Rosas Azuis e Sândalo
Uma aula de Astronomia, uma mensagem das estrelas. Isto é o bastante para Sirius Black cair em si e proporcionar a mais bela das noites com sua amada. Pétalas Azuis? Tudo se encaixa quando o assunto é o amor eterno entre dois jovens.
Sonserinos
e grifinórios dividiam as cadeiras giratórias da sala de aula. Na Torre Norte
de Astronomia, uma das matérias preferidas dos alunos, a professora estava
pronta para iniciar com o assunto do dia mais uma vez. Enquanto organizava seu
material sobre a mesa, a classe explodia em conversas agitadas e em alto tom.
Entretanto, ao fundo, localizava-se um dos únicos alunos quietos. Seus olhos
estavam distantes, mas ainda assim, fixados naquela cadeira tão longínqua.Sonserinos
e grifinórios dividiam as cadeiras giratórias da sala de aula. Na Torre Norte
de Astronomia, uma das matérias preferidas dos alunos, a professora estava
pronta para iniciar com o assunto do dia mais uma vez. Enquanto organizava seu
material sobre a mesa, a classe explodia em conversas agitadas e em alto tom.
Entretanto, ao fundo, localizava-se um dos únicos alunos quietos. Seus olhos
estavam distantes, mas ainda assim, fixados naquela cadeira tão longínqua.
Ao observar a cena, Remo Lupin arrasta sua cadeira giratória até alcançar o
amigo, carregando um certo sorriso.
- Ainda não se acertaram? - indagou o joveem, seus olhos extremamente escuros.
Sirius lançou-lhe um olhar frio. Remo encurvou-se, aproximando-se, como se
fosse escutar algo secreto.
- Eu mantenho a minha decisão, Aluado. - rrespondeu Sirius secamente.
Notando que sua insistência levaria a lugar algum, Remo voltou a sua posição
inicial, bufando desanimado. Pouco depois, um garoto moreno apoiou-se em seu braço
e puxou sua cadeira até ele. Era Tiago, acompanhado de Pedro. Ambos estavam
esperando alguma resposta de Remo.
- Ele disse que não irá mudar de idéia. - disse num tom cansado.
- Não acredito que Sirius deixará escapar essa chance pelos dedos, Remo! -
protestou Tiago. - Ele não tem do que reclamar! Ela é maravilhosa!
- Sim, é - concordou Pedro. - Mas nós sabeemos muito bem que não atura o quê
ele fez. Almofadinhas foi muito errado, mas não pode deixar que isso o abale
desta forma.
- Rabicho tem razão - concluiu Tiago. - Nãão podemos deixar que ele acabe com
tudo...
- SENHORES PETTIGREW, LUPIN E POTTER - os jovens tornaram-se para frente,
ligeiramente assustados. - TALVEZ OS SENHORES PREFIRAM EXPLICAR A AULA EM MEU
LUGAR, QUE ACHAM?
Os três abaixaram suas cabeças e endireitaram suas cadeiras. A professora
tinha uma expressão severa. Porém, todos sabiam que ela não faria mal aos três
alunos e a ninguém dentro daquela sala. Era Catherine Potter, professora de
Astronomia de Hogwarts e mãe de Tiago. A mulher suspirou contrariada e ajeitou
os fios de cabelo negro que caíam sobre seus olhos.
- Espero que possa prosseguir com a explannação - disse ela, encarando o filho
e seus dois amigos. - Como estava dizendo, hoje o nosso tema tratado serão as
estrelas.
Os sonserinos murmuraram qualquer coisa, como se reclamassem. A mestra
mostrou-se irritada e ameaçou retirar um dos alunos de dentro da sala. Todos se
recompuseram.
- A estrela era o ideograma escolhido paraa expressar as palavras de Deus e Céu
- começou a professora. - e este emblema ddo céu tem múltiplos raios que
encimam a árvore de Natal, que com seus fogos, suas esferas, é a síntese do céu.
A luminosidade da sala foi diminuída em sua totalidade e inúmeras estrelas
apareceram no teto da Torre, simbolizando o assunto da aula. Catherine começou
a andar entre os alunos em suas cadeiras giratórias e reclináveis.
- Toda estrelas pressupõe um anjo guardiãoo numa das culturas dos trouxas, o
judaísmo, e, segundo a concepção chinesa, cada homem possui uma estrela no céu,
à qual ele deve fazer uma oferenda no Ano Novo.
Mesmo na escuridão parcial, a professora Potter conseguiu ver uma mão
conhecida ser levantada rapidamente. Catherine chamou.
- Sim, Srta. Figg?
Arabella, concentrando seus olhos negros no teto encantado, indagou no típico
tom inteligente e bastante metido. Os sonserinos zombaram-na entre eles.
Astronomia era a matéria favorita de Arabella.
- Professora, eu andei lendo o livro sobree as estrelas e li algo sobre uma estrela
anunciadora da cristandade. Que é isso?
- Uma boa pergunta, Srta. Figg - elogiou aa mestra. - A estrela anunciadora da
cristandade é Sirius - muitos olharam para o jovem de mesmo nome. - da
constelação do Cão, guia dos viajantes, simbolizada pelo deus Hermes com cabeça
de cão, da mitologia grega. - explicou a professora.
Agitando a varinha, fez a constelação do Cão aparecer no teto encantado e
indicava o desenho do animal que se formava ao ligar as estrelas. Enquanto isso,
Remo, Tiago e Pedro faziam uma ligação entre o nome de seu amigo e o animal em
que se transformava - de acordo com a Animagia.
