O Ataque


O primeiro episódio do quinto ano da nossa turma começa agitado. E é, novamente, no Expresso de Hogwarts que tudo acontece. É o reencontro dos marotos e de suas melhores amigas.


Bastaram alguns meses para formar uma intensa e verdadeira amizade entre Lílian Evans, uma simples garota trouxa invadindo o mundo mágico, Arabella Figg, meio trouxa, meio bruxa, e Hariel Dumbledore, a filha do diretor, tendo sangue puro. Porém, precisaram longos três anos para unir estas com Tiago Potter e Sirius Black, garotos de importantes famílias bruxas, Remo Lupin, meio trouxa, meio bruxo, e o gorducho Pedro Pettigrew.

         O sinal do expresso de Hogwarts soou e o trem começou a deslocar-se lentamente. Em uma cabine estavam Lílian, Arabella – sempre com a coruja Flymoon – e Hariel conversando. Lílian contava sobre sua viagem à Espanha. Seus fundos olhos verdes brilhavam.

         - Tudo lá é perfeito. Não vejo lugar melhor para se morar. Tirando claro, Hogwarts.

         - E como anda a sua irmã? Implicando muito ainda com você? – indagou Hariel.

         - Ela prefere ficar distante. Pelo menos nessas férias eu não tive de agüentar aquele namorado chato que ela arranjou! – reclamava Lílian.

         - Eu fui para a França, sabiam? – dizia Arabella animada. – Quero viver lá quando sair de Hogwarts. É tudo tão perfeito e existem muitos ramos de bruxaria.

         - Na carta que me mandou, você disse que encontrara alguém lá – lembrava Hariel. – Quem?

         Arabella ficou ligeiramente corada. Lílian deu uma risada safada.

         - Quem foi? Queremos saber!

         - Tá bem. Vocês sabem quem ele é, o apanhador da Corvinal. – contou bem baixinho.

         - Quem você encontrou Bella? – perguntou alguém entrando na cabine.

         As três viraram para a porta. Estava parado com a cara mais cínica do mundo Sirius Black. O garoto tinha os braços cruzados na altura do tórax e os olhos azuis cravados em Arabella.

         - Pronto! Vocês estão percebendo que o ar de repente ficou pesado? – disse Hariel em tom sarcástico.

         - Não estou falando com você, Dumbledore. – respondeu Sirius sem tirar os olhos de Arabella.

         Até o terceiro ano, Lílian, Arabella e Hariel detestavam o grupinho mais famoso de Hogwarts. Black, Potter, Lupin e Pettigrew viviam importunando as garotas. Havia sido criada uma rixa entre os dois lados desde a primeira viagem para a escola. No final do terceiro ano, decidiram deixar as diferenças de lado e cultivar uma amizade. Entretanto, o plano que parecia perfeito nunca fora estendido até Sirius e Hariel. Os dois simplesmente se odiavam.

         - Quem foi que você encontrou nas férias? – repetiu a pergunta Sirius visivelmente aborrecido.

         - Ninguém que te interesse Sirius – respondeu Arabella. – E deixe de ser tão curioso!

         Sirius sempre fora um garoto inteligente, mas de péssimo comportamento. Porém, realmente se destacava em namorar. Já tivera tantas namoradas nestes quatro anos que era conhecido como o Don Juan de Hogwarts. E as garotas não se cansavam de cair em seu irresistível charme. Uma delas foi Arabella. Mas isso acontecera no final do quarto ano, portanto Sirius ainda achava que tinha algum controle sobre ela.

         - Onde estão os meninos? – indagou Lílian a Sirius.

         - Foram colocar as vestes – e olhou para o corredor. – Aí estão vocês! – exclamou Sirius impaciente.

         Tiago foi o primeiro a entrar. O garoto estava ainda mais bonito, mesmo que seus cabelos continuassem rebeldes e seus redondos óculos escondessem seus penetrantes olhos castanhos.

         - Já brigando Hariel? – dizia Tiago ao ver a expressão nervosa da amiga.

         Em seguida entraram Remo e Pedro. O primeiro não estava tão abatido como de costume. Mas seus olhos azuis fixaram-se ao ver Arabella.

