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N/A: Ainda estão presentes em primeira pessoa os pensamentos neste capítulo, e também memórias dos marotos, do passado de Heather (estes, entre aspas).
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NO CAPÍTULO ANTERIOR:
Helderane revelara ser, na verdade, em sua vida humana, Heather Potter, a irmã de Tiago Potter, pai de Harry. Então, isto a fazia sua tia, certo? Porém, como uma Deusa, ela foi impedida de seguir como a quieta Srta. Potter e transformou-se em Helderane, a Cavaleira de Merlin. Só que ela não contava que o coração humano de Heather ainda pulsasse dentro de seu peito. E era esse seu maior problema. Como esconder seus verdeiros sentimentos?
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Capítulo
Vinte e Oito - A Deusa de Coração Humano – Parte II
É chegada a hora. Minhas mãos estão levemente trêmulas e, mesmo que eu saiba o desfecho ou ao menos imagine, estou nervosa. Será que ele aceitará bem o quê tenho a dizer? Se bem que, eu nem planejei nada. “Você precisa ser mais determinada”. A voz da minha mãe dizendo aquilo sempre me dizia que, em alguma ocasião, eu teria de ser determinada. Entrando neste jardim com ele ao meu lado, sinto como se eu estivesse recebendo forças de todos que já se foram e daqueles que torcem por mim. Pela Heather, não pela Helderane. Afinal, é ela quem está aqui, neste momento. Somente preciso respirar fundo e fechar meus olhos. Não quero continuar sofrendo. Não irei.
Harry
andava no mesmo ritmo em que a mulher ao seu lado. Um calafrio permanecia em sua
espinha, subindo e descendo. Não era ruim ou incômodo. Ele só estava
inseguro. Helderane parecia mais que uma Deusa. Era um anjo. Seus grandes olhos
castanhos brilhavam toda vez que olhavam a Harry. Sua voz era calma e paciente,
parecendo uma melodia de harpas. Seu andar era reto e delicado, assim como
parecia flutuar pelos corredores escuros daquela noite fria de Janeiro. Os fios
do cabelo eram lisinhos e reluziam conforme o movimento sutil da cabeça da
Cavaleira, combinando perfeitamente com os amendoados olhos de mesma cor.
Assim que chegaram
aos jardins, deixando o castelo para trás, o céu escuro se abriu em estrelas
como num passe de mágica. Uma brisa suave passou por seu corpo e Harry sentiu
como se a correnteza de vento fizesse graça no vestido branco da Cavaleira de
Merlin. Se pisasse com os pés descalços na relva, notaria que o orvalho havia
umedecido a terra com gentileza. Apesar de estarem na estação mais fria de
todas, o inverno, aquela noite em especial estava perfeitamente agradável.
Fria, mas muito agradável.
A Deusa andou pouco
mais para longe de Hogwarts e paralisou. Harry fez o mesmo e encarou as árvores
da Floresta Proibida, que se moviam conforme a velocidade do vento. Recordou a
recente invasão dos dementadores, pertencentes ao esquadrão de ataque de
Voldemort. A idéia de tê-los reunidos em quantidade tão estrondosa provocava
um grande receio em Harry. Sua desconfiança aumentava quando lembrava das mais
de cinqüenta criaturas que quase arrasaram a Ordem da Fênix e seus amigos –
obviamente, Draco Malfoy era retirado dessa citação no mesmo segundo.
Divagando em suas preocupações, seu olhar recaiu sobre a mulher ali parada.
Helderane era pouco mais baixa que Harry, mas sempre parecia maior, mais
brilhante, mais iluminada e majestosa. Toda vez que ele encarava-a, desde seu
primeiro encontro, a Deusa lhe provocou o efeito de sentir-se menor junto dela.
Diminuído, como se seu poder fosse imenso e indestrutível perto dele. Talvez,
ela provocasse isto em todos a sua volta. Talvez não.
- Não está curioso
em saber o porquê de tê-lo chamado para conversar, Sr. Potter? – perguntou
Helderane, olhando fixamente nos olhos do jovem, sua voz ainda divagando como
uma canção.
Harry engoliu em
seco e segurou a respiração impensadamente. Parecia que, desde sua primeira
aparição, a Deusa tinha algo a dizer a ele. Seus olhos indagavam a energia que
exalava do corpo de Harry. A Deusa tinha... Tinha algo inexplicável. E havia
ainda aquele pequenino cordão em volta de seu pescoço, que a mulher insistia
em tocar.
Estranhamente,
parecia sempre que as palavras lhe faltavam ao se dirigir a ela. Aliás, a ela,
Hades, Cronos e Ares também.
- Sim. – respondeu
Harry, monossilábico, após muito tempo.
Helderane expressou
uma face de paciência.
- Gostaria de te
conhecer, Sr. Potter – disse a Deusa, sem parecer nervosa. – Sempre ouvi
tanto sobre o senhor por este mundo afora que tenho o prazer de tê-lo aqui em
Hogwarts e não conhecê-lo? Não acho que isto seja muito inteligente.
Harry corou
levemente com a menção da Deusa sobre todo o mundo bruxo saber quem era Harry
James Potter, mesmo que aquela citação não o deixava mais confortável à
volta dela.
- Eu não sei o quê
dizer. – respondeu Harry vacilante.
Surpreendentemente,
Helderane sorriu a ele. Seus olhos brilharam e Harry quase percebeu que existia
água neles. A Deusa sorriu, primeiramente, com os lábios fechados, e então,
mostrando os dentes brancos e a boca carnuda se transformando numa belíssima
imagem de alegria e felicidade, mesmo que contida.
- Então você é tímido
– concluiu Helderane, com o sorriso. – Uma característica minha.
O monitor da Grifinória
franziu a testa.
- Perdão, mas, o quê
a Senhora disse?
Agora sim, Harry
notou que os olhos grandes e arregalados de Helderane estavam cheios de lágrimas.
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Nunca
soube muito bem o porquê das minhas bochechas ficarem sempre tão rosadas ao
menor sinal de atenção que eu recebia. Todos costumavam saber que eu estava
envergonhada ou tímida. “Olhe para suas bochechas, Heather!”. Eu ouvia isso
o tempo todo. Mamãe dizia que eu sempre fui muito calma e mais acanhada que
Tiago. Papai falava que gostava de ficar quieta e, por isso, quando ganhava atenção,
ficava envergonhada. Tiago simplesmente ria da minha cara e dizia que era muito
medrosa, que precisava me soltar um pouco. “Relaxe! Para quê sempre tentar
ser perfeita?”, eu vivia ouvindo dele. E quando me tornei amiga de Arabella,
ela insistia que era influência do meu signo astrológico Câncer, o quê na
verdade eu sempre achei uma bobagem. Mas isso também me recorda um episódio
anterior ao meu quarto ano, nas férias...
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“A
família Potter estava reunida discutindo os últimos preparativos para as férias
de Julho e Agosto, antes ao retorno a Hogwarts, quando receberam uma carta da
Escola. A mãe da família arregalou os olhos ao passar a visão pelas letras do
pergaminho. Em seguida, ergueu o olhar, direcionando-o à filha. Tiago, o filho
mais velho, se tornara desde o quinto ano monitor da Casa Grifinória e sempre
tivera as notas que qualquer pai se orgulharia. Já a filha mais nova, Heather,
a quem a mãe estava olhando naquele momento, que sempre fora uma ótima aluna
igualmente. Entretanto, a expressão descontente da mãe denunciava que havia
algo de muito estranho em seu desempenho escolar.
- Juro que não
entendo, filha – murmurou Catherine Potter enquanto olhava atentamente a carta
recebida há pouco mais de cinco minutos. – Não esperava que você caísse
tanto assim. Digo, Defesa Contra a Arte das Trevas? Você sempre foi a primeira
aluna de sua turma! E Adivinhação? Não é possível que a Hawking tenha quase
te reprovado por tanto, mesmo que ela seja quem é...
- Deixe-a falar por
um minuto, Catherine, pelo amor de Merlin! – irritou-se Anthony Potter, ao
ouvir os protestos da esposa há quase três minutos.
