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NO CAPÍTULO ANTERIOR:
O bicho-papão transforma-se em um gigantesco espelho assim que Ametista é convidada a enfrentar seu maior medo - e não consegue derrotá-lo. Dumbledore, então, dá uma varinha de prata à neta, que estranhamente provoca dores intensas na cicatriz de Harry. Que aquilo significava?
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CAPÍTULO SEIS – O SONHO DE AMETISTA
Harry
voltava para a sala comunal da Grifinória, quando encontrou Hermione correndo
em sua direção. Estava com um grande sorriso no rosto.
- Harry! – dizia
ofegante. – Precisava mesmo conversar com você. Só você pode me ajudar.
- Fala. –
respondeu o garoto curioso.
- Eu estava na
biblioteca procurando algumas coisas sobre aquelas estátuas dos fundadores de
Hogwarts e encontrei em um deles o nome de um livro que dizia o paradeiro das
estátuas. – explicou, atropelando algumas partes.
- E aonde eu entro
nisso, Hermione?
- Preciso da sua
capa da invisibilidade. – pediu com a face rosada.
Harry olhou para a
amiga desconfiado. Hermione continuava corada e sorrindo.
- E para que você
vai usá-la? – perguntou o garoto.
- Eu preciso entrar
na sala reservada. Eu tenho certeza que esta lá. O livro está lá! –
exclamou.
A idéia de loucura
passou rapidamente pela cabeça de Harry, que estava achando que Hermione estava
muito entretida na história das tais estátuas. Mas aceitou emprestar a capa.
- Muito obrigado!
– e depois deu um abraço no menino.
Hermione já corria
de volta à torre quando Harry a parou.
- Você sabe onde
está o Rony?
- Ele está
treinando quadribol com a Ametista lá embaixo nos jardins. – respondeu a
garota, se desvencilhando do amigo.
Harry seguiu para os
jardins segurando sua Firebolt. Ficava relembrando das palavras de Sirius. Tomar
cuidado com o quê? E como o padrinho frisava a proteção de Lupin em cima de
Ametista. Tudo estava muito estranho. Chegando aos jardins, encontrou Rony
rodando em volta dos arcos de quadribol. Ametista segurava a goles e, pelo que
parecia, cobraria uma suposta falta. Ela gesticulava e Rony parecia seguro em
defender a goles. Harry subiu em cima de sua Firebolt e subiu até a altura da
garota. Agora, conseguia ouvir o quê Ametista dizia a Rony.
- Rony, não se
esqueça do que te falei. Fique sempre rodeando os arcos. Mas nunca faça na
mesma ordem. Assim, o artilheiro não saberá em qual arco você atacará. Fique
atento. – Ametista pegou o apito que estava pendurado por um cordão em seu
pescoço e apitou.
A garota atirou a
goles no arco do meio. O garoto passou muito perto, mas não conseguiu segurar a
goles. Depois Rony exclamou:
- Essa passou perto!
– e riu em seguida. – Oi Harry!
Rony perguntou como
foi a visita na sala de Lupin e Ametista lembrou-se de que deveria ir até lá
para conversar como o professor pedira de manhã.
- Potter, você pode
continuar ajudando o Rony? – indagou a menina, atrasada. Harry confirmou com a
cabeça.
Antes de Ametista
descer, Harry gritou por ela.
- Você poderia
fazer um favor a mim? – pediu Harry.
A garota franziu a
testa. Mesmo que ela tivesse ouvido sua história e chegava até a andar com
ele, fazer favores era demais!
- O que você quer,
Potter? – indagou irritada.
- Isso. – disse e
apontou para a garota.
- Isso o quê? –
repetiu sem entender.
- Pare de me chamar
de Potter!
Ametista ficou
durante alguns segundos pensativa e depois respondeu rapidamente:
- Não! – e Harry
ficou furioso.
A garota desceu da
sua vassoura e correu em direção ao quarto para lavar o rosto. Logo após,
seguiu para a sala de Lupin. Enquanto isso, Hermione pegou a capa de
invisibilidade no quarto de Harry escondida. Coberta inteiramente pela capa,
Hermione seguiu para a biblioteca da escola. Madame Pince estava totalmente
atarefada por causa de um aluno que havia deixado quatro livros fora do lugar.
