'Psic�logo Ant�nio Carlos Alves de Araujo-Adultos e terapia de casal- 66980558 TATUAP�-Z.LESTE'
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CRISE NO CASAMENTO(AN�LISE PSICOL�GICA SOBRE A ESCOLHA CERTA OU ERRADA DO PARCEIRO)



Se pensarmos na sa�de emocional em sua totalidade, a quest�o amorosa deveria ser a prioridade absoluta, caso contr�rio, o conflito t�m a tend�ncia de inundar a vida pessoal, gerando constante insatisfa��o e infelicidade. Todos nos tempos atuais deveriam ter em mente que o amor, romance, namoro ou qualquer nome que batizarmos para um relacionamento, n�o pode ser encarado como uma recrea��o ou passatempo dos finais de semana, sendo uma esp�cie de continua��o de nossas atividades profissionais. A verdadeira e profunda an�lise do inconsciente � a descoberta do momento em que nos recusamos � uma genu�na experi�ncia amorosa, ou ent�o se escolhe erroneamente por temer a mesma. O medo, ci�mes ou competi��o na rela��o deriva da agrega��o entre excita��o e competi��o. Nos termos hist�ricos da psicologia, quando SIGMUND FREUD dizia do famoso "complexo de �dipo", nada mais era do que o come�o da disputa na fam�lia sobre quem iria deter o poder sobre a afetividade. Erroneamente nos acostumamos � enxergar o complexo de �dipo na ess�ncia( o menino disputando com o pai a soberania do prazer materno), quando na verdade a quest�o � quem nos proporcionou uma base s�lida de confian�a ou seguran�a �ntima para vivenciarmos a afetividade no futuro, e caso n�o tenhamos o registro da mesma, como fazer para obt�-la.

Quando escolhemos determinado parceiro afetivo ou sexual, a primeira quest�o que se coloca � que tipo de viv�ncias iremos obter com o mesmo: sexo, prazer, sofrimento, ang�stia e inquieta��o dentre outras. Poucos percebem que a an�lise do inconsciente por parte de um psic�logo � fundamental para se descobrir o que realmente merecemos ou estamos atraindo em nossos relacionamentos. Como cada um lida com seus sentimentos negativos � a chave para se descobrir o que nos espera. Um exemplo pr�tico disto � a forma como a contrariedade, car�ncia e at� a vingan�a pessoal � demonstrada diariamente(mal humor, sintomas psicossom�ticos e discuss�es). � importante o percebimento desse processo, ao inv�s da nega��o crist� internalizada de que n�o possu�mos �dio ou desejo de se vingar. A hipocrisia e dissimula��o s�o os alicerces mais profundos da insatisfa��o generalizada, que dramatizamos no cotidiano do relacionamento. Para entendermos melhor o processo hist�rico da escolha, se faz necess�ria uma breve an�lise psicol�gica da fam�lia.

Todos nos acostumamos a buscar seguran�a emotiva na fam�lia, e logo percebemos que estamos t�o exclu�dos como na quest�o econ�mica, sentindo um "desemprego emocional", pois a mis�ria afetiva caminha em paralelo com a econ�mica. Se pensarmos em determinada pessoa que passou priva��o material no seu passado veremos determinados mecanismos compensat�rios em sua maneira de encarar as rela��es sociais; no caso de algu�m que passou pela priva��o emocional seria muito interessante fazermos a mesma pergunta: que tipo de mecanismo ps�quico � resultante desse processo? A primeira conclus�o � que tal pessoa ir� buscar o retraimento afetivo, e da mesma forma que algu�m que sentiu a mis�ria econ�mica, "economizar�" o m�ximo poss�vel na troca e relacionamento emotivo.

Praticamente todas as escolas da psicologia colocaram a fam�lia como o palco do desenvolvimento dos futuros problemas e neuroses da pessoa, seguindo uma orienta��o ps�quica e biol�gica, baseadas na fragilidade e depend�ncia do ser humano. O hiato em tal concep��o � que a neurose n�o � fruto dos conflitos familiares, sejam os mesmos: ci�mes, agressividade ou baixa auto estima , mas, da aus�ncia ou sentimento de car�ncia por n�o ter se aproveitado de determinado potencial afetivo.

