Capítulo 3
Isomorfos se Atraem

aquela
noite tempestuosa, Madame Nora pegou Harry bisbilhotando próximo ao salão
principal. “Eu só quis ver se foi lá que
deixei meus óculos!” dizia Harry a Filch, mas este o levou até o banheiro
dos professores, o empurrou para dentro e agitando o dedo indicador gritou:
― E
nada de gracinha, passarei aqui algumas vezes, se não se comportarem eu mesmo
vou castigá-los!
―
Comportarem? - perguntou-se Harry.
Sim,
havia mais alguém ali...
― E então? Vai ficarr olhando com essa
carra de espanto ou vai me ajudarr? - era Antoine Dimanchè.
― O
que é que...
―
Ah, já faz tempo que estou cumprrindo essa detenção. Snape ainda não me
perrdoou.
―
Mas ninguém sabe de nada.
― Imagine
se ele irria deixarr escaparr que algum aluno da Sonserrina estava em detenção.
Harry ficou calado, estupefato com simplicidade com
que ela falou aquela frase. Então, pegou uma vassoura ensaboada e começou a
esfregar as paredes do banheiro. Estavam totalmente cheias de limo. De vez em
quando ele olhava para Antoine que esfregava a parede sem reclamar e fofocas
vinham em seu pensamento.
―
Querr saberr, hein? - perguntou ela.
―
Saber... o que?
―
Orras, porrque peguei detenção!!
―
Como? - ele olhou para a janela tentando disfarçar, mas Antoine continuava
esfregando, como se esperasse por sua pergunta - Você... e Draco estavam mesmo
no quarto?
―
Estávamos, mas o Drraco é tão... bem, ele se deixou seguirr porr Snape! -
explicou inocentemente. Harry arregalou os olhos e voltou a esfregar o chão.
―
Sinto... que... me sinto tão... Snape me esnobando, as pessoas me olhando com
carra estrranha... estão parrecendo minha família... - ela pausou, apoiou o
cotovelo na vassoura e olhou para Harry de uma forma diferente - A sua família
também não dá a mínima a você, não Harrry?
Ele nem hesitou
em responder, fez isso como se conhecesse Antoine da mesma forma que conhecia
Rony ou Hermione.
―
Quando estou eu casa, meus tios agem como se eu não estivesse - deu uma
risadinha amarela.
― Os
meus pais não querrem em casa! Têm medo de mim... porr causa da magia - e ela
ergueu os braços fazendo de conta que ia assustar.
― É,
às vezes eu sinto falta de um ombro amigo.
―
Mas você é adorrado porr todos, Harrry!
―
Adorado... palavra chata, não? Eu queria que as pessoas parassem de me ver como
aquele que tirou os poderes de Voldemort. - ela deu uma gargalhada e balbuciou
algumas palavras ininteligíveis, logo as vassouras e baldes começaram a fazer o
serviço deles. E sem nenhuma varinha - Então você realmente mexe com magia...
Ela colocou a mão em frente à boca de Harry.
―
Calma, Harrry. É parra isso que serrve a magia... Lança-se um feitiço sobrre as
vassourras e um feitiço maior parra que ninguém perrceba que o prrimeiro
feitiço foi lançado! Às vezes, somos influenciados por forças negativas...
―
Não podemos! A magia n... ãh... ela é muito perigosa!
―
Sim, Harrry, mas a magia não serrve apenas parra fazerr o mal! - Harry olhava
desconfiado - Só que agorra estou falando de pessoas... não há nada piorr do
que se deixarr influenciarr porr pessoas negativas. Não prrecisa terr medo! -
disse ela vendo os olhos daquele rapaz de dezessete anos brilharem diferente -
Desde que estou aqui, nunca usei a magia contrra alguém... - ela mordeu a
língua e fez uma careta.
―
Nunca mesmo? Então por que os sonserinos tinham medo de você?
―
Orra, uma simples questão de imponência, eles seguem líderres e eu sou uma...
bem, não neste exato momento - brincou ela.
―
Sabe, agora está difícil de te imaginar com Draco! Você não parece mais... esnobe!
Antoine agradeceu. Ele sorriu meio de lado e olhou
para a porta, sentiu repentinamente seu peito congelar... era Antoine que
estava de baixo de um dos chuveiros e havia lhe jogado água. Ele sorriu,
olhou-a com malícia e outro chuvisco caiu sobre ele. Logo, Harry também estava
debaixo de um chuveiro jogando água nela! Tiveram um acesso de riso tão grande
que se sentaram no chão. De repente, um dos baldes se descontrolou e caiu na
parede ao lado de Antoine, respingando nela.
―
Harrry, meus olhos! Estão arrdendo, me ajuda! - dizia ela esfregando-os. Ele a
empurrou para baixo do chuveiro e a água tirou qualquer vestígio do sabão.
