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N/A: Esta songfic foi inspirada num dos capítulos da Fan Fic Harry Potter e a Herdeira de Hogwarts (cap. 22 – A mágica meia-noite). A música em questão é do The Calling, chamada Stigmatized.
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Sinopse:
Não
são apenas os alunos acostumados com as constantes discussões entre Harry
Potter, o menino que sobreviveu, e Ametista Dumbledore, a neta do diretor de
Hogwarts. Os professores já esgotaram igualmente sua cota de paciência. Após
mais uma briga, McGonagall manda-os para o diretor, e de lá, saem arrependidos.
Mas não totalmente. Na Torre da Grifinória, eles têm de se encararem
novamente e é no meio da noite de lua cheia que se encontram para mais uma
conversa. Será que esta será a última ou gerará outras centenas delas?
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CAPÍTULO ESPECIAL - STIGMATIZED
Estrelas ainda piscavam enlouquecidas, disputando espaços de destaque na
imensa escuridão daquela noite quando um grito ecoou por todos os cantos na
Torre da Grifinória. Muitos despertaram pela segunda vez na mesma madrugada,
curiosos. Um deles fora Harry Potter.
Abrindo os olhos com certa facilidade, encontrou-se enrolado em um tecido
macio e escuro. O dossel envolvia sua cama, impedindo a pouca claridade de fora
incomodá-lo. Um perfume gostoso acompanhava cada suspiro de sua respiração.
No mesmo segundo, esquecera-se totalmente daquilo que o fizera acordar, e
concentrou-se unicamente naquela essência tão hipnotizadora. Sândalo. E
apenas uma pessoa carregava aquele aroma por onde passava. Pegou-se adormecido
novamente, relembrando os incríveis momentos daquela meia-noite mágica.
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Caminhava lentamente de volta a
à Torre. Cada simples palavra que escutara há poucos instantes ainda ecoavam
em seus ouvidos de forma persistente. E por qual motivo? Logicamente, Ametista
Dumbledore. Ametista Dumbledore, pensou novamente. Aprendera a odiar
sequer pronunciar este nome. Não era novidade nenhuma que fosse algum dia
desses parar na sala do diretor exatamente por causa dela. Porém,
aprendera igualmente a avaliar sua parte de culpa em cada discussão nova com
ela. A última fora ela que começara, mas também ele provocara. Quadribol.
Brigas por motivos mais bestas como esse não poderiam se repetir. E foi este
ponto abrangido pelo sábio Alvo Dumbledore naquela noite.
Dizendo a senha para a Velha Gorda, adentrou e encontrou a sala comunal
deserta. Onze horas e a Grifinória adormecida. A lua cheia iluminava o âmbito
de forma estonteante naquela noite. Talvez, se a conversa com o diretor não
tivesse sido tão exaustiva psicologicamente para Harry, ele ficasse ali,
quieto, refletindo sobre cada frase do homem.
Foi quando Ametista surgiu na sua cabeça. A garota havia saído da sala
do avô, sem ao menos dar um sinal da onde poderia estar localizada naquele
momento. Harry não deu muita importância e ameaçou a subir os degraus para o
dormitório masculino. Ao dar três passos, ouviu um soluço baixinho, contido.
“Ametista”, pensou rapidamente.
Harry deu meia-volta e acomodou-se no sofá, esperando o instante certo
para surpreendê-la. Num movimento veloz, tocou algo instintivamente e retirou a
capa que cobria a garota. Ametista tinha os olhos inchados e o nariz saliente de
coloração avermelhada.
- Enlouqueceu?! – ralhou Ametista, limpando rapidamente os olhos.
Harry não deixou de rir ao vê-la tão pateticamente.
- Se você quiser brincar de esconde-esconde... – brincou divertido.
- Cale a boca, Potter! – respondeu Ametista.
Continuando a rir, observou Ametista suspirar e pegar a sua capa de
Invisibilidade de suas mãos.
