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NO CAPÍTULO ANTERIOR:
Diante da morte de Ametista, Remo Lupin volta a estória e une-se a Sirius Black e Severo Snape para tentar reviver a garota. Ultrapassando algumas complicações e desafiando normas impostas pela natureza, o trio encontra apenas uma solução: realizar um Pacto de Sangue - uma das mais perigosas e proibidas ações do mundo dos bruxos. Com a ajuda de um livro feito por Slytherin, os três arriscam-se a tomar em suas mãos a vida de Ametista. O espectro de Tiago Potter aparece para Sirius, que decide doar seu sangue para refazer o da jovem. Mas o Pacto havia falhado...
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CAPÍTULO
DEZESSETE - REMITTERE
Uma garoa fraca caía há mais de
dois dias. O clima frio e úmido que anunciava a chegada do inverno. A
temperatura baixa provocava um certo arrepio. A luminosidade do dia atingia as pálpebras
e esquentava o leito. Era pôr-do-sol. Os cobertores cobriam-no até o pescoço,
a cabeça estava apoiada em dois travesseiros, fofos e grandes, os pés
envolvidos em meias. Seus olhos abriram após muita insistência. Estavam
doloridos, assim como a ponta de seus dedos das mãos, rígidos e gelados.
Respirou fundo e tossiu fortemente uma única vez. Piscando, finalmente,
levantou as mãos até a altura dos seus globos oculares e os apertou, na
tentativa de vê-las melhor. Cada ponta estava branca e o restante estava róseo.
Talvez fosse apenas o contraste da luz. Tossiu novamente. E foi assim que
despertou a atenção da mulher que, agora, corria em sua direção.
- Sr. Black! Professor Black! – chamou a primeira vez, mas pareceu
corrigir depois. – O senhor acordou!
Sirius chegou a franzir a testa. O que havia de tão especial em ter
acordado? Forçando a visão mais uma vez, pôde reconhecer a expressão
contente e, ao mesmo tempo, aflita de Madame Pomfrey. Então, ele estava em
Hogwarts. Mais precisamente na Ala Hospitalar. E vivo.
O momento seguinte foi assustador. Como num turbilhão, inúmeras imagens
começaram a aparecer em sua mente. O rosto relutante de Arabella ao vê-lo
fugir do Bar em Hogsmeade, o sorriso do Comensal David Adams, a Casa dos Gritos
debaixo daquela tempestade, o dia virando noite, Snape pedindo sua ajuda, o
reencontro com Lupin após quatro meses, as centenas de frascos coloridos e dançantes,
os versos em latim, o punhal prateado, a terrível dor ao enfiá-lo no antebraço
esquerdo, a imagem de Tiago acariciando os cabelos de Ametista. Ametista.
Ametista.
Não possuía forças para se levantar ou mesmo para gritar algo a Madame
Pomfrey. Queria informações sobre Ametista. Afinal, se ele estava ali,
Ametista também havia sido encontrada – ou deveria. E foi num choque que a última
imagem vista por Sirius naquele dia apareceu em sua mente. O feitiço não havia
funcionado. As narinas de Ametista deixavam escapar um líquido negro. Aquele
era o primeiro indício de que a mistura de sangue real e não-real havia dado
errado.
Tudo pareceu acontecer muito rápido para Sirius, mas na realidade,
Madame Pomfrey estava parada ao seu lado, chamando-o freneticamente, há mais de
cinco minutos. Sirius chacoalhou a cabeça levemente, e encarou a enfermeira.
- O senhor ainda precisa de repouso – disse ela, num tom preocupado.
– Chamarei o diretor e a professora Figg. Ela vem aqui sempre que pode, estava
começando a me deixar nervosa – Sirius arriscou um sorriso. – Nem pense em
se levantar! – ordenou a enfermeira ao final.
Mesmo que quisesse, Sirius estava cansado e fraco demais para pensar em
levantar daquela cama. Suspirando, ansioso, ergueu o braço esquerdo ao alcance
de seus olhos e notou que estava enfaixado. Provavelmente, restaria daquele
ritual uma bela cicatriz.
Não demorou muito até que Madame Pomfrey retornasse, acompanhada por
alguém. Sirius estava novamente apertando os olhos e pôde respirar aliviado. O
rosto tão lindo e confortante de Arabella vinha em sua direção. A mestra
caminhava apressada, deixando que suas vestes negras a seguissem e acompanhassem
o movimento de seu corpo. Logo que sua face chegou mais perto, Sirius notou
profundas olheiras na mulher. Sua expressão estava cheia de pesar e apreensão.
Os olhos negros concentrados em seu rosto. E diante daquela recepção, Madame
Pomfrey deixou-os. Arabella lançou um olhar a Sirius e ele deu-lhe uma
piscadela. Sua inquietação pareceu amenizar-se por um momento. A mulher
sentou-se na beira da cama e sorriu acanhada.
- Oh, Sirius! Você não imagina como fiquei preocupada com você durante
esse tempo!
O bruxo, apesar de muito fraco, ergueu-se e conseguiu sentar na cama. No
instante seguinte, Arabella estava envolvendo-o num abraço amoroso. Sirius
fechou os olhos, sentindo uma felicidade imensa por tê-la novamente em seus braços.
- Estou tão feliz por vê-lo assim! – comemorou Arabella sorrindo. –
Poder te abraçar de novo, te beijar de novo...
Passando os dedos pelo rosto do homem, que estava parcialmente tomado
pelos pêlos, Arabella lançou seus lábios até os de Sirius. Não havia como
negar. Sirius sentiu que uma parte de sua energia voltou assim que reconheceu o
beijo de Arabella. A mulher estava transportando energia de seu corpo para o
dele. Sirius afastou-se após longos minutos e conseguiu sorrir completamente,
como num agradecimento.
