A Turma Unida


Terceiro ano, treze anos e muita curiosidade. Numa noite de lua cheia, uma das integrantes da turma das garotas formada por Hariel Dumbledore, Lílian Evans e Arabella Figg decide perseguir um dos garotos da turma inimiga, composta por Tiago Potter, Pedro Pettigrew, Remo Lupin e Sirius Black, e descobrir o quê tanto eles fazem em noites como aquela fora da Torre da Grifinória.


O salão comunal estava totalmente envolvido na escuridão. Silenciosamente, a garotinha de treze anos e muita inteligência desceu a escadaria do dormitório feminino coberta por uma capa negra que a irmã mais velha emprestara. Olhando pela grande e larga janela, pôde notar que a lua estava parcialmente encoberta, mas como adorava Astronomia, sabia muito bem que estavam em plena lua cheia.

         Havia um garoto alto igualmente envolvido por uma capa escura atravessando a passagem que dava para fora da Torre da Grifinória. Arabella procurou acelerar o passo a fim de não perdê-lo de vista, mas alguém a cutucou, fazendo a garota assustar-se. Ao tornar-se para trás, reconheceu quem a perturbara.

         - Que é que você vai fazer? – indagou a amiga ruiva, seus olhos verde esmeralda correndo pelo rosto pálido de Arabella num tom de curiosidade.

         - Lílian! – sussurrou a garota mal humorada. – Volte para a cama! Eu só vou checar uma lista que a minha irmã pediu...

         - Aonde? – desconfiou Lílian.

         - Na...na...na Torre da Corvinal. – mentiu, olhando para a direção do quadro da Velha Gorda.

         Lílian cruzou os braços na altura do tórax e lançou um olhar ameaçador, levantando uma das sobrancelhas.

         - Você está mentindo. – afirmou com veemência.

         Arabella bufou baixinho num modo impaciente e pediu que Lílian a seguisse. No caminho tentou explicar o seu plano. E a amiga adorou.

***

- Vamos, vamos! – ordenou Sirius nervosamente.

         Pedro acompanhava-o, segurando Remo, que balançava e balbuciava frases sem sentido. Estavam no meio do jardim, perto do Salgueiro Lutador e com um certo calor já que a noite estava particularmente quente. Era junho.

         - Que ele está fazendo?! Encontrou a Wilson no corredor? – resmungava Sirius aborrecido.

         - Ele ainda gosta dela? – indagou Pedro, ajeitando Remo mais uma vez.

         - Não sei, Tiago tem um gosto estranho. Por que gostar de uma sonserina?! As grifinórias são bem mais bonitas. – respondeu Sirius de qualquer jeito, levantando a cabeça para visualizar as portas do castelo.

         De longe e no meio da escuridão, Sirius apertou seus olhos e pôde focalizar uma figura humana correndo na direção deles.

         - Ali está ele! – gritou para Pedro, que já encaminhava Remo para perto do Salgueiro.

         Pouco depois, apareceu Tiago ofegante e retirando um cachecol que colocara para fingir que estava doente. Sirius deu um tapa em suas costas e caminhou para mais perto de Pedro. Tiago, desajeitado, conseguiu estender o braço e parar com a agitação das raízes do Salgueiro Lutador. Puxando outra raiz, essa bem mais escondida, abriu uma pequena passagem por baixo da árvore.

         - Empurre-o! – berrou Tiago seguro, para Pedro e Sirius.

         Porém, Sirius não estava tão atento e não ouviu Tiago. No instante seguinte, Remo já estava transformado e fora de controle. Quando Pedro tentou desvencilhar-se do lobisomem, empurrando-o para a abertura do Salgueiro, o animal arranhou sua perna fortemente, rasgando a calça da Grifinória. Pedro soltou um grito ainda contido enquanto Sirius empurrava o lobisomem ferozmente para a passagem. Rapidamente, Tiago soltou a raiz da árvore e correu para socorrer Pedro.

         O garoto estava caído no chão, arrastando-se dolorosamente pela relva. Sirius abaixou-se ao encontro do amigo e Tiago logo se aproximou também.

         - O que nós faremos agora? – perguntou Sirius num tom nervoso.