O atual Ministro da
Magia, que até então estava conversando com o filho, voltou-se para a menina
do quarto ano – porque passara raspando – e cruzou os braços. Tiago
acomodou-se no sofá, espreguiçando-se longamente, com a face irônica,
deleitando-se com o momento.
Heather estava
encolhida na outra poltrona, o olhar direcionado aos seus pés e à pequena
corrente que envolvia seu tornozelo esquerdo. Percebia-se que a respiração
estava entrecortada. Metade de seu cabelo castanho e liso cobria seus olhos.
- Heather! Eu exijo
uma explicação! – gritou Catherine nervosa, encarando a filha ferozmente.
A garota permaneceu
com o olhar baixo, sem levantar a cabeça.
- Ok, mamãe –
respondeu ela, a voz tão baixa que Catherine ajeitou-se no sofá para
aproximar-se da filha a fim de ouvi-la. – Eu bobeei, certo? Me descuidei.
Desculpe.
- Ninguém
simplesmente se descuida, Heather! – a garota sabia que quando sua mãe
repetia muitas vezes seu nome, é porque estava furiosa.
Anthony afrouxou o nó
da gravata que envolvia o colarinho de sua camisa e bateu as mãos ao lado do
corpo, num tom confuso. Depois, ergueu as mãos e pediu silêncio à esposa.
- Mas filha, você
nunca deu problemas a nós antes – disse o senhor Potter, a voz levemente
rouca. – Você sempre foi a melhor da turma e sua mãe não percebeu que
estava tão displicente assim nas aulas dela. Que está acontecendo?
Catherine Potter era
professora de Hogwarts e ensinava Astronomia.
Heather levantou a
cabeça ligeiramente e o olhar direcionou-se ao pai.
- Eu já pedi
desculpas, não está bom? – retrucou aflita. – Isso não acontecerá de
novo! Eu prometo...
- Por que você não
diz logo a eles o motivo dessa sua repentina distração, irmãzinha?
Não somente
Heather, como Anthony e Catherine tornaram-se para o jovem de dezesseis anos
sentado no sofá, esparramado e com um sorriso perspicaz. Tiago retirou seus óculos
e olhou-os de longe, procurando uma sujeira. Quando os voltou nos olhos,
chocou-se com a boca entreaberta da irmã caçula, a expressão de choque. Tiago
sorriu maliciosamente.
- Do que Tiago está
falando, Heather? – perguntou Catherine para a filha, olhando estranha.
Heather mordeu o lábio
inferior com força e lançou um olhar suplicante ao irmão mais velho. Tiago,
pela primeira vez, sorriu com maldade e agitou a cabeça negativamente. Heather
fechou os olhos e imediatamente sentiu o corpo, especialmente o rosto, ficarem tão
quentes que parecia ter entrado em estado febril repentinamente.
A mãe dos irmãos
Potter, ao ver as bochechas vermelhas, quase roxas, da filha, percebeu que havia
algo de muito errado.
- Heather, suas
bochechas não mentem! – ralhou a senhora Potter, com Anthony parando ao lado
da mulher, ainda em pé. – Diga-me o quê há de errado com você! AGORA!
- ‘Tá certo, ‘tá
certo! – respondeu Heather, jogando a almofada que cobria seu abdômen para
longe e erguendo-se do sofá, o olhar de ódio profundo caindo sobre Tiago. –
Eu estou namorando, ok! Na-mo-ran-do! E Tiago acha que isso me atrapalhou!
Pronto, falei...
Anthony Potter caiu
imediatamente no sofá ao lado da mulher e Catherine levantou como se tivesse
tomado um choque. Agora eram as bochechas da mãe que também ferviam.
- Com quem a
senhorita está namorando? – indagou Catherine, rangendo os dentes.
Antes que Heather
pudesse responder, Tiago pigarreou e disse:
- Está vendo como
você não tem habilidade alguma de esconder as coisas, Heather – disse Tiago,
com seu tom superior. – Suas bochechas dizem tudo! Já cansei de dizer que você
tem que tomar controle delas! – ralhou o jovem, ignorando o nervosismo da irmã.
Em seguida, Tiago olhou para a mãe e com a maior cara lavada, ele completou.
– Ela está namorando o Remo, mãe.”
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É,
eu poderia ter terminado naquela mesma noite a minha ligação de sangue com o
idiota do meu irmão. Mas, ele tinha razão no final de tudo. A timidez me
colocou em muita enrascada. Ainda bem que aprendi a controlar bem esse pequeno
defeito. Obviamente, até certo ponto.
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- Você é corajoso, Sr. Potter? – indagou Helderane em seu tom melódico.
– Porque ouvi dizer que é muito, que enfrentou uma série de perigos, até
aqui mesmo em Hogwarts.
- Pode-se dizer que
sim – concordou, introvertido novamente. – Dizem que herdei a coragem do meu
pai.
Helderane deteve um
soluço da garganta. Com um novo sorriso, maior ainda do que o anterior, Harry
viu-a apertar os olhos e a água transbordar deles, fazendo com que as lágrimas
caíssem pela bochecha da Deusa. Harry ficou ainda mais confuso.
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“-
Você ficou maluco, Sirius?! Eu não vou permitir que você faça algo como
isso! Pode esquecer!
Heather estava
descendo as escadarias do dormitório feminino do quinto ano da Grifinória
quando parou para ouvir a discussão. Dava-se para distinguir claramente a voz
de Hariel Dumbledore, esbravejando como uma louca no Salão Comunal da Grifinória.
- Eu não vou deixá-lo
ir sozinho, Hariel! É tão difícil para que isso entre na sua cabeça! –
gritou de volta uma voz bem masculina. Era Sirius Black. – Você sabe a dor
que ele está passando?
Segurando a respiração,
Heather ouviu um suspiro contido e passos em direção à escadaria. Pensando
que seria Hariel, postou-se de pé, porém, rapidamente, sentiu alguém puxando
seu braço com certa força. Tornando-se para trás, encontrou os olhos de Remo
encarando-a com um certo temor.
A garota do quinto
ano indicou seu dormitório, mas Remo indicou negativamente com a cabeça,
pedindo que ela ficasse. Ambos sentaram-se nos degraus da escadaria. “Fique
aqui”, ela leu nos lábios que costumava beijar. Estremeceu levemente, nunca
gostava de muita proximidade com Remo Lupin.
- Você acha que não
sei o quê Tiago passou, Sirius? – voltou a protestar a voz de Hariel. – Eu
perdi minha mãe nessa Guerra estúpida contra Voldemort, esqueceu-se? Eu perdi
minha mãe! Eu então sei bem o quê Tiago está passando! E por isso mesmo não
acho sensato que vocês façam uma besteira como essa!
A garota olhou para
Remo e sentiu a mão do jovem do sétimo ano escorregar até encontrar sua mão.
Franzindo a testa, abriu a boca para dizer algo. Estava com medo do assunto que
se tratava àquela discussão entre Sirius e Hariel.
- Eu escolhi isso,
Hariel – disse outra voz masculina. Desta vez, Heather teve certeza que era de
seu irmão, Tiago. – Eu vou me opor a esta matança. E não há nada que alguém
possa fazer para me impedir.
Naquele exato
momento, Heather olhou para Remo e um único dedo do jovem cobriu seus lábios,
enquanto os olhos da garota estavam paralisados, sem poder expressar qualquer
reação.
- Meu pai não
morreu pelas mãos de Voldemort, como a sua mãe, Hariel, mas ele deixou uma
ponta de esperança em mim. Nunca houve um Ministro tão bom quanto meu pai e eu
estarei lá para vencer a batalha que ele apenas não venceu porque padeceu
antes.
Uma lágrima caiu
dos olhos de Heather. Remo mordeu seu lábio inferior e retirou o dedo da boca
de Heather. A jovem estava estática, sem mínima reação.
- E a sua mãe,
Tiago? Você não pensa nela? – indagou Hariel nervosamente. – E Lílian?
Você a pediu em casamento, esqueceu? Se você não estiver aqui, o que será
dela? O que será do casamento de vocês?