         - Você está diferente. – disse o garoto, o único que havia comentado algo sobre o novo corte de cabelo que Arabella usava.

         Hariel levantou-se do assento e Sirius sentou-se rapidamente.

         - Ele sabe ser gentil. – disse a garota sobre Remo, indiretamente a Sirius.

         Sirius bufou. Pedro engordara levemente nas férias. Mas tinha a mesma expressão divertida.

         - E aí pessoal? – cumprimentava o garoto animadamente.

         - Todos preparados para o quinto ano? – questionou Lílian puxando algum assunto.

         - Preparadíssimo! Espero que as garotas estejam preparadas para resistir a mim. – gabou-se Sirius piscando o olho para Lílian.

         A garota sorriu. Sirius tinha um carinho especial por Lílian. Ela sempre o tratava bem, paciente. Não como Arabella que o esnobava ou Hariel. Esta última, então, não havia comentários a fazer.

         - Eu estava olhando a nossa lista e as aulas de Poções serão as mais interessantes, eu acho. – comentou Arabella, a mais estudiosa.

         Tiago e Remo olharam para a garota incrédulos. O professor era muito chato e pegava demais no pé deles.

         - E como foram as suas férias? – perguntou Lílian aos garotos.

         - Fiquei em casa cuidando da minha irmã. – lamentou-se Pedro.

         - Eu fui para a Escócia e depois passei alguns dias na casa do meu avô. – contou Remo.

         - Eu tive de ajudar o meu pai em alguns trabalhos do Ministério. – explicou Tiago desanimado.

         - Pois eu tive as piores férias da minha vida! – resmungou Sirius.

         Todos olharam para ele curiosos. Sirius sempre tivera férias incríveis com a família, mas desta vez, tudo foi diferente.

         - O que aconteceu? – indagou Pedro.

         - Como vocês devem lembrar, nossos pais se conheceram no final do ano passado – todos confirmaram. – Só que eu não esperava que meu pai fosse ficar tão amigo do Dumbledore...

         Antes mesmo de Sirius terminar, todos já previam o final.

         - Eu tive de passar uma quinzena sob o mesmo teto que isto. – e apontou para Hariel, que estava em pé, ao lado da porta.

         Todos começaram a rir.

         - Ah! E você acha que é muito agradável para eu passar quinze dias da minha preciosa vida com o senhor, não é? Pois eu te respondo que é um inferno! – respondia ela irritada, sacudindo as madeixas alouradas.

         - Finalmente concordamos em algo! – exclamou Sirius.

         Hariel saiu da cabine. Ninguém foi atrás, já que era a coisa mais normal de acontecer. Pouco a pouco, todos iam comendo algumas guloseimas que foram trazidas pelo carrinho de doces, e conversando.

         - Pessoal, agora falando sério – dizia Remo preocupado. – Vocês andam lendo o jornal?

         - Como assim Remo? – estranhou Lílian com um pedaço de feijõezinhos de todos os sabores na boca.

         - Os ataques – alguns frisaram a testa. – Estão ficando piores a cada dia. Voldemort... – Pedro e Lílian arrepiaram-se. Remo percebeu e pediu desculpas. – Você-Sabe-Quem está ficando mais forte.

         - Eu morro de medo que algo aconteça com qualquer um de nós. – comentou Lílian tremendo.

         - Já aconteceu, não é mesmo? – disse Tiago suspeito.

         Todos entreolharam-se e o garoto explicou:

         - Vocês não têm lido o Profeta Diário? A mãe da Hariel...

         - Hum... – Sirius franziu as sobrancelhas. – O clima estava mesmo bem pesado na casa da Dumbledore e...

Viu-se então um raio branco cruzar o corredor. Todos correram para fora.

         - O QUE VOCÊ FEZ, DUMBLEDORE?! – gritava uma garota loira no meio do corredor, segurando em seus braços um corpo amolecido.

         - Eu não fiz nada com ele. Malfoy precisa dormir um pouquinho mesmo e medir o quê fala para mim. – respondia Hariel do outro lado do corredor.

         Tiago foi andando até Hariel, que mantinha a varinha em punho apontada para um Lúcio Malfoy estatelado no chão.