         - Não podemos levá-lo para a Ala Hospitalar. A Madame Pomfrey vai desconfiar. – respondeu Tiago tentando formar algum plano na cabeça.

         Pedro soltou mais um grito quando Tiago encostou seu braço na perna ferida do amigo sem querer. Sirius deu um soco de leve na cabeça de Tiago aflito e disse:

         - Vamos levá-lo pelo menos até a Torre. Lá decidimos o quê fazer...

         - Eu ajudo, Black. – ouviram uma voz feminina as suas costas.

         Tanto Tiago quanto Sirius tornaram-se para trás. Na correria e a preocupação com Pedro, os garotos nem perceberam que Arabella e Lílian vinham em sua direção e tinham visto todo o incidente. Agora, as garotas que eles tanto odiavam estavam igualmente aflitas e ofegantes.

         - Eu vou tentar curá-lo, mas só posso fazer isso na Torre. – repetiu Arabella num tom quase materno.

         Sem pensar duas vezes, Sirius e Tiago levantaram Pedro do chão cautelosamente e o carregaram até a Torre da Grifinória de maneira taciturna. Já na sala comunal, os garotos ainda o levaram até seu dormitório na Torre e colocaram-no em sua cama.

         Pedro friccionou os olhos quando Arabella teve de tirar a calça do garoto. Ela, por sua vez, estava corando furiosamente. Mas, mesmo envergonhada, Arabella conseguiu melhorar o estado da perna ferida de Pedro. Enquanto ajudava o enfermo, Lílian, Tiago e Sirius conversavam sobre o quê as garotas haviam visto.

         - Então, ele é um lobisomem... – murmurou Lílian para os garotos.

         - Desde bem pequeno. Só que apenas o Dumbledore aceitou ele numa escola. E plantou o Salgueiro quando viemos para cá. Especialmente para os dias de lua cheia. – explicou Sirius.

         - E onde vai dar aquela passagem? – perguntou a garota curiosa.

         - Na Casa dos Gritos, em Hogsmeade. – respondeu Tiago suspirando ao ver a expressão de dor no rosto de Pedro.

         Na verdade, eles eram alunos do terceiro ano e haviam feito a primeira visita a Hogsmeade há poucos meses. Lílian sentou pesadamente numa das camas – era a de Remo – e observou Arabella aplicar um feitiço de descanso em Pedro.

         - Não é por nada não, mas... – começou Sirius tendo a mesma visão que Lílian. – A Figg é boa mesmo, não é Tiago?

         Tiago concordou com a cabeça. Ambos trocaram um olhar no momento seguinte. Durante quase três anos haviam odiado essa mesma garota e também a que estavam conversando há pouco.

         - A Arabella é muito inteligente. – elogiou a Lílian já num tom cansado.

         Tiago deu um passo para frente, emparelhando-se com Lílian.

         - Sabe, Evans, acho que devíamos acabar com essa briga boba entre nós. – disse repentinamente, fazendo Lílian e Sirius arregalarem seus olhos.

         - O quê?! E qual o motivo, Potter? – indagou Arabella, que ouvira tudo e agora se aproximava dos outros. – Só porque nós ajudamos o Pettigrew?

         Sirius pigarreou e encarou Arabella.

         - Remo nos contou que você sabia do segredo dele, Figg. Isso é verdade? – perguntou seriamente.

         - Sim, eu sabia. Mas nem por isso saí ou sairemos contando para toda a escola que ele é um lobisomem – respondeu secamente. – Não devo nada a nenhum de vocês...

         - Mas nós devemos a vocês, Figg – retomou Tiago, antes que começasse um bate-boca entre Sirius e Arabella. – Vocês nos ajudaram hoje.

         - Mesmo sendo bisbilhoteiras. – completou Sirius, fazendo Lílian dar um tapa de leve em seu braço esquerdo.

         Em vez de o garoto ralhar com Lílian, sorriu quase feliz e voltou-se para Arabella.

         - Está certo. Eu concordo que acabemos com a nossa briga. – disse Sirius, dando um sorriso.

         Tiago, Arabella, Lílian e Sirius deram as mãos, simbolizando o fim das brigas. E o início de uma bela amizade.

