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NO CAPÍTULO ANTERIOR:
Azkaban saiu fora de controle e é hora de Voldemort retornar com todo o seu exército ao poder. Entretanto, os defensores do bem e de Dumbledore não permitem que o mal se espalhe ao mundo e invadem a maior prisão bruxa do mundo. Só que a missão fracassa, ainda que Harry tenha até mesmo revertido a Maldição Imperdoável da Dor.
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CAPÍTULO
VINTE E QUATRO - Bellacroix,
Rawlings, Zylkins, Stevens, Sacks, Wingnut e El Kassab
“Você
reverteu a Maldição, Harry, você reverteu”. A sensação da água caindo sobre sua cabeça e inundando
seu cabelo sujo e desgrenhado era arrepiante. Harry suspirou num modo exausto e
abriu os olhos, a água do chuveiro abençoando-o com paz. Porém, apesar
daquela impressão agradável e reconfortante, a frase da jovem não saía de
seus pensamentos. Suas pernas estavam ligeiramente bambas e era como se houvesse
retornado de uma longa temporada no meio de uma guerra. As forças haviam-no
deixando para trás e sequer tinha impulso para lavar os próprios cabelos. Então,
a água continuava a cair veloz por todo seu corpo.
Parecia
que os inúmeros treinos com a madrinha no ano anterior haviam, de fato, servido
para alguma coisa. Harry ainda não sabia como tinha recordado o feitiço tão
facilmente e como o executara bem, pelo pouco que ouvira Ametista contar.
Claramente, não permitiria que tanto ele, mas principalmente ela, sofressem a ação
de uma Maldição Imperdoável. E ele só poderia fazer de tudo para evitar. “Não
havia nada de errado em tentar, certo?”, pensou consigo. Entretanto, já
sabia que a pós-reversão não era tão deleitável quanto no momento. Ainda
era possível sentir o formigamento se espalhar pelas suas entranhas até chegar
em sua mente. Sim, um formigamento definia muito bem a sensação de absorver a Cruciatus
e depois revertê-la ao Comensal.
Desligou
o chuveiro e enrolou-se na toalha, colocando os pés no tapete e secando-se
rapidamente. Trocou-se e dirigiu-se ao dormitório. Uma calça jeans e uma
camisa branca estavam já separadas sobre a cama. Harry colocou-as, junto do óculos
e deitou na cama, encostando o tronco na parede e esticando as pernas. Já era
noite. Seus olhos se fecharam e a parcial escuridão do dormitório o tomou
completamente. Após um dia exaustivo e sério como aquele, Harry começou a
lamentar-se. A volta a Hogwarts estava próxima. Não que isso fosse ruim, de
forma alguma. Após um ataque como aquele também, a idéia de voltar para lá não
parecia tão má assim. Entretanto, Hogwarts significava Grifinória. E,
infelizmente, Grifinória não combinava com Sonserina.
“E hoje é só o primeiro dia do ano”, suspirou, franzindo a testa. Harry imaginou voltar a Escola de Magia e Bruxaria sem Ametista na Grifinória. Lógico que já se acostumara com aquilo, contudo após os quinze dias em Godric’s Hollow e, especialmente, após o dia anterior, na noite de Ano-Novo, Harry não achava que agüentaria muito tempo longe dela.
Abrindo os olhos e vendo que a escuridão aumentara, a luz do quarto apagada e somente a luz da lua tentando oferecer alguma luminosidade, Harry retirou os óculos e fechou os olhos novamente, enquanto acomodava as costas na parede do leito. Longe, ouviu o som do outro chuveiro sendo desligado e previu que Ametista já devia ter saído. Seu corpo ainda estava dormente, misturado àquele calor e a água que o esquentara há poucos minutos atrás no banho.
- Harry – chamou
Sirius parado na porta. Harry abriu os olhos devagar. – Bella e eu iremos dar
uma passadinha na mãe dela, a Sra. Figg está preocupada. Quer ir junto?
Com enorme
dificuldade, Harry disse que não, estava cansado demais para uma visita de família.
Sirius, já recuperado do feitiço de Bellatrix e com a força de volta, soltou
um muxoxo descontente e quase preocupado, deixando o quarto. O jovem fechou os
olhos mais uma vez e respirou fundo. Suas pálpebras estavam pesadas, e na
verdade, não havia um exato motivo para tanto cansaço, afinal já havia estado
desmaiado por muito tempo. Mas, não importava. Unindo as mãos sobre o tórax,
deixou a cabeça pender levemente para o lado direito e notou que cada vez mais
não conseguia se concentrar. Muito calmamente, Harry adormeceu.
Aquele estava sendo
um sonho muito estranho. Estava parado em frente a um espelho de armário,
ajeitando a gravata prateada. O terno preto estava perfeitamente alinhado e com
um caimento incrível para ele. Seus olhos estavam não mais emoldurados pelos
óculos redondos. Repentinamente, ouviu batidas na porta que estava fechada.
Disse que podiam entrar. Tornando-se para trás, encontrou Draco Malfoy vestido
como ele.
- Vamos logo,
Potter. Não há mais tempo. – a voz de Draco estava apreensiva.
Harry nada
respondeu, apenas deixou o quarto, tomando a sua varinha entre os dedos antes
disso. Teve a certeza de que possuía mais de vinte e cinco anos quando aparatou
com Draco e apareceu dentro do Ministério da Magia. Estavam lá Hermione, Rony
– vestido como ele e Malfoy – Gina e mais um bocado de gente como Neville,
Arabella, Lupin e até mesmo Babelon Littlewood. Todos adultos e com as faces
contorcidas em inquietação.
- Recebemos mais
informações? – perguntou ele com a voz diferente.
Foi Hermione que
respondeu a ele:
- Não. A única
coisa que sabemos é o paradeiro. O problema é que Ametista está
enlouquecendo.
- Eu sei, eu também
quase estou. – respondeu, tentando esconder o medo.
- Que ainda estamos
fazendo aqui? – ouviu alguém indagar as suas costas, num tom autoritário e
nervoso.
Virou-se para trás
e encontrou Ametista. Seus olhos continuavam azuis como os de Sirius, os cabelos
tão ondulados como nunca e o corpo tão esbelto. Engolindo em seco, procurou
desviar sua atenção da roupa tão elegante que ela vestia, um conjunto negro,
carregando a varinha prateada. Porém, havia algo nele que o impedia de chegar
mais perto dela e tocá-la.
Sentiu quando uma mão
tocou seu ombro e no segundo seguinte, ele, Draco, Gina, Neville, Hermione e
Ametista estavam numa estranha sala muito clara. Havia três portas a serem
abertas e nada mais.
- Gina, vá com
Neville, Hermione com Malfoy e Ametista, você vem comigo. – ordenou ele.
- E posso saber
desde quando você é o chefe, Potter? – indagou ela rispidamente, apertando
os olhos de raiva.
Harry preferiu não
responder. Ao mesmo tempo, relembrou tudo que estava passando. Ametista e ele não
estavam juntos. E há mais de cinco anos. Apenas algumas imagens se formavam em
sua cabeça, como uma briga furiosa, anos sem notícias dela, à volta e o
reencontro e então eles estavam daquela forma há mais de quatro anos, sempre
discutindo e nunca mais voltaram a ter um contato maior que um tapa na cara que
ele levou dela. Talvez naquele caminho junto dela pudessem resolver seus
problemas.
Os outros
prosseguiram, deixando Ametista e ele sozinhos naquela sala claríssima. Foi a
mulher que se prontificou a abrir a passagem e começar com o novo caminho. Não
demorou muito até que eles começassem a desconfiar de que havia algo muito
errado.
Ametista parou de
repente e Harry a acompanhou, indo logo atrás. Retirando sua varinha de dentro
do casaco, conjurou um mapa à frente dos dois.
- Não existe essa
passagem nesse mapa – concluiu ela. – Será que nem isso você sabe fazer
direito?! – ralhou, encarando-o.
- Sirius está nessa
sala – apontou o homem para um ponto vermelho no mapa. – Eu presumo que você
pudesse encontrá-lo.
- Oh! Você
realmente quer que eu me corte aqui mesmo e comesse a derramar sangue para os
Comensais me encontrarem, Potter? – irritou-se Ametista. Harry encarou-a
nervosamente. Bufando, ela retirou um punhal prateado do meio de suas vestes.
