![]()
NO CAPÍTULO ANTERIOR:
Em um julgamento emocionante, onde inúmeros fatos foram descobertos - incluindo a madrinha de Harry, chamada Arabella Figg - Sirius Black foi inocentado abaixo de aplausos calorosos e lágrimas intensas.
![]()
CAPÍTULO DEZENOVE – A
PASSAGEM E O FEITIÇO DO ESQUECIMENTO
Hogwarts estava silenciosa quando todos voltaram. Snape
havia voltado antes. Harry veio o caminho todo abraçado em Sirius. Rony e
Hermione comentavam das caras e bocas que Fudge fez quando teve de ler o
resultado. Arabella passou o tempo todo com Dumbledore. Os dois conversavam
sobre Hariel. Lupin sorria ao ver a felicidade do melhor amigo. Sirius estava
radiante. Porém, ele sabia que ainda sofreria muito com o preconceito das
pessoas. Entretanto, nada de ruim passava pela sua cabeça. Seguiram todos para
a sala de Dumbledore, pois ainda nem tinham tido tempo para comemorar direito. O
diretor disse a senha para entrar e surpreendeu-se ao ver quem estava lá.
- Ametista! O que você está fazendo aqui? – perguntou Dumbledore
ligeiramente aborrecido.
- Eu não conseguia dormir e sabia que você viria aqui depois do
julgamento. – respondeu também brava.
Foi do nada. Harry entrava na sala abraçado com o padrinho, que parou de
repente. Todo o sorriso que tinha nos lábios desapareceu. Lupin percebeu, mas
nada fez.
- Então, vá deitar agora. – disse Dumbledore para a neta.
- Antes eu quero saber qual foi o resultado! Não fiquei aqui esperando
vocês para me expulsarem o mais rápido possível! – falou bem nervosa.
Harry adiantou-se antes que alguém respondesse algo.
- Nossa Ametista! Você deveria ter ido! Foi demais e... – contava
super animado o garoto quando alguém segurou em seu ombro.
- Não há nada para a senhorita saber! – disse Sirius levemente
exaltado.
Todos se viraram para o homem. Via-se claramente que Sirius não gostara
nada da presença da neta de Dumbledore.
- O quê?! – surpreendeu-se Ametista. – Eu fico aqui horas, nervosa,
ansiosa para saber o mínimo que fosse, esperando que o senhor pudesse ser
inocentado e é assim que eu sou recebida?!
A discussão estava formada. Sirius aproximou-se mais da mesa de
Dumbledore, onde a garota estava sentada. Os dois passaram a aumentar a voz a
cada frase dita.
- A senhorita é muito curiosa! Isto não é assunto para o seu bico! –
dizia Sirius alterado.
- EU! CURIOSA?! Eu fiquei preocupada, torcendo pelo seu bem, e depois sou
chamada de curiosa! – respondia Ametista indignada.
- EU NÃO ME IMPORTO COM O QUE VOCÊ PENSA DE MIM! NÃO PRECISO DE SEU
APOIO! – gritava agora Sirius.
A troca de ofensas entre os dois começava a se tornar feia. Ninguém
sabia o que fazer. Todos olhavam boquiabertos. Sirius não se importava de estar
discutindo com a neta do diretor de Hogwarts, de um grande amigo, de um homem
que acabara de ajudá-lo a se tornar um homem livre. Ametista, por sua vez,
esquecia que aquele era o padrinho de Harry, um humano a quem devia respeito,
que era Sirius Black. Harry se segurava no braço direito de Sirius, tentando
acalmá-lo.
- Bom, está claro que você tem algum problema comigo! – gritava a
garota vermelha. – Porque eu não posso andar com o Potter – na verdade,
Ametista não gostava de andar com Harry. – Não posso falar com Lupin, não
posso sequer torcer por você! QUAL O SEU PROBLEMA COMIGO?! – berrou ao final,
explodindo.
Sirius foi responder bruscamente quando Dumbledore interrompeu:
- BASTA! – ordenou com toda a força. Os dois pararam. – Isto já foi
longe demais! Hoje é um dia de felicidade, não um dia de desgraça! Ametista,
Sirius foi reabilitado – disse, virando para a neta. – Sirius, ela estava
apenas preocupada – tornou-se para o bruxo. – Agora já chega! Não quero
ouvir mais nada de vocês dois! Se discutirem novamente e eu souber, terei de
tomar medidas bruscas! Entendam-se! Ametista, vá para sua torre agora mesmo! Os
srs. Potter e Weasley e a srta. Granger também. Lupin e Arabella os acompanhem,
certifiquem de que estarão em seus quartos – os três começaram a reclamar,
mas Dumbledore lançou um olhar, calando-os. – Sirius, você permaneça aqui.
Todos deixaram a sala do diretor rapidamente. Sirius bufou.
Dumbledore encarou o homem seriamente.
- Escute Sirius, você deve se acalmar. Aquela atitude foi infantil ao
extremo, ultrapassou todos os limites! Não quero que isto se repita! Tudo o que
aconteceu no passado deve ser esquecido! Ninguém teve culpa. Já disse uma vez
para se revelar e acabar com esta história de mágoa ridícula de uma vez! –
Sirius sentia-se pequeno diante da repreensão do diretor. – E eu falei sério!
Não quero ver mais vocês dois se pegando! Vocês são...
- Não! – interrompeu Sirius, lendo os pensamentos de Dumbledore. – Já
sei como vai terminar esta frase e digo que não somos nada! Eu já entendi qual
é o recado, agora posso voltar ao meu quarto?
