O BICHO VAI PEGAR
O hotel era uma verdadeira espelunca. A imundice predominava por
todo lugar que se olhasse; não parecia ser limpo há anos, e dependendo do
pessoal que ali habitava, limpeza não seria um quesito
necessário. Harry subiu ao terceiro andar, parando em frente à porta onde
marcava o número 306, mas o verdadeiro número era 309 porque o último algarismo
estava caído, dependurado de cabeça para baixo. Com a varinha em punho, não
hesitou, pôs a porta abaixo num chute certeiro, revelando uma realidade
aterradora e repugnante: Snape, de quatro sobre a cama, sendo cavalgado por
outro homem. Os três se encararam.
― Está gostando do que vê, Potter? -
perguntou Snape, ao mesmo tempo em que o terceiro homem pulava para fora da
cama, vestindo-se apressado.
― Acredite, não me surpreende em nada - rebateu Harry.
Snape, com um eloqüente sorriso e ainda nu, ficou de pé, fitando o
jovem parado à porta. O outro homem saiu sem que percebessem, os dois nem deram
a falta dele.
― Vista-se!
― Acabou com a minha brincadeira, Potter... - e Snape deu início a
um discurso sobre o quão decepcionado estava com a interrupção, mas Harry já
não o ouvia, pensava na vingança, nos planos que fizera; pensava na execução do
mesmo enquanto observava o corpo despido e encanecido do Comensal da Morte
foragido. Sim, Snape iria pagar, nem que fosse a última coisa que Harry fizesse
na vida.
― Interessado em mim, Potter?
Nesse momento, Harry voltou à realidade.
― E se estivesse? - rebateu com força.
― Eu diria que talvez já suspeitasse que tivéssemos os mesmos
gostos...
― Nós dois? Nunca! - ironizou Harry, segurando com firmeza a
varinha. - Mas mate minha curiosidade... O que o levou a tal suposição?
― Bem - Snape se fez de tolo, olhando para cima como se precisasse
pensar muito para chegar onde queria -, a estreita amizade com o Weasley, ou o
fato de jamais tentar nada sério com a Granger.
― Eram meus melhores amigos! - exclamou Harry.
― Amigos servem para muitas coisas - falou Snape, deixando o final
subentendido pelo tom de voz que usou; aproximou-se de Harry, ambos não
quebraram o contato visual.
Seria aquela sua vingança?
Seria Harry capaz do que pretendia fazer? E surpreendendo-se com a própria
audácia, Harry tocou o corpo de Snape, tocou-o entre as pernas, circundando os
testículos gentilmente e subindo para o sexo, que dava sinal de excitação. Com
os dentes à mostra, mas não demonstrando qualquer sentimento, Harry conduziu
sua mão a um compasso ágil; a mão com a qual segurava a varinha foi lentamente
baixada e o rosto dele foi envolto pelas mãos de Snape, que tremiam com o
estímulo.
― Era isso que ia fazer comigo, Potter? - gemeu Snape, mordendo os
lábios, balançando levemente, seguindo os movimentos do outro.
― Na verdade não! - falou e acelerou a carícia, fazendo Snape gemer,
fechar os olhos e levar as mãos, automaticamente, ao tórax de Harry, e depois
descer até o cinto dele, na intenção de abri-lo. Harry, porém, com toda sua
força, impeliu Snape para longe, fazendo-o cair de costas na cama.
Seus pêlos se eriçaram ao
vê-lo nu, deitado, subjugado, com o corpo mole, refletindo prazer, as pernas
estavam entre abertas mostrando o sexo empinado e duro. Snape queria mais,
esperava ser tocado com carícias de uma boca quente e molhada,
pediu por isso... Harry, então, o satisfez: o abocanhou. Snape arquejou gemendo
alto; seu membro pulsava inconstante, delirante com o calor da língua que o
circundava, com a fricção dos lábios e do vai-e-vem frenético, com a sucção
extraordinária do outro. Quase gozou, mas Harry parou subitamente, sentindo
cada gosto daquele homem se gravando em seu cérebro para sempre, como uma marca
feita a ferro em um animal.
― Me chupa! - ordenou Snape de olhos fechados, rosto colado à
colcha, os dedos espremendo-a como garras na presa. - Vai! Chupa meu pau!
Harry respirou fundo, tinha o
estômago embrulhado, mas não iria desistir. Voltou a sugá-lo vorazmente,
enlouquecendo-o com a carícia, metendo-o em sua boca incansavelmente... e então, Snape atingiu o ápice, gozou. Novamente a sensação
de que não iria agüentar percorreu o corpo de Harry e assim que abriu os olhos,
viu Snape sentado a sua frente, puxando-o para perto, arrancando suas calças e
decepcionando-se ao encontrar débil, o membro tão desejado. Snape o encarou
desconfiado.
― Eu... gozei - mentiu Harry, soltando um
falso sorriso.
