran�a � a eterna obriga��o de ser influenciado, seja por uma pessoa, ideologia, sedu��o, v�cio ou determinada compuls�o ou obriga��o. Isto remete a quest�o �tica do poder, pois o mesmo s� deveria ser usado para eliminar a amargura e sofrimento de outro ser humano, desenvolvendo seu potencial para a sa�de e novas buscas; nunca para escravizar algu�m numa imagem ou ilus�o de algo que jamais a pessoa ir� obter. Jamais dever�amos manipular o sonho ou esperan�a de outra pessoa, quando no fundo, n�o desejamos em hip�tese alguma participar do mesmo".
-ANTONIO CARLOS PSIC�LOGO.
A primeira diferen�a b�sica que pretendo estabelecer � entre inseguran�a e medo: este �ltimo geralmente recai sobre um objeto ou acontecimento espec�fico; j� a inseguran�a se constitui num receio generalizado, que inunda por completo uma pessoa, geralmente na hora de tomada de alguma decis�o ou julgamento. � bastante raro em nossos tempos encontrarmos algu�m com posicionamentos firmes, n�o no sentido do fanatismo ou radicaliza��o, pois estes s�o comuns, mas no sentido da pondera��o e seguran�a de sua vontade. A aus�ncia desta �ltima, em boa parte de nossa cultura se deve ao temor da perda, pois todos aprenderam com o sofrimento de determinada pessoa leg�tima e sincera, que quase sempre a mesma acaba exclu�da de algo. Todos preferem contar com a for�a dos acontecimentos, renegando por completo sua �rea volitiva. Deixar com que a vida nos ensine, � contar com a mais pura experi�ncia de desamparo e sofrimento, como dizia o psic�logo ALFRED ADLER*; pois quando algo externo decide por n�s, � regra de que o mesmo n�o ter� a m�nima compaix�o. O her�i de nossa era � exatamente aquele ser inquieto, que realmente procura a leg�tima solu��o de seus problemas di�rios; ao contr�rio da imensa maioria que necessita encontrar mais mis�ria ao seu redor para se sentir reconfortado.
O que boa parte das pessoas n�o conseguem refletir � sobre que tipo de mundo est� presente na maioria de seu �ntimo, se � um mundo de dor, sofrimento, medo, �dio, prazer, divers�o ou outra coisa. A compreens�o do tipo de sentimento ou sensa��o que mais nos atormenta � o primeiro passo para tentar se libertar do mesmo. Como dever�amos enfrentar a inseguran�a? Usando a raiva e o �dio, criando uma compensa��o do medo, e se tornando uma pessoa agressiva, exatamente com o intuito de evitar que algu�m se aproxime e lhe fa�a algum mal? Ou se tornando absolutamente resignado com sua condi��o de inferioriza��o pessoal e social? Obviamente n�o � f�cil sairmos do dilema apontado, mas o fato � que a cada dia todos est�o cada vez mais aterrorizados com a possibilidade da perda em todos os sentidos poss�veis, atrofiando qualquer novo passo ou possibilidade criativa.
A inseguran�a � a fuga da avalia��o di�ria a que todos somos submetidos; prova disso, � um tipo de sonho recorrente em v�rios pacientes: �de que estes voltaram ao segundo grau e necessitam prestar exames�. Sem d�vida, a cr�tica e medo da opini�o alheia formam a base da inseguran�a. Se todos f�ssemos treinados a dividir, o resultado seria o contr�rio, pois se estamos dando algo de nosso ser, seja afetiva ou intelectualmente, estar�amos mostrando nosso mais puro produto, e conseq�entemente refor�ando nossa estima. At� este ponto, fica claro que todo ser humano cedo ou tarde ter� de lidar com a quest�o da inseguran�a, em algum n�vel de sua vida di�ria.