Aproveitou a chance e entrou com cuidado pela porta principal junto com um grupo
de alunos da Lufa-Lufa. Passou por uma mesa onde Colin Creevey e seu irmão, Dênis,
pesquisavam sobre a guerra dos bruxos contra os gárgulas. Sabia essa matéria
do começo até o fim, com todos os detalhes. Seguiu para a porta da Sessão
Reservada. Olhou ao redor, procurando alguém que pudesse estar atento. Nada
havia. Abriu a porta calmamente e entrou. Os inúmeros corredores de livros
deixavam a garota maravilhada.
- Que paraíso. –
sibilou para si mesma.
Procurava em total
silêncio o tal livro que deixava claro o lugar das estátuas dos fundadores de
Hogwarts. Entretanto, ouviu passos vindo da porta da sessão. Lembrou-se que
ainda estava com a capa e passou a observar todos os corredores. Não conseguia
encontrar ninguém. De repente, conseguiu enxergar em uma das pequenas placas
que dividiam as sessões de livros a palavra “Hogwarts”. Imaginou, pelo nome
do livro (“Perigos e segredos guardados a sete chaves em Hogwarts”) que ali
deveria estar o livro. Aproveitou e caminhou silenciosamente até a coluna de
numerosos livros. Com um piscar de olhos, encontrou o livro, no topo da coluna.
Porém, era muito baixa e não conseguia alcança-lo. Começou a ficar tensa,
procurando algo para subir em cima. Achou, no meio da quinta sessão de colunas
um banquinho desgastado.
- Parece servir...
– disse baixinho, verificando o banquinho.
Voltou para a coluna
onde havia encontrado o livro e colocou o banco em frente, procurando subir para
o alcançar. Quando estava subindo, sentiu um calafrio e a presença de alguém.
Olhou para baixo do lado esquerdo e não viu ninguém. Antes de verificar o lado
direito, ouviu uma voz perguntar:
- Harry?
A menina virou-se,
reconhecendo a voz. Tirou a capa e sorriu ao professor. Lupin
apenas respondeu:
- Hermione? Pensei
que você não era capaz de fazer isso! – e riu.
Desceu do banquinho
e tentou explicar para o mestre. Ele logo entendeu e tentou ajudá-la. Alcançou
o livro e pegou para a garota.
- Muito obrigado,
professor. Mas espere que o senhor não conte isso a ninguém. – pediu
acanhada Hermione.
- Não, não
contarei. Mas da próxima vez, me peça e eu pego para vocês. Não está
mentindo para mim, não é? – indagou Lupin, desconfiando da explicação de
Hermione.
- Não, só quero
saber onde elas estão mesmo, professor. – respondeu a menina, referindo-se às
estátuas.
- Quando acha-las,
me avise – pediu o mestre, rindo – Mas, falando sério agora, não mexa com
estas coisas, Hermione.
- Por que? O que
estas estátuas poderiam fazer? – perguntou a garota, intrigada.
- Apenas não seja
curiosa o bastante para ir atrás delas – respondeu Lupin, em tom sério.
-
Se o senhor insiste. – disse Hermione, recolocando a capa e saindo com o
professor, escondida.
Somente naquela hora
reparou que o mestre estava segurando um livro grosso, parecendo muito antigo,
sobre magia negra. Hermione estranhou, pois sabia que mesmo os professores
preferiam evitar estas coisas. Mas, não deu muita importância. Optou por
voltar para a sala comunal e ler como uma louca.
Chegando a sala de
Lupin, Ametista encontrou o professor voltando para sua sala, já que todo o
incidente na biblioteca havia acontecido enquanto treinava com Rony e
ajeitava-se. O professor parecia muito satisfeito de ver a aluna.
- Estava esperando
você. – disse Lupin, abrindo a porta da sala.
Snufles estava
descansando. Acordou imediatamente quando os dois entraram na sala. Ametista
observou o cão e cerrou as sobrancelhas. Lupin notou. Snufles também e latiu
para a garota. Ametista se afastou.
- Algum problema com
Snufles? – indagou Lupin sério.
- Eu acho que ele não
gosta de mim. Eu sinto que há algo de errado dele comigo – comentou. Lupin
apenas riu – Acho que eu sei o que o senhor quer saber. – disse
repentinamente.
- Sabe? –
perguntou para ela, curioso.
- Sei. Você quer
saber por que tenho medo de espelhos.
- Vamos dizer que
você acertou uma parte de nossa futura conversa. Eu te chamei aqui para
conversar sobre sua varinha também.
- Minha varinha? –
estranhou Ametista.
