* Capítulo 21 – Simplesmente vá *

Ao contrário do que todos esperavam, a festa de formatura não tinha sido um grande sucesso. Depois da surpreendente revelação de Taylor na frente de toda a turma, muitos deles acabaram indo embora, bem antes da festa realmente acabar.

Thelma estava sentada no sofá da sala e tinha acabado de desligar o telefone quando sua mãe vai ao seu encontro.

_No telefone já de manhã cedo? – Diana senta no sofá ao lado da filha.

_Estava falando com o Simas... – diz Thelma, desanimada.

_Taylor está dormindo ainda? – indaga Diana.

_Sim... e eu estou aqui me contendo para não ir lá dar uns chacoalhões nele!!

_Vai com calma, Thelma! – fala Diana, que já tinha ouvido toda a história por Thelma na noite anterior – Depois do banho gelado que demos nele ontem a noite, ele vai acordar melhor e você pergunta tudo a ele.

_O que eu não entendo... é de onde veio toda essa história de beijo... não entendo como a Lauren foi capaz de fazer isso com o Zac... Sabe, eu nunca imaginei isso dela!

_Ela deve ter os seus motivos... – a própria Diana não acreditava muito no que dizia.

_Mas não tem como justificar isso, mãe! Ela traiu o Zac! – diz Thelma, inconformada.

Diana solta um suspiro, sem saber o que falar.

_E o Taylor?! – Thelma continua – Não lembro de nenhum episódio em que ele estivesse bêbado!!

_O Tay nunca foi disso... – Diana concorda – Sempre foi mais comportado e mais maduro que o Zac...

_Pois é! Mas de uma hora pra outra ele me aparece com uma namorada-surpresa, enche a cara e revela um segredo bombástico! Ele realmente deve estar com a cabeça muito confusa!

_O Zac já acordou? – indaga Diana.

_Não vi ele ainda... – Thelma responde, ainda imersa em muitos pensamentos que a deixava cada vez mais irritada.

_Vou fazer um cafezinho e levar lá pra ele, aí já vejo como ele está... – Diana levanta-se e vai até a cozinha, também pensativa e preocupada com Zac.

_Ele deve estar arrasado... – Thelma choraminga. Queria fazer algo pelo irmão, não suportava a idéia de saber que ele estava sofrendo. Mas não havia nada que ela pudesse fazer.

Resolve então ir até o quarto do irmão. Ao menos um abraço de conforto ela poderia oferecer à ele. Sobe as escadas cabisbaixa e ao chegar, bate na porta. Não obteve resposta.

_Zac? – ela chama timidamente.

Novamente só houve silêncio.

Então Thelma decide abrir a porta. Olha para todo o quarto do irmão e não o vê, somente encontra a cama desarrumada e a roupa do baile jogada no chão. Ela se assusta e corre para a cozinha.

_MÃE!! O Zac não está em casa!!!

_Quê? – Diana se preocupa, derramando um pouco de água fervente fora do bule.

_Ele não está no quarto!!

_Ai meu santinho, onde esse menino se meteu...

Thelma corre para o telefone e, nervosamente, disca o número do celular do irmão. Espera chamar algumas vezes, mas ninguém o atende. Quando a ligação cai na caixa postal, ela disca novamente. Outra vez, somente chama, até que a ligação cai.

_Ai meu santinho... – Thelma desliga o telefone, deixando cair uma lágrima. Ela sentia-se angustiada pela situação que o irmão passava, sentia seu coração apertado. Queria fazer alguma coisa que pudesse o ajudar. Ela sabia que Zac estava sofrendo e precisando de consolo.

_Ô amorzinho... – Diana chega na sala e a vê chorando – Não fica assim!

_Eu não consigo suportar a idéia de vê-lo sofrer! – ela soluça, chorando – E agora, mãe?? Ele não atende ao telefone...

_Thelma, o Zac é forte, vai superar! Eu sei o que é passar por isso... E ele é novo, tem muita coisa pela frente ainda! E além do mais, a última coisa que o Zac precisa é que sintamos PENA dele. Esse sentimento é provavelmente o pior de todos... Ele deve estar andando por aí, arejando a cabeça... ele precisa disso, vai ser bom pra ele! Agora enxuga essas lágrimas porque quando o Zac chegar, nós precisamos dar força à ele! – assim dizendo, Diana volta para a cozinha.

Thelma reflete sobre as palavras da mãe.

_Você está certa... – ela diz baixinho e, enxugando as lágrimas, ela levanta-se.

_Filha, vem pegar um cafezinho!

Thelma chega na cozinha e pega a xícara preparada pela mãe. Antes de tomar o primeiro gole de café, avista Taylor na porta. Ele tinha uma expressão de dor e confusão.

_O que aconteceu ontem? – ele pergunta, com as mãos na cabeça e com voz de sono.

_Eu é que te pergunto!! – diz Thelma, com um tom autoritário.

Diana repreende-a com o olhar.

_Como assim? – fala Taylor, ainda confuso, enquanto sentava-se na cadeira – Eu... eu não lembro... como eu vim parar em casa? Cara, a minha cabeça está explodindo...

_Ao menos do PORRE você deve lembrar, né?! – diz Thelma, ainda com uma ponta de cinismo na voz.

Taylor a olha, parecendo não saber do que a irmã falava.

_O que deu em você pra beber daquele jeito?? – indaga Thelma, olhando-o com um olhar duro e penetrante.

_Eu... não sei! Nunca fui de beber muito!

_Pois é, é por isso eu estou pasma com você!!!

_Quem me trouxe? – indaga Taylor, em seguida solta um gemido e coloca novamente as mãos na cabeça.

_EU!

_Mas você não tem carteira, Thelma!

_Ah, jura que eu ia lembrar desse detalhe com você naquele estado!

_Toma, filho... – Diana oferece à Taylor uma xícara de café forte, que ele aceita.