- As estrelas também possuem uma interprettação divinatória, onde destacam-se
as características dos seres regidos por estes astros - continuou Catherine. - Significam
valentia alegre diante das misérias da vida, sensibilidade, música, arte, caráter
fácil, ingenuidade, charme, sedução.
Inúmeros alunos entreolharam-se. Era verdade mesmo. As estrelas tinham algo de
especial, de mágico, de charmoso. Lílian e Tiago lançaram piscadelas um ao
outro, lembrando-se como a relação deles foi "coroada" pela chuva de
estrelas cadentes numa noite de inverno.
Entretanto, antes que os estudantes pudessem se manifestar, Catherine pediu silêncio
novamente e prosseguiu com a explicação, chegando no ponto em que queria.
- Além de todas essas definições e curiosiidades sobre estes astros, as
estrelas possuem uma outra função, muito mais importante e decisiva - dizia a
mestra, apontando uma série de estrelas no céu encantado mais uma vez. - Elas
têm o poder de nos dizer sobre nossos sentimentos, sobre nossa razão, e até
mesmo sobre nosso futuro.
Uma outra mão foi levantada ao ar, sacudindo para chamar a atenção da
professora. Era uma menina loira da Sonserina.
- Mas, Sra. Potter, se as estrelas podem nnos dizer sobre o futuro - indagava a
aluna. - Isto não deveria ser ensinado em Adivinhação?
Catherine pigarreou num tom quase contrariado. Todos sabiam bem que a professora
nunca tivera muita simpatia por Adivinhação, e muito menos pela mestra da matéria.
- Sim, mas as estrelas são estudadas na Asstronomia, e não na Adivinhação -
respondeu Catherine, encarando cada um dos sonserinos. - Se quiserem mais
informações sobre esta função, pergunte a mestra da matéria. - finalizou
desgostosa.
Os alunos encolheram-se em suas cadeiras, admirando o teto. Tiago empurrou sua
cadeira para mais perto de Lílian e segurou em sua mão gentilmente. Os olhos
verdes da jovem concentraram-se nos castanhos do namorado. Tiago sorriu e
aproximou seus lábios dos de Lílian, para um beijo. Entretanto, naquele mesmo
momento, a mestra apareceu em frente de suas cadeiras e cutucou o filho pelas
costas.
- Sr. Potter, isto não é hora para namoross. - avisou a mestra, piscando para Lílian
e fazendo uma careta para o filho, mostrando-se severa.
- Professora! - Catherine virou-se para o fundo da sala e notou o rosto de
Hariel Dumbledore fitá-la com certo receio.
- Sim, Srta. Dumbledore? - respondeu, cheggando mais perto da cadeira onde estava
a aluna da Grifinória.
- A senhora não poderia fazer uma demonstrração pelo menos? - perguntou
Hariel.
Catherine tomou a velha expressão irritada. Hariel engoliu rapidamente e
retomou:
- É que a professora Hawking não fará uma para nós, ela nunca nos dá ouvido
- pediu num tom de reclamação em relação àà mestra de Adivinhação, Audrey
Hawking. - Não precisa ser muita coisa, rapidinho... - enrolou Hariel quase
infantilmente.
A professora franziu a testa. Claro que ela adorava quando os alunos
mostravam-se descontentes com Audrey Hawking, mas não seria convencida dessa
maneira. Contudo, dando uma olhada geral nos rostos dos estudantes, convenceu-se
de que a aula ficaria até mais divertida com uma pequena amostra do poder das
estrelas. O único problema é que Catherine realmente nunca fora uma boa aluna
em Adivinhação, e aquela tarefa parecia um pouco demais.
Respirou fundo.
- Certo - disse, ignorando seus princípioss. - Eu vou precisar de um voluntário.
Ninguém se manifestou no primeiro chamado. No entanto, foi Catherine repetir o
pedido que vários braços foram agitados freneticamente no ar. A sala ainda
estava parcialmente escura, porém durante toda a aula, Catherine percebera o
estado de um de seus estudantes.
- Eu quero que o senhor Black venha me auxxiliar. - ordenou, aumentando a voz
para que chegasse até ele o seu comando.
Pela primeira vez em toda a duração do período, Sirius levantou seus olhos,
prestando a atenção em um professor. Catherine tinha seus olhos escuros sobre
ele, pedindo encarecida que Sirius a ajudasse. O jovem de dezessete anos
levantou de sua cadeira giratória e passou pelas outras carregando um tom mal
humorado. Catherine não deixou de notar que Sirius lançou um único olhar para
Hariel. A jovem ignorou-o.
- Muito bem, muito obrigada, Sr. Black. - agradeceu a mestra quase ironicamente.
- Isto porque a senhora disse que queria uum voluntário... - respondeu
Sirius de mal com a vida, zombeteiro.
Os alunos riram. A professora postou-o à frente da sala de aula e virou-o para
os alunos.
- Não quero saber de zombaria nem gracinhaas, Sr. Black. - ralhou Catherine,
dando um pequeno sorriso para Sirius ao tornar-se apenas para o estudante.
Toda a sala ardia em curiosidade. Catherine apontou a varinha para a testa de
Sirius.
- Agora, quero que todos fiquem quietos. OO Sr. Black precisa concentrar-se -
mandou Catherine. - Não abram a boca.
Tiago observava a mãe. Sabia que qualquer esforço ligado a Adivinhação não
era o forte de Catherine, ainda mais depois da morte de seu pai há pouco mais
de um ano.
Varinha apontada para o meio da testa de Sirius. Varinha apontada para o coração.