A ess�ncia da car�ncia nesta concep��o n�o � a falta em si mesma, mas a revolta da n�o utiliza��o do potencial, sendo que tal energia � totalmente desviada para a neurose. Talvez dev�ssemos delinear o que buscamos num relacionamento, pois muitas vezes confundimos os elementos que se colocam a nossa frente. Desejamos amizade, companheirismo, atra��o sexual por parte do outro, fidelidade, citando alguns exemplos. Obviamente seria absurda a reuni�o de tais qualidades em uma s� pessoa, embora todos gostem de delirar sobre a pessoa que escolhem. A pr�tica psicol�gica t�m nos dito que milhares de rela��es terminam abruptamente quando um dos parceiros manifesta que o centro de suas emo��es perante o outro � a amizade. N�o h� maior ofensa para a pessoa do que ouvir que a mesma n�o � o objeto da mais pura satisfa��o ou desejo sexual, mas, t�o somente uma esp�cie de "colega de turma". N�o quero afirmar que a quest�o da sexualidade seja a primazia na mente de todos, mas cabe denunciar a hipocrisia na manifesta��o sentimental perante o parceiro. Quando algu�m fala que deseja manter a amizade, est� paralelamente negando a morte de seu desejo sexual em rela��o ao parceiro, n�o admitindo a perda da libido, talvez por um sentimento de culpa, que � a prova derradeira da morte da rela��o pela falta de coragem em assumir tal condi��o.

O que ocorre neste caso, � como no aspecto econ�mico, quando as pessoas por mais que n�o precisem de determinado elemento material, n�o admitem a perda do mesmo. O leitor poder� insistir que estou assinalando que a raiz da dura��o de uma rela��o � a certeza de ser desejado sexualmente continuamente pelo outro. Em parte isso � a verdade, mas t�o fundamental quanto tal conceito � a honestidade da manifesta��o do que est� acontecendo.

Como � poss�vel duas pessoas que se conhecem h� tempos desenvolveram o medo de expor a realidade? Medo de magoar o outro? Todos sabem que o mais nojento sentimento humano depois da destrutividade � a pena, pois a mesma despotencializa por completo o outro, catalizando o complexo de inferioridade pessoal. Talvez n�o exista desafio maior para qualquer ser humano do que lidar com suas experi�ncias pret�ritas e o impacto destas sobre sua sa�de f�sica e psicol�gica. O primeiro ponto para a reflex�o �: Gostar�amos de esquecer ou reviver as antigas experi�ncias? A resposta para tal pergunta nortear� a ess�ncia do car�ter da pessoa; extrovers�o e motiva��o para o novo, caso a resposta seja a primeira, ou introvers�o e confinamento no imagin�rio, na segunda op��o. Claro que isto n�o � uma regra fixa, pois n�o podemos declarar uma pessoa como sendo mais retra�da ou desanimada apenas por estar presa no passado, sendo que o conceito � apenas para termos um par�metro do funcionamento mental do indiv�duo. Devemos refletir quais mecanismos conscientes ou inconscientes as pessoas se utilizam para reviver determinadas etapas inacabadas. As estrat�gias utilizadas definir�o o tipo de motiva��o pessoal frente � esfera social.

SIGMUND FREUD chamou de "compuls�o a repeti��o", o processo de reviver interminavelmente determinada neurose, assim sendo, quando algu�m como exemplo repetia um relacionamento ou acontecimento frustrado, seria uma tentativa da libido descarregar a energia acumulada ou represada at� conseguir o �xito de sua miss�o. FREUD associou tal complexo ao instinto de morte inato no ser humano, pois o prazer absoluto ou aus�ncia da dor, apenas seriam obtidos no retorno ao inanimado, que seria a morte. Embora tal conceito at� o presente seja um tanto dif�cil de ser elaborado, n�o precisamos ir muito longe para vermos que determinadas pessoas possuem um n�cleo doentio de sempre estarem repetindo suas experi�ncias mais dolorosas. Por�m, o que FREUD deixou de mencionar � que a repeti��o na sua ess�ncia � um desafio imposto pelo ego frente ao orgulho ferido. A pessoa mesmo sabendo do risco da continuidade de determinada desgra�a, aceita novamente uma situa��o similar, como o jogador compulsivo. � o famoso complexo de inferioridade descrito pelo psic�logo contempor�neo de FREUD: ALFRED ADLER.

O sofrimento passa a ser um pre�o de baix�ssimo custo para uma alma que necessita de repara��o, seja por ter sido exclu�da do afeto, ou totalmente imbu�da do desejo de vingan�a. Estes s�o indiscutivelmente dois dos n�cleos da alma humana, embora todos gostem de esconder tais sentimentos com a capa da religiosidade. Chegamos � conclus�o de que uma das coisas mais importantes para qualquer pessoa � o clamor arraigado por uma escuta de algu�m que lhe diga seu valor e a oriente emocionalmente, do contr�rio, a depress�o tomar� sua alma. A ess�ncia de qualquer neurose n�o � a repress�o sexual, mas principalmente a aus�ncia do "tutor emocional"; algu�m com certa experi�ncia de ser amado e que nos mostre o caminho para conseguirmos semelhante experi�ncia. Fica claro que a partir do percebimento de repeti��es constantes de frustra��o, � chegado o momento da procura da ajuda. O cerne da psicoterapia � justamente desfazer esse v�nculo eterno com o v�cio de sofrer; n�o que seja poss�vel apenas vivenciar o prazer, mas o importante � a estrutura emocional para lidarmos e aprendermos com as coisas que n�o deram e n�o podem dar certo, aceitando em todas as esferas nossos limites, como toda a psicologia gosta de enfatizar.

