Capítulo
7
Adeus Hogwarts!
Lupin havia notado que estava sendo
evitado. Achou, nos primeiros dias, que Antoine estivesse sendo precavida, mas com o passar da semana conformou-se com
aquela atitude.
Era uma Sexta-feira, a última aula, de
Poções havia cansado Antoine, bem, não a aula em si, mas o professor, Snape
retornara, não parecia muito bem, mas continuava sendo indiferente com ela.
Antoine esticou-se na cama e relaxou. Era tarde, mas alguém batia à porta.
– Quem é?
– Sou eu, Antoine, Sorah! Preciso te contar uma coisa!
– Estou cansada, não pode serr amanhã?
– É que... bem...
estou com medo de dormir sozinha... deixe-me
ficar com você?
Antoine abriu a
porta e deixou a colega entrar. Era um pouco estranha, a garota, tinha medo de
tudo e todos, nem imaginava porque a colega havia sido escolhida para entrar na
Sonserina, porém uma das poucas que ainda falava com Antoine.
– Eu nem sei como dizer, acho que
você não vai acreditar! - disse Sorah, meio eufórica,
sentanda na cama de Antoine e abraçando o travesseiro
que trouxe - Eu fiquei presa no banheiro do Três Vassouras a tarde inteira,
quase me esgoelei tentando chamar alguém e quando tinha
desistido duas meninas entraram. Eu fiz menção de pedir ajuda, mas quando ouvi
a conversa delas tratei de ficar quieta.
Antoine sentou-se em
frente a Sorah.
– Quem eram?
– Perkins e
Kimber.
Antoine não parecia
admirada. Essas duas meninas eram inseparáveis e ganharam uma fama não muito
boa entre os alunos, eram muito “namoradeiras”. Apesar
disso, Kimber era uma boa aluna, realizava qualquer
pedido que o professor de Poções lhe fazia e, às
vezes, Antoine tinha ciúmes dela, pois Snape a tratava de um jeito diferente.
– Pois então, Kimber
estava contando uma aventura que teve nas masmorras, bem, ela falou assim:
“Estou louca para te contar o que anda acontecendo comigo, Perkins!”
E foi quando ela soltou a bomba, sem se preocupar se havia alguém no banheiro!
– O que ela disse?
– Ela falou, ah... falou
que teve uma experiência com... com o Snape.
– Snape?? - gritou Antoine.
– Sim. Ela disse que ele a amarrou à
cama, a vendou e fez o que bem entendeu...
– Como é que é? - perguntou Antoine
mais uma vez, ainda não acreditando.
– Ela até mostrou as marcar que Snape
deixou nela para a Perkins. Espiei pela fresta. Quem
diria, o cara é sadomasoquista! Bom, não era de
duvidar! Ela disse que foi... Antoine estava tonta.
Não estava acreditando ainda. Também já não ouvia mais as loucuras obscenas que
a amiga falava, as primeiras palavras giravam em seu cérebro. Ela se levantou e
cambaleou até a cadeira perto da lareira. Estava totalmente desacreditada,
desiludida. Tinha tantas perguntas se acumulando em sua cabeça e sabia muito
bem que precisava fazê-las ou enlouqueceria. Assim que a amiga dormiu, Antoine
saiu em direção ao quarto do professor. Mas ele não estava, então, seguiu à
sala de Poções. O professor estava lá, de pé em frente à Kimber.
Entrou sem pensar na sala e parou, empunhando sua varinha, ao lado dos dois que
a olhavam espantados. Os olhos de Antoine estavam marejados e vermelhos e o
coração dela batia fortemente em meio a muitos sentimentos, todos maléficos.
Com duas palavras Antoine atirou Kimber contra a
parede, que permaneceu lá, desfalecida. Aproximou-se de Snape e o ergueu no ar
com uma simples palavra e o encostou na parede.
– Sei muito bem que não posso contrra você! Mas como pôde fazerr
isso?
– Mas, hein? - disse Snape indignado.
– Qual é a sensação de macularr a “inocência” que Dumbledorre
vê em nós? - a respiração dela forçava o peito para fora.