Uma troca de posições feita cerca de duas vezes. A sala estava em total
concentração e curiosidade. Catherine estava de olhos fechados, assim como
Sirius, e corria sua varinha pela extensão do coração e da cabeça de Sirius
Black. Pouco depois, repentinamente, as estrelas reuniram-se estranhamente e saíram
em disparada do teto encantado, rodeando ambos. Os alunos tiveram de segurar
exclamações de surpresa. Ao final, Catherine voltou a varinha para o coração
de Sirius e todas as estrelas que estavam cercando-os foram puxadas pela varinha
da mestra. Conseqüentemente, todas "entraram" dentro de Sirius. Nesta
hora, ninguém conseguiu conter-se e muitos soltaram algum gritinho ou comentário.
As estrelas saíram do corpo de Sirius e "penetraram" no tronco de
Catherine.
E tudo acabou. A sala estava em total escuridão, mas os alunos não pensaram em
outra coisa senão certificarem-se do que havia ocorrido. Tiago acendeu as luzes
com um feitiço da varinha e todos puderam notar que Catherine estava
fisicamente cansada. Sirius tinha os olhos num misto de medo e interrogação. A
mestra sentou-se em sua cadeira pesadamente e suspirou esgotada.
Esperando alguns segundos, ela levantou novamente e explicou:
- Este foi o fenômeno em que as estrelas ssugam as sensações e as trazem para
aquele que realiza o ato. E a conseqüência, como vocês podem ver, é um cansaço
enorme.
Os alunos permaneceram em silêncio. Até que o monitor da Sonserina
perguntasse:
- Agora, professora, a senhora pode nos prrovar se isto é verdade ou não,
certo?
Catherine enrugou a testa, confusa.
- Digo - retomou o jovem. - Conte-nos o quuê viu sobre o futuro do Black e ele
poderá nos confirmar sobre seus sentimentos...
Sonserinos escondiam risadinhas maliciosas e maldosas. Severo Snape não deixou
de lançar um olhar a Hariel, que ainda estava com a cabeça abaixada.
- Não, Sr. Malfoy - respondeu a professoraa. - Sinto muito, mas isto é assunto
exclusivo do Sr. Black e de mais ninguém. Se o senhor não acredita na minha
palavra, por quê não vai pedir para que a professora Hawking faça uma
demonstração com o senhor?
Lúcio desapareceu, abaixando em sua cadeira, e escondendo o típico sorriso
sarcástico. O horário soou, anunciando o final da aula. Aos poucos, os
estudantes iam deixando a Torre Norte de Astronomia. Sirius reunia seu material
quando viu Hariel levantar rapidamente e deixar a sala. Suspirou. Quando
planejou deixar a sala igualmente, ouviu o chamado da professora.
Aproximando-se da mesa de Catherine, a mestra esperou que todos deixassem a
Torre para poder falar com Sirius.
- Então, Sr. Black, não quer saber o quê sseu futuro o reserva? - indagou
Catherine num tom filosófico.
Em vez de sorrir, Sirius permaneceu sério. Catherine não estranhou.
- Eu só quero saber uma coisa, professora - disse Sirius cabisbaixo. - É sobre
a Hariel - agora, o jovem concentrou seus olhos azuis no da mestra. - Ela está
incluída no meu futuro?
- Claro que está, Sirius - respondeu, chammando o aluno pelo primeiro nome, num
modo carinhoso. - Mas depende do sentido que você quer Hariel em sua
vida.
Sirius continuou taciturno.
- Ela é a mulher da minha vida? - perguntoou, corando levemente.
Catherine apresentou-se serena com a questão de Sirius. Não era surpresa
alguma Sirius ter dúvidas sobre os sentimentos de Hariel por ele e os dele por
ela após tudo que andavam passando.
- Sim, ela é, Sirius. E Hariel estará inclluída no seu futuro como a mulher
que mais amara - prosseguia a mestra, vendo o rosto de Sirius amenizar-se,
aliviado e quase alegre. - Porém, você não morrerá ao lado dela.
O jovem relembrou a noite em suas férias, no casarão de Godric's Hollow,
daquele mesmo ano, quando Hariel abrira seu coração a ele e contara todos os
seus temores relacionados ao futuro de ambos juntos.
- A Bella teve um sonho - explicou Sirius,, voltando a expressão soturna. - A
Hariel vai morrer logo. - concluiu.
- Sirius, eu não sei quando Hariel morrerá. A única coisa que sei é
que vocês não ficarão juntos eternamente, mas que poderão ser muito felizes
o tempo que permanecerem amando um ao outro - definia Catherine. - Vocês se
amam muito. É um amor diferente do meu com Anthony, um amor diferente como o de
Tiago e Lílian. É muito mais que especial. Hariel é a mulher de sua vida, então
não deixe que ela escape.
***
- Amanhã!
Amanhã! Não está feliz?
Hariel agitou a cabeça negativamente. Lílian tentava animá-la, mas parecia
impossível. Já fazia quase um mês. A turma andava praticamente dividida. O
namoro de Lílian e Tiago estava maravilhoso, Arabella e David - já formado -
estavam noivos desde fevereiro, Pedro saía com uma garota da Corvinal e Lupin com outra do
sexto ano da Grifinória. Tudo parecia muito bem. Entretanto, a situação era
totalmente contrária a esta idéia. Sirius e Hariel estavam separados. E, por
incrível que pareça, parecia definitivo.
- Vamos! Você precisa sair desse clima, Haariel! Não faz nada bem a você! -
reclamou Tiago.
- Por que vocês não vão embora e me deixamm em paz? - respondeu a jovem no seu
ápice do mau humor e rispidez.
