Capítulo
6
Mais Um Ano, o Último

s aulas haviam começado há um mês e o professor
de Defesa contra a Arte das Trevas, que também era Snape, passava por uma fase
difícil, tinha ficado doente e estava demorando a se recuperar, então
Dumbledore chamou um antigo professor para dar aulas, Remo Lupin. Apesar de não
querer aceitar o cargo por causa de muitos pais não gostarem que ele fosse
lobisomem, Lupin voltou a dar as aulas. Há pouco mais de um ano, muitas pessoas
haviam feito protestos contra a discriminação entre raças, e com o argumento de
uma poção contra a transformação para lobisomem, conseguiram alguns direitos
àquela raça, que vinha crescendo lentamente.
Antoine entrou na sala de Defesa Contra a
Arte das Trevas na primeira manhã de aula com o professor novo e sentou-se,
demorou cinco minutos a perceber que não havia ninguém ali. Olhou pela janela e
estavam todos sentados no jardim, próximos ao salgueiro lutador. Ela suspirou e
pensou em ficar ali, mas o zelador Filch a tinha visto e a acompanhou
“gentilmente” até lá fora, onde se juntou aos demais alunos. O novo professor parara
de falar e dirigiu-se a Antoine com um tom grosso que foi se transformando numa
fala suave assim que bateu os olhos nela.
Antoine corou e prestou atenção na aula,
mais especificamente no professor depois de reparar que todas as garotas
estavam empolgadas com ele. Era realmente um homem muito bonito, do jeito que
falavam. Seu nome era Remo Lupin. As aulas com ele eram diferentes e rendiam
muito, Lupin sabia explicar e desenvolvia práticas excelentes. Não demorou a
Lupin arranjar um fã clube, as meninas o amavam e suspiravam quando passavam
por ele nos corredores. Lupin achava engraçado, pois nunca antes havia
despertado tanta curiosidade e tantos olhares apaixonados. Ele pensava consigo
se isto tudo seria por causa de seu lado animal e ria sozinho. Comentou tal
pensamento com Dumbledore, no jantar daquela sexta-feira, e os dois deram altas
gargalhadas. Dumbledore tinha liberado os alunos do terceiro ano em diante para
irem a Hogsmeade naquele sábado. A euforia foi geral.
Os garotos correram para Hogsmeade, enquanto
as garotas acompanhavam o professor de Defesa Contra a Arte das Trevas pela
estrada. Elas não davam trégua a ele e lhe faziam as mais variadas perguntas.
Ela
suspirou nada respondendo. Lupin ergueu a sobrancelhas e fazendo um gesto
afastou o livro da frente dos olhos de Antoine. Ele começou uma conversa sobre
as aulas de Defesa Contra a Arte das Trevas e Antoine o acompanhou. Falava
muito bem, nada lhe escapava: érres, esses ou a pronuncia dos verbos. Também
era muito atencioso e ouvia pacientemente para depois argumentar. Lupin
percebeu que Antoine era uma garota muito madura para sua idade e muito segura
de si o que não a deixava se influenciar por respostas bonitas. Ela também
tinha bons argumentos.
Os
dias se passavam e Lupin estava cada vez mais interessado no caráter de
Antoine. Ela era muito inteligente e aprendia com muita facilidade, aliás, aos
dezessete anos havia pouquíssima coisa que ela não sabia.
Era
um sábado de jogo de quadribol importante, mas Antoine estava na biblioteca
novamente, vigiada pela bibliotecária, lendo um grosso livro sobre o que a
magia negra poderia causar.
Antoine
deu um salto ao ouvir a voz de Lupin.
Lupin
sorriu e agradeceu colocando sua mão sobre a dela. Antoine levantou-se, pegou a
mão de Lupin e saiu da biblioteca com pressa. Seguiram até a sala de Poções nas
masmorras.
Lupin
olhava para a grande quantidade de potes.
Antoine
e Lupin o olharam surpresos.
Snape
riu cavernosamente.
Os
três ficaram em silêncio.
Levou
dois dias para a poção ficar pronta. Lupin entrou numa sala das masmorras e
sentou-se em frente a Antoine que mexia a poção no caldeirão. Ela ergueu uma
concha e um líquido grosso, meio azulado e fumegante correu pelas bordas do
copo
Antoine
respirou fundo, sentiu certa hostilidade.
Antoine
andou até a porta, mas voltou-se uma última vez.
Snape
largou o que estava fazendo, suspirou e levantou-se fazendo barulho com a
cadeira. Olhou com impaciência para Antoine e aproximou-se dela.
As tardes de sábado sempre mantinham a
biblioteca vazia, especialmente quando não nevava, porque os alunos iam
empolgados a Hogsmeade, bem, todos menos Antoine que continuava a ter que
cumprir a pena por ter “enfeitiçado o professor de Poções”. Ela acabara de
tirar um livro da prateleira da sessão de Poções.
Ela sorriu e os dois saíram de braços dados,
andando e conversando muito até sentarem debaixo de um grande carvalho.
Ela
riu. Era só o que sabia fazer, pois vivera cercada desde pequenina por adultos,
explicava ela, nunca havia estado ou brincado com outras crianças antes. Passou
a conviver com elas em Hogwarts e sentira raiva, às vezes ódio, por elas serem
tão felizes e sorridentes. Essa confissão chocou Lupin.
Ele
afastou uma pequena mexa de cabelo que tampava os olhos de Antoine, mas ela o
fez parar pegando na mão dele.
Lupin
sentiu a mão dela tremer levemente, sentiu que ela respirava mais forte e que
tentava controlar um instinto. Instinto que Lupin conhecia melhor do que
ninguém. Ele sentiu então o cheiro dela e sem se importar com o que aconteceria
no dia seguinte ou em qualquer outro dia, a beijou. Antoine hesitou, mas ao
sentir as fortes mãos dele apertando-a, retribuiu o beijo e o envolveu com seus
braços. Os dois se amaram ali. E foi uma experiência para ambos. Para Lupin
porque ele jamais havia estado com uma pessoa vinte anos mais nova. E para
Antoine porque provou a si mesma que nenhum outro homem a faria mais feliz do
que Snape, mesmo Lupin sendo extremamente carinhoso e atencioso.
Depois
de consumado, Lupin a beijou muito e deitou-se ao lado dela. Ambos tinham as
bochechas vermelhas e estavam sorridentes. Ele sorriu com um dos cantos da boca
e beijou-a por mais algum tempo, mas a garota olhava em volta preocupada, temia
que alguém os visse, pediu que a ele que saíssem antes que alguém chegasse.
Antoine
tentou evitar o professor de Defesa Contra a Arte das Trevas durante aquela
semana. O que aconteceu deveria ser esquecido, guardado em um baú e atirado ao
mar. Como fora estúpida! Contudo, aquela experiência tinha valido à pena, ela
jamais deitaria com outro homem senão com Snape.
CONTINUA