_Ainda bem que eu estava bêbado... – diz Taylor – Porque se eu morresse eu nem ia perceber... – ele solta um sorrisinho e bebe um gole de café.

_Ah, cala a boca!! – Thelma se irrita – Eu só quero que você me explique uma coisa: que história é essa de beijo?

_Quê? – Taylor encara a irmã, sério. Diana somente os ouvia.

_BEIJO! Você e a Lauren!

Taylor se assusta, sem saber o que falar.

_C... como assim... – ele gagueja – Do quê você está falando?

_Taylor, não se faz de bobo! Desembucha! – Thelma se exalta.

_Thelma, abaixa a bola! – diz Taylor, completamente atordoado com o que ouvia, e agora também preocupado. Estava percebendo que o que tinha ocorrido na noite anterior não tinha sido um simples porre – Me explica, porque eu não estou entendendo nada...

_Ok Taylor, eu vou refrescar a sua memória! Você falou na frente de todo mundo, no meio do nosso baile, que ficou com a Lauren!!!

Taylor sente uma horrível sensação de embrulho no estômago.

_E... o Zac sabe disso? – ele pergunta, com medo da resposta.

_VOCÊ FALOU PRO ZAC!!

Taylor põe as mãos na cabeça, dessa vez não por causa da dor, mas pelo desespero que estava sentindo.

_Na frente de todos? – ele pergunta, ainda cabisbaixo.

_Sim! Eu não quero fazer você se sentir mais culpado, Taylor, mas você humilhou o Zac na frente de todo mundo na festa de formatura dele!

_E... a Lauren? – ele pergunta, com a voz fraca, olhando para Thelma, envergonhado.

_Ela não disse nada! Porque afinal de contas era tudo verdade, né?!

Taylor olha para o chão.

_Por que vocês fizeram isso com ele? – indaga Thelma, tentando manter-se mais calma.

_Thelma, não foi minha intensão!!

_Ah, mais uma vez não foi sua intensão! – diz Thelma, cínica.

_Ok... Foi culpa minha! Eu quis ficar com ela, EU beijei ela..

_E ela não conseguiu te cortar, coitadinha!!

_Não seja cínica.

_Ah Taylor, me poupe!

_Naquele dia ela estava SIM tentando me cortar! Mais uma vez ela estava me dizendo que realmente queria ficar com o Zac, mas...

_Mas aí vocês resolveram se beijar!!!

_Você não entende...

_Não entendo mesmo! E até acho que agora o Zac teria razão em não olhar mais na sua cara!

Taylor não a responde. Thelma anda pela cozinha, bufando.

_Eu acho que vocês estão com a cabeça muito quente... – Diana se manifesta timidamente – Vamos conversar melhor, com mais calma, outra hora...

_Você está certa, mãe... – diz Taylor, levantando-se.

Ele segue cabisbaixo para o seu quarto, sentindo-se terrivelmente envergonhado com o que acontecera.

Por volta do meio dia, Zac, por fim, chega em casa. Quando entra, não encontra ninguém, e sente-se agradecido por isso. Vai andando até o seu quarto e ao passar pelo corredor, Thelma o avista.

_Zac! – ela corre até o irmão.

_Quê? – ele pára na porta de seu quarto e encara a irmã.

Thelma percebe que Zac estava com profundas olheiras e uma expressão de sono ou – ela não tinha bem certeza – de choro.

_Você não dormiu em casa? – ela pergunta.

_Fiquei em casa... mas não dormi. – Zac responde, olhando para o chão.

_E... onde você esteve? – Thelma insiste.

_Estava andando um pouco por aí...

Thelma queria chorar. Mas não podia ali, não na frente dele. Ela precisava ao menos parecer forte, mas não estava sendo fácil, vendo seu irmão com uma inegável expressão de tristeza. Ela queria conversar, mas não sabia como iniciar o assunto.

_Er... eu vou tomar um banho... – diz Zac.

_Zac... fiquei preocupada com você! Como você está?

_Thelma, outra hora a gente conversa, ok?

Ela se cala, cabisbaixa.

_Ok... – por fim, responde, sussurrando.

Zac a beija na testa rapidamente e vai pegar uma roupa em seu armário. Thelma vira-se e sai andando rapidamente, antes que Zac pudesse ver suas lágrimas.

• •*• •*• •

Lauren passara toda a manhã em seu quarto, sem comer, sem dormir e sem falar com ninguém. Algumas vezes sua mãe batera na porta, ora oferecendo algum alimento, ora oferecendo-se para conversar. Mas Lauren não queria nada. Ela só queria sumir daquela cidade de uma vez por todas. Sentia-se envergonhada, suja, arrependida... sentia-se horrível. Ninguém acreditaria nela. Mas o que a machucava mais era saber que Zac nunca mais olharia para ela. Lauren não sabia até quando conseguiria suportar aquela situação.

Depois de muito tempo deitada, ela resolve levantar. Pega seu celular e percebe que haviam quatro chamadas não atendidas. Seu coração dá um pulo e, rapidamente, ela olha os remetentes. Uma ligação era de Thelma, e as outras três... eram de Taylor. Imediatamente, uma fúria envolve sua mente.

_”O que esse idiota quer comigo agora??” – ela pensa, com raiva.

No mesmo instante, seu celular vibra, assustando-a. Ela abre a nova mensagem de texto e lê:

“Eu sei que você deve estar me odiando agora.

Mas acho que te devo um pedido de desculpas.

Taylor”

Sua raiva por Taylor aumenta ainda mais após terminar de ler a mensagem. Mas ela sabia que era tão culpada quanto ele.

O relógio marcava 12:00 quando a campainha toca na casa de dona Albertha.

_Ike meu filho, deve ser para você! – diz ela, sorrindo ansiosa por conhecer sua futura nora.