- Nós temos muito que conversar – disse ela seriamente. – Sobre isto
aqui. – Arabella tocou delicadamente o antebraço esquerdo de Sirius,
enfaixado.
Finalmente, Sirius conseguiu articular palavras. Parecia que não usara a
voz por um tempo enorme.
- Eu quero saber sobre Ametista. – pediu tão sério quanto Arabella.
A mulher engoliu longamente e arqueou as sobrancelhas, no típico tom
autoritário.
- Você sabe quanto tempo ficou nessa cama, Sirius? – perguntou quase
aborrecida. – Três semanas!
Os olhos de Sirius arregalaram-se instantaneamente. Aquilo era impossível!
Três semanas confinado naquela cama? Adormecido?
- Quê? – indagou, pensando que não havia escutado direito.
- Isso mesmo que você ouviu – ralhou Arabella. – O senhor está
deitado nesta cama há três semanas! Nem um momento sequer, não respondeu aos
nossos estímulos ou esteve acordado.
- Estive inconsciente durante todos esses dias?! – espantou-se Sirius
chocado.
- Inconsciente?! Você esteve em outro mundo, Sirius! Quando nós o
encontramos, pensávamos que você estivesse morto! Mas eu insisti para que
Madame Pomfrey fizesse os exames e eles comprovaram que você não estava morto,
mas também não estava vivo. Pode imaginar como eu fiquei?! – dizia Arabella
irritada. – Pode imaginar como Harry ficou?!
“Harry!”. A mente de Sirius estava gritando o nome do
afilhado. Era sobre Tiago. Tinha de contar a Arabella.
- Eu vi o Tiago, Bella. – disse Sirius, interrompendo o raciocínio e a
bronca de Arabella.
A professora pareceu mais nervosa ainda.
- Sirius! Eu estou aqui explicando o quê aconteceu com você, ou pelo
menos tentando entender, e você vem com brincadeirinhas! Talvez você tenha
tomado um chá com a Lílian também, não é?
Agora foi a vez de Sirius ficar aborrecido. Fechando a cara,
endireitou-se no leito da Ala Hospitalar, e encarou Arabella gravemente.
- Eu estou falando sério – disse firme, fazendo com que Arabella se
acalmasse. – Antes de decidir executar o Pacto de Sangue, eu vi o Tiago, ele
estava cuidando da Ametista, ele falou comigo...
Sirius dizia tudo muito rápido e nervosamente. Porém, Arabella parecia
não estar ouvindo. Ao notar a expressão da mulher, silenciou-se.
- Então vocês realmente fizeram o Pactum Sanguinis? – antes
que Sirius pudesse perguntar como ela sabia até o nome do encantamento,
Arabella já estava respondendo. – Dumbledore disse a mim. Após nós os
encontrarmos. Ele disse que vocês haviam realizado Arte das Trevas, haviam
feito um Pacto de Sangue.
Arabella sempre fora muito correta, nunca desafiara regras nem nada, e
Sirius estava realmente com um certo receio do julgamento dela. Afinal, sua
opinião importava mais do que tudo a ele. Ainda mais agora, que tantos planos
se formavam em sua mente...
Quando estava pronto para ouvir as acusações e reprovações da
namorada, Arabella o surpreendeu. A mulher estendeu novamente os dedos até seu
rosto e sorriu, acariciando a sua recente barba.
- Este foi o ato mais nobre que eu já te vi realizar, Sirius.
Antes mesmo que Sirius pudesse reagir ao elogio e aprovação e apoio de
Arabella, a porta da Ala Hospitalar já estava sendo aberta. Era Dumbledore. O
velho diretor de Hogwarts aparentava estar extremamente cansado, como se não
dormisse há semanas. Aliás, parecia que Arabella estava num estado muito
parecido com o do diretor. Suas bochechas rosadas escondidas pela comprida barba
branca estavam formando um sorriso. Sirius suspirou.
- Fico muito contente de te ver acordado novamente, Sirius. – disse
Dumbledore.
Arabella lançou um olhar ao diretor e deixou o hospital. O bruxo doente
preparou-se para as conseqüências de seus atos de três semanas atrás.
Dumbledore parecia estar contente, como ele mesmo disse, mas ao mesmo tempo
furioso.
- Ao contrário de seus atuais pensamentos, Sirius – começou o
diretor, olhando o bruxo por cima dos óculos de meia-lua. – eu não vim
sentenciá-lo a Azkaban ou a qualquer outra prisão mágica ou trouxa.
Aquela sim era uma surpresa. Dumbledore sempre fora extremamente justo e
correto, mas agora parecia estar desviando-se de seus princípios.
- Vim aqui perguntar uma única coisa – completou o velho. Sirius
continuou calado, esperando a questão. – Por que você arriscou tudo em sua
vida e fez o Pactum Sanguinis?
Por um momento, milhares de respostas se formaram na mente de Sirius.
Todas, sem exceção, explicavam racionalmente o porquê do bruxo ter realizado
o Pacto de Sangue. Entretanto, nenhuma era a verdadeira. Afinal, a sua decisão
não havia sido tomada racionalmente. E sim emocionalmente. Fora o amor e o
carinho por Ametista que o fizera arriscar tudo para salvá-la.
- Porque é isso que um verdadeiro pai deve fazer por um filho.
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Deitados há pouco mais de uma
hora, Sirius acariciava os fios negros de Arabella. Estavam exaustos. Seus corações
ainda acelerados não permitiam que dissessem muita coisa, mas seus olhares
explanavam tudo que deveriam transmitir ao outro.