- Eu já conversei
seriamente com Lílian e ela concordou, me apoiou – disse Tiago calmamente.
– Trabalharei com o irmão mais velho do Sirius, o Thomas. E, se for preciso,
estarei disposto a morrer até que mate Voldemort e todos os outros seguidores
que insistem em acabar com a nossa paz e o nosso mundo.
- E sua irmã? O quê
você dirá a Heather? Ela acabou de descobrir que será transformada numa Deusa
e você a deixará assim, dessa forma?
Um longo silêncio
seguiu enquanto as lágrimas caíam dos olhos de Heather. Remo olhou-a com pesar
e aproximou seus braços do corpo pequeno de Heather, envolvendo-a num abraço
caloroso. A jovem fechou os olhos e mordeu o lábio, segurando um soluço mais
alto.
- Eu irei para esta
Guerra por causa dela, Hariel – respondeu Tiago Potter. – Quando minha irmã
se tornar uma Deusa, eu estarei purificando o mundo, tornando o mundo melhor
para que ela não tenha que ser transformada numa Deusa, para que não tenha que
deixar toda essa nossa estória para trás e principalmente para que ela tenha
uma vida digna de uma humana, que ela possa trabalhar, se apaixonar, casar, ter
filhos, ter meus sobrinhos. Estou fazendo isso pela Heather. E eu sei que ela
saberá disso quando eu contar a ela”.
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Eu
sempre quis ter essa coragem admirável que somente via estampada em meu irmão.
Claramente, ele havia aprendido com meu pai. Ele era um homem de fibra, um homem
que não tinha medo de nada e que sempre colocava sua coragem imensa e a confiança
em si à frente de todos os seus temores, não importando quais fossem eles.
Tiago sempre foi meu herói. Porém, não podia deixar que uma memória como
aquela não afetasse meu coração. Tiago tornou-se meu salvador a partir
daquela tarde. Mesmo que ele não tenha conseguido alcançar seu objetivo.
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-
E teimoso? Você é teimoso? – voltou a indagar a Deusa.
- Rony e Hermione
dizem que sim – respondeu com um riso discreto. – A todo o tempo.
A Deusa manteve o
sorriso largo e os olhos apertados, as lágrimas caindo. Helderane riu. Harry,
sem pensar duas vezes, sentiu uma vontade enorme de rir junto da Deusa. E ele
assim fez.
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“Arabella
tinha os pequeninos olhos negros concentrados nos pergaminhos sobre a mesa
quando Heather sentou-se à frente dela. Com seu corpo pequenino e o cabelo liso
sempre em ordem, Heather ficou encarando Arabella com certo receio. Suas
bochechas estavam começando a corar, ela podia sentir.
Quando a moreninha
do terceiro ano encarou a garotinha sentada com a face rubra, Arabella
ajeitou-se na cadeira e cruzou os braços.
- Alô, Srta. Potter
– cumprimentou Arabella formalmente. – Pensei que a senhorita não viria.
Heather engoliu em
seco, erguendo as sobrancelhas.
- Você pediu que eu
comparecesse, aqui estou eu – respondeu a menininha de onze anos. – Fiquei
curiosa com o quê as amigas do meu irmão poderiam querer comigo.
Como num passe de mágica,
uma garota loirinha muito bonita, com profundos olhos azuis, sentou-se à
esquerda de Arabella, e outra ruivinha de olhos tão verdes que deixaram Heather
maravilhada, sentou-se à direita da moreninha.
- Nós não somos
amigas do seu irmão, primeiramente – esclareceu Arabella, enrolando o monte
de pergaminhos que havia acima da mesa, em seu tom mandão. – Segundamente,
gostaríamos que você fosse sincera conosco e, caso der certo, podemos até
pensar num acordo.
A menina encolheu-se
na cadeira, temerosa. Suas bochechas ferviam. Naquele ponto, todo o rosto
deveria estar vermelho. Sem pensar, colocou mechas de seu cabelo atrás de suas
orelhas. Aquilo não parecia nada bem. Tiago vivia dizendo coisas sobre aquelas
três. A loirinha, neta do diretor, era intragável. Vivia reclamando de alguma
coisa e simplesmente não suportava Sirius, o quê Heather achava um absurdo, já
que Sirius era um amor com ela. A moreninha, filha de uma companheira de
trabalho de seu pai no Ministério da Magia, era muito mandona e achava que
sempre tinha espaço para dar lições de moral nos garotos. Mesmo assim,
Sirius, Heather percebia recentemente, que parecia muito envergonhado quando
comentava sobre ela. A ruivinha, por sua vez, era filha de trouxas e parecia
particularmente chata. Tiago dizia que, para ele, era a pior das três, mesmo
que dificilmente dava conversa para ela e suas teorias políticas sobre trouxas
e bruxos. Realmente, coisa boa dali não poderia sair.
- A-acordo? –
gaguejou nervosa.
- Exatamente –
continuou a morena. – Como você sabe, Hariel – ela apontou para a loira.
– Lílian – depois para a ruiva. – e eu, Arabella, não somos
especificamente as melhores amigas de seu irmão...
- Ele não gosta de
vocês três, diz isso o tempo todo. – tagarelou Heather sem pensar, colocando
a mão sobre a boca logo em seguida, num gesto bem infantil.
A loirinha bufou sem
muita paciência, murmurando um “grande novidade” posteriormente.
- Lílian, isso tudo
é ridículo. Sua idéia é ridícula – disse a garota do terceiro ano sem a
menor vergonha. – A menina é apenas uma criança e não vai sair por aí
contando os segredos do irmão para nós.
Foi à vez da
moreninha suspirar num tom sem esperança.
- É Hariel, você
tem razão – e ela tornou-se para Lílian. – Deixe isso pra lá, Lily! Você,
eu e Hogwarts inteira sabemos que ela não dirá nada. Foi mesmo uma idéia
idiota e nós duas fomos mais idiotas ainda de topar...
- Idéia idiota
coisa nenhuma! – protestou a ruivinha, os olhos verdes se intensificando sobre
Heather. – Srta. Potter, hum... Qual é o seu nome?
- Heather. –
murmurou a menina, afundando cada vez na cadeira.
- Ótimo, Heather
– repetiu Lílian sorrindo. Mas não parecia um sorriso particularmente
sincero. – Será que você poderia fazer um pequeno favor para nós? Tenho
certeza que não tomará muito o seu tempo.
A Senhorita Potter
olhou de esguelha para as outras duas e o olhar de esperança parecia não ter
voltado ainda. Hariel e Arabella pareciam nem um pouco interessadas em tentar
convencê-la a investigar a vida de Tiago para elas.
- Você sabe o porquê
de seu irmão e dos amigos deles fugirem uma vez por mês, à noite, por alguns
dias e por que ficam cheios de segredinhos, até por que pararam de encher nós
três? – Lílian disse tudo muito rápido e a garotinha do primeiro ano não
entendeu muito bem.
Porém, Heather
ergueu as sobrancelhas, querendo conter um riso. Se, um dia, aquela estória caísse
nos ouvidos de seu irmão, Heather o ouviria rir por mais de uma semana. Nas férias
de Hogwarts em que Tiago, eventualmente, passava em casa, costumava sempre a
contar sobre um trio de garotas da Grifinória que ele, Sirius, Remo e Pedro
adoravam torrar a paciência, como ela já havia recordado antes. Agora que ela
fora aceita na Escola, em seu primeiro ano, as mesmas garotas estavam pedindo
para que ela fizesse um relatório da vida do irmão?
- Você está me
pedindo para espionar o Tiago? – perguntou Heather, receosa, mas ainda
querendo rir.
Os olhos
verde-esmeralda de Lílian brilharam com intensidade.
- Isso mesmo,
Heather. Espionar Potter e os outros para nós três, que acha?
- Lílian, desista!
– repetiu Hariel e Arabella num coro. – Ela não dirá nada!
- Vamos lá, Heather
– continuou Lílian, ignorando as amigas. – Podemos combinar um acordo? Eu
posso fazer suas tarefas, coisas assim...