– O quê? Eu não...
– Está zombando de mim? - perguntou Antoine furiosa, quase espumando - Se não querria ficarr comigo, porr que toda aquela cena? Acha que não tenho sentimentos?
– Mas do que é que você está falando?
- perguntou Snape agora nervoso - Não sou um qualquer
desesperado por sexo! Eu tenho controle total sobre meus atos, senão não
estaria na posição que estou hoje!
– E a Kimberr,
ali? Vai desmentirr o que ela vem dizendo?
– O que é que ela está dizendo? -
perguntou Snape voltando ao chão, empurrando Antoine e afastando-se dela. Foi
como se ele não estivesse enfeitiçado por ela.
– Ah, está cerrto...
- ironizou - ...ddiz ela que vem tendo experriências inusitadas com você.
– Como é que é?
– Isso mesmo que você ouviu! Ela
disse que você, além de terr... terr... com ela, você é sadomasoquista!
Snape deu uma
gargalhada, parecia ter achado muito engraçado. Antoine nunca o viu rir daquele
jeito, a não ser de forma parecido quando Lupin lhe pediu se ele lhe prepararia
a poção para não transformação em lobisomen.
– Desde que a beijei pela primeira
vez não toquei em mulher alguma! - disse Snape passando a mão pelos próprios
cabelos - Se eu não arrisquei minha carreira e seu futuro por você, que valia a
pena, por que faria por alguém como ela? - e apontou para Kimber.
Antoine estava muda - Eu a estava ajudando em algumas matérias, afinal ela é
uma sonserina e eu não queria que nossa casa ficasse para trás.
Snape andou de um
lado a outro e balançou a cabeça.
– Vejo que você não prestou a mínima
atenção ao que venho lhe dizendo há quatro anos! Estou admirado! Vê-se que não
me conhece nem um pouco e vejo que também não a conheço, pelo menos esse seu
lado, não... duvidar da minha palavra?
– Passou a época em que eu achava que
você fosse um deus!
Snape a pegou pelo
braço e a puxou para perto de si com violência.
– Até hoje eu estive esperando por
você, não prometi que a encontraria fora de Hogwarts, mas eu o teria feito... e você, senhorita Dimanchè, esperou por mim? - sussurrou ele
soltando-a em seguida, bruscamente. Antoine olhou para Snape, os olhos dele
estavam profundamente negros e por um momento teve a impressão de que ele sabia
tudo a respeito dela e de Lupin. Balançou a cabeça e olhou para o longo
corredor que levava a sala comunal sonserina, estava escuro, mas mesmo assim
correu para lá.
– Antoine! - gritou Snape olhando
para os lados - Senhorita Dimanchè. - gritou outra vez, não queria que o
ouvissem chamá-la pelo primeiro nome, e correu para alcançá-la, mas não
conseguiu. Ele poderia ter entrado na sala comunal, mas só
entrava lá quando realmente era necessário. Colocou a mão sobre a porta como se
fosse sentir a presença de Antoine. Em seguida voltou-se para o corredor e deu
de cara com Lupin.
– O que quer aqui? - perguntou Snape
furioso.
– O que foi que falou para ela?
– Nada mais do que a verdade. - disse
Snape apertando o dedo indicador no peito de Lupin - É melhor você se afastar
dela. Antoine é uma jóia, não serve para alguém como você!
– Quem é você para dar tal conselho?
- desafiou Lupin que sempre foi calmo e paaciente.
– O que acha que Dumbledore diria de
um homem de quarenta anos saindo com uma garota de dezessete?
Lupin encostou-se na
parede enquanto Snape chegava mais perto com sua cara macilenta.
– Afaste-se dela ou vai se ver
comigo! E se fizer isso logo eu nem vou querer saber o que você faz aqui em
baixo a uma hora dessas! - depois de dizer isso, Snape
virou-se e saiu esvoaçando com sua capa.