Dumbledore tinha a expressão chateada. Sabia que havia gastado o seu
tempo à toa conversando com Sirius. Permitiu que o homem voltasse ao seu quarto
e observou Fawkes. A fênix o observava. Depois, voltou-se para a janela da sala
e viu, nas margens do lago de Hogwarts, um animal branco, não conseguia ver
direito e disse para si mesmo:
- Nos ajude, bote algo de bom na mente destes dois. – e foi-se deitar.
![]()
O sábado amanheceu devagar. Harry levantou e olhou-se no
espelho. Via-se ainda a expressão alegre e marota em seu rosto. Sirius agora
era um bruxo inocente e, ainda por cima, poderia cuidar do afilhado. Em seguida,
o garoto imaginou a mestra Arabella. A sua madrinha. Queria ouvir as mil histórias
que eles poderiam lhe contar. Lavou o rosto e desceu para a sala comunal. Para
sua surpresa, havia centenas de alunos. Todos se postavam diante do Mural de
Recados da Grifinória. Harry aproximou-se.
EM COMEMORAÇÃO AO DIA DOS NAMORADOS, NO PRÓXIMO DIA CATORZE DE
FEVEREIRO, SERÁ REALIZADO UM BAILE ESPECIAL NO SALÃO PRINCIPAL. ESTEJAM TODOS
COM ROUPAS À RIGOR. INÍCIO ÀS 19:00 H. PERMITIDO APENAS PARA OS ALUNOS ACIMA
DO QUARTO ANO. EM PARES. MAIORES INFORMAÇÕES, FALAR COM O PROFESSOR REMO J.
LUPIN.
- Oh! Não! – resmungou ao lembrar do Baile de Inverno.
- Do que você está reclamando Harry? – indagou uma voz doce ao seu
lado.
Harry virou-se e encontrou Gina o encarando.
- Leia. – disse o garoto, apontando para o comunicado.
Gina leu com atenção e arregalou os olhos diante da penúltima frase.
- Em pares? – espantou-se ligeiramente nervosa.
- Que droga! Eu odeio esses bailes! – resmungou novamente o menino.
- Eu também. – mentiu Gina timidamente.
Harry pigarreou e parou em Gina. Ficou pensativo e depois, a convidou
para descer para o café. No salão principal, Dumbledore tinha a expressão
cansada. Parecera que não conseguira dormir a noite toda. Assim como Snape. O
garoto ignorou e sentou-se com Gina. Neville e Dino estavam sentados à mesa
também.
- Vocês viram? – instigou uma conversa Dino. – Que hora para um
baile hein!
- Por quê? – estranhou Harry.
- Você não leu a capa do Profeta Diário?
Harry negou franzindo as sobrancelhas.
- Sirius Black é inocente de todas aquelas acusações! – disse o
menino surpreso enquanto dizia.
- Mesmo?! – espantou-se Gina ao lado de Harry.
- É. O único assunto entre os alunos. Que grande furo! – exclamou
Neville trêmulo.
De repente, uma figura loira postou-se ao lado de Harry.
- Deve estar muito contente, não é mesmo Potter! – debochou Draco.
– Afinal de contas, o assassino de seus pais está solto agora!
Foi o bastante para Harry levantar-se e dar um belo de um soco no meio da
cara de Draco.
- CALE A SUA BOCA NOJENTA MALFOY! – espumava Harry.
Gina imediatamente abaixou para socorrer Draco. A boca do garoto sangrava
levemente e foi visível a agitação dos professores ao ver o ocorrido. Draco
levantou-se e puxou seu braço para junto do corpo onde Gina segurava.
- Eu não preciso da sua ajuda! – gritou amargurado.
Hermione vinha correndo, juntamente com Rony. O garoto estava frenético
enquanto a monitora gritava com Harry:
- Você é maluco! Dar um soco no Malfoy no meio do salão principal,
Harry! Quer fazer a Grifinória ficar fora do Campeonato das Casas?! – gritava
Hermione enlouquecida.
- Pelo menos o Potter mostrou que é homem! – alguém disse ao lado de
Hermione com a voz ríspida.
- Não me provoque agora, Dumbledore! – respondeu Harry vermelho.
- Mas foi bom que você desse o primeiro soco porque se o Malfoy tivesse
mais nervoso, com certeza você já estaria no chão! – continuou Ametista.
- Ametista, não é hora para isso... – dizia Rony prevendo o quê
viria pela frente.
- Nunca é hora para dizer algo que fira o coitadinho do Potter! –
alterou-se Ametista. – Agora que o padrinho herói está solto, tudo Potter
pode, tudo Potter faz!
Dumbledore e os outros professores corriam até o fundo do salão
principal na mesa da Grifinória.
- SIRIUS TEM RAZÃO POR NÃO GOSTAR DE VOCÊ! VOCÊ É INSUPORTÁVEL! –
berrou Harry em resposta.
- POIS VOCÊ É UM PROTEGIDO QUE SE ACHA SÓ PORQUE FEZ VOLDEMORT – vários
tremeram. – DESAPARECER SEM EXPLICAÇÃO!
- EU SOU O PROTEGIDO?! PELO QUE ME CONSTA, NÃO SOU EU A IRRITANTE E
ARROGANTE NETA DO DIRETOR!
- VÁ PARA O INFERNO! – berrou Ametista enlouquecida.
- É ONDE SEUS PAIS DEVEM ESTAR! – respondeu Harry maluco.
Todos se calaram. Dumbledore vinha correndo junto com os outros
professores e parou de repente. Hermione e Rony ficaram boquiabertos. Ametista não
pensou duas vezes e sacou a varinha:
- ESTUPEFAÇA! – gritou sem
pensar e Harry caiu desacordado.