- Lílian, deixe de
ser tão teimosa! Ela não vai fazer nada que prejudicará o irmão! Isso foi
uma idéia imbecil! – ralhou Arabella, nervosamente.
- Não, eu não vou
descansar enquanto não acabar com a vida daquele grupinho infernal, vocês
podem ter certeza! – retrucou Lílian, os olhos brilhantes. – E eu quero
começar pelo Potter.
- Você quer começar
o quê por mim, Evans? – perguntou alguém atrás de Lílian.
Heather sorriu ao
ver o rosto do irmão mais velho, também pertencente ao terceiro ano. A expressão
de raiva que apareceu no rosto de Lílian provocou uma crise de riso em Heather,
que preferiu sair correndo da mesa antes que criasse briga com as inimigas
prediletas do irmão”.
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Lílian
era mesmo bem cabeça dura. Quando colocava algo na cabeça, não desistia por
nada no mundo. Provavelmente, Harry deve ter herdado essa teimosia dela. A mãe
dele fora sempre tão persistente. Mesmo para que fosse tentar pregar uma peça
no coitado do Tiago. Quem diria que ele se apaixonaria por ela?
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Quando ambos permaneciam se encarando e rindo, como dois possíveis
idiotas, a quem olhasse de longe, pareceu a Harry que havia algo de muito
importante naquela conversa, naquela mulher. Aos poucos, conforme sua risada ia
se intensificando e se tornando quase numa gargalhada, uma felicidade imensa e
incontrolável foi se espalhando pelo seu ser. Era como se o calor da plenitude
estivesse tomando, muito rapidamente, cada pedacinho de seu corpo e da sua
mente. Seu coração estava acelerado e fora de controle. Parecia que iria
explodir a qualquer momento.
- Vo-você é
ex-exatamente como eu semp-sempre imaginei.
A frase ofegante que
saíra da boca de Helderane fizera com que Harry parara totalmente de rir. Seu
semblante tornou-se sério e chocado. Do que aquela mulher poderia, em toda a
face da Terra, estar falando? Ela imaginava como ele, Harry Potter, poderia ser?
- A Senhora está
bem? – indagou Harry completamente confuso. – Porque eu estou totalmente
perdido.
A mulher parara de
rir igualmente. Parecia a hora certa a se iniciar a grande notícia ao sobrinho.
Helderane respirou fundo. Sua face estaria tão séria quanto à de Harry, se não
fosse por aquele sorriso pequeno e radiante que fixara em seus lábios e parecia
não querer desvanecer.
- Eu conheci o seu
pai, Sr. Potter...
Os olhos de Harry
arregalaram-se lentamente. Aquela mulher, a Deusa Helderane, a mais poderosa
dentre os Cavaleiros de Merlin, conhecera seu pai, Tiago Potter? Seu pai? Seu
pai?
- Vo-você conheceu meu
pai? – sua voz se diminuiu e ficou fraca diante da revelação de Helderane.
– Meu pai?
Mais algumas lágrimas
caíram dos olhos da Deusa. O sorriso permanecia ali.
- Tiago Potter –
disse ela, a voz não mais parecendo com a de uma canção. – Conheci muito
bem o seu pai, Sr. Potter.
Harry percebeu que
sua respiração ficou ruidosa. O quê ela poderia querer dizer em relação ao
seu pai? E por que ela continuava ali, com aquele sorriso e aquele rio de lágrimas
caindo de seus tão brilhantes olhos?
- Conheci sua mãe
também...
- Mamãe? –
surpreendeu-se Harry, ficando boquiaberto.
- Sim, Lílian Evans
– respondeu Helderane, seu sorriso se abrindo novamente. – Uma garota muito
teimosa. Muito.
Agora, eram os olhos
de Harry que, relutantemente, se enchiam de lágrimas. Toda vez que encontrava
alguém com informações sobre seus pais, especialmente após a visita na
Penseira de Sirius, provoca-o de uma maneira intensa.
- Como você os
conhecia? – questionou Harry, sua voz se tornando quase um sussurro.
Helderane sorriu
plenamente mais uma vez. As estrelas pareciam iluminar seu sorriso.
- Não sei se já
lhe contaram, Sr. Potter – iniciou Helderane. – Mas todas os Cavaleiros de
Merlin foram, um dia, humanos comuns como você. Que tiveram famílias, pais,
amigos, irmãos. E eu também tive a minha. Meu verdadeiro nome é Heather.
Harry engoliu em
seco, pensando que já havia ouvido aquele nome antes.
- Eu vivi na mesma
época que seus pais, Sr. Potter. Quando entrei em Hogwarts, eles estavam no
terceiro ano, eram dois anos mais velhos que eu.
- Então, vo-você
real-realmente os conheceu? – Harry parecia não acreditar.
A Deusa Cavaleira de
Merlin concordou com a cabeça. Harry ficou com os olhos mais cheios de água
ainda. Helderane notou e ampliou seu sorriso.
- Eu pertenci a
Grifinória – Harry arregalou os olhos. – Seu pai, uma vez, teve um romance
com uma amiga minha – dizia Helderane, Harry sentindo as pernas formigarem.
– Eu recordo que ele estava tentando a monitoria no quinto ano, mas só por
diversão, já que ele e os outros três amigos viviam aprontando na Grifinória.
- O Sirius, o Lupin
e o Pettigrew. – interrompeu Harry, sorrindo.
- Isto, mesmo que na
maioria das vezes, eu os ouvia chamando mais por Pontas, Almofadinhas, Aluado e
Rabicho – Harry riu, as lágrimas teimando dentro de seus olhos. – Eles se
auto-intitularam Os Marotos.
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“-
Os Marotos? – engasgou Heather, segurando a risada. – Que raio de nome é
esse?
Tiago sorriu,
enquanto seus três outros amigos piscaram um ao outro discretamente. Aquela era
a segunda vez que os novos amigos de seu irmão mais velho iam a sua casa.
Sirius Black era o que tinha cabelo bem escuro e os olhos de um lindo tom azul
escuro. Pedro Pettigrew era o meio gorduchinho com o olhar geralmente sonhador.
Entretanto, desta
vez, Tiago trouxera um novo amigo. Naquela semana, Heather estava o conhecendo
pela primeira vez. Os olhos mudavam constantemente de cor – ela reparara no
jantar, na partida de quadribol, no almoço, no café da manhã – e o cabelo
era castanho claro, com alguns fios dourados. Apenas não seria mais bonito se não
fosse pela aparência exausta que chegara há um dia em sua casa – e que
parecia não deixá-lo. Heather ficou especialmente fascinada por ele. Seu nome
era Remo Lupin.
Agora, os quatro
garotos haviam invadido o quarto da irmã mais nova de Tiago para contar algumas
coisas sobre Hogwarts, já que em duas semanas ela estaria ingressando na Escola
de Magia e Bruxaria. Mesmo que os garotos não parecessem muito favoráveis a
conversas com garotas, especialmente uma dois anos mais nova que eles, ainda
assim, ali estavam presentes para distraí-la.
- Foi repentina, mas
adoramos a idéia e o nome – dizia Tiago, mascando um chiclete, sentado na
ponta da cama da irmã. – Também demos apelidos a cada um de nós.
- Isso é tão
infantil... – balbuciou Heather para si mesma, fazendo com que os outros ainda
assim ouvissem-na. – AH! Vocês agora então me dirão que isso não é
infantil?! – os quatro olharam feio para a garotinha de onze anos. – Tudo
bem, podem pensar que eu sou uma pirralha chata, mas é a verdade.
Tiago olhou de
esguelha para Heather e notou como sua irmã andava agindo estranha desde que
seus amigos haviam chegado em sua casa. Na verdade, ela somente ficava daquela
forma quando não estava na presença de seus pais ou de, estranhamente, Remo.
- Bem, você vai
querer saber nossos apelidos ou não? – retrucou Tiago, ficando nervoso.
Heather deu de
ombros e o irmão mais velho bufou. Sirius riu e disse:
- Eu sou
Almofadinhas, Tiago é Pontas, Pedrinho é Rabicho e Remo é Aluado.