– Se alguma coisa de errado acontecer, eu juro que nunca mais olho na sua
cara!
- Realmente, fará
uma grande diferença se você fizer isso... – resmungou olhando fixamente
para ela.
Estranhamente, Harry
teve um corte em seu sonho. Na cena seguinte, ele estava ofegante, correndo com
Sirius ao seu lado. Uma série de explosões acontecia logo atrás deles e à
frente, estava Draco esperando-os.
- VAMOS LOGO! –
gritou o loiro freneticamente. Assim que Harry aproximou-se dele, Draco
continuou. – O Longbottom e os outros já estão lá fora, é melhor irmos!
Sirius passou por
Draco e alcançou Hermione mais à frente. No entanto, assim que Malfoy puxou o
casaco de Harry para ele segui-lo, o homem paralisou. Olhando para trás, viu
apenas uma grande fumaça e raios de luz coloridos saindo de lá.
- Eu tenho que
voltar – disse Harry firmemente. – Ametista ainda está lá dentro.
Malfoy encarou-o um
tanto surpreso e largou-o. Dizendo absolutamente nada, Harry deu as costas e
correu para dentro da fumaça intensa. Apertando os olhos e clareando a visão
com um feitiço, encontrou Ametista duelando com um dos Comensais da Morte.
Antes que pudesse pensar, outros três estavam chegando para ajudá-lo. Com
certa ansiedade, Harry lançou-se sobre Ametista e puxou-a para trás,
colocando-a de volta a uma corrida frenética.
Antes mesmo que ela
pudesse gritar ou estuporá-lo por ter sido tão negligente ou ainda idiota de
tirá-la de lá, Ametista simplesmente encarou-o e agradeceu com a cabeça. Após
correrem muitos metros naquele corredor sem fim, Harry paralisou e encontrou,
felizmente, uma porta escondida no meio do nevoeiro. Tentou abrir e conseguiu
rapidamente, puxando Ametista consigo.
Trancando-a as suas
costas, ele jogou o corpo sobre ela e virou-se cansado e ofegante como nunca.
Abaixando os olhos de tão cansado que estava, apoiando as mãos sobre os
joelhos, encontrou algumas gotas de sangue caindo a uns dois metros dele.
Levantando os olhos, fixou-os em Ametista. A mulher estava concentrada na sua
veste negra, tocando a região do estômago. Assim que retirou a mão, viu a
quantidade de sangue que estava saindo de seu corpo. Harry arregalou os olhos
levemente.
Andando até ela,
ainda sem dizer nada, ajudou-a a sentá-la no chão, e depois deitá-la.
Percebendo que os olhos dela estavam fechados desde então, levantou a cabeça
dela levemente de chão. Assim que o fez, Ametista abriu-os. E Harry ficou
chocado.
Os escuros olhos
azuis que ele tanta amara um dia estavam bem abertos e cheios de temor. Não,
era pior que temor, era medo, pavor, terror. Sem ele perguntar nada, Ametista
disse:
- Ele vai me matar
hoje – afirmou com certeza. – Eu sei que vai.
Harry engoliu em
seco e arregalou os olhos nervosamente.
- Não diga
besteiras! – repreendeu-a. – Voldemort não vai te matar!
Ametista tentou
apoiar-se de volta na parede e encarou Harry. Ofegando levemente, continuou:
- Eu sinto isso,
Harry – chamou-o pelo primeiro nome, como há muito não fazia. – Ele tentou
fazer isso durante todos esse anos e não conseguiu. Hoje ele consegue.
Sem responder, Harry
tocou a região ferida de Ametista e levantou a blusa negra. Tocando com
suavidade aquela pele tão macia, notou quão grave era o ferimento dela. Seus
dedos estavam se enchendo de sangue, como os dela já estavam. Os olhos de
Ametista estavam apertados, com a dor, mas ainda abertos, observando quão
carinhoso ele estava sendo com ela naquele momento.
Voltando a encará-la,
Harry notou que os olhos dela transmitiam algo inimaginável. E, simplesmente,
ela disse:
-
Vá embora – sua voz começava a vacilar. – Vá embora agora que ainda tem
tempo.
Harry fitou-a com
todas as suas forças. Na verdade, seus olhos começavam a marejar. Já a
perdera uma vez, mas sabia que ela não estava completamente morta. Depois,
perdeu-a para as circunstâncias da vida. E agora, estava perdendo
definitivamente, e para algo que ele não podia lutar contra.
Após tanto tempo,
Harry levou seus dedos ligeiramente sujos com o sangue dela e tocou-a. Sua pele
estava quente, e suas bochechas ainda vermelhas. Sem dizer nada, alcançou os lábios
dele com uma delicadeza nunca vista antes entre eles. Aos poucos, as mãos dela
tocaram o rosto dele. E o seu mínimo toque o fez relembrar momentos felizes e
plenos ao lado dela. Se fosse em outra oportunidade, provavelmente eles já
estivessem deitados amando-se como fizeram no passado e não faziam mais há
muito tempo. Sem querer, as lágrimas caíram de seus olhos.
Abraçando-a sem
jeito e com medo de machucá-la ainda mais, Harry sentiu-se sufocado e miserável.
Aquele seria provavelmente o último beijo deles. E ao final, seria o último
suspiro que ela daria ao final de um beijo. Aproveitando ao máximo, roçando os
lábios nos dela, acariciando seu rosto, sentindo o toque tão suave e poderoso
dela. Sabia que sem ela não haveria sentido, como não havia nos últimos anos.
Entretanto, agora não havia volta. E o desespero tomou conta.
Porém, Harry pôde
notar que o toque em seu rosto de intensificava e que ela estava limpando suas lágrimas.
Mas aquilo era impossível, já que as mãos dela estavam em seu cabelo.
Tentando abrir os olhos, ouviu uma voz carinhosa perto de seu ouvido.
- Harry. Harry.
Uma extrema
dificuldade abateu sobre ele e pôde, após muito sacrifício, abrir seus olhos.
E encontrou os dela.
Ametista estava
encarando-o com uma expressão assustada, enquanto tinha uma de suas mãos
colocadas no rosto dele e secando suas lágrimas. Harry, de fato, estava
chorando, mesmo sem saber.
Não pensando duas
vezes, desencostou da parede e abraçou Ametista fortemente. A garota chocou-se
primeiramente, depois o envolveu com muita emoção, passando os dedos por seu
cabelo úmido. Harry respirou fundo e procurou gravar aquele perfume de sândalo
que exalava do cabelo molhado dela, gravar os braços que o envolviam com tanto
carinho, os lábios que beijavam sua bochecha direita ou seu ombro. Fechando os
olhos, gravou cada detalhe dela para ficar guardado para sempre.
Assim que a soltou,
encarou-a com atenção. Aqueles olhos azuis estavam concentrados nele, ainda
com certo temor e confusão, mas ainda assim cheios de amor.
- Eu não quero te
perder – disse Harry seriamente. – Nunca.
O semblante de
Ametista pareceu aliviado e, em vez de responder algo tão profundo ou
importante como aquele, ela simplesmente aproximou-se dele um tanto desajeitada
e roçou os lábios nos dele com um perigo imenso. Quando Harry ameaçou beijá-la
verdadeiramente, Ametista recolheu-se para trás e disse:
- Você não vai me
perder.
Dando um
meio-sorriso, Harry encostou sua cabeça na dela e tocou seu nariz com a ponta
do próprio. Assim que ele se preparava para beijá-la como desejava desde que
acordara daquele pesadelo, fez um único pedido.
- Me faça esquecer
– disse olhando-a fixamente. – Não quero imaginar que todos os seguidores
de Voldemort estão soltos. Nunca mais quero ter sonhar com isso ou com você
longe de mim, me faça esquecer, só você pode fazer isso. Me faça esquecer...
A garota tinha as sobrancelhas arqueadas em tom de surpresa. Entretanto, um sorriso singelo apareceu em seus lábios. Harry havia se revelado alguém que daria a vida por ela, como quase fizera naquele dia. E Ametista nunca poderia esquecer algo como aquilo. Provavelmente, Harry logo desejou que Sirius demorasse ainda muito para chegar da casa da Sra. Figg na Rua dos Alfeneiros. Não demorou muito para que Ametista estivesse retirando sua camisa branca...