- Vá dormir Potter! Não quero brigar com você de novo, se não seremos
expulsos de Hogwarts. – disse a garota, em sério tom.
- Mas eu estou sem sono. – respondeu em tom maroto.
- E o que eu tenho a ver com
isso?
- Eu vou ficar aqui com você. – afirmou Harry pacientemente.
Os grandes olhos azuis de Ametista arregalaram-se junto com a aceleração
de seus batimentos, irritada.
- Não mesmo! – aumentou um pouco o tom de voz, mas logo percebeu,
tornando a abaixá-lo. – Nem pensar!
- Ah! Vamos lá! Podemos conversar...
- Eu não tenho nada para conversar com você...
- Mas eu tenho!
- E eu não me importo!
Não havia um momento sequer que pudessem conversar sem acabar em discussão.
Harry notou que aquele diálogo poderia acabar mal e disse:
- Escute. Se tivermos de aprender
a conviver em paz, vamos nos esforçar – Ametista fez uma careta. – Eu sei
que é chato, ainda mais se tratando de nós dois, mas que tal tentarmos pelo
menos? – Ametista prosseguiu encarando Harry. – Hoje? – arriscou o garoto.
- Está bem, Potter. – respondeu Ametista depois de um bom tempo.
Ametista permitiu que Harry dividisse com ela o enorme parapeito da
janela. Começaram uma conversa amistosa, comentando até sobre a grande relação
de amizade que existia entre seus pais, já que Hariel – mãe de Ametista –
fora madrinha de casamento, junto de Sirius, dos pais de Harry.
Entretanto, estavam ali Harry Potter e Ametista Dumbledore. No mínimo,
logo algo estaria provocando uma daquelas discussões que já haviam rendido inúmeras
detenções para ambos. E, naquela noite, não haveria de ser diferente. O
assunto era uma possível relação entre os padrinhos de Harry, Sirius Black e
Arabella Figg.
– Talvez o Black e a professora Figg fossem casados? – supôs
Ametista.
Harry estava motivado e arregalou seus olhos.
- Será? Eu acho difícil! Se não eles estariam juntos agora...
- É. Também houve aquela vez em que nós vimos o professor Lupin e a
professora Arabella num dos corredores, no Natal. Lembra? Ela parecia bem
envergonhada.
- Mas até aí, têm tantas coisas que podem deixar uma mulher
envergonhada... – respondeu Harry com ar de conquistador.
Ametista imediatamente fez uma careta debochada e desconfiada.
- Não há coisas que me fazem ficar envergonhada! E, além do mais, como
você pode saber? Você também é bem sem atitude, não é mesmo?
Harry corou rapidamente.
- O que você quer dizer com isso?
- Eu já notei como você realmente não leva jeito com garotas. –
completou a garota, provocativa.
- Co...como você já notou?
– gaguejou incrivelmente envergonhado e com a face vermelha.
- O baile, por exemplo.
- O que aconteceu no baile? – perguntou ansioso.
Ametista riu da cara de Harry. Ele parecia extremamente encabulado.
- Gina – a garota parou e depois retomou. – Todos nós vimos, quero
dizer, Hermione e Rony estavam um pouco mais ocupados, mas de qualquer forma,
vimos que você fica extremamente tímido quando se trata de meninas.
Harry ficara, além de envergonhado, paralisado. De fato, existia um
certo bloqueio – chamado timidez –
senão já teria agido muito mais cedo com Gina. A garota o agradava, era
bonita e meiga. O quê mais poderia ele querer?
- Você deveria saber lidar com isso, já que é famoso...
- Não comece com isso de novo! – pediu Harry.
- Começar com o quê? – fingiu Ametista propositalmente.
- Com essa de sucesso! – irritou-se o garoto.
- Eu não tenho culpa pelo fato de você ser famoso, ter uma lista enorme
de admiradoras, que por acaso não têm a mínima idéia da enrascada que estão
se metendo...
Harry sentiu o sangue ferver novamente. Dessa vez, ela estava provocando!