Isaac vai até a porta. Estava muito ansioso. Nunca tinha levado uma namorada em sua casa antes, e aquilo parecia tornar o relacionamento deles mais sério.

_Oi! – diz ele, ao abrir a porta.

_Bom dia, Ike! – diz Wanessa, sorrindo radiante.

Ike permanece algum tempo olhando-a, sorrindo também. Em seguida, pega na mão dela, convidando-a para entrar.

_Mãe... Pai... essa é a Wanessa. Wan, esses sãos meus pais. – ele aponta para o casal que estava sentado no sofá.

_Oi... bom dia... – Wan cumprimenta-os, educada – Prazer em conhecê-los.

_O prazer é meu, querida! – diz dona Albertha, levantando-se – Fique à vontade, preciso ir ver a carne! – ela sai apressada em direção à cozinha.

_Bom... vou ver se Albertha precisa de ajuda... – o pai de Ike sai timidamente, deixando-os sozinhos.

_Sua irmã? – indaga Wan, sentando-se no sofá com Ike.

_Está no quarto... – ele responde – Sabe... sobre ontem...

_Hum... coitadinha...

Wan percebe que Ike parecia um pouco nervoso.

_Que foi? – ela pergunta, percebendo que ele parecia um pouco tímido.

_É estranho... – diz ele, sorrindo nervoso – Não tem nada a ver com você! – ele se apressa em dizer – Mas é que é uma situação esquisita pra mim...

_Entendo... é normal, Ike! - ela diz, carinhosa.

Dona Albertha volta para a sala e senta-se perto do casal.

_Então... – ela inicia uma conversa – Vocês se conheceram na faculdade, não é?

_Você já sabe da história, mãe!! – diz Ike, impaciente, fazendo Wan rir.

_Isaac, será que eu poderia conversar com a minha futura nora em paz?? Você vai ter muito tempo para ficar junto com ela! – dona Albertha sorri – E então, querida?

_Sim, nós estudamos juntos há quase um ano, mas só agora que deu certo... – ela responde sorrindo, olhando para Ike com os olhos brilhando. Este a retribui com outro sorriso.

Dona Albertha envolveu a garota com mais algumas perguntas até a hora do almoço. Depois que almoçaram, Isaac e Wan acabam ficando sozinhos na sala.

_Tô feliz por você estar aqui! – diz Ike, abraçando-a.

_Ow amorzinho! Também estou muito feliz por você ter entrado na minha vida. Você lutou por mim e eu vou ser grata à você para sempre!

Ele sorri, acariciando-a como se ela fosse uma menininha de apenas cinco anos.

_Nossa... sua irmã deve estar mal mesmo, hein?! – Wan comenta.

_É... ela nem quis almoçar... Foi tudo tão estranho ontem! Sabe, essa história dela com o Taylor...

_Será que é verdade mesmo? Porque a verdade é que o Taylor estava BEM bêbado!

_Se não fosse verdade, a Lauren teria negado tudo ontem e não estaria trancada no quarto hoje!

_É... – Wan concorda, olhando pensativa para a TV – Será que eu faria muito mal em tentar conversar um pouco com ela?

_Ah, erm... claro que não! Quer dizer, não sei... – Ike não tinha bem certeza de que Lauren iria gostar da idéia.

_É que conversar faz bem, Ike! De repente ela esteja precisando de alguém para desabafar...

Ike pensa por um instante.

_Acho que você está certa! Vem, eu te levo até lá.

Ike segura a mão de Wan e eles vão até o quarto de Lauren.

_Lau? – Ike chama.

_Quê... ? – Lauren responde com a voz fraca.

_Erm... a Wan está aqui, ela queria te dar oi...

Ike e Wan se entreolham, esperando pela resposta. Segundos depois, a porta se abre e aparece uma Lauren descabelada, de pijamas e olheiras profundas. Ike ficou tentado em fazer uma piadinha, mas desistiu após lembrar-se do motivo pelo qual sua irmã encontrava-se naquele estado.

_Oi Wan. – Lauren tenta sorrir.

_Oi Lauren! Eu queria te ver antes de ir embora!

Lauren gosta da atitude de Wanessa. Aliás, sua admiração por ela aumentava a cada dia.

_Eu vou ali no meu quarto pegar uns CD`s e já volto – Ike sai, deixando as duas sozinhas de propósito.

_Senta aqui, Wan! – Lauren afasta de sua cama um pouco de sua bagunça, abrindo espaço para a outra sentar. Lauren fecha a porta do quarto e senta-se também.

_Na verdade... – Wan inicia – Eu queria mesmo era saber como você está.

Lauren desvia seu olhar para o canto de seu quarto.

_Você estava lá ontem? – indaga Lauren.

_Sim... – Wan responde, tímida.

_Então eu acho que nem preciso explicar nada né...

_É...

_Sabe, Wan... Acontece tudo errado comigo! As coisas simplesmente fogem do meu controle! Acho que não existe uma pessoa mais azarada do que eu nesse mundo...

Wan solta um sorrisinho.

_Não pensa assim, Lauren! Se as coisas aconteceram assim, é porque tinha que ser assim... entende? É porque algo de bom você vai tirar de tudo isso.

_Mas eu não consigo ver nada de bom nisso tudo! Eu precisei perder o Zac pra perceber que é com ele que eu quero ficar... de verdade!

_Talvez essa seja a parte boa! – diz Wan, sorrindo como se tivesse tido uma grande idéia.

_Quê?? – Lauren ri incrédula.

_Lau, olha só. Quem sabe depois de tudo isso vocês vão acabar dando mais valor um ao outro... Quem sabe se não tivesse acontecido tudo isso, vocês não perceberiam o quanto o outro é importante! De repente tudo isso é só uma sementinha... que vai crescer e virar uma linda flor daqui algum tempo!

Lauren não soube o que responder. Não havia pensado por aquele ponto de vista. A única coisa que estivera fazendo era se lamentar e sentir pena de si mesma.