         - O que você fez? – perguntou ele em seu ouvido. – Ele é o novo monitor da Sonserina. Ficou louca?!

         - Então diga para ele não mexer comigo da próxima vez. – respondeu Hariel, saindo em direção a cabine do maquinista.

          Pedro foi até Tiago, que observava Malfoy de longe e disse:

         - Se ela pode derrubar Malfoy, pode derrubar Você-Sabe-Quem.

         No minuto seguinte, apareceu o Chefe dos monitores, que tratou de evacuar o corredor e levar Lúcio Malfoy para a enfermaria do expresso. Logo depois, Hariel voltou a cabine e Sirius abriu a boca para dizer algo, porém foi impedido.

         - Não fale nada Black, senão eu posso te colocar junto com o Malfoy. – e sentou no assento ao lado de Arabella.

***

Logo que desembarcaram do trem, Hariel estava sendo esperada. A professora de Transfiguração, Minerva McGonagall tinha a expressão mais pavorosa que alguém poderia ter visto. Todos se aproximaram.

         - O que deu na cabeça da senhorita de atacar o monitor da Sonserina?! Isto nos custará mais pontos que possamos imaginar! – repreendia a mestra com severidade.

         Hariel mantinha-se calada, como se aquilo estivesse entrando por um ouvido e saindo pelo outro.

         - Vocês, podem entrar. A Cerimônia de Seleção das Casas já vai começar e quero todos lá dentro. Chega de perdermos pontos. – e lançou um olhar austero aos garotos.

         Lílian, Arabella, Tiago, Pedro e Remo seguiram para o Salão Principal. Sirius fez questão de observar Hariel seguindo com a professora para dentro de sua sala. Todos se sentaram à mesa da Grifinória, casa que pertenciam. Sirius veio logo atrás. Ele tinha um sorriso maroto.

         - Desta vez, a Dumbledore caiu feio do cavalo. – dizia ele com prazer. Lílian e Arabella olharam feio.

         A Cerimônia passara relativamente rápido. Via-se a expressão contida do diretor, Alvo Dumbledore. Era um bom homem, ótimo diretor, mas vivia com problemas em relação à filha. Praticamente enlouquecera nas férias. Hariel e Sirius faziam questão de trocar “elogios” na hora das refeições, deixando Dumbledore extremamente encabulado. Agora, este ataque ao monitor da Sonserina. A cabeça estava cheia e ainda tinha Voldemort. O diretor sentia-se ligeiramente tonto.

         - Que fome! – dizia Pedro, olhando os pratos de todos. – Há tanto tempo que sonhava com esta fartura de Hogwarts.

         Lílian e Arabella trocaram olhares, pensando: “Como ele estava com saudades e pode ter engordado?”. Pouco depois, Hariel voltou e sentou-se à mesa com os amigos.

         - Como foi? – indagou Remo.

         - Perdemos vinte pontos e eu fui impedida de ir ao primeiro passeio a Hogsmeade. – repetiu a garota suspirando ao final.

         Sirius afogou uma risada. Hariel percebeu, mas preferiu calar-se.

         - Ah! Eu posso ficar aqui com você. – disse Arabella solidária.

         - É! Eu também. – propôs Lílian.

         - Não mesmo. É apenas uma tarde. Assim, eu até peço para vocês comprarem algo para mim. – respondeu Hariel, mordendo uma maça.

         - O importante é que neste ano eu poderei me inscrever para o quadribol. – interrompeu Tiago sorrindo.

         - Realmente, eu havia me esquecido disto! – dizia Hariel animando-se, até que Sirius a atropelou.

         - Se eu for selecionado, no meu time é que você não entra!

         - Como se você conseguisse este feito! – respondeu Hariel.

         Os dois ficaram se encarando. Pareciam que faíscas saiam dos belos olhos azuis de ambos. Arabella entrou no meio dos inimigos e deu um sorriso. O jantar estava estragado.