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Eu tenho que ir – e riu em seguida timidamente. – Não, é sério! – pediu
quase que suplicando. – Preciso checar se as garotas não destruíram ou
arrombaram alguma coisa minha.
O monitor riu
gostosamente. Seus braços envolviam a namorada e puxavam-na contra a parede do
corredor atrás de uma estátua, onde ele estava encostado. Após fazê-lo,
beijou a curva do pescoço dela e uma de suas mãos guiou para a fronte do corpo
da garota, aproveitando que ainda não havia colocado o casaco e somente havia
ali sua camisa de botões branca. Ao tentar abrir o primeiro fecho, a jovem
abriu um sorriso e indicou negativamente com a cabeça.
- Harry, você está
muito espertinho pro meu gosto – disse Ametista, com o olhar de repreensão,
apesar do sorriso nos lábios. – Nós mal chegamos de Godric’s Hollow...
Harry colou os lábios
no ouvido da namorada.
- E eu já estou com
saudades.
Ametista procurou
juntar o próprio ouvido ao pescoço, arrepiada. Após o ataque de Azkaban,
naquela noite, Harry e ela haviam novamente ficado um pouco mais íntimos. Como
na noite de Ano-Novo, porém dessa vez indo pouca coisa mais longe. Entretanto,
agora parecia que Harry queria estar com ela a todo tempo, inclusive para
terminar o quê havia começado e pela segunda vez interrompido pela aparição
de Sirius e Arabella, vindos da casa da Sra. Figg. Ainda poderiam rir da
correria de colocarem suas roupas antes que Sirius pudesse perceber. Sorte que o
acréscimo de uma noite a outra era de apenas a calça de Harry e a de Ametista,
mais nada.
- Por favor, poupem
o público dessa demonstração!
Ametista rolou os
olhos e tornou-se para Draco Malfoy, parado na saída da Torre da Sonserina,
encarando os jovens com incredulidade. Harry saiu do abraço e segurou a mão da
namorada, olhando diretamente a Draco, como se quisesse provar que ele estava
ali com ela. Malfoy apertou os olhos, segurando-se para não soltar um palavrão.
Assim, Ametista tornou-se para Harry e beijou-o levemente na boca, despedindo-se
para entrar finalmente na Sonserina.
Harry seguiu para a
Grifinória enquanto Draco seguia Ametista para dentro da Torre da Sonserina.
Ambos vestidos casualmente, Draco não pôde deixar de reparar como aquela calça
escura e reta com a camisa branca de botões ficavam bem nela. Perdeu
ligeiramente a concentração ao condenar-se por reparar naquilo. A garota
sentou num dos sofás da sala comunal. Draco sentou a frente dela.
- Então... –
disse, chamando a atenção da jovem. – Parece que o Profeta Diário não
divulgou nada sobre Azkaban. – pegando o jornal sobre a mesa, Draco sorriu.
- E como exatamente
você sabe? – indagou Ametista, encarando-o com indiferença. – OH! Já sei!
Esqueci que seu pai deveria estar lá, enfiado no meio dos abutres que
pretendiam resgatar os seguidores de Voldemort.
Draco permaneceu com
o sorriso pretensioso nos lábios.
- Não interessa
como fiquei sabendo, Dumbledore – Malfoy dobrou o jornal e jogou-o de volta
sobre a mesa. – Mas ouvi dizer que o seu namoradinho Cicatriz reverteu
uma Maldição, é verdade?
A jovem levantou do
sofá e cruzou os braços.
- Realmente, Malfoy,
você me surpreende com tanto cinismo. Quer dizer que os urubus foram ontem a
sua casa ou seu papai contou-lhe isso? AH! E eu gostaria até de saber se o
Comensal que foi atingido está melhor, porque os gritos dele pareciam
desesperadores, sabe. – ela tinha os olhos apertados diante da expressão
inatingível de Draco.
Por alguns segundos,
Malfoy pareceu não saber uma resposta para aquela acusação de Ametista. Seus
olhos ficaram mais cinzentos e sua respiração inconstante. Então, ergueu-se e
aproximou-se da jovem que o enfrentava. Com os olhos e bocas e narizes muito próximos,
Draco indagou:
- Você acha que eu
sou o quê? – Ametista não se abalou. – Somente porque meu pai é um
Comensal, o que lhe faz pensar que também serei um?
Ametista abriu
bastante os olhos, encarando Draco por completo.
- Eu já lhe disse
isso uma vez Malfoy, e direi pela segunda – Ametista colocou sua face mais próxima
ainda da de Draco. – A sua natureza é má, Malfoy. Por mais que você tente
disfarçar, eu sei que você sempre planeja algo de ruim, sei que você está
sempre pronto para destruir a vida de alguém, e se essa for a de Harry, melhor
ainda. Também sei que você convive com Comensais da Morte o tempo todo, sei
que seu pai ainda quer me matar, sei que você nunca sequer se importou com o
que poderia provocar em Gina. E, principalmente, sei que você é capaz de tudo
para se dar bem, e se tornar-se Comensal da Morte lhe trará isto, então você
o fará.
Algo como aquilo
nunca acontecera antes com Draco. Recordou seu plano que criará nas férias e
da enorme certeza que carregava ao se tratar de Ametista Dumbledore: distância.
“Estranhamente,
havia uma sensação de temor que se espalhava por Draco ao pensar nela. A neta
de Dumbledore era perigosa. E quanto mais pensava nisso, mais passava a
acreditar numa única coisa. Distância, muita distância. Por um motivo
desconhecido, sabia que Ametista era a única que conseguiria descobrir seus
planos com uma facilidade imensa. Afinal, ela também era uma sonserina. E os
sonserinos não eram fáceis de serem enganados”.
E lá estava ela, como se lesse a mente dele e seus mais profundos pensamentos.
Era amedrontador. Era olhar-se no espelho. Ametista decifrava seus segredos e
parecia disposta a desafiá-lo a todo tempo a cumprir suas promessas de ruína e
destruição. A partir daquele momento, Draco viu que não havia saída. Era
enfrentar ou aliar-se a ela.
No entanto, antes
que fosse responder algo, alguém adentrou na Torre. Era Pansy Parkinson. A
jovem com cara de buldogue encarou a cena com a testa franzida. Draco Malfoy
estava com o rosto praticamente colado no de Ametista Dumbledore, como se
estivessem prontos para um beijo. Contudo, a postura de ambos denunciava que ali
acontecia uma discussão. Pansy pigarreou. Imediatamente, Draco e Ametista deram
um passo para trás, encarando um ao outro com os olhos cheios de temor.
- Draco! Precisava
muito conversar com você! – chamou Parkinson, fazendo Ametista encará-la, os
olhos receosos de olharem Draco novamente. – Vamos dar um volta, que acha?
O jovem engoliu em seco, a boca entreabriu-se em seguida, e ao passar por Ametista, a jovem não o encarou diretamente. Foi como se houvesse acontecido um click entre os dois. E por um milésimo de segundo, Ametista e Draco entenderam-se completamente.
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-
A flecha não a perfurou? – indagou Dumbledore com as sobrancelhas arqueadas
em surpresa.
Lupin mexeu a cabeça
indicando que não. Dumbledore pigarreou num tom preocupado. Antes que pudesse
continuar a conversa com Lupin, uma multidão de pessoas entrou na sala dos
professores. Estavam ali Sirius, Arabella, Ártemis, McGonagall, Snape, El
Kassab, Zylkins, Stevens, Wingnut, Rawlings e Sacks. Dumbledore pediu para que
todos se sentassem.
Soltando um
meio-suspiro, o velho bruxo observou pela janela o dia quase anoitecendo. Que
Voldemort estaria planejando naquele exato instante, provavelmente na Ilha dos
Ciclopes? Então, releu a notícia de capa mais uma vez do Profeta Diário. Algo
sobre uma revolta de duendes na Nova Zelândia.
- Hagrid ainda não
voltou? – indagou Lupin repentinamente apenas para o professor.
Dumbledore indicou
negativamente e voltou a olhar para o Profeta Diário.
- Soube que não
tivemos muito sucesso com a investida em Azkaban – insinuou o diretor,
encarando ainda o jornal. – Fiz alguns contatos e eles devem estar chegando...
- Na verdade, já
chegaram – disse Snape. – Mas parece que a Bellacroix anda divertindo-os
pelo castelo.
