O Plano de Severo
Não é fácil ter quinze anos. E não é nada fácil resistir ao encanto de um olhar ou um abraço. O único problema é que limites devem ser instalados, mas nem sempre eles são respeitados.
Sirius
acabou esquecendo da breve conversa que teve com Lúcio Malfoy na Floresta
Proibida e encaminhou-se diretamente para o quarto. Ao deitar em sua cama,
imaginou chegar em casa e não encontrar mais a própria mãe. Seu coração
parecia ir explodir. Lembrou-se então de Hariel e da tremenda dor que poderia
estar sentindo naquele momento.
- Coitada... – suspirou
Sirius solidário.
Enquanto isso, Hariel já
estava debaixo das cobertas, com algumas lágrimas escorridas pelo rosto. Pensar
na mãe era tão doído e tirava sua paciência rapidamente. E ainda tinha a
ameaça. Na parede de sua casa lia-se, e Hariel já sabia qual seria seu
destino. E então visualizou Severo Snape em sua frente, no dossel. Como ele pôde
ter sido tão idiota a ponto de beijá-la?! Nunca ninguém sequer tinha chegado
perto dela, apesar de sempre ouvir os suspiros dos garotos que passavam por ela.
Entretanto, tinham medo. E esse era o objetivo de Hariel. Afastar ao máximo
qualquer tipo de coisa. Porém, logo essa barreira seria quebrada.
Nem na manhã seguinte, na
semana ou até mesmo no mês as coisas pareciam se resolver. Lílian começava a
fazer sessões de estudo com Pedro, Lupin e Arabella para os N.O.M.s, que seriam
realizados no final do quinto ano. Quanto a Tiago, o garoto começara a
dedicar-se inteiramente ao quadribol. Sua estréia como o novo apanhador do time
da Grifinória seria dali duas semanas e seu sangue fervia apenas de pensar na
primeira batalha. Seria contra a Corvinal.
Numa tarde da última semana
de outubro, em uma aula de Defesa Contra a Arte das Trevas, os alunos foram
avisados sobre a festa que acontecia todo ano no dia trinta e um de outubro: o Halloween.
Gostosos doces, tortas gigantes e tudo mais estariam na noite seguinte no salão
principal.
- A visita a Hogsmeade será
de manhã. Acho que poderemos almoçar lá. – comentava Arabella, no jantar.
- Passarei minha manhã
comendo delicias gostosas... – murmurou Pedro sonhador.
- A primeira visita a
Hogsmeade é sempre a mais divertida, não é? – agitou Tiago.
Remo chutou-o por baixo da
mesa e indicou Hariel, mexendo desanimada em sua comida. Olhava concentrada para
o prato de purê de batatas.
- Foi mal Hariel, eu esqueci
que você não vai... – começou Tiago, mas a mão levantada de Hariel o fez
calar.
- Não se incomode, eu não
me incomodo. – e levantou-se da bancada, deixando o salão principal e toda
sua comida.
- Qual é o problema dela?
– indagou Pedro curioso.
- Vocês não ficaram
sabendo? – estranhou Lílian aos olhares sedentos dos amigos, exceto os de
Sirius. – Saiu essa manhã no Profeta Diário, Voldemort fez mais vítimas.
Imediatamente, Sirius levantou a cabeça.
- Vocês não acham que a mãe
dela possa...
- Não sei, Sirius. Mas eu
acho bem provável que ela esteja entre os mortos. – arriscou Lílian
preocupada.
A turma continuou comentando
que cada vez a situação ficava pior. Enquanto isso, Sirius ficou olhando para
onde Hariel seguiu, e de repente, levantou-se e deixou o jantar. Todos se
entreolharam e deram de ombros.
***
Caminhando
pelos corredores de Hogwarts, Hariel dirigia-se ao lugar que sempre se sentia
melhor. O lago era calmo, e haviam muitos mistérios envolvidos nele. Ela
gostava apenas de estar ali, fosse para rir, fosse para chorar - algo que odiava
fazer na frente de outros.
Chegando ao jardim, sentiu
algo muito perto. Quando se virou, encontrou dois olhos negros a observando de
cima. Deu um pulo para trás assustada. Das sombras, saiu Severo Snape.
- Te assustei? – perguntou
astuto.
Hariel pegou um pouco de ar.
- Eu nunca me assusto, Snape.
– respondeu ríspida.
Severo arriscou um sorriso.
Foi um pouco mais para a luz e Hariel pôde perceber que seus cabelos não
estavam mais engordurados ou sebosos. Pareciam bem limpos, e até poderia
arriscar, que estavam bonitos.