- Francamente! – disse
Ametista no tom parecido com o de Hermione. – Eu não sei o quê elas vêem
nesta cicatriz sem graça no meio da sua testa!
- O QUÊ?! – gritou Harry nervoso.
- E tem também a pose de coitadinho órfão que sofre com a perseguição
Daquele Lá! – dizia a garota referindo-se a Voldemort.
- VOCÊ NÃO SABE O QUE É TER VOLDEMORT CORRENDO ATRÁS DE VOCÊ,
QUERENDO A SUA CABEÇA A QUALQUER PREÇO! – vociferou Harry para cima de
Ametista.
- OH! QUE GRANDE COISA! FICO MORRENDO DE DÓ QUANDO VOCÊ FALA ISSO! –
debochou Ametista, deixando Harry mais irritado que nunca.
- VOCÊ DEVERIA PELO MENOS ME AGRADECER POR ELE ESTAR DESAPARECIDO POR
ENQUANTO, ASSIM ELE SÓ TEVE CHANCE DE MATAR SEUS PAIS E NÃO VOCÊ! – berrou
Harry num impulso.
- NÃO FALE DOS MEUS PAIS! VOCÊ NÃO SABE NADA SOBRE ELES! – retrucou
Ametista.
- AH! E VOCÊ SABE, POR ACASO?! NÃO! E SABE POR QUE NÃO? PORQUÊ ELES
DEVERIAM SER OS PIORES TIPOS DE PESSOA DO MUNDO PARA DAR À LUZ A UMA CRIANÇA
COMO VOCÊ!
- E VOCÊ ACHA QUE OS SEUS SÃO ESPECIAIS SÓ PORQUE DERAM ORIGEM AO
SALVADOR DO MUNDO?! POIS ESSES PAIS PERFEITOS ANDAVAM COM A MINHA MÃE!
ESQUECEU-SE?!
- ENTÃO O PROBLEMA ESTAVA MESMO COM O PAI! AH! QUE PENA! VOCÊ NEM SABE
QUEM ELE É, NÃO É?!
No calor da discussão, Harry e Ametista esqueceram-se da conversa feita
há pouco com Dumbledore e, também, da possibilidade de seus gritos terem sido
ouvidos por alguém. Pois foi exatamente isto que acontecera. O quadro da Velha
Gorda irrompeu nervosamente. Em seguida, ambos entreolharam-se desesperados e,
num impulso, cobriram-se com a capa de Invisibilidade de Ametista, apertando-se
contra a parede do parapeito, em pé.
Minerva McGonagall entrou trazendo consigo uma expressão furiosa. Checou
com os olhos velozmente o salão comunal. Parou a busca pelos alunos
escandalosos quando Hermione apareceu em seu roupão rosa na escada do dormitório
feminino.
- O que está acontecendo aqui, Srta. Granger?!
- Eu não sei, professora. Acordei com os gritos.
- Já são cinco para a meia-noite e ainda têm alunos histéricos
rondando a Grifinória! Isto é um absurdo! – e parou de repente. – A Srta.
Dumbledore está no quarto, Srta. Granger?
Ametista e Harry espremiam-se encobertos pela capa da garota. Naquele
instante, passaram a ficar trêmulos de pavor. A sua conclusão de estudos em
Hogwarts dependia exclusivamente de Hermione no mesmo segundo. Ambos estavam
ofegantes e relutantes.
- Está sim, professora. – respondeu segura.
- Melhor que esteja. – completou a mestra.
Hermione sentia que Ametista estava enfiada em algum daqueles cantos.
Mas, não denunciaria sua amiga, mesmo que tivesse de enfrentar os olhares de
McGonagall.
- Por que a senhora diz isso?
- Eu já esperava que fossem a Srta. Dumbledore e o Sr. Potter. Mas, bem
que eu imaginei. Depois da conversa com o diretor hoje, parece que tomaram jeito
– Harry e Ametista sentiram-se incrivelmente culpados e encarando-se,
abaixaram suas cabeças, arrependidos de entrarem naquela discussão. – Alvo
tinha falado que iria ter uma boa conversa com eles após tantas reclamações.