- Almofadinhas? –
estranhou Heather, levantando uma de suas sobrancelhas, num tom irônico.
Tiago e Pedro riram
da face engraçada de Sirius, não gostando da insinuação da irmã mais nova
do amigo. Então, ouviram alguém bater na porta entreaberta e o terceiro
convidado da família Potter entrar. Era aquele amigo de Tiago que Heather não
cansava de olhar. Instantaneamente, as bochechas da garotinha rosaram.
- Então, Heather, há
muitas coisas que você precisa aprender quando entrar em Hogwarts – dizia
Sirius, piscando para a moreninha. – Por exemplo, depois que for selecionada
para a Grifinória, você deve saber muito bem com quem andar.
- Sirius tem toda a
razão – continuou Pedro. – Nunca! Nunca ande com as garotas do terceiro
ano! – avisou Pedro, frisando bem, com os outros três concordando piamente.
- E qual é o
problema com as meninas do ano de vocês? – perguntou Heather, sentando
direito na cama e dando espaço para que Remo sentasse em seu leito também, ao
lado de seu irmão.
- Ora, são cobras!
São desocupadas que existem para infernizar nossa vida! – brigou Sirius,
cruzando os braços e se apoiando diferentemente no chão. – Especialmente a
neta do diretor!
A garota levantou
suas sobrancelhas e indicou positivamente com a cabeça, querendo rir por
dentro. Via-se claramente que os garotos não gostavam nem um pouco das tais
garotas. Mas, de qualquer forma, sua mãe vivia dizendo a ela que garotos na
idade de Tiago odeiam o sexo oposto. Isto talvez explicaria suas constantes
brigas com o vizinho, Bruce.
- Mas vocês não me
disseram o porquê de criarem esse nome... – murmurou Heather.
- Oh... – ouviu
Pedro e Tiago balbuciarem, quase que em silêncio.
Heather olhou para
seu irmão, que olhava de esguelha para Remo. Heather percebeu que havia
perguntado demais e abaixou a cabeça, ainda concentrada no amigo de Tiago.
Havia algo de muito misterioso com ele. Muito”.
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E
quando Tiago me contou que havia se tornado um animago! Quer dizer, não é todo
dia que um garoto do quarto ou quinto ano se transforma num animago, ainda mais
num cervo! Ele me fez jurar segredo e poucas semanas depois eu acabei
descobrindo o porquê dele se tornar um animago clandestino. Foi quando eu
comecei a namorar o Remo. Antes que ele me pedisse em namoro, namoro sério,
Tiago fez questão que ele contasse tudo a mim. Tudo sobre ser um lobisomem,
sobre fugir uma vez por mês, sobre se esconder no subterrâneo do Salgueiro
Lutador e principalmente, sobre a ter três amigos que toparam se transformar em
animagos clandestinos para curtir com ele. Curtir. E Tiago falava mesmo em tom
de diversão. Mesmo que eu visse a dor nos olhos de Remo.
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- Mas, como a senhora sabe de tudo isso? – indagou, curioso, sentindo o
coração palpitar cada vez mais forte dentro do seu peito.
Helderane riu.
- Fácil. Eu me
tornei amiga de uma das garotas do ano deles – completou a Deusa. – O nome
dela era Arabella Figg.
- Arabella é a
minha madrinha! – ressaltou Harry, animado.
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“Heather
andava sem destino certo pelos corredores de Hogwarts. Era Natal e a Escola
estava quase vazia. Nevava fortemente do lado de fora e já estava quase
anoitecendo. Agora, Heather pertencia ao segundo ano. A Grifinória não tinha
mais do que vinte alunos hospedados e o Salão Comunal estava sempre cheio
deles, por conta do forte frio que fazia do lado de fora.
Como sempre fora
alguém mais calada perto de pessoas desconhecidas – todas as suas amigas
haviam viajado com a família ou simplesmente passado o feriado com os pais –
preferia ficar vagando pelos corredores ou na biblioteca, folheando páginas e
mais páginas. Catherine e Anthony, seus pais, haviam conseguido folga em seus
respectivos trabalhos, Hogwarts e Ministério da Magia, para fazerem uma viagem
especial. Sua mãe ainda havia perguntado se Heather não gostaria de viajar com
eles, mas a filha disse que não iria, afinal, aquela seria como uma segunda
lua-de-mel dos pais e a garota de doze anos não pretendia atrapalhá-los.
Então, quando
estava muito perto do corredor da Torre da Grifinória, ouviu um soluço.
Parecia que alguém estava chorando. Procurando lentamente, olhando para todos
os lados, Heather encontrou uma pequena porta à sua esquerda, pouco atrás da
onde estava localizada. Assim, segurando um livro em seus braços, caminhou até
a passagem e tocou na porta discretamente. Não houve resposta. Assim, ela
decidiu entrar.
Os soluços estavam
mais altos e provocavam eco na sala vazia e parcialmente escura. Aproximando-se
da janela, onde a claridade era maior, encontrou uma garota esguia contorcida,
abraçando as pernas e balançando, ao som dos soluços. Heather deu mais um
passo e viu quem era. Arabella Figg, uma das amigas de seu irmão – naquela época,
Heather sabia que Tiago e os outros haviam se entendido com as garotas porque já
não se ouvia tão constantemente os berros deles. A morena estava com o rosto
coberto pelos braços flexionados sobre os joelhos, e as pernas unidas,
pressionadas contra o corpo. Suas costas pulavam ligeiramente, enquanto os soluços
aumentavam.
- Hei, posso ajudá-la?
– indagou Heather, aproximando-se do corpo de Arabella e tocando as costas da
jovem.
A garota levantou a
cabeça e encarou Heather. Suas bochechas estavam molhadas e o rosto
completamente pálido. Estranho, já que geralmente, quando alguém chora, suas
bochechas coram. Os pequeninos olhos negros da jovem também pareciam estranhos.
Estavam enormes, quase que cobriam todo o globo ocular e ainda tinham as pupilas
incrivelmente dilatadas. Heather engoliu em seco, assustada.
- Vá embora, Potter
– disse Arabella, a voz rouca. – Por favor, me deixe sozinha.
Sentando-se à
frente de Arabella, Heather ignorou-a e tocou mais uma vez a garota, desta vez o
braço.
- Figg, você não
pode ficar aqui – repreendeu gentilmente Heather. – Esta sala está gelada,
amanhã será Natal...
- Eu não quero
saber de Natal. – respondeu Arabella seca, fungando o nariz levemente.
Heather comprimiu as
sobrancelhas e continuou ali, olhando para a garota do quarto ano.
- Eu sei que nós não
somos amigas, mas eu posso te ouvir – falou a garotinha, os grandes olhos
castanhos transparecendo sinceridade. – O que aconteceu?
Arabella ergueu a
cabeça novamente e sorriu levemente para Heather. Tiago costumava dizer que
quando estava passando por tempos ruins ou algo o incomodava, ia direto para sua
irmã. Heather sempre o ouvia e, quando necessário, costumava repreendê-lo ou
consolá-lo. Talvez não fosse tão ruim assim conversar com ela.
- Parece que
milhares de coisas decidiram acontecer comigo – tartamudeou Arabella, olhando
para longe de Heather. – Não agüento minha irmã gritando a todo tempo no
meu ouvido, as brigas dela com minha mãe, odeio quando Sirius não me leva a sério
e odeia ainda mais quando ele ri da minha cara!
- Sua irmã não se
dá bem com sua mãe? – perguntou Potter, recordando que Arabella tinha uma
irmã dois anos mais velha chamada Ártemis e que pertencia a Corvinal.
- Não é isso... É
que, bem, há uns problemas entre nós três – Arabella não parecia muito
confortável de discutir aquilo com Heather. – Coisas de família, você deve
saber como é.
Na verdade, Ártemis,
pelo que Heather ouvia de Tiago, não era muito simpática ou mesmo gostava dos
grifinórios – da turma da irmã. Arabella e ela pareciam não muito próximas
e Sirius vivia dizendo besteiras sobre ela, afinal, Ártemis era a nova namorada
de seu irmão mais velho, Thomas Black, pertencente a Sonserina. Thomas era do sétimo
ano e o Monitor-Chefe. Ártemis era do sexto e monitora.