- Faz um dia que você saiu daquela Ala – riu Arabella, enquanto Sirius
brincava com seu cabelo. – Você não sossega mesmo!
- Tenho de admitir que deitar na mesma cama que você e não fazer nada
é impossível na atual altura do campeonato, Bella... – retrucou Sirius,
gargalhando.
- É, mas você deveria ficar repousando, dormindo e babando, nada mais.
– respondeu debochada.
- Dormir mais do que já dormi nessas três semanas, Bella?! Ficou
maluca?!
Ambos caíram na risada. Arabella aproximou seu corpo ao de Sirius. O
homem sorriu.
- Você ainda não me contou sobre como nos encontrou – lembrou Sirius
pensativo. – Ainda acho que você e Dumbledore andam escondendo-me coisas
durante esses dois dias em que estou acordado.
- Bobagem, Sirius. Snape e Remo já sabem de tudo também. Quem mandou
você dar uma de preguiçoso e cair no sono durante tanto tempo?! – zombou
Arabella.
Snape e Remo. Sirius recordou os bruxos e reconheceu que ainda sequer
tinha os visto. No entanto, Arabella já estava contando a ele sobre o
reencontro com os três e o corpo de Ametista.
- Eu tive uma visão muito rápida do presente, no Três Vassouras mesmo
– narrava Arabella. – Era como se estivesse tendo aquela visão de anos atrás
novamente. Era Voldemort lançando um feitiço sobre Ametista, causando a sua
morte. E eu gritei que ela estava morta, assim que voltei à realidade. Mas, o
Harry ouviu e ficou muito estranho, em um certo período de transe. Foi quando
eu tive uma nova visão.
- Você teve duas visões no mesmo dia? – surpreendeu-se Sirius.
- Tive. Então, decidi comunicar o Alvo – prosseguiu. – Ele estava
estranhamente calmo, aliás – interrompeu a mulher, recordando. – Bom, mas
então ele me disse que havia apenas a casa em Godric’s Hollow, onde a
Ametista viveu com o Snape e Prisma, que seria segura o bastante para acomodá-los.
- Nos acomodar? – intrigou-se Sirius. – Alvo sabia desde o princípio
que nós faríamos o Pacto?
Arabella agitou a cabeça afirmando.
- Sim, parece que Snape o comunicou anteriormente. E ele ainda parecia
muito calmo, mesmo tendo conhecimento que três de seus melhores bruxos se
envolveriam com Arte e Magia das Trevas.
- O Turbatio Sanguinis – recordou Sirius muito seriamente. O
livro havia sido uma peça fundamental para a realização do Pacto de Sangue.
– O Snape havia me dito que o livro fora de Voldemort, e feito por Salazar
Slytherin. Na verdade, um presente do Lorde para Snape, que era o único que
sabia executar as magias do livro. Mas como é que Voldemort não recuperou o
livro das mãos do Snape?
- Não tenho idéia. Snape confirmou a história que você acabou de me
contar. Talvez Voldemort não veja mais utilidade no livro...
Sirius ficou pensando, quase que preocupado. Haveria algo de errado?
Afinal, Voldemort não iria querer um livro de magias e encantamentos feitos
pelo seu antepassado mais famoso, Salazar Slytherin?
- Eu, Alvo, Hagrid e Ártemis fomos atrás de vocês em Godric’s
Hollow...
- Ártemis? – chocou-se o bruxo, quase que engasgando. – A sua irmã
veio atrás do Remo, do Snape e de mim para ajudar a nos trazer de volta a
Hogwarts? Isto é loucura!
Arabella estreitou as sobrancelhas, contrariada.
- Se você quer saber, Sirius, Ártemis foi de grande ajuda –
irritou-se Arabella. – E, além do mais, o quê realmente importava era a vida
de Ametista, certo?
Nessa hora, Sirius fechou a cara. Fazia dois dias em que estava acordado.
Poucas horas em que parecia completamente recuperado e, ainda assim, ninguém
dizia nada sobre Ametista. Apenas que ela estava num estado parecido com o que
ele tinha estado durante as longas três semanas.
- E Harry? Quando poderei vê-lo? – perguntou Sirius a Arabella.
- Provavelmente amanhã. Depende apenas de Alvo. Mas, pode se preparar,
porque Harry anda muito desanimado. Na verdade, culpado.
- É, eu lembro que ele havia dito ter brigado com Ametista antes de ela
sumir – Sirius encarou Arabella. – Adolescentes...
Arabella contorceu o rosto seriamente.
- Você sabe que Harry tem preocupações bastante adultas para a idade
dele – disse Arabella. – Ele realmente gosta dela. A Hermione me disse que
vive indo na Ala Hospitalar, à procura de notícias sobre ela.
- Ele já sabe de tudo? – indagou.
- Acho que não. Digo, Alvo iria explicar-lhe. Mas ainda não sei se já
teve a oportunidade. Harry anda muito quieto.
Sirius então recordou de Tiago mais uma vez.
- Bella! Deixe, pelo menos desta vez, contar sobre a visão de Tiago...
Os olhos negros de Arabella brilharam repentinamente. Sirius franziu as
sobrancelhas.
- Você não sabe como espero ter esta chance, Sirius. Poder rever Tiago
e Lílian, pedir perdão a eles...
- Nada de perdão, Bella – corrigiu Sirius. – Tiago disse que nós
nos veremos mais uma vez. E não será uma ocasião para perdões, e sim para
felicidade.
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Aquela era a última semana de
novembro. A estação da época estava despedindo-se lentamente, para dar início
ao inverno. Os alunos do sexto ano da Grifinória e da Sonserina estavam
reunidos mais uma vez na sala de Defesa Contra a Arte das Trevas. Ártemis
estava explicando sobre a época negra de vinte anos atrás enquanto dava ênfase
nos feitiços e encantamentos proibidos pelo mundo mágico.
