A ANSIEDADE PSICOL�GICA "A ess�ncia de qualquer processo de reflex�o ou autoconhecimento passa pela sensa��o daquilo que nos falta. O modo como administramos a car�ncia � que dir� se somos seres destrutivos ou criativos".- ANTONIO CARLOS -PSIC�LOGO. "Para os que n�o possuem a garantia �ntima de seu assento no mundo a ansiedade � a mais terr�vel das amea�as". (ANTONIO CARLOS - PSIC�LOGO)". Embora a ansiedade esteja totalmente ligada a hist�ria do ser humano nas mais diferentes �pocas, n�o podemos deixar de enfatizar a imensa propor��o da mesma em nossa sociedade contempor�nea. Pensar em nossa vida atual nos remete a falar do stress ou ansiedade. Obviamente o homem moderno perdeu v�rios referenciais religiosos e morais que no passado serviam de base para o equil�brio ps�quico. N�o cabe neste breve estudo o julgamento moral de determinados valores, mas t�o somente o impacto no psiquismo humano. A primeira defini��o de ansiedade � de que a mesma � o alerta m�ximo da incompletude em algum setor de nossa vida, sendo o clamor de nossa alma para que determinadas coisas se alterem. A ansiedade � a prova m�xima de que em nosso �ntimo ainda existe vida e a desejamos na plenitude, embora muitas pessoas achem que a ansiedade � sinal do contr�rio afirmado acima. Como disse anteriormente � o alerta, e este deve soar para que possamos nos mobilizar no sentido do preenchimento de que carecemos. � exatamente por este motivo que o uso em larga escala dos calmantes � extremamente nocivo do ponto de vista da mudan�a da pessoa, pois ditas drogas cortam o sino que sempre nos avisa de nossos deveres �ntimos. Estou dizendo at� agora do lado positivo da ansiedade, como mola propulsora para determinadas mudan�as necess�rias na personalidade. Sem d�vida h� o outro lado, o da ansiedade patol�gica, que podemos definir como: o constante estado de agita��o, incerteza e principalmente inseguran�a. Nos estudos sobre a ansiedade pouco se percebeu a enorme rela��o da mesma com o ci�me. Algumas pessoas inclusive mesclam t�o profundamente ambas as sensa��es, que fica quase que imposs�vel dizer onde come�a uma e acaba a outra. Este fen�meno ocorre quando a ansiedade ativa paralelamente o complexo de inferioridade da pessoa, sendo que imediatamente surgem expectativas catastr�ficas no pensamento, causando grande sofrimento para o indiv�duo em quest�o. O complexo de inferioridade ativado se fixa no ci�me, pois este �ltimo tem a caracter�stica de algo que constantemente se renova, assim como a ansiedade, sempre a espreita para inundar nossa consci�ncia. Talvez o fato mais marcante seja o de que em nossos dias somos quase que totalmente incapazes para lidar com a ansiedade, sendo que procuramos todos os tipos de distra��es ou fugas para n�o enfrentarmos dito sentimento. Aliado a este conceito h� o lado ideol�gico e econ�mico que explora a ansiedade via consumismo e car�ter descart�vel dos relacionamentos. Sabemos como machuca uma reflex�o pessoal que nos mostre como mentimos diariamente para n�s mesmos, e como nos sentimos imensamente vazios por n�o nos permitirmos o aprofundamento nos diversos setores de nossa vida. Sabemos que praticamente n�o temos amigos, o que s� alimenta ainda mais nossa solid�o; temos ci�ncia de que fugimos do di�logo profundo para as distra��es mais f�teis, principalmente com a pessoa que escolhemos para supostamente amar. A ansiedade passa a ser a �ltima camada genu�na do ser humano em nossa atualidade, e mesmo assim todos desejam sua destrui��o, pois para boa parte das pessoas qualquer coisa � melhor do que o sofrimento, mesmo que isto custe a perda da identidade pessoal ou uma vida ps�quica vegetativa. Nossa situa��o profissional na rela��o capital e trabalho nos revela em que escala nos