***

Durante três dias Sirius e Hariel não se falaram. Ninguém mais se incomodava. Enquanto isso, o garoto tentava jogar seu charme para cima de Arabella, mas a garota não dava chance. Hariel ocupava-se de treinar o quanto podia para o teste de quadribol, que aconteceria dali duas semanas. Desejava a posição de artilheira, mas como o time já possuía os três nesta posição, praticava a função de batedora. Talvez apanhador fosse mais seu estilo, mas esta posição já era de Tiago. Ele a perseguia desde que entrara em Hogwarts, mas como não tinha idade, continuava como apenas um espectador.

         Numa tarde livre, as aulas haviam sido suspensas por causa de um mal súbito da professora de Aritmancia. Tiago e Hariel treinavam no jardim da escola. Lílian e Remo assistiam sentados na grama.

         - Agora, coloque bastante força neste braço Hariel! – gritava Tiago com a amiga.

         Remo gargalhava. Hariel não levava jeito para ser batedora. Mas mesmo assim, não desistia. Lílian tinha a cabeça encostada no ombro do amigo. No último ano, haviam se tornado muito amigos. Lílian percebia que havia algo em Remo, mas nunca comentara nada com ele.

         - A Hariel te falou o que foi que o Malfoy falou para ela? – indagou Remo para a amiga.

         - Não. Ela nem tocou mais no assunto. Você sabe como ela mudou desde o desaparecimento da mãe dela, não é? Ela está bem mais fechada. Acho até que a professora McGonagall falou algo mais para ela.

         - Será? Eu percebo que a cada dia, a situação anda piorando. Só quero ver quando acontecer estes testes.

         - Como assim?

         - Ah, você não está sabendo? – estranhou Remo ao ver a cara perdida de Lílian. – Sirius também fará testes para batedor.

         Lílian arregalou os olhos. Remo deu uma risada.

         - A coisa vai ficar bem pior... Pode esperar.

         Lá em cima, Tiago observava Lílian e Remo conversando. Ele mordia os lábios. Hariel estava em sua vassoura, esperando Tiago lançar um balaço de mentira, mas ele apenas murmurava coisas.

         - Tiago! Tiago! – chamava a garota. Tiago virou-se para ela e de repente Hariel entendeu tudo ao olhar para baixo, mas preferiu ficar quieta.

         Enquanto isso, Arabella tentava ler um livro na biblioteca, mas era importunada por uma presença nada agradável no momento.

         - Sirius, já chega! Eu preciso estudar! – reclamava a garota impaciente.

         - Não vou deixar você estudar enquanto não olhar para mim. – repetia o garoto pela décima vez.

         - O que foi? – perguntou a garota, virando-se para o amigo.

         - Quem você encontrou nas férias?

         Arabella bufou.

         - E o que você tem a ver com os meus problemas? Isso não te interessa!

         - É claro que me interessa, Bella!

         Arabella já perdia a paciência.

         - Se eu contar, você promete largar do meu pé?

         - Prometo. – dizia ele cruzando os dedos por baixo da mesa.

         - Eu encontrei o apanhador da Corvinal...

         - O que você estava fazendo com aquele Adams nojento?!

         A garota revirou os olhos, aborrecida. Sirius gritava várias coisas em seu ouvido até que Madame Pince aproximou-se e o tirou da biblioteca.

         - O senhor faz muito barulho para uma pessoa só! – alegava a bibliotecária.

***

No jantar, Lúcio Malfoy ficara encarando Hariel. A garota fingia que não notava a cara macilenta e horrorosa do garoto a medindo. Estava sendo vigiada pelo pai constantemente, portanto não deveria fazer nada que comprometesse seu desempenho em Hogwarts. Quando estavam deixando o salão, Lúcio e seus “amigos” passaram ao lado dos garotos.

         - Cuidado Black – disse olhando tanto para Sirius quanto para Remo, Pedro e Tiago. – Vocês podem estar andando com algum espião de Você-Sabe-Quem.

         - Impossível. Não andamos com vocês. – respondeu Sirius.

         Lúcio deu uma risadinha e seguiu o caminho para a torre da Sonserina. Os garotos não se incomodaram e continuaram a subir as escadas. Remo parou-os antes de entrar na sala comunal.

         - O que o Malfoy quis dizer com aquilo?

            - Não faço idéia. Tudo que vem daquela cabeça é besteira. Não se incomodem. – respondeu Sirius, dizendo em seguida a senha.

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