ANGÉLICA MARIA LIMA MANSANO GARCIA

Assuntos Médicos


TABAGISMO

Palestra sobre "Tabagismo" proferida durante o Curso "Como Deixar de Fumar" da Igreja Adventista de Dracena em 20 de agosto de 2003.


Sumário

1. Introdução:
Algumas Palavras sob o Ponto de Vista Teológico.

2. Tabagismo:
Na Gravidez e Conseqüências para o Feto
Na Infância
Na Adolescência

No final desta página estão os links para os painéis .ppt que acompanharam as palestras.


1. Introdução:
Algumas Palavras sob o Ponto de Vista Teológico.

Aproveitando a oportunidade de estarmos reunidos numa Igreja é admissível traçar uma breve reflexão sobre o porquê do Fumo ou de qualquer outro vício, ou outra doença, mas não do ponto de vista médico, mas do teológico. 

Começarei pela não existência de nenhuma doença antes do pecado ter entrado no mundo, e com este, por causa deste, a morte. 
Assim, temos que a maior doença do mundo a partir de então, passou a ser o pecado, e que o corpo passou a sofrer em todo o seu ser como reflexo deste. 
Conseqüentemente à expulsão da presença de Deus dos nossos ancestrais do paraíso, e da nossa própria através dos nossos próprios, sofremos e fomos fadados a trabalhar e a suar para o nosso sustento, e a vivenciar a falta de saúde, em todos os níveis: quer seja mental, físico e espiritual (alma). Tornamo-nos escravos daquele que nos seduziu com a sua astúcia ao dizermos "não" àquele que nos criou, o Senhor, em quem éramos livres; preferindo tornarmos 'senhores' de nós mesmos, iludidos com a nossa auto-suficiência, enganados com a idéia de um "livre arbítrio", agora então, decaído. 
Daí, para a escravidão ou dependência de coisas que nos prejudicam, apesar de acharmos graça ou satisfação para nosso corpo e bem estar, é mais que pura questão de analogia: é uma realidade bíblica da qual não se pode fugir, nem escapar.

Passamos a fazer o que nos agrada por termos perdido o elo (com o Senhor) e o foco (a razão para a qual ele nos criou), o objetivo inicial da criação, e em vez de agradar a Deus, como planejado por Ele, passamos a nos agradar e servir-nos dele, invertendo a ordem. 
Não haveria morte, nem doenças, nem guerras, nem inimizades, nem inveja e nem cobiça, nem filhos desobedientes, nem pais omissos ou irresponsáveis, se o pecado não houvesse entrado no mundo; e assim, continuamos nós, em desobediência.

Felizmente, Deus na sua imensa misericórdia, proveu-nos uma reconciliação consigo, em seu Filho para que voltássemos às práticas agradáveis a Deus, e para obtermos cura, definitivamente, da nossa alma. 
Esta reconciliação pode ser apreciada, do início ao fim das Escrituras. Posso citar duas para não estendermos além do necessário. Como exemplo, 2 Cor 5. 17-21, Jo 3.16. 
E como a alma é o espelho do corpo é prioritário que sejamos curados da nossa alma pelo Filho e através do Cristo, para que recebamos as bênçãos previamente concedidas por Deus, livrando-nos e fortalecendo-nos para nos livrar de todo e qualquer vício.

Quanto vale a saúde física? 
Vale a pena ter um corpo sadio, um corpo cujo coração é arbitrário, que se gaba de fazer o que deseja, e perecer no inferno por causa de tal auto-suficiência? 
É possível um corpo cheio de doença ou mesmo mutilado entrar para a vida eterna através de Jesus, mas é impossível a um corpo sadio, bonito, rico e com tudo o mais que quiserem, entrar para a vida eterna sem a restauração da sua alma feita por Cristo Jesus, o nosso Senhor. 
Assim, vale a palavra dEle: "Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Mt 6.24). Devemos "Buscar em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça", para que o resto nos seja acrescentado (Mt 6.33). Inclusive a liberdade da dependência e do vício de fumar! "Para a liberdade é que Cristo nos libertou"! (Gl 5.1)

2. Tabagismo:

Passo agora a abordar o problema do ponto de vista médico. Trago alguns resumos recentes de trabalhos feitos e publicados na literatura médica Americana, e vou distribuí-los em 3 faixas distintas: os Efeitos Sobre o Feto, sobre a Primeira Infância, e a Influência do Fumo entre as Adolescentes, todos citados na revista eletrônica Americana Medscape, de agosto 2003.