Hermione arriscou um sorriso cansado.
- Espero que estes... alunos
tenham consciência e parem com os berros. E fique de olho, Srta. Granger. A
senhorita está aqui para isso – e a professora sorriu. – Boa noite,
Hermione.
- Boa noite professora.
A professora saiu, o quadro da Velha Gorda logo atrás. Hermione
rapidamente pegou-se encarando alguma coisa sobre o parapeito da janela do salão
comunal.
- Meia-noite e aqui estou eu limpando a sua barra Ametista! Eu sei que
você está por aí com essa capa e, provavelmente o Harry também. Façam silêncio
e não venham me agradecer depois. – disse em tom extremo e severo, subindo as
escadas para o seu dormitório novamente.
Estavam sozinhos novamente. A primeira coisa que Harry pensou foi que
estava se metendo em confusão novamente por causa dela. “Eu vou acabar com
essa história rapidinho! Cansei!” – resmungava para si mesmo. Ametista,
por sua vez, pensava em como explicar tudo o que acontecera a amiga. “Hermione
parecia mesmo brava”.
A lua cheia – indicando as fases de lobisomem de Lupin – estava no
ponto mais alto do céu. Meia-noite. E parecia ser impossível mais alguma coisa
acontecer naquela noite.
Foi assim que Harry notou como seu braço doía fortemente. Na verdade,
ele apoiava a capa tanto sobre ele quanto sobre Ametista com seu braço esquerdo
– o infeccionado. No momento seguinte, ele pegou-se fazendo algo que nunca
tinha pensado antes: contemplar Ametista. O luar banhava sua face esquerda,
fazendo seus profundos olhos azuis brilharem com intensidade. E Harry percebeu o
quanto era poderia ser linda.
Primeiramente, Harry quis surrar-se por sentir aquilo novamente. Era uma
sensação inebriante. A sensação de desejo. Desejo que ele sentiu por ela
apenas por um feitiço no Natal. Não fora verdadeiro. E também por Gina, mas não
com aquela vontade. Não entendia bem o porquê de sentir justamente por
Ametista, já que somente faltava dizer em voz alta, na frente de testemunhas,
que desde o primeiro olhar, ele soubera que a odiaria. Mas há uma linha tão
estreita entre o ódio e o amor! Talvez fosse isso, ele estava apenas atraído
por aquela imagem perturbadora e contestadora. Provavelmente porque ela não
beijara seus pés, como muitas faziam ao conhecê-lo.
Harry também tinha a consciência de que qualquer atitude tomada por ele
naquele momento poderia mudá-los para sempre, poderia marcá-los de uma forma
que nenhum outro jamais pudesse marcar. Eles seriam estigmatizados para sempre.
Marcados como uma cicatriz, como uma ferida.
Harry respirou fundo discretamente e quis socar-se mais uma vez por
pensar daquela forma na garota. Aquela que ele tanto odiava. No entanto, não
conseguiu segurar-se por muito mais tempo e pegou-se a chamando para encará-lo
finalmente.
- Ametista...
Ao observar os olhos azuis da garota concentrados nos seus, um arrepio
firme correu pela extensão de seu corpo. Porém, o que ele não sabia era que
Ametista sentiu exatamente o mesmo frisson ao olhá-lo. Nunca pensou que Harry
poderia reservar uma beleza tão encantadora e charmosa por trás daqueles óculos
redondos – sem contar a cicatriz. Seus olhos verde-esmeralda brilhavam assim
como os próprios. Ocorreu uma mudança leve nas batidas no seu peito.
“Como ele é bonito!” – pensou velozmente, chutando-se
mentalmente no instante seguinte. “Não! Não! Pare com isso!”,
ralhava consigo mesma. Entretanto, mesmo que sua mente fosse contra, seu coração
já estava disparado por vê-lo aproximar-se de seu corpo, nem que fosse um centímetro.
