No Fabuloso Expresso
Este primeiro episódio conta como foi o ingresso de Lílian Evans em Hogwarts com apenas onze anos e vinda de uma família totalmente trouxa. Aqui, a garotinha ruiva conhece seus futuros melhores amigos em situações novas e divertidíssimas.
Hogwarts,
a maior escola de Magia e Bruxaria do mundo, estava prestes a encher-se de
alunos novamente. O começo do ano letivo empolgava a muitos, principalmente a Lílian
Evans, uma garota de apenas onze anos de idade. Recebera a carta um mês antes.
Havia sido aceita. Os pais pulavam de felicidade enquanto a irmã, Petúnia, roía
as unhas no canto da sala. Lá estava ela, acompanhada pela família na
plataforma nove e meia. Seu cabelo era ligeiramente avermelhado e possuía belíssimos
e fundos olhos verdes que brilharam ao ver chegar o grande e majestoso trem da
escola. Despediu-se dos pais e da irmã, subindo no trem em seguida. Procurou a
primeira cabina e entrou, olhando para os lados insistentemente. Ouvia aos
poucos inúmeros passos agitando o chão. Trazia no rosto de menina um sorriso tão
bobo que parecia uma criança abrindo um presente desejado a vida toda. O sinal
de embarque foi dado. Guiou sua visão até a janela e deu um tchauzinho
delicado para os pais. O trem começou a se movimentar e suas mãos tremiam
temerosas e ansiosas.
Poucos minutos
depois, parada à porta estava uma garota de sua idade, com cabelos e olhos
escuros. Parecia séria. Carregava junto ao corpo uma pequena mala e uma gaiola
com uma bela coruja negra.
- Posso me sentar
aqui? Não resta mais nenhuma cabine vazia em todo o trem. – disse a garota
calmamente com a voz ligeiramente rouca.
- Claro, claro que
pode – repetiu timidamente. – Não queria passar a viagem toda sozinha também
– ela estendeu a mão à garota. – Sou Lílian Evans.
- Arabella Figg. –
respondeu a menina, arriscando um sorriso.
Arabella sentou-se comportada à frente de Lílian e ajeitou a gaiola ao
seu lado. Lílian tentou puxar assunto.
- Bonita coruja. –
elogiou timidamente.
- O nome dela é
Flymoon. Ganhei do meu pai. Sabe como é, preciso manter contato. – explicou
acariciando o pescoço da coruja cinza.
Lílian ameaçou continuar a conversa, porém de súbito, uma mala cruzou
em sua frente e chocou-se contra o vidro da janela, quase a quebrando. Arabella
levantou assustada e foi até a porta, colocando a cabeça para fora da cabine,
à procura do dono da mala voadora. Conseguiu apenas ver uma grande gaiola com
uma bela fênix vermelha dentro. De trás, surgiu uma garota meio atrapalhada,
segurando a varinha com a mão direita e a gaiola com a esquerda. Tinha os
cabelos bem claros e grandes olhos azuis.
- Por acaso a minha
mala voou para dentro da sua cabine? – perguntou a garota meio encabulada.
Arabella franziu as
sobrancelhas em tom de censura.
- Então a senhorita
é a dona daquilo que entrou e quase quebrou a janela da minha cabine?
O sorriso tímido da
garota sumiu. Ela ajeitou-se e foi entrando na cabine, atropelando Arabella. Lílian
observava tudo quieta. A menina colocou a gaiola de sua fênix no assento, ao
lado de Lílian. Respirou fundo e pegou a mala do chão. Arabella pigarreou.
- Quem é você? –
indagou em tom de interrogatório.
A menina virou-se
para trás.
- Sou Hariel
Dumbledore. – disse suspirando impaciente.
Lílian abriu bem os olhos. Arabella também.
- Você é filha do
diretor? – perguntou Lílian curiosa.
A garota não sabia
muita coisa sobre o mundo bruxo, mas tinha certeza que o sobrenome da menina era
o mesmo do diretor de Hogwarts. Hariel agitou a cabeça em confirmação.
- Desculpem-me pelo
transtorno. É que, como vocês podem perceber, não é fácil guiar esta gaiola
enorme e a mala junto. Sem contar um menino que estava atrás de mim e ficava me
pressionando para andar mais rápido. – contava Hariel comendo algumas
palavras.
- Pode sentar
conosco – disse Arabella ainda contrariada. – Sou Arabella Figg e esta é Lílian
Evans.
- Figg? –
estranhou Hariel, ajeitando a gaiola que ameaçava cair do assento. – Este
nome não me é estranho. Acho que meu pai conhece alguém de sua família.
