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NO PENÚLTIMO CAPÍTULO:
Sirius não é o pai de Ametista, pelo menos não de sangue. Descobrimos o motivo de tanto mistério. Ametista, na realidade, é filha de Voldemort - tudo por causa de um encantamento. Agora, como será o futuro desses bruxos?
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CAPÍTULO TRINTA E UM – UM
NOVO AMANHÃ
Uma semana se passou e a véspera
do embarque de volta à rua dos Alfeneiros chegara. Harry tivera uma semana
ligeiramente calma, depois de tantos dias tempestuosos. Há cerca de três dias,
havia chegado o resultado dos N.O.M.s. e ele havia passado com uma nota até que
bem acima da média, para sua surpresa. Rony, por sua vez, passou raspando e
ficou muito feliz por isso. Ambos haviam sentado e conversado sobre a decisão
de Harry em relação à Ametista. Rony concordara, muito a contragosto, que o
amigo gostasse dela. Quem ficara muito feliz com essa notícia fora Hermione,
que andava eufórica desde que seu resultado do exame chegara. Havia tirado nota
máxima. E, como se não fosse por isso, insistia em dizer que iria estudar nas
férias com o namorado.
Quanto a Ametista, ninguém sabia bem o que dizer. Harry, Rony e Hermione
somente foram avisados que ela fora levada até sua casa em Godric´s Hollow
para tirar uma semana de descanso, já que não estavam mais tendo aulas.
Dumbledore apareceu em algumas noites, apenas no jantar, para dar algum
comunicado ou tentar fazer uma refeição. Snape desaparecera por completo, para
a felicidade dos alunos, e ninguém sabia de seu paradeiro.
Arabella contou a Harry que Lupin fora designado a ficar com Ametista em
Godric’s Hollow, a pedido da garota. A madrinha, por sua vez, passava a maior
parte do tempo ajeitando materiais, coordenando detenções e dando um grande
apoio a Sirius. O bruxo quase não dava as caras, ficava na maior parte do tempo
trancado no quarto, ou então andava escapando para Hogsmeade. Arabella andava o
controlando.
Naquela tarde, Harry estava na sala comunal no meio de uma partida de
xadrez com Rony. Hermione lia um grosso livro sobre os ministros da magia já
existentes.
- Harry! Olhe aqui! Seu avô! – a garota pulava freneticamente na
frente do menino, com o livro nas mãos.
Harry tomou a “enciclopédia” entre os dedos e encontrou a foto de
seu avô estampada na página esquerda. No lado direito estavam milhares de
informações e dados sobre ele. Lia-se no topo da página: Anthony Potter.
- Ele também usava óculos! – comentou Rony agitado. – Acho que é o
mal dos Potter.
Os três riram de forma gostosa, enquanto Minerva entrava na sala comunal
sorrateiramente. Aproximou-se dos alunos e olhou de cima a foto do homem.
- Sr. Potter, por mais interessante que seja a sua vida, o senhor poderia
me acompanhar? – interrompeu a professora em tom rude.
Harry levantou rapidamente as sobrancelhas e caminhou para fora da Torre
da Grifinória. A professora o parou.
- A professora Figg quer vê-lo na sala do professor Lupin.
Harry agradeceu e seguiu caminho. Imaginou encontrar Ametista. Na
verdade, era a coisa que mais pensava naquela última semana. A visão da garota
caída no meio da sala de Dumbledore, aos prantos, não era algo que alimentava
sua mente de um lado bom.
Ao entrar no âmbito, encontrou Arabella sentada na antiga cadeira de
Lupin, mexendo em alguns papéis, e Sirius, parado atrás da professora,
analisando os mesmos papéis junto dela.
- Vocês me chamaram? – perguntou, entrando devagar.
Arabella abriu um sorriso, assim como Sirius. Fazia um tempo em que o
garoto não via o padrinho dar um sorriso a ele.
- Vou deixá-los a sós por um instante, preciso resolver algumas coisas
pendentes, mas não me demoro. Espere aqui, Harry. – disse a madrinha,
deixando a sala com alguns pergaminhos na mão.
Sirius aproximou-se de Harry e o olhou de forma amistosa.
- Eu precisava mesmo conversar com você, Harry. – e indicou a cadeira
para o garoto sentar.
Harry engoliu em seco e voltou os olhos verdes para o homem.
- Eu...bem, poderia dizer que tivemos um ano cheio, não é? – arriscou
um sorriso, assim como Harry. – Eu chamei você aqui para...para me desculpar.
Harry arregalou os olhos.
- Desculpar-se? De que? – indagou fingindo-se confuso.
Sirius engrossou a voz e pigarreou, dizendo:
- Você sabe bem do que eu estou falando, Harry! Não dificulte as coisas
para mim! – Harry sorriu. – Você é meu afilhado e eu devia tentar te
entender melhor. É que, eu só queria que você entendesse que é muito difícil
para mim vê-lo com...ah...bem, com a Ametista.
- Eu entendo, Sirius. Pode acreditar. Mas, você tem que entender também
que, querendo ou não, eu...eu gosto dela. Eu sei que não estamos juntos ou
qualquer coisa, mas eu gosto dela.
Sirius arriscou um novo sorriso.
- Tudo bem, Harry – Sirius levantou os dedos de ambas as mãos e
suspirou. – Eu não vou implicar com você se vocês decidiram ficar juntos,
certo? Eu prometo que vou tentar vê-lo com ela.
