Feitiço de Amor
Se Snape tivesse a mínima pista do efeito de seu "truque" naquela noite perto do lago, certamente estaria nesse momento arranjando uma poção que pudesse quebrá-lo. As conseqüências? Pergunte a Tiago Potter.
O
nascer do sol anunciou a primeira visita a Hogsmeade do ano. Tiago e Arabella
ajeitavam os alunos do terceiro ano, enquanto os monitores do sétimo ano
organizavam as filas para embarcarem no trem. Hariel ficou no castelo, prevendo
uma manhã e tarde trancada no quarto ou esperando alguma ordem de seu pai.
O salão principal estava cheio de alunos
frenéticos, comendo pouco para encherem suas barrigas de doces da Dedosdemel.
Na mesa da Grifinória, Pedro terminava de contar um sonho que tivera com Sirius
e todos morriam de rir. Hariel também passava às garotas o quê gostaria que
elas lhes trouxessem do vilarejo.
- Você tem certeza que prefere ficar aqui
sozinha? – indagou Lílian.
- Claro. Afinal, Hogwarts pode ser bem
divertida sem vocês por perto. – disse em tom malicioso.
Todos riram. Hariel trocou um rápido olhar
com Tiago, que a fez estremecer. Ao mesmo tempo, o garoto sentiu corar. Era
realmente estranho aquele tremor na região de seu ventre. Ela provocava-o sem
querer, de uma maneira inconsciente.
- O correio chegou. – avisou Remo olhando
para o ar, encontrando milhares de corujas tomando o salão principal.
A maioria recebeu algum dinheiro da família
para a visita, outros, como Hariel, receberam o Profeta Diário. A notícia de
capa fez a garota segurar-se na cadeira. Algumas frases diziam: “O
cemitério foi encontrado há poucos metros de Godric’s Hollow, e presume-se
ser mais um trabalho de Voldemort. Alguns populares dizem que havia uma pequena
e pouco visível lápide onde se mostrava o nome da mulher do diretor de
Hogwarts, e conselheiro do Ministério da Magia, Alvo Dumbledore, Elizabeth
Dumbledore”.
-
Alguma coisa importante, Hariel? – perguntou Arabella.
- Não, não. Não há nada. – respondeu
rapidamente, tentando recuperar o sorriso.
Tiago desconfiou e a encarou. Sirius também
chegou a encará-la, mas como ainda estavam apenas se cumprimentando, Hariel
desviou o olhar e procurou concentrar-se em outra coisa.
Depois de dado o horário, os alunos
seguiram para a estação a fim de pegar o trem para Hogsmeade. Todos se
despediram de Hariel e embarcaram. Logo depois que o trem já estava distante,
Hariel sentiu uma mão pesada e trêmula recair sobre seu ombro esquerdo.
Virou-se e encontrou o pai.
- Eu vou conversar com o Ministério ainda.
Hariel abraçou o pai e disse dolorosamente.
- Espero que não seja ela, papai. Eu
espero.
***
Em
Hogsmeade, o frio chegava a trancar os jovens dentro das lojas. A turma da
Grifinória juntou-se numa mesa do bar Três Vassouras. Madame Rosmerta
aproximou-se e pediram cervejas amanteigadas. O bar estava uma grande confusão.
Todos entravam e não saíam, fazendo cada vez mais o lugar esquentar-se.
- Eu espero que a festa de hoje seja
animada. Podemos fazer uma boa guerra de comida e eu já terei meu motivo para
quebrar a cara daqueles sonserinos asquerosos! – dizia Sirius, bebericando sua
cerveja.
- Pois eu queria ver meu horóscopo –
disse Lílian, quando Sirius e Tiago a olharam confusos. – Esqueçam, vocês não
entenderiam mesmo. É uma coisa de trouxas.
- Eu precisava mesmo comprar o Profeta Diário,
Lílian. Qual o nome da revista que tenha isto que talvez eu posso achar.
Tiago parecia estar arranjando apenas um
motivo de sair dali. Sua cabeça, pela primeira vez, não estava em Sirius, em
sua turma, ou muito menos em Lílian, que sempre prendera sua atenção. Estava
em Hogwarts.
- Eu acho que você não vai encontrar essas
coisas por aqui, Tiago. – arriscou Arabella com um sorriso, fazendo Sirius
sorrir também.
O garoto levantou da cadeira.
- É melhor eu ir logo comprar o jornal. Já
venho.
Conseguindo escapar, Tiago foi até a
livraria mais próxima e entrou como um furacão, procurando o Profeta Diário.