- E você continua
brigando com o Sirius?
Arabella encarou
Heather quase que assustada. Uma estreita linha se formou entre suas
sobrancelhas.
- Como assim?
Continuo brigando? – indagou a garota.
- É que eu notei
nessas últimas duas semanas – corrigiu Heather, corando. – Eu e toda a
Grifinória. O Sirius anda brigando mais com você do que costuma brigar com a
Dumbledore.
Os olhos negros de
Arabella se abaixaram e ela desviou mais uma vez o olhar de Heather.
- Você gosta dele?
– perguntou repentinamente a irmã de Tiago.
Arabella arregalou
os olhos e assim, finalmente, suas bochechas ficaram rubras, enquanto sua boca
abria num misto de surpresa e vergonha. Heather engoliu em seco e estava prestes
a pedir desculpas quando Arabella suspirou e olhou para fora da sala, pela
janela.
- Eu não consigo
reprimir isso – riu a jovem, encarando Heather de volta. – Acho que gosto
sim. E é também por isso que eu não paro de brigar com ele. Eu odeio isso!
Heather sorriu e
percebeu que Arabella parou de chorar. A jovem aparentou mais calma.
- Mas você tem que
me prometer que não dirá uma só palavra a ele! – disse Arabella firmemente,
assombrando-se com a idéia de que aquilo chegasse aos ouvidos de Sirius.
- Não! Não! Pode
confiar, eu não direi nada a ele ou a ninguém! – confirmou Heather decidida.
Arabella piscou para
Heather, que devolveu uma piscadela também. Diante disso, Heather falou:
- Então... Será
que podemos nos tornar amigas daqui por diante? – Arabella abriu a boca para
responder, mas Heather levantou a mão direita e prosseguiu. – Eu até posso
te contar por quem eu tenho uma caidinha...
Os olhos negros de
Arabella diminuíram de tamanho e a jovem sentou-se propriamente perto da
janela.
- Não precisa dizer
– respondeu. – Eu já sei.
Então foi a vez de
Heather arregalar seus olhos e suas bochechas quase explodirem de tão
vermelhas.
- Exatamente porque
você fica assim – e Arabella apontou para suas bochechas coradíssimas. –
toda vez que está perto dele. É o Remo, não é?
As duas ficaram em
um pequeno silêncio, somente encarando uma a outra. E assim, caíram na risada,
dando as mãos e selando o segredo.
- Amigas? –
indagou Heather, com um grande sorriso despontando na sua face vermelha.
- Amigas! –
assentiu Arabella, sorrindo como a nova amiga”.
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Arabella tornou-se minha
segunda melhor amiga. A princípio, eu sabia que gostava dela, pois, assim,
poderia ficar mais tempo perto de Remo. Eu e minha paixão bobinha por ele. Mas,
com o passar dos meses, ela foi se mostrando alguém tão justa e maravilhosa
que acabei mesmo aceitando o fato de que tinha a melhor segunda melhor amiga do
mundo. Nossa, isso ficou tão repetitivo...
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A Cavaleira de Merlin notou a ansiedade na voz do jovem.
- Depois, eu acabei
ficando amiga das amigas dela. Hariel Dumbledore, a filha do diretor, que vivia
se pegando em qualquer lugar e em qualquer oportunidade com Sirius Black, os
dois pareciam gato e rato – contou Helderane, rindo. – E a sua mãe, Harry,
Lílian – Harry sorriu à menção de seu nome de batismo saindo dos lábios
da Deusa e a primeira lágrima caiu de seu olho esquerdo, pensando na mãe. –
Assim, quando o seu pai, Tiago, começou a ter o romance com a minha amiga, do
meu ano, eu descobri pela Arabella e até por ele mesmo que já havia algo no ar
entre ele e Lílian.
- Você lembra de
quando eles começaram a namorar? Como?
Helderane levantou
as mãos para o céu estrelado e fechou os olhos, ainda com o sorriso nos lábios.
Harry notou que uma corrente de ar mais forte batia em seus cabelos e as folhas
das árvores da Floresta Proibida começavam a se movimentar mais rapidamente.
Olhou para o alto. Instantaneamente, o céu escuro e estrelado tornou-se um mar
de chuva de estrelas cadentes. Harry deu um passo para trás e segurou um grito
de exclamação e maravilha. A Deusa conseguira provocar que as estrelas, antes
suspensas calmamente no espaço, ficassem tão rápidas que se transformaram em
cadentes.
- Foi uma noite
assim – voltou a falar Helderane, ainda com os braços estendidos ao céu e os
olhos fechados. – A noite de estrelas cadentes. Estava acontecendo um baile
aqui em Hogwarts e Tiago resolveu criar coragem para ir até Lílian e pedi-la
em namoro, revelando todos os sentimentos que tinha guardados por ela durante
aquele tempo – Harry estava sem ar. – A partir de uma noite com um céu como
este, seus pais começaram a namorar.
Harry suspirou e
imaginou como aquela noite deveria estar perfeita. Tão ou mais quanto àquela
tarde de verão no píer de Godric’s Hollow, ao pôr-do-sol do último dia de
Julho, quando pediu Ametista em namoro.
- E então seu pai,
no sétimo ano, pediu sua mãe em casamento, no antigo casarão de Sirius, em
Godric’s Hollow – Harry não tinha conhecimento daquela informação e
sorriu. – Ele deu a ela este cordão em sinal do amor eterno deles.
Helderane postou as
próprias mãos em sua nuca e retirou delicadamente o cordão prateado que ela
insistia em tocar toda hora. Harry arregalou os olhos e encarou Helderane
petrificado. Agora ela também tinha o tal cordão dos seus pais?
A corrente era
prateada e havia um pequenino pingente ali pendurado. Harry aproximou-se, ainda
chocado com aquele objeto, e olhou atentamente. Era uma lua prateada, com uma
pequena estrelinha na ponta inferior. Nela, um brilho vermelho destacava-se
fortemente e conforme Helderane ia virando o cordão com a força do vento, como
um pêndulo, Harry via o quanto ele brilhava. Tanto o cordão quanto a corrente
e ainda a estrela vermelha.
- Que é isso? –
indagou intrigado e maravilhado.
- Seu pai deu a sua
mãe este cordão que era da sua família e passava por gerações – disse
Helderane, ainda com Harry colado no cordão. – A lua crescente significava
que o amor nunca pararia de crescer, passando pelas estações cheias,
minguantes e novas, onde especialmente o amor é renovado – Harry encarou
Helderane finalmente. – O cordão está em época de nova, Harry. Está na
hora do próximo da família passar o cordão e renová-lo.
Harry olhava com
cuidado para a face ainda úmida da Deusa. Era aquilo mesmo que ela estava
querendo dizer?
- Você... – Harry
engoliu em seco e corrigiu. – A Senhora está dizendo que eu devo ficar com o
cordão?
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“Tiago
estava sentado ao lado de Heather, a face tão emburrada quanto a dela. Ambos
odiavam aquelas reuniões de família em que os avós ficam sentados roncando na
sala, as avós ajudando as mães na cozinha e os primos pentelhos gritando ou
correndo pela casa. Obviamente, os menores. Na família Potter, que era
significativamente grande, todos corriam de um lado ou outro, gritavam um com o
outro, riam um para o outro. Logicamente, nem todos eram Potter, mas muitos dali
eram considerados. Tiago e Heather eram os primos mais velhos, tirando Ryan, que
tinha dezessete como Tiago, Charlotte, com quinze como Heather, e Phillip, o
mais velho, com dezenove.