_Quem sabe você tenha razão! – Lauren sorri.

Wan se alegra ao perceber que Lauren parecia estar um pouco melhor. Ela queria saber da história mas também não queria forçar Lauren a falar nada de que não quisesse. No entanto, a própria Lauren começa a contar...

_Eu não queria que tivesse acontecido tudo daquele jeito. Antes mesmo de tudo isso vir à tona, eu tinha tentado contar pro Zac! Mas ele não quis me ouvir... sempre me dizia que tinha a hora certa para tudo, e que a hora certa de conversarmos a respeito ainda não tinha chegado... – ela faz uma pausa – Quando eu fiquei com o Taylor, eu e o Zac estávamos enrolados... a gente já tinha brigado por causa do Taylor antes... Eu sei que nada vai justificar o que eu fiz... Mas naquele dia eu estava justamente dizendo para o Taylor que eu realmente não queria mais nada com ele! Mas aí acabou rolando... Sei lá, nem sei mais o que pensar...

_Acho que entendo... muitas vezes a gente perde o controle das coisas e acabamos fazendo coisas sem pensar. Mas eu vou te dizer uma coisa, Lau: você é um ser humano. Nenhum ser humano é perfeito! E, sejamos sinceras, sabemos que você cometeu um erro. Mas não se martirize por isso! Se você fez errado, o Zac também fez. Ele também não é perfeito. Ele pode estar sofrendo, mas você também está!

Lauren a olha, surpresa. Sentia-se confortada com aquelas palavras.

_Sabe, Lau... tem muitas coisas sobre mim que você não sabe, e eu espero um dia poder contar tudo à você. Mas também errei muito! Eu já fiz coisas horríveis nessa vida... Mas tudo passa... você vai ver!

_Poxa... obrigado!

_Imagina... – Wan sorri.

_Fico feliz por poder contar com você. Até porque a Thelma é uma que eu acho que não vai mais olhar na minha cara... e com razão!

_Nós não podemos tirar a razão das pessoas. Tanto ela quanto o Zac têm os motivos para pensar ou agir de determinada maneira, e você não tem como interferir nisso. Mas tenta ficar calma! O tempo resolve! Se não foi pra ser agora, é porque vai ser mais tarde, talvez com outra pessoa.

_Você tem razão. Desculpa por não ter ido almoçar com vocês!

_Você não tem do que se desculpar, Lau.

_Oiiiiii! – Ike entra no quarto, sorrindo ao ver as duas conversando numa boa – Será que eu posso fazer um convite para as minhas duas princesas?? – ele senta na cama no meio das duas.

_Ãhm? Você chamar a Wan de princesa, tudo bem, mas eu???

_Eu estou tentando ser gentil, otária! – Ike fala em tom de brincadeira e eles riem.

_Ok, fala, príncipe. – diz Lauren, em tom de cinismo.

_Eu queria convidar as duas para ir no shopping tomar um sorvete!

_Eu topo! – Wan se prontifica.

_Lau? – Ike pergunta.

_Ah... estou muito chata hoje!

_Ah, vamos com a gente, Lauren! – fala Wan – Você precisa arejar a cabeça. Aqui nesse quarto você só vai piorar as coisas!

_A Wan está certa! – Ike concorda, tentando convencer a irmã.

_Hum... ok! – Lauren levanta de sua cama – Vou tomar um banho e me arrumar rapidinho.

_Não demora! – diz Ike.

_VAZA! – Lauren responde, rindo.

Ao anoitecer, Zac resolve sair um pouco do quarto e ir até a cozinha comer alguma coisa. Ao passar pelo corredor, vira seu rosto para a direção oposta ao quarto de Taylor, com receio de vê-lo. A última coisa que ele queria naquele momento era encarar o irmão.

_Oi Zacolino! – Thelma exclama, contente por ver o irmão fora do quarto.

_Do que você me chamou?? – Zac ri.

_De Zacolino! Por que, não gostou?

_Acho que prefiro Zac!

_Tá bom... chato. Ei, adivinha o que eu fiz??

_Hum... brigadeiro??

_Aham!

Zac vai até a cozinha, pega a panela de brigadeiro e volta para a sala.

_E aí? – indaga Thelma, enquanto Zac sentava no sofá.

_Tá bom! – ele responde, enfiando uma colherada na boca.

_Eu não estou falando do brigadeiro! – diz Thelma, rindo.

_Ah, não? – ele ri também.

_Estou falando de você.

_Hum...

Ambos ficam em silêncio. Thelma esperava que ele falasse algo.

_Será que eu preciso te dizer alguma coisa? – fala Zac.

_Ah, sei lá... – Thelma olha para a TV, sem saber direito o que dizer – Conversar faz bem...

_Apesar de saber que vai ser difícil, agora acabou de verdade. – diz ele, agora brincando com a colher dentro da panela.

_Mas... você nem vai dar uma chance para ela se explicar?

_Explicar o quê, Thelma? Pior do que ela ter ficado com outro enquanto estávamos juntos, foi ela ter ficado com... o meu irmão.

Thelma percebe um tom de mágoa na voz de Zac.

_Eu fui traído! Eles me enganaram, me fizeram de otário! Pensar neles juntos me deixa... enjoado.

_Então não pensa!

_É difícil não pensar... Às vezes sinto pena de mim mesmo... – ele fala com a voz fraca, olhando para o chão.

_ZACHARY, presta atenção: ELES erraram! Não fique aí se sentindo vítima, você tem que erguer a cabeça!

_Você sabe que é difícil. – ele ainda olhava para o chão.

_Mas você tem que ser forte!

_Mas eu gosto dela pra caramba...

_Zac, olha pra mim!

Zac ergue a cabeça e encara a irmã.

_A Lauren não é a única mulher que existe no mund...