Todos sabem que o fumo prejudica o pulmão, provoca alterações nas células que resultam em cânceres de diversos órgãos, inclusive o pulmão, boca, vias aéreas superiores, além de prejudicar a circulação sanguínea e levar a distúrbios cardíacos e de oxigenação cerebral. Mas isso já foi falado nas palestras anteriores

Gravidez e fumo

[Veja no final desta página os painéis .ppt que acompanharam a palestra]

Num trabalho relacionando a via alveolar e a exposição ao cigarro intra útero, Drs. JG Elliot, NG Carroll, AL James e PJ Robinson, publicaram no American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine (2003), conforme noticiado na revista eletrônica americana Medscape de agosto 2003, que mães que fumam durante a gravidez, levam a riscos para a saúde de seus filhos, incluindo efeitos sobre o crescimento, diminuição da função respiratória, e aumento do risco para aparecimento de sibilos e asma, assim como um risco bastante aumentado para a síndrome da morte súbita.A exposição intra-útero está relacionado com função pulmonar pós-natal anormal. O mecanismo envolvido é desconhecido, mas pode ser relacionado com desenvolvimento alterado intra-útero da via respiratória e pulmões. O estudo avaliou a estrutura das vias aéreas e da ligação alveolar em infantes com e sem exposição intra-útero ao fumo. Avaliaram o conteúdo da elastina no parênquima pulmonar em ambos os grupos.

Convidaram pais de crianças que haviam morrido por morte súbita, que preencheram um completo questionário sobre história de tabagismo materno durante a gravidez, idade gestacional, peso de nascimento, sexo, e idade na época da morte. Foram tomadas amostras do parênquima à autópsia. Mediram as dimensões das vias aéreas, e o conteúdo de elastina. As 32 crianças do estudo foram divididas em grupos distintos, os que não sofreram exposição (8), os que sofreram exposição intra-uterina (4), os de exposição pós-natal apenas (4), e ambas as exposições -in útero e pós-natal (16). Não havia diferença entre sexo, idade de nascimento ou de morte, ou peso de nascimento.

Acharam aumento significante na distância entre pontos de ligação da via alveolar nas crianças duplamente expostas ao fumo (intra-útero e pós-natal). Análises retrospectivas demonstraram que exposição ao fumo e idade gestacional diminuída estava relacionada com aumento da distância entre os pontos de ligação da via aérea. 

Os autores relataram um estudo onde acharam um aumento da espessura das paredes das vias aéreas internas em infantes de mães que fumavam mais de 20 cigarros por dia, e concluíram a existência de droga-efeito.

Afirmam que a função pulmonar é afetada pela exposição intra-útero. Estruturas alteradas das vias aéreas podem ser responsáveis pelos sintomas e função anormal das vias respiratórias vistas no período pós-natal. 

Outros investigadores têm demonstrado uma redução em número e um aumento em distância entre ligações alveolares em fumantes de cigarro versus não fumantes. Nos infantes expostos, o possível mecanismo para ligações alveolares anormais seja a destruição dos alvéolos existentes ou desenvolvimento anormal destes. Redução da alveolização pode ser secundária ao menor desenvolvimento do crescimento somático. 

Os autores concluíram que a exposição in útero possa ser considerada uma forma exclusiva de fumo passivo, e que o fumo durante a gravidez altera estruturas das vias aéreas.

Banir o hábito de fumar reduz  exposição dos infantes

[Veja no final desta página os painéis .ppt que acompanharam a palestra]

A Reuters Health de Jul 31, 2003 fez uma referência a um artigo do British Medical Journal e citado na revista eletrônica americana Medscape de agosto 2003  que demonstra que proibir o fumo dentro de casa produz uma pequena, mas significante queda da exposição de infantes ao fumo. Num estudo entre 314 pais fumantes em domicilio, praticamente todos afirmaram acreditar que o fumo era nocivo, embora apenas uma minoria deixaria de fumar em casa. 

86% de pais consideraram fumo prejudicial e 90% acreditavam que crianças deveriam ser protegidas contra o fumo em casa, relata um estudo do Reino Unido. Embora 65% dos pais usaram medidas protetoras, apenas 18% pararam / proibiram fumar em casa.

Das várias formas de medidas tomadas, incluindo arejar salas após fumar e não fumar na mesma sala que as crianças estejam, a única medida que se mostrou eficaz no nível de nicotina na urina dessas crianças, foi banir completamente o fumar em casa. 

Não está claro, entretanto, se a redução destes níveis de nicotina traduz em significante redução no risco de morte subida na infância, notam os autores.

Adolescentes

[Não há registro de texto desta parte da palestra - foram utilizados os painéis indicados abaixo]
J Midwifery Womens Health, 2003/National Longitudinal Study of Adolescent Health
Mary Ann Faucher, CNM, PhD. Fonte Medscape.com


Painéis (formato .ppt):

Gravidez e fumo

Fumo em infantes

Fatores que influenciam tabagismo nas adolescentes

 

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