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'Psic�logo Ant�nio Carlos Alves de Araujo' 66980558-SP-SP

CAUSAS E CONSEQU�NCIAS DO CI�ME

"A raiz m�xima do ci�me � a previs�o de um futuro de prazer para nosso companheiro(a) que n�o est� satisfazendo nossas necessidades presentes de afeto e companheirismo. � intoler�vel algu�m em quem investimos ser bem sucedido excluindo nossa presen�a".-ANTONIO CARLOS-PSIC�LOGO.

"Todos sabemos secretamente ser imposs�vel o desenvolvimento do amor num mundo como o nosso, e o ci�me nada mais faz do que retirar as antigas m�scaras ou ilus�es passadas acerca de uma afetividade que nada mais era do que um sentimento pueril, corro�do por um romantismo hip�crita a servi�o t�o somente de determinadas necessidades de prazer sexual ou seguran�a afetiva. Algu�m que realmente desejou ou encontrou o amor sabe perfeitamente o �rduo caminho que teve de percorrer, sendo que sua ess�ncia m�xima � estar totalmente envolvida na disposi��o e ajuda para que ambos constantemente consigam enfrentar e superar os desafios existenciais. O amor deveria ser uma constante terapia de casal onde a fun��o e o poder que caberiam ao analista seriam constantemente divididos entre ambas as partes". A confian�a e devo��o seriam os eternos pilares dos conflitos e incertezas di�rias.".ALFRED ADLER -PSIC�LOGO.


Discutir qualquer processo de dor ou sofrimento coletivo � algo extremamente s�rio. O objetivo jamais poder� ser qualquer id�ia m�stica ou messi�nica para livrar a pessoa de dito sofrimento, mas t�o somente o esclarecimento do processo que gerou toda a situa��o. Apenas nos libertamos de algo doloroso quando chamamos o poder pessoal para a a��o. Posto este alerta quero come�ar a explana��o sobre o tema dizendo quea ang�stia do ci�me nada mais � do que a inseguran�a pret�rita que h� muito tempo uma pessoa vinha sentindo e n�o conseguia assumir tal condi��o, pois se o objeto afetivo desejado � fonte de dor, fica �bvio o primeiro sinal para uma profunda reflex�o pessoal acerca de nossa conduta amorosa.

Quanto maior o sentimento do ci�me numa pessoa, mais clara fica a certeza do afastamento e distanciamento da rela��o afetiva. A posse e o apego podem trazer conforto pessoal por algum tempo, mas com toda a certeza se transformam em instrumentos de dilacera��o do relacionamento, pois qualquer completude amorosa jamais se dar� no medo ou temor. Ali�s, estes dois �ltimos s�o claros sinais de desmoronamento da vida conjugal. Talvez a �nica coisa positiva no ci�me seja a ang�stia. Pode parecer estranho tal conceito, pois o leitor ir� indagar como algo que causa tanto tormento pode ser positivo?A ang�stia significa um movimento interno que ainda procura satisfa��o e prazer, mesmo estando encoberto pela sensa��o do desespero; ao contr�rio do sentimento de solid�o profunda que significa algo quase que est�tico ou permanente. Sempre a dimens�o da sa�de psicol�gica se dar� atrav�s das possibilidades.

Nosso desafio humano em nossos tempos � aprender a elaborar e lidar com as sensa��es acima citadas. Temos de ter em mente que aquele sentimento terno e estimulante de nossa alma pode facilmente se transformar em �dio, ci�me ou inveja. Este �ltimo � o mais forte de todos, pois � a raiz n�o apenas do ci�me, mas de todo o processo da destrutividade.A raiz m�xima do ci�me � a previs�o de um futuro de prazer para nosso companheiro(a) que n�o est� satisfazendo nossas necessidades presentes de afeto e companheirismo. � intoler�vel algu�m em quem investimos ser bem sucedido excluindo nossa presen�a.

Sempre se colocou a quest�o do ci�me como inseguran�a ou inferioridade pessoal. O ponto central que muitas vezes � omitido � o fato do ci�me ser a prova final de uma rela��o deteriorada, que h� muito traz malef�cios para a esfera afetiva. O inc�modo perante tal descoberta � acentuado por descobrirmos que algu�m literalmente saiu derrotado do conflito amoroso, se tornando inteiramente vulner�vel, dado que se encontra mais dependente afetivamente do parceiro. Tal est�gio marca a transfer�ncia absoluta das regras econ�micas e sociais para o psiquismo, sendo que um dos membros foi derrotado na competi��o que h� muito dominava o relacionamento, e infelizmente a dor � sempre mais forte quando sentimos que o fracasso � quase que estritamente pessoal.

Se desejarmos sinceramente desvendar a raiz de t�o inc�modo sentimento, n�o demorar� em se aclarar � id�ia de que o ci�me � totalmente a devo��o de uma energia afetiva pelo passado registrado em nossa mem�ria, sendo que a maioria da humanidade parece que apenas respeita e devota o pret�rito. Como conseq��ncia h� um ac�mulo desproporcional de medo e �dio pelo "novo", pois fomos criados para n�o nos esfor�armos pelo que estamos vivendo, dada toda a desconfian�a que implantamos em nossas mentes perante uma futura perda.