situamos no �mbito material; se somos explorados, exploradores, se temos autonomia ou se estamos exclu�dos. No �mbito psicol�gico a ansiedade passa a ser quase que o principal instrumento de medi��o de nossa realidade interna, nos mostrando o grau de nossa car�ncia pessoal. A ess�ncia de qualquer processo de reflex�o ou autoconhecimento passa pela sensa��o daquilo que nos falta. O modo como administramos a car�ncia � que dir� se somos seres destrutivos ou criativos. O essencial � perceber que tipo de pessoa ou rea��o provocamos nos outros, como por exemplo: simpatia, admira��o, seguran�a, �dio, inquietude, etc. A ansiedade ou o tormento da espera daquilo que n�o possu�mos sempre embutem mensagens para reflex�es pessoais, e devemos descobrir quais racioc�nios s�o imperativos na etapa atual de nossas vidas. O maior inimigo de todo o processo de reflex�o acima citado � o medo sem sombra de d�vida. Todos desejam garantia e estabilidade, sendo que a ansiedade revela muitas vezes a necessidade de continuar buscando. Infelizmente quase todos desejam aniquilar a prova m�xima de sua insatisfa��o ou infelicidade, que no caso � a ansiedade. Assim como a febre das academias ou cirurgias pl�sticas, se deseja tamb�m em nossa sociedade uma "est�tica" para a express�o dos sentimentos, e na mesma n�o h� nenhum espa�o infelizmente para o aut�ntico, e talvez este seja um dos mais terr�veis problemas emocionais deste mil�nio. Arrisco at� a no��o de que o imenso crescimento da ansiedade em nossa era corre paralela com a mentira e falta de sintonia com as emo��es alheias. Como disse acima, procura-se a plasticidade e futilidade, e as coisas s�rias v�o sendo deixadas de lado. Temos de admitir o fato da nossa dificuldade em buscarmos novas sa�das ou o pavor do novo. Muitas vezes n�o desejamos nos utilizar de nosso potencial, e este � um dos aspectos ps�quicos sombrios que temos de conviver quase que diariamente. A ansiedade neste aspecto nada mais � do que a incapacidade de se lidar com o processo do tempo. Embora biologicamente saibamos que n�o o temos de sobra, psiquicamente preferimos a const�ncia de uma perturba��o ou infelicidade, com o objetivo de encobrirmos nosso total despreparo frente a morte ou qualquer tipo de perda, e apesar do conceito citado ser mais do que �bvio, � muito mais f�cil o sofrimento rotineiro ao inv�s da ang�stia profunda perante o desconhecido. O confronto com nosso imenso vazio existencial simplesmente � "p�nico", e preferimos os atos banais que atuamos diariamente. Qualquer escola de psicologia sempre apregoou sobre a resist�ncia perante as mudan�as. Nosso psiquismo � ou se tornou greg�rio ou conservador, e este � um fato de que n�o podemos omitir em hip�tese alguma. Assim como determinados historiadores conservadores sempre apontaram que as revolu��es s� nos brindaram com mortes ou destrutividade, nossa mente segue o mesmo racioc�nio, temendo sempre o fracasso perante uma nova experi�ncia. A hist�ria coletiva e pessoal serve para a manuten��o da estrutura social e rotina do indiv�duo, e a ansiedade � praticamente o �nico agente subversivo que pode abalar o sistema citado. A ess�ncia da filosofia � a certeza de que na maioria das vezes o pensamento � meramente uma amostra colhida do contexto social onde se vive, e a ansiedade nos chama para a responsabilidade individual da aceita��o ou n�o da meta de vida que adotamos. ANTONIO CARLOS ALVES DE ARA�JO- PSIC�LOGO C.R.P. 31341/5 ENDERE�O: RUA ENGENHEIRO ANDRADE J�NIOR, 154- TATUAP�- S�O PAULO- S�O PAULO- BRASIL CONTATOS: 011 66980558 EMAIL: [email protected] ATEN��O: PELO C�DIGO DE �TICA PROFISSIONAL QUALQUER TIPO DE AJUDA S� PODE SER MINISTRADA PESSOALMENTE, SENDO VETADO QUALQUER INSTRUMENTO VIRTUAL DE APOIO PSICOL�GICO. |