- Expelliarmus! – disse Lupin em direção a Ametista, fazendo
sua varinha voar e cair entre os alunos da Sonserina.
Arabella abaixou-se junto de Harry, inconsciente.
- Harry! – sacudia o menino.
Hermione e Rony faziam o mesmo. Lupin passou por eles e tomou Harry em
seus braços.
- É melhor levá-lo à Madame Pomfrey. Com licença. – pedia o mestre
calmamente.
Hogwarts assistia à tudo calada. Hermione e Rony seguiram Lupin.
Arabella levantara e dissera agitada aos alunos:
- O SHOW ACABOU! VOLTEM PARA SUAS TORRES! – ordenou a professora
ligeiramente transtornada.
Entretanto, o pior ainda estava por vir. Repentinamente, ouvia-se gritos
histéricos de diversos alunos. Hogwarts estava em pânico. Arabella espantou-se
ao ver Sirius Black em carne e osso em meio aos alunos, com a varinha em punho
contra Ametista Dumbledore.
- O QUE VOCÊ FEZ?! – berrava Sirius enlouquecido.
- VÁ PERGUNTAR AO SEU AFILHADO PERFEITO! – retrucava Ametista
enfurecida.
Espantosamente, vasos começaram a quebrar-se sozinhos. Os alunos
permaneciam berrando assustados. Parecia que o calor da discussão entre
Ametista e Sirius era que fazia os objetos partirem-se. Os estilhaços
misturavam-se aos gritos dos dois.
- SABE DE UMA COISA?! SUA MÃE DEVE ESTAR MESMO NO INFERNO! – gritou
Sirius descontrolado. – PARA DAR VIDA A UM DEMÔNIO COMO VOCÊ!
Dumbledore ficara paralisado ao ouvir a discussão entre sua neta e
Harry, mas ao ver Sirius e Ametista, prevendo o rumo que as coisas tomavam,
tomou a frente.
- CALEM-SE TODOS! – gritou tão fortemente, que perdeu equilíbrio.
Arabella percebeu e rapidamente
estava postada ao lado do velho diretor para segurá-lo. Hagrid mandou os
monitores cuidarem de seus alunos e guiar todos para fora do salão principal.
Ametista parecia anestesiada depois de ouvir Sirius. Lágrimas escorriam pelo
seu rosto. Surpreendentemente, doía para Sirius assistir a garota que o
enfrentava com tanta coragem e teimosia, chorar.
Dumbledore aproximava-se devagar. Arabella vinha junto, pisando nos
restos dos vasos partidos. Tanto Sirius quanto Ametista permaneciam parados,
olhando um ao outro. As lágrimas não paravam de cair do rosto sem emoção de
Ametista. Percebiam-se também os olhos inchados do Sirius. Dumbledore olhou
para os dois, porém, antes que pudesse dizer alguma coisa, Ametista saiu
correndo. Imediatamente, Sirius caiu no chão e Dumbledore e Arabella ouviram os
soluços do homem chorando.
![]()
A torre da Grifinória estava
estarrecida. Hagrid dera conta dos alunos, já que Hermione fora acompanhar
Lupin e Rony até a enfermaria. Madame Pomfrey lançara o feitiço Enervate
para tentar despertar Harry, mas o garoto parecia fraco demais para reagir.
Lupin, Rony e Hermione ficaram do lado de fora da ala hospitalar.
- O que foi aquilo no salão? – falava consigo mesma Hermione. – Pelo
que Ametista havia me contado, eles até conseguiram viver em paz por alguns
dias no feriado, mas até parece que tudo era mentira!
- Não quero saber qual foi o motivo que fez aquela
garota atacar Harry! O que ela fez não foi certo! Não quero vê-la nem pintada
na minha frente, Mione! – dizia Rony, profundamente amargurado.
Lupin nem dava atenção a possível discussão entre Hermione e Rony.
Seu pensamento estava longe. A imagem de Ametista atacando Harry não saía de
sua cabeça e, de repente, Sirius apareceu claramente.
- Sirius! – exaltou-se o mestre surpreso.
Hermione e Rony pararam no mesmo instante e encararam-no:
- Está tudo bem, professor? – indagou a monitora.
- Espero... – divagou Lupin, que depois virou-se rapidamente para os
dois jovens. – Fiquem aqui e vigiem Harry. Não o deixem sair daqui!
Rony queria perguntar algo para Lupin, mas nem teve tempo. O mestre saiu
correndo pelo corredor. Hermione franziu as sobrancelhas perdida e ali ficaram a
espera da recuperação de Harry.
![]()
Arabella estava encostada na
janela da sala de Lupin quando o professor adentrou como um furacão. Ela
surpreendeu-se:
- Eu estava pensando em você! – disse meio preocupada.
O mestre apenas respondeu:
- Onde está o Sirius?!
Arabella sacudiu a cabeça negativamente. Em seguida, Dumbledore surgiu
do nada ao lado da professora.
- Como está Harry, Remo? – indagou o diretor.
- Madame Pomfrey ainda tentou lançar um feitiço para acordá-lo, mas não
adiantou – contava Lupin desanimado. – Hermione e Rony estão lá para esperá-lo
despertar.
- Como assim, ele não acordou?! – apavorou-se Arabella.
- Era o quê eu imaginava... – dizia Dumbledore, mudando a feição
atordoada. – A carga emocional deste feitiço lançado pela Ametista deve ter
sido tão forte que acabou afetando algumas terminações nervosas de Harry.
- Como o senhor pode ter tanta certeza? – duvidou a mestra.
- Você mesma observou – Arabella franziu as sobrancelhas. – Os
vasos.