Em todas as reuniões
de família, Ryan, Phillip, Heather, Charlotte e Tiago costumavam reunirem-se
num quarto e se trancarem lá dentro, custe o que custar. Era melhor do que ter
de agüentar a criançada agitada no andar de baixo. Daquela vez, a reunião
estava sendo na casa dos Potter, Catherine e Anthony. Obviamente, Anthony não
estava mais presente porque havia falecido um ano antes. E eram tantas famílias
misturadas ali que chegava a confundir. Isso porque, por exemplo, retirando o
casal e a mãe de Anthony, Marie Potter, todas as outras famílias ali eram os
King – Charlotte era filha deles – os Moore, os Kot – Ryan e Phillip eram
– os Gulshan, os Richmond, os Miller e os Snider.
- E como andam as
coisas em Hogwarts para vocês? – indagou Phillip, um moreno de grandes olhos
estranhamente amarelados.
- Nada mal –
respondeu Tiago, mal humorado. – Certamente melhor que esta reunião.
Ryan, um loiro de
rosto bastante macilento, riu. Ele tinha os mesmos olhos amarelados que o irmão
mais velho.
- Hum, está
emburrado por quê, Potter? – perguntou, fazendo Phillip rir também.
Tiago sempre se deu
muito bem com os primos, mas especialmente naquela tarde, eles estavam parecendo
extremamente insuportáveis. Olhou de esguelha para a irmã.
- Deixe-o, Kot –
mesmo os primos costumavam se chamar pelos sobrenomes. Menos entre as meninas.
– Como andam as coisas em Beauxbatons?
- Bem, as garotas de
lá são sem dúvida mais bonitas e mais liberais, se é que você me entende
priminha – disse Ryan, piscando para Heather. – Mas bem que eu gostaria de
voltar a morar aqui na Inglaterra. Mamãe só nos mandou para Beauxbatons porque
não nos suportava em casa.
- O quê ele não
fala, Heather – disse Charlotte, a ruivinha de olhos azuis. – é que está
de namorico com a minha melhor amiga, não é Kot?
As bochechas de Ryan
coraram furiosamente. Phillip e Tiago seguraram a risada.
- Cale a boca, King!
– retrucou Ryan. – A Jasper não é nada...
- Jasper? –
engasgou Tiago. – Este é o nome dela, King?
Charlotte riu ao ver
Ryan ficando cada vez mais vermelho.
- Linda Jasper, é o
nome dela. Também achei estranho... Mas acho que o Ryan achou uma gracinha!
Imediatamente, Ryan
lançou o travesseiro que estava sobre a cama onde sentara em Charlotte, que
desviou e gargalhou junto de Phillip, Tiago e Heather.
- Mas e você,
Potter? – Ryan tornou-se para Tiago. – Continua com aquela ruiva? Qual era
mesmo o nome dela...?
- Lílian – disse
Tiago, pouco mais tímido. – Estamos juntos sim. Aliás, amanhã estarei indo
para a casa do meu amigo e me encontrarei com ela.
Eram férias pré-sétimo
ano para Tiago e ele não via a hora de ir para Godric’s Hollow, no famoso
casarão dos Black, para encontrar Lílian e fazer o quê deveria ter feito há
muito tempo. Inconscientemente, apertou algo em seu bolso.
- Nossa, isso vai
acabar dando em casamento hein! – piscou Charlotte para o primo, divertida.
E então eles
ouviram um grito vindo do andar inferior. Era hora do grande almoço.
Lentamente, todos bufando nervosamente, Phillip, Ryan e Charlotte deixaram o
dormitório. Quando Heather estava para sair, Tiago puxou seu braço e a garota
do quinto ano virou-se para ele, encarando-o. Discretamente, Tiago pediu que
Heather fechasse a porta.
Assim, guiou a irmã
até a cama novamente e pediu que ela sentasse. Em seguida, retirou um cordão
prateado com um pingente em forma de lua e estendeu-o na direção da garota.
Heather colocou a mão sobre a boca, surpreendida.
- Tiago! Tiago! Como
você conseguiu isso?! – perguntou Heather freneticamente, tocando o cordão
com a ponta dos dedos.
- Mamãe me deu há
três noites atrás, logo que chegamos de Hogwarts – disse ele, olhando para
Heather. – Ela disse que não queria mais usar depois que papai morreu –
Heather encarou Tiago gravemente. – Ela me deu para dar a Lílian.
Heather arregalou os
olhos.
- Mas Tiago –
suspirou Heather, pasma. – Você tem certeza que deve dar a Lílian? Digo, você
sabe muito bem que só devemos passar este cordão à frente quando estamos
realmente certos daquilo que queremos, da relação que estabelecemos e tudo
mais...
E assim Heather
paralisou, pois a voz morreu em sua garganta. Tiago estava encarando-a
fortemente, com um grande sorriso nos lábios. Seus olhos brilhavam.
- Vo-você vai
pe-pedir a Lílian? Pedir em casamento? – perguntou, gaguejando de
incredulidade.
Tiago sorriu
plenamente.
- Vou, Harry. –
respondeu simplesmente.
Heather sabia que
Tiago somente a chamava pelo apelido “Harry” quando estavam sozinhos e
quando o assunto era sério. Ninguém mais sabia que ele a chamava daquele
jeito. E agora, num motivo tão importante, ele estava a chamando de Harry
novamente. Heather sorriu.
- Eu estou sem
palavras. – disse a irmã sorrindo e com os olhos ainda arregalados.
- Mas o que eu
realmente queria pergunta a você é outra coisa – retomou Tiago seriamente.
– Você não vai ficar chateada com o fato de que eu ficarei com o cordão e não
você?
Heather franziu a
testa, surpresa com aquela pergunta.
- Tiago, eu não
irei poder usar o cordão – frisou a garota, desfazendo o sorriso. – Você
sabe muito bem disso...
- Sim eu sei. Mas o
problema é que, bem, é um patrimônio dos Potter, não é? E eu gostaria que
você também o usasse. Eu queria te ver com um amor eterno como eu, Harry.
Heather suspirou e
indicou negativamente com a cabeça. Ela sorriu a seguir.
- Não quero porque
não preciso de um cordão para me mostrar isso, Tiago – respondeu a jovem, a
voz polida. – Se um dia tiver a sorte de encontrar um amor eterno, eu saberei.
Não precisarei de um cordão para me demonstrar.
Tiago sorriu e abraçou
Heather. Apesar de serem irmãos e todos os irmãos no mundo brigarem, as brigas
eram lentamente deixadas para trás no caso de Tiago e Heather. Os Potter haviam
perdido o pai recentemente e agora tiveram a notícia de que a garota seria
transformada numa Deusa em breve.
- Eu quero que você
seja muito feliz, Tiago – disse Heather, ainda em meio ao abraço. – Eu te
amo e quero que você seja amado também pela Lílian, porque eu sei que ela te
ama muito.
Heather ouviu uma
ligeira fungada de nariz do irmão.
- Eu também te amo,
Harry – disse ele, ainda chamando-a pelo apelido carinhoso. – E eu prometo a
você que, se tiver um filho e ele for mulher, chamarei Heather. Agora, se for
homem, eu chamarei de Harry. Em sua homenagem, irmã.
Ambos continuaram
abraçados por mais alguns momentos e quando se separaram, secaram as lágrimas
que caíam de seus olhos. O destino havia sido selado naquele momento. Os irmãos
Potter nunca seriam os mesmos. Ele seria um futuro Auror de nome, um dos
principais inimigos de Voldemort. Ela seria uma futura Deusa, uma Cavaleira de
Merlin, que por onde passasse, todos ajoelhariam e beijariam o chão”.
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Helderane sorriu.
- O cordão é da
sua família, Harry – prosseguiu Helderane com muita calma. – Esta pequena
estrela vermelha é o simbolismo do amor eterno. Dentro dele há duas pequeninas
gotas do sangue de seu pai e de sua mãe – Harry arregalou os olhos e voltou a
encarar a corrente prateada e o pingente lunar. – Quando a estrela parar de
brilhar ou o sangue secar, tornando-se negro, é porque o amor acabou. Assim,
você pode descobrir se a pessoa ainda te ama ou não.
- É inacreditável
– murmurou o monitor da Grifinória surpreso. – É incrível.