― Garoto apressado. Não recebeu o que lhe convém, Potter -
respondeu Snape, empurrando Harry para a cadeira à frente da cama.
Mãos firmes tomaram conta do baixo ventre de Harry, depois a língua de Snape o lambeu de cima abaixo, bem que tentara
resistir, mas era tamanha a voracidade da massagem, que finalmente Harry teve
uma ereção. O outro sorriu buliçoso com o canto da boca e, sem quebrar o
contato visual, sugou o pênis de Harry devagar, bem devagar, como se o
mapeasse, sentindo todas as protuberâncias dele.
― Que delícia de cacete, garoto - murmurou Snape entre uma chupada
e outra. - Vou te mostrar como fazer um homem ficar louco de desejo - e intensificou
a absorção até sentir Harry latejar. Então, o chupou novamente com lentidão,
lambeu a ponta, depois o engoliu por completo e tornou a refazer o ciclo.
Harry não gemia, não falava nada, mas seu corpo estremecia a cada
toque de Snape, e este estava ciente de que proporcionava prazer, mas sabia
também que Harry não queria admitir o que sentia: que estava gostando. De
súbito, Snape lambeu os beiços e encarou Harry.
― Veja como está bom - afirmou Snape tomando a mão de Harry (que
cravara as unhas na cadeira), levando-a ao seu baixo ventre: novamente o homem
estava preparado e fazia com que Harry voltasse a masturbá-lo. - Eu vou
continuar te chupando, garoto... não quer fazer o
mesmo comigo?
― Não! - respondeu Harry afastando-se. Snape o encarou, estava prestes
a rosnar algo quando Harry o agarrou pelos braços, virou-o bruscamente contra a
parede onde havia uma escrivaninha, fazendo-o bater com força e cair sobre ela.
― Eu sei o que quer - balbuciou Snape, permanecendo do jeito que
batera no móvel, fechando os olhos e gemendo baixinho, sorridente com o que
estava por vir.
Harry, completamente vestido, fitou o outro, nu em pêlos,
apoiando-se o melhor possível nas pernas mal ajeitadas por causa de sua posição
- como que se preparando para receber um ggrande prêmio -, as nádegas e os
testículos se mexendo com o pulsar do membro quase explodindo de excitação. O
ânus abria e fechava, parecendo uma boca minúscula pedindo por algo saboroso.
Por alguns segundos, Harry se masturbou, tornando a ter uma ereção total, enquanto
sua outra mão era cheia pelos membros de Snape, delicadamente acariciados.
Então, quando sentiu que estava o mais duro possível, Harry meteu-se em Snape,
que berrou com vontade. E estocou-o com força, com muita raiva, mas continuava
a brincar com o membro de Snape, queria que o homem se subjugasse por completo.
A cada embocar, Snape gemia, sentindo por completo o membro de Harry
penetrar-lhe. E sentia a mão quente torturando-lhe com breves movimentos
frenéticos, com súbitas paradas.
― Potter, me come - suspirava incansavelmente Snape, sua voz trocava
de tom sem qualquer controle.
Harry metia-se mais e mais,
bem no fundo, como se houvesse um lugar para alcançar; ouvia Snape insistente
implorando para que não parasse, mas não conseguia chegar ao clímax. Sentia
perder a pouca ereção que tinha, no entanto, concentrava-se, pensando em outra
coisa, e voltava a estocá-lo. Não iria pôr tudo água abaixo agora e se
rebaixar.
― Acaba comigo - sussurrou Snape, quase chorando de prazer. E então,
como se o tivessem ligado num botão, Harry deslanchou.
― Quer mais? Quer que eu meta com mais vontade?
― Quero sim! - implorou Snape.
Harry se empolgou com a
súplica de Snape e começou a cavalgá-lo com tamanha intensidade que ele próprio
começou a sentir arrepios de prazer. Não demorou a sentir o outro tremer e se
retorcer, soltando um ganido baixo, gozando, mas Harry não se deteve, continuou
masturbando-o e estocando-o compassado. Snape se agarrou à escrivaninha,
segurando-se fortemente pelas beiradas, sua respiração estava pesada, seus
gemidos mais fortes e, quando Harry finalmente disse: “Agora, eu vou gozar!”,
Snape soltou o corpo, deixando-se mole, deixando-se ir e vir, para frente e
para trás, conforme o corpo de Harry se perdia na satisfação.
Enquanto Snape se atirava na cama,
morto de cansaço, Harry, ainda tonto, o observava se acomodar de bruços na cama
e relaxar. Provavelmente dormiria, o safado, acabado
com tudo o que lhe acontecera... Mas, para Harry, a vergonha era insustentável,
seu orgulho deixara de existir; cambaleando, seguiu de costas para a porta,
ainda ajeitando as vestes. Assim que saiu do hotel, desaparatou para jamais
pisar lá novamente.
CONTINUA...