A quest�o central � a maneira de como enfrentar tal desafio, tentando superar o problema. ALFRED ADLER, psic�logo contempor�neo de FREUD, estabeleceu uma teoria ps�quica no decorrer de sua vida refletindo sobre o aspecto do ser mimado. Para o mesmo, a pessoa mimada n�o � apenas algu�m que teve todas as regalias ou facilidades, mas, uma personalidade que insiste em deter o poder a qualquer custo; se utilizando da doen�a ou chantagem emocional para tal finalidade. ADLER, brilhantemente percebeu que a crian�a em suas primeiras experi�ncias na vida poderia obter vantagem, atrav�s de uma doen�a ou comportamento patol�gico, for�ando um cuidado extra de seus pais. Chamou este fen�meno de � inferioridade de �rg�os�; uma esp�cie de h�bito org�nico de se utilizar de determinada defici�ncia, para obter vantagem social. O mimado � aquele ser que se habituou � utilizar determinado problema para eternamente ser o centro da aten��o. E como este conceito ainda � atual, se refletirmos mais profundamente. A personalidade neur�tica ou determinada doen�a coloca insistentemente os refletores sobre a pessoa, ganhando destaque em sua comunidade, mesmo que seja atrav�s de algo m�rbido.
� importante estabelecer a distin��o entre os dois tipos de pessoa mimada: o primeiro seria o mimado pela prote��o: algu�m que obteve n�o apenas determinados benef�cios materiais, mas, foi poupado de qualquer experi�ncia de frustra��o ou sofrimento intenso perante as demandas da vida. Podemos ver este tipo naquelas pessoas que mesmo atingindo a fase adulta, reclamam eterno cuidado,suas esposas ou maridos continuam sendo a extens�o mais pura de seus pais, sendo que al�m de n�o dividirem seu �ntimo, n�o conseguem tamb�m estabelecerem uma entrega afetiva profunda.
O segundo tipo pode ser definido como o mimado pelo poder: desde as mais remotas experi�ncias infantis, tal personalidade foi investida de uma import�ncia quase que sobrenatural, participando de decis�es como se fosse um adulto, sentindo que sua presen�a era a �nica condi��o para a felicidade ou ru�na de seu meio familiar. Quando adultas, estas pessoas tem uma orienta��o para as drogas e comportamento sociop�tico, pois seu v�cio � a eterna manipula��o e controle do meio em que vivem, e caso n�o adotem um comportamento anti-social, se recusam terminantemente a qualquer troca que favore�a ao crescimento e ajuda perante seus familiares, se tornando t�midos, no intuito de apenas obter vantagens perante o meio, nunca sendo aut�nticos com seus sentimentos ou atitudes, o que � caracter�stica da timidez; dissimulando por completo todo o seu comportamento perante o outro.
Estas observa��es s�o fundamentais para entendermos a inseguran�a, pois a quest�o do mimo � fundamental nesta problem�tica. Algu�m que jamais usou de seus recursos pr�prios para obter reconhecimento ou troca genu�na, est� eternamente condenado a inseguran�a .
Se historicamente todos f�ssemos preparados ou avisados de que � a vida � uma eterna ca�a ou competi��o, nossos problemas seriam menores. Quase nunca nos conscientizamos de que nosso lado afetivo tamb�m est� completamente contaminado pelo poder e disputa social que vivenciamos diariamente. A pr�pria sedu��o, n�o deixa de ser um extremo poder que conferimos ao outro, nos escravizando numa suposta imagem de amor, que sabemos que mais cedo ou tarde nos causar� extrema ang�stia. Ao se retirar a sedu��o, que est� intimamente relacionada ao poder, � que poderemos ver a verdadeira face da pessoa, pois devemos observar a verdadeira beleza do outro, e n�o o poder est�tico que isto nos causa. Estar apaixonado � tamb�m uma das maiores fontes de inseguran�a em nossos tempos, pois sabemos que estamos plenamente submissos ao afeto e aten��o do outro. Aprofundando o racioc�nio citado, a inseguran�a � a eterna obriga��o de ser influenciado, seja por uma pessoa, ideologia, sedu��o, v�cio ou determinada compuls�o ou obriga��o. Isto remete a quest�o �tica do poder, pois o mesmo s� deveria ser usado para eliminar a amargura e sofrimento de outro ser humano, desenvolvendo seu potencial para a sa�de e novas buscas; nunca para escravizar algu�m numa imagem ou ilus�o de algo que jamais a pessoa ir� obter.Jamais dever�amos manipular o sonho ou esperan�a de outra pessoa, quando no fundo, n�o desejamos em hip�tese alguma participar do mesmo.