- Veja por outro lado, Sirius – pediu Harry. – Ela é a sua filha.
Pode não ser de sangue, mas eu sei que você deve gostar um pouquinho dela,
pelo menos. Um dia, você a amou como uma verdadeira filha. Tente vê-la como
uma novamente. Não é tão difícil.
- É, Harry. É muito difícil você querer que algo seja seu, sendo que
na verdade, ele nunca foi – Sirius abaixou a cabeça levemente. – Mas, quem
sabe, no futuro, eu posso perdoar toda essa história. Porque, afinal de contas,
é como a Bella disse, ela não tem culpa de nada disso, não é? E, talvez,
Hariel também não tivesse... Mas, isso é um pensamento para depois. Não
quero quebrar minha cabeça nisso agora.
- Eu fico contente que você tenha pelo menos força de vontade para
melhorar, Sirius. – elogiou Harry.
Sirius abriu um largo sorriso e aproximou-se devagar do afilhado, abraçando-o.
Arabella entrou na sala novamente, com os pergaminhos na mão e disse:
- Já era hora de vocês dois se entenderem mesmo! – e sorriu. – Bem,
agora que já estou de volta, podemos conversar?
Harry e Sirius sentaram nas cadeiras na frente da mesa de Lupin, enquanto
Arabella sentou-se atrás da mesa.
- Certo. Harry, eu estava conversando com o Sirius ontem e nós estávamos
pensando – ela trocou um rápido olhar com o homem. – em fazer algo para você.
Harry franziu a testa, curioso.
- O que?
Arabella e Sirius entreolharam-se novamente, os olhos cheios de
expectativas.
- Bem, achamos que, agora que você já sabe que eu sou sua madrinha e
que Sirius é seu padrinho, e ainda somos praticamente sua família, queríamos
fazer algo juntos.
Os olhos de Harry brilharam de felicidade.
- O que vocês pretendem? – indagou.
- Lembra-se que Sirius havia pedido a sua guarda no Ministério da Magia
no dia do julgamento? – Harry concordou. – Foi aprovada! – Harry pulou da
cadeira e gritou, explodindo felicidade. Arabella mandou-o sentar. –
Acalma-se. Não é só isso – fez uma pausa. – Como eu estava falando, foi
aprovada, mas você ainda tem de passar vinte dias com seus tios...
- Eu não quero voltar para lá! – retrucou o garoto.
- Não adianta, Harry! Ordens e regulamentos devem ser respeitados! –
ralhou Sirius.
- Ah! Olha só quem fala! – respondeu Harry divertido.
- Parem vocês dois! – brigou Arabella. – Escutem! Eu e Sirius
decidimos fazer uma viagem com você. Podemos pegá-lo depois do prazo, apenas,
mas você ainda pode me visitar na casa de minha mãe.
Harry lembrou-se da mulher que morava em frente a sua casa, na rua dos
Alfeneiros.
- Claro! Genial! Eu adorei a idéia!
- Mas não é só isso – continuou Arabella. – Deixaremos que você
chame Rony e Hermione para virem também.
- Ótimo! – e então Harry pensou em Ametista. – Mas e a...
Arabella e Sirius entreolharam-se novamente.
- Você poderá chamar a Ametista também.
Agora, sua felicidade estava completa.
- Depois nós escolhemos onde vamos, certo? Mas você já pode convidá-los.
– disse Sirius, evitando os olhos de Arabella. Ela já sabia onde deveriam ir,
mas ele evitava aquele lugar. Na verdade, aquela pessoa.
- Nossa! Vocês não sabem como me deixam feliz! Eu amo vocês! – disse
Harry.
Sirius olhou para Arabella e sorriu. Harry notou que aquilo havia
deixado-os emocionados. Levantou-se e fez questão de abraçá-los carinhosamente.
- Meus pais não poderiam ter deixado melhores padrinho e madrinha para
mim! Vocês são demais!
No meio do abraço, Harry ficava no meio dos adultos, que olhavam-se de
modo diferente. O sonho deles estava se realizando. Estavam fazendo o afilhado
feliz, e eles mesmos estavam felizes. Trocaram um longo olhar de carinho.
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O salão principal estava
decorado de modo esplêndido. Quer dizer, esplêndido para os grifinórios.
Faixas vermelhas e douradas estendidas no teto do castelo deixavam o ambiente
mais especial ainda. A última noite em Hogwarts sempre fora marcante.
Na mesa logo à frente estavam sentados todos os mestres da escola,
incluindo Snape e Lupin. Harry, Rony e Hermione deram um aceno rápido ao
professor, que devolveu-lhes um sorriso. Dumbledore também estava presente, ao
meio de seus colegas. Seu chapéu cônico azulado estava ligeiramente torto, mas
ainda assim, o diretor parecia bem melhor do que das outras vezes em que
aparecera naquela última semana.
A Grifinória esbanjava alegria e euforia. Os três jovens juntaram-se ao
resto da família Weasley e ao time de quadribol.
- Não consigo acreditar ainda, sabem – dizia Jorge. – Passou tão rápido!
Esses sete anos voaram e nós nem percebemos...
Ninguém conseguiu responder ou acrescentar algo. Pela primeira vez,
Jorge parecia estar falando sério, e todos respeitavam isso. Fred tinha os braços
entrelaçados aos de Angelina, que transparecia tristeza.