Tiago e Lílian bufaram nervosamente e deixaram a amiga sozinha. Já eram quase
nove horas da noite e Hariel estava sentada no grande parapeito da janela do salão
comunal da Grifinória. Não jantara e tão pouco almoçara. No dia seguinte
seria seu décimo oitavo aniversário. E faziam quase vinte dias que tudo
acontecera. Fora a discussão mais feia de toda sua vida com Sirius. Nem quando
eles "se odiavam", tiveram uma briga como aquela. Porém, o problema não
fora isso. A situação é que eles terminaram o namoro após a discussão e, no
dia seguinte, Hariel pegara Sirius beijando uma garota do sétimo ano da
Corvinal. E aquele foi o ponto final para o relacionamento de mais de dois anos.
No dia seguinte, também seria a Final da Taça
de Quadribol. A Grifinória tinha de vencer a Sonserina e, para isso, Hariel
teria de estar disposta a jogar o seu melhor. Suspirou, encarando o céu
nebuloso daquela noite de primavera, a jovem recordou cada fala da última briga
com Sirius. Era definitivo. Dando mais uma olhada no salão comunal, subiu para
o quarto e deitou pesadamente na cama, pensando em tudo que vinha acontecendo
com ela nos últimos três anos. Primeiro, sua mãe que aparecera morta. Depois,
a ameaça constante de Voldemort, que já havia alertado que voltaria para
assassiná-la, assim como fizera com sua mãe. Além disso, o começo do namoro
com Sirius, que ia muito bem até quase um mês atrás. Olhando para sua mesa ao
lado da cama, abriu a primeira gaveta e retirou de dentro a carta do Ministério
da Magia, dizendo que o único empecilho para, finalmente, ingressar na divisão
de espiões, era uma média alta nos seus exames finais. Admirando aquelas
letrinhas no pergaminho, Hariel imaginou como sua vida seria agora que estava
prestes a completar dezoito anos, sem um noivo ou namorado, pronta para encarar
os desafios do mundo. Uma certa excitação passou pela sua cabeça, pensando
que não seria uma idéia tão má aceitar o convite do Ministério da Magia e
viajar por alguns meses, talvez anos, para adquirir experiência. Pelo menos,
assim, não teria de ter de enfrentar os rostos de seus amigos felizes, e ela, não
tão contente e realizada assim...
***
- Nós
podemos não ter uma equipe melhor que a deles, mas com certeza, temos uma maior
garra! E é exatamente disso que nós necessitamos hoje! Então, quero que todos
se reúnam, vendo apenas a Taça em nossas mãos, certo?!
Era Sirius, incentivando os companheiros,
como de praxe. O capitão do time de quadribol da Grifinória há dois anos,
aqueles discursos rápidos, mas incrivelmente otimistas, eram a marca registrada
dele. O apanhador, Tiago, recebeu um tapinha nas costas do capitão e seguiu a
frente do time. Em seguida, Sirius cumprimentou sua companheira de bastão, a
batedora Cindy Smith. Ao fundo da formação, na área reservada a Grifinória,
Sirius sorriu primeiramente ao artilheiro à esquerda, Matthew Jones. Junto dele
estava o segundo artilheiro, Devon Hampshire. O apito de Madame Hooch soou alto
e todos subiram em suas vassouras. As portas da área abriram-se e o time saiu
rapidamente. Entretanto, assim que o último artilheiro, na verdade, artilheira,
tentou dar o impulso, Sirius segurou seu braço e disse:
- Feliz Aniversário, Hariel.
A jovem não agradeceu ou demonstrou
qualquer reação. Somente deu o impulso e entrou em campo. Sirius saiu atrás
logo dela.
- AS ARQUIBANCADAS ESTÃO QUENTES! MADAME
HOOCH ESTÁ PRESTES A INICIAR O JOGO! A FINAAAL! – narrava Nathan Mignot, um
garoto do sexto ano da Lufa-Lufa. – SONSERINA VERSUS GRIFINÓRIA! AS SERPENTES
OU OS LEÕES?!
Os espectadores davam um show à parte.
Lufa-Lufa e Corvinal estavam cobertas de chapéus vermelhos e dourados, torcendo
fervorosamente para a Grifinória, como de costume. Do outro lado, os sonserinos
estavam afiados em rimas e canções, debochando dos grifinórios.
- A GOLES É LANÇADA E O JOGO COMEÇA! –
gritou Mignot emocionado. – Jones consegue a goles para a Grifinória e toca
rapidamente para Hampshire... Opa! Cuidado aí, Devon! – avisou Nathan
divertido, ao ver que o artilheiro quase batera contra uma das arquibancadas.
– Hampshire passa para Dumbledore que... GOOOOOL!!!!
Grifinórios, corvinais e lufa-lufas gritam
animadamente enquanto os sonserinos lamentam.
- Sinto muito, Spremer, mas não foi desta
vez que você conseguiu segurar a Dumbledore... – zombava Mignot ao goleiro da
Grifinória. – Apesar de que, quem não quer segurar a querida filha do nosso
diretor, não é mesmo?! – brincou mais uma vez Nathan, fazendo menção ao
desejo dos garotos da Escola em relação a Hariel. – Aliás, fiquei sabendo
que hoje é seu aniversário, Dumbledore! Então, meus para... GOOOOOL!!!!
Um grito desanimado ecoou no estádio. Gol
da Sonserina. Agora, fora Hartle, a artilheira do sexto ano da Sonserina que
furou o bloqueio de Joshua Mortlake, o ótimo goleiro da Grifinória, que teve a
difícil missão de substituir Andrew Johnson.