A raiz de toda a dor do processo citado � o medo da perda ou a dificuldade do recome�o. O conflito b�sico de nossos tempos, ao mesmo tempo contradit�rio, � o desafio de estar realmente satisfeito com algu�m, mas paralelamente uma tend�ncia de estar sozinho, visando a seguran�a, pois a solid�o por mais cruel que seja, protege a pessoa de nova decep��o. Como est� dif�cil equacionar um anseio ou expectativa pessoal perante as demandas de outra pessoa; o quanto algu�m realmente cede e renuncia a parte de seu egocentrismo em prol da felicidade do outro.
O fil�sofo grego PLAT�O, cunhou o t�o conhecido mito da caverna, uma representa��o simb�lica do aprisionamento da alma humana. Nesta par�bola haviam pessoas acorrentadas numa caverna, apenas vendo as sombras de um mundo externo, e quando algu�m finalmente se libertava, vendo o mundo real, e desejava compartilhar com outros desta experi�ncia, era totalmente exclu�do e perseguido por seus semelhantes. A inseguran�a � em s�ntese um atestado desta condi��o; muitas pessoas optaram por viver na sombra de determinada prote��o, por mais enclausurada que sejam suas vidas, n�o abrem m�o do anteparo . Como diz determinado ditado ingl�s: �from womb to the tomb�,( do �tero at� a tumba); mesmo que a vida seja um espectro, o mais importante � estar protegido, criando uma realidade onde o medo � o eterno ser supremo. Abrir m�o de todas as possibilidades criativas, muitas vezes � mais reconfortante para determinadas pessoas, ao inv�s de encararem o desafio de elas pr�prias criarem novas hist�rias.
Se recusar a aceitar nossa individualidade e dever de tra�armos com firmeza nosso caminho, � uma das mais s�rias dificuldades ps�quicas que recaem sobre determinado ser humano. A inseguran�a como sugeri no t�tulo, � uma eterna espera por um convite que jamais acontecer�.
O inseguro tem a cren�a internalizada de que n�o possui determinado talento ou habilidade para ser valorizado socialmente. Sua liberta��o � o percebimento de que a coisa mais importante n�o � o reconhecimento por parte de algu�m, mas uma vontade plena em desejar aprender e estar totalmente dispon�vel. Abrir m�o dos sentimentos de inferioriza��o e conseq�ente paran�ia de ser dominado, colocam a pessoa numa espiral crescente e inesgot�vel de novas possibilidades. Como ser�amos mais felizes de descart�ssemos a nostalgia e seguran�a ou inseguran�a das lembran�as impregnadas de nossa inf�ncia. Esta, � sem d�vida uma das mais preciosas fontes psicol�gicas de evolu��o do ser humano; abrir m�o da nostalgia e apego que s� refor�am a autocomisera��o, para prosseguir num caminho onde cada um tenha n�o apenas a certeza de seu potencial, mas o conhecimento interno de que encontrar� sempre outros seres humanos que precisam realmente de seu conhecimento e sua experi�ncia de vida.
"Temer qualquer contato ou
ajuda profissional, � viver numa esp�cie de culto ao sofrimento".
POR
RAZ�ES �TICAS, SEGUINDO ESTRITAMENTE O C�DIGO DO CONSELHO REGIONAL DE
PSICOLOGIA, E DADO O EXPOSTO ACIMA, QUALQUER ORIENTA��O IMPRETERIVELMENTE S� �
POSS�VEL PESSOALMENTE E ATRAV�S DE CONSULTA PSICOL�GICA.
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AGRADECIMENTO AO ARGUMENTO DO PSIC�LOGO: ANTONIO DE P�DUA VELLOSO GARCIA
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COLABORADORES PERMANENTES: IRINEU
FRANCISCO BARRETO J�NIOR; SIMONE JORGE( SOCI�LOGOS)