- Sim. Eu vi o
reflexo verde saindo de suas vestes hoje de manhã na aula.
Ametista engoliu
alto. Lupin prosseguiu:
- E eu quero saber o
por quê de ela fazer isso. Suponho que você saiba, não?
- Infelizmente,
nisso eu não poderei ajudar, professor. – respondeu desanimada. Snufles latiu
novamente.
- Por que? –
perguntou o professor, interessado.
- Bom, eu vou contar
toda a história. Eu recebi a varinha ontem de meu avô...
- Ontem? –
interrompeu Lupin. – Como ontem? Você viveu todo este tempo sem ter uma
varinha?
- Não, eu tinha
outra. Mas não foi a varinha escolhida.
Lupin fazia uma cara
de quem estava perdido. Ametista respirou fundo e explicou toda a história de
nenhuma varinha a escolher. No final, o professor parecia mais curioso que
nunca.
- Nunca vi isto
acontecer. É muito estranho.
- É, eu sei. E por
isso fiquei com a melhor varinha que tinha. Até que o Sr. Olivaras fabricou uma
varinha nova especialmente para mim.
- E você está com
ela aí?
- Estou. Quer vê-la
melhor?
Ametista tirou a
varinha do meio das vestes com o casaco, sem tocar na varinha. Nada aconteceu.
Deixou a varinha em cima da mesa do professor. Lupin começou a observa-la mais
atentamente.
- Incrivelmente
bonita. Porém, nunca vi qualquer varinha prata. Mostre-me o fenômeno que
aconteceu hoje de manhã na aula. – ordenou.
- O senhor tem
certeza? Pois o Harry Potter não reagiu muito bem a isso. – disse Ametista e
imediatamente Snufles postou-se ao lado de Lupin.
Lupin confirmou com
a cabeça, estava muito curioso. Ametista pegou então a varinha e todo o fenômeno
aconteceu, iluminando a sala, agora esverdeada. Ao final, os dois pareciam
impressionados.
- Nunca vi coisa
parecida. – sussurrou Lupin.
Lupin pegou a
varinha na mão e começou a estudá-la. Ficou com ela durante dez minutos.
Ametista permanecia curiosa, esperando algum tipo de diagnóstico. O professor
pegou um pergaminho e anotou algumas coisas. Depois, Lupin mudou radicalmente de
assunto.
- Agora, vamos falar
sobre o espelho. Explique-me aquilo. Por que você teria medo de um espelho?
Ametista estava
calada. Apenas ficou encarando o professor. Lupin repetiu a pergunta. A garota não
mudou a postura. Lupin levantou da cadeira e adotou uma maneira radical. Abriu o
armário da sala e de dentro saiu um espelho enorme, o mesmo que na aula da manhã.
A garota gritou e virou-se para trás, como se quisesse esconder-se do espelho.
- Ametista, você
precisa confiar em mim! Eu sou seu guia aqui em Hogwarts e preciso estar a par
de tudo que acontece com você!
A neta de Dumbledore
permaneceu quieta, de costas para o espelho e o professor, trêmula.
- Confie Ametista!
Se não me disser qual é o problema, vou deixar que o bicho-papão descubra!
– avisou Lupin, com a face corada.
Ametista lentamente
virou para frente, ainda de olhos fechados e disse com a voz fraca ao professor:
- Tudo bem. Eu
conto.
Lupin transformou o
espelho em luas, como sempre e o bicho-papão voltou para o armário. Lupin
sentou-se novamente em sua cadeira e falou para a garota abrir seus olhos.
Estava ansioso para saber o mistério.
- Por onde quer começar?
– indagou o professor, paciente.
- Desde que eu me
lembro, desde que entendia as coisas do mundo, eu tenho esse sonho...
- Sonho? –
questionou Lupin, perdido novamente.
- É, um sonho.
Sempre tenho o mesmo sonho. Na verdade, eu não chamaria aquilo de sonho. É bem
mais um pesadelo. Persegue-me durante anos.
- E como é?
- É estranho. Como
disse, eu tenho este sonho desde muito pequena e mesmo assim, sempre me vi com
meus quinze, dezesseis, dezessete anos. Do jeito que estou agora ou um ano mais
velha...
- Exatamente deste
jeito? Mesmo quando era pequena?
- Sim. Ele começa
sempre do mesmo jeito. Eu estou andando por uma rua escura, parecendo Hogsmeade.
Estou chorando e chove um pouco. Estou carregando uma mala. Percorro um quarteirão.