- A morte do ministro da Magia, Anthony Potter, fora um choque para
muitos do Ministério. Ninguém, nem mesmo a família Potter, tinha conhecimento
da doença do ministro – dizia Ártemis no tom seco. – Muitos achavam que o
Sr. Potter fora assassinado pelos Comensais da Morte, ou mesmo pelo próprio
Voldemort, mas foi provado que tudo não passava de boatos e especulações.
Diante deste fato, Cornélio Fudge, o atual ministro da Magia, assumiu o posto
mais alto do Ministério da Magia, com o principal objetivo de banir Voldemort e
seu período de terror. Porém, como todos sabem, alguns anos depois, ainda no
auge da era negra, o Sr. Harry Potter – Ártemis lançou um olhar arrogante a
Harry. – reduziu Lorde Voldemort a pó.
A sala encarou Harry. Alguns num tom admirado, outros temeroso, e outros
ainda raivosos, como alguns sonserinos. A mão de Hermione ergueu-se no ar.
- Depois que o Sr. Fudge assumiu o cargo de ministro, a situação
piorou? – perguntou a professora.
Ártemis pigarreou.
- Sim, Srta. Granger – afirmou a mestra. – Anthony Potter fora um ótimo
ministro. No decorrer dos anos, garantiu uma certa segurança e até mesmo
admiração entre os bruxos. Assim que faleceu e Fudge assumiu o controle do
Ministério, uma série de pessoas acreditou que estávamos perdidos. Muitos
consideravam Fudge um funcionário exemplar, mas extremamente ambicioso e que
queria apenas poder – Ártemis suspirou. – Pelo menos, após estes longos
vinte anos, nada fora comprovado sobre Fudge e ele continua sendo o ministro.
- Mesmo negando até a morte que Vold... – alguns alunos encaram-no
temerosos. Harry corrigiu rapidamente. – que Você-Sabe-Quem voltou? –
provocou Harry aborrecido.
- Ainda assim, Sr. Potter – respondeu Ártemis, parecendo bastante
irritada também. – Após um ano em que Cornélio Fudge assumira o Ministério,
inúmeros departamentos foram sendo esvaziados. Até mesmo aqueles que lutavam
para defender o mundo bruxo desistiram, trêmulos de medo da era de horror. O
Departamento de Aurores possuía cerca de cinqüenta aurores na época de
Potter. Com Fudge, a quantia foi reduzida quase pela metade. E ainda havia
aqueles casos em que os aurores eram mortos pelos Comensais...
Harry, apesar de amolado, notou que havia uma certa amargura nas palavras
finais da professora. Concentrou os seus olhos verdes nos dela e engoliu em seco
assim que Ártemis cruzou seus olhos violeta com os dele. Desviou o olhar para
Simas, que era sua dupla naquele dia.
- Houve muitos casos de traição, professora? – indagou Draco Malfoy,
quase que ironicamente.
Ártemis encarou Draco friamente. Parecia que havia algum empecilho ou
problema entre ela e os Malfoy.
- Depende do sentido que o senhor dá para a palavra, Sr. Malfoy –
disse a mestra, ríspida. – Há inúmeros tipos e sentidos para traição.
O monitor da Sonserina suspirou e repetiu, reformulando a pergunta:
- Houve muitos defensores do Ministério que passaram para o lado de Você-Sabe-Quem?
A mestra circulou pela sala e postou-se à frente de Draco. Lançando um
olhar ameaçador para o aluno, que pareceu encolher-se ligeiramente na cadeira,
Ártemis respondeu:
- É tudo uma questão de poder, Sr. Malfoy. O poder ludibria e cega as
pessoas. Destrói vidas e inicia um círculo vicioso de ambição e cobiça.
Todos aqueles que passaram a defender Voldemort possuíam a mesma razão: a
conquista do poder.
A sala permaneceu calada. Mas era um silêncio atento e até temeroso. A
professora estava tão séria como nunca e havia muita força em suas palavras.
Uma outra mão ergueu-se no ar. Ártemis não desviou o olhar de Draco e chamou
o aluno, Ronald Weasley.
- Ouvi dizer que nesta época as Maldições Imperdoáveis foram
liberadas pelo Sr. Crouch. Outros métodos proibidos pelo Ministério também
foram aprovados para uso livre, professora?
Lentamente, os olhos violeta de Ártemis desviaram-se de Draco para Rony.
- Sim, Sr. Weasley. Mas foram poucos. Encantamentos e rituais de sangue,
por exemplo, foram liberados...
Surpreendentemente, Neville levantou a mão, interrompendo a mestra.
- A senhora poderia explicar um pouco sobre os rituais de sangue,
professora?
Ártemis estufou o peito.
- Claro, Sr. Longbottom. E é senhorita... – concordou insatisfeita.
– Encantamentos e rituais de sangue são pactos onde ocorre a união de
sangues reais. Sangues reais são aqueles que somente membros legítimos da família
possuem. Nesses pactos, os sangues reais são apenas aqueles passados de pai
para filho ou vice-versa – dizia a mestra a contragosto. – Estes pactos são
proibidos pelo Ministério da Magia porque são resultados da fusão de Magia
Branca e Magia das Trevas. E como vocês têm conhecimento, o uso de Arte das
Trevas é estritamente proibido pelo Ministério – havia um certo prazer na
voz de Ártemis neste ponto. – Geralmente, a pena para quem o executa é
Azkaban.
Os estudantes possuíam a certeza de que uma pena em Azkaban já era um
ótimo motivo para não mexerem com Arte das Trevas.