Silver, Jack e
Juliet pareceram esconder o riso. Há seis dias atrás, Snape e Bellacroix
haviam se enfrentado para não deixar à mostra o disfarce de Snape como
Comensal da Morte regenerado. E desde então, não existia uma certa simpatia
recíproca.
Enquanto Alvo
observava a todos por cima do óculos meia-lua, a porta da sala dos professores
abriu-se com certa rudeza. Snape bufou impaciente ao tempo que Lynn Winter, Matt
Holm, Joseph Fletcher e Mundungo Fletcher adentraram junto de Hauspie
Bellacroix. A mulher pálida de olhar penetrante piscou para Snape, que
permaneceu com o semblante desgostoso. Os últimos cinco componentes presentes
naquele dia sentaram-se.
- Qual a lista dos
fugitivos do Ministério? – iniciou Remo.
A jovem Srta. Winter
jogou seus cabelos escuros para trás e puxou de dentro de uma bolsa um
pergaminho enrolado. Antes de o esticar e lê-lo, seu olhar cruzou com o de Jack
e a mulher corou.
- Dame Donker, a
holandesa que se juntou a Voldemort pouco depois dos primeiros ataques
provocados pelo Lorde – Juliet Stevens e Silver Zylkins recordavam-na
perfeitamente. – Alex Hawking e Sarah Hawking, o casal que se uniu a Voldemort
cerca de dois anos antes que ele fosse vítima da reversão do Avada Kedavra
pelo Potter – Arabella iria dizer algo sobre isto, mas deixou para depois. –
Joan Avery, a irmã mais velha do Comensal Avery – Lynn pigarreou levemente.
– Simon Hooker, o antigo melhor amigo de Bartô Crouch Jr. – alguns não
deixaram de imaginar a infelicidade de Bartô Jr. morrer com um beijo de um
dementador. – e é claro, Robert e Bellatrix Lestrange.
Dumbledore não
deixou de encarar Sirius com pesar. O homem levantou a cabeça e encontrou o
olhar do diretor, ao mesmo tempo em que Arabella tocava sua mão que relaxava em
seu colo.
- E o Ministério?
– indagou Ártemis, a voz superior. – Minha mãe disse-me que eles estavam
controlando as reportagens que saíam no Profeta Diário, mas esconder da
imprensa algo como uma revolução em Azkaban é demais!
Os olhos castanhos
de Matt Holm encontraram os violeta de Ártemis.
- Nós sabemos
disso, senhora... – Ártemis pigarreou e Matt consertou. – Digo, senhorita
– um leve sorriso despertou em seus lábios, como num pedido de desculpas. –
Apenas fora divulgado a todos nós que não mencionássemos isto a ninguém,
fosse da imprensa, fossem familiares ou amigos, pois Fudge disse que daria um
jeito de afastar os jornais e repórteres de perto da ilha – e o auror deu uma
rápida olhada no Profeta Diário localizado acima da comprida mesa. – E me
parece que ele conseguira.
- Na verdade, o
ministro anda com certas dificuldades dentro do Ministério – disse Joseph
Fletcher. – O Departamento de Espionagem está indo contra ele, assim como o
de Aurores e o de Mistérios – Dumbledore olhou de esguelha para Mundungo. –
Já houveram conflitos e discussões no julgamento de um bruxo acusado de usar
Arte das Trevas, há pouco mais de dois meses, que eclodiu numa série de demissões.
Mas como ele já percebeu que os seus três melhores departamentos estão
desfalcados, não provocou a demissão dos últimos que ainda persistem ao seu
lado. Foi assim que nós escapamos.
Snape levantou sua
voz grave e austera.
- O Lorde está
extremamente contente com a posição de Fudge – mencionou o professor. – Há
uma semana, em Azkaban, ele ordenou que Lúcio não fizesse parte da comissão
para libertar os prisioneiros, para que ele convencesse Fudge, já que o
ministro parece confiar nos conselhos dele.
- Lúcio Malfoy não
é tão importante assim, Snape – interrompeu Mundungo. – Fudge não quer se
arriscar, pois sabe que se confessar a guerra que está para acontecer, sua cabeça
vai ser cortada numa guilhotina – Victoria Sacks encarava Fletcher com
interesse. – Se o povo descobrir que, durante todo esse tempo, Fudge escondeu
o retorno de Voldemort, tudo pode acontecer. E ele será cortado fora do Ministério
facilmente.
- O ministro
americano está subindo pelas paredes com Fudge – cortou Victoria, num tom
preocupado. – Ele aceitou minha transferência temporária em troca da minha
promessa de acordar a imprensa para os fatos. E a população também.
Um silêncio tomou
conta da sala repentinamente. Todos estavam com suas mentes ocupadas, procurando
respostas e soluções para impedir o caos. Logo, o mundo estaria em chamas.
Teriam de fazer alguma coisa.
- É verdade que o
Potter reverteu a Maldição do Lestrange?
Era Matt Holm.
Repentinamente, Dumbledore ergueu seus olhos ao auror, assim como Arabella.
- Foi isso que
Bellacroix acabou de me falar. – completou Holm, levantando as sobrancelhas.
- Eu citei uma vez,
no ano passado, o contra-feitiço – falou Arabella, levando as mãos até a
barriga. – Não seria bem o contra-feitiço, mas um encantamento que Frank
Longbottom usou uma vez, eu assisti – todos pareceram interessados na estória.
– Era numa daquelas invasões que vocês, aurores, faziam nas casas dos
suspeitos de serem Comensais da Morte. Mesmo eu sendo a Curadora Especial de St.
Mungus, Tiago, que era o Chefe do Departamento na época, me pedira para
acompanhar, caso eles tivessem que interrogar alguém, já que eu lia mentes e
aquele era o meu trabalho. Então, quando entramos na casa dos Avery,
encontramos Joan e ela tentou executar uma Cruciatus em Frank – Juliet colocou
o cotovelo na mesa e apoiou a cabeça, montando as imagens em sua cabeça. – E
eu pude assisti-lo reverter a Maldição com perfeição. Num dos treinos com
Harry, no ano passado, eu tive a idéia de mencionar o encantamento, mas nunca
poderia imaginar que ele fosse capaz de lembrar e, claramente, de executar!
- Então é verdade?
– confirmou Matt assistindo a cabeça de Lupin concordar. Holm ergueu as
sobrancelhas. – Potter é mesmo poderoso. Não é fácil reverter uma Maldição.
- Mas logo em
seguida, ele ficou muito fraco – adicionou Remo. – Quando o encontramos,
Harry já estava desmaiado a mais de cinco minutos, junto com Ametista.
- A garota assistiu?
– indagou Mundungo curioso.
Lupin indicou com a
cabeça positivamente.
- Na verdade, ele só
reverteu a Maldição para protegê-la. – completou o ex-professor de
Hogwarts.
Snape pareceu
agitar-se incomodado na cadeira. Seus cabelos fecharam a visão de seus olhos.
Todos voltaram a ficar em silêncio, até Azíz El Kassab retomar a conversa.
- Estranho nenhum
Comensal se aproveitar da situação, afinal, Potter estava desmaiado e a neta
de Dumbledore estava desprotegida...
- Ametista nunca está
desprotegida, El Kassab – interrompeu Snape, retirando os fios oleosos de seus
olhos. Sirius fitou-o com insegurança. – O Lorde ordenou para seus seguidores
não encostarem um só dedo nela. Na última reunião, na Ilha dos Ciclopes, ele
disse que tinha um plano para a garota desde que se transformara no Black, e que
havia chegado a hora de aplicá-lo. Disse que o sangue de Ametista estava pronto
para um ritual de grandiosidade e magnitude – suas palavras pareciam duras, e
todos encaravam-no pensativos. – E mesmo que ela não quisesse ajudá-lo com
seu plano, ele não a mataria em absoluto e faria com que ela o obedecesse.
- Os herdeiros...
– balbuciou Rudolph Rawlings seriamente. – Deveríamos estar atrás deles
neste exato momento. Somente sabemos que Voldemort os quer e que nem ele nem nós
sabemos ao certo quem são os quatro.
Ártemis e Arabella
engoliram em seco e seguraram suas respirações por um instante. Ártemis
encarou Arabella. Ambas sabiam com plena certeza quem era a herdeira de Rowena
Ravenclaw.
- Sua neta não é
herdeira de Slytherin, Alvo? – todos encararam o questionador. – E Potter não
é o herdeiro de Gryffindor? – Joseph estava incerto.