_Mas é a única que eu gosto! – Zac a interrompe – Agora imagina como é saber que a pessoa que você mais gosta esteve com outro, e o PIOR: saber disso na frente de todos os teus amigos!! Sabe, eu me senti... humilhado... sei lá, nem sei como eu me senti...

Thelma não encontra mais palavras para dizer ao irmão. Mas sabia que somente o desabafo dele já o ajudaria.

_Vai passar... – de repente Zac fala, soltando um longo suspiro em seguida.

_Vai sim! Você vai ver!

Zac a olha e sorri, tristonho. Não tinha muita certeza de que ia passar. Nunca imaginou que sentiria algo por alguém daquela maneira.

_Você... já conversou com ela? – indaga Zac.

_Não... ainda não.

_Thelma, não deixe com que isso estrague a amizade de vocês.

_Não é bem assim, Zac! Eu não gostei do que ela fez!

_Tudo bem Thelma, mas vocês sempre foram muito amigas e eu não quero que isso acabe por minha causa.

_Não sei se vou conseguir continuar sendo amiga dela.

_Você vai me prometer agora que vai continuar sendo amiga dela!

_Não viaja!!!

_Promete! O problema é meu, a amizade entre vocês duas não vai mudar por causa disso.

_Mas não é bem assim, Zac!!

_PROMETE.

_Ai Zac, deixa de ser otário!! Não vou prometer uma coisa que eu não sei se vou conseguir cumprir.

_Você vai conversar com ela e vão continuar sendo amigas.

_Você acha que manda em mim? – ela ri.

_Eu estou falando sério.

Thelma o olha, incrédula.

_Promete – ele insiste.

_Que porra!! Ok, eu prometo...

_Ótimo! – ele ri.

_Você é um porre mesmo!

_Então você também é... – ele ri safado.

_Cala a boca!

Zac segura a mão da irmã e a beija.

_O que seria de mim sem você, hein?! – diz ele.

_Nada, é óbvio!

Eles riem.

_Com exceção dessa sua MODÉSTIA, eu te amo!

_Também te amo, Zacolino – ela ri – Ok, ok, ZAC! – ela emenda rapidamente, ao ver a cara emburrada de Zac ao ouvir o apelido.

• •*• •*• •

TRIM!

_Alô? – Thelma atende o telefone em sua casa.

_Oi Thelma!

_Oi Ka! – Thelma reconhece a voz da amiga, que por sinal, não via há algum tempo – Como você está?

_Mais ou menos... queria conversar com você...

_É sobre o Taylor, não é?

_Desde o dia da formatura que a gente não se falou mais... e olha que já faz quase uma semana!

_Ele não ligou mais pra você?

_Não! – Karina responde indignada – Sabe... As vezes eu acho que ele só quis me usar para esquecer a Lauren... ou para fazer ciúmes à ela!

_Olha, Ka... para te falar a verdade, já estive pensando nessas hipóteses. Mas ainda não conversei com o Taylor sobre isso! Ainda estou bege com esse namoro repentino de vocês... Por que você não nos contou? – indaga Thelma.

_Eu não contei porque eu não queria me meter no meio de todo esse rolo dele com a Lauren e o Zac. Até cheguei a pensar que a Lauren pudesse ficar chateada comigo.

_Nada a ver, Ka! A Lauren nunca foi dona do Taylor!

_De qualquer forma... fui eu que quis segredo, Thelma. E além do mais, a gente ficou mas eu achava que nem ia dar em nada! Mas aí acabou rolando...

_Por que você não vem aqui conversar com ele? – Thelma sugere.

_Eu não, você está louca, Thelma??

_Por que?

_Eu não vou ficar correndo atrás dele!

_É... você está certa.

_Se ele quiser, ele que venha me procurar.

_Hum... vou fazer ele querer então! – diz Thelma, sorrindo com cara de safada.

_Pra te falar a verdade, não sei mais se quero continuar ficando com ele!

_Ah, deixa de charminho, Ka! Olha, eu fiquei completamente atordoada quando te vi toda lindona ao lado dele!

Karina solta uma risadinha.

_É sério! – Thelma continua – Adorei ver a Brittany morrendo de inveja!

_Pois é, mas o feitiço acabou e eu voltei a ser uma abóbora!

_Cala a boca! Você tem é que saber realçar todos os seus atrativos!

_Atrativos? Onde?? – diz Karina, rindo de si mesma.

_Karina, deixa de ser tosca. Não fique se desmerecendo. O Taylor quis VOCÊ, ele poderia ter escolhido qualquer outra, até mesmo a Brit, mas não, ele quis VOCÊ ao lado dele.

_Ainda acho que era só pra atingir a Lauren.

_Ai, desisto! Você é muito cabeça dura, Ka.

_Eu só acredito ouvindo DELE, e ainda assim, vou correr o risco de estar sendo enganada.

_Se você pensa assim, então ok!

_Thelma... você tem falado com a Lauren?

_O Zac me fez prometer que eu continuaria sendo amiga dela como antes... mas ainda não consegui! Parece que o que ela fez atingiu à mim também...

_Ai, você e essas suas teorias mirabolantes de que você e o Zac são ligados um ao outro por algum poder sobrenatural... – Karina debocha.

_Não é poder sobrenatural! E eu acredito SIM que sou muito ligada ao Zac!

_Ok, ok... mas você vai falar com ela ou não vai?

_Vou sim. Estava até mesmo pensando em ligar para ela hoje.

_Então ok. Vai com calma. E qualquer novidade sobre oTaylor, por favor me avise.

_Ok.

Elas desligam o telefone.

Lauren estava em seu quarto arrumando sua escrivaninha e ainda pensando muito no que acontecera. Sentia-se muito envergonhada. Ainda não havia falado nem com Thelma nem com Zac, ao menos respondera a mensagem de Taylor. Ela não sabia se conseguiria olhá-los novamente, mas sabia que um dia teria que resolver a situação.

