PSICÓLOGO
ANTONIO CARLOS ALVES DE ARAÚJO- TATUAPÉ- SP-SP- TELS:66980558/66921958
“Só é superior aquele que consegue dividir algo de seu
íntimo; É um pouco mais nobre quem conseguir fazer tal tarefa por uma boa dose
de tempo; Aquele que persiste em tal missão chega próximo de ser um espelho de
algo parecido com o ser supremo que o ser humano deveria encarnar. Não podemos
mais admitir a era de talentos desperdiçados”. - ALFRED ADLER-PSICÓLOGO.
Este é um tema um tanto difícil na psicologia, embora a
mesma deva ser uma ciência independente de fatores religiosos ou morais, a
terapia de casal é predominantemente praticada àqueles que já têm uma relação
matrimonial constituída judicialmente e religiosamente, ou o chamado
concubinato. O fato é que a psicologia não deveria intervir apenas no que é
formalizado; sua função é essencialmente preventiva, sendo assim, a terapia
de casal para pessoas que ainda não se comprometeram de forma mais profunda é
um instrumento poderoso de análise e dissecação do próprio futuro do
relacionamento, ajudando inclusive a perceber a viabilidade ou não deste
último. Obviamente nenhum psicólogo ou técnica pode atestar ou aferir se
a consumação da relação vai dar certo de forma exata, apenas mapear o encontro
consciente e inconsciente de ambos e suas conseqüências. O importante é
perceber que não existe o desenvolvimento de nenhum tipo de sentimento que não
sofra influências do modelo econômico e social. Pontuei uma centena de vezes em
outros trabalhos sobre o risco da ingenuidade na crença de relacionamentos que
não são afetados por forças externas. A ambição, tédio, disputa de poder,
exclusão e ódio como exemplos, não são apenas emoções que convivemos
diariamente no ambiente de trabalho, mas estão totalmente presentes na nossa
mais íntima escolha de um parceiro, e só uma pessoa cega afetivamente poderá
negar tal condição.
O trabalho terapêutico deve se iniciar pelo histórico do
relacionamento. Quando e em que condição psicológica cada um se encontrava,
quando se conheceram ou se atraíram; haviam passado recentemente por grave
decepção amorosa ou se encontravam solitários; e o tempo que durou esses
processos. Perceber também qual o caminho que deseja trilhar com a relação:
casar, procriar, envelhecerem juntos, apenas projeção de neuroses íntimas ou
conflitos. Penso que o grande desafio é a sobrevivência perante o tédio, e
provar para si próprio que assim como hábitos individuais que gostamos e jamais
nos cansaremos, é possível transportar dita experiência a dois, pois assim como
a religião no passado ditou uma regra de eternidade no casamento, o modelo
econômico está impondo relações descartáveis, nivelando o sentimento a bens de
consumo com pouca durabilidade. Esta é a essência dos relacionamentos de nossa
era. Enganou-se profundamente quem achou ou pensou que a psicologia deveria
descobrir um mecanismo “incrível” do funcionamento mental do ser humano. A
regra sempre será a simplicidade. A vida nada mais é do que uma espécie de
livro onde necessariamente temos de virar a página, e a psicoterapia apenas
pode nos mostrar o que nos marcou neste livro citado, assim como sublinhamos
parágrafos que nunca nos esquecemos quando lemos algo. Tanto a questão do amor,
como o desejo de uma família nasce da finitude humana. Precisamos de alguém
para atestar nossa continuidade, e isto é um fato mais do que óbvio. O dilema
surge quando nos deparamos com o quanto vamos investir num projeto que sempre
acaba em perda, que é a própria existência.
É curioso e estranho ao mesmo tempo, como um casal não
consegue se ajudar mutuamente, retendo potencial ou alguma capacidade que
jamais irá perdurar. A contradição é explícita como mencionei acima; temos de
conviver com a finitude e ao mesmo tempo desejamos um poder retentivo, quando a
própria essência da potência é a divisão ou ter de sobra a capacidade para
criar ou recomeçar. A terapia serve principalmente para habilitar ambos na arte
de conversarem profundamente, pois por mais que se comente tal questão, isto é
o ponto que destrói todo namoro ou casamento; omitir e esconder sentimentos que
adquirem mais tarde uma virulência nefasta contra a permanência da relação.