Na notícia de capa, bateu o olho e o sobrenome Dumbledore ressaltou. Leu
rapidamente, sem comprá-lo e saiu correndo da loja. Voltou ao Três Vassouras
e, ofegante, disse a Sirius.
- Eu... Eu esqueci uma coisa em Hogwarts,
preciso do Mapa do Maroto. – pediu para o amigo.
- Mas é tão importante assim? Está
praticamente nevando lá fora! – tentou argumentar Sirius.
- Eu preciso! – pediu novamente,
exasperado, saindo como num foguete do bar.
- Pessoal – falou a todos. – Acho que
Tiago teve um incômodo em seu intestino – inventou Sirius ao vê-lo bem
longe. – e vai se ausentar por algum tempo – alguns franziram suas testas.
– Bom, mas vamos voltar ao assunto, onde estávamos?
***
Nessas
horas, o Mapa do Maroto era essencial. Tiago desembarcou em poucos minutos em
Hogwarts. Sentira-se ligeiramente culpado por não ter avisado os outros, mas
precisava conversar com Hariel sozinho. Algumas coisas martelavam sua mente
desde a tarde anterior.
Escondido, andava pelos cantos até anunciar
a Velha Gorda a senha da Grifinória e entrar na sala comunal. Encontrou de cara
os olhos azuis de Hariel o olharem surpresos. Do lado de fora da sala comunal, pôde
observar que uma nevasca caía. A garota estava sentada no parapeito da janela.
- Tiago?! O que você está fazendo aqui?!
Hariel sentira um forte aperto no coração
ao vê-lo entrando pelo quadro tão repentinamente. Ela segurava o Profeta Diário
na mão.
- Por que você não nos contou? –
perguntou o garoto ansioso.
- Contei o quê? – fingiu.
Tiago aproximou-se mais um pouco e ficou
postado ao lado do sofá, ainda distante da janela.
- Isto que está na sua mão – disse o
garoto sério. – Eu li.
Hariel pegou ar.
- Só você sabe?
Tiago engoliu em seco. Como iria explicar
que não contara nada a ninguém por querer ficar um tempo com ela?!
- Não deu tempo de pensar em avisar os
outros. Eu fiquei sabendo do Malfoy, o caso do trem, e sei que você mudou muito
desde que aconteceu o desaparecimento da sua mãe.
Hariel sentiu as pernas fraquejarem. Tiago
estava dizendo que estava preocupado com ela? Não sabia bem porque, mas sentiu
o coração acelerar de um jeito diferente.
- Você não precisava ter voltado – disse
calmamente. – Olhe a nevasca que está acontecendo lá fora, eles não poderão
voltar hoje, provavelmente.
- E que mal há nisso? – perguntou em um
tom malicioso, que geralmente somente usava com garotas que estava interessado.
Tiago era muito popular também e já ficara com algumas meninas.
- Hã... Nenhum, eu acho. – arriscou uma resposta.
Ficaram calados por um tempo. Hariel
sentia-se profundamente incomodada por ter Tiago somente para ela. Pegou-se
imaginando a mesma cena que Snape fizera com ela, mas estava Tiago beijando-a. “Isso
é loucura!”.
-
Seu pai falou alguma coisa sobre isso? – perguntou o garoto, apontando o
jornal na mão de Hariel.
- Ele disse que ia checar com o Ministério...
Mas eu estou apavorada...
Tiago sentiu um novo aperto no coração. A
nevasca do lado de fora aumentava a cada minuto, e parecia que teriam de passar
a noite sozinhos na Grifinória, a não ser pelas crianças do primeiro e
segundo ano.
- Você sabe como o povo inventa várias
coisas, Hariel. Não pense nem crie qualquer situação antes das coisas
acontecerem.
Hariel segurou um soluço.
- Eu sei disso, Tiago. Mas a situação é
que... eu não sei se minha mãe está morta, se eu vou morrer amanhã, se meu
pai está em perigo, se minha mãe realmente nos traiu...
Hariel começou a soluçar e deixar correr
algumas lágrimas pelo seu rosto. Era a primeira vez que Tiago a via chorar.
Correu até ela e retirou o jornal de sua mão, que tampava seu rosto doloroso.
- Sua mãe não traiu ninguém! –
indignou-se, sentado a sua frente. – Ela nunca faria isso! É tudo culpa de
Voldemort! Ele está acabando com a vida de todos, Hariel! Não podemos fazer
nada por enquanto!
Hariel abaixou a cabeça e tentou segurar
mais um pouco de lágrimas. Tiago aproximou-se mais ainda dela e tomou seu rosto
entre suas mãos. Ele sentiu a maciez da pele da garota. Ela corou levemente.
