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NO CAPÍTULO ANTERIOR
Os
padrinhos de Harry começam a procurar ajeitar tudo antes da prometida e tão
esperada viagem em "família". Um novo personagem, a simpática e
melosa elfo doméstico, chamada Prisma, surge trazendo uma série de futuras
confusões. Agora, Harry finalmente volta com tudo, mostrando que as aparências
enganam ao conhecer melhor a casa que cheirava a repolho e a gatos.
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CAPÍTULO
DOIS – DEIXANDO HOGWARTS PARA TRÁS
A claridade atingiu seus olhos
vagarosamente. Logo, estava olhando para o velho armário de seu quarto.
Entretanto, por pouco tempo. Apenas quatro dias. Isto era o que Harry deveria
esperar para juntar-se a sua nova família e poder deixar os Dursley para trás.
Colocou os pés para fora da cama, alcançando o chão facilmente. Caminhou até
o banheiro e lavou o rosto, escovando os dentes em seguida. Olhou-se no espelho
e encontrou algumas pontas vermelhas perto de sua cicatriz. Espinhas. Não se
importou e procurou descer rapidamente para a primeira refeição.
- Duda, querido, largue este brownie!
Petúnia
não possuía qualquer poder sobre seu filho. Duda, agora com o dobro do
tamanho, comia um pedaço de bolo de chocolate com vontade no meio do café da
manhã. Como sempre, tio Válter ajeitava a gravata, seu bigode e lia o jornal
ao mesmo tempo. Harry sentia uma felicidade imensa ao saber que logo estaria bem
longe dessa atmosfera falsa e abominável.
Terminado a refeição, Harry subiu diretamente ao quarto e pegou uma
troca de roupa dentro do armário, seguindo para o banheiro. Ao sair, espalhando
um ar quente pelo corredor, ouviu os passos pesados de Duda subindo as escadas.
Harry fez questão de acelerar o passo, mas não conseguiu impedir o primo com
cara de porco entrar em seu dormitório.
Duda estava sentado em sua cama, olhando para todos os lados agitado.
Harry tentou argumentar para que o garoto saísse. Quando estava quase
conseguindo, Duda viu o que não deveria.
Ao lado de sua cama havia uma mesa de cabeceira. O primo trouxa estendeu
seu braço gordo e colocou entre os dedos cheios um porta-retrato querido.
Harry, imediatamente, imaginou que a foto estava parada. Ouviu Duda exclamar:
- Nossa! Quem é ela?! Quem é ela?!
Harry respirou fundo e aproximou-se do primo, tentando arrancar o
porta-retrato de suas mãos. Em vão. Velozmente, Duda estava no andar de baixo,
mostrando a foto para tia Petúnia. Harry não deixou de dar um tapa na própria
testa.
- Moleque! Quem é esta menina? – gritou Petúnia.
O garoto colocou a cabeça para fora da escada, onde pudesse ser visto.
- Não é da conta de ninguém! – respondeu mal humorado, descendo a
fim de recuperar a foto.
- Enquanto você estiver dentro da minha casa, tem que me obedecer!
Harry soltou uma gargalhada.
- Talvez eu possa chamar meu padrinho para pegá-lo da sua mão.
Imediatamente, Petúnia soltou o porta-retrato, devolvendo-o na mão de
Duda, que correu até Harry, entregando-o. O garoto sentiu-se satisfeito, mas
quando estava quase subindo, ouviu uma mulher perguntar:
- Ela é sua namorada, Harry?
Harry virou-se para trás e encontrou um rosto conhecido. Era a senhora
Figg, mãe de Arabella e componente do Ministério da Magia. Porém, a bruxa
gostava de parecer trouxa e instalou-se em Londres, longe das vilas de bruxos.
Ela também se casara com um trouxa. Mas o importante era que ela era mãe de
sua madrinha, e isso era sinal que, provavelmente, Arabella estava em sua casa.
- Ah! Olá, senhora Figg. Havia mesmo me esquecido – dizia Petúnia em
tom desprezador. – Menino, você ficará esta noite com a senhora Figg. Pegue
suas coisas e saia já. – virou-se para Harry.