Até que chega um ponto em que a chuva começa a apertar e eu continuo andando
sozinha.
- Você disse que
estava chorando. Sabe por que?
- Não. Só sinto
uma dor enorme no coração. Como se tivesse sido... sei lá... traída. Ou alguém
em quem eu confiava havia me abandonado.
- Totalmente
sozinha?
- Sim, tanto que eu
olho para trás e não encontro nada. Apenas escuridão. Algumas luzes de postes
estão acessas, mas nada consigo ver. Porém, em uma parte, logo depois, eu
chego em frente de uma casa antiga e meio desgastada. Eu sinto que devo entrar.
Abro um portão, que range muito alto. Quando entro na casa, eu encontro tudo
destruído. Algo me puxa para o andar de cima – ela parou por um instante. –
Subo e até sinto que alguém está me olhando. Mas não dou importância e
continuo subindo.
- Você não sabe o
que te puxa para dentro da casa e para o andar de cima? Não sabe se é alguém
ou uma luz acessa? – indagava o mestre, todo trêmulo.
- Eu não sei, é
alguma coisa. No andar de cima, eu começo a me assustar. Eu ouço gritos,
chamados de socorro. Gritos de lamento e de dor. E sei que não de uma única
pessoa.
Lupin de repente,
começou a suar frio. Inclinou-se para frente, ouvindo cada palavra da história
com muita atenção. Ametista prosseguiu:
- Mas, não consigo
descer. A força continua a me puxar para o sótão da casa. Encontro uma escada
espiral que levava para cima. Quando subo, uma porta prata bloqueia minha
passagem. Lembro que tento abri-la, mas não consigo. Está trancada. Recordo
pegar a varinha, esta varinha – apontou para a varinha em cima da mesa. – e
consigo destrancar a porta.
- Quando você
recebeu a varinha, não percebeu a semelhança com a varinha de seu sonho?
- Sim, eu achei que
já a conhecia. Mas custei a ligar as duas varinhas. Demorei, até que a
semelhança surgiu esta noite em minha cabeça.
- Hum, interessante.
– sibilou o professor, fitando a varinha.
- Bom, depois que
consigo destrancar a porta, me espanto, pois entro numa sala repleta de
espelhos. – e suspirou em seguida, tensa.
- E? – interrogava
agora Lupin.
- Eu viro as costas
e vejo que não há mais a porta prata. Apenas espelhos. Olho para frente,
somente espelhos. Olho para o chão, espelhos, para o teto, espelhos. Começo a
ficar paranóica! – exclamou Ametista, apavorada em continuar.
Os dois ficaram por
um momento quietos, Lupin conseguia ouvir a respiração da aluna e os tremores
que Snufles fazia, encostado em sua mesa. O cão estava totalmente
impressionado.
- Você não pode
parar agora, Ametista. Termine. – pediu o professor, muito mais curioso e
entretido na história assombrosa.
A garota respirou e
olhou para as janelas. Depois, continuou:
- Como dizia, eu
fico apavorada. Não encontro saída. Vejo meu reflexo em todos os espelhos. Meu
cabelo estava mais comprido e meus olhos cada vez mais claros. Respirava rápido
e somente conseguia ver meu reflexo. Eu sei que sou assim hoje em dia, como no
meu sonho, pois eu passo em frente de espelhos rápido, mas consigo perceber meu
reflexo apavorado algumas vezes.
- E você fica lá?
Trancada?
- Não. De repente, os espelhos não refletem mais minha imagem. Todos
mostram os espelhos, uns aos outros, mas não eu. Apenas o que está na minha
frente. Apenas aquele – pausou novamente. – No meio do silêncio, eu ouço
um ranger de porta. Penso que é no portão de entrada da casa. Mas eu me engano
e – agora estava realmente apavorada só de contar. – vejo um vulto. Grito,
mas sei que ninguém me escutou. Viro as costas e encontro um homem, coberto por
uma capa preta, ensopada. Parecia que havia saído de uma tempestade. Não
consigo ver seu rosto.
- Homem? Que homem?
– indagou Lupin curiosíssimo.
- Este é o mais
estranho. Eu não consigo ver quem é, mas dentro de mim, eu sei quem é.
- E quem é?
- Aí é que está o
problema. Eu mesma, não sei quem é. Mas parece que no sonho, eu sei –
terminou Ametista, continuando a contar. – Estou em pânico. Ouço raios e
trovões do lado de fora. De repente, os reflexos voltam e somente consigo ver
à minha volta o homem, envolvido pela capa encharcada.