Tiago limpou as poucas lágrimas escorridas pelo seu rosto e disse:
- Nada vai acontecer a você. Nada –
Hariel encarava-o séria. – E você sabe por quê? Porque eu
não vou deixar! Não vou!
Tiago
assistiu o olhar de Hariel transformar-se de dor para uma intensa admiração.
Aquele olhar breve e imenso o fez perder todo o controle e, devagar aproximar
seu rosto do de Hariel. As mãos dele ainda residiam em seu rosto. Hariel também
parecia sonhar e deixou que Tiago aproximasse mais ainda seu próprio rosto do
dele.
Delicadamente, Tiago encostou seus lábios
nos de Hariel. Um arrepio percorreu o corpo de ambos exatamente no mesmo
momento. Seguidamente, de olhos bem fechados, começaram a trocar alguns beijos
onde apenas encostavam os lábios. Então, no último deles, Hariel permitiu-se
abrir seus lábios ligeiramente, deixando a língua de Tiago caminhar por toda
sua boca. Tiago retirou as mãos do rosto de Hariel e as depositou na cintura
bem feita da garota, puxando-a contra seu corpo, fazendo o espaço que havia
entre eles desaparecer em questão de segundos. Hariel envolveu Tiago num abraço,
em que colocou seus braços envolta do pescoço do garoto e acariciou sua nuca
levemente.
Tiago já havia beijado outras garotas, mas
nada parecia com aquilo. Sirius e Remo já haviam comentado daquilo com ele. Um
fogo começou a subir pelos seus pés e sentiu perder o equilíbrio. A quentura
reservou-se na região do ventre novamente. Um novo arrepio o tomou e foi até a
ponta de seus cabelos, onde estavam as mãos de Hariel.
Quanto a Hariel, aquele era, na verdade, seu
primeiro beijo. Snape havia apenas colado seus lábios nos dela. Não se parecia
nada com aquilo. Tiago era envolvente, era delicado, era perfeito. Seus braços
percorriam suas costas, provocando arrepios constantes na garota.
O quadro da Velha Gorda rangeu, fazendo que
se separassem. Não se encararam depois. Entrou na sala comunal Madame Pomfrey,
carregando uma xícara de chá.
- Senhor Potter, a professora Minerva me
disse que o senhor estava com um problema no intestino – dizia a enfermeira.
– Trouxe um chá para o senhor e eu recomendo que deite e descanse. Voltarei
daqui uma hora e espero que o senhor esteja deitado!
Tiago desgrudou seus olhos castanhos de Madame Pomfrey quando a mulher
saiu da sala comunal. Não sabia bem o que fazer. Ainda estava fascinado com o
beijo. Ouviu uma voz calma perguntar:
- Problema no intestino, senhor Potter? Devo
me preocupar?
Tiago voltou os olhos para Hariel, que o
observava de um modo intenso e, trazia nos lábios, um largo sorriso.
- Deve ter sido coisa do Sirius. –
explicou desajeitado.
Ambos ficaram encarando-se. Os olhos de
Tiago estavam surpresos, enquanto os de Hariel estavam com o tom de admiração.
- Eu tenho que subir, agora. – disse
Tiago, malicioso.
- O que você quis dizer com isso? –
indagou Hariel.
Tiago não respondeu e subiu as escadas.
Hariel foi atrás, os olhos vidrados no garoto. Seu coração estava disparado,
mas ainda não entendia por quê. Ela sempre teve uma ligeira, bem
pequena queda por ele, mas nada como aquilo. Sentia-se... sentia-se...
Apaixonada!
Entrando no quarto do garoto, encontrou logo
sua cama, já que ele jogou-se nela. Hariel ficou parada ao lado da porta,
admirando-o como uma criança pulando num pula-pula. Logo, estavam rindo, porque
o chá de Madame Pomfrey era horrível, e Tiago fazia caras e bocas. Ele
levantou, tirando o casaco mais pesado e o óculos. Estava com muito calor
depois do que sentira no andar de baixo.
Hariel permaneceu encostada na parede da
porta, observando-o retirar o casco. Tiago aproximou-se dela, mas parou ao seu
lado, de frente para a porta. Hariel ficou olhando-o admirada. Ele estava mais
lindo que nunca. Devagar, Tiago fechou a porta do quarto. Quando terminou de
faze-lo, surpreendeu Hariel, roubando-lhe um novo beijo.
Esse foi bem mais envolvente que o outro.
Tiago pressionou Hariel contra a parede, fazendo a esticar-se mais e permitir
que ele a levantasse, apenas segurando-a pela cintura. O garoto levou-a até a
beira da cama e deitou-a levemente. Partiu para o pescoço da garota, fazendo-a
soltar um leve suspiro. Um novo arrepio percorreu o corpo de ambos.
