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NO CAPÍTULO ANTERIOR:
Remo Lupin está de volta, ensinando DCAT. Porém, a grande surpresa foi o grande e negro cachorro que o acompanha, de nome Snuffles - Sirius Black para os mais íntimos. Só que a reação do animado não foi das melhores diante do semblante da neta do diretor.
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Na
tarde do mesmo dia, todos ainda se espantavam pela ausência do diretor da
escola. Ametista já estava mais aliviada por saber que seu avô já havia saído
da enfermaria. Agora, permanecia descansando em seu quarto. Harry e Rony haviam
combinado de irem jogar um pouco de quadribol à tarde, já que ainda algumas
aulas estavam suspensas. Porém, Rony lembrou que precisa terminar o resumo
passado por Snape. Ainda não haviam usado suas varinhas, apenas faziam resumos
e mais resumos, pedidos de todos os professores. Harry aproveitou e reuniu todo
o time de quadribol da Grifinória na sala comunal.
- A professora disse
que precisamos arranjar um goleiro e um capitão logo. – repetia Harry ao
resto do time.
- Ai, eu sinto falta
do Olívio! – suspirou Alícia Spinnet.
- Você apenas diz
isso porque gostava dele. – falou Jorge, parecendo ciumento.
- Não é verdade!
– disse em resposta à insinuação de Jorge.
- Como não, todas
as garotas gostavam de Olívio! – exclamou Jorge.
Harry olhou para
Fred, que apenas sussurrou:
- Jorge tem uma
queda por ela. – e em seguida riu.
- Pessoal, não
estamos aqui para discutir isso. Precisamos arranjar um goleiro e um capitão
– lembrava a artilheira Katie Bell – Alguém conhece algum goleiro?
Ninguém levantou a
mão ou disse algo. Angelina Johnson sentou-se no sofá e bufou. Fred sentou-se
ao seu lado e colocou a mão em seu ombro. Harry observou e entendeu tudo.
- Como arranjaremos
um novo goleiro até o mês que vem? – indagou Angelina, completamente
desanimada.
- Eu tenho uma idéia!
– gritou Harry, assustando a todos.
- Qual a sua grande
idéia? – perguntava Alícia, esperando alguma besteira. – É melhor ser
boa!
- O Rony pode ser o
novo goleiro!
Fred caiu na
gargalhada e Jorge disse:
- O Rony? Você só
pode maluco!
- Por quê? –
perguntou Harry, sem entender.
- O Rony é
simplesmente uma negação em quadribol. – completou Jorge.
- Mas podemos ajudá-lo.
Se ele treinar, acho que pode dar um bom goleiro.
- Sem chance. –
repetia Fred, controlando a risada.
O silêncio seguiu,
todos agora tentavam achar uma solução. Até que Angelina disse:
- Gente, nós não
temos opção. Não existe ninguém para substituir Olívio. Apenas o Rony pode
nos ajudar.
Agora os jogadores
se olhavam, procurando entrar num acordo. Katie Bell e Alícia pareciam
concordar com Angelina, que tentava convencer Fred.
- Eu só aceito com
uma condição. – falou Jorge, aos olhos de todos.
- Qual condição?
– perguntou Harry, receoso.
- A responsabilidade
será toda sua! Se Rony for um ótimo goleiro, nós sempre o seremos grato, porém,
se ele for um horror, sua cabeça será colocada a prêmio e faremos seleções
com todos que se inscreverem!
Harry engoliu em
seco. Será que Rony seria capaz de se tornar um bom goleiro, um goleiro a
altura da Grifinória? Depois de pensar um pouco, Fred retomou:
- É com você,
Potter.
Então, Harry
finalizou:
- Eu aceito! Rony
virara um novo Olívio Wood.
- E quem será o
capitão? – lembrou Alícia.
Todos se
entreolharam pensativos, até que Angelina propôs:
- Já que o Harry
vai ser responsável pelo treinamento do Rony, ele pode ser nosso capitão.