- Pelo menos vocês guardaram para sempre esses sete anos, não é? –
disse Hermione sem jeito, arriscando um sorriso.
- É verdade, minha cunhadinha tem toda a razão – Hermione corou ao
ouvir Fred dizer. – Foram os melhores anos de nossas vidas. Agora, só
responsabilidade, trabalho, família... – e o irmão deu um olhar de esguelha
a Angelina, que deu um leve tapa em seu braço.
- Eu realmente espero que estes dois anos que restam a nós demorem uma
eternidade para passar. – lembrou Rony, dando um beijo carinhoso na bochecha
de Hermione.
Dumbledore levantou-se de sua cadeira lentamente enquanto Minerva bateu
seu garfo na taça de vinho, fazendo o salão calar-se imediatamente.
- Muitos devem estar imaginando como este ano passou rápido por nossos
olhos. Eu mesmo consegui me surpreender. Porém, querendo ou não, mais um ano
se passou, e mais uma turma deixa Hogwarts – Dumbledore deu uma rápida olhada
nos alunos do sétimo ano de cada Casa. – Mas, deixaremos de lado a nostalgia.
A festa para os alunos do último ano será logo após nossa pequena celebração
e, posso imaginar que será inesquecível – e o diretor lançou um sorriso tímido
a Fred e Jorge. – Eu sinto-me feliz por este ano conseguirmos passar sem
muitas confusões, sem desgraças maiores, e finalmente, meu coração está bem
mais leve do que pôde estar por toda minha vida. – muitos não entenderam o
diretor, que não deixou de virar a cabeça e encontrar os olhos negros de
Arabella o olharem com tanta emoção.
Dumbledore tentou completar a próxima frase, mas parecia incrivelmente
difícil. Minerva, então, levantou rápida anunciando:
- Para festejarmos, divulgaremos agora a contagem das Casas – muitos da
Sonserina fizeram caretas. – Em quarto lugar, Corvinal com duzentos e nove e
sete pontos – uma pequena euforia foi ouvida entre os azuis e bronzes. – Em
terceiro lugar, Sonserina – muitos entreolharam-se. – com trezentos e trinta
e dois pontos – a escola preferiu aplaudir discretamente os alunos da Casa,
sendo ouvido claros gritos de animação por parte da Grifinória. – Em
segundo lugar, Lufa-Lufa com trezentos e cinqüenta e cinco pontos – a mesa
estourou de felicidade. Eles tinham feito um acordo que tentariam o título ao máximo
em homenagem a Cedrico. – E em primeiro lu...
McGonagall sentiu uma mão trêmula apoiar em seu braço esquerdo e
virou-se, encontrando os olhos azuis de Dumbledore. Ela entendeu e concordou. O
diretor, que parecia ter recuperado sua discrição, finalizou:
- Em primeiro lugar, queria parabenizar a Casa Grifinória!
Os grifinórios levantaram de suas bancadas e jogaram seus chapéus cônicos
pretos ao ar, pulando e gritando, trocando elogios e abraços. Lupin, Hagrid e
Arabella não conseguiram conter-se e trocaram sorrisos e olhares de satisfação.
Em meio à euforia incontrolável da Casa campeã da Taça das Casas, Dumbledore
pôde encontrar dois olhos brilhantes lançarem uma brisa de calor em seu corpo.
Acabando de entrar no salão, ninguém a percebeu. Lupin cutucou Arabella
ligeiramente, que prestou atenção. Ele sussurrou em seu ouvido:
- Eu disse que ela vinha.
Corvinal e Lufa-Lufa juntaram-se a crescente felicidade e animação da
Grifinória rapidamente. Os sonserinos preferiram ficar isolados e inconsoláveis.
Um dos rostos mais abatidos em meio aos alunos era o de Draco Malfoy, que não
conseguia desviar seu olhar de Harry Potter e Gina Weasley.
Enquanto muitos ainda festejavam, outros saboreavam a suculenta refeição
de despedida. Ainda, a mesa da Grifinória agitava sem parar, até que uma chuva
de objetos pequeninos e brilhantes começaram a cair do céu estrelado daquela
noite.
Snape levantou de sua cadeira na mesa dos professores:
- Que é isso?! – enfureceu-se repentinamente.
- Eu preparei isso, Severo – esclareceu Arabella divertida. – Não
precisa morrer de ciúmes. – finalizou, concentrando seus olhos nos dele.
O mestre sentou-se novamente e, assim como Hagrid, encontrou os mesmos
olhos aproximando-se da mesa dos leões. E foi assim que outros conseguiram notá-la
finalmente.
Os brilhos não paravam de cair, das mais diferentes cores e tamanhos. O
salão encheu-se de suspiros. Era uma visão maravilhosa. E foi no meio desses
objetos que Harry encontrou duas pedras azuis. Parecidas com a cor do oceano. No
mesmo momento, seu coração disparou novamente, como muitas outras vezes. Ninguém
lançava aquele olhar a ele. Ninguém, exceto ela.
- Pensou que eu fosse perder a comemoração? – indagou em um tom mais
calmo e delicado que nunca.