- Que vasos? – perguntou Lupin temendo a resposta.
Dumbledore e Arabella entreolharam-se temerosos.
- Após o incidente com Harry, Sirius discutiu
com Ametista... – ia dizendo Arabella, mas Lupin a interrompeu.
- Sirius não... – apavorou-se o mestre.
Arabella confirmou com a cabeça. Dumbledore retomou. O diretor estava
visivelmente chocado e muito amargurado.
- Quantas vezes vocês presenciaram uma discussão entre os sangues em
questão? – dizia o sábio homem. – Os vasos quebravam-se e podíamos ainda
assim ouvir os gritos dos dois, Remo.
Lupin abaixou a cabeça, magoado. Arabella postou-se ao lado de
Dumbledore e o diretor a abraçou. Repentinamente, Lupin levantou a cabeça.
- Onde está a Ametista?
- Não sabemos. Eu só a vi correndo do salão após Sirius... – dizia
Arabella receosa. Porém, ao ver os claros olhos angustiados de Lupin,
prosseguiu. – Após Sirius dizer que... – a professora pausou. – a mãe dela deveria estar mesmo no inferno para dar à luz a um... –
pausou novamente. – demônio como ela. – terminou em quase um sussurro.
Lupin arregalou os olhos. Dumbledore virou-se para a janela.
- E o Sirius?
- Não sabemos também. – respondeu a mulher.
Ficaram calados por algum tempo. Lupin deixou a sala como uma rajada
veloz de vento. Arabella observou e nada disse. Dumbledore permanecia encarando
a janela. A mestra aninhou-se ainda mais nos braços do diretor como se ele
fosse um pai e sussurrou amargurada.
- Se ao menos Tiago estivesse aqui...
![]()
Quem andasse pelos corredores de
Hogwarts, veria algo assustadoramente impressionante. Apesar do turbilhão
ocorrido há poucas horas, a escola parecia em férias. Tudo estava silencioso,
escuro – apesar de ser ainda duas horas da tarde – e sem vida. Fazia pouco mais de uma hora que Dumbledore havia dado um
comunicado aos monitores, onde as aulas do dia foram canceladas excepcionalmente
diante do acontecido. Os alunos foram proibidos de saírem de suas torres,
enquanto os professores tentavam encaixar uma saída diante de tantas colocadas.
Nenhum entrava em acordo, e o diretor decidiu dar a reunião por encerrada após
dez minutos de gritos desordenados.
Estranhamente, nem Lupin ou Arabella participaram da reunião. A mestra
encontrava-se em seu dormitório, isolada, lendo algumas cartas e observando um
antigo álbum de fotografias. Em uma delas, turma estava reunida: Tiago e Lílian
estavam abraçados em bonitos trajes, Lupin – Arabella reparara como o amigo
estava bonito – dava um beijo carinhoso numa bochecha de uma bonita mulher
beirando seus vinte e poucos anos, Hariel Dumbledore, com um longo e belo
vestido branco, Pedro Pettigrew – Poderia
muito bem apagá-lo desta foto, resmungou a mestra. – com um copo de
cerveja amanteigada na mão esquerda, e ela e Sirius – passou os dedos
levemente sobre a foto – com os braços entrelaçados. Para sua surpresa,
Lupin, apesar do beijo em Hariel, estava cabisbaixo. Ela mesma também estava
triste. Tiago e Lílian tinham os olhos encharcados enquanto,
surpreendentemente, lágrimas escorriam pelos rostos de Hariel e Sirius.
Imediatamente, Arabella levou a foto aos lábios e deu um beijo. Em
seguida, suspirou em triste tom.
Lupin, por sua vez, aparatou em um lugar totalmente diferente do que já
se havia visto. As ruas que abriam o povoado eram de terra batida. As casas
singelas que apareciam aos poucos estavam em péssimo estado. Aparentemente, uma
cidade fantasma. Lupin levantou a cabeça e pôde avistar em uma placa caindo
aos pedaços: Godric’s Hollow.
Voltou a mente ao lugar que havia passado pela sua cabeça quando pensou
em Sirius. O alto da colina de Godric’s Hollow. Aparatou.
O professor observou um homem em posição de rei contemplar o povoado de
cima da colina. Entretanto, no ponto mais alto daquela colina, encontrava-se um
casarão de fazer inveja a qualquer lugar possível no mundo todo. Pinheiros
rodeavam-no de forma bela e graciosa, fazendo do ponto o mais desejado por
bruxos e trouxas. Porém, em contraste a este belo paraíso, encontrava-se o
mesmo casarão em ruínas, desmoronando, sujando
a paisagem. E ainda, via-se o homem, que apesar de parecer um rei em posição
onipotente, debulhar-se em lágrimas. Lupin nada fez, ficou apenas admirando o
amigo, que havia enfrentado as maiores provações de sua vida, mas sabendo que
elas ainda haviam apenas começado.
![]()
Cabelos ondulados contrários ao
vento. Soluços. Margem do lago de Hogwarts. Ametista passara todo o dia de
frente para aquele lago, engolindo e remoendo o que acabara de fazer e ouvir de
manhã. Os seus olhos azuis aproximavam-se de um vermelho ameaçador. A tristeza
e a raiva corriam pelas suas veias junto com o sangue fervente. Doía pensar em
Harry, doía pensar em Hermione e Rony, doía pensar em seu avô, doía pensar
em sua mãe, mas principalmente, doía pensar em Sirius Black.
A noite surgia devagar. Ela nem podia imaginar que seu avô sabia bem
onde ela estava. Imaginava estar bem escondida. Entretanto, alguém a encontrou.