Harry sentiu-se
corar e um enorme peso nos ombros de repente. Seria algo grande, mas que teria o
maior prazer de realizar.
Ao final, todos
toparam e Harry concordou.
- O novo capitão é
Harry Potter. – anunciou Fred.
Saindo da sala
comunal, Harry lembrou-se de que tinha de avisar a professora McGonagall quando
arranjassem um novo goleiro e capitão. Foi em direção à sua sala. Lá,
encontrou a professora cabisbaixa, pensando profundamente. Entrou de mansinho,
cuidadoso.
- É... Professora?
McGonagall levantou
o rosto e viu Harry andando acanhado até chegar a sua mesa.
- É, já arrumamos
o problema do goleiro de quadribol.
- Tão rápido
assim? – parecendo desconfiada.
- Sim. Escolhemos o
Rony.
A face da professora
mudou de cor três vezes até esbravejar:
- OUTRO WEASLEY?
Harry deu quatro
passos para trás, achando que a professora fosse o transformar num sapo do
norte da Índia, como havia mandado os alunos fazer na aula do dia. Depois a
professora respirou e respondeu:
- Desculpe-me, Sr.
Potter. Apenas estou um pouco nervosa. Você tem certeza de que ele pode
substituir Olívio?
Harry começou a
pensar no que responderia à professora. Poderia responder a verdade e dizer que
Rony será ainda testado e treinado, porém a professora poderia subir em seu
pescoço de tão tensa que estava. Ou poderia dizer que ele é um ótimo goleiro
e sairia dali com o peso de transformar Rony em tão pouco tempo. Optou por
misturar as duas:
- Sim, professora.
Tenho certeza de que ele se esforçará ao máximo.
- E quem é o próximo
capitão?
- Eu. – respondeu
Harry, vendo o rosto da professora aliviar um pouco.
- Está bem, Potter.
Agora, se me der licença, vou visitar o diretor.
E saiu, parecendo
incrivelmente preocupada. Harry correu para contar a novidade a Rony.
Encontrou-o na biblioteca, conversando com uma garota de compridos cabelos
negros. Harry se aproximou e tomou um susto.
- Olá, Harry. –
cumprimentou Cho Chang.
- O... O que vocês
estão fazendo? – perguntou, tímido.
- Ela estava aqui na
biblioteca fazendo aqueles resumos doidos do Snape. Resolvi pedir ajuda, então.
Aí, começamos a conversar e ela me disse que a Cornival também com problemas
no time de quadribol. – explicou Rony.
- Ah... Falando
nisso, já arranjamos nosso novo goleiro – avisou Harry, em tom ríspido com o
amigo.
- Sério? Muita
sorte a sua! – respondeu Cho, um pouco vermelha.
Nesse exato momento,
Hermione chegou, carregando toneladas de livros. Despejou-os em cima da mesa,
parecendo extremamente cansada. Rony olhou e riu. A garota observou a atitude do
amigo, olhou para Cho e pegou todos os livros novamente e sentou-se na mesa do
lado. Harry pediu licença e foi sentar-se com Hermione.
- Não precisa
sentar-se aqui, Harry. É melhor você ficar lá.
- E por que eu
ficaria ali? – respondeu Harry, tentando animar a garota, dando a entender que
queria sua companhia.
- A Cho está lá.
- E?
- E que você gosta
dela e deveria aproveitar os momentos que possui para ficar ao lado dela e...
- Eu não gosto
dela, Hermione! – interrompeu-a.
- E ainda mais por
que o Rony também está lá. – terminou a menina.
- E o que é que tem
o Rony estar lá?
- Ah Harry! Vai me
dizer que você não fica com ciúmes?
- É... É claro que
não. – respondeu, com certa insegurança.
- Tá bom então,
Harry. Continue enganando a si mesmo. Agora, me deixa estudar. – finalizou
Hermione, nervosa.