- Minha mãe
trabalha no Ministério da Magia. – dizia Arabella.
Lílian ajeitou-se no assento e perguntou às garotas:
- Vocês não são...digo,
não são...?
- Trouxas? –
indagou Arabella rapidamente.
A garota ruiva
franziu as sobrancelhas e a testa ofendida. Hariel pareceu entender.
- Não, Não!
Trouxas são as pessoas não-bruxas, que não conhecem nosso mundo, entendeu?
– corrigiu a garotinha loira.
- Ah! – exclamou Lílian
envergonhada. – Eu não sou bruxa totalmente. Digo, eu venho de uma família trouxa,
como vocês chamam. – consertou levemente desapontada.
-
Bem, minha família é toda bruxa, apesar de minha mãe vir de uma família
trouxa. – disse Hariel.
- Eu sou meio a
meio. Mãe bruxa e pai trouxa. Mas vivo em Londres com os trouxas por causa de
papai. – respondeu Arabella.
Lílian sorriu, sentindo-se mais confortável. Olhou de esguelha para o
animal avermelhado ao seu lado.
- A fênix é sua?
– perguntou a Hariel.
- Mais ou menos. Meu
avô comprou-a a muito tempo, mas atualmente quem cuida dela sou eu. Agora, ela
vai ficar com ele. – respondeu Hariel, quando a moça com o carrinho de doces
interrompeu a conversa.
- Alguma coisa
meninas? – indagou gentilmente.
Lílian e Hariel não tinham dinheiro algum. Arabella viu o
constrangimento das garotas e comprou algumas coisas com o pouco que tinha.
- Eu estava lendo os
livros da lista desse nosso primeiro ano, sabem – dizia Arabella num tom quase
metido. – Gostei dos métodos de seleção de Casas também. Minha mãe foi da
Grifinória.
- Hum! Hogwarts, a
História! – completou Lílian curiosa. – Eu li esse livro nessa última
semana, muito interessante!
Enquanto Arabella e
Lílian trocavam informações e opiniões sobre Hogwarts, a História,
Hariel interrompeu-as:
- Vocês leram aquilo?!
Eu peguei no sono na terceira página! – zombou divertida, fazendo as garotas
rirem.
- Em que casa vocês
esperam entrar? – perguntou Lílian. A garota queria saber tudo que fosse a
respeito de Hogwarts.
- Não sei. Eu
gostaria de entrar na Corvinal, mas acho que vou entrar na Grifinória por causa
da minha mãe. – respondeu Arabella, mordendo um pedaço do seu sapo de
chocolate.
- Eu quero entrar na
Grifinória, a mesma que meu pai e minha mãe entraram. – respondeu Hariel.
- A Grifinória não
deixaria entrar tal garota atrapalhada. – disse alguém do lado de fora da
cabine.
Hariel levantou de
repente. Antes que pudesse ver quem fosse, a pessoa foi entrando na cabine. Era
um garoto, da mesma idade que elas, com cabelos bem escuros e olhos azuis. Muito
bonito.
- Foi você que
ficou me apressando no corredor! – exclamou Hariel nervosa.
- Então você é
filha do grande Alvo Dumbledore – dizia ele com tom arrogante. – Nem parece.
- E quem é você
para ouvir conversas atrás das portas e se achar tanto? – indagou Hariel.
- Sirius Black e não
tenho nenhum prazer em conhecê-la. – respondeu o garoto grossamente.
Black era uma família
muito bem conceituada no mundo mágico. Stephan Black era um dos chefes do
Departamento de Execução de Leis Mágicas e Holly Black era redatora-chefe do
Profeta Diário. Hariel sabia bem disso, mas ainda assim, seu nome pesava muito
mais do que o dele.
- Igualmente. Agora,
você pode ir se retirando daqui. – ordenava Hariel.
- Nada disso –
respondeu ele, fazendo a garota abrir bem os olhos. – Por que você acha que
estive em pé o tempo todo no corredor? Para ouvir sua conversa vazia é que não
foi.
- O que você quer
dizer com isso? – perguntava a garota desconfiada.
- Eu e alguns
garotos teremos de ficar aqui. Não há mais cabines neste trem.
Hariel deu uma meia
volta suspirando impaciente, enquanto os outros iam entrando na cabine e
colocavam as gaiolas de Flymoon e da fênix de Hariel no chão.
Arabella, que
assistia a tudo, perguntou aos outros:
- Já que o engraçadinho
já se apresentou – dizia ela, em relação a Sirius. – Quem são vocês?