Mas ela não se incomodou. Já estava acostumada com aquela presença.
Uma imagem prateada começou a se formar lentamente ao seu lado. Pouco
depois, poderia se ver com clareza um grande cervo. Um imponente cervo a
observava. Ametista pôde ver o reflexo do belo animal nas águas do lago de
Hogwarts.
- Eu quero ficar sozinha. – disse a garota baixinho.
O cervo fitou-a e permaneceu onde estava.
- Eu falo sério! Não quero ouvir nada do que você tem para dizer! –
dizia Ametista enfurecida.
O animal curvou-se e bebericou um pouco da água do lago. Depois, dobrou
as duas pernas frontais e ficou encostado na cabeça de Ametista. A garota ouviu
no fundo de sua mente a voz de um homem:
“Você tem de me ouvir hoje! Pelo
menos hoje!”
- Não, não quero ouvir! – repetiu Ametista.
“Não fale, apenas pense”.
– voltou a soar a voz em seu ouvido.
Ametista levantou a cabeça e emparelhou-se com o cervo.
“Eu disse que não e é não!”
– pensou com toda força e o cervo desapareceu como num passe de mágica.
![]()
Arabella adormecera sobre os álbuns
e cartas em sua cama. Lupin chegou sorrateiramente e observou a mulher. Os
compridos fios negros de seu cabelo dividiam espaço com sua face cansada. O
mestre notou as fotos espalhadas pelo chão do dormitório. Parou em uma onde
estavam Lílian, Hariel e Arabella na sala comunal da Grifinória, no sexto ano.
Depois, voltou a olhar a mestra e, num impulso, acariciou sua face delicadamente
com os dedos. Arabella despertou imediatamente.
- Remo! – o mestre retirou imediatamente a mão da face de Arabella.
– O... O que foi que aconteceu? – acordou agitada ao lembrar da mão de
Lupin sobre seu rosto.
O homem endireitou-se sem jeito e respondeu nervoso:
- Nada, nada!
Arabella rapidamente levou as mãos ao rosto, percebendo que estava
corada pela mudança rápida da sua temperatura.
- Por que você saiu daquele jeito? – indagou a mestra veloz.
- Eu tinha uma idéia de onde Sirius poderia estar...
- E você o achou?! – exaltou-se Arabella, visivelmente preocupada.
- Achei.
- Onde? – voltou a indagar no mesmo tom.
- Em Godric’s Hollow. – respondeu Lupin pausadamente.
Arabella abaixou a cabeça.
- A colina? – tentou a mestra e Lupin confirmou.
- Acho que devíamos falar com Dumbledore. – disse Lupin.
A professora levantou os olhos e concordou tristemente.
Pouco depois, lá estavam Lupin e Arabella sentados nas cadeiras à
frente da mesa de Dumbledore. O diretor tinha a face ainda perturbada.
- Godric’s Hollow. – era a terceira vez que Dumbledore repetia este
nome após Lupin contar-lhe toda a história.
Arabella adiantou-se.
- Alvo, precisamos fazer algo. Hogwarts está em pânico, Harry ainda na
enfermaria, Sirius em Godric’s Hollow e Ametista desaparecida... – ia
dizendo a mestra, mas o diretor a interrompeu.
- Acredite, eu sei bem onde Ametista está.
- Então, devemos fazer algo, não acha?! – retomou Arabella.
O diretor levantou de sua cadeira e olhou para a janela. Já era noite.
As estrelas eram nítidas no céu limpo. Dumbledore virou-se para os dois
mestres e disse cauteloso:
- Eu tenho uma solução, mas precisarei da inteira ajuda e,
principalmente, confiança de vocês.
- Estamos aqui para ajudá-lo, Alvo. – apoiou Lupin serenamente.
Dumbledore hesitou por um instante e pensou melhor. Porém, era a única
saída que eles tinham naquele momento de incertezas e histerias.
- O Feitiço do Esquecimento.
Lupin levantou no mesmo instante:
- Não podemos! – exaltou-se. – Seria uma invasão! Todos têm o
direito de pensarem o que quiserem!
Dumbledore suspirou desapontado. Lupin ainda permanecia de pé. Arabella
correu seus negros olhos pelos presentes e depois se levantou. Sentiu um aperto
no peito e virou-se para a janela. Viu Sirius caminhando de volta ao castelo.
- É nossa única saída, Remo. – disse devagar.
Dumbledore virou-se para a professora. Lupin arregalou os olhos.
- Não podemos! – repetiu Lupin pausadamente.
Arabella parou na frente do amigo e olhou bem fundo em seus olhos.
- Houve uma vez, Remo, que algo muito mais sério aconteceu, algo que
poderia mudar radicalmente o curso do que ocorreu hoje. Você sabe muito bem do
que eu estou falando – Lupin sentia-se desconfortável. – E tivemos a chance
de, naquele tempo, aplicar o Feitiço do Esquecimento. Mas não fizemos. E você
sabe por quê, não é mesmo? – Arabella podia ver os olhos de Lupin tremerem.
– Pois tínhamos medo de interferir no ramo dos acontecimentos. E, se nós tivéssemos
aplicado, nada disso estaria existindo hoje, nem nos nossos sonhos! Eu não
quero errar pela segunda vez!
Via-se Arabella falando com o seu coração, mas cheia de arrependimento.
Lupin sentia o mesmo. Ele então, voltou os olhos para Dumbledore e concordou
com a cabeça.
O diretor arriscou um sorriso e disse:
- Este será então um segredo nosso. Um segredo firmado entre nós três
e somente nós. O Feitiço acontecerá nesta noite, portanto, estejam
preparados. Depois, eu dou uma desculpa. Ausentaremos por um dia.