Pouco tempo depois, a torcida da Grifinória
soltou um grito de revolta. E não fora somente eles, já que Madame Hooch havia
parado o jogo. Os times inteiros das duas Casas desceram até o solo para
encontrarem Hariel Dumbledore estatelada na areia, junto do outro artilheiro da
Sonserina, Lúcio Malfoy. O batedor, Nicolas Nott, havia lançado um balaço
sobre Hariel quando ela estava prestes a somar mais 10 pontos ao placar da
Grifinória. Porém, exatamente no momento que ela fora desviar, Malfoy estava
muito perto dela e a empurrou na direção do balaço. Assim, tomando um choque
enorme contra o balaço rápido e violento, que atingira seu estômago, Hariel
caiu da vassoura.
- Você está bem, Dumbledore? – perguntou
Madame Hooch rapidamente para a garota que ainda tentava levantar do chão.
Hariel indicou que sim e conseguiu subir na
vassoura novamente, com certa dificuldade. Sirius parou ao lado dela, novamente,
e refez a questão feita a Madame Hooch, acrescentando:
- Você pode descansar, se quiser... Você poderia ter quebrado alguma
costela...
- Não finja estar preocupado comigo, Black.
– respondeu Hariel friamente.
Sirius não tentou novamente, apenas deixou
que Hariel desse mais uma vez o impulso e subisse ao ares. Prosseguindo com o
jogo, Mignot estava acabando com sua garganta e seu desespero.
- Hartle está na posse da goles e voando rápido
até o arco mais alto e... ÓTIMO BALAÇO, SMITH! – gritou Nathan assim que
Cindy lançou o balaço perto de Hartle, fazendo a artilheira perder a goles,
que caía, para parar nos braços de Matthew. – Jones agora voa baixo,
desviando de Nott... EI! Entortando-se assim, pode ter uma contusão, Nott!
Agora, Jones arremessa a goles no arco mais baixo da Sonserina e... SPREMER
DEFEN... NÃO! HAMPSHIRE APROVEITA E... GOOOOOL!!!!
O duelo entre os artilheiros, batedores e
goleiros estava ótimo. Assim, ninguém notou quando Tiago Potter fez um
mergulho, sendo seguido de muito perto pela apanhadora da Sonserina, Mary
Sullivan, atrás da bolinha dourada. Quando estavam muito perto do chão, Tiago
levantou a vassoura levemente e pulou dela, agarrando o pomo em seus dedos e
caindo bruscamente na areia. Levantando rapidamente e abrindo os dedos da mão
direita, encontrou o pomo.
- EPA! É impressão minha ou... POTTER
PEGOU O POMO! MADAME HOOCH APITA E A GRIFINÓRIA É A CAMPEÃ DA TAÇA DE
QUADRIBOL DESTE ANOOOO! – vociferou Mignot, quase subindo no palanque onde
ficava o placar, cheio de entusiasmo e felicidade.
O time da Grifinória pousou velozmente e se
reuniu, gritando que eram campeões. Para Tiago, Sirius e Hariel era o último
jogo em Hogwarts. E talvez, por isso, estavam tão emocionados. Repentinamente,
os jogadores da Lufa-Lufa e da Corvinal se juntaram aos da Grifinória e
comemoraram juntos, ovacionados pela torcida e pelas arquibancadas eufóricas.
Então, a taça fora entregue por Dumbledore
as mãos de Sirius, o capitão do time. Reunindo toda sua força, Sirius
levantou a taça o mais alto que podia e pulou de alegria, ouvindo gritos
emocionais da torcida. Os professores aplaudiam maravilhados e seus companheiros
de time estavam sorrindo plenamente. Assim que encarou cada um de seus
jogadores, Sirius abriu um grande sorriso para Tiago, seu melhor amigo. Quis
evitar, mas era duro saber que aquele era o último jogo. Depois passou por
Devon, Cindy, Joshua, Matthew e, finalmente, Hariel. Mas, a garota não estava
olhando para ele. Estava conversando com seu pai, o diretor, e um outro homem.
Surpreendendo a si mesmo, Sirius caminhou até
bem perto do trio e ouviu.
- Substituirá sua mãe perfeitamente,
Hariel – dizia o homem ao lado de Dumbledore. – Elisabeth era perfeita, mas
você pode ser mais do que ela, pode acreditar! É tudo uma questão de empenho
– continuava o homem após dar uma risadinha, recordando a mulher do diretor
de Hogwarts. – Se você treinar muito estes anos, sei que será nossa melhor
espiã.
- E quanto tempo ela se ausentaria, Mundungo?
– perguntou Dumbledore num tom em que não havia muita simpatia entre eles.
- Depende da vontade da menina – respondeu o senhor. – Ela não precisa sair da Inglaterra, exatamente. Mas já que ela insiste, eu diria que uns dois anos fora daqui seriam muito bom para ela, talvez até trabalhar na América.
Sirius arregalou os olhos. Então, Hariel
planeja ficar fora por dois anos para trabalhar como espiã. Porém, o homem do
Ministério havia deixado muito claro que ela não precisava sair do país. “Mas
é claro!”, pensou Sirius nervosamente. “Ela está decidindo ir
embora porque nós não estamos mais juntos!”.
Antes que o homem deixasse o campo de quadribol, Hariel saiu andando, com um sorriso não muito agradável. Ela estava feliz, mas estava miserável em outro sentido. Sirius relembrou a conversa com a mãe de Tiago na aula de Astronomia. “Vocês se amam muito. É um amor diferente do meu com Anthony, um amor diferente como o de Tiago e Lílian. É muito mais que especial. Hariel é a mulher de sua vida, então não deixe que ela escape”. E foi naquele segundo que Sirius decidiu tomar a atitude que mudaria sua vida para a eternidade.
***
- PARABÉNS!
– gritou Lílian no ouvido de Hariel, que se distanciou furiosa.