Harry também ficara
tenso e deixou Hermione na mesa sozinha. Não havia entendido por que a amiga
tinha falado tudo aquilo. Observou Rony em uma animada conversa com Cho, o quê
o fazia ficar mais tenso ainda. Passou pela mesa onde estavam sentados Rony e
Cho e falou:
- Rony, depois,
quando estiver livre, preciso falar com você. – e saiu da biblioteca.
Somente agora, Harry
percebera que já estava quase escuro. A caminho da sala comunal da Grifinória,
encontrou Snape. Parecia mais irritante do que de costume, como todos em
Hogwarts. Suas vestes pretas pareciam mais ameaçadoras do que nunca e sua voz
mais gélida também.
- Potter, andando
sozinho pelo castelo. Estranho. – disse o professor.
- Estranho por quê?
– respondeu Harry, sem medo de perder pontos por responder a um professor.
- O senhor nunca
anda sozinho, sempre com Sr. Weasley.
Harry queria
responder algo como “não é da sua conta”, mas preferiu preservar sua difícil
relação com o mestre de Poções. Continuou calado.
- Bom, deve estar
aprontando algo, talvez – insinuou o professor, testando a paciência do aluno
– De qualquer forma, o senhor sabe onde está a Srta. Dumbledore?
- Não.
Snape olhou fixo no
rosto de Harry e saiu, quase atropelando o estudante da Grifinória. Harry não
estava disposto a gastar seu tempo brigando com Snape e voltou ao seu destino
original: a sala comunal.
Passando pelo quadro
da Velha Gorda, encontrou Ametista escrevendo em um tipo de caderno. Parecia
grosso e tinha uma capa azul clara, assim como tudo o que pertencia à garota.
Apenas naquele momento Harry reparou nas faixas azuis que cobriam os dois pulsos
da menina, como Hermione havia comentado. Harry sentou-se no sofá. Só então a
garota percebeu sua presença. Levantou a cabeça e olhou para o garoto.
- Potter! Não
percebi que estava aí.
- Não, tudo bem.
Acabei de chegar mesmo.
Ametista
aproximou-se do menino e Harry assustou-se quando ela encostou a mão direita em
sua testa, enquanto a esquerda segurava o caderno, que agora,
surpreendentemente, mudou de azul claro para vermelho. Harry percebeu que seu
nome aparecia várias vezes no diário.
- Nossa! Você está
com uma cara péssima e até um pouco quente. Talvez esteja com febre. – disse
a ele, ligeiramente ardilosa.
- Como você
percebeu tudo isso?
- Não preciso ser a
Madame Pomfrey para notar que não está bem. – respondeu impaciente.
Harry começou a
sentir-se incomodado, pois naquele momento notou que Ametista tinha o costume de
falar olhando em seus olhos, mesmo quando não brigavam. Ele levantou-se rápido.
- Muito obrigado em
preocupar-se comigo, Ametista.
A garota sacudiu a
cabeça.
- Não é questão
de estar preocupada com você, Potter – respondeu ríspida. – Apenas estou
lhe avisando para não ficar todo coitado pelos cantos depois. – completou
arrogante.
Vontade não faltava
a Harry para responder mal educadamente àquela fala. Porém preferiu engolir em
seco.
Harry
reparou que o diário parecia mais vermelho. Lembrou então de Dumbledore e
mudou de assunto suavemente:
- Você parece
melhor do que nestes outros dias. Dumbledore está melhor?
- Ah, está muito
melhor! Amanhã, já poderá voltar com seus deveres. – contou a menina, com
um grande sorriso na face, coisa difícil.
- Que bom. Daqui a
pouco iremos jantar, então vou aproveitar para tomar banho. Até mais tarde,
Ametista. – e Harry subiu as escadas, vendo os grandes olhos azuis da garota,
olhando e irritando-o há pouco.
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Perto
do horário do jantar, Harry estava sentado no parapeito da janela de seu
quarto. O tempo estava melhor do que na manhã. Ficava lembrando os momentos em
que havia visto os pais. As pessoas que ele mais amava. Lembrava do sonho que
tivera na noite de seu aniversário. Que havia visto todos que realmente
gostava. Mas, os pais eram o bem mais precioso, a melhor lembrança que Harry
jamais poderia guardar.