Constantemente preferimos projetar no outro todas as nossas frustra��es passadas, sendo que podemos chegar a conclus�o b�sica de que nosso pensamento quase sempre trabalha contra nossos anseios e expectativas, criando um fosso entre desejo e aplicabilidade do mesmo. N�o somos nossos pr�prios aliados, e trazemos toda a disputa vivida em sociedade para nossos pensamentos secretos, alimentando o medo, desconfian�a e expectativa de desastre pessoal.

O ci�me que nada mais � do que uma vertente do �dio requer uma imensa canaliza��o de energia, exaurindo todo a possibilidade do prazer em determinada pessoa. A sabedoria seria se utilizar dito sentimento descrito como um alerta m�ximo de futuro fracasso afetivo. Infelizmente a maioria das pessoas se consomem quase sempre em seu rancor pessoal, bloqueando qualquer nova chance de contato. Obviamente a venera��o por algu�m que nos causa tanta dor remonta ao que disse anteriormente sobre a transposi��o de elementos econ�micos para o lado psicol�gico. Em nosso mundo o que mais nos afeta � aonde ou por quem investimos, e conseq�ente possibilidade de retorno. Na maioria das vezes achamos que o outro � como um determinado produto pelo qual pagamos e exigimos que satisfa�a as expectativas que nos levaram a tal investimento. Fica n�tido que este �ltimo conceito citado � a raiz profunda da sedu��o em nossa sociedade, e como adoramos sermos seduzidos, a vaidade e poder resultantes; contudo sempre nos esquecemos que a sedu��o � na maioria das vezes o correlato ps�quico da mais falsa propaganda. Como quase todos s�o peritos nas apar�ncias e ing�nuos nas ess�ncias, conclu�mos que tal problema est� muito distante de uma solu��o.

Qualquer pessoa que tenha uma boa dose de autoconhecimento saber� que a ang�stia e dor do ci�me n�o s�o basicamente pelo parceiro em quest�o, pois pela l�gica podemos encontrar outras pessoas, ent�o como explicar tamanho sofrimento? Uma das raz�es foi descrita anteriormente que � a quest�o do investimento, elemento central da posse numa sociedade de consumo. A outra seria um temor interno ao abandono e solid�o extrema, sendo que a pessoa age como se fosse o final da linha na sua vida amorosa. Mas cabe elucidar a contradi��o entre o temor de ficar s� e a �bvia possibilidade de se encontrar algo novo. A sensa��o de nossas for�as se desvanecendo na busca por nova empreitada, n�o � apenas um sinal de velhice emocional como determinados setores da psicologia sempre apontaram; ou ent�o a explica��o tamb�m citada acima acerca da posse.

O fato � quetodos sabemos secretamente ser imposs�vel o desenvolvimento do amor num mundo como o nosso, e o ci�me nada mais faz do que retirar as antigas m�scaras ou ilus�es passadas acerca de uma afetividade que nada mais era do que um sentimento pueril, corro�do por um romantismo hip�crita a servi�o t�o somente de determinadas necessidades de prazer sexual ou seguran�a afetiva. Algu�m que realmente desejou ou encontrou o amor sabe perfeitamente o �rduo caminho que teve de percorrer, sendo que sua ess�ncia m�xima � estar totalmente envolvida na disposi��o e ajuda para que ambos constantemente consigam enfrentar e superar os desafios existenciais. O amor deveria ser uma constante terapia de casal onde a fun��o e o poder que caberiam ao analista seriam constantemente divididos entre ambas as partes.A confian�a e devo��o seriam os eternos pilares dos conflitos e incertezas di�rias.Jamais estou querendo dizer com isto que um casal n�o deva aceitar ajuda profissional, pelo contr�rio, a mesma sempre ser� essencial, o ponto para o qual estou querendo chamar a aten��o � a atitude e compromisso entre dois seres. Infelizmente como a maioria das pessoas deseja algo pronto, de f�cil acesso como a vaidade e beleza, por exemplo, fica quase que provado o conceito exposto acima. Todo ser humano carrega determinadas falhas tr�gicas pessoais que s� poder�o ser superadas com o mais profundo apoio e dedica��o de outro ser. Pensando nestes termos como fica reduzida a escala de pessoas que gozam desta condi��o!

Est� mais do que na hora de todos aprenderem que qualquer experi�ncia gratificante carrega uma contrapartida de pavor ou desilus�o futura. Se realmente desejarmos constituir um relacionamento duradouro, devemos depositar no mesmo semelhante energia que gastamos em nossas ambi��es profissionais ou pessoais. Encarar uma rela��o como um lazer ou algo meramente gratificante passa a ser um dos maiores perigos para a estabilidade daquilo que escolhemos para nosso futuro de companheirismo. O desenvolvimento de uma perspectiva real de amor numa rela��o implica necessariamente em que ambos tenham uma determinada certeza da supremacia do sentimento do outro perante outras prioridades que se apresentam diariamente. O amor � totalmente avesso a pluralidade de outros interesses, sendo a paix�o e o ci�me as provas m�ximas de tal afirmativa. Conclusivamente fica a certeza do desafio di�rio de como manter determinada necessidade b�sica e vital para a sa�de ps�quica individual e conjugal frente a situa��es desafiadoras que podem dispersar um sentimento que necessita de constante atualiza��o e investimento.

REFER�NCIA BIBLIOGR�FICA: ADLER, ALFRED- O CAR�TER NEUR�TICO EDITORA PAID�S-1918



ANTONIO CARLOS ALVES DE ARA�JO- PSIC�LOGO
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