O garoto sequer relutou, subindo até seu quarto e pegando apenas algumas
coisas. Desceu como num foguete e juntou-se da senhora. Não se despediu de Petúnia
ou Duda e atravessou a rua. Estava prestes a encontrar um novo mundo. E do outro
lado da rua.
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“E pensar que um dia, achei que ela fosse uma velha maluca”.
Foi esse o primeiro pensamento de Harry ao entrar na casa da Sra. Figg após
saber quem ela realmente era.
A casa era como outra qualquer. Escadas, sofás, televisão, rádio de
pilha, vídeo cassete. Nenhum trouxa diria que aquela casa poderia ser habitada
por um ser mais diferente que a velha Arabella Íris Figg.
- Pensando em como posso viver como uma simples velha trouxa, Harry? –
indagou a mulher, com a voz já ligeiramente desgastada pelo tempo.
- Não, não. – respondeu o garoto tímido.
A Sra. Figg arriscou um sorriso maroto.
- Eu sei que sim. Minha filha ainda não lhe disse sobre o dom que minha
família carrega? – Harry lembrou-se da conversa no começo do ano com
Arabella. – Sim, ela disse.
A velha indicou-lhe um dos sofás para que o garoto pudesse sentar. Harry
fizera questão de pegar, escondida dentro de suas vestes, sua varinha. A Sra.
Figg sentou num outro sofá à frente, oferecendo-lhe uma xícara de chá. Harry
agradeceu, mas não aceitou. A mulher pigarreou após o primeiro gole da bebida
e disse:
- Sei que você imaginava que Bella pudesse estar aqui, mas ela anda
ocupada demais.
Harry não escondeu um sorriso desapontado. A Sra. Figg levantou de seu
assento e percorreu até uma de suas cômodas. Harry lembrava-se bem daquela
cena. Logo, a velha estaria trazendo um monte de álbuns de fotos. Só que de
seus milhares gatos. O garoto sentiu uma pequena turbulência em sua mente. Não
havia nada mais entediante que aquilo. Nem as aulas do professor Binns, de História
da Magia.
Porém, para sua surpresa, a senhora sentou ao seu lado e abriu a
primeira página de um dos álbuns, fazendo Harry abrir um grande sorriso: nela
estavam seu pai, sua mãe, Sirius e Arabella.
- Acho que teremos uma tarde e tanta, não é? – arriscou a Sra. Figg,
satisfeita ao ver os olhos de Harry brilharem.
Eram cerca de dez álbuns. Harry sentiu-se extremamente excitado com a
chance de saber cada vez mais sobre seus pais. Eram fotos e mais fotos, contando
histórias magníficas. Elas eram de Arabella. Muitas exibiam jogos do
campeonato de quadribol de Hogwarts, onde Harry via seu pai em cima de uma
vassoura, entrando e saindo da figura.
Em um dos últimos álbuns, uma foto chamou a atenção de Harry.
Enquanto a Sra. Figg ria e fazia mistério de casa foto, calou-se diante
daquela. Estava reunida a turma. Tiago e Lílian estavam abraçados, Lupin dava
um beijo numa bochecha de uma bela mulher, com seus vinte e poucos anos, Hariel
Dumbledore, com um longo e magnífico vestido branco, Pedro com um copo de
cerveja amanteigada na mão esquerda, e Arabella e Sirius com os braços entrelaçados.
- Que é que tem nessa foto?
A Sra. Figg suspirou. Mas não parecia estar chateada, parecia um tom de
arrependimento.
- Foi o dia do casamento de Sirius e Hariel – Harry levantou os olhos
rapidamente para a senhora. – Nós não imaginávamos que eles seriam... bem,
eles se amavam demais.
Harry notou certa melancolia na Sra. Figg, mas preferiu nada comentar.
Ficaram toda a tarde divertindo-se diante de tantas lembranças. Jantaram e a
senhora tratou de arrumar um quarto para Harry. O aposento era de coloração
escura, mas extremamente aconchegante.
- Durma no quarto de Arabella – disse a Sra. Figg, indicando o banheiro
no final do corredor, encostada na porta do quarto. – Está mais bem
organizado que o outro. Qualquer coisa que quiser ou sentir falta no meio da
noite, pode pegar, certo?