Como é fundamental também lidar com os conflitos ou brigas que surgem de
repente. Poucos perceberam que a angústia extrema em relação a uma determinada
“briga”, que causou o rompimento do relacionamento denota a mais pura
insegurança e é sinal incontestável de que o mesmo está comprometido até a
raiz. Quando existe profundidade ou confiança, devemos ter apenas paciência
para esperar que o conflito se dissipe por si próprio, pois a ansiedade nestes
casos desafia a fidelidade ou compromisso da permanência do casal; a felicidade
está ligada a certeza subjetiva de que
ambos sempre terão de ceder ou reconsiderar aspectos negativos devido à presença
e compromisso mútuo de almejarem uma ligação cada vez mais sólida e profunda. É
exatamente neste ponto que a maioria falha, permitindo que todo o lado negativo
da emoção humana arraste a relação para o caos.
Sem dúvida alguma o ciúmes é o mais alto preço
negativo que se paga num relacionamento. Sua essência passa por emoções
extremamente primitivas, como a inveja, não apenas do parceiro arrumar outra
pessoa e assim ocorrer à exclusão ou comparação, mas também pode ser
transportado para outras esferas da relação. Está ficando raro um “torcer” realmente
pelo outro, pois já observei não poucas vezes, que quando um dos dois consegue
alguma promoção no âmbito profissional ou econômico, acaba resultando num
grande incômodo para o companheiro. Novamente repetindo é a cópia do modelo
social vigente. Quando num namoro ou relacionamento alguém diagnosticar tal
sensação, é a prova mais contumaz da necessidade da psicoterapia de ambos, um
por estar sofrendo do complexo de inferioridade; e o parceiro por ser o foco do
carisma ou sucesso que ofusca supostamente as pessoas ao seu redor. Percebam
quão delicada se torna à questão, pois estamos falando de que o sucesso de um
pode ser o cárcere ou a angústia de seu parceiro. O problema é que em nossa
sociedade totalmente hipócrita, não há espaço para a discussão e o percebimento
de tais processos, se estabelecendo apenas análises superficiais sobre o ciúme,
do tipo: apego, insegurança ou carência.
A psicologia padronizou o ciúme como um distúrbio de
personalidade e extrema insegurança da pessoa. Embora o mesmo seja
evidentemente uma prisão e tortura para quem o carrega, poucos falam sobre se o
parceiro consciente ou inconscientemente têm prazer em despertar tal
sentimento. A vítima não é quem sofre pelo ciúme de alguém, mas ambos precisam
se conscientizar que produzem a dois tal fenômeno. Alguns dizem que uma certa
dose de ciúme até é saudável para a manutenção da chama do relacionamento; o
problema é que nunca vi alguém poder manter o controle da dosagem certa em tal
acontecimento. O ciúme é a mais pura manifestação da angústia, contaminada pelo
ódio, sendo uma espécie de intuição infalível baseada neste último. Remonta
a processos arcaicos da infância, onde a leitura inconsciente é a certeza do
abandono; ou pior ainda, conseguir o objeto de extremo desejo e não poder
mantê-lo. A psicanálise achava que o ciúme era o retorno do complexo de
Édipo (a disputa pela posse de um dos genitores entre a criança e o adulto do
sexo oposto no caso da heterossexualidade); em outras correntes da psicologia a
análise do ciúme se dava pelo extremo complexo de inferioridade da pessoa numa
situação de disputa. A verdade é que a própria existência do ciúme prova uma
ambição e medo da perda perante algo conquistado, e que a pessoa sempre
procurou o objeto amoroso revestido do cunho da competição.