� importante perceber que a personalidade estratificada na culpa e dor acha mais f�cil o puro sofrimento, do que a utiliza��o de sua experi�ncia como conte�do e suporte para milhares de hist�rias de trag�dia e desamparo ao seu redor. O complexo de inferioridade extremo � restringir o sofrimento para uma esfera totalmente privada, retirando do indiv�duo o conhecimento profundo sobre as emo��es negativas; d�diva incomensur�vel em nosso tempo.

Como ADLER sempre assinalou, a viv�ncia da dor � uma tentativa torpe da busca da superioridade social, sendo que a pessoa n�o apenas diviniza seu sofrimento, mas, o coloca numa esfera �nica e inating�vel no tocante � sua dissolu��o. Em termos do passado, esta personalidade ir� se perguntar se deve aceitar o conformismo que refor�a sua dor, ou algo de extrema dificuldade para seu ego: mobilizar pela primeira vez seus mecanismos conhecidos para uma "revolu��o" interna, aceitando toda a ansiedade decorrente. Se tiv�ssemos o h�bito da reflex�o e busca do autoconhecimento ir�amos relembrar como passamos por cada etapa de nossa vida, e qual marca pessoal depositamos frente �s novas experi�ncias; (Primeiro dia na escola; conversar com algu�m fora do �mbito familiar; puberdade e masturba��o; primeiro namoro; sexualidade e primeiro emprego). A t�nica destas experi�ncias foi: ansiedade; choro e depress�o; medo; alegria ou gozo pessoal?

Entender o centro de nossa personalidade � tarefa vital na busca do conhecimento interno e satisfa��o. A raiz do complexo de inferioridade descoberto por ALFRED ADLER � a constante instabilidade emocional, decorrente das prec�rias experi�ncias de socializa��o do sujeito. O prazer para ADLER, n�o era apenas uma experi�ncia de satisfa��o pessoal, mas, sobretudo, a possibilidade do sujeito usar seu potencial para modificar a hist�ria de sua comunidade. Caso a pessoa falhe nessa jornada, o prazer ser� eterno companheiro da ang�stia e t�dio, reduzindo a intensidade das experi�ncias gratificantes. ADLER inclusive cunhou uma f�rmula para o entendimento da natureza do complexo de inferioridade: Experi�ncias precoces infantis de rejei��o= desenvolvimento do complexo de inferioridade= tentativa de compensa��o atrav�s do excesso de doen�as infantis de fundo emocional ou comportamento de birra= car�ter individualista; ou crian�a mimada no sentido de ter poder for�ando a aten��o de todos para seu problema; ou simplesmente n�o participando da vida familiar (timidez)= recusa constante de dividir suas viv�ncias; principalmente no tocante �s emo��es; n�o contribuindo com o progresso emocional entre os membros de seu grupo. ADLER via o modelo mental como uma miniatura individual das rela��es econ�micas e sociais, e n�o precisamos de nenhum esfor�o intelectual para descobrir como todo o exposto � t�o �bvio em nossos tempos. Podemos concluir dizendo que o medo maior de todo ser humano � a fus�o de sua hist�ria pessoal e emocional (incluindo todos os traumas ou viv�ncias subjetivas de desamparo individual), aliado � expectativa do julgamento do meio (opini�o alheia), fator determinante no direcionamento do estilo de vida que a pessoa ir� adotar, sendo uma das medidas mais exatas de seu amor pr�prio.





BIBLIOGRAFIA SOBRE O COMPLEXO DE INFERIORIDADE:
ADLER, ALFRED. O CAR�TER NEUR�TICO.MADRID: EDITORA PAID�S, 1932.

DEMAIS ID�IAS FORAM TIRADAS DA EXPERI�NCIA CL�NICA DO AUTOR.

COLABORADORES: IRINEU FRANCISCO BARRETO J�NIOR(SOCI�LOGO)
SIMONE JORGE (SOCI�LOGA)

POR RAZ�ES �TICAS, QUALQUER ORIENTA��O S� � POSS�VEL PESSOALMENTE E ATRAV�S DE CONSULTA PSICOL�GICA.



Antonio Carlos Alves de Araujo - Psic�logo - C.R.P: 31341/5
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