Ametista ofegou ao notar como poderiam estar envolvidos por aquela atmosfera
hipnotizadora. Tremeu ao senti-lo mais uma vez mais perto.
Estava ficando quente debaixo da capa de Ametista. Mas, ainda assim, eles
prosseguiam reconhecendo cada milímetro de pele de seus rostos e dividindo o
mesmo ar naquilo que parecia uma caixa fechada e lacrada.
Harry sentiu uma nova pontada firme no seu braço e teve de ficar forte
ou deixaria a capa cair, assim como o braço debilitado. Seguidamente a dor,
veio o aumento de suas batidas cardíacas, fazendo-o esquecer de qualquer agonia
possível. Nada o abalaria ou o impediria que completasse suas idéias. Não
poderia lutar contra aquele desejo. Não mais.
Ametista tentava recuperar a lucidez ou concentrar-se em algo diferente
do que aqueles olhos verdes tão intensos. Tentou pensar nas palavras de Snape,
sempre tão ameaçadoras a respeito de Harry. Depois, tentou ligar-se em Draco
Malfoy, já que havia adquirido um respeito pessoal pelo garoto por tanta petulância.
Mas, de nada adiantava, se a sua mente voltava sempre para o mesmo ponto: os
olhos vivos de Harry. Arrepiar-se ao senti-lo ler sua alma era tão forte e
impressionante que até amedrontava a garota. Ametista tinha plena consciência
de que não conseguiria resistir por muito mais tempo e passou a questionar-se
sobre o que sentia por Harry. Será que aquilo já vinha de muito antes? Porém,
independente disto, suas vidas seriam marcadas eternamente. E as feridas que
pudessem ser geradas por esta noite talvez fossem carregadas pelo resto de suas
vidas.
A lua observava-os silenciosamente. Não se ouvia nada debaixo daquela
capa, apenas as respirações aceleradas de cada um. Harry procurou ajeitar o
braço para o lado, encontrando uma posição mais confortável, já que a dor
insistia furiosamente.
Ametista deixou escapar um suspiro baixinho e um calor subiu de seu peito
até seu rosto. Seu sangue fervia ferozmente por dentro de suas veias,
explodindo somente de tê-lo tão perto. Sentiu um doce perfume envolvê-los e
notou que era o sândalo exalando de seu corpo. Estava perdida nos olhos de
Harry e lutava contra isso com a mesma intensidade. Não, aquele era Harry
Potter, e nada mais importava. Aquilo não aconteceria em hipótese alguma.
O coração batia tão forte que Harry chegava a escutá-lo em seu
ouvido. Sentia uma pulsação estranha por todo o corpo e sabia que seu sangue
fervia igualmente ao dela. Harry sabia também que aquilo não era apenas os
seus hormônios agitando-se diante de uma nova experiência. A sensação que
corria pelos seus nervos era algo inexplicável. Era como se estivesse escrito
para acontecer a anos e estavam ansiosos por aquele momento. Harry desejava que
ela dissesse algo, apenas para entorpecê-lo mais ainda. Sua voz poderia deixá-lo
perder o controle.
Os segundos se passavam e os
jovens prosseguiam em sua descoberta. A descoberta de si mesmo e do seu
companheiro. Até aquela noite, Harry nunca havia visto Ametista daquela forma.
Estava atraente e tão perto, que acendia facilmente algo ainda adormecido
dentro do garoto que se tornava um adolescente, brevemente, um homem.
Se pensasse mais um pouco, talvez não conseguisse voltar atrás. Então,
Harry conseguiu levar sua mão direita calmamente até Ametista. Primeiro, ele
tocou levemente sua mão esquerda estendida ao lado de seu quadril. Ela sentiu
arrepiar-se de um jeito incrível. Como apenas um toque poderia causar tantas
sensações naquele corpo de uma garota, uma jovem, uma mulher?
Harry provocou-a a tomar alguma atitude. Se alguém devesse parar o que
estava preste a acontecer, deveria ser ela, já que o garoto não possuía força
sequer para tirá-lo daquele instante.
