ANGÉLICA MARIA LIMA MANSANO GARCIA

Assuntos Missionários


POR QUE MISSÕES?
 


POR QUE MISSÕES? 

“Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do pai, e do filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estarei convosco até a consumação do século.” (Mateus 28.18-20) 

Todos sabemos que Deus não nos chamou para ficarmos de braços cruzados e apreciarmos agradecidos a sua graça salvadora. Também é bem certo que todos fazemos certo tipo de “missão” quando estamos falando de Jesus e dando suas boas novas da salvação.
         Missão é ordem, é mandamento! Se não falamos de Jesus, algo está errado: “Quem não fala com contagiante alegria daquele que é seu noivo?”
Se a Igreja de Jesus Cristo vai ser apresentada como noiva à Deus naquele dia, é de se esperar que tenhamos comportamento de noivas: alegrarmos por pertencermos a ele, termos alegria em testemunhar dele, falar com amor e devoção do nosso noivo a todos quanto possível, e acima de tudo, honrá-lo! 

Há muito li um artigo com esse título na Internet, no site da Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil (http://www.ipcb.org.br) .
Eu fiquei impressionada com a história de um missionário que cambiava sua única camisa com um outro missionário, para poder lavar a camisa tão logo esse chegasse, para ir com ela ao culto da noite. Era uma só camisa para os dois! 

Mas, por que Missões?  

Responde o Prof. Dr. e Rev. João Alves dos Santos, professor do Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, da Universidade Mackenzie, autor do referido artigo (http://www.ipcb.org.br/Publicacoes/por_que_missoes.htm) :  

“Talvez a pergunta deveria ser: por que não se falou mais em missões anteriormente? O espírito missionário precisa caracterizar a Igreja se ela quiser ser igreja de Cristo. Não se concebe uma igreja viva, dinâmica e crescente, sem o espírito missionário. Ele faz parte da própria natureza da igreja, como agente do reino de Deus. Propagar as boas novas do Evangelho, ser o sal da terra e a luz do mundo, influenciar a sociedade, tudo isso é tarefa da igreja como corpo vivo, como agente transformador. A igreja é enviada ao mundo por Cristo assim como Cristo foi enviado ao mundo pelo Pai. É o que se entende por “apostolado da igreja”. Jesus disse na Sua oração sacerdotal: “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (João 17:18)”. 

O autor chama atenção para os principais motivos: desde atender a ordem básica de Jesus à expansão do Seu reino através do fortalecimento da fé e da Igreja local, ao exercício do ministério da misericórdia, da mesma misericórdia com a qual Deus nos agraciou.
Ele enumera nesta ordem em seu artigo:
 

1-  Porque é um mandamento de Cristo

2-  Porque é um meio de se chegar à fé e de expandir a igreja

     3.   Porque é um meio de se fortalecer a igreja local

     4.   Porque é um meio de se exercer o ministério da misericórdia

Em se tratando da região hoje conhecida como Janela 10-40, é bom lembrarmos que as primeiras viagens missionárias do apóstolo Paulo começaram por essa região, comenta Luis Bush, Diretor Internacional do Movimento AD 2000 e ALEM, em seu artigo “Janela 10-40 – Indo ao Núcleo do Núcleo”

No artigo do prof. João, lemos que após a ordem de Jesus dada em Mateus 28.19-20 “os apóstolos estabeleceram a igreja com oficiais e governo e a implantaram em, praticamente, todas as regiões do mundo conhecido. Não só nos campos mencionados em Atos dos Apóstolos e nas epístolas, mas conforme a tradição, em vários outros lugares como a Índia, a Etiópia, etc, etc”, e que “a partir dos apóstolos, o trabalho missionário passou a ser função essencial da igreja, parte da sua própria natureza”. 

Continuando, o autor afirma a missão da Igreja dada “em Atos 8:4” onde “lemos que, entrementes, os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra. A igreja não precisou de outro mandamento. Entendeu que aquele dado aos apóstolos se aplicava a ela também e apenas seguiu o exemplo dos que iniciaram e estabeleceram esse trabalho”, conclui com firmeza. 