Harry concentrou-se nela, e somente nela. Não parecia mais a mesma
garota que o fez perder os cabelos de tanto ódio e repulsão. Diferente daquela
que o tirou de seu caminho e aulas tantas vezes por alguma discussão. Era algo
muito mais que novo, era especial. E, naquele momento, seu sentimento cresceu de
forma absurda. Nunca esqueceria daquele dia. “Agora
eu sei que gosto dela”.
- Não vai responder nada? – insistiu a garota.
Harry somente conseguiu sorrir. Nada mais o faria expressar melhor a
surpresa que era vê-la após a última semana. Foram Rony e Hermione que
aproximaram-se e trouxeram-no de volta à órbita.
- Ametista! – gritou Hermione. – Você voltou!
A menina arriscou um sorriso. Harry notou como ela não conseguiu completá-lo.
Ela estava definitivamente diferente.
- Vamos comer logo, se não acaba nossa hora e teremos que subir para a
Torre sem comida! – reclamou Rony faminto.
Sentaram-se à mesa, ainda tentando retirar os brilhos de cima das
comidas. Ametista comeu um pedaço de creme de espinafre e murmurou:
- Estava com saudades das comidas daqui. – fazendo Hermione e Rony
rirem.
Trocando apenas um olhar, via-se que não era hora de comentar sobre as
últimas descobertas com Ametista. Rony, Harry e Hermione decidiram deixar que o
tempo a fizesse entender e tentar compreender. Antes de o horário dos menores
soar, Ametista lançou mais um olhar para Dumbledore e o diretor sentiu a brisa
quente novamente. Ele sabia que ela ainda demoraria muito para aceitar, mas
perdoá-lo, ela já havia feito no momento em que ambos choraram juntos em sua
sala naquela noite.
- Vão! Vão embora! A festa é nossa! Vão embora! – gritavam
alegremente Lino, Jorge e Fred, expulsando os alunos da Grifinória do salão
principal.
E a noite seria longa para eles. A última noite, a despedida de uma infância
saboreada. E no dia seguinte, era acordar e enfrentar o mundo.
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Ao caminho da sala comunal, Gina
acompanhava algumas garotas de seu ano. Observava seu irmão e Hermione andarem
juntos, de mãos dadas, logo à frente. Sentiu uma pontinha de inveja por vê-los
tão felizes.
As garotas do quarto ano conversavam animadamente, comentando sobre suas
expectativas para as férias e para o próximo ano. Gina ouvia, mas preferia
ficar com seus pensamentos. Em seguida, algo a despertou levemente de seu
transe. Harry e Ametista desviavam o caminho e pegavam as escadas em direção
aos jardins de Hogwarts. Mesmo que nunca ninguém tivera dito a ela, sempre
desconfiou que havia algo entre os dois. Aqueles olhares raivosos e as discussões
levariam a algum lugar, mesmo que fosse muito lentamente.
Naquele momento, pareceu que algo dentro dela a fez clarear as idéias e
abrir sua mente. Por que ficar presa a alguém que nunca fizera nada? Ainda que
naquele ano, tiveram pelo menos dois momentos especiais, nada acontecera! “Então,
por que gastar meu tempo com ele?”.
A força de vontade parecia grande, mas seu coração sempre fora mais
fraco. Decidiu então, abandonar as garotas e mudar seu curso. O banheiro
feminino não ficava muito longe dali. Apenas, o quê ela não sabia era que
havia alguém a seguindo.
Ao entrar no âmbito, encontrou-o deserto. Primeiramente, checou as
portas dos boxes e procurou certificar-se que a Murta que Geme não aparecesse
ali para aumentar seu tormento.
Parou em frente a um dos espelhos do banheiro e admirou-se. “O que há de errado comigo?”, pensou relutante. Fechou os olhos
e tomou fôlego. Parecia estar cegando seus olhos e fechando seus ouvidos para o
mundo do lado de fora. Porém, foi ao abri-los, que teve de conter-se para não
soltar um grito.
Parado logo atrás dela, ligeiramente ao seu lado, estava Draco Malfoy.
Gina colocou a mão na própria boca numa chance de impedir que um palavrão saísse
sem querer.
- Você não sabe que aqui é um banheiro feminino, não? – indagou
ainda em tom assustado.
Draco deu um sorriso irônico. Gina virou-se para ele e encontrou seus
olhos azuis concentrados nos dela.
- Qual é o seu problema comigo, Malfoy? – irritou-se Gina.
- Ora, ora. Voltou a me chamar de Malfoy? Isso é interessante, mas nada
bom para nossa relação...
Gina notou o cinismo na fala de Draco e revoltou-se:
- Escute, Malfoy, eu tenho mais o que fazer do que ficar aqui tendo de agüentar
seus joguinhos misteriosos!
A garota ameaçou deixar o lugar, mas foi impedida. Draco colocou seu braço
esquerdo na frente, apoiado na pia, segurando-a.
- Está com medo, Weasley? – instigou o sonserino. – Está? – Gina
suspirou impaciente. – Está com medo de não resistir a mim?
- AH! Por favor, Malfoy! – retrucou Gina, afastando-se do braço dele.
– Minha vida é muito melhor sem você! Não preciso mais ficar me escondendo
dos meus irmãos para te encontrar! Não preciso mais ficar noites imaginando se
você está sendo sincero ou não! Sofrer para tentar entender se realmente vale
a pena perder minha família por sua causa!