- Você não
consegue de nenhuma forma reconhecer quem é a pessoa? – perguntou Lupin, trêmulo.
- Não. Quando menos
espero, o homem começa a falar. Diz que nada nem ninguém poderão me salvar ou
ajudar. Ele diz alguns nomes, mas não consigo entende-los. Uma espécie de
nuvem cobre os nomes, quando ele os pronuncia. Depois, ele saca sua varinha e
grita algum feitiço, que também não consigo entender e vai embora. Eu caio
desacordada. Após um tempo, acordo e continuo vendo o reflexo dele em todos os
espelhos. Eu estou tão apavorada que grito um feitiço e quebro todos os
espelhos. Eles me cortam toda. Lembro de muitos cortes e sangue. Aí, acordo
ofegante e totalmente apavorada. Este sonho é a causa disso. – e Ametista
estendeu os braços, deixando aparecer às faixas nos pulsos.
- O que é isso? –
interroga Lupin, tremendo.
- O senhor pode não
acreditar, mas são as marcas do sonho. As conseqüências, os cortes dos pedaços
quebrados dos espelhos.
Lupin toca os braços
da aluna, e observa atentamente as faixas. Custa a acreditar. Olha para a menina
e vê o pavor em sua face.
- Posso ver? –
indaga o professor, indicando as faixas.
- Não, é melhor não.
– responde Ametista, recuando os braços.
Lupin ficou durante
um momento olhando a garota. Ela finalizou:
- É por isso que eu
não suporto espelhos, não consigo olhar para eles. Vejo o reflexo do homem
toda vez, apontando a varinha para mim. – e abaixou a cabeça.
Havia passado uma
hora. Lupin percebeu que a conversa tinha sido exaustiva tanto para ela quanto
para ele e Sirius.
- Ametista, pode ir
embora. Sei que isto foi muito difícil e cansativo para você. Mas quero que
confie em mim.
Lupin arriscou um
sorriso a garota em conforto. Quando estava quase deixando a sala, Lupin fez uma
última pergunta:
- Quando foi a última
vez que teve este sonho?
-
Na noite anterior a minha vinda a Hogwarts. Desde que estou aqui, não tenho
este sonho.
- Por favor, se você
tiver novamente, avise-me, certo?
Ametista confirmou
com a cabeça, deixando a sala. Lupin voltou à sala e encontrou Sirius
transformado. Estava mais pálido do que de costume. Lupin sentou-se em sua
cadeira, passou a mão no rosto e olhou para a mesa. Encontrou a varinha da
aluna, Ametista havia esquecido-a lá.
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A
manhã seguinte apresentava um sol forte e uma temperatura agradável. Harry
levantou cedo, tivera pesadelos à noite toda. Estava exausto. Rony, ao contrário,
estava com uma enorme disposição. Mostrava-se ansioso com a aula de Trato das
Criaturas Mágicas.
- Aula com os dragões
será ótimo. Será que encontramos aquele que você enfrentou no ano passado,
Harry? – questionava o garoto, sobre o Rabo-Córneo Húngaro.
Harry estava
lembrando dos pesadelos que assombraram sua noite. A maioria com os pais.
Imaginou-se até no futuro, morrendo pelas mãos de Draco, que havia se unido a
Voldemort apenas para destruí-lo. À parte engraçada era Rony e Hermione
juntos. Até que faziam um bonito casal, pensou.
-
Harry? – chamou Rony.
- Ah! O quê você falou mesmo?
- Esqueça. Vamos
descer para o café. E você não me disse sobre o quê Lupin queria falar,
ontem.
- Depois eu conto,
foi tudo meio confuso. – respondeu Harry, bocejando.
No Salão Principal,
Hermione estava sentada ao lado de Fred, conversando animadamente. Ametista
sentou-se ao lado de Neville, que insistia em dizer que enfrentou Sirius Black
em um sonho e o matou. Harry aproveitou o espaço entre a garota e o amigo
trapalhão e sentou-se. Ametista aproveitou e perguntou ao garoto:
- Você está bem,
Potter?
Harry olhou perdido
para a garota. Ela refez a pergunta e completou:
- Acorde Potter! Por
causa de ontem. Eu sei que você não ficou muito bem com o fenômeno maluco da
minha varinha.