Nós precisamos ser também ‘imitadores’ dos apóstolos como nos ordena Paulo (1 Cor 11.1): há almas a serem ganhas, há gente a ser salva, e é através da pregação ou anúncio da Palavra que poderão ouvir de Jesus e crer; mas como se diz nas Escrituras, “como poderão crer se não há quem pregue”? (Rm 10.14)

A propósito, é o que o Prof. João denomina de “cadeia da evangelização e da obra missionária:  

“Para alguém invocar precisa primeiro crer e que para alguém crer precisa primeiro ouvir e que para alguém ouvir é preciso haver quem pregue e que para haver quem pregue é preciso haver quem envie (Rm 10:13-15)”. Completando o raciocínio, acrescenta: “Na base dessa cadeia está o Senhor Deus, que enviou o Senhor Jesus, que enviou a Sua igreja, que envia os seus pregadores”. 

Mas, é a ordem só para aqueles discípulos, ou para os missionários e os pastores de hoje? Têm os ‘leigos’ alguma participação em missões?  

Bem, com certeza não é preciso lembrar que como nosso Senhor, Jesus ordena aos que são seus. Somos “sacerdócio real... a fim de proclamar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” como nos Pedro na sua 1ª. Epístola.
A nossa responsabilidade também foi colocada por Ezequiel, no capítulo 33, quando Deus estabelece o seu servo como “atalaia” que deve avisar, “tocar a trombeta” e avisar seu semelhante do mau que está por vir. Isaías, no capitulo 58, faz semelhante advertência com o propósito de que o transgressor arrependa-se, abandone sua transgressão e se volte de forma adequada para Deus, para ser salvo. 

Como diz o autor do artigo, a obediência a grande comissão dada por Jesus “é o caminho de Deus para trazer os Seus escolhidos à fé: a pregação”.
Uma pessoa mesmo sem ser “missionária” ou “pastor” deve ser “evangelista” no seu meio ambiente, e levar as pessoas à realidade e à verdade de Cristo. O seu testemunho é valioso. Ela tem a verdade de Cristo, a Sua Palavra, e a Sua ordem, carregados em “vaso de barro”.  

Colocando nas palavras do autor aprendemos que 

“Missão é tarefa da igreja. Foi assim desde o princípio. Primeiro a igreja, partindo de Jerusalém, se fez presente em Samaria, através do evangelista Filipe e dos apóstolos Pedro e João (At 8:5-14), depois em Antioquia, através de Barnabé e Paulo (At 11:22-26) e de Antioquia ela se espalhou para as outras regiões da Ásia e Europa (At 13:2-4), já nos dias apostólicos”.  

“A igreja, no seu sentido espiritual, está presente onde quer que se encontre um de seus verdadeiros membros. E ali está também o testemunho e o anúncio da verdade de Cristo, conforme Atos 8:4. Muitas igrejas começam assim, com o testemunho e trabalho de evangelização de um só crente. Mas, para que o trabalho seja estabelecido e confirmado, é preciso que a autoridade eclesiástica, devidamente reconhecida, se faça presente ali. Foi assim nos primeiros dias, conforme vimos acima. E tem sido assim, em todos os tempos”. 

Mas, e a ordem, professor? 

                   É verdade que esta ordem (Mt 28.19-20) foi dada primeiramente aos apóstolos e alguns dos aspectos nela envolvidos dizem respeito mais particularmente a eles como os que iriam estabelecer a igreja neotestamentária e dar-lhe organização formal. Batizar os primeiros discípulos e ensinar-lhes “a guardar todas as coisas” que Jesus tinha ordenado só os apóstolos poderiam fazer, porque só eles receberam essa autoridade e só eles receberam de Jesus  os ensinamentos, tanto aqueles que Ele lhes tinha dado pessoalmente, durante Seu ministério terreno, como os que deu mais tarde, por revelação do Espírito Santo, para que escrevessem as Escrituras do Novo Testamento”. 