Harry agradeceu e deixou que a senhora desse “boa noite” e fechasse a
porta do dormitório. Harry trocou-se, colocando seu pijama vermelho, e
deitou-se na cama. Um perfume gostoso de camomila estava impregnado no
travesseiro branco. Era o perfume de Arabella. Harry sentiu-se dormir com a própria
mãe, mesmo sem conhecer o verdadeiro perfume de Lílian Potter.
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Acordou no meio da noite sem
sono. Já virara rotina desde que lembrava ter aqueles pesadelos apavorantes.
Seu quarto era pequeno, quente e escuro. Puxou a corda de seu dossel e colocou
os pés no chão. Uma brisa fria entrou pela janela entreaberta. A lua estava
minguante, ou crescente. Nunca soubera distinguir uma da outra. Bocejou, ainda
com um resto de sono. Mas, dali para frente, estava desperta como uma coruja na
noite. Calçou um par de chinelos de lã, colocou por cima da camisola azul um
roupão, também de lã, e dirigiu-se até a porta que dava para fora de seu
dormitório.
O corredor não estava escuro, para sua surpresa. Os candelabros estavam
acesos e vacilando levemente de acordo com a quantidade de ar que viajava entre
eles. Sentiu o estômago roncar. A fome batia em plena madrugada. “Estou faminta!”, pensou relutante à idéia de ir até a
cozinha àquela hora. Ouviu seu estômago roncar novamente. “Não tem jeito”, decidiu. Mudando o curso, acelerou o passo até
a cozinha.
Vazia, teve toda a liberdade de pegar o quanto quisesse. Cortou um pedaço
de pão do dia anterior e encheu com pasta de amendoim. Deu a primeira mordida e
quase caiu no chão de tanta felicidade. Logo em seguida, a sede habitou sua
garganta em contraste com a doçura excessiva da pasta. Serviu-se de um copo de
leite gigante. “Agora posso voltar para
o quarto”, pensou, desejando continuar a dormir, por mais impossível que
isso parecesse acontecer.
Caminhando de volta ao seu dormitório, viu uma luz mais intensa vindo da
biblioteca. Não deixou por menos e mudou seu curso original novamente, entrando
no âmbito. Não ficou surpresa ao vê-lo naquela sala mais uma noite.
- De novo? Você não dorme mais não?
O homem levantou as vistas e tentou sorrir. Parecia sedento por uma cama
macia e quente. Olheiras faziam seus olhos coloridos – algumas vezes estavam
castanhos, outras azuis, outras verdes – sumirem do alcance de sua visão.
- Isto é importante, Ametista. Não adianta você aparecer aqui toda
noite e tentar me convencer a render-me a uma cama.
A garota sorriu diante do homem. Aproximou-se e sentou ao seu lado,
esticando o pão com amendoim para ele.
- Não me tente! – ralhou o bruxo, rindo em seguida.
- Você pelo menos precisa comer!
Não resistiu e mordeu um pedaço do pão. Agradeceu timidamente.
- Agora que já teve seu momento, poderia me deixar sozinho? – pediu
Lupin discreto. – Realmente preciso terminar isso. Logo.
Ametista soltou o ar pelo nariz relutante e aborrecida.
- E se eu ficar aqui, quietinha? Prometo não interromper nada! Eu perdi
o sono...
- Insônia? – Ametista afirmou com a cabeça. – Eu tive isso durante
muitos anos. Nada que um copo de leite não resolva.
Lupin permitiu que a garota ficasse sentada ali, observando-o. Achava que
seria melhor que ela estivesse ao alcanço de sua vista. Mesmo que fosse de
madrugada. Logo, Ametista estava adormecida, apoiando a cabeça nos braços
cruzados sobre a mesa. Lupin sorriu.
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No dia seguinte, Harry despertou
com um grande entusiasmo. Agora, eram apenas três dias para a liberdade.
Dursley, somente dali um ano. Trocou-se e escovou os dentes no banheiro.
Aproveitou e tentou dar um jeito no próprio cabelo. Desistiu ao final.
Chegando perto da escada, ouviu murmúrios vindos do andar de baixo. Uma
voz conhecida seguia animada. Harry estranhou e desceu os degraus lentamente.
