- Enrico
Caruso nasceu em um bairro operário de Nápoles,
Itália. Ele foi o décimo oitavo bebê do casal,
de vinte e uma tentativas, e o primeiro a passar
a infância vivo, mesmo sob uma epidemia de
cólera. Sua sobrevivência à epidemia foi
atribuída ao leite materno de uma "mulher
forte e bem-nascida" que o nutriu no lugar
de sua fraca e doente mãe.
Ele
nasceu de uma família de cantores. Seu pai,
Marcellino Caruso, um mecânico de uma fábrica
local, e um bebedor pesado, tinha uma voz de
baixo profunda. Sua mãe, Anna Baldini, uma
gentil e adorável mulher cuja saúde decaiu
vertiginosamente com cada uma das gestações
anteriores, foi uma vez conhecida por sua bela
voz de soprano que era "como dos
pássaros". E foi o encorajamento de sua
mãe para que cantasse desde cedo que o tornou o
"Rei dos Tenores", como é conhecido
hoje.
Aos
10 anos, sua voz extraordinária chamou as
atenções do pianista Ernesto Schirardi e
Maestro Raffaele de Lutio, que se ofereceram para
ensinar ao jovem garoto a correta emissão vocal
e treinar escalas musicais. No entanto, seu
interesse temporário em desenhar superou o seu
interesse nas aulas particulares. Experiência
que mais tarde provou ser útil em suas
caricaturas e nas cópias de partituras que
executava - um método usado por ele para
memorização.
Eventualmente,
Enrico parava totalmente de comparecer nas aulas,
despistando seus pais enquanto se encontrava com
seus amigos nas proximidades da via férrea.
Quando seu pai foi informado do paradeiro de seu
filho, ficou enfurecido. Ele exigiu que Enrico
interrompesse sua educação para trabalhar em
tempo integral na fábrica, e somente depois de
todo o dia de trabalho lhe seria permitido
continuar as aulas de canto. Enrico submeteu-se
às ordens de seu pai e ainda continuou a cantar
nas igrejas próximas.
Aos
16 anos, Enrico parou de cantar por um curto
período, em seguida à morte de sua adoentada
mãe. Sua voz estava começando a mudar e era
muito provável que ele não cantasse mais sem o
incentivo de sua mãe. Cinco meses depois, seu
pai casou-se pela segunda vez, com Maria
Castaldi, uma mulher delicada e inteligente com a
qual Enrico rapidamente simpatizou. Através do
amor e provimento dela, ele mais tarde reiniciou
a cantar, usando sua recém adquirida voz de
'barítono-tenor'.
Em
1890, ele inicia a cantar as sempre populares
canções napolitanas, depois de trabalhar nos
cafés das fontes da cidade - uma forma de
entretenimento conhecida como 'café chantant'.
Breve, ele ganhou a atenção de muitas pessoas,
e foi direto estudar com um dos mais respeitados
professores da cidade, Guglielmo Vergine, o qual
relutantemente aceitou-o sem custos em troca de
um contrato permitindo a Vergine receber 25% do
total ganho por Caruso durante "5 anos de
canto". O ingênuo Caruso assinou o
contrato, desavisado que aquela estipulação
referia-se a 1825 dias de performances, e não
somente a um período de 5 anos do calendário.
Esse contrato, mais tarde, foi anulado por uma
corte italiana, mas não sem grandes gastos de
Caruso. Embora esse tardio desentendimento com
Vergine tenha provado ser o fim da relação de
trabalho entre eles, Caruso sempre creditou a ele
uma parte de seu sucesso. "Foi Vergine quem
enfatizou a necessidade de cantar
naturalmente", desencorajando-o de agregar
muito peso à sua voz prematuramente.