TOC! TOC! TOC!

_Lauren, telefone para você – Ike aponta o aparelho sem fio para a irmã.

_Obrigado – ela pega – Alô?

_Oi Lauren.

_Oi... Thelma? – Lauren surpreende-se ao reconhecer a voz da amiga.

_Tudo bem?

_Sim! – Lauren responde, alegre por Thelma ter ligado – E você?

_Também... erm... eu queria conversar com você, Lau. Quer vir aqui em casa?

Lauren pensa por alguns segundos.

_Será que não é melhor você vir aqui? – Lauren sugere.

_Lau, não se preocupe, o Taylor e o Zac estão trabalhando agora.

_Então tá. Logo logo chego aí.

Lauren desliga o telefone pensativa. Não se sentia preparada para encarar Thelma e conversar sobre tudo aquilo. Larga o telefone e trata de se arrumar logo.

Alguns minutos se passaram e ela passava pela sala apressada. Vai andando rápido, sentindo-se extremamente ansiosa. No caminho, ia ensaiando algumas frases que talvez pudessem ajudá-la a se defender. Ao chegar, respira fundo e aperta a campainha.

_Oi, Lauren – Thelma abre a porta e a recepciona, tentando sorrir.

_Olá.

Elas entram e sentam-se no sofá da sala. Ambas pareciam um tanto desconsertadas.

_E então... – Thelma inicia a conversa – Como você está?

_Bem... na medida do possível.

_Até agora eu não entendi o que aconteceu, Lauren.

Antes que Lauren pudesse começar a falar, elas ouvem um barulho na porta. O coração de Lauren acelera enquanto ela olhava fixamente na direção do barulho. Quando, finalmente, a porta se abre, Zac aparece e elas levantam-se imediatamente.

_Zac? – diz Thelma, surpresa – O que você está fazendo em casa?

_Eu... esqueci minha carteira... – ele responde, olhando seriamente para Lauren.

_Erm... eu já volto – Thelma fala de repente, nervosa e atrapalhada, indo em disparada para a cozinha.

Lauren e Zac ficam sozinhos na sala. Ambos em pé, constrangidos, se encarando. E sem dizer nada, Zac sai. Lauren pensa em chamá-lo, mas decide-se pelo contrário e senta-se no sofá.

_Ô seu ganso!!! – sussurra Thelma, entre dentes, assim que o irmão entra na cozinha.

_Você fez isso de propósito?! – Zac sussurra, indignado.

_É óbvio que não!! Eu chamei ela no horário que você geralmente não está em casa, como é que eu ia adivinhar que você voltaria para casa justamente hoje??? – ela diz, irritada.

_Você poderia ter me avisado que ia convidar ela!!

_Eu acho que eu não preciso te dar satisfação de todos os meus passos!!! – ela retruca, alterando-se mais.

Zac suspira.

_Vai lá falar com ela – Thelma ordena.

_Você está louca??

_Você não me obrigou a continuar sendo amiga dela? Então agora eu te obrigo a ir lá naquela sala. AGORA.

_Eu não quero falar com ela, eu não tenho nada para ouvir dela!! – Zac responde, irritado.

_Aproveita que ela está aqui e VAI LOGO! – Thelma o empurra enquanto ele bufava.

Zac entra na sala novamente, e quando Lauren percebe, levanta-se do sofá novamente. Mais uma vez, os dois ficam em pé, um de frente para o outro, ambos constrangidos com a situação.

_Você não precisa falar comigo se não quiser. – diz Lauren, de repente.

_Talvez a gente deva... terminar melhor as coisas... – Zac responde com a voz fraca, sem conseguir olha-la.

_Se essa é a sua vontade, então eu vou te falar uma coisa, Zac. Você até pode me julgar por eu ter cometido um erro, mas não pode me julgar por eu não ter te contado, pois eu TENTEI te contar!!

_E você acha que isso vai te redimir? – ele indaga, com a voz ainda fraca, mas calma.

_Não, eu não acho que isso vá me redimir! – ela responde, ainda rispidamente, mas não sabendo mais o que dizer para se defender.

Os dois encaram-se fixamente.

_Você tem noção do quanto está me fazendo sofrer, Lauren? – indaga Zac, sem conseguir conter o impulso. Ele a olhava profundamente, como se quisesse demonstrar através do olhar toda a dor que havia dentro de si.

Lauren percebe que os olhos de Zac estavam marejados. Aquilo a atinge como uma arma, e imediatamente, seus olhos também se enchem de lágrimas.

“Por todo o amor que fizemos

Apenas uma coisa continua a mesma

A lâmpada se empoeirou

O cano se enferrujou

Mas eu não quero lavar minhas mãos..."

_Zac... – ela diz, tentando segurar as teimosas lágrimas que queriam cair de seus olhos – Eu sei que nada que eu te fale agora vai justificar o que eu fiz – Seu esforço em segurar as lágrimas não adiantou e seu rosto já estava encharcado – Eu sei que não tem como explicar... E você pode até não acreditar, mas... eu estou arrependida! Aconteceu tudo errado, foi um impulso, uma coisa feita sem pensar, sem medir conseqüências... Zac, a cada vez que eu corro o risco de te perder, eu percebo o quanto você é importante para mim e é você que eu quero ao meu lado... – As palavras fluíam de sua boca, mas partiam diretamente do fundo de seu coração.

Zac apenas ouvia, sem vergonha de mostrar seu rosto, que também já estava coberto por lágrimas.

“Bom, você diz que também me ama

Então por que você não continua

Com os beijos noturnos, com os acertos e os erros

Bom, se você consegue sozinha..."

_Você sempre soube que eu estava confusa... – diz Lauren, baixinho.

_Você mentiu pra mim – Zac retruca, com a voz ainda mais fraca, embargada pelas lágrimas.

_Eu OMITI!

_Ah, grande diferença!