A terapia deve refazer todas as situações pretéritas do
indivíduo onde a disputa ocasionou um terrível sentimento de frustração e
abandono. O grande problema que muitos não conseguem visualizar é a imagem que
se faz do companheiro. A pessoa como a conhecemos jamais irá perdurar; logo
descobrimos que duas ou mais personalidades revestem nosso ente amado, e a mais
agradável fica encoberta a cada dia. O ciúme diz sempre de uma profunda
solidão acompanhada, e o parceiro pode nos causar uma catástrofe a qualquer
instante. Sempre me chamou atenção um fato extremamente curioso na questão
do ciúme. Um dos dois no passado cometeu um ato ou tentativa de traição, e
agora temem que o outro faça exatamente a mesma coisa, embora não tenham
contado sobre tal episódio. Podemos concluir que a culpa neste caso é um
poderoso combustível para acender a chama não apenas do ciúme, mas,
principalmente da paranóia. Talvez tal fato nos leve a raiz absoluta da
questão: o quanto tememos que alguém faça aquilo que secretamente mais
almejamos algum dia. O ciúme seria então a humilhação perante a revelação de
nossa verdadeira natureza; não havendo culpados, ambos estariam liberados para
a competição de quem obteria mais prazer em casos extra conjugais do namoro ou
casamento; sendo uma luta secreta para enganar um ao outro e o conseqüente medo
disso vir à tona. O ciúme diz sempre de uma espécie de tragédia anunciada
perante pontos obscuros não apenas do relacionamento, mas, de etapas afetivas
dolorosas que um dos dois ou ambos não conseguiram superar. A pergunta fatídica
é quando realmente alguém nos completa?
Uma das características essenciais para evitarmos a
neurose em um relacionamento é não se ofender ou pelo menos saber quando o
protesto faz sentido. Como pontuei em todo este estudo há uma tendência para o
afloramento de todo o tipo de conflito. O fato é determinarmos quando algo é
realmente importante, ou faz parte simplesmente do vício de se rebelar contra o
próprio prazer obtido. Será que alguém já percebeu como necessitamos de provas
contundentes não apenas de nossas escolhas erradas, mas que não conseguimos uma
regularidade em nossa satisfação mais íntima?
A probabilidade de uma suposta cura seja do ciúme,
infidelidade conjugal ou qualquer perda do interesse na relação, passa
necessariamente pela continuidade e persistência na terapia. No decorrer dos
anos notei que a própria desistência do processo terapêutico é o sinal mais
evidente de que a relação está totalmente acabada; se continuarem juntos, via
de regra é apenas por interesses de ordem econômica ou meramente um extremo
processo de culpa por saber do sofrimento do parceiro caso o abandonasse. Todos
concordarão que uma das mais terríveis sensações é a certeza de que alguém está
do nosso lado apenas por uma suposta “pena”, e é exatamente o que acontece
quando ambos ou individualmente abortam a possibilidade da superação dos
conflitos. A própria sensação de miséria afetiva ou dependência nociva de outra
pessoa, muitas vezes é totalmente solapada pelo desejo de posse, ou simplesmente
não permitir que o outro possa ter algum futuro afetivo positivo separado da
pessoa escravizada pelos sentimentos negativos citados. A coragem para que se
possa tomar a iniciativa por uma separação jamais deveria passar por qualquer
sentimento de vingança ou ódio, mas, apenas pela certeza de que a continuidade
de um processo de conflito histórico, não permitirá jamais a saúde afetiva e
psicológica de ambos.
*texto produzido totalmente pela experiência clínica do autor
AGRADECIMENTOS PELA SEMPRE COLABORAÇÃO INESTIMÁVEL DOS SEGUINTES PROFISSIONAIS:
IRINEU FRANCISCO BARRETO JÚNIOR(DOUTOR EM SOCIOLOGIA)
SIMONE JORGE(SOCIÓLOGA)
ANTONIO DE PÁDUA VELLOSO GARCIA(PSICÓLOGO E CONSULTOR)
QUALQUER ORIENTAÇÃO SÓ É POSSÍVEL PESSOALMENTE E ATRAVÉS DE CONSULTA PSICOLÓGICA.
Antonio Carlos Alves de Araujo - Psicólogo -
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