―
Tudo bem? - perguntou ele com as duas mãos no rosto dela.
―
Sim... - ela abria lentamente o olho e então soltou um sorriso que fez Harry se
arrepiar todo e sentir novamente aquela pulsação no baixo ventre.
― Se
Snape nos visse agora teria um ataque dos nervos... e você voltaria a namorar
Draco com certeza - murmurou ele e os dois caíram na gargalhada. Brincaram até
depois da uma hora da manhã. O banheiro estava brilhando e Filch resmungava
sobre como os dois poderiam estar tão ensopados.
Na manhã seguinte, na sala de Transfiguração,
Antoine teve um acesso de riso, Harry imitava Filch andando com sua perna manca
e resmungando sobre os dois ensopados. Rony e Hermione não estavam entendendo
nada, mas quando Draco entrou e viu Antoine e Harry rindo juntos, todos se
silenciaram. Draco lançou um olhar fulminante a Harry, que fez uma careta e se
sentou, passou por Antoine sem lhe dar qualquer cumprimento, sentando-se três
cadeiras adiante dela.
― O
que foi aquilo, Harry? - perguntou Hermione.
―
Nada, é que ontem nós dois estávamos em detenção!
―
Hã?? - perguntaram Rony e Hermione
juntos - Ela na detenção?
―
Sim, e deixamos o banheiro brilhante! - os três amigos riram e assim que o
professor entrou na sala desconversaram, iriam se encontrar mais tarde na casa
de Hagrid para Harry contar a história toda.
Aquela aula de
poções foi realmente muito estranha. O professor Snape não parecia saber o que
estava fazendo. Derramou ingredientes, derrubou caldeirões e nem gritou com os
alunos! Ele ainda tinha duas vozes diferentes. E para finalizar, e
ridicularizar o dia estranho, no final da aula ele deu o seguinte como tarefa:
trazer flores do campo para uma Poção da
Alegria!
À tarde, os três amigos foram até a casa de Hagrid.
Riram bastante sobre a aula de poções, mas Harry parecia desligado. Algumas
vezes o chamaram e tiveram que repetir o que perguntaram.
―
Ele ficou ontem na detenção com Antoine! - riu Rony olhando para Hagrid.
―
Ela deve ter te enfeitiçado - disse Hermione - ele está estranho desde então!
―
Ah, pára com isso! - brincou Harry.
― Eu
não sei não, Harry... você mesmo nunca gostou dela! - retrucou Rony - Cadê o
bisbilhoscópio, Hermione, talvez se Harry estiver enfeitiçado ele gira! - Harry
ficou sem graça enquanto os amigos ficaram rindo.
A manhã de
sábado foi agitada. Grifinória iria jogar com a Lufa-lufa e precisava vencer.
Todos estavam no estádio e quando o jogo começou, Harry pode ouvir Draco e os
sonserinos vaiando. Olhou para Antoine e ela estava sentada, ao lado de
Dumbledore. Harry sorriu para ela e seu sorriso foi retribuído, voltou o olhar
ao campo e o jogo já estava dez a zero para Grifinória. Hermione e Rony viram
os olhos de Harry brilhar assim que ele recebeu o sorriso de Antoine. Snape
também viu e não gostou nada. O jogo transcorreu bem, Grifinória venceu por
noventa pontos quando Harry pegou o pomo aos vinte minutos. Desta vez,
Lufa-lufa não recebeu ajudinha de Antoine, Draco estava descontente. Os
grifinórios festejaram além da hora do jantar, eram duas da manhã quando foram
se deitar. E para brindá-los, o domingo raiou ensolarado e quente. Alguns
alunos aproveitaram para estudar ao ar livre. Antoine foi um deles. Estendeu
uma enorme manta vinho no gramado verde-musgo, próximo ao lago, e deitou-se de
bruços, abrindo seu livro de Poções.
―
Estudando muito?
―
Oi! - disse ela sorridente, mas surpresa. Era Harry Potter - Estou rrevendo
algumas poções parra amanhã, sei que ele não irá me perrguntarr nada, mas vou
mostrrarr que sei fazerr sem nenhuma ajuda!
― É
claro que ele não vai te perguntar, Snape não gosta de sabe-tudo! Mesmo sendo
sonserino! - brincou. Antoine sorriu. - Posso estudar com você? - perguntou ele
mostrando que estava com seu livro de Poções também. Antoine passou a mão pela
manta como se a estivesse alisando para Harry sentar. Os dois estudaram
discutindo as poções e às vezes se pegavam rindo das que “inventavam” trocando
certos ingredientes. Antoine e Harry estavam deitados de lado, um de frente
para o outro apoiando suas cabeças com o braço, enquanto seus livros estavam
entre eles.