Arabella e Lupin concordaram e suspiraram.
- Estão certos de que farão isto? – perguntou pela última vez o
diretor.
- Por Sirius e por todos nós, Alvo. – finalizou Arabella.
![]()
- Senhor Potter. Senhor Potter.
– chamava uma voz.
Harry abriu os olhos lentamente. Madame Pomfrey segurava um frasco em sua
mão direita. Sentia-se tonto.
- Tome este tônico. Vai lhe fazer bem. – voltou a falar a enfermeira.
O garoto tomou em suas mãos o frasco e bebeu. Tinha um gosto
terrivelmente amargo. Limpou a boca e virou-se para Madame Pomfrey:
- O que é isso?! – espantou-se com o péssimo sabor do tônico.
- Sangue de dragão. – e a enfermeira deixou a sala.
Harry olhou para os lados e não viu ninguém. Em seguida, lembrou-se de
Sirius. Ele corria em sua direção. Na verdade, não era bem em sua direção.
Era na direção de alguém à sua frente. De repente, Ametista veio a sua cabeça.
- Aquela garota! – resmungava sozinho. – Ainda me paga!
Posteriormente, Hermione e Rony entraram e postaram-se ao lado da cama do
amigo.
- Como você está? – indagou Hermione ligeiramente preocupada.
- Um pouco tonto. Mas só. – respondeu fracamente.
- Sabe, você não deveria estar assim apenas com um feitiço – dizia
Rony. – Você foi estuporado.
- A Ametista pediu desta vez. Mas eu não esperava que ela fosse me
estuporar! Eu realmente não agüento mais viver com ela! – reclamou Harry.
- Harry, eu entendo que você esteja aborrecido, mas... – dizia
Hermione, porém foi interrompida por Rony.
- Não venha tentar defende-la! O que aconteceu hoje foi a gota d’água!
- Eu não estou defendendo ninguém Rony! – respondeu Hermione furiosa.
Harry notou que mais uma briga estava prestes a ocorrer e logo mudou de
assunto:
- Já está de noite? – tentou algo bem ridículo.
Rony bufou e respondeu:
- Já está quase na hora do jantar.
- E como está o castelo? – perguntou Harry.
- Não sabemos exatamente. Dumbledore proibiu qualquer um dos alunos saírem
de suas torres. Apenas nós dois estamos fora, acho. – disse Hermione.
Ficaram por alguns segundos calados e Harry voltou a perguntar:
- Vocês viram Sirius?
- Não, Harry. Sirius sumiu desde a briga entre você e Ametista. Também,
é só, pois, estivemos aqui toda à tarde.
Arabella entrou de repente e olhou feio para Rony e Hermione.
- Todos os alunos deveriam
estar em suas torres. Isto também é aplicado a vocês dois.
Rony forçou um sorriso falso e olhou para Hermione.
- É melhor vocês descerem para o jantar. – recomendou a mestra.
O garoto ruivo ainda tentou reclamar, mas Hermione não deixou e o puxou
para fora da enfermaria. Arabella voltou-se para Harry.
- Está melhor? – perguntou.
Harry confirmou com a cabeça. A professora sorriu. Harry sentiu-se corar
por um momento e não se segurou.
- Eu queria poder falar para todos que você é a minha madrinha.
Arabella aumentou o sorriso. Pediu um espaço a mais na cama de Harry e
sentou-se na ponta.
- Sabe Harry, logo você poderá. Logo. – e beijou a testa do afilhado.
O menino notou que a madrinha parecia triste.
- Você está bem? – perguntou meio sem jeito.
Arabella ajeitou-se e deixou Harry encostar a cabeça em seu peito,
aninhando-o. Depois, levantou a franja de cima de sua testa e pôde reparar a
cicatriz tão famosa.
- Estou. Estou. – mentiu e apenas curtiu o primeiro momento com o
afilhado tão amado.
![]()
O jantar foi particularmente
tenso. Via-se a expressão desconfiada dos professores sobre o diretor, e o
olhar medroso de muitos alunos. Ao final, Dumbledore levantou-se e disse:
- Eu sei que o dia hoje foi muito agitado e muitos de vocês devem estar
se perguntando as causas de tamanhas confusões que andam acontecendo atualmente
em Hogwarts. Em breve, tudo será resolvido. Agora, eu já avisei os monitores
responsáveis e, que fique bem claro,
será totalmente proibida a saída de qualquer
aluno das torres ou salas comunais após as nove e estejam todos dormindo
às dez. Não quero ouvir amanhã nenhuma reclamação de qualquer monitor que
seja. Como conheço muito bem as Casas que tenho em minha escola, reforço
novamente a ordem, principalmente para a
Grifinória – os alunos sentiram-se corar. – que costuma ter o prazer de
desafiar a ordem dos monitores – e olhou para Hermione. – Podem terminar
seus jantares e subam para suas torres. Boa noite. – e o diretor saiu do salão,
mas antes passou por Snape e disse em baixo tom:
- Isto também vale para os professores.
Snape ajeitou-se na cadeira e prosseguiu com seu jantar.
![]()
A escuridão contrastava com o
brilho das estrelas naquela bela noite. Porém, Ametista não estava lá para
admira-las. Passara o dia todo na margem do lago de Hogwarts. As lágrimas já
haviam secado, o rosto já havia desinchado. Mas o coração ainda doía. Como
queria ver a mãe pelo menos uma vez. Saber algo sobre ela.
- Eu sabia que você estaria aqui. – disse uma voz cansada nas costas
de Ametista.