Gina pareceu perder totalmente a fala quando viu os olhos de Draco
transformarem-se. Um olhar de admiração surgiu, fazendo-a faltar o ar. Aquele
olhar, Draco nunca dera a ela antes. Na verdade, nunca dera a ninguém. Malfoy
nunca admirou ninguém. Talvez, tenha sentido algo parecido com admiração por
Ametista pela coragem com que ela o enfrentava, mas nada era parecido com
aquilo.
- Eu me sinto vazio. – disse o garoto repentinamente.
Gina levantou as sobrancelhas.
- O...o que você di...disse?! – engasgou, ainda procurando o ar.
- Eu não posso ser totalmente sincero com você agora, mas eu posso
dizer que me sinto vazio.
A menina fechou a boca que estava entreaberta. Engoliu em seguida e
procurou concentrar seu olhar no dele novamente.
- Por que você veio me procurar? Por que veio atrás de mim?
Draco parecia lutar contra si mesmo por dentro. Mas deveria fazer aquilo.
Mesmo que fosse contra as regras.
- Por que eu não me sinto vazio quando estou com você.
“O que ele quis dizer com
isso?”, suspirou ansiosa Gina.
Ficara durante algum tempo em silêncio. Draco olhava para o chão
enquanto Gina ficava com seus pensamentos. De repente, Draco deu um passo para
trás e abriu caminho.
- Se você quiser ir embora, eu vou entender. Pode ir.
Gina levantou seus olhos até a porta e paralisou. Por mais que soubesse
que deveria já ter saído dali, algo a prendia de forma intensa naquele
banheiro. Voltou os olhos para Draco. O garoto olhava-a de forma fria. Ela já
havia se acostumado com aquele olhar.
Gina deu um passo à frente e pôde ouvir Draco suspirar levemente. “Eu
já esperava isso”, pensou o garoto. Mas foi aí que ele se enganou. Gina
resolveu naquela última noite ignorar todos os princípios que havia adquirido
após o encontro na biblioteca com Draco.
A garota deu meia volta e parou a frente de Draco. Gina não parecia
muito mais baixa que ele.
- Draco...
Malfoy levantou rapidamente seu rosto e deixou um suave sorriso aparecer
em seu rosto. Gina encarou os olhos cinzentos do garoto e deu mais um passo a
frente, quase encostando seu nariz no dele, dizendo:
- Eu não me importo se você não estiver sendo sincero comigo – Draco
levantou uma de suas sobrancelhas surpreso. – Eu vou entender. Agora, nesse
momento, eu não quero saber.
Draco não teve tempo de responder, pois Gina atirou-se em seus braços e
colou seus lábios nos dele. Um novo arrepio tomou conta de Draco, assim como
anteriormente. Seus braços guiaram-se sozinhos até a cintura de Gina e a
apertaram fortemente seu corpo contra o da garota. Gina sentia algumas contrações
abaixo de seu estômago incomodar, mas naquele instante, nada a faria parar.
Logo, Draco já estava encostando Gina na parede e trocando uma guerra de
línguas entre suas bocas coladas. Não havia nada melhor que aquilo. Era mais
do que maravilhoso, era libertador.
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Passando as portas de carvalho do
salão principal, Hermione e Rony seguiam juntos, as mãos entrelaçadas, e ao
seu lado, Harry e Ametista. Ambos mantinham uma certa distância entre seus
corpos. Não sabiam bem o por quê, mas sabiam que era necessário.
Antes de desviarem para as escadarias que levariam até a Torre da Grifinória,
Harry parou Ametista, Rony e Hermione.
- Rony, vocês podem subir, eu queria conversar com a Ametista. –
disse, lançando um olhar para a garota.
Hermione tratou de puxar Rony rapidamente e seguir o caminho até a sala
comunal da Grifinória.
- Vamos para o jardim, lá está mais fresco. – avisou Harry, sendo
seguido por Ametista.
Seguiram para as escadas que levavam ao andar de baixo e atravessaram as
portas principais do castelo, aspirando o ar puro e o cheiro das plantas
umedecidas pelo sereno. Algumas rosas misturavam-se a relva. Harry parou no meio
do jardim e encarou Ametista.
- Que foi? – indagou a garota.
- Eu esperava encontrar algum lugar em que pudéssemos sentar. –
arriscou Harry desapontado.
- Pois eu já sei onde podemos ir! – disse Ametista rapidamente.
Andaram mais alguns metros e desviaram de seu caminho. Encontraram o lago
de Hogwarts, negro e misterioso. Ametista não deixou de sentir-se mais leve ao
olhar para aquelas águas tão acolhedoras.
- Nunca vim desse lado do lago. É muito bonito. – elogiou o garoto.
Ametista indicou um lugar perto da margem do lago, ao lado de uma alta árvore
para sentarem. Harry sentou-se próximo de Ametista, e pôde sentir seu perfume
de sândalo mais uma vez.
- Eu costumava vir aqui quando me sentia sozinha, ou quando algo
acontecia. É calmo e longe das pessoas. – explicou, inspirando mais um pouco
de ar puro.
- Parece que você conhece muito mais Hogwarts do que eu conheci em cinco
anos. – brincou Harry.
- Bem, aquela capa que Lupin me deu foi de grande ajuda, isso eu posso te
garantir. – respondeu em tom maroto.
Harry arriscou um sorriso. Ametista permaneceu levemente séria.