Já passava de dez horas quando o pessoal da
Grifinória começou a deixar o salão comunal para ir dormir. A comemoração
pelo título do campeonato e pelo aniversário de Hariel tomou o dia todo. E nem
mesmo Minerva McGonagall fora até lá reclamar do barulho. Era abril e faltavam
apenas dois curtos meses para deixarem Hogwarts. Hariel estava sentada no sofá
do canto, olhando os dedos enfaixados. Quando caíra da vassoura no jogo,
impediu que batesse o rosto flexionando os dedos contra o solo de areia. E eles
estavam feridos. Arabella sentou ao lado dela, mostrando a xícara com a última
dose da poção de Madame Pomfrey. Cinco minutos após ingeri-la, Hariel pôde
tirar as faixas que cobriam seus dedos.
Hariel olhou em volta. A sala comunal
abrigara a todos eles durante os longos sete anos de estadia em Hogwarts. Porém,
um dos dias mais especiais também foram ali. A lembrança mais prazerosa a
Hariel era de Sirius beijando-a pela primeira vez. Nunca que imaginara antes que
Sirius Black poderia ter amado-a durante tanto tempo e tivera a coragem de domar
seu orgulho e beijá-la tão inesperada e apaixonadamente.
- Que é aquilo? – ouviu a voz de Arabella
perguntar ao seu lado.
A jovem pareceu sair de seu transe e
encontrar o quê Arabella surpreendera-se. Havia à frente de Hariel, flutuando
calmamente, uma única rosa azul. Piscando os olhos rapidamente, tentando
descobrir se estava delirando, Hariel tocou a flor e trouxe-a para perto de seu
nariz, sentindo o doce aroma da rosa. Mas uma rosa azul?
- Está na hora de tomar a decisão, Hariel.
Olhando para seu lado, Arabella encarava-a
com certa sabedoria. Ainda segurando a rosa azul entre os dedos, sentiu um
pergaminho cair em seu colo. Observando o teto, procurando algum lugar de onde
ela possa ter caído, nada encontrou. Hariel abriu então o pergaminho e leu.
Era um recado de Sirius, dizendo para pensar nele quando estivesse segurando a
rosa azul, no corredor perto da Torre da Corvinal. Encarando Arabella mais uma
vez, ouviu:
- É a sua vida, agora, Hariel – disse
Arabella com muita seriedade. – Agora é a sua decisão de ultrapassar os obstáculos
finais ou simplesmente deixa-los para trás, ignorando-os.
Na verdade, Hariel não pensara muito.
Precisava mesmo conversar uma última vez, pura e sinceramente, com Sirius.
Necessitava contar a ele sua decisão sobre o Ministério da Magia e os espiões.
E, conseqüentemente, sobre os dois próximos anos longe de todos.
Levantando de sua poltrona, passou por Lílian
e Tiago que estavam abraçados num dos sofás, lançando olhares festivos um ao
outro. Remo também estava lá, sentando ao lado de Arabella. E Pedro
divertia-se jogando xadrez com Devon – apesar de que sempre perdia. Só
faltava deixar para trás aquele que mais amava. E teria de respirar
profundamente para fazê-lo.
Há alguns passos da Torre da Corvinal,
Hariel segurou firmemente a rosa entre seus dedos. Pensar em Sirius, atualmente,
era doloroso demais. Porém, Hariel tinha de pensar, mesmo que a imagem de sua
boca colando numa boca que não fosse a dela não saísse de sua cabeça.
Relembrou uma cena do namoro deles. Fora o mais longe que já haviam chegado.
Estavam deitados na cama dele, cobertos pelo dossel, no dormitório masculino.
Aos poucos, Sirius foi guiando Hariel pelos mais intensos beijos que já haviam
dado. As sensações daquela tarde foram espetaculares. Mas ainda assim, Hariel
não conseguira ir até o fim. Nunca chegaram a passar das carícias, pois a
jovem era amedrontada e até mesmo receosa. Contudo, ainda assim, a tarde fora
linda.
Havia uma tapeçaria antiga ao seu lado. E,
para sua surpresa, uma porta surgiu. Lançando seus dedos sobre a maçaneta,
descobriu-se abrindo a porta lentamente e dando de cara com um sonho de infância.
Era uma sala azul, com inúmeras velas acesas, espalhadas em candelabros
prateados pelos cantos, com uma espécie de jardim de inverno, que era visto por
uma vidraça e ainda um espaço aberto, onde se podia ver o céu estrelado.
Havia uma cama bem baixa, quase no chão, de casal, cheia de almofadas por cima,
de vários tons azulados. Rodando para observar mais de perto o céu, girando
sobre seus calcanhares, maravilhada, encontrou Sirius Black saindo das sombras e
parando à frente dela.
Seu corpo não deixou de estremecer ao
cruzar seus olhos com os dele. Engolindo em seco, Hariel pigarreou e perguntou:
- Que você quer, Black?
Sirius estava vestido com uma camisa preta e
uma calça azul. Uma ótima combinação, que ressaltava o azul-escuro de seus
belos olhos. O cabelo solto e aquele ar sombrio e selvagem que o caracterizavam
estavam presentes. Não adiantava. Ele poderia ser o maior cafajeste do mundo
– o quê não era – que Hariel permaneceria deixando-se levar pelo encanto
de sua beleza e pela sua personalidade tão marcante.
- Eu achei que deveríamos ter uma última
conversa, Hariel – disse ele com a voz rouca. – Para resolver todos os
nossos problemas.