- Como você pode
ver, o sangue ainda está aí, vermelho e brilhante – disse Helderane, girando
novamente o cordão. – Isto significa que, mesmo com o falecimento de seus
pais, o amor deles prossegue eterno – Harry olhou para Helderane, segurando um
gaguejo. – O amor deles vive em você, Harry. Você, aqui, vivo. Você é que
nutre esta estrela a brilhar. Você e sua vida.
Harry deixou mais
uma lágrima cair. A estrela vermelha brilhava incrivelmente e até parecia uma
fonte infravermelha, como daquelas que Duda tinha para ficar apontando para seus
olhos. Ou ainda aquelas usadas nas miras de armas de fogo trouxas. Era admirável.
- E como eu disse, o
pingente está na estação nova – retomou a Deusa. – Então, está ao seu
encargo renová-la ou não – Helderane estendeu o braço e o cordão até
Harry. – Se há alguém em sua vida que você sente que viverá um amor eterno
por você, dê a ela.
O jovem abriu a mão
direita e virou a palma para cima, logo abaixo do cordão. Lentamente, Helderane
soltou o até chegar e pousar no centro da mão de Harry. Imediatamente, o jovem
sentiu um calor emanar da corrente e, assim, apertou-a contra sua palma,
sentindo a felicidade que ele irradiava. Harry encarou Helderane e a mulher deu
um passo para trás.
Harry colocou o
pingente envolta de seu pescoço e o escondeu dentro de suas vestes da Grifinória.
Helderane sorriu e indicou positivamente com a cabeça. Então, ele suspirou e
endireitou-se, encarando-a.
- E... – começou
Harry, quase que aflito. – A Senhora pode me explicar como isso veio para em
suas mãos durante todos esses anos?
Helderane segurou a
respiração e aquele constante brilho que havia à volta dela desapareceu.
Harry franziu a testa e deu um passo para trás. Naquela hora, Helderane pareceu
menor a Harry e sem toda a majestade magnífica que a circundava, apesar de
continuar bela aos seus olhos.
- Eu peguei este
cordão, Harry – disse Helderane, o tom de voz baixo. – Peguei este cordão
do pescoço de sua mãe – continuou, fechando os olhos lentamente. – Peguei
logo após seu falecimento, quando ela ainda jazia no chão de sua antiga casa
em Godric’s Hollow.
Harry ficou
paralisado.
- O quê?! –
indagou, achando que não havia entendido direito.
Helderane suspirou e
abriu os olhos novamente. Não gostava de fechá-los quando falava sobre Lílian
ou Tiago, pois as lembranças de seus corpos sem vida não eram agradáveis e
realmente provocavam uma metade de sua personalidade que Helderane não gostava
nem um pouco.
- Hades é o responsável
pelo destino das almas – explicou Helderane, agora parecendo bem amargurada.
– Ele foi encarregado de levar as almas de seu pai e de sua mãe para o Portal
das Sete Estrelas e lá encaminhá-los ao Paraíso – Harry continuava
boquiaberto. – Como ele sabia que eu conhecia seu pai e sua mãe, chamou-me
para vê-los ao menos uma última vez.
- Isso não
interessa! – respondeu Harry, nervoso e sem entender. – Eu quero saber como
você pegou este cordão da minha mãe!
A Deusa deu um passo
a frente.
- Harry, este cordão
não poderia ser enterrado com sua mãe, creio que você tenha entendido isto
– falou Helderane, erguendo as mãos. – E ele tem que ser passado a outro
membro de sua família. Este cordão é um cordão das inúmeras gerações dos
Potter, não entende?
- E então por que
este cordão esteve todos esses anos com você e não comigo? – indagou Harry.
Helderane suavizou a
expressão e olhou fixamente para Harry. Não parecia muito segura, mas via
claramente que, provavelmente, suas expectativas seriam frustradas. Harry
parecia realmente aborrecido com aquela notícia. Porém, chegara a hora. Não
adiantava mais se esconder atrás de uma imagem bela e falsa. Seria Heather
Potter.
- Eu também sou uma
Potter, Harry. – disse ela simplesmente.
Harry sacudiu a cabeça
e riu.
- Como?! Como?! –
repetiu nervoso.
A Deusa encheu os
pulmões e a mente com coragem. “Pense em Tiago, pense em Tiago”,
murmurou Helderane enquanto olhava firmemente para Harry. E então ela disse:
- Eu sou irmã do
seu pai, Harry – disse Helderane calmamente. – Meu nome é Heather Potter, e
era filha de Catherine e Anthony Potter antes de ser transformada numa Cavaleira
de Merlin e numa Deusa – Helderane fechou os olhos. – Eu sou sua tia.
Harry não esboçou
nenhuma reação. Sua mente pareceu ter congelado. À sua volta, imaginava que
as árvores prosseguiam em seu farfalhar, que o vento continuava batendo em seu
cabelo e que aquela mulher permanecia à sua frente. Não era possível, não
poderia ser.
Em todas as estórias
que seu padrinho, Sirius Black, contara, até aquela noite, nenhuma citara
sequer uma única vez o nome Heather Potter. Muito menos nos registros históricos
de Hogwarts ou em alguma coisa que recebera de seu pai, fossem folhas escritas,
fotos ou qualquer coisa parecida. Lupin nunca havia dito nada sobre alguma
Heather. Arabella nunca havia mencionado este nome a ele. Dumbledore muito
menos, sempre tão contido ao falar sobre seu pai ou sua mãe. Não era verdade,
não poderia ser.
Firmemente, tentou
procurar dentro de sua mente qualquer imagem familiar daquela mulher, ou ao
menos alguém parecido a ela. Mas não havia nada em seus pensamentos e em suas
lembranças. Nunca conhecera aquela mulher em toda sua vida. Nunca ouvira falar
nela. Nunca vira evidências ou fatos de que Tiago tinha alguma irmã, quanto
mais uma irmã que era uma Deusa e uma Cavaleira de Merlin que vive viajando por
galáxias distantes e tentando resolver problemas maiores e mais preocupantes
que Voldemort e a volta do seu Império do Terror. Não, havia algo de errado, não
poderia ser.
E então, voltou a
realidade. As árvores continuavam a se mover, o vento permanecia batendo em seu
cabelo e a mulher prosseguia em sua frente, esperando ansiosamente uma resposta.
Harry podia ver que suas bochechas estavam molhadas novamente.
Estranhamente, uma
raiva tomou conta de Harry. Vê-la daquela maneira, perdendo a majestade e
dizendo que era uma Potter como ele, que era, pior, tia dele, o fez subir aos céus
de ódio.
- Mentirosa!
– gritou Harry repentinamente. – Como
alguém como você, uma Deusa, tem a coragem de vir até Hogwarts e tentar
estragar minha vida? Você é mais uma das armadilhas de Voldemort? Você é
apenas uma mentirosa de quinta categoria! Falsa! Mentirosa! Desapareça da minha
vida e desapareça de Hogwarts também! Ou senão, eu gritarei a todos quem você
realmente é! Sua farsante! Sua mentirosa!
Heather ficou
completamente chocada com os gritos do sobrinho sobre ela e gaguejou alguma
resposta, as lágrimas vindo com toda força desta vez.
- E-eu não sou
mentirosa! – retrucou ainda que com a voz muito baixa. – Eu sou irmã de
Tiago...
- E NUNCA MAIS FALE
O NOME DO MEU PAI NESSA SUA BOCA SUJA! VÁ EMBORA! MENTIROSA! VÁ EMBORA! E
ESTOU TE AVISANDO, NUNCA MAIS FALE NADA SOBRE MEU PAI, ENTENDEU? NUNCA MAIS!
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NO PRÓXIMO CAPÍTULO:
Heather corre para Remo Lupin, Harry para Ametista Dumbledore. Depois de sua conversa nos jardins de Hogwarts, ambos correm para seus refúgios. Entretanto, como terminará a noite? Além disso, o mês de fevereiro fica para trás e está na hora para o segundo jogo da temporada de Quadribol. Como Harry voara contra Cho Chang? E o jogo será completamente limpo?
O choque quadribolístico de Hogwarts em "NEGRA HIPNOSE NOS ARES"
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