Capítulo 2
O Tempo Voa

os quinze anos, Antoine se tornou monitora-chefe, era
seguida como uma deusa por todo lado. Tinha incríveis poderes, que usava nas
aulas, e nos alunos que desobedeciam as regras, para demonstrar o quanto
poderosa era.
― Ela é um pé no saco! Faz isso só para
se mostrar! Não sei como Dumbledore não vê isso!
―
Ah, Hermione, - disse Harry - afinal das contas, Snape a protege.
Harry, Hermione e Rony estavam entrando no seu último
ano em Hogwarts e aqueles anos não foram muito bons, pois Antoine estava lá...
Ela era simplesmente desprezível, fazia um par tão perfeito com Draco, que os
três grifinórios, quando sozinhos, riam dizendo que eles se casariam! Hermione
não se conformava ao ver Antoine fazer a cabeça das pessoas. Tentara descobrir
isso durante tempos, mas nada parecia dar certo quando atentavam algo contra
aquela menina francesa. Antoine, por sua vez, mantinha relações restritas de
amizade. Ela apenas dirigia-se a alguém quando a resposta lhe seria útil, por isso
falava apenas com Draco, com os sonserinos e com os professores, exceto pela
professora de Herbologia, Sprout, não gostava muito
dela, pois a achava muito necessitada e carente. Hermione pegara muitas
detenções por causa de Antoine, sentia um ódio quase mortal pela garota, se não
fosse por Harry, com certeza, já teria feito alguma coisa de ruim. Mas, Harry
estava perto... ele estava no encalce de Antoine... nada escaparia ao seu olhar! Harry queria descobrir o que
ela fazia que deixava a todos muito nervosos.
O baile da Primavera aconteceria dali a um dia. Os
jardins de Hogwarts estavam tão belos e floridos que Dumbledore resolveu
organizar a festa ali.
Era uma noite estrelada, o jardim principal do castelo
estava todo iluminado. Alguns alunos estavam preparando uma homenagem para
Dumbledore porque estaria completando anos. Os alunos chegavam aos pares e se
sentavam aglomerando-se para ver a apresentação, que seria uma peça de teatro.
Harry a organizara. Faltavam poucos minutos para começar quando um alvoroço
veio dos fundos do jardim. Era Antoine chegando, acompanhada por Draco. Eles
estavam magnificamente lindos. Todos deram passagem para eles, que soberbos,
sentaram-se na primeira fila ao lado de seu estimado professor, Snape, que se
levantou cavalheiramente e sentou-se após Antoine sentar.
―
Tinha que chamar a atenção de algum jeito! - retrucou Hermione para Harry, que
balançou a cabeça impaciente.
A peça foi maravilhosa. Dumbledore gostou tanto que
deu para cada um dos alunos que participaram da peça, dez pontos. O baile
prosseguiu igualmente admirável. Mas as atenções se voltaram para Antoine e
Snape que dançavam juntos a primeira música. Dumbledore gostou de ver os dois
se darem bem, se isso continuasse assim era sinal de que Antoine estava no caminho
certo.
― O senhorr me surrprreende, prrofessorr Snape! - disse ela enquanto era conduzida por
ele. Snape nem deixou que ela continuasse.
―
Eu? Hum... - respondeu - assim que você pisou em minha sala tive a sensação de
que ao menos alguém sabia o que eu estava falando.
―
Nós temos muito em comum! Ambos fomos deixados de lado porr
nossas famílias! - Snape ergueu a sobrancelha, fez cara de espanto, mas falou
antes dela.
―
Sua família - perguntou ele - estava muito empolgada com sua vinda a Hogwarts?
―
Sim... - disse ela ironicamente e olhou para o lado - ...o
senhorr me dá licença, prrofessorr?
Drraco está acenando parra mim...
―
Claro! - disse Snape cumprimentando-a com a cabeça, sentindo que aquele assunto
a deixara extremamente desconfortável. Draco e Antoine namoravam. Não que Snape
aprovasse, mas o jovem Malfoy fora a única pessoa pela qual Antoine se
interessara... abertamente, porque no fundo ela
escondia algo que se fosse revelado causaria espanto até em professores.
Era tarde quando Draco e Antoine pararam em frente ao
quarto dela.
