ENCONTRANDO SNAPE
Não importava por onde Harry pisava naquela cidade, Londres o
lembrava do assassino de Dumbledore fosse qual fosse o caminho que tomasse,
fosse qual fosse a pessoa que encontrasse. E até mesmo
os trouxas o lembravam do cretino, porque andavam
carrancudos para cá e lá, especialmente quando esbarravam uns nos outros.
Entrou num pub qualquer, sabia que não era hora de beber, e beber não lhe
trazia muita satisfação, mas queria se livrar dos fantasmas, queria esquecer
que nunca encontrara Snape e
que viajara muito para procurá-lo, sem sucesso, é claro, sem
retornar com a cabeça dele num saco de batatas.
Ao passar pelo balcão,
esbarrou num homem cheirando a uísque, por segundos ponderou em se desculpar,
mas o homem saíra porta afora tão afoito e rápido quanto quando se esbarraram;
viu-o passar do lado de fora através das grandes vidraças, viu quando o homem
espiou para dentro pouco antes de desaparecer de vista.
― SNAPE! - esganiçou Harry, correndo para fora do pub.
Seguiu pela direita atrás do
homem, dobrou a esquina e pensou tê-lo perdido de vista, mas então, em meio a
um aglomerado de trouxas, viu o cocuruto de um encapuzado. Era ele, com
certeza! Correu feito louco para não
perdê-lo de vista, mas sem muitas esperanças de que conseguiria alcançá-lo -
Snape poderia desaparatar a qualquer instante. Na sexta esquina dobrada pelo
fugitivo, Harry finalmente o perdeu. Parou apoiando-se nos joelhos, descansando
o corpo e retomando fôlego, mas ainda com os olhos na esquina, quando ouviu uma
algazarra e pessoas correndo naquela direção. Harry franziu a testa e,
especulando sobre o que poderia ter acontecido, decidiu ir até lá. Assim que
dobrou a esquina, soltou uma alta gargalhada: deitado atordoado na calçada,
rodeado por trouxas e milhares de estilhaços de vidro, estava Severo Snape.
Abaixou-se, deu alguns breves e leves tapas no rosto
de Snape e ouviu alguém perguntar:
― O senhor o conhece? Por Deus! Ele apareceu do nada e nos acertou
em cheio! Eram duas grossas vidraças...
Harry entendeu o porquê dos
estilhaços e da algazarra, olhou para o lado e percebeu quão aterrorizado
estava o homem de uniforme que lhe dirigia a palavra.
― Sim, eu o conheço - falou Harry. - Pode ajudar a levantá-lo?
― Sim, senhor - respondeu o outro prontamente.
Carregaram Snape até um banco,
na praça do outro lado da rua, ele continuava aturdido, e como o parque estava
vazio, Harry aproveitou e desaparatou grudado a Snape.
Ao aparatar na sala de estar
de seu apartamento, Harry assustou Tonks, que instantes depois ficou perplexa.
― Ha...
― Sim, é ele.
― Mas... como?
― Sorte, acredito.
― O que você vai fazer? Por que o trouxe para cá, querido?
― Tenho muito em mente.
― Harry, eu lhe peço...
― Não vou entregá-lo às autoridades, irão deixar que fuja novamente,
como das outras vezes! Vou mantê-lo aqui.
E através de feitiços, Harry
trancafiou Snape em um dos quartos.
O primeiro dia transcorreu sem
problemas, já que o bruxo fugitivo ainda não estava em sã consciência, mas
conforme o segundo dia amanheceu, e Snape se deu conta de que fora capturado,
Tonks deduziu que as coisas fugiriam ao controle. As batidas insistentes contra
a porta do quarto, mesmo que infrutíferas, anunciavam o quão furioso estava o
bruxo aprisionado. Harry não sentia compaixão por ele, e quando o ex-professor
de Poções descobriu de quem era cativo, se acalmou surpreso.
― Potter - rosnou sarcástico, a sobrancelha arqueada como de costume.
― Finalmente, Snape, você e eu, frente a frente.
― Não seja estúpido, garoto. Solte-me agora, antes que se
arrependa...
― Eu não sou mais um garoto - rosnou Harry -, e você não passa de um
velho caquético, asqueroso e covarde!
― Não me chame de covarde, Potter - berrou Snape, agarrando o outro
pela gola da camisa.
― Covarde! - repetiu Harry com gosto, tomando os pulsos de Snape e,
num solavanco, torceu-os, subjugando-o.
― Estou surpreso, Potter - murmurou Snape, cara a cara com Harry, sentindo
o hálito dele -, sua coragem mostra que não é aquele menin...
― Cale-se, seu porco! E afaste-se de mim! - então o empurrou para
trás, fazendo-o cair sentado no chão. - Deve ter percebido que não há como
escapar daqui.
― Não precisa me elucidar. Termine logo o que começou. Acabe comigo!
- disse Snape abrindo os braços, ainda senntado onde caíra.
― Seria muito bom morrer, não é mesmo?
― Então, me entregue ao Ministério.
― Por que o desconhecido é tão amedrontador? Preocupado, professor?
Os dois se mediram. Snape
sentou na cama, depois deitou colocando os braços atrás da cabeça, apoiando-a.
― Aí está sua comida, seu calhorda! Contente-se em permanecer vivo -
e Harry saiu trancando a porta atrás de si.
CONTINUA...