- Eles nunca me
magoariam. – falava baixinho para si mesmo.
Ao mesmo tempo, Rony
entrava no quarto, acompanhado por Neville, que estava coberto de um tipo de
capa preta. Harry levantou-se e perguntou por que o amigo estava vestido daquela
forma. A resposta veio rápida como a pergunta. Neville abriu a capa. Harry
segurou-se para não rir na cara do gorducho amigo.
- Veja só o que me
aconteceu, Harry. – dizia, quase choramingando.
Neville estava sujo
com uma meleca amarelo da cabeça aos pés.
- E por que você
veio todo coberto? – indagou Harry.
- Se McGonagall me
ver nesse estado, acho que sou expulso de Hogwarts! – exclamou Neville.
- Bom, eu ia tomar
um banho agora, mas pode tomar primeiro, Neville. – disse Rony, segurando a
gargalhada também.
O garoto foi
deixando a roupa pelo caminho e entrou no banho. Rony sentou-se na cama e caiu
na risada, juntamente com Harry. Após o acesso de gargalhadas, Rony questionou
Harry:
- Por que você
falou comigo daquele jeito na biblioteca?
- É... Por que...
- Se o problema for
ciúmes por causa da Cho, pode ficar tranqüilo porque eu não me interesso por
ela, apesar de a achar muito bonita.
- Eu não estava com
ciúmes dela! – exclamou Harry.
- Tá bom, tá bom.
Então por que era?
- Ah... – Harry
percebera que era provavelmente por causa de Cho e desconversou. – Esquece.
- E você sabe qual
era o problema da Mione? Ela estava uma fera!
- Provavelmente
porque você riu dela, e ainda na frente da Cho.
- Ah, vai, ela já
está acostumada com isso.
- Acostumada?!
Coitada, Rony! Você fica rindo dela na frente dos outros!
- Ah, agora deu para
você ficar defendendo a Hermione?
- Não é essa a
questão, Rony! É que ela deve ficar muito chateada!
- Harry, mas você
também sabe que ela é assim!
Harry e Rony
pareciam estar prontos para brigar, mas nesta mesma hora, Neville gritou,
pedindo sua toalha que havia deixado em cima de sua cama. Depois de acalmados,
Rony perguntou o quê Harry queria falar para ele.
- Bom, acho que você
vai gostar da notícia. – respondeu Harry.
- O quê é? Fala
logo, Harry!
- Você é o novo
goleiro da Grifinória! – exclamou Harry para quem quisesse ouvir.
- SÉRIO? – Rony
parecia desacreditado.
- Sério, mas terá
de treinar muito!
- Eu treino até
embaixo de uma tempestade de feitiços de Você-Sabe-Quem! – gritava Rony.
- E a idéia foi
minha. – gabava-se Harry.
Rony pulou em cima
do amigo, festejando.
- Você é o maior
amigo do mundo! Você é, Harry!
Na hora do jantar,
os alunos da Grifinória pareciam com uma nova motivação, apesar de ninguém
acreditar muito no potencial de Rony como goleiro de quadribol. E como toda nova
notícia na escola, logo a novidade chegava aos ouvidos de Malfoy.
- Já ganhamos a
Copa de quadribol deste ano! – gritava no meio da turma da Sonserina, que
adorava a notícia. – Sim, já somos os campeões!
- Se eu fosse você,
não teria tanta certeza, Draco. – disse Snape, atrás de Malfoy, que se
assustou com a voz cortante do professor.
- Como assim? O
senhor está do nosso lado ou não?
- Claro que quero
que a Sonserina ganhe, porém não se esqueça de que também perdemos dois
jogadores. Precisamos arranjar novos, e muito em breve.