― Só
alguns meses para eu me formar. Já sinto sua falta.
―
Bobinho, é muito tempo, sabendo que nos vemos todos os dias! - respondeu
Antoine a Draco.
―
Sim. - disse ele beijando-a - Mas virei vê-la!
― Drraco, assim você só irrá me complicarr! - ele a beijou e apertou-a contra a porta. -
Tem alguém aí! - disse ela ao ver um vulto atrás de um pilar.
― E
o que tem de mais nisso? Estamos dentro da nossa casa, você é a
monitora-chefe... - e a beijou novamente - Me deixa entrar um pouco - pediu
ele.
―
Não é você quem gosta de corrrerr rriscos?
- perguntou Antoine desabotoando a calça ddele - Porr
que não me surrprreende?
Draco sorriu maliciosamente, a apertou mais uma vez
contra a parede, olhou para os lados com o canto dos olhos e a tomou nos
braços...
A manhã daquele sábado era especial: Sonserina versus
Grifinória. O estádio estava lotado. Os sonserinos desfilavam seu belo uniforme
verde e prata em suas velozes vassouras. O time grifinório
ainda estava reunido, discutindo as táticas. Antoine estava sentada
entre Snape e Dumbledore, como sempre, desde o primeiro jogo, quando Draco se
aproximou e lhe deu um suave beijo na testa. Antoine amarrou no braço dele um
lencinho como se fosse um objeto da sorte. Ele sorriu, o tocou e saiu em
disparada.
―
Ah, o amor... - disse Dumbledore - que excitação!
Snape olhou o diretor com desprezo e voltou a olhar
para o jogo.
―
Esse Draco é um maria-mole. Está caidinho por ela! - retrucou Harry, que estava
pairando com sua vassoura perto de uma das traves de seu time.
― É
só o Draco quem está? - retrucou Angelina, atacante do time. Harry baixou os
olhos, e não demorou nada para que a professora Hook
desse início à partida.
O jogo foi acirrado, mas Draco estava tão assoberbado
que pegou o pomo aos cinqüenta minutos de jogo. Mal vira ele que sua namorada
tinha o olhar fixo no pomo durante o jogo todo!
― Se
eu fosse minha mãe diria que Draco estava enfeitiçado! - resmungou Rony da
arquibancada.
―
Senhor Weasley! - era a professora McGonagall chamando a atenção - Não faça uma
acusação sem ter provas!
―
Provas são tudo o que preciso! - respondeu ele irônico, colocando os braços na
cintura, virando o rosto para os amigos e fazendo caretas que imitava a
professora.
Draco, exibindo-se, sobrevoou os alunos de Grifinória
estendendo a mão onde estava o pomo, mostrando que era melhor do que o amado
apanhador deles: Potter. Em seguida, voou até Antoine. “Para você”, disse Draco
entregando a ela o pomo, “Nos vemos no jantar!” e saiu disparado. Antoine
recebeu um olhar estranho de Snape, mas ele estava orgulhoso por Sonserina ter
vencido.
Eram onze horas
da noite daquele sábado festivo quando Antoine entrou em seu quarto com vários
livros debaixo do braço. Ela fechou a porta e empilhou-os sobre o batente da
lareira. Espreguiçou-se e massageou o pescoço. Estava frio ali, com apenas um
gesto ela fez o fogo se acender.
―
Bem melhor! - sussurrou, mas um barulho atrás dela a fez virar-se num pulo,
Snape estava sentado em uma cadeira.
― Prrofessorr...
―
Desculpe o susto. Estou esperando desde as nove horas.
― Bem,
eu fui até a bibli... - ela olhou para a parede onde
havia um enorme relógio e depois para os livros sobre a lareira.
―
Deixe-me vê-los! - pediu Snape.
―
Os... livrros... são sobrre poções!!
Snape estendeu a mão esquerda. Ela pegou os livros
tremendo e os entregou a ele. Mas antes que ele pudesse abrir um deles ela
disse:
― Petrificus Totalis!