- E por que esses pactos foram liberados na época de Você-Sabe-Quem?
– prosseguiu Neville.
- Simples, Sr. Longbottom – ironizou Ártemis. – Inúmeros aurores e
espiões morreram em duelos e campos de batalha com os Comensais da Morte. E
como já possuímos uma reduzida quantidade desses profissionais, o Sr. Crouch,
junto com o ministro, decidiu liberar os pactos para salvar as vidas dos nossos
defensores – Ártemis parou por um momento e respirou fundo, como se estivesse
pensando se deveria falar ou não. Decidiu que sim. – O senhor possui um certo
conhecimento do resultado de um pacto, Sr. Longbottom. Seu pai, Frank
Longbottom, um dos nossos melhores aurores, sofreu um pacto uma vez. Porém,
mesmo após isso e a queda de Voldemort, os Comensais deixaram-no numa cama em
St. Mungus...
De fato, Ártemis deveria ter optado pela segunda. Dizer aquilo a
Neville, na frente de toda a sala, não foi divertido. Tampouco prazeroso. A
mestra não mostrou sua surpresa ao modo como a sala reagiu, e mesmo Neville. O
jovem estava sério, encarando a professora secamente. Via-se raiva em seu
olhar. Quando Ártemis pensou em reparar seu erro, o horário indicou o final da
aula. Porém, ela não deixaria assim.
- Quero uma lista dos objetos e rituais proibidos pelo Ministério da
Magia para a próxima aula – a classe já estava indo embora quando a
professora levantou sua voz mais uma vez. – E Sr. Longbottom, fique.
Neville encarou a professora mais uma vez. Suas bochechas estavam
vermelhas. Pela primeira vez, viu-se uma raiva transbordando do bondoso Neville.
Ártemis levantou de sua cadeira e sentou-se sobre a mesa, deixando que sua
vestimenta negra e azul caísse suavemente até seus pés quase suspensos.
- Eu não disse aquilo por mal, Sr. Longbottom – disse Ártemis
seriamente. – Eu conheci seu pai e sua mãe, principalmente ela, já que era
apenas dois anos mais velha que eu. E nunca conheci pessoas mais direitas e
corretas como eles...
- Mas isso não impediu a senhorita de zombar de meus pais naquele
hospital, certo? – cutucou Neville aborrecido.
Ártemis pareceu mais compenetrada e controlada ainda.
- Eu não zombei de seus pais, Sr. Longbottom – afirmou a mestra. –
Apenas foi o exemplo que me veio no momento. E também acho que o senhor deveria
estar muito feliz por seus pais estarem deitados naquelas camas em St. Mungus.
- Feliz?! Como eu poderia ficar feliz de vê-los deitados ali?! –
revoltou-se Neville.
- Eu estaria se fosse o senhor sim! – ralhou Ártemis. A mulher estava
furiosa e amargurada ao mesmo tempo. – Dê-se por feliz de eles não estarem há
sete palmos debaixo da terra!
Neville preferiu não retrucar. A professora, sempre tão fria, estava
mostrando-se tão humana e atingível quanto qualquer outra pessoa. Ártemis
respirou fundo e mirou os olhos castanhos de Neville.
- A vida pode ser dura, Sr. Longbottom. Aprenda a vencê-la. –
finalizou Ártemis.
O jovem notou o tom da professora e saiu da sala. Ártemis suspirou e
encarou o âmbito. Cada canto. Tudo seria tão completo e perfeito se ela
pudesse estar com ele novamente.
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Encostou a cabeça no pilar,
deixando cair uma de suas penas no chão. Assim que se abaixou para pegar,
enxergou os pés envolvidos nas botas negras pararem a centímetros de sua cabeça.
Levantou e encarou Arabella. A mestra estava com um aspecto bem melhor do que o
de dias atrás.
- Olá, Harry – cumprimentou a madrinha. – Vejo que anda assistindo
às aulas novamente.
O jovem não mexeu um músculo da face e permaneceu encarando Arabella.
Era impressionante a expressão de Harry. Estava pálido e sem qualquer reação.
- Pensei que você gostaria de alguma notícia...
Imediatamente, os olhos de Harry brilharam de antecipação.
- A Ametista acordou? – indagou aflito.
Arabella forçou um sorriso. Os olhos de Harry voltaram a opacidade.
- Na verdade, achei que você gostaria de alguma notícia de seu padrinho
também.
Uma pequena alegria surgiu no rosto de Harry. Arabella pediu que ele a
acompanhasse até a sala de Transformação Humana. Assim que adentraram, Harry
entendeu que aquela parecia ser uma reunião. Estava lá Alvo Dumbledore, Severo
Snape, Sirius Black e Remo Lupin.
- Lupin! – festejou Harry, andando até Remo e sorrindo para o antigo
professor.
Os olhos de Lupin iluminaram-se repentinamente com a chegada de Harry.
Fazia quatro meses que ele sumira sem dar qualquer aviso. Depois, Harry caminhou
até Sirius e sorriu ao padrinho igualmente.
- Harry – chamou o diretor. – Sabemos que você está tão ansioso
quanto todos nós para alguma mudança no estado de Ametista. Contudo, você
precisa saber primeiro que foi que aconteceu.
A fonte que jorrava água azul-escura estava agitada. Harry acomodou-se
numa das mesas dos alunos. Dumbledore encostou seu corpo cansado na mesa do
professor. Snape e Remo estavam em pé, ao lado das janelas e Sirius e Arabella
sentaram-se em duas cadeiras.
- Eu havia te dito que Ametista estava num estado de transe, mas nada
mais, certo? – confirmou Dumbledore ao ver a cabeça de Harry afirmar. – A
verdade é que Ametista, de fato, estava morta.