A jovem demonstrou uma certa surpresa ao
ouvir que ele também desconfiava que aquela seria a última conversa entre
eles. Seus olhos estavam frios enquanto observava Sirius tão divino à sua
frente. Suas pernas estavam trêmulas.
- Eu fui aceito, sabe – disse ele num tom
baixo. – O Ministério me enviou uma carta esta manhã. Disse que poderei
fazer um estágio de seis meses junto com meu pai.
Hariel nada disso. Imaginou com plena
certeza o quanto seria difícil trabalhar tão perto dele. Não adiantava deixar
Hogwarts para trás. Os amigos eram os mesmos, os familiares se davam muito bem.
Um certo arrepio correu pela sua espinha.
- Eu recebi um comunicado de Mundungo
Fletcher – Hariel disse com indiferença. – Poderei participar da divisão
de espiões.
- Então, pelo jeito, ainda nos veremos
muito... – cutucou Sirius na esperança que Hariel falasse logo e confirmasse
seus temores.
Passando uma de suas mãos pelo cabelo
loiro, levantou os olhos azuis na direção de Sirius novamente.
- Acho que não, Black – respondeu,
contrariando a idéia de Sirius. – O Fletcher me disse que seria bom se
pudesse passar algum tempo fora da Inglaterra, talvez na América...
- Por quanto tempo? – interrompeu-a o
jovem, apertando os dedos.
Hariel suspirou longamente. Era óbvio que
Sirius ficaria louco se soubesse que seriam dois longos e cruéis anos distantes
de tudo e de todos.
- Dois anos.
Repentinamente, Sirius virou-se, ficando de
costas para Hariel. A jovem franziu a testa.
- Você acha mesmo que é necessário? –
perguntou ele desanimado.
Necessário? É claro que não! Se Hariel
tivesse a chance de voltar um mês atrás e consertar todos os erros que
cometera com Sirius, assim como ele, nunca uma oportunidade como esta seria
levada a sério. Quanto mais, seria necessária.
- Eu preciso me tornar uma boa
profissional...
- Você está indo embora – disse Sirius,
tornando-se para ela novamente. – Você não está pensando, nem por um
segundo, nesse emprego estúpido! – gritou ele, perdendo o controle. – Você
só quer se ver bem longe de mim! Você não suporta que eu não esteja mais do
seu lado, não é mesmo?! Eu sei que você não está indo embora, Hariel! Você
está me deixando para trás!
Os olhos azuis claros de Hariel poderiam
soltar faíscas. Como era possível Sirius conhecê-la tão bem? O jovem estava
perto de seu corpo, exalando raiva e um calor que tirava Hariel do rumo. De
fato, suas pernas estavam difíceis de serem controladas, trêmulas ao extremo.
E as palmas de suas mãos? Suadas, assim como sua testa. Hariel suava frio.
Sentindo mais um arrepio, deu um passo para trás.
- Eu estou deixando minha vida para trás,
Sirius – disse ela, voltando a chamá-lo pelo nome. – E você esteve incluído
nela por dois anos. – sua voz estava vacilando e seu rosto começava a ficar
vermelho.
- Você está agindo como uma tola! –
ralhou Sirius nervoso, parado no mesmo lugar.
- EU SOU A TOLA?! – surpreendeu-se,
gritando. – Nós tínhamos tudo para ainda estarmos juntos, Sirius! Você sabe
muito bem que não somos os mesmos se não estamos juntos! Se você não
tivesse sido tão estúpido a ponto de levar tudo aquilo que fora dito naquela
noite, nós não estaríamos aqui, discutindo e acabando até mesmo nossa
amizade!
Sirius aproximou-se dela e agarrou seus braços
entre seus dedos, apertando-os furiosamente. Aquilo estava saindo do controle. A
Sra. Potter pode até ter dito que eles se amavam, mas naquele exato instante,
nenhum vestígio, além de dor, surgia entre eles.
- VOCÊ DISSE QUE NÃO ME AMAVA MAIS! –
vociferou ele, segurando os braços finos e notando nada mais que o rosto doído
de Hariel. – COMO EU PODERIA ESQUECER ISSO?! COMO EU PODERIA NÃO TER
CONSIDERADO QUE VOCÊ AINDA SENTIA ALGO POR MIM DEPOIS DE TUDO QUE ME FALOU
NAQUELA NOITE?!
- SE VOCÊ ME CONHECESSE REALMENTE, SABERIA
QUE EU NUNCA DEIXARIA DE TER AMAR! – berrou Hariel em resposta, sentindo a força
intensa que Sirius colocava em seus dedos que envolviam seus braços finos.
Explodindo em ódio, Sirius soltou os braços
de Hariel e deu dois passos para trás. Sua face estava vermelha, sua respiração
fora do normal, acelerada. Suas mãos tremiam sem parar.
- Você me machucou demais, Hariel –
retomou ele, apertando os olhos, sem olhar para ela. – Você me fez acreditar
que esses dois anos que estivemos juntos serviam de nada! E, geralmente, quando
a pessoa que você mais ama no universo vira e diz algo como eu não te amo
mais, você perde o rumo! E foi isso que aconteceu comigo. Eu encontrei alguém
que eu nunca dei a mínima, somente para descarregar meu ódio. Por que, nesse
momento, é a única coisa que sinto por você.
O controle fora perdido há muito tempo. No
calor da discussão, Sirius esqueceu a verdadeira razão de fazer com que Hariel
fosse até ele. Sirius precisava de Hariel. Mais que tudo. Contudo, já era
tarde demais. Assim que levantou os olhos até os dela, distantes dois passos,
segurou a respiração. As coisas saíam do rumo.