Caminhou devagar até a porta da cozinha e viu, saindo de trás da porta do âmbito,
sua madrinha, Arabella.
- Bella! – gritou surpreso.
A bruxa tornou-se para o garoto e aproximou-se dele, abraçando-o. Em
seguida, deu um beijo carinhoso em sua bochecha direita, fazendo Harry corar.
- Feliz em me ver? – indagou a mulher, com um grande sorriso.
- Onde está o Sirius? Eu pensei que ele estivesse com você. –
perguntou Harry curioso.
Arabella puxou uma cadeira da mesa para o afilhado sentar. Harry observou
a Sra. Figg surgir da porta dos fundos, com um punhado de ervas verdes nas mãos.
Agradeceu pela noite.
- Sirius e eu corremos muito durante estes dias, Harry. Tínhamos muitos
problemas pendentes a serem resolvidos com a maior urgência. Mas, agora, já
está tudo quase finalizado. Depois, poderemos viajar em paz, certo?
O jovem abriu um grande sorriso branco. A Sra. Figg colocou três xícaras
sobre a mesa e encheu-as com leite e café quentes. Harry deu um grande gole em
uma delas.
- Já falou com Hermione e Rony? – indagou Arabella, mordendo um pedaço
de torrada.
- Já. Pedi que eles viessem aqui pela manhã depois de amanhã. Eles vão
conosco. – respondeu Harry.
- Os Dursley vão realmente recebê-los? – estranhou a Sra. Figg.
- Bem, eu estava pensando em...
- Tudo bem, Harry. Eu posso recebê-los aqui. É melhor. – disse a Sra.
Figg, antes mesmo que Harry pudesse pensar na resposta.
- E Ametista? – questionou Arabella, mais uma vez.
Harry engoliu em seco. Ele ainda não havia falado com Ametista. Não
tinha nem idéia de onde ela poderia estar.
- Não. Não consegui falar com ela.
Arabella lançou um olhar duvidoso e até malicioso para o afilhado.
- Ela está em Hogwarts. Eu falarei com o Dumbledore, certo? – tentou a
madrinha, sorrindo.
Harry não conseguiu agradecer. Seu coração disparou de felicidade. Foi
então que outra coisa tomou sua mente.
- E o Sirius? Digo, ele vai...
- Eu falo com o Sirius também – completou Arabella insistente. – O
problema do seu padrinho é que ele é rabugento e orgulhoso demais! Mas,
escute, eu ainda vou acabar com isso.
Os três riram, continuando com a refeição da manhã. Arabella
despediu-se de Harry logo depois do término da refeição, e aparatou. Após as
dez horas, Harry deixou a Sra. Figg, voltando para a casa número quatro da rua
dos Alfeneiros. Esboçou duas cartas iguais para Rony e Hermione, enrolando-as
na perna de Edwiges, que se animou. Ela andava querendo uma viagem mesmo.
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- Eu disse para não dormir na
biblioteca, Ametista.
Estavam sentados numa das mesas do salão principal Ametista, Lupin,
Dumbledore, Minerva e Snape. Os outros professores estavam em suas casas. O
mestre de Arte das Trevas passava um pequeno sermão sobre Ametista, que
reclamava de estar com o pescoço dolorido.
De repente, uma imagem surgiu no meio do salão. Ametista pôde observar
os olhos de Lupin tornarem-se um pouco mais brilhantes e mudarem do típico
castanho claro para o azul.
Arabella estava caminhando até a mesa onde se sentavam, deixando suas
vestes negras dançarem de acordo com o movimento de seu corpo. A mestra ainda
mantinha a mesma postura ereta e bela. Filch havia permitido sua entrada no
castelo.
Dumbledore levantou-se e deu um abraço na mulher, dizendo:
- Estávamos todos com saudades – Arabella corou. – Conseguiram
ajeitar os últimos preparativos?
- Ainda não – respondia a bruxa em tom seco. – Precisamos decidir o
roteiro ainda. Sei que Sirius achará algo ruim...
Dumbledore e Minerva riram. Lupin abaixou os olhos levemente e todo o
brilho que aparecera tão repentinamente, sumiu da mesma forma.