Aos
21 anos, Caruso estava pronto para sua estréia
na ópera, no entanto, isso foi interrompido pela
lei italiana que lhe exigia 3 anos de serviços
militares, no 3ºBatalhão de Artilharia de
Rieti. Relutantemente, ele foi, mas continuou a
cantar, vocalizando no seu tempo livre e
entretendo seus colegas soldados. Dentro em breve
ele foi chamado à presença do oficial
comandante, Major Nagliati, o qual declarou que
seus sons eram perturbadores. Tal como resolvido
na conversa, o Major, reconhecidamente um amante
da música, apresentou Caruso ao Barão Costa, um
nobre de Rieti. O Barão, após ouvir a voz de
Caruso, declarou-o sendo extraordinariamente
talentoso. Por ser um perfeito pianista , o
Barão convidou-o à sua casa e o ensinou seu
primeiro papel, "Turridu" em
"Cavalleria Rusticana", em apenas 5
dias. Ficando extremamente impressionado pelos
dons do soldado, sugeriu-se ao Major que Caruso
estava perdendo o seu tempo na milícia. Assim,
Caruso foi liberado em seguida, depois de apenas
2 meses de serviços, sendo chamado seu irmão
para substituí-lo.
Ele,
então, retornou a Nápoles e logo fez sua
estréia com uma ópera relativamente conhecida,
"L' Amico Francesco". No entanto, um
ano mais tarde, ele estréia no Caserta, com o
papel de Turridu.
Em seguida, ele representa em "Fedora",
no Ópera Lírico, Milão. Essa seria a
performance que lançou sua carreira. Caruso
descreveu: "Depois daquela noite, os
contratos caíram em mim como uma pesada
tempestade.".
Caruso
fez seu 'dèbut' no Metropolitan Opera na noite
de abertura da temporada 1903-04. De seus 57
papéis e 832 performances, 37 papéis e 607
atuações foram no Metropolitan Opera.
Em
agosto de 1920, Caruso começou a apresentar os
primeiros sinais do que veio a ser a sua longa
batalha contra a doença. Ele queixou-se em uma
carta a seu secretário, Bruno Zirato, de
"dor generalizada". Essas dores foram
mantidas em segredo do público até a atuação
de 08 de dezembro, quando Caruso falhou durante
seu famoso papel de "Canio", no "I
Pagliacci", depois de sua voz 'quebrar'
dramaticamente no A superior ao final de
"Vesti la giubba". Assim que ele
alcançou a borda da cortina, ele
incompreensivelmente caiu desacordado nos braços
de Zirato e foi carregado ao seu camarim. Três
dias depois, no Brooklin, ele começou a sangrar
pela boca durante o dueto romântico em "L
'Elisir d'Amore". Ele cantou apenas mais 4
vezes, incluindo sua última apresentação,
"La Juive", na noite de Natal de 1920.
Caruso foi escalado para a apresentação de
estréia de "Andrea Chinier", do
Metropolitan Opera, mas, devido à sua moléstia
- atribuída por sua paixão aos cigarros e
similares -, foi substituído pelo recentemente
popular Beniamino Gigli.
No
dia de Natal que se seguiu à apresentação de
"La Juive", Caruso passava a tarde
junto de sua esposa e sua filhinha de 1 ano,
Gloria, quando começou a gritar violentamente. A
dor estava começando a envolver seu corpo.
Depois de 6 cirurgias, por 7 médicos, e uma
condenável transfusão de sangue, sua saúde
declinou rapidamente. Possivelmente antevendo a
proximidade da morte, ele pagou a seus empregados
do Metropolitan e retornou a Nápoles, para
reunir-se com a família e amigos.
Em
30 de julho de 1921, um delírio assolou o
enfermo Caruso e sua temperatura aumentou
dramaticamente. No dia seguinte, ele foi levado
por trem à Roma, onde um grande cirurgião
aguardava a sua chegada para uma cirurgia de
emergência. Antes da chegada, ele tinha uma
notória piora. As próximas 48 horas foram de
dores aflitantes, em que ele sussurraria
continuamente: "Calor... dor... calor...
dor... ". O sofrimento de Caruso finalmente
terminou na manhã de 2 de agosto de 1921, logo
após as 9 horas.
Gulio
Gatti-Cassazza, administrador do La Scala Opera,
escreveu isso sobre Caruso, imediatamente depois
de saber de sua morte: " Nós podemos ter,
agora e depois, tenores que possuam algumas de
suas qualidades, i.e., que tenham bela voz, que
possam ser bons cantores ou artistas, etc., mas
eu penso que será quase impossível ter a
ventura de se encontrar novamente outra pessoa
que possua por si mesma todos os dons artísticos
e morais que diferenciavam nosso pobre e ilustre
amigo, Enrico Caruso. ".
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