As risadinhas
corriam pela mesa da Grifinória, e não somente nela. Sonserina havia
conseguido ganhar uma antipatia de todas as casas de Hogwarts. Lufa-lufa e
Corvinal também estavam tirando sarro de Draco. Para a surpresa de todos,
apenas Dumbledore não estava presente no jantar. Todos os outros professores
apresentavam-se em suas cadeiras. Durante todo o jantar, Hermione era o oposto
de Rony. Estivera imóvel. Não falara nada. Comeu muito pouco e permanecia
olhando apenas para o próprio prato. Ao final, quando todos já estavam indo
para suas torres, Harry perguntara o que havia acontecido e Hermione respondeu:
- Parabéns Rony.
– e correu para o banheiro das garotas.
Ametista, que havia
ido ver o avô logo após o jantar, encontrou Harry e Rony sentados na sala
comunal. Imediatamente, pediram ajuda:
- Você sabe o que está acontecendo com a Hermione? – perguntou Rony,
aparentemente muito preocupado. – Eu acho que ela estava brava comigo.
- Não, não sei.
Ela estava muito calada no jantar. – respondeu Ametista, que também havia
notado.
- Tenho certeza que
ela foi para o banheiro das meninas. Talvez você consiga falar com ela. –
disse Harry.
- Mas vai acabar o
horário de ficar fora das torres. O Filch vai nos achar, Potter. – lembrou a
garota.
- Nós temos uma
maneira de impedir que isso aconteça. – disse Rony, olhando diretamente a
Harry.
Harry subiu para o
quarto e voltou com uma capa escura dobrada nas mãos. Ametista olhou e não
entendeu. Harry então, colocou em volta de seu corpo. Ametista tomou um susto.
- Uma Capa da
Invisibilidade! – exclamou a menina – Era mesmo o que eu precisava, Potter!
Ametista cobriu-se
da cabeça aos pés e pediu que um dos meninos dissesse a senha à Velha Gorda,
para que pudesse passar. Após este obstáculo ultrapassado, caminhou calmamente
até o banheiro das garotas. Entrou com cautela e, depois de verificar que não
havia alguém mais além de Hermione no banheiro, retirou a capa. Abaixou-se e
procurou os pés da amiga. Nada achou. Começou a olhar para cada porta e
reparou em uma especialmente.
- Está trancada –
sussurrou para si mesma – Ela deve estar aqui.
Tudo continuava
muito silencioso. Ametista virou para trás e viu que acima das pias havia
espelhos. Virou-se rapidamente.
- Hermione?
Hermione? É Ametista. Eu sei que você está aí.
Mas não adiantava.
Parecia que estava sozinha no banheiro. Tornou a chamar, mas a amiga nada
respondeu. Ametista pegou então, dentro de suas vestes, uma varinha e ditou em
direção à porta:
- Alorromora!
Entretanto, a porta
não abriu. Ametista olhou para a varinha.
- Não é como a
minha! Bom, Hermione, se você não quer sair, eu vou te esperar aqui fora. Vou
me sentar aqui no chão e esperar você sair daí.
Ametista abaixou-se
e sentou de costas aos espelhos. Passados cinco minutos, Hermione abriu a porta,
cabisbaixa. Ametista sorriu.
- Você venceu. –
disse Hermione, em baixo tom.
- Sente-se. Vamos
conversar.
Hermione olhou para
Ametista, que estava sentada de maneira desconfortável, entre os canos que
havia debaixo das pias, de costas para os espelhos.
- Por que você está
sentada assim? – indagou Hermione, achando a posição muito estranha.
- Assim como?
- Embaixo das pias!
- Oh, não é nada
com as pias. Eu apenas não gosto de espelhos.
- Por que? –
perguntou Hermione, estranhando.
- Ah... Por nada.
– respondeu rapidamente.
Hermione abaixou-se
e sentou à frente de Ametista. A garota notou a capa de Harry, nos braços de
Ametista. Imaginou que o amigo estivesse preocupado com ela e que havia a
emprestado para Ametista, para esta procurá-la.