- Talvez você queira acompanhar-nos no café? – indagou o diretor,
indicando-lhe uma das cadeiras da mesa.
- Não, obrigada Alvo. Na verdade, eu vim aqui para falar com o senhor
– Dumbledore franziu a testa ligeiramente. – É sobre as férias de
Ametista.
Imediatamente, a garota levantou os olhos esperançosos e, ao mesmo tempo
receosos, para Arabella. Assim como Snape, que pela primeira vez dirigia a
palavra a alguém naquele salão.
- Como assim, Figg?
Arabella respirou fundo, respondendo:
- Você me ouviu muito bem, Severo – os lábios do mestre crisparam.
– Eu e Sirius levaremos Harry, Rony e Hermione em uma viagem e achamos uma boa
idéia convidar Ametista também.
- Achamos? – estranhou Snape.
– Porque eu sinto que a idéia não foi muito bem aceita pelo Black? –
incitou Snape esperto.
A certa alegria desapareceu do rosto de Ametista. A garota lembrou-se de
toda a confusão no último mês e podia-se dizer que ela estava longe de
recuperada do tranco que levara. E é claro que Sirius tinha sua grande parcela
na história.
Arabella estreitou os olhos, raivosa. Snape ouviu dentro de sua mente uma
voz dizer: “Não se meta onde não fora
chamado!”. Agora, Arabella tinha também o poder de entrar na mente das
pessoas?, pensava o professor confuso.
- Ao contrário do que pensa, Severo, Sirius está de total acordo em
convidar Ametista para viajar conosco. – respondeu Arabella a Snape em tom
vitorioso.
Ambos ficaram trocando olhares ameaçadores enquanto Dumbledore levantava
uma das mãos interrompendo a possível discussão entre eles.
- Acho melhor conversarmos na minha sala, Arabella. – disse o diretor,
chamando a bruxa.
Na sala do professor, Arabella apoiou-se cansada numa das cadeiras à
frente da comprida mesa. O velho diretor sentou-se no próprio assento atrás do
móvel.
- Presumo que estes dias tenham sido muito cansativos a vocês. – começou
Dumbledore pretensioso.
- Eu já imaginava, Alvo. Seria complicado encontrar Prisma – os olhos
de Dumbledore tornaram-se mais serenos. – E ainda tinha o casarão. Sem contar
que, agora, Sirius teve de correr atrás de materiais e tantas outras coisas
para o trabalho...
Dumbledore sorriu repentinamente. Arabella não escondeu que ficara
intrigada.
- O que houve? – indagou estranhando o comportamento do homem.
- Eu é que deveria estar fazendo essa pergunta, Arabella – a mulher
franziu suas finas e desenhadas sobrancelhas. – Você está diferente.
Arabella ficou um tempo paralisada, concentrando seus olhos nos de
Dumbledore, enquanto o diretor sequer importava-se. Logo depois, a bruxa abaixou
a cabeça.
- Não deve sentir-se culpada por nada, Arabella – disse Alvo diante da
reação da mulher. – Eu sempre soube disso, mas você nunca quis aceitar. E não
sou somente eu que percebo isso. Remo também sabe.
Arabella levantou a cabeça rapidamente. Seus olhos estavam arregalados.
- Remo? Mas, como...?
- Como você descobriu que não era de você que ele
gostava? – interrompeu-a o diretor. Arabella sabia que não era mais de Remo
que Dumbledore estava falando. – Você apenas descobriu porque você o amava.
Assim como Remo sabe que você não o ama também.
Arabella sentiu um peso enorme sobre seus ombros. Uma velha imagem veio
à sua cabeça. Ela estava postada no meio de roseiras, dançando calmamente nos
braços de um garoto. Ao final da dança, ele olhou no fundo de seus olhos e ela
descobriu que ele a amava. Beijou-a apaixonadamente.
- Você deveria resolver esta situação. – interrompeu seu pensamento
o diretor.
Arabella pigarreou e recuperou a postura superior.
- E sobre Ametista? – retomou, estando claramente perturbada.
- Bem, Hogwarts precisaria mesmo ser desabitada por uns dois meses, então
acho que não há problemas em deixá-la com vocês.