O que teria acontecido se nossos irmãos da igreja primitiva tivessem negligenciado a ordem de Jesus, o Senhor?
Como teria o evangelho chegado até nós?
Como você poderia ter sido salva se o evangelho não tivesse chegado aos seus ouvidos? Devemos pensar assim em relação aos outros também, para que esta mesma mensagem que por misericórdia Deus fez chegar até nós, chegue aos ouvidos daqueles que nem conhecemos e que distantes estão, e possa frutificar e fazer o efeito em seus corações para o qual Deus lhe propôs (Is 55.11).

“Se hoje temos a igreja estabelecida em nosso país foi porque ela saiu de suas fronteiras. Primeiro de Jerusalém, depois da Palestina, depois da Ásia, depois da Europa, e depois da América do Norte para chegar até aqui. E se hoje cremos, é porque alguém atravessou fronteiras e cruzou mares para nos trazer o evangelho. Este é o propósito de missões”, diz o professor. 

Se não podemos atravessar fronteiras, temos como ajudar os que atravessam. Os missionários evangélicos dizem que "missões se fazem com os pés dos que vão, com as mãos dos que doam, e com os joelhos dos que oram". 

“Nossas fronteiras não podem ser apenas as dos estados de nossa federação. O mandamento inclui “todas as nações”. Nossa visão não pode ser menor do que a dos apóstolos e discípulos de Cristo. É assim que as pessoas ouvirão e chegarão à fé, como ouviram em Samaria, em Antioquia, em Salamina, em Pafos, etc., etc.. Este é o caminho que Deus escolheu para trazer os homens à fé”, completa. 

“Ora, se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes”, diz Jesus em João 13.17.                            

CONCLUSÃO 

Ou indo, pregando, doando ou orando, teremos cumprido uma ordem: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado” (Marcos 16.16).
Certamente nos sentiremos mais felizes ao ver que, como a mensagem do evangelho é uma mensagem alegre, de boas novas, e de salvação eterna, o mundo se tornará mais amoroso, ameno, pacífico, abençoado e próspero, entre tantas outras benções. 

Aqueles que deixam tudo pela causa missionária costumam enfrentar perseguições, discriminações, doenças; não costumam ter dinheiro para pagar médicos ou para serem atendidos em hospitais e para comprar medicamentos.
Precisam de dentistas, de oftalmologistas, de dinheiro para comer, para se vestir, para comprar Bíblias para serem distribuídas.
Outros missionários abrem escolinhas de futebol ou escolinhas para a primeira infância que precisam do nosso apoio financeiro.
Muitas das missionárias casadas engravidam, e precisam assim de cuidados especiais, roupinhas de bebês, frutas, e as contribuições em dinheiro ajudam bastante! 

O Dr. João Alves enfoca a situação da contribuição da seguinte maneira: 

“A Bíblia diz: compartilhai as necessidades dos santos (Rm 12:13)”. 

“É forçoso reconhecer que temos feito muito pouco ou quase nada nesta área. Só aqueles que visitam os campos podem dizer em que condições de necessidade vivem alguns dos nossos irmãos. Roupas e sapatos que são enviados das nossas sobras são recebidos como preciosidade por aqueles que nada têm. Ouvimos que, em certo lugar, dois irmãos se revezavam na freqüência aos cultos dominicais, um de manhã e o outro à noite, porque eles tinham apenas uma camisa para ambos. Fatos como esses nos comovem e nos envergonham!” (grifos meus). 

Vamos mudar essa situação? Vamos aplicar 2 Cor 7.2 e 2 Cor 8.1-15 às nossas vidas? Vamos obedecer a Romanos 12.13?  

Assim, finalizo com as sábias palavras do professor:  

“Estas são, dentre outras, algumas das razões porque a Igreja precisa envolver-se em missões. Elas fazem parte de sua própria natureza e são essenciais à sua subsistência, como Igreja de Cristo. Cumprem o mandamento do Senhor, trazem os eleitos à fé, promovem o crescimento da igreja local e nos levam a simpatizar-nos com os que sofrem, fazendo-nos sentir como membros de uma mesma família”. 

Que Deus nos abençoe, e nos perdoe caso não tenhamos sido obedientes aos mandamentos aqui tratados.
Amém
.
 


Angélica Maria Lima Mansano Garcia 

 

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