Nesse momento, Sirius, que
havia seguido Snape, escondeu-se atrás de uma parede de folhas bem perto dos
alunos, onde podia ver e ouvir tudo o que falavam.
- Está certo então, Snape,
agora que você já teve seu momento, será que poderia me deixar sozinha? –
pediu nervosa a garota.
- Não estou com vontade. –
respondeu em tom misterioso, concentrando seus olhos negros nos azuis de Hariel.
A garota bufou aborrecida.
- Eu pensei que você iria
ficar longe de mim depois do que fez na Floresta Proibida – Snape arriscou um
novo riso e Sirius apurou os ouvidos. – Eu devia ter te estuporado mesmo, não
é?
- Eu não concordo com isso
– disse Snape seco, aproximando-se ligeiramente da garota. – Na verdade, eu
acho que você não conseguiu para de pensar nisso.
Hariel ficou boquiaberta.
- Você andou fazendo o quê
por aí, Snape? – espantou-se Hariel, dando um passo para trás. – Eu pensei
que você vivesse escondido na barra do Malfoy, mas vejo que é bem mais presunçoso
que ele.
Snape aproximou-se novamente,
mas agora ficou bem mais perto de Hariel, deixando que a garota sentisse seu
delicioso perfume, a deixando levemente tonta.
- Você pode dizer o que
quiser, mas somente eu posso te querer – Hariel sentiu-se mais tonta ainda.
– Podem existir milhares de garotos por Hogwarts apaixonados por você, mas só
eu tenho a capacidade de amá-la.
Sirius arregalou os olhos. “O
que ele está dizendo? Ficou maluco?” estranhou. “Ele
está realmente dando em cima da DUMBLEDORE?!”.
- Você está
fazendo alguma coisa, não está? – indagou Hariel, agora realmente tonta.
- Eu? Como assim? –
desviou-se inocentemente, colocando os braços em volta de Hariel. Ela parecia não
perceber.
- Você... algum feitiço...
– tentava arquejar alguma palavra, mas a garota sentia-se cada vez mais tonta.
Sirius começava a achar
aquilo muito estranho. Hariel nunca iria sentir-se tonta, muito menos permitiria
que alguém falasse naquele tom com ela. Nem ele mesmo poderia falar daquele
jeito com ela!
Exatamente no momento em que
Hariel sentiu que iria desmaiar, Snape tomou-a contra seu próprio corpo e a
beijou. Sirius ficou completamente boquiaberto. Ele estava mesmo a beijando!
Hariel pensou que estava desmaiada, vendo em sua frente, nada mais, nada menos
que Snape. E ele estava com sua boca grudada na dela! Quão nojento isso poderia
ser?! Perdeu o ar rapidamente e caiu no chão.
De fora, Sirius assistira
Snape persuadir Hariel, beijá-la e depois deitá-la no chão desmaiada.
Rapidamente, sentiu um fogo queimá-lo na região abaixo do estômago e saiu de
trás da parede de folhas, cruzando seu olhar com o de Snape.
- Black?! – surpreendeu-se
ao vê-lo em sua frente.
- O que você fez com ela?!
- Você está... está
preocupado com ela?! Isso é realmente novo, já que eu pensei que vocês se
odiassem e estivessem sem se falar há mais de um mês!
- Parece que você dá mais
atenção à minha vida do que a sua própria, não é?! – Sirius sentia-se
descontrolado.
Sirius nem pôde ouvir a
resposta dada por Snape. Fora estuporado velozmente e caiu ao lado do corpo
estendido de Hariel.
***
Os
raios de sol prejudicavam sua visão. Abriu os olhos devagar e logo encontrou
uma face calorosa o olhar de muito perto. Observou os olhos escuros e
penetrantes de Arabella fixados nos seus. O coração acelerou fracamente.
- Sirius, você está bem?
– perguntou a monitora cautelosa.
O garoto mexeu a cabeça para
o lado e encontrou o corpo inerte de Hariel, num sono profundo.
- Que é que aconteceu? –
indagou confuso.
- É exatamente isso que
queremos saber! – alterou-se Arabella realmente preocupada. – Encontraram
você e a Hariel caídos no meio do jardim!
- Não consigo lembrar de
nada. – sussurrou, sentindo a cabeça rodar.
Arabella sorriu calmamente.
Sirius sentiu ficar quente. Era realmente difícil alguma menina fazê-lo corar.
Na realidade, ele as fazia corar primeiro. Mas, agora, parecia que Arabella
conseguira achar o caminho.