―
Boa idéia! - disse Snape rindo alto - Demorada, mas boa! Contudo, não tente
ensinar ao ferreiro o seu ofício! - ela olhava assustada para o professor
pensando na repreensão. Fora uma enorme estupidez tentar jogar um feitiço tão
merreca em uma pessoa experiente como Snape - Seu poder é realmente forte, sua
varinha é muito poderosa também! - cumprimentou ele e voltou a olhar para os
livros como se nada tivesse acontecido. Os olhos de Antoine quase saíam das
órbitas - Vejamos, Por trás das Sombras... Ótimo! A Dança como Princ... ah, coisa de mulher!
- então ele fez uma pausa - O Esférico Estrelado? Muito adiantado, não
acha?
―
Dê-me os livrros, prrofessorr!
- disse ela num tom forte de voz.
―
Está me desafiando? - perguntou ele ficando de pé defronte a ela. Antoine teve
que olhar para cima. Era alta, tinha mais de um metro e setenta de altura, no
entanto, Snape tinha quase dois palmos a mais do que ela.
―
Não! - respondeu rápido e baixinho.
―
Quem disse que eu iria tirar os livros de você? - ela não entendeu, franziu a
testa e vendo-o sorrir, sorriu também - Tire esse sorrisinho dos lábios. Se
você quiser aprender magia negra terá que seguir algumas regras e... roubar livros na biblioteca não é uma delas!
―
Sim senhorr.
― Vá
devolver os livros. Amanhã de manhã chegue mais cedo na minha sala e pegue
emprestado os meus!
― Obrrigada! - ela sorriu surpresa e aproximou-se do
professor na intenção de agradecê-lo com um abraço, mas Snape deu um passo
atrás. O clima na sala ficou estranho e o sorriso de Antoine se fechou. Ela
apenas agradeceu mais uma vez, olhando para o chão. Snape seguiu em direção à
porta, porém, subitamente, se voltou para ela e disse:
― E
somente pratique magia quando tiver certeza de que ninguém saiba que você o
fará! - fingiu um rosnado baixinho.
―
Sim, prrofessorr Snape!
Antes mesmo de Snape chegar à classe, na manhã
seguinte, Antoine chegara lá. Estava parada atrás da mesa do professor,
acariciando a cadeira dele. Aproximou o rosto da cadeira e sentiu o
inconfundível perfume do professor, uma mistura de...
―
Senhorita Dimanchè, acordou cedo! Entusiasmad...
― Issima!! - respondeu ela sorrindo.
―
Tome. - disse Snape estendendo os livros; pareciam novos, mas as páginas
estavam amareladas, surradas, sinal de anos de uso. Ela agarrou os livros
colocou-os na mochila e sentou-se. Mas o dia pareceu uma eternidade, ela mal
conseguiu prestar atenção ao que os professores falavam e faziam. Quando a
noite chegou, Antoine grudou nos livros e enfiou-se em sua cama. Devorou todos
naquela noite e, das principais partes, fez desenhos e anotações em seu diário.
Na manhã seguinte, Severo Snape entrou na sala
de poções e sobre a mesa viu os livros que havia emprestado. Não entendeu o que
estava acontecendo, mas ao ler o bilhete dentro de um deles tudo se esclareceu.
“Querido
professor Snape, os livros são magníficos, traguei-os noite adentro. Agora os
devolvo com o mesmo carinho que me foram entregues. Antoine ”.
Snape sorriu por dentro sentindo um aperto ao saber
que não daria aula a ela naquele dia.
Os sábados estavam sendo repletos de emoção, já que o
torneio de quadribol chegava ao fim e os sonserinos organizavam grandes festas
nos dias de vitória, regadas a muita comida, bebida e dança. Aquele sábado não
fora diferente. Mas Antoine havia se retirado cedo, estava cansada porque
estudara em excesso e executar magias avançadas desgastava muito,
principalmente, quando se tinha que lançar contra-feitiços para que ninguém percebesse o que
estivera fazendo. Snape também estava indo se deitar, já não era mais um
garoto, seu corpo não acompanhava seu cérebro tão bem quanto antes. Resolveu dar uma olhadela no salão comunal, os sonserinos
estava muito empolgados e se excediam em algumas noites. Deu uma espiada geral
e tudo parecia calmo. Passou pelo quarto de Antoine e viu a porta entreaberta.