- Não, não. Eu
estou bem. – respondeu Harry, corando.
Enquanto
isso, Rony entrou no meio do irmão e de Hermione.
- Sobre o que estão
falando? – perguntou, curioso.
- Tenho certeza que
não é de seu interesse, Rony. – respondeu Hermione.
- Intrometido. –
disse Fred, rindo.
- Hunf! –
resmungou Rony, sentando-se ao lado de Hermione, tentando ouvir alguma coisa.
Harry ficou
observando o amigo perto do pescoço de Hermione, na tentativa de descobrir qual
era o segredo entre ela e o irmão. Decidiu agitar o café.
- Vocês não sabem
com o quê eu sonhei hoje? – disse Harry, aguçando a curiosidade de todo o
grupo sentado perto dele.
- Com o quê? –
indagou Fred, que parou interrompeu sua conversa com Hermione.
- Sonhei que éramos
todos mais velhos e que estávamos lutando contra Vold... – explicava Harry
quando percebeu que boa parte de quem escutava a história tampou os ouvidos, o
nome que ia pronunciar – Desculpem-me. Contra Você-Sabe-Quem.
- E? – perguntou
Lino Jordan, ao lado de Fred.
- E que a Hermione e
o Rony estavam casados! – exclamou Harry, fazendo estourar uma onda fortíssima
de risadas. Todos riam, menos Rony, muito perturbado, e Hermione, muito
envergonhada.
Depois de alguns
minutos, todos haviam parado de rir e agora faziam piadinhas com os dois. Mas a
hora da primeira aula do dia quebrou a brincadeira. Agora, os alunos do quinto
ano da Grifinória dirigiam-se aos jardins de Hogwarts. Hermione e Rony foram o
caminho todo calados, com as faces ainda rosadas. Ametista disse a Harry, que
agora começava a sentir-se arrependido pela brincadeira:
- Potter, você não
deveria contar aquilo na frente de todo mundo.
Viam de longe a
silhueta de Hagrid. O gigante carregava algumas folhas nos braços e carregava
até o ponto de entrada na Floresta Proibida. Quando todos os alunos da Grifinória
estavam reunidos, via-se os da Sonserina chegando lentamente. Draco aproximou-se
de Hermione e Rony, acompanhado de Crabbe, Goyle e Pansy Parkinson, com a sua
cara de buldogue habitual.
- Ouvi alguns boatos
de que vocês estariam juntos. Que gracinha! – zombou o menino loiro em tom
arrogante.
- E eu que imaginei
que você namorasse Vítor Krum, Granger – disse Pansy, sempre invejosa.
Harry, que estava
perto, lamentou-se pelo feito há pouco.
- Ela não devia ter
dito isso. – sussurrou para Ametista, que permanecia olhando.
Rony mudou a feição.
Antes, não estava dando a mínima a que Draco ou seus amigos poderiam falar.
Mas, como sempre, era tocar no nome de Vítor Krum que o sangue subia em sua
cabeça.
- Você está com
inveja, não é? Você é que gosta da Hermione! – gritou Rony para Draco,
muito alterado. – Eu não namoro com ela e nunca irei! – Rony agora se virou
contra Hermione, que estava com os olhos cheios de água pela última fala de
Rony. – E você, é melhor assumir seu namorico ridículo com o Krum logo,
antes que achem que vamos casar!
Draco e os
companheiros ficaram olhando Rony esbravejando enquanto Harry e Ametista
observavam a cena.
- Tire essa idéia
maluca da tua cabeça cheia de gosma, Malfoy! – finalizou Rony, indo para cima
do garoto, que não tirava o sorriso irônico do rosto. Harry percebeu e segurou
o braço do amigo. Rony, por sua vez disse. – Você também! Tire isso da cabeça
e me solte!
Somente naquele
momento Harry percebeu que sua brincadeira tinha sido de muito mau gosto.
Hermione, que estava a poucos metros dali, correu de volta para a torre da
Grifinória. Hagrid notou que havia uma agitação. Foi em direção, acabar com
a discussão.
- Vamos parar com
isso agora. Estamos atrasados para o início da aula. Junte-se em duplas. –
dizia com as turmas tumultuadas.
Rony não queria nem
saber da aula e seguiu para a torre também. Hagrid perguntou qual era o
problema para Harry, que respondeu:
- Confusão, Hagrid.
A aula decorreu
normal. O professor dava exemplos de diferentes tipos de dragões, enquanto
alimentava um Olho-de-opala com pedaços de carneiro frescos, seu prato
predileto.