Hariel estava com os olhos arregalados, a
testa franzida num misto de surpresa e decepção. Como se ainda fosse possível,
ela perdeu a força que a colocava em pé durante aqueles minutos e caiu no chão,
ajoelhada. Sirius não se moveu. Aos poucos, Hariel foi desfranzindo a testa e
diminuindo a intensidade de seu choque. Ficou pálida repentinamente, sem
respirar. As palavras de Sirius ecoavam em seu ouvido, persistentes e frias.
Somente naquele momento, notou que o chão estava repleto de pétalas de rosas
azuis. E, aos poucos, viu as lágrimas que caíam de seus olhos molharem-nas
lentamente.
Não soube ao certo. Passaram minutos
silenciosos entre eles e nenhum se pronunciou. Sirius observou apenas a imagem
da jovem loira, de belos olhos azuis e pele macia desfazer-se. Percebeu também
quando as mãos dela guiaram-se trêmulas até seu rosto, cobrindo a sua
infelicidade e dor tão transparecida em seu rosto. Foi também durante aqueles
minutos longos e preciosos que Sirius teve a chance de relembrar tudo. O
primeiro olhar trocado no corredor do expresso de Hogwarts, em seu primeiro ano.
Era uma menininha briguenta e mal humorada. Depois, a vez em que todos
combinaram de ser amigos, mas obviamente que não era justa para ele e ela também.
O choro descontrolado em seus braços assim que soube da morte da mãe. A noite
de Natal no quinto ano em que dançou para enfeitiçá-lo. A principal conseqüência
do encantamento, a noite em que Sirius decidiu colocar seus sentimentos para
fora e beijá-la. O primeiro beijo de tantos que viriam à frente. Seus olhos
brilhando de antecipação na primeira vez em que Hariel permitira que Sirius a
tocasse. O suspiro que ouviu assim que proporcionou a ela uma sensação tão
encantadora, mesmo que ainda não a tivesse transformado completamente numa
mulher. E agora, lá estava a mesma garotinha, chorando dolorosamente pela
segunda vez em sua vida. Sua vista encheu-se de lágrimas. Como ele pôde dizer
que a odiava? Como pôde ter desconfiado que ela não o amava mais? Como ele pôde
machucá-la dessa maneira?
E então, pela última vez, recordou a noite
em Godric’s Hollow. Ele havia prometido que iria protegê-la. Não importava
se Arabella tinha visto Voldemort assassinando-a em sua frente. Não importava
se ela não vivesse para sempre ao seu lado. Não importava se ele tivesse de
passar doze anos futuros dentro de uma cela em Azkaban para vingar-se sobre
aquele que os trairia. Tudo valeria a pena. Até mesmo dar origem a uma filha
que não seria dele.
Sirius notou que Hariel levantou-se. Seu
rosto estava inchado, assim como seus lábios vermelhos e suas bochechas. Ele
continuou no mesmo lugar. Erguendo o rosto e concentrando seu olhar no dele,
Hariel disse:
- Adeus, Sirius.
E deu as costas, dirigindo-se a porta.
Imediatamente, Sirius deslocou-se de seu lugar e segurou o braço dela.
Puxando-a para que Hariel o encarasse mais uma vez, Sirius disse:
- Não diga adeus, Hariel. – somente
naquele momento, permitiu que as lágrimas molhassem seu rosto, assim como
molhavam o de Hariel.
Nada mais foi dito. Lentamente, Sirius puxou
o braço de Hariel para mais perto de seu corpo e, com a mão que estava livre,
acariciou a lateral do rosto molhado da jovem. Pela primeira vez, Sirius olhou
Hariel como uma verdadeira mulher. A mulher que decidira amar pelo resto de sua
vida. A mulher por quem pediria casamento na noite seguinte. A mulher que daria
luz à criança mais linda que Sirius já havia visto. Que, um dia, carregaria
finalmente o sangue dos Black e que o amaria como se deve amar um verdadeiro
pai.
Com uma urgência quase que feroz, Sirius
soltou o braço de Hariel e postou as duas mãos, segurando o rosto belo da
jovem, e beijando-a. Seus lábios estavam tão quentes e molhados pelas lágrimas
quanto os dele. E quando eles se tocaram, abraçando-se e misturando inúmeras
emoções naquele beijo tão voraz e necessário, Sirius e Hariel souberam que
nunca mais eles se olhariam com outros olhos. Que após aquela noite, nunca mais
se tocariam de uma forma inocente. Que nunca mais seriam capazes de passar tanto
tempo sem unirem-se num amor tão extraordinário quanto aquele que estava
prestes a acontecer pela primeira vez.
O perfume inebriante de Hariel começou a se
alastrar pelo corpo de Sirius assim que eles já estavam sem suas roupas e
permitindo que se conhecessem totalmente. As rosas azuis, que estavam também
sobre a cama, envolviam ambos, assim como tão perfeito sândalo que exalava do
corpo de Hariel. Aos poucos, de crianças, garotos e garotas, Sirius guiou
Hariel e transformaram-se em adultos, em homem e mulher. Expressaram o amor que
sentiam enquanto se beijavam, enquanto se olhavam tão surpresos, enquanto se
tocavam tão delicadamente. Nunca alguma sensação superaria o prazer de
estarem tão unidos como naquele momento. Talvez, só teriam uma emoção
parecida quando sua filha nascesse. No entanto, ainda assim, o quê aconteceria
entre eles dali para frente seria tão incrível e deslumbrante que nunca
poderia ser esquecido. Quando estavam chegando no auge, as pétalas azuis
flutuaram, como se houvesse uma força entre eles que provocasse aquele fenômeno.
O perfume de sândalo misturou-se as rosas, que se misturaram aos corpos, que se
misturaram ao amor.
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