Novamente lembrou de Sirius, contando de um
dia em que ele estava com Arabella no final do ano passado. Ele dizia que sentiu
uma enorme vontade de ir mais a fundo, mas tudo era muito bem controlado por
Arabella. A mesma sensação de permanecer para sempre grudado ao corpo de
Arabella, agora tomava Tiago, que desejava estar bem mais próximo do que já
estava com Hariel.
Hariel, por sua vez, sentiu uma quentura
tomar seu corpo por inteiro quando sentiu uma pressão mais forte vinda de
Tiago. Ela, rapidamente, e sem o menor controle, tirou as mãos dos cabelos dele
e levou-as a região do peito, procurando uma abertura para sentir a pele dele
em contato com a sua.
Tiago arrepiou mais fortemente dessa vez e
sentiu uma nova quentura em seu ventre, bem mais persistente do que as outras. E
foi então que Hariel pareceu ter recuperado o controle.
Ela separou seu corpo do dele, o empurrando fracamente para trás.
Ofegante, ela ajeitou o cabelo e olhou para o garoto sentado a sua frente, com
alguns botões de sua camisa aberta.
- Eu... ah... – ela não sabia o que
dizer, levemente gaguejando. Levou a mão à boca espantada com o que quase
acabara de fazer. – Nós não estamos pensando, Tiago. Não é certo.
- Por que não é certo?! – surpreendeu-se
o garoto, aproximando-se mais e mais do corpo quente de Hariel.
- Por que estamos fazendo isso, digo –
enrolou-se Hariel. – eu sei que você não gosta nem nunca gostou de mim! E eu
também nunca gostei de ninguém, então não sei se isso é certo.
Tiago abaixou a cabeça.
- Você pode negar o quanto quiser, mas eu
sei que você gosta da Lílian, não de mim.
- Você está certa – concordou o garoto,
levantando os olhos para encará-la. – Eu gosto... gosto da Lílian. Mas eu não
sei o que me deu. Acho que foi desde ontem. Eu venho tentando ficar sozinho com
você, fico procurando seu olhar, eu não sei...
De repente, Hariel sentiu-se tonta novamente
e Tiago aproximou-se mais dela.
- Você está bem? – indagou preocupado.
Hariel procurou ar e respondeu:
- Foi o Snape!
- Snape?! – estranhou Tiago.
- Claro! Eu me lembro de ir até o lago, mas
não consegui chegar até lá... – Hariel forçou a mente para recordar. –
porque o Snape me impediu! Ele falou
um monte de coisas absurdas e tinha um perfume incrivelmente bom. Eu me lembro
de ficar tonta, como agora, e vê-lo me beijando...
- E o que isso quer dizer?
- Eu não sei – ela parou por um momento e
voltou a olhar para Tiago. – Por que ele apareceu apavorado na ala hospitalar
ontem?
Tiago pensou um pouco e então tudo se
clareou para ele.
- Snape gosta de você?
Hariel levantou as sobrancelhas surpresa.
- Quando eu e o Black cumprimos a detenção...
bem, ele... ele me beijou...
- O SIRIUS?! – espantou-se Tiago.
- Não! Claro que não! Nem morta aquele
Black iria me beijar! – Tiago não deixou de sorrir. – O Snape. Ele disse
que estava louco por mim, eu não sei...
- Eu já sei o que ele fez. Sirius deve ter
visto tudo acontecer, mas como foi estuporado, ele esqueceu-se. Ele fez um Feitiço
do Amor.
Hariel arregalou os olhos.
- Estudamos isso na aula de Feitiços. O que
acontece é que, como eu fui o primeiro a você ver depois de acordar do transe,
tanto eu como você fomos atingidos pelo feitiço. Assim, ficamos... bem,
ficamos apaixonados um pelo outro por um dia, praticamente. Acho que agora que
você se lembrou, o feitiço acabou...
- Aquele Snape seboso e nojento me paga! –
exclamou Hariel vingativa.
Tiago riu. Hariel ouvira tudo com muita atenção
e pegou-se assustada.
- Então isso é ficar apaixonada? É sentir
tão segura e certa com uma pessoa que você nunca mais quer se ver longe dela?
Tiago sorriu levemente para ela.
- É parecido com o que eu sinto pela Lílian
todo dia.
A garota sorriu também.
- Ela é uma garota de sorte.
Tiago corou e olhou para os próprios pés.
- Veja o meu caso! Só me aparece um Snape
mesmo!
Ambos riram deliciosamente e encararam-se
novamente. Tiago ainda mantinha um brilho especial nos olhos.
- Pois eu digo que adoraria estar apaixonado
por você.
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