Dois
dias se passaram, Antoine não conseguia encarar o
professor de Poções e muito menos falar com Lupin. Nas manhãs que se seguiram
Antoine seguiu mais que restritamente a ordem de Dumbledore de ir do dormitório
ao refeitório, depois para as aulas e depois para seu quarto. Via Lupin apenas
nas aulas, mas ele não lhe dirigia a palavra. Ela não agüentava mais aquele
silêncio, aquela indiferença proposital, mas sabia que era necessário. Ela
deixou de freqüentar as aulas, uma vez que já havia passado de ano. Dormia até
perto do almoço e passava as tardes na biblioteca apenas estudando para os
N.I.E.M.s, Níveis Incrivelmente Exaustivos de Magia.
A
formatura dos alunos do sétimo ano estava se aproximando, a animação de Antoine
estava na escala dois de um a dez. Perambulava com as colegas para cá e para
lá, contudo se perguntassem algo a ela sobre o assunto que falavam, não saberia
responder, pois seu pensamento estava longe dali. De repente, uma mão grande a
puxou para trás de uma estátua.
– Lupin! - disse ela - O que aconteceu
com você? Está pálido... não tomou a poção?
– Ela acabou.
– E porr
que não me prrocurrou?
– Você me evitou... então achei melhor não incomodá-la!
– Quer mais poção? - vacilou ela.
– Não. Só queria avisá-la e vê-la
mais uma vez - e ele sorriu levemente - Snape sabe sobre nós e se eu me
aproximar de você mais uma vez, ele irá contar a Dumbledore. Não quis que você
soubesse por ele! Mas isso mostra a você um dos lados daquele... homem.
– Ele te ameaçou?
– E quando não fez isso?
– Ah! - exclamou desapontada erguendo
a sobrancelha e olhando para os lados.
Com
os N.I.E.M.s, o diploma mais alto que Hogwarts oferecia cujo exame era muito
complexo e tinha um linguajar científico, muito próximos,
Antoine tentava se concentrar o máximo possível para compreender o material de
estudo. Ela passava a maior parte do tempo na biblioteca, e era onde estava
agora, lendo um grosso livro sobre Magia Avançada, quando Dumbledore sentou-se
a sua frente.
– A aluna mais brilhante de Hogwarts
enfurnada na biblioteca a essa altura do campeonato? Você já não o venceu? -
Antoine tentou sorrir.
– Não querro
deixarr Hogwarrts, professorr Dumbledorre. -
confessou ela irrompendo em lágrimas, surpreendendo o diretor - Parra onde irrei? Parra casa não posso voltarr
e quem mais eu conheço lá forra está me ignorrando...
– Alguma coisa mais grave a está
afligindo. Diga-me e eu a ajudarei!
Antoine não teve
coragem, sentiu vergonha de si mesma, apenas abraçou Dumbledore e agradeceu por
ele ter sido tão bom.
Na noite do baile, Antoine usava um
vestido e longas luvas negras, seu cabelo batido na nuca estava escovado, era
um penteado channel. Ela saiu de seu quarto e esperou
pelo par. Mas ainda era cedo. Espiou para sua esquerda e viu a porta do quarto
de Snape entreaberta. Queria ir até lá, mas temia encontrá-lo. Ficou observando
a porta e imaginado Snape lá dentro, nem reparou que o professor de Poções
havia aberto a porta e a encarava.
– Algum problema, senhorita Dimanchè? - perguntou Snape de sua porta,
não houve resposta - Antoine! - e a voz dele ecoou.
– Ah... sim,
prrofessorr, o que foi?
– Você está bem?
– Eu? - ela olhou para os lados e não
havia ninguém no corredor - Sim, estou!
Ele balançou a
cabeça e fechou a porta. Antoine daria tudo para saber o que ele estava
fazendo. Ainda não havia esquecido que Snape lhe dissera ter inteção de encontrá-la fora de Hogwarts quando já estivesse
formada, mas que havia mudado de idéia ao saber que ela se encontrara com outra
pessoa, ambos sabiam que era com Lupin, mas ele não falou nome algum. Antoine
decidiu bater à porta do quarto de Snape.
– Sim senhorita Dimanchè! Qual o
problema?
– Posso entrrarr,
prrofessorr?