Ametista permaneceu encarando os olhos brilhantes e profundos de Harry,
enquanto sentiu-o envolvê-la. O jovem estava enlaçando-a com o mesmo braço,
envolta de sua cintura. Harry temeu puxá-la contra si, agilizando logo e
acabando com a agonia que sentia ao tê-la, agora, tão perto e distante ao
mesmo tempo.
Inclinando vagarosamente sua cabeça na direção da dela, Harry foi
tomando conhecimento da proximidade gostosa de seus corpos. Notou que a respiração
de Ametista acelerou-se surpreendentemente e sorriu para si. Talvez, tudo aquilo
não fosse tão errado ou estranho quanto parecesse. Talvez estivessem
destinados a se encontrar. Mesmo que da forma mais curiosa possível.
Eram tão diferentes e pareciam tão iguais! A mesma vontade e certeza
circulavam suas mentes e os diferentes métodos povoam seus corpos. Métodos de
demonstrarem suas afeições, seus sentimentos, seus mais profundos segredos.
Porém, mesmo que por toda a sua vida, eles nunca tivessem chegado a este
ponto, algo ainda faltaria. Eles estavam marcados, estigmatizados a ficarem
juntos, nem que fosse por apenas aquele momento. A única certeza era que não
poderiam mais lutar contra o desejo que corria pelos seus corpos e pelo
sentimento que começava a crescer em seus corações.
Ainda naquela posição, uma lembrança interrompeu os confusos
pensamentos de Harry. Ele estava numa cozinha. Mas, possuía pouco mais de um
ano de idade. Sentado sobre a pia, brincava com um chocalho entre seus pequenos
e gordos dedos. Foi quando alguém colocou um bebê, muito parecido com ele, a
sua frente. Percebeu que era uma menina, já que carregava brincos delicados em
suas orelhas. Harry largou imediatamente o brinquedo e tentou pegar o nariz da
criança. A menina sorriu de forma desajeitada e arregalou os olhos
carinhosamente. Harry pegou-se lembrando uma imagem de sua infância, ao lado
daquela a sua frente. Era Ametista.
Lógico, eles provavelmente brincaram muito quando pequenos, já que seus
pais eram muito amigos. Mas, vê-la totalmente diferente era inacreditável. De
uma nova perspectiva, Harry soube que haviam vivido suas vidas separadamente,
mas tão unidos como nunca. Haviam aprendido a tomar decisões e a viverem
sozinhos. Entretanto, lembrando daquela cena, Harry viu-se sorrindo ao imaginar
que sempre foram ligados. E acabaram encontrando seus caminhos, unindo-se ao
final de tudo.
Não havia mais o quê esperar. Harry deixou-se levar por todos seus
pensamentos e sensações. Aos poucos, foi roçando seus lábios suavemente nos
de Ametista, que não relutou. A boca dela estava tão quente quanto sua pele.
Harry largou seus lábios e encostou-os novamente no lado esquerdo de sua boca.
Ametista parecia estar tonta. Harry beijava-a com respeito e carinho. Porém,
foi pensar que parariam ali, que acabou se enganando. Era o primeiro beijo de
ambos, envolvido por uma atmosfera totalmente nova e especial. Harry então,
largou a capa que estava presa ao seu braço esquerdo e envolveu-a mais
fortemente, pressionando-a contra seu corpo. Ao mesmo tempo, ele não havia mais
desgrudado seus lábios dos dela e sentia-se igualmente tonto. Perdido de
desejo.
Não importava o que dissessem. Ele não dava a mínima. Ametista estava
li e Harry soube que ela era perfeita para ele apenas pelo modo com que seus
corpos se encaixavam naquele abraço e suas bocas mexiam-se em perfeita
sincronia naquele beijo. Um novo arrepio correu pelas suas terminações
nervosas e segurou a garota mais uma vez sem deixá-la escapar. Ametista
suspirou mais uma vez e enlaçou-o finalmente, colocando seus braços envolta do
pescoço de Harry, unindo suas mãos delicadamente.