O bruxo mais velho
naquela sala olhou para o horizonte novamente. O dia estava cada vez mais
escuro.
- Uma criança com
os sangues de Godric Gryffindor e Salazar Slytherin – completou Dumbledore,
divagando sobre a neta. – Porém, agora Harry também possui ambos – Sirius
encarou-o confuso. – Quero dizer, Harry tem somente o sangue de Gryffindor,
mas também adquiriu certos elementos de Slytherin, como falar com cobras, coisa
que Ametista não faz.
- Isto que dizer que
ela não é herdeira de Slytherin, como o pai? – perguntou Ártemis
indiscreta.
Todos ficaram
novamente calados. Sirius observou Ártemis até a mulher encontrar seu olhar e
endureceu-o, fuzilando-a com seu mais puro e intenso ódio de mencionar algo
como Voldemort sendo o pai de Ametista, da sua filha.
- Eu ainda não
posso lhe responder isto, Ártemis, porque não tenho a resposta correta –
replicou o velho diretor. – Apenas sei que Voldemort não descansará enquanto
não obter o poder absoluto.
Snape pigarreou
baixinho, os olhos concentrados num mesmo lugar. “Agora, Ametista está
pronta para receber seu verdadeiro poder. E depois devolvê-lo para mim”.
Aquelas palavras de Voldemort ecoavam em seus pensamentos dia após dia, sem
respostas. “Vocês deverão encontrar os quatro herdeiros de Hogwarts e
impedir que eles cheguem perto das armas dos quatro grandes e seus respectivos
antepassados. Eu precisarei deles e, enquanto não chegarem perto das armas, o
poder adormecido neles não renascerá. E este será um problema a menos para
pensar...”.
- Não importa a
nenhum de nós neste instante em descobrir quem são os quatro herdeiros –
disse Mundungo. – Nós temos de resolver como impediremos o ataque de
Voldemort, porque certamente agora ele fará de tudo para destruir toda a
Inglaterra e colocar não apenas Hogwarts e esta Ilha, mas todo o mundo ao seu
comando – as cabeças iam concordando. – Primeiro, temos de pensar em proteção
a Hogwarts, afinal o Potter está aqui e onde o Potter está, Voldemort estará
atrás.
Naquele mesmo
entardecer, formaram-se as patrulhas, as sessões, os horários de defesa. A
Ordem da Fênix estaria em peso em Hogwarts e na Inglaterra, a fim de proteger o
Ministério e a maior Escola de Magia e Bruxaria do mundo. Nada os atingiria,
nenhum inimigo entraria em Hogwarts e sairia vivo para contar a estória. Havia
muitos deles para garantirem a segurança das centenas de jovens localizados
naquele castelo. E, especialmente, para assegurarem a vida plena dos quatro
herdeiros, que estavam localizados naquele mesmo âmbito.
![]()
Victoria
Sacks estava despejando a água fervente de dentro do seu bule na xícara de
Mundungo Fletcher, quando acidentalmente o saquinho com o chá estourou dentro
da chávena. A mulher riu e retirou-a, junto do pires, jogando-a dentro da pia.
Azíz conversava animadamente com o chefe do Departamento de Espionagem. A
mulher de cabelos muito claros pareceu desajeitada com o incidente. Com isso,
Joseph, que os acompanhava, assim como Matt, ergueram-se da mesa e foram ajudar
a americana.
O dormitório provisório
de Victoria parecia confortável. Existia até uma mini-cozinha, um banheiro e
alguns sofás, acompanhados de uma redonda mesa de jantar, localizada no centro
do quarto. A cama era de casal e ficava logo à frente da mesa, ao lado da
janela, com vista para o lago da lula-gigante.
Pouco depois da
reunião com Dumbledore, a americana convidou Azíz, Mundungo, Joseph, Matt e
Lynn para um papo descontraído, mas apenas a Srta. Winter não pôde
comparecer. E lá estava ela, uma norte-americana tentando fazer um chá para um
bando de ingleses. Notando isso, Matt e Joseph, ambos de idades próximas e mais
novos que ela, pareciam dispostos a infiltrá-la no mundo inglês.
- Nós ainda não
tivemos muito tempo para conversar – disse Joseph, voltando à mesa e
dirigindo-se a Azíz e Victoria. – Você parece bastante diferente de todos nós,
Sacks. – comentou, num estilo divertido.
Os integrantes da
mesa riram.
- Não tenho como
negar minhas raízes – respondeu a mulher de meia-idade, indicando a decoração
do dormitório. – Vocês mesmos podem ver.
Matt olhou em volta,
segurando uma resposta atravessada. Seus olhos escuros bateram na mesa de
cabeceira ao lado da cama, onde residia uma pequenina bandeira dos Estados
Unidos, apoiada por um estandarte menor ainda. Acima do fogão, um quadro com
uma foto envelhecida da Estátua da Liberdade, e outro ao lado da janela com uma
pintura dos enormes prédios da cidade de Nova York, dando destaque ao Empire State Building.
Um suspiro foi interrompido em sua garganta.
- Nasceu em Nova
York? – indagou Matt, controlando o tom da voz.
Um sorriso despertou
nos lábios finos de Victoria.
- Nasci e fiz
carreira – Matt ergueu uma sobrancelha, olhando de canto de olho para Joseph.
– Tornei-me assistente do chefe de Departamento de Espionagem, e agora fui
promovida à vice-chefe. Amo aquele lugar e só me transferi para cá porque foi
um pedido exclusivo seu, Mundungo.
O velho curvado
agradeceu timidamente a cortesia da americana. Matt e Joseph continuaram a
observar Victoria.
- E quais exatamente
são os seus planos aqui na Inglaterra, Sacks? Afinal, a maioria de nós também
quer não apenas ajudar a exterminar Voldemort... – insinuou Matt.
- Oh, mas é claro,
isto é o nosso ponto em comum, certo? – concordou Victoria, apertando os
olhos e formando as rugas ao lado deles. – Pretendo voltar com algumas novas
experiências, mas também com alguns jovens que estejam interessados em
experimentar alguns anos o ar refrescante de Nova York e dos Estados Unidos.
Azíz franziu a
testa.
- Você pretende
levar daqui da Grã-Bretanha até a sua terra os nossos poucos e capazes bruxos?
- Não, na
realidade, pretendo levar os novos e sem a menor experiência. Poderão se
acostumar mais rápido. Como se fosse um intercâmbio, entendem?
Lentamente, Joseph,
Matt e Azíz trocaram olhares inseguros e quase revoltados. Aquela americana era
patriota demais e ainda queria levar os meninos-de-ouro ingleses para o país
que eles iniciaram e colonizaram? E ainda doaram sua língua! Era prepotência
ao extremo!
Mundungo, notando o
desconforto entre os adultos e sabendo que não permitiria uma discussão entre
os integrantes da Ordem da Fênix, mudou de assunto completamente.
- E você, Azíz,
meu velho – disse Mundungo simpático, coisa incomum. – Como anda sua família?
Os lábios carnudos
de Azíz formaram um sorriso e seu nariz avantajado apontou para Mundungo, como
se estivesse apreciando a mudança de ares. Seu semblante iluminou-se e seus
dentes contrastaram com a pele escura.
- Estão ótimos,
todos eles – respondeu, o sorriso se alargando. – Zafar está se tornando um
homem, meu menino mais novo, último ano de Hogwarts na Grifinória –
descreveu aos outros da mesa. – Shayla é a minha mais velha, formou-se pela
Lufa-Lufa há cinco anos e trabalha em um jornal da Escócia, desde que se mudou
para lá, e Harih, minha mulher, continua bela e grávida novamente!
Matt franziu sua
testa em surpresa, sorrindo. Azíz era uma mistura de libanês com indiano –
pai libanês e mãe indiana – nascido em Edimburgo, na Escócia. Assim, sua
pele era bronzeada e bela como a dos indianos, e seus olhos eram grandes e o
nariz também como os dos árabes.
- Já sabe se é
menino ou menina?
- Sim, realmente já
sabemos, Harih terá os bebês em dois meses. – disse Azíz orgulhoso.
- Os bebês?
– indagou Victoria, segurando o riso.
- São dois, gêmeos – completou Azíz, seus olhos brilhando de satisfação. – Um menino e uma menina, não é maravilhoso?! – seu sotaque se reforçou e ele disse algo em indiano ou em árabe, nenhum dos presentes na mesa sabia bem distinguir.