O primeiro a
responder foi o garoto gorducho, sentado ao lado de Black. Tinha os cabelos
ligeiramente molhados e os olhos pequenos e castanhos.
- Pedro Pettigrew.
Arabella foi
seguindo com a cabeça. Olhou agora para o garoto sentado ao lado de Lílian. Os
olhos castanhos eram escondidos por discretos óculos redondos e a cabeleira
castanha despenteada.
- Tiago Potter.
Arabella franziu a
testa. Potter era outra família bastante conhecida. Todos conheciam Anthony
Potter, o pai de Tiago, que era ministro da Magia, há mais de dez anos.
Lílian também já ouvira falar algumas coisas sobre os Potter. A família
chegou a ser citada no seu livro preferido: Hogwarts,
uma história. Sentado ao lado de Hariel, muito mal humorada, estava um
garoto de cabelos claros e olhos que pareciam mudar de cor. Era a terceira vez
que Arabella olhava para eles e passaram de verdes para mel, de mel para azuis.
Apesar da beleza, o garoto parecia extremamente cansado.
- E você? –
indagava Arabella curiosa.
- Remo Lupin.
Arabella e Lílian apresentaram-se e Sirius comentou que seu pai
trabalhava com a mãe de Arabella no Ministério, pelo Departamento de Execução
das Leis Mágicas.
Lílian suspirou. Sirius reparou.
- Do que a garota
está reclamando? – perguntou ele inquieto.
- Fique quieto
Black! – disse Hariel muito aborrecida.
- Sinceramente, eu
prefiro ficar no corredor a ficar aqui dentro com você, Dumbledore! – e saiu
da cabine.
Os outros
permaneceram sentados, comendo alguns feijõezinhos de todos os sabores.
Arabella e Lílian afogaram uma risada. Hariel disse:
- Tomara que vá
para a Sonserina.
***
O
expresso de Hogwarts parou. Os alunos do primeiro ano saíam agitados, a noite
estava muito fria. De longe, pôde-se ver a silhueta de um grande homem
gritando:
- Alunos do primeiro
ano! Alunos do primeiro ano!
Aos poucos as crianças
foram se juntando e puderam conhecer, provavelmente, o primeiro gigante em suas
vidas.
- Entrem nos barcos!
Só quatro por barco! – gritava o gigante enlouquecido com tantas crianças.
Lílian e Arabella olhavam maravilhadas o grande e escuro lago que teriam
de percorrer até chegarem ao castelo de Hogwarts. As duas andavam juntamente
com Hariel, esta chegando cada vez mais perto do gigante. Quando o homem as viu,
deu um grito de exclamação:
- OH! Minha menina!
– gritava ele abraçando carinhosamente Hariel. – Não consigo acreditar que
chegou a sua hora! – Lílian e Arabella observavam, notando que Hariel começava
a ficar bem vermelha. Ele parecia que ia sufocá-la.
- Tá bem, Hagrid.
– disse ela meio engasgada, tentando voltar ao chão.
- Você vai no meu
barco – então ele percebeu que havia as duas meninas que acompanhavam Hariel.
– Novas amigas?
Hariel afirmou com a
cabeça. Hagrid guiou-as então para seu barco – por sinal, bem maior que os
outros – e então puderam seguir para o castelo de Hogwarts.
***
Para
a infelicidade de Hariel, Sirius Black havia sido selecionado para a Grifinória,
assim como ela e os outros da cabine do Expresso de Hogwarts. Naquele momento,
Alvo Dumbledore, o pai da garota, dava os últimos recados que mencionavam um
certo senhor Filch, e desejando um bom ano letivo a todos.
Da mesa da Casa Grifinória, Sirius comentava com Remo sobre um garoto
sentado na mesa da Casa Sonserina. O garoto era moreno como ele e de fundos
olhos azuis.
- Aquele é o Thomas.
Arabella reparou como o garoto que parecia pouco mais velho era parecido
com Sirius.
- Seu irmão? – indagou, desviando-se de uma coxa de frango.
- Quarto ano, Sonserina – completou Sirius para Remo, ignorando
Arabella. – É o meu irmão.
A garota apertou os olhos negros em Sirius, que fixou sua vista na dela.
A única coisa que ele não tinha a mínima idéia era que naquele exato
momento, Arabella estava lendo sua mente. E ela somente repetia que as três
garotas eram horrorosas e muito chatas. Daquele segundo em diante, formou-se uma
guerra entre as garotas, Lílian Evans, Arabella Figg, Hariel Dumbledore, e os
garotos, Sirius Black, Remo Lupin, Pedro Pettigrew e Tiago Potter.
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