Olhou para dentro. Ela estava deitada de costas, dormindo com um livro sobre a
cara. Sorriu, entrou, tirou o livro de debaixo da cabeça dela e colocou o
travesseiro.
―
Não... ele não vai querer... - sussurrou ela. Snape
levou um susto, mas logo percebeu que ela estava falando durante o sono. Riu do
próprio susto e saiu do quarto fechando a porta. Balançou a cabeça e seguiu em
direção ao seu quarto. Parou ao ouvir passos atrás de si. Encostou-se na parede
e olhou para trás: era Malfoy.
―
Boa-noite, professor Snape! - disse Draco erguendo a mão e desviando para a
esquerda, tentando fazer Snape pensar ia para o dormitório. O professor acenou
e andou um metro, até onde estava muito escuro e parou para observar Draco. O
garoto pousou os olhos na porta do quarto de Antoine, esperou por alguns
minutos, olhou para os lados e quando percebeu que estava sozinho seguiu em
direção à porta e girou a maçaneta. Entrou com meio corpo no quarto, parando
por um breve momento, mas finalmente entrou. Então, Snape aproximou-se.
―
Oi, Drraco. - disse ela sonolenta - Está zangado? - o
rapaz não respondeu - Eu estava cansada, não tinha vontade de comemorrar...
― O
que é que o Snape estava fazendo aqui?
― O prrofessorr Snape? - indagou ela.
―
Sim, o prrofessorr Snape - ironizou Draco. Antoine
olhou para Draco com desgosto, odiava que a arremedassem.
―
Não estive com ele, estudei até pegarr no sono! -
Draco tinha o olhar ausente, mordia os lábios.
― Eu
o vi saindo daqui agora mesmo! Não sou cego!
― Porr que
não o chama aqui e tirra suas dúvidas?
― É
o que eu deveria fazer.
―
Pois então faça! - gritou. Draco hesitou. Antoine deitou-se novamente na cama,
dando costas para ele. Draco suspirou e lentamente deitou-se ao lado dela
abraçando-a.
―
Desculpe, Antoine. Eu só não posso imaginar ele tocando em você!
― É?
E porr que não? Porr acaso
ele é alguma aberrração?
―
Bem... - Draco não sabia o que responder, então soltou - ele é tão velho?
― É!
É mesmo.
Do lado de fora do quarto Snape sentiu um aperto
estranho na garganta e lhe pareceu que o tempo passou pelos olhos como se o
tivesse desperdiçado totalmente.
― E
não sei porrque as mulherres
não caem babando porr ele, afinal, olhe só o poderr que ele tem nas mãos! - disse ela virando-se para
Draco.
―
Ah, você pensa isso dele é? Está apaixonada por ele? - brincou Draco sorrindo.
Antoine riu e deu um leve beijo nos lábios dele. Draco envolveu-a com os
abraços, deitou-se sobre ela e a beijou.
― Quer
saber o que eu queria agora?
― O
quê? - perguntou Antoine.
―
Que o Snape estivesse aqui pra ver o que é que faço com você, pra ver como é
ter você! - disse suavemente, beijando-a. Um repentino pigarro soou alto porta adentro. Os dois olharam rapidamente para lá.
Snape estava parado com os braços na cintura.
―
Pois aqui estou, senhor Malfoy! - a voz de Snape ecoou
pelos corredores. Draco pulou de cima da cama, ajeitou as calças abertas e
vestiu a camisa. Estava roxo de vergonha. - Espere-me no corredor! - falava
devagar, separando cada sílaba, com voz arrastada e tremida, estava furioso - E
contente-se em perder apenas cinqüenta pontos!
―
Cinqüenta?? - disse Draco manhoso e indignado.
―
Saia! - berrou fulminando com o olhar. Antoine permanecia deitada
de costas olhando para Snape. Ele ergueu uma das sobrancelhas e a observou,
estava seminua. Uma camiseta de botões era só o que tampava seu corpo, e não ao
todo.
―
Não esperava isso de você, senhorita Dimanchè!
― O
que posso fazerr, prrofessorr,
se meus horrmônios estão à florr
da pele?
―
Quero falar com você antes da aula começar na segunda! - e terminando a frase
ele saiu. Mas voltou quando a ouviu chamar seu nome - O que foi? - perguntou
seco.