Ela nada respondeu. Continuou olhando seu reflexo nas águas escuras e
cristalinas do lago. Ela podia ver-se, não acontecia nada como quando se olhava
num espelho. Dumbledore aproximou-se e olhou-se também nas águas.
- Como você sabia? – perguntou a menina baixinho.
- Não devia ter falado que todas as vezes que sua mãe estava triste ou
agoniada com algo, ela vinha aqui. Não devia. – brincava o homem.
Ametista permaneceu olhando-se.
- Mas você não tem vontade de saber por que ela vinha aqui, Ametista?
– indagou Dumbledore.
- É um lugar calmo, bonito...
- Não. Eu disse uma vez à ela que este lago era encantado. Existem
diversos seres embaixo dessas águas. Coisas incríveis, eu diria.
- E daí? – a garota não deu muita importância.
- Mas não foi isso que a atraía para cá. Entre uma conversa e outra,
eu acabei revelando a ela que este lago tinha o poder de nos mostrar as coisas
por um outro lado.
Ametista finalmente retirou os olhos de si mesma e voltou-se para o avô
interessada.
- Como assim?
Dumbledore notou e prosseguiu. Naquele momento, nada mais importava.
Logo, o Feitiço do Esquecimento seria feito e poderia testar a reação da neta
por um momento.
- Concentre-se em algo que você queira ver ou descobrir e fixe o olhar
num ponto do lago.
Ametista pensou rapidamente na mãe e concentrou-se da melhor maneira.
Dumbledore aproveitou e sorriu satisfeito. A garota voltou-se para o lago e
fixou os grandes olhos azuis num ponto. E emocionou-se.
Uma mulher por volta de seus vinte anos. Compridos cabelos dourados. Dois
grandes olhos azuis. As bochechas eram rosadas e exibia um sorriso belíssimo.
- É a minha mãe? – indagou Ametista em tom choroso.
Dumbledore confirmou e sentiu o coração apertar. A imagem foi sumindo
aos poucos e Ametista enxugou as lágrimas. Voltou-se para o avô:
- Ela é linda.
- Hariel era a menina mais bonita de Hogwarts. E não digo isso por ser
minha filha, mas por ela realmente ser. Os garotos ficavam loucos por ela. Tinha
pretendentes por todo o castelo, mas acho que todos tinham medo de se
aproximarem.
Ametista estranhou. Dumbledore completou:
- Sua mãe não era nada fácil. Estuporou mais de cinco vezes o monitor
da Sonserina – e Dumbledore segurou o riso. – Tive muitos problemas com ela.
Mas ainda assim, era graciosa, doce. Tanto que conquistou seu pai direitinho...
- Quem é o meu pai, vovô? – perguntou Ametista de repente.
Dumbledore engoliu seco e respondeu:
- Você logo saberá. Mas, agora, vamos voltar ao castelo, está bem?
Ametista sabia que não adiantava tentar. Levantou-se e abraçou o avô
carinhosamente.
![]()
Hermione cochichava com Gina, num
canto da sala comunal enquanto Harry, que fora dispensado da enfermaria, jogava
Snap Explosivo com Rony. Carregando uma capa na mão esquerda, Ametista entrou
pelo quadro da Velha Gorda.
- Ora, ora! Veja quem está aqui! A lunática neta do diretor! –
debochou Rony raivoso.
Ametista não deu bola e prosseguiu seu caminho até a escada que levava
aos dormitórios femininos. Entretanto, dessa vez foi Harry que não se conteve.
Esperou cinco minutos e seguiu em direção ao quarto da garota.
Quando Harry entrou, encontrou Ametista sentada em sua cama, estática.
- Não tem nada para me dizer? – indagou o garoto.
A garota levantou a cabeça e respondeu:
- Se você espera ouvir desculpas da minha boca, sinto muito, mas isso não
vai acontecer. Nunca! – frisou no final.
Harry cerrou os olhos verdes e tirou a varinha de suas vestes,
apontando-a para Ametista.
- Você por acaso vai me atingir com algum feitiço, Potter?
Toda vez que Harry ouvia-a chamá-lo pelo sobrenome, seu sangue fervia e
tudo o quê mais queria naquele momento era amaldiçoa-la.
- E então, eu estou esperando – desafiava a garota. – Prometo que não
vou arrancar a varinha da sua mão.
Harry sentia ódio. Muito ódio. O mesmo que sentiu
quando cruzou seu primeiro olhar com Sirius, pensando ser o assassino de seus
pais.
Num impulso, Harry apontou a varinha mais fortemente e gritou:
- Estupefaça!
Ametista pulou em cima de sua cama e escapou por muito pouco. Harry
respirou fundo, parecendo não acreditar e a garota levantou.
- Para que estamos fazendo aqueles malditos treinos especiais, hein
Potter?! – explicou Ametista ríspida e irritante.
Imediatamente, Hermione apareceu ofegante.
- Ouvimos um barulho estranho... – dizia a garota, mas parou ao ver
Harry ainda apontando sua varinha para Ametista. – Harry! O que você fez?!
O garoto estava tão nervoso e carregado de ódio que não conseguiu
responder à monitora da Grifinória. Ametista tomou a frente:
- Hermione, nada
aconteceu aqui. Somente Potter veio me importunar novamente, coisa que ele ainda
não conseguiu por completo por pura incompetência! – provocou.
Harry puxou-a e agarrou o braço de Ametista, apertando com muita força.
- EU ESTOU CANSADO DE VOCÊ E DESSA SUA IRONIA E SARCASMO CONSTANTE! –
berrou enfurecido.