– Bem, já é quase hora de ir ao
baile... mas, cinco minutos não farão diferença. - ele
parecia de muito mal humor.
Ela ajeitou o
vestido e adentrou o quarto do professor.
– Pois, não? - perguntou ele.
– Um brreve
pedido... o senhorr... - e
houve um silêncio profundo e em seguida uma frase rápida - você realmente me
amou!
Snape não esperava
por aquilo, entretanto, estava pronto para responder.
– Sempre.
– Ah... - e ela suspirou e estremeceu.
– Contudo, creio que não poderei
tê-la. - continuou ele olhando para o chão.
– Eu... vou ficarr louca... sei que o
decepcionei muitas vezes, fiquei com... enquanto
você...
– Desapontamentos. Os tive a vida
inteira, mais do que qualquer pessoa que conheço... - disse ele ficando de
costas e ela pode sentir a voz dele tremer ao continuar - Mas imaginá-la com
Lupin... parte de meu coração morreu.
Antoine quis se
bater tamanha era a raiva que sentia de si mesma. Porém, como poderia imaginar
que ele a amava realmente?
– Não ficarrá
comigo porr causa dele?
– Não ficarei porque não é correto!
Nem para mim, nem para ele.
– É corrreto
me deixarr sozinha? Eu mal sei parra onde irr amanhã! Pensei em ficarr com
você porr uns tempos...
– Ou com ele... - disse Snape
encarando-a - A escolha é tão difícil assim?
Antoine
chegou mais perto dele, mas Snape se afastou.
– A maior decepção que eu achava ter
tido com você era aquele incidente comigo, em que você deveria ter delatado o
Potter! Mas, depois de saber que você e Lupin... eu
não sei se poderia perdoar, eu mal consigo aceitar!
– Então é porr
isso que não ficarrá comigo. - ela suspirou - Tudo
bem, deverria tê-lo esperrado,
erra uma questão de tempo, só que...
– Não quero o seu mal, Antoine, eu a
amo. Contudo, quero que seja alguém quando se tornar adulta, quero encontrá-la
daqui a alguns anos a poder me orgulhar. Você tem um grande futuro pela frente!
Ela olhou para as
mãos dele que mexiam freneticamente enquanto falava, era a primeira vez que ele
ficava nervoso daquele jeito.
– Eu posso lhe pedirr...
se não ficarrei com você...
– Terá de formar uma família, é o que
se espera de bons bruxos. Só
não faça isso com Lupin, seus filhos não serão normais, eu não
quero que se decepcione... Saia por esse mundo Antoine, há muito para se ver,
você irá ficar maravilhada e me agradecerá algum dia!
– Eu jamais ficarria
com ele. - murmurou ela - Nada que aconteceu entrre
eu e ele imporrta. Foi um grrande
erro, há arrependimento... e nem sei porrque aconteceu se eu só tinha você nos meus pensamentos.
- ela se aproximou dele, Snape mordia os llábios e quando ela tocou em seu
peito, ele se abalou - Meu corração ficarrá parra semprre em Hogwarrts, parra semprre nesta
sala... para semprre aqui.
Foi impossível não
abraçá-la ou beijá-la e Snape fez isso com muita vontade. Tomou-a nos braços,
deitou-a no sofá em frente à lareira e deitou-se sobre ela. Foi a noite mais esperada para ambos e Antoine nunca mais se
esqueceria dela.
– Tome. - disse Snape já vestido,
parado atrás dela que penteava os cabelos, entregando-lhe um pequeno e grosso
livro de capa muito sovada, com as bordas descascadas. Segurava-o como se fosse
muito precioso.
– Não... não
posso aceitarr! É seu Manual de Encantamentos...
– Estará em melhores mãos.
Ela balançou a
cabeça relutando para não pegar o livro, mas o queria muito.
– Façamos o seguinte, fique com ele
até nos encontrarmos novamente.
– Severro...
Ele acariciou pela
última vez o rosto dela e abriu a porta para ver se havia alguém perambulando
por ali que poderia vê-los. Ninguém. Despediu-se dela e a viu sumir pelo
corredor escuro.