Victoria engoliu em seco e sorriu, ao mesmo tempo em que Joseph e Matt riram divertidos e Mundungo bateu nas costas do respeitado político Azíz El Kassab. Em um gole, todos viraram suas xícaras de chá e sorriram um ao outro. Era impressionante como as pessoas podiam ser diferentes.![]()
-
Você pode falar o quê quiser, mas eu sei que essa mulher é maluca! Ela quase
arrancou meu pescoço fora!
Hauspie riu sarcástica,
adorando aquela situação. Dumbledore cobriu o rosto e suspirou sem paciência.
Snape prosseguia em sua reclamação, os olhos negros arregalados em fúria.
- Eu não posso
aceitar lutar ao lado de quem não confio minha vida, Alvo! – protestou com a
voz num tom maior.
A mulher desencostou
da janela e cruzou os braços junto com as espadas.
- Não me importo
com a sua vida, Snape – disse Hauspie com a voz delicada, sem sotaque algum.
– Somente me importo com minhas espadas e minha cabeça. Portanto, se o senhor
não confia em minhas habilidades, deveria pedir minha demissão da Ordem, não
acha, mon petit?
- Isto não soa tão
mal, Srta. Bellacroix. – respondeu Snape, abaixando o volume da voz e tomando
a posição seca e austera, irritado com a expressão francesa que Hauspie
usara.
- PAREM! – ordenou
Dumbledore, a face impaciente. – Severo, Hauspie – olhou para os adultos.
– Não quero ouvir mais nenhuma discussão sobre espadas ou cabeças fora dos
corpos, entenderam? Eu quero que ambos fiquem de guarda na Torre Norte, não me
importa se não gostam um do outro!
Era uma noite fria e
ventava bastante. Estavam perto do lago da lula-gigante. O traje escuro de
Hauspie balançava conforme as correntes de ar, o cabelo escuro e brilhante
acompanhando o mesmo movimento. Snape andava de um lado a outro, admirando como
a mulher movia entre os dedos aquelas duas espadas, tão habilidosa, como se
fossem folhas de papel.
Snape estava
recordando a discussão que tivera com Hauspie após todos deixarem a sala de
Dumbledore e apenas os três para trás. O diretor havia se irritado
profundamente com ambos, já que começaram a trocar acusações por conta de
uma simples piada feita pela francesa.
- Onde adquiriu esse
amor em matar pessoas com espadas, Bellacroix? – questionou Snape, fingindo um
diálogo.
Engolindo
lentamente, fechando os olhos com calma, Hauspie respondeu:
- Estudar em
Beauxbatons não parece tão fácil quanto dizem, Snape. Só que, para mim, era
ridiculamente estúpido ficar dentro daquela escola sem nenhuma diversão –
Snape cruzou os braços, esperando a conclusão. – Decidi iniciar um
treinamento secreto que durou quatro dos sete anos de Beauxbatons. E, com essa
minha habilidade, fui aceita para o Ministério da Magia da França como auror
especial, além das minhas notas, é claro.
O professor de Poções
sentiu o vento sacudir seus cabelos escuros e compridos, lembrando da primeira
vez que encontrara Bellacroix. Ela e Rudolph Rawlings pareciam velhos
conhecidos, talvez até amigos. Durante toda a reunião, não paravam de
conversar.
- Mas parece que você
se identificou muito com o Rawlings – continuou Severo, a voz seca. – Não
é fácil se entender com vampiros.
- Oh, petit amour!
– Snape odiava quando ela usava as expressões francesas. – Conheço Rudolph
porque fomos amigos há muitos anos atrás, quando ainda tentava aceitar a
verdadeira face de minha mãe – disse Hauspie, pigarreando e sentindo o nariz
frio. – Ela era uma vampira – os olhos de Snape cresceram ardilosamente. –
Meu pai era um espião do Ministério Francês e estava na caça de um bando de
vampiros há pouco mais de quatro anos. Quando ele os encontrou, apaixonou-se
pela única mulher entre eles.
- Tocante... –
ironizou.
- Não é – cortou
Hauspie rispidamente. – Assim que ela engravidou, coisa praticamente impossível
para vampiros, ela fugiu comigo na barriga e somente reapareceu quando estava
para me ter – Hauspie calou-se, parecendo constrangida. – Meu pai a matou
logo depois – Severo levantou as sobrancelhas. – E com isso, fui crescendo e
acabei conhecendo Rudolph. Ele me ajudou a encarar o fato de que era filha de
uma vampira com o assassino dela.
- Então, você é
uma aberração ou um milagre? – indagou, irônico.
- Nem um, nem outro
– corrigiu, as espadas dançando entre seus dedos. – Apenas auror, não se
esqueça.
- Não estou
duvidando, Bellacroix – respondeu Snape, ainda andando. – Só acho que um
auror é mestre com varinhas, e não com espadas.
Hauspie sorriu para
si.
- Talvez, Snape,
seja exatamente por causa dessa minha habilidade que sou a melhor auror da França.
– justificou, o orgulho transbordando de seu ser.
O professor de Poções
virou-se para trás e fechou o rosto, irritando-se com a falta de modéstia de
Hauspie. A auror francesa jogou os fios negros para suas costas e sorriu
vitoriosa mais uma vez.
- E os Comensais,
Snape? – ela indagou, ainda de costas para Severo. – São bons em o quê?
A Torre Norte estava
silenciosa, apenas o som do vento. Severo suspirou baixinho e tornou-se para
Hauspie, ficando ao lado dela.
- Somos bons em
tudo. – declarou, a modéstia passando a quilômetros de distância.
Hauspie girou as
duas espadas e um flash de luz azulado surgiu assim que o movimento foi feito. A
seguir, as espadas reduziram-se ao tamanho de varinhas, que ela guardou dentro
de seu casaco comprido. Depois, jogando o cabelo para trás mais uma vez,
tornou-se para Snape.
- Não, vocês não
são bons em tudo – sua voz permanecia sem nenhum sotaque. – Eu percebo de
longe algo que vocês não são bons, ou pelo menos, você.
A face pálida de
Snape se fechou.
- E em quê seria
isso, Bellacroix? – perguntou aborrecido.
O rosto de Hauspie
pareceu se iluminar pela segunda vez após o conhecimento dela por Snape. A única
vez antes fora quando estava lutando. Era como se ela tivesse prazer em sacar
suas espadas e cortar fora pescoços e outras partes corporais, como se, fazendo
algo como assassinar inimigos lavasse sua alma. E, novamente, sua face estava
com aquele brilho especial. Snape não pôde deixar isso de lado. Somente
naquele segundo, Hauspie pareceu a ele tão bela quanto Hariel era.
A francesa deu um
passo para mais perto de Snape e sussurrou:
- Você não sabe
aproveitar o quê há de bom na vida, mon petit – disse ela, a voz
seduzindo os ouvidos de Severo. – O prazer de arrancar uma cabeça fora de um
corpo, admirar o nascer do sol, ou mesmo desfrutar da sensação de um beijo...
O rosto de Snape
endureceu com a fala de Hauspie. Os pêlos de seu braço arrepiaram-se
involuntariamente, à proporção que seu coração se acelerou sem desejar.
Apenas Hariel havia provocado isso nele, nem mesmo as outras que já se deitara.
Seria o poder de irritá-lo, que somente Hariel possuía? Ou aquela divina
desenvoltura francesa?
Sem Snape notar, os
fios negros do comprido cabelo de Hauspie envolveram seu pescoço e começaram a
fazer cócegas, prontos para sufocá-lo. Ao menor toque, Snape puxou Hauspie
para si e apertou seu braço, apontando a varinha na direção do tórax da
mulher. Um sorriso despertou nos lábios espertos de Hauspie.
- Mais atenção,
Snape – disse ela, soltando os fios do pescoço de Severo. – Pensava que um
homem como você não se abatesse com o meu poder de sedução.
Snape retirou a
varinha do tórax de Hauspie e deu um passo para trás, a face levemente corada.
Hauspie piscou para o homem e sorriu, puxando suas espadas de novo e voltando a
girá-las entre os dedos de forma hábil.
![]()
-
Você realmente acha que eles não estarão se matando lá fora? – indagou
divertido Lupin, observando suas sombras da janela da sala dos professores.