Encararam-se por um momento.
- Que é que você queria me falar? – indagou Ametista, quebrando o silêncio.
Harry engoliu em seco.
- Você já sabe o que vai fazer nas férias? – perguntou indeciso.
Ametista suspirou.
- Não posso te responder agora, mas eu sei que em Hogwarts não poderei
ficar – Harry franziu a sobrancelha. – Não sei bem o que é, mas meu avô
disse que todos estarão fora.
- Você vai voltar para...
- Godric´s Hollow? – interrompeu-o de forma agressiva. – Não sei
também, mas eu não gostaria nem um pouco de voltar para lá.
Ametista carregava uma certa mágoa ao falar de Godric´s Hollow. Harry
notou e perguntou:
- Você gosta de lá?
A garota surpreendeu-se com a pergunta.
- Bem, não é que eu não goste, sabe. Mas, é um lugar estranho. É
calmo, as pessoas são gentis, porém, eu ainda acho que algo aconteceu lá –
Harry franziu a testa. – Digo, é um vilarejo tão triste e noturno. Há uma
casa no alto de uma colina que eu sempre sonhei em visitar. É tão linda e... não
sei, eu sempre senti que algo me prendia a ela. Mas, acho que é só isso que me
prende àquele lugar. Eu fui infeliz durante muito tempo, e pretendo apagar essa
parte da minha vida, distanciando-me de lá.
Harry tossiu ao final.
- Eu gostaria de visitar Godric’s Hollow uma vez.
- Não há nada de muito interessante, mas acho que vale a pena por
aquela casa. É inesquecível. Agora, o tempo passou e ela está em ruínas, mas
ainda é maravilhosa.
Ambos ficaram em silêncio novamente. A tensão aumentava cada vez mais,
assim como uma ventania que se formava discretamente. Ouvindo o farfalhar das
folhas, Ametista teve uma visão. Caminhando sobre a água, num espetáculo de
beleza, o grande e branco cervo protetor apareceu. Delicadamente, ele andou até
o centro do lago e focou seus olhos nos da garota. Harry pôde perceber que,
repentinamente, Ametista abriu um tímido sorriso, como ainda não havia feito.
- Ametista, o que...?
Mas a garota não respondeu. Naquele instante, estava conversando com o
cervo, transmitindo seus pensamentos.
“Eu senti sua falta”, começou
a garota. “Também senti a tua. Mas,
sabe, hoje é seu dia de sorte!”, respondeu e instigou o cervo branco. “Terei alguma surpresa?”. “Não,
ela será para aquele que te acompanha”.
Ametista virou a cabeça velozmente e encontrou Harry olhando-a curioso.
Ela, então, voltou a visão para o centro do lago. “Como
assim? Se o presente é para ele, porque é meu dia de sorte?”. “É
seu dia de sorte. Apenas isso. Apenas pelo fato de você transformar um dos
maiores sonhos daquele que te acompanha em realidade”.
Ametista franziu a testa. “E o
que eu devo fazer?”.
O cervo nada respondeu. Ametista piscou e repetiu a pergunta inúmeras
vezes. Mas, foi ao ouvir um novo farfalhar ao seu lado que entendeu. Harry
estava tentando levantar-se, enquanto apontava para algo no meio do lago.
- Você...você está ve...vendo o que eu estou? – indagou o garoto
quase sem fala.
Ametista tornou-se para o lago e encontrou o cervo branco vindo em sua
direção. O animal andava de forma majestosa por cima da água que
movimentava-se fracamente.
Harry conseguiu finalmente levantar-se, assim como Ametista. Ele caminhou
para perto da margem, enquanto ela parou ao seu lado, ligeiramente atrás. Ambos
tiveram uma visão incrível e inacreditável. Enquanto o cervo andava em sua
direção, dentro da água podia-se observar um homem nadando calmamente, assim
como os passos do cervo.
O animal parou repentinamente ao chegar na borda do lago, assim como o
homem do lado de dentro da água. O cervo abaixou as pernas dianteiras e
encostou sua cabeça na água, como se estivesse a cumprimentá-los. Harry e
Ametista permaneceram paralisados.
Ao levantar a cabeça, o homem dentro da água procurou equilibrar-se de
forma que ficasse em pé e pudesse ser observado e reconhecido. Aquilo fez Harry
apoiar-se levemente em Ametista. Novamente, como no ano anterior, só que de
outra forma, a figura de pele branca, cabelos castanhos rebeldes e olhos de
mesma cor, envolvidos por um óculos redondo. Seu pai estava em pé, em sua
frente, dentro da água.
- Este...es...este é o me...me...meu pai. – confirmou, gaguejando.
Ametista encarou Harry repentinamente.
- Mas, espere um pouco! – protestou a garota. – Este é o cervo que
eu tinha falado com vocês antes! Ele me protege!
Harry nem desviou o olhar do homem embaixo d’água.
- Eu sei! Eu o vi no dia que o Lúcio Malfoy te atacou! – respondeu o
garoto.
- Mas... é impossível... – Ametista parou. Concentrando o olhar no
homem debaixo d’água, uma visão veio a sua mente, fazendo-a arregalar os
olhos. – Esse homem... ele é...é o homem da foto.
Harry, que tentava observar melhor o pai, virou-se para a garota ao seu
lado ligeiramente.
- Que foto?