- Madame Pomfrey disse-me que
vocês dois devem ficar aqui até hoje à noite, assim amanhã estarão
liberados para ir a Hogsmeade.
Sirius tombou a cabeça para
a direita novamente e encontrou Hariel.
- Ela já acordou?
- Ainda não. Madame Pomfrey
está desconfiada que ela sofreu algum tipo de feitiço mais específico.
- Hum... – Sirius voltou o
olhar para Arabella. – Acho melhor você ir embora, deve estar no horário da
aula.
- Claro. – concordou a
garota, dando um ligeiro beijo na bochecha de Sirius, fazendo-o corar novamente.
Deixou a sala.
***
-
Ele não se lembra?! – Remo estava surpreendido.
- Não consegui ver nada na
mente dele. – respondeu Arabella.
Os alunos estavam reunidos na
sala comunal, após o almoço. Lílian tinha nos braços um livro muito grosso,
em que pesquisava algo que poderia ter feito Sirius esquecer-se de tudo.
- Não há nada aqui. Acho
melhor esquecermos isso de uma vez e concentrarmos na Hariel. Ela ainda não
acordou? – perguntou a garota a Remo, que havia visitado-a depois da primeira
aula.
- Eu não sei. Digo, eu
passei lá há mais de quatro horas. Não sei, talvez ela já tenha acordado.
- Eu vou até lá – disse
Tiago. – Quero vê-los...
- Então está certo. Eu vou
para minha aula de Aritmancia, e vocês vão se divirtam. – zombou Arabella,
deixando a sala comunal.
Em seguida, Tiago tomou seu
material para seu treino de quadribol e dirigiu-se a ala hospitalar. Encontrou
Sirius fazendo sua refeição calmamente.
- E aí, como você está?
– perguntou feliz.
- Bem melhor depois disso –
e indicou o prato cheio de comida. – Enquanto ela... – e apontou para a cama
ao seu lado.
Tiago observou Hariel atrás
de uma leve cortina de organza. Ficou durante algum tempo olhando-a
compenetrado. Sirius estranhou.
- Que foi? – perguntou, com
um pedaço de bolo de carne na boca.
- Eu sei que isso pode
parecer loucura, mas você já reparou como a Hariel é bonita? – indagou
pensativo.
Sirius franziu a testa,
surpreso.
- Dumbledore? Não, não. Ela
não faz o meu tipo...
- Como se você tivesse
algum, não é mesmo? – zombou Tiago.
- Claro que tenho! – ralhou
Sirius. – Na verdade, acho que estou adquirindo um – Tiago encarou-o
estranhamente. – Alta, cabelos lisos, olhos negros...
- Bella?! – disse Tiago.
– Não estou surpreso. Ano passado foi a mesma coisa, e geralmente, quando você
passa suas férias toda pensando em alguém, isso significa alguma coisa.
Sirius fechou a cara.
- Eu não fiquei pensando
nela!
- Está bem então, amigo.
– fingiu Tiago, voltando os olhos para Hariel. Sirius notou.
- Mas eu pensei que seu negócio
fosse a Lílian.
Agora foi a vez de Tiago
fechar a cara.
- Não diga bobagens! Ela é
apenas minha amiga.
- Todos dizem isso. Mas,
sabe...
Quando Sirius iria continuar,
Hariel pareceu mexer-se na cama e arriscar abrir os olhos devagar. No mesmo
momento, apareceu de forma veloz, Severo Snape, levemente ofegante.
- Ela já acordou, Black?
Sirius nada respondeu, e
continuou comendo seus bolinhos de carne. Enquanto isso, Tiago aproximou-se e
entrou dentro da cortina de organza, observando Hariel mais de perto.
- Ela está acordando...
Snape dirigiu-se como um
foguete para cima da cama de Hariel, mas já era tarde demais. A garota abriria
seus olhos lentamente, como se despertasse de um sono de anos, e concentrou-os
em Tiago, que a olhava carinhosamente.
Rapidamente, ambos coraram.
Tiago, por ver aqueles olhos azuis brilhantes o olharem tão lindamente. Hariel,
por sentir imediatamente, uma onda de calor percorrer seu rosto ao encontrar os
olhos castanhos de Tiago a admirando. Sentou-se na cama, enquanto Tiago abria a
cortina. Encontrou, de repente, um Severo Snape a olhando de um jeito
desesperado e, como que pedisse piedade.
- O que você está fazendo
aqui? – perguntou a garota. – Pensei que eu tinha deixado bem claro que
queria você bem longe de mim!
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