Estavam completamente visíveis no parapeito da janela do salão comunal.
Harry levava seu braço esquerdo, apertando Ametista mais uma vez e novamente.
Se alguma dor existiu naquele lugar algum dia, havia desaparecido
milagrosamente. Mesmo tendo um tecido da camisa dela entre suas peles, Harry
sentia-a ferver impetuosamente.
Experimentou então abrir seus lábios aos poucos e foi fazendo Ametista
acompanhá-lo. No calor daquele beijo, Harry colocou sua língua e a garota foi
seguindo lentamente. Logo, seus beijos eram tão cheios de desejo que se viam
querendo mais e mais. Ametista pressionava a cabeça dele contra a dela,
aumentando a velocidade do ato e permitindo que Harry passeasse suas mãos por
suas costas, ainda com muita relutância e respeito.
Se Harry perdera quinze anos de sua vida sem aquilo, agora queria recuperá-los
rapidamente. Recordou Rony contar de seu beijo com Hermione. Sabia então o
porquê de tanta felicidade transmitida pelos olhos do amigo. Estava sentindo-se
poderoso por tê-la nos braços. E não iria parar tão facilmente.
Aquela noite parecia durar imensamente enquanto beijavam-se loucos um
pelo outro. “Como o destino pode ser engraçado e pregar peças absurdas em
você”. Harry entendia bem o sentido dessa frase.
Passando mais alguns beijos calorosos, Harry sentiu uma incômoda dor,
que ao mesmo tempo era divertida, em seu ventre persistentemente. Em seguida,
sentiu a cicatriz ferver como nunca antes. Até isso aconteceria. Parecia estar
abraçado a Voldemort. Apenas não era tão pavoroso assim, pois sabia que tinha
Ametista em seus braços. De uma forma inimaginável e mágica.
Ametista temia abrir seus olhos e descobrir-se despertando de um sonho.
Mas, aquilo não poderia ser um sonho. Os raios que dançavam em suas pálpebras
fechadas eram tão reais, o coração disparado e o toque tão suave de Harry
eram perfeitos demais para um sonho. Harry pegava-se tão concentrado nela e
somente nela que até esquecera-se da dor em sua cicatriz. Era inebriante tê-la
nos braços, era espetacular beijá-la pela primeira vez. Claro que era
estonteante beijar pela primeira vez, mas era mais especial ainda beijar Ametista
pela primeira vez.
Harry teve medo de pensar em como aquilo poderia mudá-los. Mudá-los
para sempre e de um jeito incrível. Como seria o dia seguinte? A semana
seguinte? O momento em que seus olhos se encontrassem novamente?
De repente, um vaso acima de uma das mesas do salão comunal partiu-se.
Um estrondo correu por toda a extensão da Torre da Grifinória. Os cacos
estavam espalhados pelo chão e foi quando, sem qualquer fôlego e lutando
contra o susto, Harry e Ametista separaram-se.
A primeira vez em que seus olhos encontraram-se foi assustadora. Ambos
viram o pavor misturado ao desejo nos olhos do outro. E assumiram que se sentiam
daquela forma. Ofegantes, não havia o que dizer ao outro. Não naquelas
circunstâncias. Suas mentes estavam confusas e tudo estava nebuloso. Apenas a
certeza de que fora tão surpreendente e maravilhoso que nunca poderiam
esquecer. Não seriam capazes de apagar algo tão novo e magnífico.
No momento seguinte, Ametista caiu em si e saiu correndo, deixando Harry
e tudo para trás. O garoto também não procurou ir atrás. Estava paralisado
com a situação e imaginou novamente cada centímetro dos lábios de Ametista.
Sim, eles estavam marcados para sempre. Mesmo que depois daquela noite, eles decidissem se odiar para o resto de suas vidas, estariam marcados, estigmatizados. Seus destinos haviam se unido e estavam ligados para a eternidade.
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