Ametista piscou os olhos e abaixou-se até a margem do lago, procurando
uma melhor imagem do homem.
- Ele é meu padrinho.
Harry inclinou-se juntamente de Ametista, surpreso. Tiago Potter
observava-os atentamente, os olhos bem abertos, e um largo sorriso.
- Por isso você vem me protegendo, porque você é o meu padrinho. –
disse Ametista.
Tiago acenou com a cabeça afirmativo. Harry sorriu junto de Ametista.
Ambos ficaram observando-o por algum tempo. Harry estendeu seu braço direito e
tocou a superfície do lago lentamente. Como nada aconteceu, afundou sua mão
aos poucos até tentar alcançar a de seu pai. Pouco antes de tocá-la, a imagem
começou a desaparecer.
- Não! Pai! – gritou desesperado.
Antes que ela sumisse por completo, Harry pôde sentir um toque suave e
macio em sua mão direita. Seu pai estava com a mão estendida em sua direção
igualmente. Desapareceu.
Harry largou-se desajeitadamente no solo e sentiu uma dor sufocante
estalando em seu coração. Retirou a mão da água e encostou-a em seu rosto,
imaginando um toque de seu pai. Ametista ajoelhou-se e observou-o
carinhosamente.
- Era ele. Eu sei que era. Era o meu pai.
O garoto repetiu a frase mais duas vezes e, ao final, soluços
misturaram-se as palavras, desabando. Ametista, imediatamente, aproximou-se de
Harry, envolvendo-o em seus braços.
- Eu sinto...sinto tanta fa...falta dele! – soluçou timidamente,
chorando mais ainda em seguida.
- Tá bem, tá tudo bem... – repetia Ametista, tentando consolá-lo de
alguma forma.
Harry e Ametista ficaram abraçados por muito tempo. Emocional, Ametista
decidiu que não deveriam voltar ao castelo. Na última noite em Hogwarts de seu
quinto ano, Harry e Ametista assistiram o sol nascer timidamente, lançando
raios de luz intensa sobre as folhas, a grama e o lago. Nada a mais aconteceu.
Aquela imagem ficaria gravada em suas mentes. Voltaram para o castelo, mas
antes, puderam notar uma sombra branca entre as árvores.
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Ninguém notou a chegada logo ao
amanhecer de Harry e Ametista. Nem mesmo Rony ou Hermione perceberam que ambos
haviam passado sua noite fora dos dormitórios da Grifinória. Quando
despertaram, os alunos já estavam em seus quartos, fingindo acordar igualmente.
Hermione ajeitou os menores, com a ajuda dos outros monitores, até a
estação de Hogsmeade para o embarque. Na plataforma, os professores
acompanharam os alunos até o majestoso trem da escola.
Harry deixou suas malas em uma cabine que reservara, e voltou,
despedindo-se dos mestres. Primeiro, deu um grande abraço em Hagrid. O gigante
sorriu e disse que logo enviaria uma carta para seu aniversário. Depois, foi a
vez de Lupin. O mestre arriscou um sorriso cansado. A lua cheia estava para
chegar.
- Cuide-se Harry, e não faça nenhuma besteira com seus tios. –
recomendou Lupin, piscando com seu olho esquerdo.
Arabella esperava-o, um pouco atrás, ao lado de Sirius. Não queriam que
as outras crianças vissem. Harry disfarçou e lançou seus braços em volta da
madrinha.
- Sentirei saudades, mas espero vocês daqui vinte dias.
- Não esqueça, Harry – lembrou Arabella. – Você poderá me visitar
na casa de minha mãe quando quiser... – a mulher passou as mãos
carinhosamente pelo cabelo do afilhado e deu um beijo em sua testa.
Harry concordou e virou-se para o padrinho. Sirius olhava-o com um largo
sorriso. Um vento fraco começava a bater, agitando os cabelos compridos do
bruxo.
- Eu te vejo daqui alguns dias. Assim, ficaremos quase dois meses juntos,
certo? – Harry sorriu. – Quando te pegar, levarei você a um lugar legal.
Pode esperar.
O garoto deu um forte abraço no padrinho. Sirius fingiu um cascudo em
sua cabeça e riu. Harry distanciou-se devagar, acenando para ambos. Em seguida,
encontrou Hermione e Rony despedindo-se de Ametista.
- Então, talvez nos veremos daqui algum tempo. – murmurou Rony,
agitando sua varinha na direção da garota.
- Isto é um desafio, Weasley? – instigou Ametista divertida.
- Pode considerar que sim! – respondeu Rony irritado.
Os três riram. Hermione abraçou Ametista e entregou-lhe uma carta.
- Eu sempre escrevia cartas às minhas amigas quando era menor. Achei que
deveria escrever uma a você.
Ametista sorriu plenamente e agradeceu, prometendo que escreveria uma a
ela também. Rony e Hermione acenaram novamente e entraram no trem. Ametista
ficou observando-os, mas logo Harry entrou em seu campo de visão, carregando um
sorriso maroto.
- Então, aqui estamos – ele notou que ela tinha ligeiras olheiras. –
Espero que você possa viajar conosco.
- Lupin falou que conversaria com meu avô – Ametista havia comentado
sobre o convite com o mestre logo de manhã. – Agora, é só esperar. Mas eu
mando uma coruja com a resposta.