- E então? Qual é
o problema? – perguntou apreensiva.
- É... É que... É
uma história muito longa, Ametista.
- Não tem problema,
eu estou aqui para escutá-la. – respondeu Ametista rapidamente.
Hermione hesitou.
Será que Ametista era uma pessoa em que poderia confiar um segredo tão bem
guardado? Afinal, havia conhecido a menina há tão pouco tempo e seus primeiros
contatos não foram os mais esperados. Se aquilo caísse nos ouvidos de Harry
ou, principalmente Rony, estaria perdida.
- Sabe, o Rony achou
que você estava assim por causa dele. Achava que você estava brava com ele.
- Não, não estou
brava com ele. Até já me acostumei com as brincadeirinhas dele.
Ametista riu.
Hermione percebeu, olhando nos olhos da amiga, que poderia confiar o seu
segredo. Resolveu começar.
- Bom, não sei se
você soube que, no ano passado, tivemos um Torneio Tribruxo aqui em Hogwarts
– Ametista confirmou com a cabeça – Então, as escolas Durmstrang e
Beauxbatons também foram convidadas a participarem do torneio.
- E delas surgiram
seus campeões. Eu fiquei sabendo da história por cima, sabe?
- Isso já ajuda
muito para você me entender. Continuando, os campeões foram Cedrico Diggory de
Hogwarts, Fleur Delacour da Beauxbatons, o Harry e Vítor Krum da Durmstrang.
- É, meu avô me
contou.
- Presumo que você
já ouvira falar do Krum?
- Claro, um ótimo
jogador de quadribol!
Hermione pigarreou
alto e mudou o olhar. Ametista não entendeu e perguntou o que havia falado de
errado.
- Você é como uma
daquelas fãs enlouquecidas que ficam pedindo autógrafos e gritando seu nome?
– parecendo um pouco ciumenta, indagou Hermione.
- Não, claro que não.
Eu apenas acho que é um grande jogador. – respondeu Ametista, e mesmo que ela
achasse algo a mais sobre Krum, preferia não dizer e manter o recente laço de
amizade com Hermione.
- Prosseguindo, eu
sempre ficava na biblioteca. E por coincidência, ele também, mas as fãs
atrapalhavam-no sempre. Até o dia em que ele veio falar comigo.
- O Krum veio falar
com você? – parecendo surpreendida Ametista.
- Veio. Dali alguns
dias, teria o Baile de Inverno, em que os campeões tinham que levar um par. A
Fleur foi com o Davies, o Harry com a Parvati, – nessa hora, Ametista mudou a
feição, contraindo os olhos. – o Cedrico foi com a Cho Chang, o que deixou o
Harry muito desanimado, e o Vítor foi comigo!
- Que legal! Ele te
convidou, então?
- Sim. Porém, no baile, o Rony fechou a cara para mim e falou umas
coisas muito grossas...
- Ciúmes? –
indagou Ametista, interrompendo-a.
- Não, acho que não. Mas, de qualquer forma, brigamos feio no final da
noite. Depois, na segunda tarefa do torneio, onde as pessoas mais importantes
para os campeões foram levadas para o fundo do lago, eu fui à escolhida por
Krum, enquanto Rony foi por Harry. Mais um motivo para ele ficar muito bravo
comigo.
- E você ainda acha
que não são ciúmes dele?
- Isso não importa
– desconversava Hermione. – Depois que o torneio acabou, eu continuei me
correspondendo com ele. Mas, em uma das últimas cartas, ele fez uma coisa
inesperada.
- O quê? –
perguntava Ametista aflita.
- Ele me pediu em namoro!
Ametista ficou sem
fala. Hermione riu da cara da amiga, que estava com o queixo caído. A garota
continuou, depois que Ametista perguntou qual tinha sido a resposta.
- Eu não aceitei.
Disse que ainda era muito cedo, que não nos conhecíamos direito, e também
porque eu nunca namorei...
- É incrível. E
por que você está assim?
- A resposta dele.
