60 SEGUNDOS
Nos dias seguintes, Harry apenas entrava no quarto, colocava de
qualquer forma a comida sobre a cômoda, e saía; vez ou outra Snape o
alfinetava, perguntando se Harry já havia decidido o que fazer com ele ou se estava
com medo de tomar a atitude certa, como Draco Malfoy. Era irritante o velho
Snape.
Mas, então, na manhã do sexto
dia de cativeiro, Harry não apareceu para alimentar Snape, o jovem homem fora
chamado ao Ministério. Tonks ficou encarregada de alimentar o prisioneiro, e
bem o fez na manhã e ao meio-dia, mas na terceira refeição, Snape a
surpreendeu. Esperou que ela depositasse a bandeja de mantimentos na cômoda que
ficava na parede do lado esquerdo do quarto, e postou-se diante da porta.
Tonks, ouvindo o farfalhar de vestes, virou rapidamente para lá com a varinha a
postos.
― Senhorita Tonks - sibilou Snape com um grande sorriso nos lábios.
― Não se atreva a nada, Severo.
― Você não tem nada haver com essa história, mulher. Dê-me a varinha
e permaneça neste quarto.
― Saia da minha frente se não quiser encrenca. Vá para o lado,
vamos!
Mas disfarçando obedecer,
Snape a pegou de surpresa: agarrou-a, erguendo o braço da varinha e prendendo o
outro às costas dela, mantendo-a presa e imóvel próxima ao seu corpo.
― Se continuar se debatendo vou ter que nocauteá-la.
Tonks gemeu quando ele apertou
seu pulso, então amoleceu o corpo. Snape a soltou e ela caminhou para o lado
oposto do quarto sem voltar o rosto para ele. Quando finalmente espiou, a porta
estava escancarada... Harry não iria gostar nada daquela situação.
Após voltar da reunião, Harry
se sentia feliz. Os aurores haviam descoberto finalmente o esconderijo de Snape
em Southampton; o Comensal foi delatado por um rapaz
que saíra em busca da namorada, que após confessar, envergonhada, que era uma
mulher da vida, fugira desesperada. A cidade possuía vários hotéis, e no pior
deles, no mais imundo e medíocre - habitado por prostitutas e transexuais, com
pessoas caídas pelos corredores, portas de quarto abertas mostrando viciados se
drogando, homens agredindo mulheres -, o tal rapaz viu dois homens na escadaria
de emergência: um deles era o Comensal foragido, Severo Snape, sendo estocado
com frenesi contra a parede, com os braços abertos seguros pelo homem que o ferrava
gostosamente. O rapaz saiu arrastando a namorada para fora de lá como se
tivesse encarado a morte frente a frente... Enfim, nada daquilo importava a
Harry agora, pois tinha Snape bem onde queria, inquietava-se apenas com a hora
de colocar seu plano em ação, naquele fim de semana. Mas finalmente Dumbledore
seria vingado...
― Não! Não é possível! O que... O que aconteceu? - berrava Harry, já
dentro de seu apartamento, fitando Tonks.
― Tudo foi tão rápido, Harry! Perdoe-me.
Estava furioso, não suportava
nem sequer ouvir a voz de Tonks, a culpava, não queria, mas a culpava. Bateu a
porta do banheiro e enfiou-se debaixo do chuveiro, apoiando-se com os braços na
parede, deixando o jato de água, cheio de pressão, acariciar sua nuca e costas,
como se aquilo fosse lhe animar, como se fosse lhe fazer esquecer de tudo. A
porta do banheiro se abriu lentamente, fazendo Harry olhar naquela direção.
Seus olhos verdes, não mais furiosos, encontraram os olhos de Tonks suavemente.
Ela retirou lentamente a roupa e entrou no banho com ele, abraçando-o por trás.
Harry sorriu, a enlaçou também, e sentiu as mãos delas
acariciando seu peito, os lábios dela beijando seu pescoço. E gemeu, e sorriu,
e gemeu ainda mais quando as mãos dela desceram por seu abdômen e pousarem em
seu baixo ventre, onde a intensidade de seu desejo se mostrava pulsando.
― Dora - sussurrou ele baixinho, sorrindo e deixando-se levar pelo
toque das mãos dela.
CONTINUA...