Harry ficou confuso. Sirius chamou a atenção do jovem para ele.
- Aqueles sonhos e ataques que Ametista tinha eram obra de Voldemort,
Harry. E por uma estranha coincidência, eram também visões de seu futuro. Era
como se Voldemort estivesse avisando que, um dia, ele iria atrás dela.
- Eu tive uma visão, Harry – interrompeu Arabella. – Uma visão do
presente, algo que nunca tinha me ocorrido antes. E Voldemort estava
assassinando a própria filha. Eu assisti Voldemort matar Ametista.
- Então era mesmo Voldemort... – murmurou Harry para si mesmo.
Snape deu um passo a frente.
- Só que nenhum de nós contava que o Black sentisse a morte de Ametista
– Harry encarou Sirius chocado, enquanto Snape dizia com certa inveja. – Ele
achou Ametista e eu e ele a levamos para Godric’s Hollow...
- Godric’s Hollow? O casarão? – estranhou Harry, já que era um
lugar óbvio demais.
- Na realidade, Potter, eu cuidei de Ametista a partir dos cinco anos e
Black até quase dois anos. – cortou o assunto, Snape.
- E quem cuidou dela dos dois aos cinco? – perguntou o monitor da
Grifinória.
- Eu – ouviu-se a voz rouca e cansada de Lupin. – Talvez seja por
isso que existe uma ligação tão forte entre eu e Ametista – Harry estava
surpreso. – Quando seus pais foram descobertos e mortos, Harry, a casa em que
eles moravam ficou vazia. Em Godric’s Hollow também, assim como Sirius e
Hariel – continuava Remo saudoso. – Então, eu e Alvo decidimos que seria
melhor refazer o Feitiço Fidelius e criar Ametista na casa em que você nasceu
e morou com seus pais.
- Eu achei melhor que Ametista fosse criada num lugar familiar, mas ao
mesmo tempo já conhecido por Voldemort. Assim, ele não imaginaria que ela
estivesse escondida lá – explicou Dumbledore. – A casa dos Potter acomodou
Ametista e Lupin, Ametista e Prisma, e Ametista e Severo por cerca de treze
anos. A sua casa, Harry.
Os olhos de Harry estavam arregalados. A estória começava a dar voltas
e a chegar em lugar nenhum.
- Quem foi o Fiel do Segredo? – perguntou curioso.
- Mais uma vez, confiamos em Remo – prosseguiu Dumbledore. – Durante
estes longos anos em que Ametista esteve longe de Voldemort, Remo a protegeu,
mesmo que à distância.
Um silêncio se instalou na sala. A mente de Harry começou a fervilhar,
curioso para conhecer sua verdadeira casa, seu lar.
- Mas o que isso tem a ver com o ataque de três semanas atrás? –
indagou Harry perdido.
Sirius pronunciou-se.
- Snape e eu levamos Ametista até a sua casa, em Godric’s Hollow,
e...bem...fizemos uma loucura...
Harry franziu a testa. Que acontecera desta vez?
- Eu acho que você já ouviu falar, Harry – seguiu Sirius. – Remo,
Snape e eu realizamos um ritual de Arte das Trevas. Um Pacto de Sangue.
O monitor engasgou.
- Arte das Trevas, Sirius? – assustou-se Harry. – Ártemis disse
alguma coisa sobre os rituais de sangue hoje na aula – por um momento, Harry
parou quieto. – Hei! Nenhum de vocês possui sangue real!
Todos continuaram calados, enquanto Harry enfiava-se mais ainda em suas dúvidas.
- Vocês não estão tentando me dizer que o Pacto deu errado, não é?!
Arabella percebeu que Harry não estava aborrecido. Estava bravo e
revoltado com a imprudência dos três bruxos. A madrinha aproximou-se de Harry,
enquanto o afilhado prosseguia em suas perguntas.
- Vocês realizaram um Pacto de Sangue sabendo que poderiam ir para
Azkaban?! – Harry encarou o padrinho. – Você por acaso quer voltar para lá,
Sirius?!
Quando Alvo ou os três bruxos iam se pronunciar para explicar o quê
exatamente acontecera, Arabella dissera primeiramente.
- Nenhum deles cometeu erro algum, Harry! – brigou Arabella
severamente. – Imagine que, mesmo sabendo de todos os contras, inclusive o
fato de nenhum possuir o sangue real, os três arriscaram-se a realizar um
ritual de sangue para salvar Ametista!
- Então por que é que Ametista ainda está confinada naquela cama,
Bella?! – irritou-se Harry.
Sirius levantou de sua cadeira e aproximou-se do afilhado, quase que
bruscamente. Harry estava preocupado e seríssimo. Em seguida, assistiu Sirius
Black puxar a comprida manga esquerda de sua camisa branca até a altura do
cotovelo. Os olhos de Harry permaneceram irritados, mas sua expressão mudou
completamente. Havia uma cicatriz enorme, que ia do pulso até o cotovelo, no
antebraço esquerdo de Sirius. Harry voltou a encarar o padrinho com uma certa
admiração.
- Eu arrisquei minha vida para tê-la de volta, Harry – disse Sirius
gravemente. – Eu resolvi jogar tudo para o alto e raciocinar como um
verdadeiro homem. Não estava preocupado se possuía ou não sangue real. Eu
simplesmente peguei aquele punhal prateado – e indicou o punhal acima de sua
mesa. – e rasguei o máximo que podia, para transferir meu sangue para
Ametista. Para que ela pudesse sobreviver. Agora, se ela acordar,
Ametista terá meu sangue correndo nas suas veias.
- Mas como... – começou Harry pasmo, mas Alvo interrompeu-o.
- Amor, Harry. Amor.