– respondeu Hermione pausadamente.
- Qual foi à
resposta dele?
- Você vai ver
agora. É exatamente por isso que estou dessa forma. E agora, não sei mais o
que fazer.
Hermione tirou um
pedaço de papel de sua blusa e entregou a Ametista, que começou a ler.
Querida
Hermione,
Posso dizer que
estou muito magoado com a sua resposta. Pensei que depois do que passamos, você
entenderia meus sentimentos por você.
Vítor
Ametista parecia
impressionada enquanto lia a carta de Krum. Hermione ouvia as palavras e ficava
mais chateada ainda. Ao final, Ametista levantou o rosto e viu que Hermione
estava chorando.
- Não era a minha
intenção faze-lo sofrer. Eu gosto muito dele, mas apenas como amigo. – dizia
Hermione, limpando as lágrimas da face.
- Ele tá mesmo
apaixonado por você, hein? Mas eu acho que ele só escreveu isso num momento de
raiva, não leve a sério.
- Como não levar a
sério?! Olha o que ele me respondeu! Eu o magoei muito. – lamentava-se
Hermione.
- Eu acho que, se
ele gosta de você do jeito que ele fala, o Krum não pensa isso de você.
- E o pior é que
ele acha que eu gosto do Harry!
As duas ficaram por
um momento em silêncio, até que Ametista perguntou, acanhada:
- Você gosta?
- Não, ele é meu
amigo, somente isso. Sabe, eu até posso confessar a você que quando conheci o
Harry, eu tive uma quedinha por ele, mas já passou.
- Mas você não
gosta mais? – Hermione confirmou. – Então, você precisa esclarecer isso
com ele – continuou Ametista. – Precisa mostrar para ele que, na verdade,
você não gosta de ninguém, mas que também não está preparada para namorar
ele.
- E como eu faço
isso? Ele não me quer ver nem pintada!
- Eu acho que você
tem de responder. Mesmo que ele tenha dito que não vai ler a carta, ele vai
ficar curioso de saber o quê você tinha para falar.
Hermione estava
receosa em mandar uma resposta a Vítor. Ficou calada por algum tempo, pensando
se a atitude parecia correta.
- Mione, talvez, ele
perceba que é melhor ser seu amigo. É a única opção. Vamos tentar, pelo
menos.
Hermione observava o
apoio que Ametista dava a ela. Reservava uma postura totalmente diferente de
como conversava com ela quando Harry ou Rony não estavam por perto.
- Tá bem, mas eu
espero que isso dê certo.
As duas combinaram
de se encontrar na tarde do dia seguinte para elaborar a carta. E saíram do
banheiro envolvidas na capa de Harry.
Na sala comunal,
Harry e Rony esperavam ansiosos a chegada de Hermione. Harry ficara mais
preocupado do que Rony, já que este só conseguia imaginar-se como o melhor
goleiro que Hogwarts já conhecesse. Quando as garotas passaram pelo quadro da
Velha Gorda, encontraram Harry lendo um livro sobre dragões e Rony simulando um
vôo em sua vassoura. As duas riram e Harry notou sua presença.
- O que ele está
fazendo? – perguntou Hermione, rindo.
- Não esquente, está
assim durante horas – avisou Harry, olhando o amigo que estava sentado no braço
do sofá, fingido estar quase pegando o pomo. – Mas vejo que você está
melhor!
- Ah, sim! Estou bem
melhor. Nada como uma conversa entre amigas, não é? – disse Hermione, dando
um sorriso a Ametista.
- E qual era o
problema? – questionou Harry.
- Nada, nada de
mais. Já está quase resolvido – respondeu Hermione rapidamente.
Ametista parou atrás
de Rony, deu um cutucão em seu braço e disse:
- Eu sei, isso deve
ser muuuito divertido – foi dizendo, quando Rony caiu do braço do sofá e
ficou muito vermelho. – Mas, que tal você esperar até o primeiro jogo?
Todos riram e
finalmente, tudo parecia bem, pelo menos, naquele instante.