―
Você tem o sorriso mais bonito que eu já vi!
―
Obrrigada. - disse ela enrubescendo.
―
Esse seu sotaque também me deixa vidrado - e dizendo isso Harry se aproximou
lentamente e beijou de leve os lábios de Antoine. Pode sentir a respiração dela
se tornar pesada e a mão dela entre seus cabelos.
―
Harry - murmurou ela sorrindo - acho melhorr parrarrmos... - ele olhou-a surpreso
- Se continuarrmos... não conseguirrei me conterr... - Harry largou um sorriso.
Ele a beijou mais uma vez.
―
Você é muito interressante, Harrry... - ela mordeu os lábios - é difícil não
querrer ficarr assim juntinho de você! - enquanto falava ela mexia na gola da
camisa dele - Mas não querro nos meterr em piorr situação do que estamos - ele
concordou baixando os olhos. Os dois conversaram mais um pouco e depois Harry
voltou para o castelo. Antoine continuou deitada no jardim, pensando no que
tinha se recusado a fazer, entretanto, Snape estava em seus pensamentos e se
ele descobrisse seria pior do que ser pega com Draco novamente.
Na segunda-feira as masmorras estavam mais frias do
que de costume. Os alunos estavam bem agasalhados, mas conforme a aula
prosseguia, começaram a tirar peça por peça de roupa. O professor Snape
continuava estranho. Ajudava os alunos a fazerem suas poções sem qualquer ralho
ou resmungo, porém, certas vezes, parecia perceber que estava ajudando e paralisava-se.
Até Harry era tratado bem, apesar da segunda voz de Snape se contradizer e
brigar com a primeira. Os alunos saíram da aula comentando, eufóricos e
espantados.
Harry almoçou olhando para Antoine. Ela, porém,
almoçou rápido e saiu. Harry fez o mesmo e correu para alcançá-la. Abordou-a no
corredor que levava à biblioteca. Entraram, pegaram uns livros e sentaram-se de
frente.
―
Desculpe por ontem. - disse Harry quebrando o silêncio - Não quis ser
grosseiro.
― E
não foi! - ela largou um baita sorriso. Ele enrubesceu. Antoine sorriu e ao
invés de estudar ficaram conversando sobre suas vidas.
Tornaram a se
ver no café da manhã do dia seguinte, e no almoço e no jantar e na biblioteca.
E todas as vezes que Antoine chegava próximo a Harry ele a cumprimentava. Rony
e Hermione haviam se conformado, mas não concordavam com aquela “paixonite aguda”, como dizia Rony. No
entanto, muitos grifinórios haviam feito amizade com ela por causa de Harry
Potter e muitos sonserinos estavam revoltados, pois Draco os liderava
enchendo-os com caraminholas. Algumas delas estavam se tornando completas
realidades...
―
Vamos até a casa de Hagrid? - perguntou Harry a Antoine.
―
Gostarria muito, mas não vai darr, obrrigada.
― Eu
queria ficar sozinho com você!
― E
vai conseguirr isso na casa de Hagrrid?
―
Ah, não. - respondeu rindo alto - Mas no caminho...
Antoine mexeu na gola da camisa dele. Alguns alunos da
Corvinal passaram e ela esquivou a mão rapidamente. Harry abriu a porta atrás de
si e puxou Antoine para dentro. Era a sala dos troféus.
― Se
alguém nos pegarr serremos expulsos!
―
Não se preocupe! - disse Harry cobrindo-se com uma capa.
―
Ah! - suspirou Antoine - A tão famosa capa de invisibilidade! - ele viu que os
olhos dela brilharam - Meu trrisavô tinha uma. Ele foi um grrande brruxo, o
maiorr de minha família, mas foi incomprrendido. - e ela olhou para baixo -
Expulsarram-no de casa e queimarram tudo que lhe perrtencia.
―
Ele trabalhava com magia negra?
― Muito bem. Deixou um livrro,
encontrrei-o escondido onde os elfos dorrmiam... o decorrrei!
―
Venha para cá! - disse ele puxando-a para perto da janela, onde havia um enorme
sofá. Harry a beijou e, automaticamente, suas mãos e seus olhos percorreram o
corpo dela. Depois daquele dia, Harry soube o que era amar uma garota...
Harry e Antoine
não se abraçavam ou se beijavam em frente às outras pessoas, mas trocavam
carinhos singulares como sorriso, flores, bilhetinhos. Os sonserinos estavam
horrorizados com Antoine, ela encantou a todos com aquela nova menina que
surgiu depois dela conhecer Harry Potter. Conversava com todos e ninguém mais
hesitava em chegar perto dela, pois ela não mais tripudiava as pessoas, como
quando estava ao lado de Draco. Havia apenas um problema... Snape.
CONTINUA