A
boca de Harry estava bem aberta, mostrando o tamanho de seu choque. Então,
finalmente, Sirius havia reconhecido que Ametista poderia ser sua filha. E
decidiu amá-la como um verdadeiro pai. Harry estava mais do que surpreso.
Aquilo era deslumbrante e impressionante. Era exatamente como o diretor havia
definido. Amor. Simplesmente amor.
Quando algumas palavras começavam a sair da boca de Harry, o som se
perdeu assim que um furacão abriu a porta escancaradamente. Dumbledore pareceu
irritado por terem interrompido-o, mas seus olhos brilharam no segundo em que
notou Madame Pomfrey ofegante.
- Que aconteceu, Papoula? – perguntou aflito, achando que algo havia
acontecido com Ametista.
Madame Pomfrey assistiu todos encararem-na agoniados.
- É a sua neta – disse, com a respiração entrecortada. – Ela
despertou!
![]()
“Remittere”.
Seu coração estava acelerado. A respiração difícil. As pálpebras pesadas.
Entretanto, aquela palavra não saía de sua cabeça. Remittere. Remittere.
Era latim, isto ela tinha certeza. Estranho, já que nenhuma lembrança vinha a
sua mente, somente aquela palavra. Que ela significava, afinal? E por que Madame
Pomfrey agiu daquela forma tão histérica assim que abriu os olhos? Havia algo
de muito estranho. Por que ela estava deitada na cama da Ala Hospitalar?
Enquanto tentava forçar sua mente, o som da expressão em latim ecoava
fortemente dentro de seus pensamentos.
Era dia. Notou uma brisa agitar as cortinas da Ala Hospitalar, assim como
os raios de sol atingirem seu rosto. Ergueu os braços para que pudesse espreguiçar-se.
E, assim que executou a ação, percebeu uma certa dor – como se pinicasse –
no antebraço esquerdo. Puxando a manga daquilo que a cobria – uma camisola
muito feia e velha, além de champanhe – chocou-se. Havia uma gigantesca
cicatriz em seu braço, indo do cotovelo até o pulso. Será que seria aquela a
razão de estar no hospital? Talvez, ela tenha entrado numa briga com Draco
Malfoy ou Pansy Parkinson, ou ainda tentado guardar uma daquelas tarântulas
gigantescas de Hagrid, ou ainda caído de sua Firebolt Special.
Não, não. Era algo muito mais sério. Tentou, mais uma vez, forçar a
mente até que alguma luz surgisse e contasse a ela o quê, de fato, havia
acontecido. Ao olhar para a mesa que acompanhava a cama, surpreendeu-se com um
vaso cheio de rosas brancas. Havia um aroma incrível de sândalo pelo seu
leito. Parecia que estava ali há bastante tempo. Endireitando-se, sentou
lentamente na cama e apoiou as costas nos travesseiros colocados em pé. Em
seguida, curvou-se até o vaso e cheirou as rosas. As flores tão delicadas
carregavam um perfume divino, que a encheu de alegria.
No entanto, se ainda quisesse mais tempo para descobrir o quê realmente
ocorrera a ela, perdera-o. As lembranças vieram como num tornado assim que seus
olhos chocaram-se com os de Sirius Black. O homem entrou correndo na Ala
Hospitalar, derrubou uma cadeira e aproximou-se desesperadamente da cama onde
estava deitada. Foi um choque.
Primeiro a lembrança na Loja de Logros e Traquinagens dos Weasley, onde
Harry e Cho pareciam muito contentes com a companhia do outro. Depois, a discussão
com o namorado – o estopim para deixar enlouquecida o Bar Três Vassouras e
correr em direção a Casa dos Gritos. Em seguida, a casa mal cheirosa e de
aspecto abandonado recebendo-a com vultos e gritos escandalosos de ajuda e
pavor. A porta prateada e os espelhos vinham abaixo. Voldemort dizendo que ela
deveria passar para o seu lado, ajudar a comandar as Trevas. A lembrança de ter
recusado e ainda provocado o Lorde. A dor de ter o corpo perfurado por inúmeros
pedaços quebrados dos espelhos. O último suspiro. A morte.
Contudo, para sua surpresa, uma enxurrada de recordações seguinte veio
em sua mente. Ametista lembrou-se de ser abraçada por Sirius. De assisti-lo
abraçá-la e sentir a sua dor. Severo chegar em seguida e levá-los para
Godric’s Hollow. O porta-retrato com sua foto junto de Snape e a expressão de
Sirius. O olhar de pesar de Remo. O caldeirão que explodia e os frascos dançantes.
O livro vermelho chamado Turbatio Sanguinis. As palavras suspensas no ar. O
padrinho, Tiago Potter, acariciando seu cabelo, dizendo que tudo ficaria bem.
Sirius e Tiago comunicando-se. As inúmeras palavras em latim. Os líquidos
coloridos pulando para fora dos frascos. O punhal prateado. A quantidade absurda
de sangue que jorrou do antebraço esquerdo de Sirius assim que ele enfiou o
punhal no membro superior. O sangue sendo rejeitado a princípio, negro e ameaçador.
O último olhar de Sirius a ela, colocando todo seu amor. O choro incontrolável
dele assim que a viu morta em Hogsmeade. E dizer que a perdoava e que perdoava
tudo assim que tocou pela primeira vez no punhal prateado e aceitar realizar o
Pactum Sanguinis.
E olhar para Sirius novamente era doloroso. Nunca Ametista seria capaz de
olhá-lo diferente daquela maneira. Sua respiração foi embora. Seu coração
se acelerou mais uma vez. Seus olhos não queriam piscar. Era como se tivesse
passado anos e anos sem ver o mar, ou ainda o céu azul, ou sentir o perfume de
uma flor. Ametista observou Sirius pela primeira vez. Como um pai.