_Ok, Zac, escuta – Lauren respira fundo e tenta se recompor – Você não precisa me aceitar de volta. Eu sei que eu errei, fiz uma coisa horrível com a última pessoa nesse mundo que mereceria isso. Mas... eu só queria que você não sentisse... raiva... de mim... – ela diz essa última parte em meio à soluços.

_Lauren, você nunca vai entender o que eu estou sentindo! – diz Zac, em meio à muitas lágrimas que escorriam por seu rosto, várias de uma vez só. Num impulso, ele vai à frente de Lauren e, nervosamente, aperta firme os braços dela, enquanto falava – Eu não consigo parar de imaginar você com ele! – ele a segura mais forte, olhando-a com os olhos arregalados e marejados.

Lauren olha para o chão, chorando mais intensamente ao sentir as mãos dele firmes em seu braço e a intensidade do sentimento que ele demonstrava ao falar.

_Eu fui traído! – ele continua, extremamente alterado – Fui humilhado! Como é que eu vou confiar outra vez em você?? Me diz!!!

Lauren não sabia o que responder. Ela sabia que o Zac tinha razão.

“Então vá se você quiser ir

Mas fique se você quiser saber o caminho

Através da bagunça que fizemos

Então deite na cama que você conhece ou vá..."

_Me perdoa... – ela sussurra, soluçando.

_Não dá, Lauren – ele a solta e vira-se de costas para ela, tentando manter-se mais calmo.

Ela ainda mantinha sua cabeça abaixada. Olhava para o chão e via cada lágrima que pingava no carpete.

_Eu sei que você tentou me contar – diz Zac, agora com a voz mais firme, virando-se novamente para Lauren – Eu sei que você sempre esteve confusa entre mim e o Taylor... eu sei de todas as suas razões! Mas não dá mais... É muito difícil para mim, aceitar você depois do que aconteceu... Nós podemos ser amigos, de qualquer forma vamos estar sempre juntos, nos encontrando por aí... Mas o nosso namoro nunca vai dar certo!

Era o fim. Lauren não queria aceitar, ela queria que aquilo fosse somente um pesadelo. Como aquele que tivera há alguns meses. Mas dessa vez não era somente um pesadelo. Era a realidade. Não havia nada que ela pudesse fazer, e dessa vez, ela não iria acordar. Ela estragara tudo e o Zac já tinha tomado sua decisão.

“Eu ouvi sua van se movendo

Mas eu não fiz nada

Você não pode viver com elas

Você não pode viver sem elas

Eu nunca pensei que iria querer te deixar..."

_Tudo bem, Zac – ela diz, enxugando o rosto e respirando fundo – Você tem razão, eu entendo você perfeitamente. – pausa – Amigos?

_Acho que sim... bom, vou indo então. Preciso voltar ao trabalho.

_Ok.

_Até qualquer hora, Lauren.

_Até.

Zac sai, andando cabisbaixo.

“Vá se você quiser ir

Mas fique se você quiser saber o caminho

Através da bagunça que fizemos

Então deite na cama que você conhece ou vá."

Assim que Zac sai, Thelma, que estivera todo o tempo na cozinha, corre para a sala e abraça Lauren, que já chorava novamente.

_Desculpa amiga, mas eu não pude deixar de ouvir! – fala Thelma, comovida e com algumas lágrimas também escorrendo.

_Tudo bem... – diz Lauren, soluçando.

_Vai, respira fundo e fica calma! – Thelma tenta acalmar a amiga.

_Vou tentar...

_Eu não vou te julgar, Lauren. Depois que eu ouvi tudo, percebi que somos tão fracos... Qualquer pessoa é capaz de errar. E você reconheceu o seu erro. Ninguém tem o direito de criticar o outro e é por isso que eu estou ao seu lado, Lauren, e quero que você saiba que vou ser sua amiga para sempre!

Lauren não entendera muito bem porque Thelma estava falando todas aquelas palavras, mas estava agradecida.

_Obrigado pelo carinho, Thelma.

Na verdade Thelma sentia-se um pouco culpada por ter criticado a amiga. Estava mais tranqüila por ter desabafado com a amiga.

• •*• •*• •

Alguns dias se passaram. Junto com o verão, as férias também tinham chegado. Isaac e Wanessa estavam cada vez mais envolvidos em seu relacionamento. Thelma continuava com Simas, na mesma situação de sempre. Nick e George continuavam fazendo muita bagunça, principalmente porque a época mais badalada do ano havia chegado. Lauren andava muito deprimida pelo fim de seu namoro, apesar de estar tentando superar e de estar recebendo muita força dos amigos próximos e dos familiares. Depois de Thelma, Wanessa tornara-se sua melhor amiga e estava ajudando-lhe muito. Zac, por sua vez, parecia animado como sempre fora, mas os mais íntimos percebiam sua tristeza. Por fim, Taylor estava indo ao encontro de Karina para contá-la uma novidade:

_Oi... – diz Karina ao vê-lo, sorrindo nervosa.

_Oi! – Taylor a beija no rosto e senta no banquinho da praça, ao lado dela.

_Como você está? Fazia tempo que não nos víamos... – ela fala propositalmente.

_Pois é... bom, eu marquei esse encontro com você porque preciso te contar uma coisa.

_Me contar o quê? – Karina percebe que Taylor estava apreensivo.

_Eu... olha, eu não quero que você pense que é por sua causa, Ka...

_Nossa, Taylor, o que houve? Você está me deixando nervosa...

_Eu tomei uma decisão.

Karina o olha, surpresa, esperando que ele continuasse.

_Eu já venho pensando sobre isso há um bom tempo e...

Taylor hesita, mas por fim, resolve falar de uma vez:

_Eu vou morar com o meu pai.

Karina o encara, surpresa.

_Em Londres – ele finaliza.

_Nossa, eu... – Karina olha para a frente, totalmente desconsertada. Tinha sido pega de surpresa.