         - AH! Mas só não me peçam para estender esse plano a Dumbledore. – disse Sirius num tom de ordem.

         Lílian e Arabella encararam Sirius insistentemente. O garoto sequer piscou os olhos azuis e continuou teimosamente fitando as garotas. Tiago riu e decidiu para todos que seria melhor dormirem. Porém, como todos estavam sem sono, resolveram descer até o salão comunal. O único problema é que havia alguém a mais acordada naquela noite.

         Ao chegarem no andar inferior da Torre da Grifinória, os quatro alunos encontraram uma loirinha da idade deles com o cabelo todo desgrenhado e uma camisola azul escura. Era Hariel. Virando-se para a escadaria do dormitório masculino, Hariel distinguiu Lílian e Arabella.

         - Onde vocês estavam? – perguntou manhosa. – Achei estranho vocês estarem acordadas.

         As garotas trocaram um sorrisinho culpado e sentaram num dos sofás, assim como Tiago e Sirius.

         - E o que vocês estão fazendo com eles? – perguntou, indicando com o dedo os garotos que tanto odiava.

         - Bem, algo aconteceu. – disse Lílian calmamente, sem olhar para Hariel.

         A filha do diretor encarou os quatro quase adolescentes e sacudiu a cabeça, no sentido de esperar a explicação. Tiago suspirou cansado e disse:

         - Nós quatro conversamos e decidimos que a nossa briga que já dura três anos deve acabar.

         Os olhos azuis de Hariel se destacaram no rosto bonito da garota de treze anos.

         - Isso é algum tipo de piada, Potter?

         - Na verdade não, Hariel – cortou Arabella. – Já está mesmo na hora de sermos espertos. Isso tudo foi só coisa de criança...

         - Bom, podem ter certeza que as crianças não éramos nós! – resmungou a loura ríspida.

         - Eu disse que a Dumbledore não estava incluída! – gritou Sirius no meio do salão nervosamente.

         - Cale a boca, Black! – respondeu Hariel grossamente. – Imagino que a idéia não havia sido sua mesmo!

         - Você não sabe de nada, Dumbledore!

         Tiago puxou o braço de Sirius para baixo, fazendo o amigo sentar bruscamente no sofá. A lareira crepitou furiosamente. Hariel levantou do assento e tornou-se para as garotas.

         - Isso é ridículo! Eu não vou ficar amiguinha disso! – Hariel provocou Sirius, apontando o dedo para o garoto e fazendo uma careta.

         - Eu digo o mesmo! – retrucou Sirius, olhando para Tiago.

         Arabella, Lílian e Tiago trocaram um olhar impaciente e a primeira levantou-se do sofá nervosamente e disse, postando-se ao meio do âmbito:

         - Eu realmente não quero saber e nem estou interessada em agüentar as crises de vocês dois. Portanto, está decidido que não há mais disputas entre nós sete, entenderam?!

         Hariel e Sirius abriram a boca para responder para Arabella, mas Tiago já estava completando a idéia da moreninha.

         - Eu concordo com a Bella!

         - Bella? – estranhou Arabella, interrompendo Tiago, franzindo as sobrancelhas.

         - É...é, tanto faz – enrolou Tiago, corando levemente. – Se vocês quiserem continuar se matando cada vez que cruzam, problema de vocês! Nós vamos ficar amigos sim!

         - E ponto final! – finalizou banalmente Lílian, subindo a escadaria para o dormitório feminino, acompanhada de Arabella.

         Tiago fez o mesmo, subindo para o quarto do terceiro ano masculino.

         Hariel bufou impacientemente. Sirius chutou o ar num jeito bem rebelde e moleque. Ao final de suas expressões, entreolharam-se. Por alguns segundos, nada falaram. Apenas se mediram. O ódio era grande, assim como a vontade de acabar com tudo aquilo. Porém, o orgulho era o seu maior defeito – ou qualidade. De ambos.

         - Que é que você está olhando?! – exclamaram os dois num modo irrequieto e raivoso.

         Após isso, deram as costas e subiram para seus dormitórios. Não sabiam que a partir daquela noite, uma enorme amizade construiu-se entre todos eles. Uma amizade que atravessaria os campos escolares, amorosos e até mesmo espirituais.

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