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Na
manhã seguinte, todos pareciam levantar de bom humor. Logo no café, a antiga
atmosfera amigável e acolhedora de Hogwarts havia voltado. Dumbledore estava
novamente sentado ao meio da mesa dos professores, com um grande sorriso na face
e parecendo muito disposto. Para a alegria do diretor e a tristeza dos alunos,
as aulas voltaram ao normal.
Como primeira aula,
o Prof. Flitwick estava muito mais que animado e alegre. Decidiu começar a matéria
mais cedo. Pulou as explicações mais detalhadas e juntou os alunos da Grifinória
em grupos, com seus livros de feitiços.
- A aula de hoje será
como uma revisão. Peguem suas varinhas e apontem para seus livros,
levitando-os. Espero que não tenham esquecido do feitiço. – disse o
professor anão.
Hermione lembrava-se
muito bem, assim como Harry. Porém, Rony não parecia nem um pouco motivado
para a aula de feitiços.
- Eu quero ir
treinar quadribol! – repetia.
- Vingardium
Leviosa. – falou Hermione e seu livro começou a levitar. O mesmo
aconteceu com Harry, que deu um cutucão em Rony, que por sua vez, também
tentou fazer o mesmo.
Entretanto, Ametista
não conseguia executar nenhum feitiço. Segurava uma varinha desgastada e muito
feia. Hermione olhava com tom de reprovação, enquanto os garotos riam.
- Do que vocês estão
rindo? – indagava Ametista nervosa.
Na aula de Herbologia, com o pessoal da Lufa-Lufa, a Profª. Sprout
parecia muito satisfeita com o trabalho dos alunos sobre a Greensamby,
uma espécie de samambaia de um metro e meio de comprimento que libera um gás
somente no período da noite que confunde os sentidos e provoca um desmaio
depois de dez minutos de contato.
- Escutem, essa
planta é uma das mais perigosas do mundo – dizia a professora, temerosa. –
Tanto que vocês podem observar que ela esta praticamente trancada dentro desta
estufa particular. De forma alguma ou por qualquer motivo, vocês nunca poderão
abrir esta estufa a noite!
- Nossa professora!
– impressionou-se Rony – É tão perigoso assim?
- Se o senhor
duvidar do que estou dizendo, então eu providenciarei uma estadia sua no período
da noite na estufa, junta com a Greensamby. – ameaçou a professora.
Rony riu
timidamente, arrependendo-se de ter feito tal pergunta. Na hora do almoço, o
correio chegava aos poucos. Como era apenas setembro, não havia muitas
novidades. Porém, uma animou Harry especialmente. Edwiges entrou no salão
principal com o exemplar do Profeta Diário amarrado em sua perna. A notícia da
capa impressionou:
- Demais! –
exclamou Harry.
- O quê foi? –
indagou Rony, que lia um recado de sua mãe.
- Leia isso! – pediu Harry às risadas.
Depois de Rony ter
lido a notícia, os amigos caíram na gargalhada.
- Provavelmente os
Dursley! – dizia Harry.
De repente, Fred e
Jorge começaram a festejar. Todos olhavam para os irmãos gêmeos, que não se
continham e pulavam alegres. Dumbledore pigarreou alto, esperando que os irmãos
se acalmassem. Conseguiu. Fred bateu o olho no diretor que apenas acenou com a mão.
Os irmãos sentaram e todos pareciam curiosos.
- Estamos salvos!
– gritou Jorge. – Pode ficar tranqüilo, Rony.
Permaneciam sem
entender. Fred prosseguiu e finalizou:
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NO PRÓXIMO CAPÍTULO:
Lupin decide fazer uma revisão e recorda Bichos-papões. O único problema é que ninguém imaginava que aquele fosse o maior medo de Ametista. E diante das dificuldades da garota, finalmente, Dumbledore a presenteia com uma nova varinha. E que varinha!
Intrigue-se junto de Harry em "A VARINHA MÁGICA"
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