Hermione conhecia bem Harry para saber que ele havia chegado ao seu
limite. Ainda assim, Ametista mantinha a postura superior. Os dois encaravam-se
de tal forma que dava medo até a quem assistisse.
- Harry! – repreendeu Hermione. – Já chega! Solte o braço dela e eu
farei uma queixa, pessoalmente, sobre vocês dois aos professores! E se eu ver
mais um briga sequer, os dois estarão de detenção com o Filch na mesma noite!
Entenderam?! – irritou-se Hermione, tendo uma incrível semelhança com Percy
Weasley em seus tempos de monitoria.
![]()
Já passava das onze e meia da
noite quando Lupin chegou na sala de Dumbledore. O diretor estava acariciando
Fawkes em sua gaiola. Sorriu ao notar a presença do professor de Defesa Contra
a Arte das Trevas.
- Pensei que talvez você pudesse desistir no final, Remo. – disse o
diretor cauteloso.
- Eu disse que faria e cumpro minha palavra. – reafirmou Lupin
seriamente.
Dumbledore arriscou um consentimento com a cabeça.
- E, se me permite perguntar, o que fez mudá-lo de idéia? – Lupin
franziu a testa e Dumbledore facilitou. – Foi o sentimento de culpa pelos
erros do passado com Sirius ou pela bela insistência de Arabella?
Prontamente, Lupin ruborizou.
- Não sei do que você está falando, Alvo. – mentiu ainda corado.
Dumbledore sorriu maliciosamente e disse em seguida:
- Remo, eu o conheço há anos. Desde que você entrara nesta escola e,
ainda mais depois de tornar-se amigo de Hariel. Eu vejo as coisas.
Lupin engoliu alto e quando pensou em responder algo para o diretor, a
porta rompeu-se e Arabella entrou com as típicas e misteriosas vestes negras.
- Estavam me esperando? – perguntou em tom cansado.
- Sim, estávamos apenas conversando. – gaguejou Lupin.
- Já avisei a Minerva para que digam que fomos ao Ministério da Magia
em Londres. – disse o diretor.
- Melhor, assim evitará confusões. – concordou Arabella.
- Bem, vamos começar então – disse Dumbledore voltando à postura séria
e sensata. – Sigam-me.
O diretor tocou no canto esquerdo da parede detrás de sua mesa e
abriu-se uma porta. Lupin observou melhor a escura passagem e pensou – “Esta passagem não constava no Mapa do Maroto”.
- Podem confiar. – disse o diretor.
Arabella olhou desconfiada e entrou atrás de Dumbledore. Lupin seguiu
logo à sua sombra. Era uma escada pequena, feita de pedras ligeiramente
escorregadias que levava a uma grande e escura sala de janelas pontiagudas. Ao
centro, havia uma espécie de plataforma, onde em cima, havia um belo esquife de
vidro.
- Onde estamos, Alvo? – indagou Arabella receosa.
- Esta é uma passagem especial para encantos complexos, feitiços
restritos e exorcismos, eu diria. – respondeu observador.
- E para que este esquife? – indicou Lupin com o dedo.
- Apenas para ocasiões de extrema preocupação... – dizia o diretor,
mas Arabella o interrompeu.
- Como, por exemplo? – indagava Arabella atenta.
- Desfazer um feitiço Imperius.
Dumbledore parecia dizer aquilo com dor, como se soubesse que logo
precisaria usá-lo. Lupin notou que, num canto muito bem escondido da sala,
havia algo coberto por uma capa.
- O que é aquilo? – perguntou curioso.
- O Espelho de Ojesed – suspirou Dumbledore. – Depois daquela confusão
com Quirrel e Voldemort, achei melhor que o guardássemos aqui, já que assim,
ninguém o encontrará.
Arabella e Lupin trocaram olhares intrigados. Dumbledore voltou a atenção
dos dois para a plataforma com o esquife de vidro no centro do âmbito.
- Quero, então, que vocês juntem todos as suas lembranças deste dia a
ser esquecido e das pessoas em que o efeito deverá perdurar mais fortemente.
– disse o diretor com seriedade.
Tanto Lupin quanto Arabella fixaram suas mentes em Ametista, Harry e,
principalmente Sirius Black. Dumbledore pegou a mão direita de Arabella e
assim, todos deram as mãos, fechando um círculo de magia envolta do esquife.
De repente, dentro dele, luzes de diversas cores e tonalidades misturavam-se num
turbilhão, refletindo por toda a sala secreta.
Fora dali, Hogwarts dormia silenciosamente. As salas comunais estavam
vazias, os dormitórios apagados, o salão principal solitário. Depois de uma
hora de transmissão de pensamentos dos professores ao esquife, este se abriu
magicamente e os três começaram a pronunciar versos em língua nunca ouvida
antes. Era uma mistura de latim com inglês, confusa e impossível de entender.
As luzes passaram a tomar aos poucos os cômodos do castelo, a fim de que
atingisse a todos. Então, as luzes transformaram-se em pó dourado, que caía
por cima das cabeças dos alunos, professores, elfos, empregados. Ao final do
processo, Dumbledore, Lupin e Arabella caíram em um sono profundo que, sem
saber, duraria dois dias.
Estava feito, enfim, o Feitiço do Esquecimento.
![]()
NO PRÓXIMO CAPÍTULO:
O Baile do Dia dos Namorados se inicia, recheado de expectativas. Mas, pouco antes, Rony descobre as cartas de Vítor Krum a Hermione e fica arrasado. A partir disso, resolve reagir. E um sentimento é despertado.
Sofra de ansiedade em "UMA DATA ESPECIAL"
![]()
»» Próxima Página ««
»» Página Anterior ««