Capítulo 5
Quem é Aquele?
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ra final de tarde, Antoine nem
pensava mais no conselho bruxo, tinha o corpo de Snape girando em sua cabeça, e
parecia sentir o cheiro e o toque dele em seu corpo apenas fechando os olhos.
Quem a tirou daquele devaneio foi Draco, ao puxá-la para trás de uma estátua no
corredor que levava ao salão principal.
E foi assim.
As semanas se passaram. Com a escola toda sabendo que
Antoine havia jogado, de propósito, o feitiço errado sobre Snape, os sonserinos
se afastaram lentamente dela. Muitos por medo. Outros tantos por não confiarem
mais. No entanto, corvinais, lufa-lufas e grifinórios a idolatraram, pois
haviam gostado, e muito, do feitiço lançado no professor de Poções. Snape e os
outros professores por outro lado, já não a consideravam mais uma aluna
exemplar.
Antoine estava na Floresta Negra, procurando a tal
avenca perolada que o professor de Poções havia falado na última aula. Sabia
que ele tinha um estoque delas em sua sala, mas não tinha coragem de lhe pedir
e resolveu, junto com tantos outros colegas sonserinos, procurar pela planta.
Snape havia dito que elas cresciam em lugares escuros e úmidos, ao pé de
árvores gigantescas cujos troncos não recebiam sol a mais de cem anos. Antoine
estava tão entretida na busca da planta que perdeu a
noção do tempo e se separou de seus colegas. Quando deu por si já era noite.
Chamou por eles, mas sua voz parecia um sussurro num grande campo de quadribol.
Lembrou-se que o castelo ficava ao norte e, baseando-se pelo caminho que veio,
começou a andar naquela direção. Nunca sentira medo em qualquer situação, mas
naquela escuridão, sem varinha, calafrios passavam pela espinha e criaturas
estranhas pelos pensamentos. De repente, um quebrar de galhos fez com que ela
saltasse de susto.
Era Snape. Antoine não conseguiu responder e andou cambaleando
até seu professor, ao mesmo tempo em que olhava para o animal. Snape a puxou
rápido para cima de sua vassoura e saiu em disparada por entre as árvores
centenárias. Chegando ao jardim do castelo, jogou a vassoura num canto e puxou
Antoine pelo braço para a saleta ao lado do hall de entrada.
Snape mal cumprimentava Antoine e não mais a deixava
responder às questões propostas nas aulas. Ela o observava atentamente, mas ele
parecia não estar se importando. Antoine não parava de lembrava da única vez
que ele lhe correspondera um beijo, não fora há muito tempo, fora no dia
O verão
chegou rápido. Seriam três meses de solidão intensa. Mas a escola toda estaria
a sua disposição e como não haveria mais ninguém, a não ser alguns professores,
Antoine provavelmente poderia utilizar sua varinha onde quisesse. Harry se
despediu dela bem cedo, ainda estava triste por tê-la visto com Draco
novamente, mas depois daquele dia não saberia quando a veria novamente... e se a veria algum dia. Ela ainda tinha mais dois anos pela
frente e isso poderia mudar uma vida, especialmente a dele, que estaria fora de
Hogwarts, longe de Snape e a um passo de ser auror.
Draco, no
entanto, apenas encarou Antoine por um instante. Estava ainda ressentido com
ela, queria dizer que gostava muito dela, mas a coragem ou o ressentimento não
deixavam. Ela acenou e soltou um leve sorriso, Draco apenas respirou fundo e,
baixando os olhos, saiu puxando seu malão. Snape observava tudo da janela do
hall de entrada e sentiu alívio ao ver Draco partir sem se importar muito em se
despedir de Antoine. Por outro lado, um pouco além de onde Draco parara para
olhar Antoine, estava Dumbledore, com o coração partido ao ver aquela situação e se lembrar de tantas outras que passara e
pelas quais, certamente, Antoine passaria. Se ele pudesse não deixaria que ela
sofresse, mas fazia parte da vida, era um tipo de aprendizagem que lhe traria
muita experiência.
CONTINUA