Harry agradeceu e abaixou os olhos para pés. Ametista fez o mesmo. O
sinal do trem soou, despertando-os.
- Acho melhor você ir, já está na hora. – disse Ametista relutante.
Harry nada respondeu. Apenas aproximou-se da garota e abraçou-a
intensamente. Ametista logo envolveu as costas de Harry em seus braços e
suspirou aliviada. Era tão bom estar com ele.
- Muito obrigado por ontem.
- Não foi nada. Amigos servem para essas coisas, não é mesmo?
Harry não deixou de sorrir ao ouvir aquilo. Então, pelo menos eles já
eram amigos. Para quem, num dia, se odiavam, até que eles estavam melhorando.
Harry piscou rapidamente para ela e embarcou no trem. O apito soou mais uma vez
e a locomotiva começou a distanciar-se. Na cabine, os três acenaram para a
garota, que logo foi envolvida pelos braços de Lupin. Ametista suspirou mais
uma vez e sentiu o coração doer.
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No trem, nada de muito importante
aconteceu. Como sempre, a cabine encheu facilmente com a chegada de Gina, Fred,
Jorge, Lino, Angelina e todo o resto do time de quadribol. Ninguém conseguia
andar ou mesmo movimentar-se dentro daquela cabine, que mais parecia uma jaula
lotada.
Para a surpresa de muitos, Draco Malfoy sequer deu as caras na cabine a
viagem toda. Claramente, havia algo de errado. O sonserino não perderia a mínima
chance de perturbar a família dos pobretões, a sangue-ruim, ou mesmo o
“Cicatriz”.
Uma noite de beijos com a menor dos Weasley também não o faria mudar
sua personalidade. Mesmo que tornar-se bom
por um momento somente para satisfazer Gina parecesse irresistível a ele.
Entretanto, ainda havia mais dois anos em Hogwarts. E muitas mudanças ainda
estavam para acontecer em sua vida. Boas e ruins, como as de todos.
Logicamente, no meio da viagem, ambos haviam combinado um horário de se
encontrarem em uma das cabines vazias ao fundo do trem para ficarem juntos. Isso
quer dizer, para ficarem longe das suspeitas. Afinal, aquilo era apenas um
passatempo para ambos. Apenas.
Ao chegarem na plataforma nove e meia, desembarcaram e atravessaram o
muro de tijolos da estação, de volta ao mundo dos trouxas. Harry ainda
encontrou a família Weasley – Molly deu um grande abraço no garoto – e
observou de longe Hermione despedir-se, acompanhada de seus pais.
Em meio à multidão, Harry encontrou a silhueta redonda de tio Válter,
a rechonchuda forma de Duda, mal encarado, e por fim, a magricela tia Petúnia.
Sempre era um pesadelo para Harry rever os Dursley.
- Espero não ter nenhuma surpresa com o senhor nestas férias. – disse
o tio rispidamente, num tom que lembrava facilmente Ametista.
- Não, nada de mais – e o garoto deu uma pausa. – Ah! Lembrei! – Válter
e Petúnia olharam feio para o garoto. – Meus padrinhos vão me buscar na sua
casa daqui vinte dias...
- O que?! – espantou-se Petúnia. – Mais um louco em nossa casa?!
- Louco não, fugitivo da polícia. – provocou Harry, fazendo tio Válter
roçar os dentes do fundo e Duda encolher-se junto de sua mãe.
“Esses vinte dias serão ótimos!”,
pensou Harry malicioso.
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Largando a gaiola de Edwiges no
parapeito de seu quarto, Harry começou a desarrumar suas coisas. Eram
pergaminhos espalhados pelo chão, penas voando descontroladamente, roupas e
capas negras atiradas em cima da cama, a Capa de Invisibilidade de Tiago Potter
escondida debaixo de um dos armários e a coruja piando feito doida.
- M... – xingou ao tropeçar na varinha no meio de seu caminho.
Quando estava para terminar de organizar suas coisas e imaginar suas férias,
que somente começariam dali vinte dias, Harry paralisou. Uma camisa e um par de
meias era o que faltava em seu malão, mas havia algo a mais.
Esquecida, uma foto mexendo-se dentro de uma caixa transparente. Harry
pegou-a cuidadosamente e retirou-a do compartimento. Nela, estavam ele e
Ametista, sorrindo alegremente, no dia em que ganharam a Taça de Quadribol.
Colin havia tirado-a e Harry lembrava-se de correr até ele para pegar uma cópia.
Arranjou um porta retrato qualquer em uma de suas gavetas e colocou-a,
deixando-o acima de sua cabeceira. Harry sentou em sua cama e observou a foto.
Eles estavam sorrindo, Harry parecia aproximar-se dela, enquanto Ametista corava
furiosamente. Eles tinham, graciosamente, as mãos entrelaçadas.
Harry não deixou de sorrir e sentir corar. Seu coração disparou mais uma vez de ansiedade. Muito ainda o esperava naqueles dois últimos anos. Coisas que nem poderia imaginar. Descansou, finalmente, sonhando com o próximo ano.
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NOTA FINAL:
Este foi o último capítulo de HP e a Herdeira de Hogwarts. Espero que tenham se divertido e gostaria muito que vocês mandassem suas opiniões. E, claro, leiam a continuação da "Herdeira" em Harry Potter e o Olho da Escuridão. É isso aí! Beijos e muito obrigada! ;)
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