―
Não querr converrsarr
comigo agorra? - disse ela abrindo a blusa. Snape não
pôde conter que seus olhos percorressem o corpo dela com muita curiosidade.
Seus lábios se comprimiram e sua língua inquietou-se dentro da boca.
―
Espero que tenha se divertido com essa brincadeira! Vou ficar de olho nos dois!
- e saiu batendo os pés. Antoine deitou a cabeça de lado e arrependida soltou
um suspiro, deu um soco no colchão, não contava com aquele repúdio!
O domingo amanheceu chuvoso. O salão principal já
estava servido quando ela sentou-se à mesa de Sonserina. Draco a olhava de
longe, mas não sorriu como ela tinha sorrido. Ela sabia que Snape os observava,
mas pelo menos Draco poderia ter mostrado os dentes. Tomou seu café da manhã
olhando para baixo e foi a última pessoa a deixar o
salão. Harry, Hermione e Rony estavam parados do lado esquerdo do corredor que
levava às masmorras e puderam ouvir Antoine e Draco
conversarem atrás de um dos pilares de mármore.
― Agorra vai serr assim? Nem mesmo
vai olharr na minha carra?
―
Calma, tudo vai voltar ao normal... é que a gente
pegou pesado! - disse ele com a mão no rosto dela.
― A
gente? Foi você quem desejou o Snape lá!!! - Draco estava muito perto de
Antoine e seu corpo apertava o dela contra a parede.
― Desculpe. - e beijou-a - Nos
veremos!
― Ahã. - sibilou ela. Draco se afastou. O corpo de Antoine
escorregou pela parede abaixo e caiu sentado no corredor. Harry, Rony e
Hermione notaram que algo estava errado, pois nunca tinham visto Antoine desanimada e abatida daquela forma. Passaram por ali
como se não a tivessem visto ou ouvido. A uns oito metros de distância, porém,
Harry olhou para trás, Antoine estava olhando para ele, mas já não possuía
aquele olhar amedrontador, tinha os olhos redondos de tristeza.
Na manhã seguinte os alunos seguiam para mais uma aula
nas masmorras.
― A
senhorita deveria estar aqui mais cedo hoje, não se lembrou que queria vê-la? -
rosnou Snape ao ver Antoine entrar na sala.
―
Desculpe - disse ela tentando esconder os olhos vermelhos tanto do professor
quanto dos alunos, estava nervosa e isso a fez derrubar os livros no chão.
Harry levantou-se para ajudá-la o mais rápido que pôde. Os dois se olharam e
foi como se passassem a se conhecer apenas a partir daquele momento. Ela sorriu
e agradeceu, ele ficou vermelho e sentiu uma forte pulsação no baixo ventre,
sabia muito bem o que era aquilo, sentira a primeira vez quando avistara Cho Chang, uma aluna da Corvinal,
montada em uma vassoura, no campo de quadribol há alguns anos; mas não entendeu
porque sentira tal coisa.
―
Potter! Vá para seu lugar? Senhorita Dimanchè, sente-se aqui na frente! - era
Snape acabando com aquele melaço entre os dois alunos.
―
Sim, prrofessorr. - mas ao sentar ela deu uma olhadinha
para Harry e sorriu.
― O
que foi isso? - murmurou Rony - Não acha que ela está afim de você, acha?
―
Ah, cala boca! Ela odeia qualquer um que não seja sonserino! Só precisava de
ajuda e ninguém teve coragem... - resmungou Harry. E preparou-se para a aula,
que foi um pouco mais chata, parecia que Snape estava muito mal-humorado. No
final, Snape pediu a Antoine que esperasse. Precisava conversar com ela.
―
Quero que a senhorita vá de seu quarto às refeições, delas às aulas, e destas
para seu quarto novamente. Não quero que fale e não ouse - disse ele acentuando
essa palavra - fazer nada com Draco Malfoy. Ele acabou de revelar que não é uma
boa companhia! - Ela não respondeu, estava cabisbaixa - Você está aqui para
estudar. Quando sair da escola poderá se preocupar com sua vida amorosa.
Mas ela não queria isso. Queria mais, mas não podia
desobedecer ao professor. Não depois do que ela fizera com ele... do que lhe mostrara. Envergonhava-se muito daquilo agora.