- Estão vindo reforçar os encantamentos?
- Sim. Não podemos mais deixar que Hogwarts seja invadida por qualquer
um sem que haja uma autorização.
Arabella concordou em silêncio. Sua cabeça podia responder ao diretor,
mas sua mente estava bem longe dali.
- E... Sirius estava realmente de total acordo? – indagou Dumbledore ao
final.
Arabella hesitou, mas respondeu:
- Acho que o coração dele andou amolecendo.
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Ametista estava levantando-se da
mesa do café enquanto Snape observava a garota atentamente. Lupin e Minerva já
tinham deixado o salão.
- Você realmente irá viajar com o Black? – indagou o professor em tom
seco e austero.
Ametista não respondeu. Continuou seu caminho até a saída do âmbito.
Snape não deixaria por menos. A garota estava sem trocar uma palavra com ele
desde a última discussão sobre o pai de Ametista. Agora, ela parecia deixá-lo,
para passar dois meses com o último homem que Snape era capaz de aceitar:
Sirius Black.
O mestre correu até ela e impediu-a de sair do salão, parando à frente
da porta. Ametista cruzou os braços na altura do peito.
- Você não respondeu a minha pergunta.
A garota permaneceu calada. Snape retomou.
- Irá viajar com o Black?
Ametista pensou seriamente e encarou Snape finalmente, após cerca de
vinte dias. Os olhos do mestre estavam desesperados por uma resposta plausível
e esperançosa.
- Se isso te faça sofrer um pouco mais, sim, eu irei.
Snape perdeu todas as forças diante daquela resposta. Mas, ao vê-la
ultrapassá-lo, agarrou seu braço e a trouxe para junto de si.
- Você vai querer realmente passar dois meses com o homem que desejou a
sua morte e a da sua mãe mais que tudo na vida?!
Ametista engoliu em seco e conseguiu livrar-se de Snape. Fingiu não se
importar, mas ao alcançar seu quarto perto da ala hospitalar, sentiu o coração
diminuir de velocidade, deixando-a levemente sem reação. Como seriam aqueles
dias com Sirius Black?
Entrando no dormitório, encontrou a face amistosa do avô. Ele
observava-a com compaixão.
- Você viajará com Arabella, certo?
Ametista abriu a boca, mais nenhum som saiu.
- Sei que deve estar nervosa em relação a Sirius, mas isto só servirá
para aproximar mais um ao outro. Espero que seja de seu gosto.
“Do meu gosto? Não sei se isso
será uma boa idéia”, pensava a jovem sentindo-se despreparada para mais
um encontro com o homem que fora seu pai. Ametista preferia pensar que Sirius
Black era seu pai. Voldemort? Ela fizera questão de riscar de sua lista.
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Na noite anterior à saída de
Ametista, Dumbledore decidira fazer um jantar com a neta em particular. A garota
não escondia o fato de tentar evitar a viagem com aquele homem. Temia definhar
na frente de Sirius. Mostrar suas fraquezas. Mas não deveria, já que ele nunca
faria isso a ela também. Não. Eles odiavam-se e nada iria mudar isso.
Ao final do jantar, Lupin adentrou no âmbito. Ametista virou-se para o
mestre e ficou boquiaberta. Remo trajava roupas quentes e levava em sua mão
esquerda uma mala de viagem, já velha, e que continha seu nome numa das
manivelas. Na mão direita estava um guarda-chuva e um chapéu que acabara de
tirar da cabeça.
A jovem levantou-se confusa e levou os olhos até a mala que estava
postada no chão de piso da sala. Concentrou depois, seus olhos azuis nos do
professor.
- Aonde você vai? – indagou Ametista curiosa.
- Embora. – respondeu o mestre secamente.
Ametista arregalou os olhos diante da resposta. Dumbledore acenou para o
mestre e deixou o lugar.
- O que?! – perguntou novamente temerosa.
Lupin suspirou num tom jamais visto por Ametista.
- Eu estou indo embora de Hogwarts. – repetiu seriamente.
- Mas... como?! Digo, ir embora?! Nas férias ou...
- Não sou mais professor da escola. Não sei mais quando irei voltar.