- Eu vi tudo. – disse ela finalmente, ainda com muita dificuldade.
Sirius não esboçou qualquer reação. Porém, seus olhos estavam
ficando vermelhos e o azul se intensificava cada vez mais que reparava em
Ametista.
Dumbledore, Arabella, Snape, Lupin e Harry resolveram não entrar na Ala
Hospitalar, assim como Madame Pomfrey saiu do hospital assim que Sirius entrara.
- Eu sofri por cada lágrima que você derramou. – continuou a garota
calmamente.
Sirius sentiu a respiração vacilar. Era como se Ametista estivesse
aprendendo a falar novamente, a andar mais uma vez, a abraçá-lo com carinho.
Sirius viu Ametista como uma criança em que ele depositara todo o seu amor e
sua dedicação. Sua vida.
- Eu ouvi cada palavra que você disse. – falou ela mais uma vez.
Os batimentos de Sirius estavam apressados. Era quase como se ele
sentisse a presença de Hariel naquela sala, unindo-os novamente. Um homem
mostrando todas as suas fraquezas diante de uma garota de dezesseis anos. Azul
encontrando azul.
- Eu senti você novamente. Como eu senti quando eu era um bebê.
Uma dor tomou conta do coração de Sirius. Era a alegria, o pavor, o
amor, a dedicação, a persistência, a raiva, o ódio, o arrependimento, a
felicidade. Era uma mistura de sentimentos que o sufocavam. E era exatamente
desta maneira que Ametista sentia-se.
Sirius andou lentamente até a cama de Ametista, postando-se ao lado
dela. Cada passo adiante representava o começo de uma nova vida. De uma nova
jornada. Uma jornada que ansiou durante aqueles longos dezesseis anos. Parando
ao lado de onde Ametista estava sentada, Sirius encarou-a sinceramente. E, pela
primeira vez, Ametista sentiu uma onda emocional invadir seus sentidos e deixar
que Sirius fosse tudo naquele instante. Estendendo sua mão esquerda até a
altura da face de Ametista, Sirius tocou o rosto da garota carinhosamente. Sua
manga escorreu, mostrando a cicatriz. Ametista, entorpecida pelo gesto de
carinho do homem, fez o mesmo, tocando a face de Sirius. A manga de sua camisola
escorreu igualmente, deixando à mostra sua cicatriz. Não se sabe ao certo
quanto tempo se passou. Sirius e Ametista estavam apenas gravando cada pedacinho
de seus rostos e guardando aqueles gestos e expressões para sempre.
Uma série de lembranças veio à tona para ambos assim que se tocaram. A
suavidade da pele de Ametista, o olhar compenetrado de Sirius, a boca em forma
de coração da garota, as sobrancelhas arqueadas do homem, o nariz pequenino da
jovem, o queixo pontudo do bruxo, a forma ligeiramente redonda da face dela, o
cabelo escuro e brilhante dele. Seus corações estavam cheios de felicidade e
troca. Eles se completavam. Era um amor maior que o físico. Era espiritual. Não
existiam barreiras que os impedissem de levar adiante este tamanho carinho que
sempre estivera ali, estava apenas adormecido.
Ametista sorriu levemente e passou o dedão da mão direita abaixo do
olho esquerdo de Sirius. Em seguida, uma única lágrima caiu. E então, ela se
lembrou da cerimônia do batismo. Nela, feita na Bacia de Pandora, Hariel e
Sirius tinham de deixar uma característica para doar a filha. Era uma manhã
ensolarada em Godric’s Hollow e viu os sorrisos dos pais. Sirius a carregava
no colo, enquanto Dumbledore ajudava a banhar Ametista. Hariel e Sirius tocaram
na água. Primeiro Sirius. A água da Bacia de Pandora ficou negra. Depois
Hariel, deixando o líquido prateado. Colocando ambas as mãos dentro do líquido,
uma coloração azulada surgiu e, em seguida, Hariel e Sirius se beijaram. O líquido
azulado penetrou na pele de Ametista. Hariel deixara como característica a sua
força de enfrentar qualquer coisa, por mais adversa que a situação seja.
Sirius, por sua vez, disse apenas que Ametista deveria ser uma legítima e autêntica
Black. Aquilo bastou para formar alguns de seus principais atributos.
Enquanto isso, as lágrimas começavam a cair de seus olhos também.
Sirius postou as duas mãos em Ametista, envolvendo o rosto da garota nelas.
Ambos choravam, emocionados pela atmosfera e pela realidade. Agora, Ametista
possuía sangue Dumbledore, sangue Riddle, mas também, sangue Black. Sua vista
começou a embaçar pelas lágrimas e a garota conseguiu apenas dizer:
- Eu te amo, pai.
Sirius começou a soluçar incontrolavelmente. Um sorriso surgiu em seus
lábios, dizendo em seguida:
- Eu também te amo, filha.
Ametista e Sirius uniram-se num abraço. O mais forte de toda as suas
vidas. Aquele momento ficaria gravado eternamente. De olhos fechados, não
puderam assistir três faces sorrindo diante de sua felicidade e plenitude. Eram
Tiago, Lílian e Hariel.
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NO PRÓXIMO CAPÍTULO:
Agora Voldemort quer iniciar o quanto antes seu plano do dominação e destruição. Com isso, convoca uma reunião com seus preciosos Comensais. Snape estará lá. Porém, nunca imaginou que o Lorde das Trevas seria capaz de esconder-se num lugar tão lendário e assustador quanto aquele.
Um
conselho: não façam nada estúpido em "NA ILHA DOS CICLOPES"
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