- Como podem ver,
este aqui é um Olho-de-opala. Nativo da Nova Zelândia, tem essas escamas
nacaradas – passava a mão nas costas do dragão – e estes olhos
iridescentes sem pupilas. Produz chamas vermelhas e não muito agressivo.
- E o que ele chama
de agressivo? – ironizou Simas a Neville.
Rony voltou direto
para a torre da Grifinória. Parecia um touro perseguindo um pano vermelho.
Praticamente babava de tanto ódio como um cão raivoso. Passando pelo quadro da
Velha Gorda, encontrou Hermione agachada do lado da janela. A garota soluçava
baixinho, como quem quisesse conter o choro. Quando percebeu que o garoto tinha
entrado na sala comunal, levantou-se e disse:
- Você não
precisava ter falado daquele jeito, na frente de todo mundo, Rony!
Rony, que subia as
escadas do dormitório dos meninos, parou no meio do caminho e virou-se para a
garota, que estava com os olhos inchados.
- Eu só falei a
verdade! Nós não somos namorados! – disse, grossamente.
- Mas dizer que
nunca namoraria comigo, que o Draco gosta de mim e ainda por cima dizer que
deveria assumir meu namoro com o Vítor! Isso já foi demais! – gritou,
chorando.
- Demais? –
parecia indignado – Demais é você continuar mantendo relações com o Krum!
Ah, não! É Vitinho! – esbravejava
mais alto Rony do que a garota.
- Eu não tenho e
nunca tive nada com o Vítor, e não é Vitinho!
- Você é uma
traidora, Hermione! Não merece a amizade ou sequer a atenção de alguém! E eu
disse e repito! Eu nunca namoraria você, nem se fosse a última garota na face
da Terra! – exclamou Rony, deixando Hermione calada por um instante.
A garota ficou
olhando para Rony, perplexa. Não acreditava que tudo aquilo era por causa de
Krum. Agora sim ela percebia que tudo era apenas uma desculpa para Rony brigar
sobre Vítor Krum.
- Traidora? –
indagou em baixo tom, muito magoada.
- TRAIDORA! E NUNCA
QUERO FALAR COM VOCÊ DE NOVO! – gritou Rony, realmente nervoso.
Hermione subiu
correndo as escadas para seu quarto e trancou-se ali, enquanto Rony sentou-se no
sofá da sala comunal, roçando os dentes de raiva.
Após a aula de
Hagrid, Harry e Ametista correram para a torre da Grifinória. Encontraram Rony
sentado ainda no sofá, emburrado.
- Você sabe onde
está a Hermione? – indagou Ametista, com calma.
O garoto apenas
indicou com o dedo a escada para o dormitório das garotas. Ametista subiu,
deixando Rony e Harry sozinhos.
- É... Rony? –
disse Harry, fazendo Rony virar mais para a janela – Eu queria me desculpar
por ter contado aquilo no café. – foi falando aos poucos, cauteloso.
Rony permanecia
quieto, olhando para a janela da sala comunal.
- Por favor, eu não
imaginava que fosse ficar tão nervoso e incomodado... – tentava explicar-se
Harry até que Rony o interrompeu, ainda olhando para a janela.
- Eu não fiquei
incomodado. – respondeu friamente.
- Como não? Eu vi e
todo mundo viu como você se importou com o meu comentário. Principalmente
depois da Parkinson dizer aquilo sobre o Vít... – dizia Harry, quando ouviu a
voz de Rony novamente.
- Você poderia
evitar falar esse nome?
Harry ficou calado,
observando o amigo. Depois, tomou coragem e falou:
- Por que você fica
tão irritado quando eu ou qualquer outra pessoa pronuncia este nome? Quem ouve,
pensa que você está com inveja do Krum ou com ciúmes da Mione!
- Eu não tenho ciúmes
nem dela e muito menos inveja dele! – esbravejou, nervoso.
Harry não queria insistir no assunto com Rony, pois sabia que o amigo
ficaria muito mais exaltado do que já estava, mesmo sabendo que era verdade.
- Tá bem. Eu só
quero que você esqueça o quê aconteceu. Não foi por querer, Rony. – pediu
Harry, acanhado.
Rony ficou por um
tempo quieto, pensando. Depois respondeu:
- Tá bem, mas
depois terá de explicar toda essa história para o pessoal, porque eu não
quero que me apontem, dizendo que sou namorado daquela traidora.