Lupin respondia sem emoção, como se falasse sobre o tempo com um elfo
doméstico. Ametista estava chocada com a notícia. Não sabia o que responder.
Nada vinha a sua mente. Ficaram em silêncio, seus olhos encarando-se. Então,
Ametista falou:
- Você é meu guia. Você mesmo disse isso!
- Eu fui seu guia, Ame...
- Não! Você deveria continuar sendo!
- As coisas não são tão fáceis quanto você imagina, querida...
Ametista sentiu seus olhos marejarem. Era a primeira vez que Lupin falava
daquela maneira com ela. Estava sendo carinhoso como, talvez, nunca ninguém
tivera sido antes. Era um tom paternal, protetor.
- De que adianta você me chamar de querida
agora se não está nem pensando em como isso pode ser terrível para mim?!
Lupin abaixou a cabeça. Sentia-se culpado. Ametista aumentava o volume
de sua voz, numa chance de deixá-lo exatamente do jeito que ele estava.
Culpado.
- Você foi o primeiro em que confie aqui em Hogwarts! Você foi o
primeiro que eu me senti à vontade o bastante para contar os sonhos que ninguém
acreditava que eu tinha! Você foi o único que se importou quando houve aquela
confusão com as estátuas, foi o primeiro que me deu um voto de confiança!
Confiança que nem mesmo meu avô havia depositado em mim!
Ametista continuaria se pudesse, mas não pôde. Observou caírem algumas
lágrimas dos olhos – agora verdes – do professor. A garota ficou quieta,
esperando que ele fizesse algo. Mas, apenas ficou paralisado, deixando suas emoções
transbordarem pela primeira vez. Ametista, então, decidiu aproximar-se do
mestre e abraçou-o de modo desconfortável, mas que expressava seus sentimentos
por ele. Gratidão, principalmente. Lupin abraçou-a também, sentindo um calor
estranho passar do corpo dela para o dele. Separam-se depois de um tempo.
Lupin concentrou seus olhos no fundo dos de Ametista.
- Eu não posso ver alguém que eu amei minha vida toda com outra pessoa.
É por isso que estou indo embora.
- É a professora Figg, não é?
- É tão fácil assim de perceber?
Ametista sorriu. Lembrou-lhe do baile dos namorados no começo do ano,
promovido por ele mesmo. Lupin e ela dançavam, enquanto observava Arabella no
outro lado da sala.
- Eu entendo você – disse Ametista por fim. – Mas não quero que você
deixe de me visitar ou, quando precisar falar com você...
Lupin mexeu em seu bolso desajeitado e retirou de dentro um espelho
pequeno, com moldura prateada e trabalhada, em forma de uma lua cheia. Ametista
virou o rosto.
- Eu quero que você aprenda a perder o medo disso. Se você quiser me
ver ou falar comigo, terá de chamar-me pelo espelho. Terá de encará-lo.
A jovem tornou-se de volta a face de Lupin. O professor abriu a palma de
sua mão direita e colocou o espelho, fechando-a em seguida. Ametista agradeceu.
Lupin levou seus dedos ao rosto da garota.
- Eu ainda lembro quando você era apenas uma menininha.
A neta do diretor deixou-se sorrir levemente. Lupin envolveu seu rosto em
suas mãos carinhosamente e disse:
- Dê uma chance a Sirius. Ambos merecem isso. E dê uma chance ao Harry
também. Você merece isso.
Em seguida, levou seus lábios até a testa da jovem e encostou-os
delicadamente. Ele ouviu ela murmurar: Por
que não é você o meu pai? E respondeu no seu tom calmo e passivo:
-
Eu fui um dia, eu fui.
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NO PRÓXIMO CAPÍTULO:
A seguir, Harry faz festa - o dia tão ansiado chegara. Com o enorme desejo de abandonar os Dursley, Harry começa a contar os segundos para o encontro com seus verdadeiros familiares e amigos. Só que o nosso protagonista não contava com uma visitinha, que causará uma confusão dos diabos! E, como uma típica estória, um pouco de romance, renascendo um sentimento há muito guardado.
Divirta-se
em "REVIVENDO O PASSADO".
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