| A Produ��o Em agosto de 98 eu estava em Edinburgh e assisti a estr�ia mundial de �Crave�, hoje, ��nsia� de Sarah Kane. Eu tinha lido a repercuss�o de seu texto de estr�ia, �Blasted�, e estava muito curioso por ver o que ela nos reservava desta vez. Sai do teatro perplexo e com a certeza de que faria aquela pe�a. Comprei o texto de ��nsia� na sa�da do teatro e as outras duas pe�as de Sarah publicadas at� ali. Quando li e entendi definitivamente tudo o que eu tinha escutado naquela tarde no Traverse Theatre, a paix�o foi t�o fulminante como a paix�o retratada em qualquer outro dos textos de Sarah. Eu tinha acabado de estrear �Shopping & Fucking� de Mark Ravenhill, a quem Sarah dedica o texto de ��nsia�, estava produzindo com minha companhia a estr�ia de �A Audi�ncia�, e fazia leituras de pe�as de Pinter para a montagem seguinte. ��nsia� teria que esperar, mas n�o tinha mais como n�o mont�-la. Comprei os direitos da pe�a e assegurei os direitos de �Blasted�, hoje tamb�m j� adquiridos em parceria com Marco Antonio Rodrigues. Os contatos feitos nas negocia��es da compra dos direitos de �Shopping & Fucking� facilitaram a transa��o de ��nsia� e �Blasted�, todos agenciados pelos gentis funcion�rios da Casarotto em Londres. Ap�s o fim das bem sucedidas temporadas de �Shopping & Fucking�, �A Audi�ncia� e �Trai��o�, eu trouxe ��nsia� para a minha companhia, a 3 de Sangue Cia. De Teatro. Por motivos pessoais e profissionais meus companheiros de outras empreitadas (Edu Guimar�es, Paulo Federal e Paula Lopes) n�o podiam fazer o texto naquele momento. As cartas j� estavam nas mangas e fui atr�s das atrizes que eu tinha certeza que fariam aqueles pap�is. As duas na primeira leitura que fizeram aceitaram de imediato n�o s� atuar, como a produzir junto comigo e com a Paula, que apesar de n�o poder atuar, se apaixonou pelo texto e queria estar no projeto, �no m�nimo�, produzindo. N�dia De Lion e Sol�nia Queiroz entraram no projeto e compraram a id�ia com a mesma paix�o que eu tinha. Com N�dia e Sol�nia sentei para decidir quem chamar�amos para a dire��o. A pequena lista era encabe�ada por Rubens Rusche. Levei o texto para ele que, bastante reticente e desconfiado, disse, �Olha, Laerte, eu tenho recusado muitas ofertas de trabalho, e n�o posso lhe dar muita seguran�a quanto a aceita��o deste projeto. Autores que vieram depois de Beckett e n�o assimilaram o teatro contempor�neo n�o me interessam. Vou ler o texto, porque j� li algo sobre a Sarah, e confesso que me agrada o que li, mas ainda n�o conhe�o um texto dela. Amanh� ou depois eu ligo para voc�.� Na manh� seguinte Rubens me ligava dizendo que tinha certeza que era aquilo que ele queria fazer naquele momento. Come�amos a trabalhar no texto tr�s ou quatro dias depois. Rubens ent�o sugeriu Bruno Costa para o papel de �B�. Ele disse, �Esse menino � corajoso e sens�vel para entender do que se trata.� E, assim como N�dia e Sol�nia, Bruno depois de ler o texto me ligou quase repetindo as palavras das meninas aceitando a empreitada e comprando a briga da produ��o conosco. A nave come�ava a levantar v�o. O cr�dito de Sebasti�o Milar� � nossa proposta, nos cedendo a sala Jardel Filho para a estr�ia, determinou uma data como objetivo e nos abriu uma das principais portas para continuar o trabalho. O apoio da Cultura Inglesa, que assim como alguns colegas de classe, chamam o SESC de Minist�rio da Cultura do Brasil, eu a chamo de �adida cultural� da Gr� Bretanha em S�o Paulo, tamb�m foi fundamental. A inclus�o de duas apresenta��es de ��nsia� em seu 7� Cultura Inglesa Festival em maio deste ano demonstra a preocupa��o em divulgar o novo, o contempor�neo, a multiculturalidade da �ilha�, a arte em sua ess�ncia e como ela influencia a forma��o do jovem e do homem moderno. Divulgar o pensamento de Sarah Kane significa instigar a reflex�o que leva a conclus�o de que se n�o pararmos de olhar para o pr�prio umbigo, o mundo se acaba pela falta de preocupa��o com os problemas ecol�gicos ou as civila��es ser�o dizimadas em guerras sem sentido. Uma entidade que lida com tantos jovens e com essa preocupa��o social � essencial na luta pela conscientiza��o do planeta. A esse time ainda se uniram Paula Lopes, que j� vinha como produtora, e que no fim de janeiro assumiu tamb�m a assist�ncia de dire��o; Sylvia Moreira, cen�grafa de muitos pr�mios, que nos elevou a alma, expressando Sarah em cen�rio e figurinos; Marcelo Gonzalez, um produtor t�cnico com chiqu�rrima experi�ncia at� na Royal Shakespeare Company, que assina uma luz que nos d� a �luz�; Aline Abovsky, atriz de for�a, que dirigiu a arte nos impressos; Leopoldo Pacheco, no palco um ator intenso, no dia a dia um ser humano de uma benevol�ncia digna de paix�o de Sarah Kane, e que nos camarins nos empresta seu talento de maquiador, acrescentando um brilho extra � nossa fl�r da pele; e ainda Leonardo Bezerra, Wellington Gon�alves, Carolina Miranda, C�sar Gr�goli, Mardena Jam, Roseli Mello, Mario Tommaso e Giana Giani de Mello que tamb�m dedicaram seu talento a esse trabalho. Laerte Mello Ator e Produtor |