- Quem é traidora?
– indagou Harry, perdido.
- A Hermione, é
claro! – respondeu Rony em tom raivoso.
Harry realmente não
queria discutir o assunto com Rony. Mas sabia que, se o amigo tivesse dito isso
a Hermione, a amizade entre eles acabaria facilmente.
- Então, vamos
descer para o almoço? – propôs Harry.
- Vamos. – logo
respondeu Rony, ainda meio emburrado.
Enquanto isso,
Ametista corria para o dormitório. Entrando, encontrou Hermione sentada na
cama, com a cabeça abaixada. Soluçava. Ametista sentou-se na ponta, olhando a
amiga chorar silenciosamente.
- Hermione?
A menina levantou a
cabeça lentamente e olhou para Ametista, que permanecia observando. Falou
repentinamente:
- Você acha que sou
muito feia?
- Claro que não!
– respondeu Ametista, surpresa com a pergunta – Claro que não! Você é
muito bonita, Hermione.
- Se eu fosse
bonita, ele não falaria o quê ele falou.
- O Rony? –
perguntou Ametista. Ela não tinha o costume de chamar Rony pelo sobrenome,
somente quando ficava nervosa.
Hermione confirmou
com a cabeça.
- Mione, não ligue
para o quê ele falou. Ele é um menino. Nessa época, eles não sabem o que
falam.
- Mas, mesmo assim.
Eu sei que ele acha aquilo mesmo.
Ametista ficou
parada, pensando na reação da amiga a toda história.
- Dá para perceber
que não é isso que está te aborrecendo. Ele disse mais alguma coisa para você?
– indagou Ametista.
Hermione permaneceu
calada, até que decidiu soltar tudo de uma vez:
- Quando ele chegou
da aula do Hagrid, eu estava lá na sala comunal. Eu disse que ele não
precisava ter falado aquelas coisas e ele foi super grosso, dizendo que eu era
traidora e não merecia a atenção de ninguém! Do nada, sabe. E ainda disse
coisas sobre eu e o Vítor. Eu sei que isso só foi um pretexto dele para
discutir novamente sobre o Vítor comigo! Eu sei que sim! Foi terrível!
Ametista ficou durante um período olhando a amiga, com os olhos
vermelhos e inchados. Depois perguntou calmamente:
- Você gosta do
Rony?
- Não, claro que não!
– respondeu Hermione rapidamente. – Não é sobre isso, é que se ele pensa
assim, os outros também devem.
- O Krum não pensa.
– disse segura.
- E de que adianta o
Vítor pensar assim. Eu não sou bonita! Eu sou horrorosa! E ainda sou acusada
de ser traidora! – gritava Hermione.
- Quem você acha
bonita? A
Pansy Parkinson, por acaso?
-
O Malfoy gosta dela... – disse Hermione chateada.
- O Malfoy não
gosta de ninguém, Mione! E mesmo se gostasse, ela é medonha, tem aquela cara
amassada, aquela cara de buldogue! Você é muito mais bonita que ela! E tenho
certeza que muita gente acha o mesmo. É só impressão sua! O Rony pode ter
falado aquelas coisas, mas eu sei que não é o quê ele e muito menino pensa
por aí! – respondeu Ametista, tudo de uma vez, perdendo a paciência.
- Eu não sei. – e
enfiou a cabeça no travesseiro.
- E tem mais! Você
não é nenhuma traidora! Você apenas ficou amiga do Krum e o Rony está com ciúmes,
é só! Foi exatamente como disse, isso foi somente uma desculpa dele.
Hermione não
conseguia parar de pensar nas palavras de Rony. Elas iam e voltavam na mesma
rapidez que respirava.
- Não vai adiantar
você ficar aí, chorando. Vamos descer para o almoço e mostrar como não dá a
mínima para o Rony ou qualquer outro que diga aquelas coisas.
- Não, por hoje não.
– respondeu Hermione, deitando em sua cama encolhida, pensando nas acusações
de Rony.
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NO PRÓXIMO CAPÍTULO:
A primeira aula de Aparatação nos apresenta uma mulher misteriosa e muito bonita - a nova professora. Snape deixa Hogwarts inesperadamente e Olívio Wood volta para ajudar Rony - e conhece Ametista. Os olhos azuis parecem ter enfeitiçado o primeiro de muitos.
Não se arrisque encarar aqueles olhos negros em "ARABELLA FIGG"
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