Rudolph Rawlings
estava lixando sua estaca de madeira calmamente quando Remo assistiu um sorriso
branco surgir de seus lábios e destacar-se com dificuldade no meio daquela
palidez toda.
- Hauspie é uma boa
garota – respondeu, com um certo brilho nos olhos. – Provocativa, mas boa.
Tenho certeza que eles irão se entender, mais cedo ou mais tarde.
Enquanto isso, do
outro lado da mesa estava Silver Zylkins, o segundo melhor duelista do mundo,
jovem e arrogante. Muito parecido com Draco Malfoy. Até mesmo os cabelos claros
– no caso de Silver, quase prateados. Com os pés sobre a mesa, cruzados um
sobre o outro, perguntou:
- Um mestre de
vampiros, Rawlings? – sua voz arrogante ecoou na sala. – Que exatamente você
fez para se tornar um mestre desse tipo de ser? Falta de dinheiro?
Soltando em seguida
uma risada superior, esperou uma resposta de Rawlings. O homem macilento encarou
Silver com indiferença e surpreendeu-o. Ao mesmo instante em que Zylkins ria
sarcasticamente de Rawlings, a capa negra do homem passou sobre sua cabeça e
Rudolph apareceu erguido sobre os pés de Silver, acima da mesa dos professores,
com sua estaca apontada diretamente para a face do jovem. Silver arregalou os
olhos e engoliu em seco, desajeitado. Parecia que Rawlings havia
tele-transportado e aparecido direto à frente de Zylkins. Ou então, o homem
era rápido demais.
- Minhas razões não
importam a você, garoto – disse Rudolph, falando tão perto de Silver que ele
pôde sentir o hálito quente do mestre de vampiros. – Fique brincando com sua
varinha e seus feitiços que ganhará muito mais nessa vida.
Lupin apenas
observou tudo silencioso, dando total razão a Rawlings. Ele mesmo sabia o que
eram esses pré-conceitos sobre profissões ou seres incomuns. Porém, a Ordem não
poderia permanecer desunida e com desavenças por todos os lados. Esperava
ansiosamente que os outros grupos não estivessem tão agitados quanto aquele.
Silver levantou de
sua cadeira e deixou o âmbito, dizendo que precisava ir ao banheiro, batendo a
porta ao sair. Rawlings olhou para Lupin, cheio de deboche e descrença sobre
Silver. Assim que Zylkins saiu da sala, Rudolph deixou a estaca sobre a mesa e
perguntou a Remo:
- Imagino que você
não tenha se incomodado com isso, certo? – Lupin negou. – Você já passou
por isso, não passou? – indagou a Remo.
- Claro, é normal
– Lupin respondeu serenamente. – Mas os jovens são assim mesmo, não
entendem.
Rudolph pareceu
encarar sua estaca novamente e voltou a sentar no mesmo lugar onde estava
anteriormente. Fitou Lupin com firmeza.
- Já percebi que
você tem uma ótima relação com os garotos daqui de Hogwarts – comentou
Rawlings curioso. – Principalmente com a garota dos olhos azuis, a neta de
Dumbledore.
- Oh... Ametista...
– completou Lupin, disfarçando o rubor. – Eu cuidei de Ametista por muitos
anos, acabamos nos entendendo muito bem. Mas eles são ótimos.
Rudolph franziu a
testa. Lupin curvou-se sobre a mesa e cruzou os dedos sobre ela, questionando:
- Permita-me
perguntar o por quê de se tornar um mestre de vampiros, sim?
O homem macilento
ergueu-se da cadeira e foi até a janela, olhando a noite fria e nublada.
- Imagine minha posição
– colocou ele, tranqüilamente. – Você nasce numa família rica, cheia de
privilégios, pai político, mãe responsável pela edição final de um dos
maiores jornais da Alemanha. Num dia, decidem mudar para a Inglaterra e o
pesadelo começa – sua voz começou a ficar mais forte. – Dois anos após a
mudança, o filho é colocado em Hogwarts, entra para a Sonserina e se vê na
falta dos pais – Lupin olhou para as próprias mãos. – Três anos depois,
tanto pai quanto mãe são pegos numa emboscada e transformados em vampiros.
Assim, eles tentaram fazer o mesmo comigo, mas eu aprendi a me defender e
Dumbledore me deu o suporte para enfrentá-los e colocá-los bem longe de mim.
Era eu ou eles, entende? – Lupin concordou com a cabeça, em solidariedade.
– Com isso, eu descobri tudo sobre o mundo dos vampiros e ganhei o respeito de
muitos deles em seu submundo. Assim, me tornei um mestre de vampiros.
- Deve ter sido
muito difícil... – murmurou Lupin impressionado.
- Sim, mas não é
algo de que eu me orgulhe. – finalizou Rawlings, dando as costas para Lupin e
olhando novamente para o lado de fora.
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“Minhas
razões não importam a você, garoto. Fique brincando com sua varinha e seus
feitiços que ganhará muito mais nessa vida”.
A frase não saía dos pensamentos de Zylkins ao andar pelos corredores escuros
e nebulosos perto da Torre Oeste, à procura de um refúgio para aqueles homens.
Sua arrogância era notada de longe imediatamente pela forma com que caminhava.
O nariz sempre empinado e a voz superior, além da postura reta e inabalável.
- Perdido, Zylkins?
Silver parou e
tornou-se para trás, com a mão direita na varinha, pronto para sacá-la.
Entretanto, a voz fina e de garotinha denunciou a bruxa mutante de cabelos azuis
e olhos escuros que Zylkins tinha achado muito bonitinha, e acidentalmente quem
havia ajudado-o a derrotar parcialmente Dame Donker. Juliet Stevens.
- Estes corredores
parecem não ter fim – disse ele, audaz. – Você estudou por aqui, não é
mesmo?
Juliet sorriu
marotamente. Seus olhos diminuíram de tamanho e ficaram mais claros.
- Nunca lembravam
muito de mim, ou melhor, não me reconheciam – respondeu divertida,
aparentando sua mocidade e relacionando com o fato de adquirir qualquer aparência.
– Saí daqui a sete anos, acho que ainda lembro de alguma coisa.
E assim, postando-se
ao lado de Silver, Juliet começou a mostrar algumas pinturas ou passagens que
costumava usar assim que fugia da Torre da Lufa-Lufa. E também sobre como uma
filha de trouxas tornou-se uma bruxa renomada e ainda mutante. Toda a sua
descendência bruxa e seu sangue puro.
- Sou adotada –
disse ela, simplesmente. – Nasci em Londres e logo fui adotada pela família
Stevens, completamente, que não tinha sequer a pista de que havia um mundo de
bruxos e todos os tipos de seres aqui mesmo na Inglaterra – Silver levantou as
sobrancelhas, interessado. – Quando recebi a carta de Hogwarts, ganhei todo um
manual de instruções sobre o mundo bruxo, com o livro Hogwarts, uma história.
Somente naquele instante me dei conta do porquê que meus cabelos mudavam de cor
de acordo com o meu temperamento e o porquê de a cada dia parecer cada vez mais
bonita ou mais feia, novamente conforme meu humor.
- Isto deveria ser
divertido... – balbuciou Zylkins sorrindo discretamente.
A bruxa ficou de
cabelos não mais azuis, e sim roxos.
- Então meus pais
permitiram e eu fui selecionada para a Lufa-Lufa. Tá certo que eu passei poucas
e boas aqui, não com a minha turma, mas principalmente com a Sonserina, viviam
me chamando de sangue-ruim – recordou ela, não mais sorrindo. – Mas ainda
assim eu não ligava. Alguns me chamavam de aberração ou coisas parecidas por
causa da minha habilidade mutante, mas todos passaram a me respeitar quando
descobri que fazia parte de uma das famílias mais ricas do mundo bruxo.
Silver ficou
esperando a resposta final de Juliet. Os cabelos foram ficando cada vez mais
roxos.
- Foi numa aula de
Adivinhação – murmurou. – Eu era a filha do meio dos Leons, conhece?
- LEONS?! –
surpreendeu-se Silver. – Até na Alemanha eles são famosos! E o que você
fez?
- Absolutamente nada
– respondeu com simplicidade. – Sou uma Stevens, não quis conhecer minha
família e eles também não quiseram saber de mim.