_Eu não quero que você fique pensando besteiras...

_Taylor, eu sei que você tem as suas razões para querer ir embora, uma delas pode até ser que você tenha se arrependido de assumir para todos que estava comigo! – ela fala rispidamente.

_Não, por favor! – Taylor segura a mão dela – Eu te pedi para não ficar imaginando coisas! Eu quero SIM ir para lá! Mas porque eu preciso fugir um pouco de todo esse rolo, preciso por minhas idéias no lugar... Quero deixar muito claro para o Zac que eu não tenho a intenção de atrapalhar o lance dele com a Lauren.

_Você não precisa ir para outro país para conseguir provar isso, muito pelo contrário. – diz Karina, ainda ríspida. Estava sentindo raiva de Taylor e suas suspeitas de que ele somente a usara, estava se comprovando, pelo menos ao seu ponto de vista.

_Isso não vem ao caso, eu já tomei a minha decisão.

_Ok! – ela responde, cínica.

_Olha, eu queria te dizer que eu adorei todo esse tempo que passamos juntos! Adorei ter estado com você, você conseguiu me ajudar a esquecer um pouco dos meus problemas...

_Legal, só que agora você não precisa mais de mim.

Taylor encara-a, percebendo que Karina não iria acreditar nele tão facilmente.

_É, acho que vai ser difícil a gente entrar em um acordo. Mas eu só quero que você saiba que eu sempre fui sincero! E tudo o que eu te falei aqui é verdade.

_Ok Taylor. – ela levanta-se, fazendo o possível para demonstrar que as palavras dele não a convenciam – Boa viagem.

_Obrigado... – ele levanta-se também, olhando-a firmemente.

Os dois olham-se por mais alguns instantes, e sem mais palavras, Karina vira-se e vai embora.

Taylor acompanha-a com os olhos, até onde sua vista não a alcançava mais. Ele estava prestes a viajar para longe, sem data prevista para voltar. Precisava de um novo rumo para sua vida... precisava de uma nova razão para viver. Ele vai andando cabisbaixo em direção a sua casa, no entanto, resolve parar e olhar a sua volta. Ele não sabia quando veria aquele lugar novamente. Estava deixando tudo para trás, para apostar em uma nova vida. Reparou em todos os detalhes, nos bancos, nas cores, em cada criança que corria pela praça, nas árvores que balançavam com o soprar do vento... tudo aquilo ficaria guardado em sua memória, assim como cada pessoa e como cada momento... coisas que sempre farão parte de sua história.

• •*• •*• •

Isaac entra na sala de sua casa com um envelope na mão. Já sabendo de quem seria, ele abre rapidamente, sorrindo ansioso.

“Espero que os meus queridos sobrinhos lembrem-se de seus tios e queiram passar mais uma vez suas férias em Londres.

Abraços carinhosos,

Tia Alice e Tio Johnny."

_LAUREEEEEENNN!! – grita Ike, sentando-se no sofá, empolgado.

_Você está em trabalho de parto ou é impressão minha? – ela chega na sala, surpresa com o tom de voz e a empolgação do irmão.

_Lê – Ike entrega à ela o cartão postal.

Lauren o pega e lê, enquanto sentava no sofá ao lado do irmão.

_Até que não seria má idéia! – diz ela, olhando para Ike com os olhos brilhando.

_Você acha? Seria uma ótima idéia!!! Não vejo a hora de ir, vai dar até pra curtir umas baladas com o Taylor! – Ike se empolga.

_Quê... Taylor... ???

_Ele vai para a casa do pai dele, esqueceu?

_Eu nem sabia disso! Aliás, não quero saber nada sobre ele. E pensando bem, acho que vou preferir passar minhas férias por aqui mesmo.

_Você está louca?? Londres não é como Pineville, onde o seu vizinho mais próximo mora no outro limite da cidade...

_Okeeey, então você provavelmente tenha se esquecido do episódio em que eu CONHECI O TAYLOR.

_Aquilo foi uma coincidência!

_Óbvio! É por isso mesmo que eu não vou pra lá, sabendo que ele também vai estar, e que ainda por cima, vai se encontrar com você!

_Ok, você que sabe!

_E como é que você está pensando em ir para lá curtir as baladas se você tem namorada?!

_Eu vou levar ela junto!

_Ow! Pelo menos você vai dar uma alegria pro tio Johnny, ele jura que você é gay! – Lauren cai na risada.

_Há há há – Ike solta uma risadinha sarcástica – O teu senso de humor é ótimo, mas hoje eu não estou com saco para agüentar ele – Ike joga uma almofada no rosto de Lauren e sai.

Lauren abraça a almofada em seu colo e relê o cartão. Via-se tentada a passar suas férias em Londres mais uma vez. Mas... o que o Zac pensaria, sabendo que Taylor também estaria viajando para lá?

_Filhinha... – fala dona Albertha, após ter ouvido o desabafo de Lauren – Você tem que fazer o que o seu coração manda! Você deve alguma satisfação pro Zac?

_Agora não mais...

_Então... aproveite as suas férias! Esquece o Taylor e esquece o Zac! Depois que as férias acabarem, você pensa nisso novamente. Aliás, sua tia Alice já me disse que está ansiosa para receber vocês na casa dela.

Lauren sempre soube que “mãe sempre tem razão”. Provavelmente, dona Albertha não cometeria um erro justamente dessa vez. Ela não poderia se privar de suas vontades por se preocupar com o que Zac ou qualquer outra pessoa iria pensar. Era a SUA vida. Com o término das férias, ela ingressaria na faculdade, e muitas coisas boas estariam por vir... novas amizades, novos ensinamentos, mais responsabilidade, amadurecimento... Ela merecia curtir sua última oportunidade de ainda ser apenas... uma adolescente.

 

FIM DA PRIMEIRA TEMPORADA

 

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