Saiu da sala rapidamente, correndo para a aula seguinte.
Os dias passaram e tudo estava diferente, todos
estavam hesitantes, mas animados porque Antoine não encabeçava mais os
sonserinos ao lado de Draco, estava sozinha. Ela havia
se tornado de pior monitora-chefe que Hogwarts já teve a um cordeirinho... não se importava mais com os que burlassem qualquer regra.
Snape estava decepcionado e Dumbledore notou isso.
―
Notícias de casa? - Antoine levantou a cabeça, tirando os olhos avermelhados do
grosso livro de feitiços.
― Não,
prrofessorr Dumbledorre -
respondeu com voz tremida.
―
Recebe poucas, não é?
Ela não respondeu.
―
Tem alguma coisa que queira me contar, senhorita
Dimanchè?
―
Não - disse engolindo em seco. “Porr que quando falo
com ele tenho a vontade de dizerr a verrdade?”, ela se perguntava.
―
Sabe por que a escolhi para vir a Hogwarts?
―
Não.
―
Seus pais estavam muito assustados com você, com seus poderes e com o passar do
tempo com qualquer que fosse a varinha que você usasse. Ficaram tão aliviados
quando recebeu a carta que deram sua tutela a mim! - ela olhou para Dumbledore
e fez menção de dizer-lhe algo, mas logo voltou os olhos para o chão - Sim, eu
sou seu guardião e lhe peço que tenha mais calma com as pessoas!
― E
eu me esforrcei tanto, passei todos os verrões na biblioteca lendo, relendo... eles
nunca se derram ao luxo... apenas
querriam que eu fosse diferrente
de meu trrisavô e porr isso
decidirram não passarr
ensinamentos adiante, quase cem anos sem magia na família...
―
Eles não souberam educá-la.
―
Idiotas!
―
Você era apenas uma criança.
―
Ainda sou, não sou?
―
Mas agora suas atitudes já podem ser podadas por você mesma! Sabe distinguir o
certo do errado.
― Prrofessorr Dumbledorre... -
disse puxando a manga da capa dele - ...ferri os sentimentos de...
―
Você deve conversar com as pessoas por mais difícil que seja o assunto - foi
apenas o que ele lhe disse. Antoine também não falou mais nada. Dumbledore se
levantou e lhe deu um tapinha carinhoso na cabeça, em
seguida, ela saiu correndo até as masmorras. Tropeçou em Harry e Rony, voltou
para pedir desculpas e entrou na sala de Poções. Os dois rapazes se
entreolharam.
― Prrofessorr Snape, posso entrrarr?
―
Sim - disse seco, sem tirar os olhos do livro a sua frente.
―
Estive... pensando... eu o
desapontei... o senhorr não merrecia... será que... poderria me desculparr?
A princípio, ele a olhou erguendo uma das
sobrancelhas, aquela atitude o deixou orgulhoso. Mas ao pensar melhor voltou a
olhar para o livro que lia e, soltando uma risadinha irônica, falou:
―
Boa tentativa, quase me pegou! - disse com sarcasmo - Mas se pensa que vai
voltar àquela sua vidinha sorrateira está enganadíssima!
―
Não, eu não pensei! Só querria que o senhorr me perrdoasse... - ela
aproximou-se dele e pôs a mão sobre seu braço - ...eu
não tive ninguém a quem me espelharr, prrofessorr, não querro perrderr a única pessoa que me fez bem! O senhorr!
Snape sentiu seu peito inflar satisfeito, era uma
revelação e tanto saber que ela se importava com o que ele pensava.
―
Certo, aceito suas desculpas... - disse sem olhá-la nos olhos - ...no entanto, não irei tratá-la de forma privilegiada
como tenho feito. Tudo o que lhe falei ontem está de pé! - ela sorriu e, pela
segunda vez, quis abraçá-lo, quase conseguindo, contudo, ele a empurrou com as
mãos e apontou a porta. Antoine saiu decepcionada, mas
pelo menos havia esclarecido as coisa.
Entretanto,
Snape mal lhe dirigia a palavra, e deixara claro que Draco também não o
fizesse.
CONTINUA