Zylkins tinha as
sobrancelhas ainda arqueadas. Juliet, ao notar isso, ficou com o cabelo não
mais roxo, e sim vermelho como fogo. Facilmente poderia ser denunciada como uma
Weasley.
- É engraçado
trabalhar com alguém como Snape, digo, ele foi meu professor – riu ela,
contando a Silver e mudando de assunto. – E o que eu mais odiava, poderia
acrescentar. Sempre achou que eu era inteligente demais para estar na Lufa-Lufa
e ficava me testando.
- Na Alemanha as
coisas eram bem mais fáceis – prosseguiu Silver, contente com a conversa. –
Havia apenas duas casas e a disputa era acirrada. Eu adorava cada minuto, ainda
mais quando eram os dias de duelo. Acabei ficando tão bom que me tornei um dos
melhores duelistas do mundo. – gabou-se.
- Mas o que te
motivou? – questionou a garota, indiscreto.
Silver paralisou e
Juliet fez o mesmo. Seu rosto corou independentemente. Juliet se segurou para não
rir, seu cabelo clareando novamente, ficando quase laranja.
- Ah, Stevens! Sabe
como somos quando mais jovens – Silver tinha a mesma idade que Juliet. –
Fazemos qualquer coisa por inúmeros motivos, até os mais idiotas... – Juliet
olhou-o com esperteza e Silver suspirou vencido. – Certo. Mas você tem que me
prometer não dizer nada a ninguém, especialmente a Rawlings.
Juliet cruzou os
dedos em frente de seus lábios e beijou-os, prometendo que não contaria nada a
ninguém. Seu cabelo ficou amarelado.
- Foi por causa de
uma garota – Juliet piscou para ele, confirmando sua certeza. – Eu conhecia
um cara e nós acabamos gostando da mesma garota. Só que ela não parecia
gostar de mim. E então resolvi lutar por ela – Silver ficava cada vez mais
vermelho. – Lutei para conquistá-la e para derrotá-lo. Ele era o melhor em
duelos e eu o superei. Assim, ganhei a garota.
A jovem sorriu,
achando graça na timidez atrás daquela arrogância toda de Zylkins. Girando
sobre seus calcanhares, exibindo o sorriso da vitória, Juliet saiu andando,
deixando Silver para trás. Ele resolveu segui-la. Pouco mais de dois minutos em
silêncio, Juliet parou-o no meio do corredor e indagou:
- E você está com
ela até hoje?
Silver riu.
- Logicamente não,
Stevens – respondeu com um pouco de raiva, belissimamente disfarçada. – Não
poderia.
Juliet franziu a
testa, confusa. Zylkins suspirou e segurou o riso ao notar que o cabelo da
bruxinha mutante estava mais uma vez mudando de cor, tornando-se azul mais uma
vez.
- Ela se casou com
ele – disse rapidamente. – Não adiantou eu ter ganhado o campeonato, ela
amava somente a ele. Nosso relacionamento durou alguns meses, mas não era para
ser, entende?
Stevens concordou
com a cabeça e continuou seguindo o corredor. Então, uma nova e última
pergunta surgiu em sua mente. Tornando-se para Zylkins, o homem já imaginou que
ela estava com vergonha, pois seu cabelo estava novamente vermelho como o de um
Weasley.
- Quem era o tal cara?
Silver empinou o
nariz finalmente, demonstrando toda sua superioridade.
- Meu irmão.
![]()
O
observatório da Torre de Astronomia reservava, além de uma bela visão do céu,
uma plena imagem dos arredores de Hogwarts até seus portões. Para a patrulha
da noite, ali escolhidos estavam Jack Wingnut e Lynn Winter. A mulher tinha os
olhos ligeiramente estreitados e a mente em pensamentos vagos.
- Nós vamos mesmo
continuar fingindo que não nos conhecemos? – ouviu Jack dizer.
Os olhos
estreitaram-se mais ainda e Lynn retornou seu semblante na direção de Wingnut.
O homem tinha aquele cabelo escuro e tão formidável, que ficava bem de
qualquer jeito, estivesse desgrenhado ou até com gel.
- Certo – disse
ela, em forte tom. – Que novidades tem para mim, Jack?
- Novidades? –
estranhou o homem, sorrindo.
Lynn não achou graça
nenhuma. Ela deu as costas.
- Na nossa primeira
reunião há alguns meses você evitou olhar direto a mim, sem contar que fingiu
perfeitamente que não me conhecia – brigou Lynn exasperada. – Será que você
tem tanta vergonha assim?
- Vergonha? –
Wingnut levantou as sobrancelhas. – Nós fomos ótimos amigos na Corvinal,
Lynn. Pensa que eu me esqueci disso? Teria vergonha por quê? – Lynn cruzou os
braços, nervosa. – Talvez de ter te ocultado dos meus planos sobre o
campeonato de arco e flecha, mais nada...
Um sorriso nervoso e
irritadiço apareceu no rosto de Winter.
- Você me deixou
naquele quarto, esqueceu? – a face de Lynn ia ficando vermelha aos poucos. –
Fui louca o bastante de dormir com você e pelo menos esperava um pouco de
consideração – agora foi a vez de Jack ruborizar. – Você saiu na manhã
seguinte, quer dizer, você sumiu! E só fui descobrir que você tinha esse
plano de viajar para o torneio quando te vi na capa do Profeta Diário. Que belo
melhor amigo, não acha?
Jack engoliu em seco
e ergueu as sobrancelhas, sentindo-se extremamente culpado. Wingnut formou-se em
Hogwarts pela Corvinal há mais de dez anos e tinha tudo para ser um dos
melhores arqueiros do mundo. Então, em seu sétimo ano, iniciou uma corrida
para juntar dinheiro a fim de ingressar no Torneio de Arco e Flecha Mundial Mágico.
Desde seu quinto ano namorou uma garota loira da Lufa-Lufa e naquele mesmo ano
decidiu que a pediria em casamento, mais por conforto do que por amor.
Entretanto, a jovem e sua família fora uma das vítimas da Era do Terror e
morrera antes de completar o último ano de Hogwarts. Jack parecia que não
poderia recuperar-se de um choque como aquele, porém sua melhor amiga nos
tempos de Corvinal, Lynn Winter, uma baixinha sem muita graça e com cara de
enjoada, conseguiu levantá-lo. A jovem ficara pouco mais de um ano sem ver Jack
e reencontrou-o a tempo de salvá-lo de um fracasso. Só que ele não contava
que Lynn aparecesse tão mudada e divinamente bela. Jack acabou por apaixonar-se
e Lynn também. E na primeira vez em que deitaram juntos, no dia seguinte Jack a
abandonou. Deixou-a para trás pelo Torneio, que começaria dali uma semana, mas
principalmente por medo. Medo de ficar ali e não querer mais sair do lado dela.
- Eu nunca tive a
oportunidade de procurar você, Lynn – respondeu Jack com pesar. – Assim que
eu me tornei o melhor do mundo, eles me sugaram! Eu não parei durante cinco
anos e voltei pra minha casa, pra minha família, pra você. Eu sinto muito.
Lynn observou de
longe os limites de Hogwarts, estava tudo tranqüilo.
- Mas fingir que não
me conhecia! Isso fora demais! – ralhou Winter exaltada.
Jack encarou-a e
puxou os braços da mulher em sua direção, para poder beijá-la. Entretanto,
Lynn levantou sua mão esquerda e mostrou uma aliança de brilhantes e uma única
safira no centro. Jack arregalou os olhos.
- Você chegou tarde
demais, Jack – disse ela, a voz embargada. – Estou noiva do Joseph.
Quando Lynn esperava
que Jack a soltasse, o homem fez o contrário. Aquela aliança não impediria o
melhor arqueiro e flecheiro do mundo. Se Jack a queria de volta, a teria. Então,
Jack alcançou os lábios de Lynn com rispidez e a beijou.
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NO PRÓXIMO CAPÍTULO:
Hagrid desapareceu por alguns meses e Harry decide descobrir o problema. Só que quando encontra o gigante adorável, Hagrid não é o mesmo, ou pelo menos não aparenta. E o quê aconteceria quando o mesmo Harry quisesse bisbilhotar a Penseira de Sirius Black, seu padrinho? De que forma as lembranças do tempo de Lílian e Tiago Potter afetariam-no?
Mate a saudade dos Marotos em "CRUZANDO ERAS ATÉ O DESTINO"
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