Passavam das nove
horas da noite quando Antoine entrou no salão e as pessoas se afastaram para
ela passar. Naquele momento sentiu muita falta de Draco, ele saberia como
escoltá-la por entre a multidão curiosa. Mas fazia dois anos que ele havia se
formado e há muito tempo deixara de lhe mandar corujas. O par de Antoine era um
garoto sonserino alto e muito magro, que cansara de esperá-la e foi sozinho ao
baile. Antoine dançou algumas músicas com Dumbledore, mas o que ela queria
mesmo era dar uma última palavra com Lupin. Tentou falar com ele algumas vezes,
mas Snape estava sempre de olho. Ela estava ficando impaciente e saiu do salão,
sorrateira, sem se despedir, e foi até a entrada do castelo, sentar-se nas
escadas. Lupin a viu sair, mas disfarçou, desviando o olhar para a janela, não
queria que ninguém mais notasse que ela não estava ali. Snape tinha o olhar
nervoso, certa hora, estreitou os olhos para Lupin e apontou para a janela com
a cabeça. Lupin voltou sua atenção para lá. A noite não estava escura e ele
sabia muito bem o que lhe esperava, então, pegou sua capa e saiu do salão de
baile.
Avistou
Antoine ali adiante, porém, estreitou o passo na intenção de passar por ela
rapidamente.
– Esperre!
Só querro lhe pedirr... -
disse ela barrando o caminho dele.
– Antoine, - disse ele olhando para o
céu. - Conversaremos amanhã!
– Amanhã cedo estarrei
indo para Londrres! - respondeu ela puxando-o pela
manga da camisa.
– Antoine, por favor! Largue-me, sim!
Eu... eu... - disse ele olhando para as nuvens... - Me
deixe em paz! - gritou ele e saiu correndo, seguindo em direção à floresta.
Largou a capa na orla da floresta e entrou nervoso. Antoine ficou imóvel, sem
acreditar no que acabara de acontecer. Minutos depois, ela ajuntou a capa e
furiosa seguiu-o para dentro da floresta.
– Esperre!
- gritou ela seguindo, mas sem ouvir respoosta. Subitamente um silêncio
assustador envolveu-a. Nenhum grilo cricrilava, nenhuma coruja piava nem mesmo
um sapo coaxava. Somente ouvia a própria respiração. Olhou em volta, tentando
achar um ponto de luz, mas mal enxergava as mãos. De repente, uma luz fininha
entrou por entre os galhos emaranhados das centenárias árvores. Era a luz da
lua cheia. Foi então que Antoine se deu conta de que estava perdida na
floresta, fora por tal motivo que Lupin havia corrido tão rápido para a mata.
Seu grito de terror
foi tão alta que ela mesma se assustou com ele, mas já estava petrificada
naquele momento porque dois olhos vermelhos a encaravam e se aproximavam lentamente.
Lembrava-se bem deles, ficaram em sua memória desde a primeira vez que os viu.
– Lu-Lupin...
sou ...eu ...Antoine!
Sim, era Lupin, mas
o Lupin lobisomem e estava tão perto que Antoine pode ver bem os enormes,
brancos e pontiagudos dentes. Ele babava mais do que o normal, também pudera,
estava diante do jantar mais apetitoso que poderia ter e, desta vez, sem
ninguém para livrá-lo da morte eminente. Antoine fechou os olhos, não havia
nada que pudesse fazer, sabia como se defender, porém, não tinha a varinha e
sem ela, chance alguma de fugir. Então, sentiu-se ser derrubada. Caiu batendo
em algo, sentiu uma dor muito forte nas costas. O peso do bicho sobre seu corpo
a esmagava contra o chão. Começou a sentir suas pernas formigarem e logo depois
não as sentia mais. Enquanto o lobisomem abocanhou seu pescoço, e ela só
conseguia pensar no porque de tê-lo seguido, como pôde não ter se lembrado que
era lua cheia? Seus pensamentos se esvaiam vagarozamente.
Os olhos estavam cada vez mais pesados. Piscou ainda duas ou três vezes antes
de fechar os olhos para sempre.
CONTINUA